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É hora de ir, filhinha.
Já aprontei a carroça.
Será ótimo ter Sully de volta.
Sim, será.
- Bom dia, reverendo. - Dra. Mike.
- É ótimo vê-lo por aqui. - Sim.
Michaela?
Tio Teddy?
Tio Teddy!
Michaela querida!
Que surpresa maravilhosa! Por que não me avisou?
Ah, eu mesmo não sabia.
Eu ia para San Francisco, mas estava perto de Colorado Springs...
e tive que vir para vê-la.
E conhecer sua linda família. Essa deve ser...
- Essa é Katie. - Olá, Katie querida.
E você deve ser Brian.
Eu tinha que conhecê-lo depois das maravilhas...
que sua mãe disse a seu respeito.
- Ela disse? - De fato, ela disse!
E onde está Sully?
- Nós estávamos indo encontrá-lo. - Eu os acompanho. Posso?
Bem...
Por que não?
Leve a carroça ao estábulo.
Então vamos.
Agora que chegou, vai ficar um pouco?
Por alguns dias, sim. Estou começando meus concertos.
Tocou mesmo pro rei da Noruega, tio Teddy?
Tio Theodore. Só eu tenho permissão para chamá-lo de "Tio Teddy".
Talvez eu abra uma exceção nesse caso.
O que acha, Michaela?
Sabia que estou tomando aulas de piano?
Aulas de piano? Aqui?
Precisa tocar para mim.
Talvez o senhor pudesse me dar algumas aulas.
Eu ficaria feliz.
Talvez devesse levar Tio Teddy na Grace.
Mas não íamos encontrar o Sully?
Eu levo Sully até a Grace.
- Onde está Sully? - Bem ali. Venha, eu te mostro.
Mas... Eu acho que...
Oi, Matthew.
Bom dia.
Matthew, quero que conheça meu tio Theodore.
- Prazer em conhecê-lo. - Como vai?
Sully foi preso por algo que tomou como uma questão de princípios.
Uma desobediência civil. Bom homem.
Eu mesmo sou um pacifista.
Não fui preso por isso.
Pode ir.
A gente se vê, Matthew.
Não esqueça isso.
O tacape.
Senti sua falta, pai.
Eu também senti a sua.
Tio Teddy, lhe apresento meu marido, Byron Sully.
Sully, meu padrinho, Theodore Quinn.
- É um prazer conhecê-lo, - Não, o prazer é todo meu.
Esperei muito por esse momento.
Sei que serão grandes amigos.
5ª Temporada - Episódio 15 Aparição de Despedida
Ela podia estar sentada no topo da escada com um livro...
fingindo estar estudando, logo acima da sala...
mas estava o tempo todo ouvindo nossas...
discussões sobre a imoralidade da escravidão.
Todas as noites, ela descia um pequeno degrau...
até que finalmente estava na sala entre nós.
Era tímida demais pra expressar sua opinião?
Posso apostar. Ei...
- Michaela já se encrencou? - Não, espere aí...
- Bem... Houve uma vez... - Sério?
Tio Teddy!
Em que ela foi raptada por comerciantes de escravos.
- Quer dizer sequestrada? - Bem... foi o que pensamos.
Ela tinha sumido.
Toda Beacon Hill ficou em polvorosa e sua mãe até chamou os bombeiros.
- E sabem onde a encontramos? - Onde?
Eu não me lembro de nada disso!
No hospital onde o pai dela realizava cirurgias.
Estava na primeira fila da sala de cirurgias com os estudantes.
- E adivinhe qual explicação ela nos deu? - Que ia ser médica quando crescesse?
Você é bem perceptivo, meu jovem.
Não lhe dê ouvidos. O faria acreditar que fui rude...
atrevida e desrespeitosa. Foi Carleton quem me deu idéias.
Se lembra de quando nos encontrou afinando seu piano?
- Quem é Carleton? - Meu primo, filho do tio Teddy.
- Era o garoto mais bonito de Boston. - Ora, agora...
acho que já é o suficiente dessa conversa de "se lembra quando?", não?
E eu até me atraí por ele.
Você ia dar um recital ao governador...
- Se lembra, tio Teddy? E Carleton... - Falando de recitais...
Vou precisar de um lugar para praticar. Tem um piano em casa?
