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Zulu
Do que está falando?
Estamos num
É exatamente
Acredito que o Homem...
- O ser humano, por favor.
Uma distinção importante.
A humanidade é um parasita.
Sem gritar!
Escuta, escuta!
Um parasita é um organismo que destrói o meio ambiente.
Nós sempre fizemos isso.
Seres humanos se adaptam para sobreviver.
Resolvemos quase todos os problemas de adaptação externa.
Nossa capacidade de destruição é a ameaça.
Tudo está acabando.
Os humanos destroem para criar, constroem coisas novas.
O ser humano é fundamentalmente bom.
- Nosso humanista! - As intenções são boas.
Obrigado, Jean-Jacques Rousseau!
Não estou falando de moral, do bem e do mal.
Isso não significa nada. Essa coisa de bem e mal é confusa.
Não levar as meninas à aula de dança porque estava de ressaca
se qualifica como mal.
Eu estava só citando Os Caça-Fantasmas.
E eu levo as meninas... às vezes.
Que mentira sem-vergonha.
Existe algo chamado moralidade, valores universais.
- Matar. - Não, matar, não.
Muitos países legitimam o assassinato.
A pena de morte nos EUA,
na China, no Egito, na Índia...
Índia!
Como pode inventar o vegetarianismo e ainda matar?
A Índia não inventou o vegetarianismo.
Isso data da Antiguidade.
- Ah, é? - Pitágoras era vegetariano.
O Xavier, nosso candidato no Show do Milhão!
Só estou dizendo que tudo o que fazemos agride o meio-ambiente,
a começar por respirar. Estamos em negação da extinção.
Postergando nossa inevitável morte.
Fim da palestra. Obrigado!
Sinto-me um parasita.
Gente, essa é a Joséphine.
- Olá! - Xavier, Sophia...
Prazer!
- Ele você já conhece. - Sim, claro.
- Tudo bem? - Tudo.
Joséphine é mãe do Victor. Nós nadamos juntas.
Três voltinhas e um monte de vinho depois!
Tudo bem? Estamos discutindo valores universais.
Tudo bem, mais ou menos.
- Joséphine está se divorciando. - Sinto muito.
A papelada me dá vontade de morrer.
- Complicado. - Preciso de um advogado.
Um amigo meu é especialista em direito de família.
Ah, é? Maravilha. Vai me ajudar muito.
- Mãe! - Meu amor! Tudo bem?
- Tão lindo! - E se comporta muito bem.
- Quer que eu dirija? - Não.
- Caramba, que desastrado! - Calma, foi sem querer!
Obviamente! Quem vai derramar vinho de propósito?
- Mas é uma bosta. - Você tá louca. Foi só uma taça!
As mulheres que são loucas.
A mamãe louca aqui cansou dessa gritaria!
Enquanto vocês brincam,
crianças refugiadas vêm buscar uma vida melhor a nado!
- A nado? - Não, mas...
Vai lá cuidar das suas filhas!
Vou comprar uma nova.
- Qual é a marca? - Esquece!
Preciso de um cigarro.
Ela grita, eu fumo.
Sophia?
Te acompanho, mas estou proibida de fumar.
Xavier!
Cigarro é nojento.
Me dá o seu número, pra...
- Amor? - Oi?
O amor é o único valor universal.
- Está bem pra dirigir? - Contanto que eu não corra.
Tenho a impressão de que o cérebro da Françoise...
fritou.
Foi triturado pela vida familiar.
Como assim, pela vida familiar?
Os filhos são do Philippe também, e o cérebro dele está bem.
Claro, ele tem tempo. Nunca cuida dos filhos.
Ter filhos, nos nossos tempos...
Dá até ansiedade.
Eles fazem amor de 3 a 4 vezes por semana.
Sério?
Mas brigam o tempo todo.
Prefiro não brigar.
Enche o tanque pra poder ir direto pro chalé amanhã.
Você não vai comigo?
Não, tem a conferência em Ottawa.
Disse que era semana que vem.
- Eu nunca disse isso. - Disse, sim.
Bom, desculpa...
Não tem problema.
Droga, e eu falo o quê? Não sei nada de reformas.
- Não o conheço. - Deixa ele falar, só escuta.
Se você fosse, seria...
- Não sou especialista. - Odeio encontrar estrangeiros.
- Não me interesso por reformas. - Agora estou ansiosa.
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Não me diga que não reparou.
No quê?
Na beleza incandescente da francesa.
Não...
Não acha ela nada bonita?
- Ela é Ok. - Ok?
É uma mulher linda. Faz totalmente o seu tipo.
Um amigo meu é especialista em Direito de Família.
Quem é?
Você mente muito!
Não sente atração por ela?
- Não respondo perguntas capciosas. - Não é capciosa!
Não me importo mesmo.
Não dormiria com ela?
Por sobrevivência, se fossem os últimos humanos na Terra.
Se sobrássemos nós dois,
me chocaria ser o último homem, já que não sei trocar uma lâmpada.
Por que eu seria o único sobrevivente?
Dá até medo.
Não sou qualificado para ser o último humano.
- Para de enrolar! - Devia ser...
Sei lá...
aquele musculoso da TV que vai a lugares perigosos!
Ele seria um bom sobrevivente. Faz mais sentido.
Você acha mesmo que pessoas que estudaram
a teoria da educação de Diderot vão sobreviver? Não!
Sobreviventes fazem Crossfit e têm armas.
Nós seríamos os primeiros a morrer.
Você transaria com ela.
Talvez.
Está bem, talvez! Levemente embriagado. Feliz, agora?
Boa noite!
Boa noite.
- Eu te amo. - Eu te amo, também.
- Desculpe! - Olá.
- Desculpe o atraso. - Tudo bem.
Eu tinha um trabalho aqui perto, e não moro longe.
Sem problemas.
- Vamos ver. - Sim, vamos.
- Fez boa viagem? - Sim.
Olha isto aqui. Nada bom.
Eu reformaria tudo. Até o rodapé.
Quando esfria, é péssimo. Descongela, aí vaza.
Isto não foi conservado.
Vaza, está mofado.
Tem que tirar tudo e refazer o encanamento.
Nada foi feito desde que foi construída, em 1940, 1942.
A maioria das casas aqui foi feita em 1942.
Debaixo do carpete deve ter um belo piso de madeira.
Refaça a eletricidade, se não quiser ser queimada viva.
Queimada viva? Como assim?
- Bela lareira! - Queimada viva?
Precisa de uma limpeza. O inspetor não disse?
Meu sócio falou com ele.
- Quem? - O Xavier.
Não, o Xavier é meu namo... meu sócio.
O cara... eu esqueci...
O nome era... J.L. alguma coisa...
Deixe-me pensar...
- Boivin! - Boillard?
- Sim! - Ele é barato, mas ruim.
- Minha nossa! - O que foi?
Formigas-de-cupim.
Formigas?
Formigas-de-cupim nas suas janelas.
Não mexa no teto,
a não ser que queira que ele caia em você.
Quanto pagou por isto?
770 mil.
- Não fica mal. - Desculpa!
Eu estava brincando.
Bom, precisa de trabalho.
É que é tanto...
tanto...
- de uma vez só. - Eu sei.
Me desculpe.
Vamos lá fora.
Vamos tomar um ar.
Desculpe. Sou tão ridícula!
Às vezes, a gente fica cansado.
Vou te dizer: Não há problemas.
Só soluções. Vamos dar um jeito.
Achei que seria mais simples.
Tudo isso.
Grita.
O quê?
Grita! Põe a cabeça de volta no lugar.
Quando eu piro, eu grito.
É ótimo! Vai lá.
Enferrujado, mas não muito gasto.
Vamos tomar uma cerveja.
Você precisa conhecer o pessoal daqui.
- Certo. - Espero no carro.
Eu não era bom na escola,
larguei logo.
Acabei na construção.
Odiava ter patrão, então, criei meu próprio negócio.
Estou aqui...