Mas tenho certeza que o reverendo pode lhe emprestar o da igreja.
Certo.
- Tudo bem aí, reverendo? - Tudo bem.
Você... tem certeza que quer levar tudo isso?
Ter isso comigo será um conforto.
- Pegou o relógio da escrivaninha? - Tenho um relógio no armazém.
Por favor, Loren. Quero levar aquele relógio.
Ele pertenceu à minha mãe.
Me lembro de quando era criança, ouvindo seus tique-taques...
Reverendo?
- Michaela? - Oi, reverendo.
- Oi, Brian. - Está sozinho?
Não, Loren está aqui.
Em algum lugar.
Eu trouxe meu tio, Theodore Quinn.
- Prazer em conhecê-lo. - Ah, prazer em conhecê-lo.
Ele precisa de um piano para praticar e achei que poderia usar o da igreja.
Ah, sim. Claro. Seria ótimo.
É bom saber que terá alguma utilidade.
Está se mudando?
Só estou levando alguns pertences ao Loren por um tempo.
Ficarei no velho quarto de Dorothy por enquanto.
E esse é Loren Bray.
É o dono do armazém. Esse é meu tio Theodore.
Como vai?
- É irmão de Elizabeth? - Não.
Do meu pai.
O piano fica por aqui.
Muito obrigado. Michaela, sente-se aqui.
Vamos, pelos velhos tempos.
- Faz tanto tempo... - Sim.
Pronta?
As últimas... E...
Essa foi a primeira peça que tio Teddy me ensinou.
Pode me ensinar também?
Sim, mas eu soube que já toca mais do que isso.
Pelo jeito ele já sabe disso.
- Quer que coloque o relógio naquela mesa? - Sim, claro. Está ótimo.
Há mais alguma coisa que eu possa fazer?
Não, eu vou ficar bem.
Horácio estava te procurando. Chegou isso.
De quem é?
Welland Smith.
Aquele que te ofereceu trabalho no Parque de Yellowstone?
- É. - E o que ele quer?
A ferrovia comprou um trecho que passa pela terra de Red Rocks.
O que ele planeja fazer a respeito?
Nada.
E o que você planeja fazer?
Entre.
Eu sabia que tinha uma fotografia de Carleton em algum lugar.
Estava dentro de um livro.
Vocês com certeza têm uma linda casa aqui na fronteira.
Sully a construiu com suas próprias mãos.
Sim, ele é um ótimo artesão, mas suspeito que seu toque especial a tornou um lar.
Bem, vou deixar que termine o que fazia.
O jantar logo estará pronto.
Dá uma olhada nisso, tio Teddy.
- Que tal? - Sim.
Está tentando me exibir na frente do seu tio Teddy?
- Quer tentar? - Não.
Obrigado. Essas mãos nunca seguraram uma arma.
E nunca segurarão.
Pacifistas acreditam que toda violência é errada, Brian.
Mas não é violência. É só uma competição amigável.
Sim, mas...
Para qual fim?
Desculpe. Deve me perdoar.
Nós músicos somos absurdamente protetores de nossas mãos.
É disso mesmo que precisa se alimentar, mocinho.
Mãe... Pode me dar licença?
- Tenho lição de casa pra fazer. - Claro.
- Estude bastante. - Boa noite, Brian.
Matthew me disse que recebeu um telegrama de Welland Smith.
É.
Más notícias.
A ferrovia planeja construir uma ramificação bem no meio de Red Rocks.
Vender a terra, desapropriá-la.
- Mas isso a arruinaria. - Arruinaria? O quê?
Um vale com belas formações rochosas.
Sully esteve trabalhando para conseguir com que ele seja um parque nacional.
Sim, é uma linda região.
Mas não será por muito tempo a menos que façamos algo para salvá-la.
Como propõe fazer isso?
Detendo a ferrovia.
Achei que a ferrovia melhorasse a vida na fronteira.
- Depende de como se encara isso. - O progresso é inevitável.
Inevitável não é necessariamente bom.
Tio Teddy, o senhor concordaria...
que é importante preservar as belezas da terra...
- para as futuras gerações. - Sim, sim! Claro.
As glórias da natureza. Com certeza eu concordo.
Mas e as glórias da civilização? Arte, literatura, música...