- há uns sete ou oito anos. - Certo.
Você é de Montreal? Ou francesa?
Eu? Não.
É seu sotaque.
Sou de Quebec, deve ser isso.
Estou em Montreal há 20 anos.
- Quebec é linda. Romântica. - Sim.
Passei uma semana lá com minha antiga namorada.
Andamos de Bugge, comemos fondue num restaurante
e transamos a três com a garçonete.
É!
Os velhos e bons tempos...
Lugar romântico.
- Com licença! - Sim?
Pode aumentar o som?
Minha música lenta preferida quando garota. Tão longa!
Dancei ela uma vez com Guillame Bourbonnais.
Bem viril, pra um garoto de 12 anos.
Ele fumava.
Meu primeiro amor.
Meu inglês é péssimo.
Ele diz que vai mudar o que matou o amor deles,
usando uma metáfora típica desse tipo de música.
Que é?
É: Seu orgulho
construiu um muro tão forte que não consigo atravessar.
Seu orgulho construiu um muro... Lindo.
Ele está pronto pra parar de frescura
e conversar com sua amada.
As pessoas não conversam mais.
Comemos, vamos ao shopping, compramos casas, um chalé...
Chalé é bom!
Entendo a ideia.
Mas, amor verdadeiro? Sou muito romântico.
Quero ficar o tempo todo com a mulher que amo.
Dividir tudo com ela,
construir uma casa, transar o tempo todo,
ir à floresta com nossos filhos, envelhecer, ficar enrugadinhos...
Ser feliz.
O amor deveria ser simples.
Você não tem uma namorada com quem fazer compras?
Ele tem um monte!
É um patife, o nosso Sylvain.
Pare com isso!
Nós o amamos por aqui.
Minha namorada é a caça e a pesca.
A natureza.
Não vou conhecer nenhum vizinho hoje!
Tirando o Michel, está bem parado.
- Ei, Michel! - E aí?
Não se mije, temos uma dama aqui.
Pare com isso.
Ela vai achar que somos caipiras.
Sei que não sou nenhum Guillaume Bourbonnais, mas...
a senhorita gostaria de fumar um cigarro comigo?
Eu adoraria.
Obrigada.
Você vai ficar bem?
Sozinha na floresta?
Estou morrendo de medo, mas...
preciso me acostumar.
Posso ficar no carro e te proteger.
Então...
Certo.
Está bem.
Vem!
Você está bem?
Tô.
Não, não...
Sou pesada. Muito pesada!
Não acha?
Tenho ossos grandes.
Quando eu era pequena... jovem. Mais jovem. Uma garota.
Minha mãe dizia que as pessoas me achavam bonitinha,
- mas, quando me pegavam... - Você é linda.
- Não acha? - É perfeita, estou de pau duro.
Vejamos...
Sou eu que te deixei toda molhadinha?
É! Parece que sim!
Merda!
Sua bunda, sua bunda...
Sim...
Sim...
Não! Não podemos! Você tem...
Não posso... Não podemos.
Espera aí, já volto.
SYLVAIN TANGUAY EMPREITEIRO
VIAJANDO ENTRE DOIS MUNDOS VAMOS NOS AMAR!
Onde você estava?
Estava chovendo, fiquei no chalé.
Estava sem sinal. Precisamos resolver isso.
Mas eu liguei pro fixo.
Ligou? Eu devia estar dormindo.
O chalé é um desastre. Vai custar uma fortuna!
Me conta depois,
- Tchau, madame! Beijos! - Tchau, senhor! Até!
Merda.
Olá, que surpresa! Entrem!
Meu Deus, nós...
Nós te acordamos?
Não. Estou acordada.
O Pierre quer colocar os pneus para neve.
- Oi, Pierre. - É cedo,
- mas eles ficam ocupados. - O Xavier não me avisou.
- Eles trabalharam rápido... - Estou feliz em ver vocês.
Esperamos um tempo no carro.
E aí, pensamos em tocar a campainha...
- Fizeram o certo. - Mas acordamos você.