Vejam o Brian, por exemplo.
Qualquer pai iria querer essas oportunidades para o seu filho.
Vou buscar a sobremesa.
Vejo que é um homem de princípios, e eu respeito isso.
Digo o mesmo do senhor.
E eu suponho que considere...
O que oferece um futuro mais promissor para um jovem como Brian?
Proteger um adorável pedaço de terra...
Ou abrir passagem para museus, bibliotecas, casas de concertos?
Acho que Brian é quem decide.
Sim.
É ele.
E então o seu tio se mudou de Boston?
Sim, depois que Carleton morreu.
Os abolicionistas de Boston precisavam de recrutas.
Carleton se alistou, contra os desejos do pai.
Ele partiu no dia seguinte.
Ele foi morto no segundo dia em Gettysburg.
Tio Teddy foi até lá...
Caminhou pelo campo de batalha por horas...
- procurando até que encontrou o corpo. - É o bastante pra tornar alguém pacifista.
Ele já era um pacifista.
Desde que eu me lembre.
Deve pensar o que você está fazendo num lugar desses.
Não, ao contrário. Ele adorou nossa casa. Ele me disse.
Não, eu quis dizer...
É o que ele disse sobre Brian.
Sobre música, e arte.
Precisa ter paciência com ele, Sully.
Sei que ele tem idéias diferentes, mas ele veio de um mundo diferente.
É só que...
Ele se importa demais.
5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14 passos até o balcão...
A escada fica à esquerda.
A mesma coisa de antes.
Por que não descansa?
Preciso praticar como andar sozinho.
Bom dia.
- Posso ajudar? - Tudo bem, eu limpo.
Olha, soube que Grace está servindo torta de ruibarbo hoje...
Por que não leva seu tio e o reverendo até lá?
Não, não. Prefiro não fazer isso agora.
Eu vim para irmos à clínica para a sua consulta.
Preciso examinar seu nervo ótico.
- Ver se ainda está inchado. - Boa idéia.
- Vai conosco, tio? - Não, obrigado.
Vou ficar e dar uma olhada por aí.
Se precisar de alguma coisa... é só dizer.
Obrigado.
Ela é especial, essa sua sobrinha.
Sim, não é?
E o marido dela - Sully -, você o conhece bem?
Ah, sim.
Ele foi casado com minha filha Abigail.
Eu não sabia disso.
Ela morreu.
Sinto muito.
- Muito trágico. - É.
E... Sully é um sujeito interessante.
Eu diria... Incomum.
Ele viveu com os índios.
Michaela me disse que ele é um agente indígena.
Ele foi. Ele foi. Mas teve problemas...
É uma longa história.
Quando eu cheguei, Sully estava saindo da cadeia.
Ah, isso foi por outra coisa.
- Algo a ver com uma represa. - Represa?
Tentou roubar dinamite.
- Boa tarde, senhor. - Boa tarde.
- Olá, Brian. - Oi, tio Teddy.
Como foi a escola hoje?
Ótima.
Achei que seria uma boa hora para as aulas de piano.
Claro. Contanto que terminemos antes das 4 hs.
Sabe, eu e Sully...
"Sully e eu". Desculpe a interrupção...
Mas o modo como falamos reflete nossa educação.
Como cavalheiros, diríamos "Sully e eu".
Assim não pensariam que somos ignorantes ou analfabetos.
Como eu dizia...
- Sully e eu vamos à reserva às 4 hs. - Reserva indígena?
- É. E Sully não pode entrar nela. - Por que não?
Ele teve problemas com o exército e não deixam que ele entre.
Então eu que levo as coisas pra Nuvem Dançando.
Ele manda você até lá, com índios e soldados? Sozinho?
É!
Você tem um dom.
Obrigado, senhor.
É sério, Brian. Você toca...
a música interior.
Não que sua técnica seja tão boa quanto possa ser, mas você pode aprender.
Tive uma idéia.
Por que você e eu não realizamos um recital?
Aqui na igreja, antes de eu partir para San Francisco?
Como uma surpresa para a sua mãe.
Um recital?
Por que não?
Podemos tocar aquele dueto que tocou com a mãe?
Sim, claro. Se quiser.
É uma pena que não possa apreciar inteiramente a harmonia da música...
nesse velho e cansado instrumento.
Tive uma idéia.
- O Pepita de Ouro? - É.
Acabaram de abrir. Têm um piano novinho. Vamos.
Talvez não devamos mencionar isso à sua mãe.
Meu tio e eu estávamos pensando se podíamos tocar o piano.
Eu... Não acho que esse tipo de música seja do gosto dos meus clientes.
Não estou vendo mais ninguém querendo tocar.
Acho que não.
Ele tocou pra reis e rainhas do mundo todo...
- e você não quer ouví-lo? - Deixe ele tocar.
Nada mal.
Eu estava esperando. Achei que tivéssemos planos.
- Desculpe, Sully. Eu esqueci. - Não o culpe.
É culpa minha. Fomos envolvidos pela música e perdemos a noção do tempo.
Está pronto? Vamos.
Reverendo.
Por que têm que fazer isso tão impossível?
Por que não deixa eu fazer isso pra você?
- Só estou tentando ajudar. - Eu não quero ajuda.
- Cinco horas. - É.
Hora do jantar.
- Você vem? - Não.
Eu... te trago um pouco de bolo de carne.
- Posso interromper? - Claro, a qualquer hora.
Brian disse que ia à reserva.
Ele sempre vai com Sully.
Mas... os índios e o exército... Não é uma situação perigosa?
Complicada, mas não perigosa.
Um grande amigo nosso vive lá.
Michaela, não duvido que Sully seja bem intencionado...
mas fico imaginando se não é...
Impulsivo ás vezes. Desviado até.
Não perguntei o motivo exato de Sully ter sido preso...
mas isso me causa certa inquietação em relação à Brian.
Está sugerindo que Sully faria algo para pôr Brian em perigo?
Eu não quis dizer isso. Lhe asseguro.
É ótimo que tenha esse interesse por Brian.
Em vários aspectos, ele me faz lembrar Carleton.
Sim.
Sim. É talentoso...
E brilhante, confiante.
Imagino que a dor pela perda de um filho nunca passe.
Nunca se passa um dia...
Em que eu não sinta falta dele.
Acho que encontrei um jeito de salvar Red Rocks.
Se eu achar outra rota pra ramificação,...
uma melhor, poderei falar com a ferrovia pra que vá pra outra direção.
Mas há uma rota melhor?
Nuvem Dançando e os outros índios pensaram em Possum Valley.
Ao norte da estrada de Cripple Creek.
É meio longe mas é plana, e deve ser barata pra construir.
Parece uma ótima solução.
Eu vou até lá dar uma olhada amanhã e desenhar um mapa.
Eu disse à Brian que ele podia ir e me ajudar.
Vai levar Brian até lá?
E as aulas de piano?
Acho que podemos esperar mais um dia.
Tenho uns preparativos pra fazer.
Com certeza não vai permitir que Brian vá até lá.
Não vejo porque não.
Á um vale deserto? Em um confronto com a ferrovia?
Sully jamais faria algo para pôr Brian em perigo.
- Você precisa reconsiderar isso. - Tio Teddy...
Eu não permitirei isso!
Brian é nosso filho.
E não seu.
DEMOLIÇÕES PARA A REPRESA CONCLUÍDAS
- Bom dia, maestro. - Bom dia.
Eu estava curioso...
Esta é a mesma represa com a qual Sully se envolveu?
É.
Ele tentou persuadir a companhia a mudar de idéia.
Foi assim que ele foi parar na cadeia?
- As coisas saíram do controle. - Mas não foi culpa de Sully.
Os outros caras começaram a atirar.
- Eles atiraram? - É.
Um grande tiroteio.
É tudo nos dedos.
Cinco, um, dois, um, três.
Cinco, um, dois, um, três. Tente outra vez.
Foi exatamente o que eu disse.
Brian...
Vire-se. Quero conversar com você.
Brian, pode ter uma carreira brilhante à sua espera.
Se você a quiser.
- Tocando música? - Isso mesmo.
Mas... Não pode obtê-la aqui.
Precisa de treinamento adequado. Em Nova Iorque.
Nova Iorque?
- Mas quem me ensinaria? - Eu.
Ficaria feliz em fazê-lo.
- Mas onde eu viveria? - Poderia ficar comigo.
Claro que teria de trabalhar muito.