- Não, eu estava treinando. - Eu fiz lasanha.
Não é muito original, mas eu não cozinho muito bem.
Obrigada, é muita gentileza. Venham.
Meu filho não está aqui?
Não, está em Ottawa.
Bem, eu não sabia.
- Fiquem à vontade, volto já. - Vamos esperar.
Vou só mudar de roupa.
- Deixe, Sylvie. - Não, eu fico feliz!
Eu ia lavar, só não tive tempo.
Deixe, eu lavo!
Ontem...
ele esqueceu meu nome.
Ele está desaparecendo.
Meu Deus,
eu não posso viver sem ele.
Meu Deus,
eu não sei nada!
Não sei nem do que gosto.
Eis o motivo.
Sinto muito.
Desculpe.
A lasanha está grudando!
Claro, tem queijo, porque é lasanha.
Usamos muito queijo, adoramos.
E borbulha, ele...
Você é como uma filha para mim.
- Sylvain Tanguay. - Sim, alô!
Boa noite, Sylvain. É a Sophia.
Aquela que você... A Sophia.
A Sophia de Montreal.
Só queria dizer...
que foi ótimo.
Foi muito... muito bom!
Mas... não sei por que estou dizendo isso na mensagem.
Espero vê-lo de novo.
Para a obra.
Porque... eu estou em um relacionamento.
Não podemos fazer aquilo de novo.
Apesar de que duvido que esteja interessado em mim.
Não quero que você pense que eu penso que...
- Doces? - Obrigada!
O prazer é todo meu.
Desculpe, Sylvain, não foi com você.
Você pode começar a reforma na segunda.
O trabalho urgente antes do inverno, conforme o combinado.
E... é isso.
Obrigada. Até.
De acordo com Platão, o amor está intrinsecamente ligado
à noção de...
desejo.
E o desejo é definido por Platão como uma falta.
Obviamente, o amor platônico
é sempre uma frustração.
Nós desejamos o que não possuímos.
Este amor não deve ser consumado.
Ou, se queremos que dure,
nosso amante nunca pode nos pertencer.
O amor deve ser proibido.
Como o adultério, por exemplo.
Quando vivemos com alguém por muito tempo,
quando temos filhos, uma rotina,
ficamos à vontade
Entramos numa forma
- Iogurte? - Se quiser...
Quando perdemos o medo
o amor morre, segundo Platão.
Nós nos consolamos dizendo
mas se tornou uma coisa maior.
Oi! Não consigo parar
Temos que nos ver de novo.
Oi! Não consigo parar
Temos que nos ver de novo.
Oi! Não consigo parar
Temos que nos ver de novo.
Oi! Não consigo parar
Temos que nos ver de novo.
- Está gostando do livro? - É fascinante.
É sobre a era Trump. Estou desanimado.
- É feia? - Sim.
Honesta!
- Comprei um presente pra você. - É?
Em cima da mesa, na entrada.
Obrigada!
Sabia que iria gostar.
ESPISTEMOLOGIA E ESTÉTICA DO ESPAÇO
- Tenha um bom dia! - Você também.
Calma aí!
Oi!
Olá!
Seu marido está aí?
Temos que assinar o contrato.
Não, ele vai passar o dia fora, vai voltar tarde.
Muito tarde.
Que pena!
Não durmo há três dias.
Normalmente, durmo como uma pedra.
Também fiquei pensando naquilo.
Não!
Estou suja, fedida!
Seu cheiro...
Fico de pau duro só de sentir o teu cheiro.
Espera!
Desculpa.
Vem.
Lugar grande. Belo trabalho em madeira.
Quer beber alguma coisa? Café?
Não posso...
É totalmente irracional.
Meu Deus. Justo aqui!
Não faz sentido!
Ao mesmo tempo, é normal transar com outra pessoa
depois de 10 anos com alguém.
Não conheço casais fiéis.
Tirando minha amiga Catherine.
Não há nada carnal nela.
Eu queria ser como ela.
Se desconectar do corpo deve ser ótimo.
Dá espaço pra coisas menos triviais.