Mas iríamos a teatros ou...
à museus, e no verão iríamos a concertos no Washington Square.
Mas...
Você tem que querer isso.
Tem que querer mais do que qualquer coisa.
Tem que comprometer sua vida com a música.
Mas e a mãe, Sully e Katie?
Bem...
Poderia vir para visitá-los e eles poderiam ir vê-lo.
Brian...
Pense nisso.
Falaremos à respeito na aula de amanhã.
Eu vou à Possum Valley de manhã.
O recital é no dia seguinte.
Se perder o último ensaio... Não estará pronto.
Talvez possamos dar o recital no dia seguinte.
- Mas eu já terei ido embora. - Mas eu já disse à Sully que iria com ele.
Agora, Brian...
Me referi a isso quando falei de compromisso.
Tem que fazer uma escolha.
Pode ir à Possum Valley a qualquer dia.
Mas o recital...
É um passo ao seu futuro.
Aqui está.
É... um velho hábito que peguei de Dorothy.
Ela sempre tomava uma xícara de chá antes de dormir.
Se quiser açúcar, está ali na bandeja.
Deve ter se sentido sozinho quando Dorothy se mudou, hein?
Bem...
Fica muito silencioso aqui depois da hora de fechar.
Tente passar a noite em uma igreja vazia.
Pena que não deu certo com aquela amiga sua...
Há três anos. A professora.
Sempre acreditei que a mulher certa estaria em algum lugar lá fora.
Se eu fosse paciente, ela apareceria um dia. Agora...
Uma coisa é ser paciente demais, sabe?
Mas se esperar demais...
acaba não esperando mais nada.
Obrigado, Loren. Estava delicioso.
Sabe, não é nenhum incômodo você ficar aqui.
Pode ficar o quanto quiser.
Obrigado. É muita gentileza sua, Loren.
Quer que eu deixe a lamparina acesa?
Pra quê?
Bem...
- Boa noite, então. - Boa noite, Loren.
Mãe?
Já pensou que Sully fosse ignorante ou analfabeto pelo jeito que ele fala?
Por que pensou nisso?
Só estava pensando.
Bem... É importante aprender a falar corretamente.
Mas há muitas maneiras de se comunicar e...
a maneira de falar não é tão importante como o caráter.
Tio Teddy diz que ela reflete sua educação.
Disse que eu podia aprender a dar concertos, como ele...
se eu quiser muito.
Mas tenho que escolher entre isso e ir com Sully à Possum Valley.
O quê?
É que, eu e ele...
Ele e eu...
Estamos planejando um recital.
- Um recital? - É. Seria uma surpresa pra você, mas...
Se eu for com Sully, não estarei pronto.
E o que mais tio Teddy disse?
Disse que quer me dar aulas, me ensinar.
Disse que posso ficar com ele em Nova Iorque.
Bem, ir à Possum Valley não o impedirá de se tornar um músico.
Se decidir que quer ser isso.
E sobre o recital, talvez não possa fazer as duas coisas.
Mas não será a última vez que poderá tocar para mim.
Brian.
Está pronto pra ir?
Seja qual for sua decisão...
Sully e eu a respeitaremos.
Já estou indo, Sully.
Boa sorte.
Voltaremos amanhã.
Vamos.
Como pôde fazer isso com Brian?
- Nunca pensei que pudesse ser cruel. - Seja razoável.
Estou em uma posição que permite oferecer à ele oportunidades que nunca teria aqui.
Essa não é a questão.
A questão é que está se interpondo entre nós e nosso filho.
- O porquê, eu não entendo. - Claro que entende.
Mas se recusa a ver.
Está criticando a maneira como criamos nossos filhos?
Certamente criticarei se permitir que ele vá nessa tarefa perigosa com Sully.
- Eles já foram. - Quando?
Essa manhã.
Tio Teddy, espere!
- O que está fazendo? -Como se vai à Possum valley?
- Tio Teddy, seja razoável. - Se não me disser, alguém dirá.
- Não vá até lá. - Não ficarei parado...
e nem deixarei esse homem matar Brian como seu pai matou Carleton.
Vinte e dois graus...
Trinta minutos.
Fique aqui, garoto.
- E agora? - Vou olhar o outro lado da vala.
Tenha cuidado.
Tio Teddy!
Pare, por favor!
Brian!
Brian!
- Desculpe. Eu me desequilibrei. - Não foi culpa sua.
- Desculpa, mãe. - Acho que a perna está quebrada.
Vamos levá-lo à clínica.
Ele está bem?
Não saberei ao certo até que eu possa examiná-lo.
Não machuquei minhas mãos.
Em que estavam pensando?
Ele poderia ter morrido!
Estavam loucos, vocês dois?
Ele estava indo bem até você aparecer.
Está mesmo quebrada, como eu disse.
Você vai ficar bem.
Ainda vou poder dar o recital?
Talvez. Depende de como estiver se sentindo.
- Podemos conversar? - Sim, claro.
- Eu não sei o que dizer. - Diga o que pensa.
Sempre o estimei tanto.
Meu padrinho...
Aquele homem, aquele que conheci, nunca agiria assim.
O que quis dizer quando disse que papai matou Carleton?
Ensinei Carleton a abominar a violência.
Ensinei que guerras não resolveriam nada.
- Parece que ele discordava de você. - Não.
Seu pai discordava de mim.
Carleton foi até ele, alguém em quem confiava muito, para pedir um conselho.
- E sabe o que o seu pai disse à ele? - Ele diria algo em que acreditava.
Ele disse que qualquer homem que amasse a liberdade...
e abominasse a escravidão, faria qualquer coisa para pôr um fim nela.
E no dia seguinte, Carleton apareceu uniformizado. Eu implorei...
Eu supliquei para que não fosse.
Foi a última vez que o vi.
Ele era um homem crescido, tio Teddy.
Não foi Gettysburg que matou meu filho.
Foi o seu pai.
Meu irmão!
E eu não posso perdoá-lo por isso. Não o perdoarei por isso!
Não foi o meu pai quem matou o filho dele.
Ele deixou que sua dor o tornasse amargo e irracional.
Ás vezes uma dor assim pode enlouquecer um homem.
Ele sempre foi justo e razoável.
Perder alguém que você ama não é nada razoável.
Você culpa outras pessoas, porque na verdade está culpando a si mesmo.
Acho que ele está usando Brian para substituir Carleton.
Tem que deixar Brian ser Brian.
Talvez eu tenha feito o mesmo com meu tio.
Sempre acreditei que ele não pudesse cometer erros.
Ele é humano, Michaela.
Por favor, não pare.
- Bem, eu já estava terminando. - Eu gostaria de ouvir o resto.
É linda.
Está bem.
Muito obrigado.
São cinco horas. É hora do jantar.
Eu já estava indo na Grace.
- Se importa se eu acompanhá-lo? - Agora é o reverendo que eu conheço.
- Eu... pareço bem? - Está ótimo.
Ah, aqui. Deixe eu te ajudar.
Eu estava pensando que seria bom jantarmos mais vezes juntos.
Seria bom fazer disso um hábito.
Eu só vou buscar o meu casaco.
Tenha cuidado. Cuidado com a porta. Eu ajudo...
- Posso entrar? - Não há mais nada a dizer.
Há sim.
Só porque Carleton não fez o que você queria...
não quer dizer que ele não te amasse.
Eu sei disso.
E você sabe que meu pai também te amava.
Ele nunca faria mal de maneira consciente à você ou ao seu filho.
Meu pai não falhou com você.
E você não falhou com Carleton.
Não pude impedí-lo.
- Eu devia ter impedido! - Mas não impediu.
E essa é a maior prova de amor.
Permitir que aqueles a quem amamos tomem decisões que...
que nos desapontam... Ou nos magoam.
E amá-los da mesma maneira.
Michaela, tenho sido um velho tolo.
É hora de deixar Carleton partir.
Há um jovenzinho esperando por você.
Brian?
Está reunindo público para o recital.
Acho que está bem o bastante para tocar.
E ele quer.
Senhoras e senhores...
Eu orgulhosamente apresento...
em sua aparição de despedida antes de partir pra San Franscisco...
Meu tio-avô, o mundialmente famoso, Theodore Quinn.
Obrigado, senhoras e senhores.
Como minha primeira seleção... Poderia me ajudar nessa, Brian, por favor?
Uma pequena surpresa.
Traduzido e legendado por J. M. Mazaia
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