Você não está desconectada do seu corpo.
Não.
Por que está lutando contra si mesma?
Com licença, mas...
tenho um trabalho urgente.
Isso, assim...
Calma, calma...
Isso, assim...
Um pouco mais pra direita...
- Aqui? - Isso!
Isso, é aí!
Isso, é aí!
Que delícia a sua língua!
Mete o seu dedo... Mete o seu dedo...
CAÇANDO EM QUEBEC
PAIXÃO DE VIDA
Eu nunca vi o mar.
- Nunca viu o mar? - Não.
Vamos juntos.
Então...
vou indo, agora.
Meu lanche da tarde.
Eu...
Eu sou louco por você.
Nunca me senti assim antes.
Sinto como se você fosse...
- o amor da minha vida. - Minha garganta está seca,
tem... água?
Você me ouviu?
Eu também.
Não quero ficar longe de você.
Nunca.
Não quero entrar.
Vamos escolher o lugar que é secreto.
E lá, nas profundezas da água
de um rio não descoberto,
nós amaremos como se nosso amor fosse a morte.
Que lindo!
Quem escreveu? Parece Rimbaud.
Michel Sardou.
É ridículo recitar a poesia dos outros?
Não sou bom com as palavras.
Não tem nada de ridículo.
Conheço muita gente com grande vocabulário.
Não os faz mais inteligentes.
Você é perfeito.
Você me faz querer viver.
Ei, bonitona!
Você será minha esposa, não tem negociação.
Pra dar uma imagem melhor
é feito de uma tela porosa,
tipo uma... Não é cola,
é mais um tipo de...
geleia, digamos assim.
As pessoas podem se aproximar do objeto,
pôr os dedos nos buracos
e rasgar tudo.
A obra será destruída pela intervenção humana.
- Chamo de Eco-estrangulamento. - Você tem que ver.
Oli criou um trabalho incrível.
Me lembra o trabalho de...
Magritte?
- Renoir? - Não!
- Klimt? - Não!
- Cézanne? - Não...
Damien Hirst!
- Mãe! Está brincando? - Eu o vi no Tate.
Detesto esse artista!
Pelo lado interativo!
Nada a ver, vai!
Concordo com Olivier, Hirst é tão extravagante.
E controverso,
o uso dos animais...
Um estupro da natureza.
Borboletas na arte? Não sou fã.
É uma arte de merda pra quem odeia arte.
Se é que se pode chamar de arte.
É ridículo! Damien Hirst, mãe!
Falam nele pra fingir que conhecem arte contemporânea.
A mãe dele financiou a exposição?
Sua mãe é uma idiota!
- Não me insulte. - Envelhecer é tão difícil.
Tudo dói, seu cérebro vira mingau.
Depois dos 40, nós, mulheres, precisamos nos manter bem limpas.
Ou então fedemos demais!
Você a fez chorar.
Eu só disse que Hirst é uma merda!
Você é a melhor sogra do mundo.
Só disse que é uma merda.
Graças a Deus, tenho você, meu querido Xavier.
- O que foi? - Nada.
Me desculpem.
E você... Son...
É Swan, mãe.
Swan, o que está fazendo...
Meu inglês é terrível. A música...
qual é a palavra?
Music.
Eu toco violino numa banda,
é mais uma performance do que um concerto tradicional.
- E vídeo. - É. E vídeo.
Também sou modelo e atriz.
- Não entendi. - Ela é garçonete.
O jeito que você enche a máquina aumenta a minha ansiedade.
Conheceu alguém?
Não.
Por que a pergunta?
Você está quieta, parou de me ligar e está sorrindo.
Prova irrefutável.
Sou tua mãe. Te conheço.
Ele é lindo, mãe! Nunca vi um homem tão lindo!
É a nossa fraqueza. Amamos homens bonitos.
Deve ser o sangue espanhol dele.
É antigo, mas eu sinto.
Muito bem.
E o Xavier?
O Xavier? Não é nada.
É só uma paquera. Vamos ficar juntos.
Dizem que os espanhóis são cruéis.
É o pessoal da Inquisição.
Merda...
Fala sério.
Alô?
Saudade, saudade, saudade...
Também estou com saudade.
Não posso falar agora.
Não fale. Deixe-me ouvir
Estou com medo.
Não tenha medo, estou aqui.
Te amo o suficiente
Nos vejo velhinhos,
Para a roça.
Fugindo pá roça parece outra coisa.
- É? - Sim.
Preciso de você
Talvez, um diz, eu possa
Poesias!
Eu te quero tanto.
Eu também, minha linda.
Minha intelectual.
Me manda seus seios.
O seminário sobre Aristóteles é por ali!
Quanto desdém!
Você nem os conhece.
Eles podem ser nobres, elegantes e bons.
Odeio a forma como você diminui as pessoas.
Foi só uma piada.
Está muito alto!
Nobres.
Sim, nobres. Com mais qualidades morais
e corações maiores do que os que nasceram em berço de ouro,
e o papai e a mamãe...
Desculpem, sem ofensa.
- Financiaram seus dois diplomas... - Um e meio!
enquanto eles se encontravam.
Pessoas com backgrounds intelectualmente modestos,
de coração bom...
Intelectualmente modestos? Desdém?
Não acha que são uns idiotas? Seria amiga deles?
- Não. - O que está havendo?
- Eles viram jovens lá fora... - Você julga a porra...
Desculpe, Sylvie.
...da aparência das pessoas no seu microcosmo.
Acha que uma origem modesta
te dá um bom coração?
Eles são racistas, votam na extrema-direita.
- Não tem extrema-direita em Quebec. - Não tenha tanta certeza.
Não tem respeito. Temos que nos unir
se quisermos salvar o planeta.
Nunca ouvi um argumento tão abstruso
- para ter a última palavra. - Eu acredito nisso!
Salvar o planeta?
- É ecológico! - Entendi, mãe!
Acorda, desgraçado! Puta que pariu, que idiota!
Fique à vontade.
Sinto muito.
As nozes deixam gostoso.
Creme, tomates...
- É o Sylvain. - Quem?
Ele é o...
Olá!
Ei!
Este é o Xavier.
Vamos levar isto lá pra dentro.
- Vem, pai. - Olá.
- Olá. - Oi.
- Ele está fazendo o trabalho. - Estou fazendo seu trabalho.
Ah, sim.
Não estrague nosso belo projeto.
- Vou indo, está esfriando. - Certo.
- Tchau, Stéphane. - Sylvain.
Sylvain.
Se eu morasse no campo, queria ser ele. Cerveja!
Só digo isso porque adoro crianças.
Bebezinhos.
Eu os adoro, adoro...
abraçá-los.
Fiz uma lista de nomes.
Sem pressão! Só pra passar o tempo.
Sei que vocês têm vidas ocupadas.
Fomos diferentes, tivemos filhos jovens.
Estamos falando sobre isso.
Pra quando?
Estamos falando sobre isso?
Não recentemente, mas já falamos.
Não até que eu tenha um emprego em Montreal.
Difícil antes da menopausa.
Com essa atitude...
O que é? Só estou sendo realista.
Eu trouxe pão e cretões para o café da manhã.
- Gosta de cretões? - Sim.
O Pierre adora, não é, Pierre?
Você não adora cretões?
Você está todo sujo!
Sim, sim.
Olha pra mim.
Ele só come isso, agora.
Isso é queijo.
Tenho que esconder, ou ele come 3 ou 4 fatias.
Ele nem tocava nisso.
Não imaginei que o gosto fosse embora também.
Também adoro, mas estou muito gorda.
Com licença.
Estou com dor de cabeça, vou dormir.
Claro, minha...
minha menina querida!
Ela devia congelar uns óvulos.
Não se preocupe, meu querido menino.
Mas...
faça isso logo. E não se preocupe.
Seu pai e eu ajudaremos a financiar o tratamento.
Certo...
Para nomes, eu estava pensando...
Se for menino,
talvez Francis, Simon ou Philippe.
Como seu avô.
Seria uma bela homenagem.
Toc-toc!
Sim?
Posso entrar?
O quarto é seu também.
- Você está bem? - É dor de cabeça.
- Faz cócegas! - Desculpe.
Tudo bem.
- Você está bem? - Estou bem.
Estou bem...
Sei lá.
- Quer que eu vá embora? - Nós... Ir embora?
Ir embora.
E nós?
Nós.
- Nós. - Nós o quê?
- Nós, não sei mais... - Não estou entendendo.
Acho que conheci alguém.
Nada a dizer?
Você acha que conheceu alguém?
Eu conheci alguém.
Uma pessoa.
Por que está me dizendo?
Você precisa saber.
Não quero saber. Não é problema meu.
Também conheço gente o tempo todo.
Mas eu conheci alguém.
Sério.
Pare de dizer isso, está me estressando.
- Mas é verdade. - Foda-se a verdade!
Você transou com ele?
Transou?
- Por que quer saber? - Transou com ele?
Sim.
Não sou sexual o suficiente?
- Eu faço errado? - Vou embora.
- O quê? - Vou alugar um apartamento.
Venda o chalé, não vai nem sentir a falta.
- Você não é feliz comigo? - Claro que sou.
Bem, não sou infeliz.
Nós nos amamos.
Não é?
Acho que nos tornamos amigos.
Quem? Você e ele?
- Você e eu. - Quem é ele?
Não entendo! Quem é ele?
- Você é meu melhor amigo. - Pare com isso!
Não somos amigos, você é a minha esposa!
Meu amor...
Você não pode fazer isso com a gente.
Por favor, não nos deixe.
Por favor.
Xavier!
Eu não fiz... o imposto de renda.
- Sem problemas. - Desculpe.
Vá para a cama.
Posso dormir com você?
Claro.
Olá?
Olá?
Merda.
- Alô? - Alô?
Ainda quer que eu seja a sua esposa?
Seu corpo mudou.
Seu rosto, sua pele, seu cabelo, tudo!
Transamos constantemente.
Devo queimar umas 500 calorias por dia.
Que vida! Eu adoro!
Eu cozinho, ele conserta coisas.
Nós andamos na floresta.
Ele me trouxe de volta ao básico.
Sorte sua! Eu adoraria estar apaixonada.
Mas você ama o Phillipe.
- Sim, amo. - Ama.
- Vocês transam o tempo todo. - Depois de 12 anos, transamos,
mas não é mais aquela coisa. É amor, mas...
Eu queria ter a sua coragem.
Você pode deixá-lo.
Schopenhauer diz que o amor vem da vontade de viver.
Quando vemos o outro como uma força reprodutora,
surgem sentimento de amor romântico.
Reproduzir é deixar um rastro de vida.
O amor, portanto, nos permite viver a imortalidade.
Minha linda!
Segundo Schopenhauer,
O que vemos como
são, na verdade, a expressão
É simplesmente o corpo falando.
Tudo bem?
Amor, amor, amor...
O que foi?
Você é lindo.
Você me faz lindo.
- Sabe o Guillame Apollinaire? - Sim.
Vi na sua estante e li um pouco.
- É bom. - É.
Meu único amor, minha grande loucura...
Algo assim.
Não tenha medo. Eles não mordem.
Eu te amo tanto!
FENÔMENOS INEXPLICADOS
DESCOBERTA INCRÍVEL
UM CERVO DE DUAS CABEÇAS?
HOMEM POSSUÍDO PELA PRÓPRIA ESPOSA
Rosé, madame?
- Sim! - Um golinho não faz mal.
Você vai ver, é dos bons.
- Gostou? - Sim.
Olhe só pra ele, ele não para.
Meu menino tem um bom coração.
- Vejo que não está convencida. - Sylvain?
Não, o vinho!
Olá!
Tá um cheiro de merda aqui!
É assim que fala com a sua mãe?
É a sua fossa séptica.
Não tenho dinheiro pro conserto.
Eu carrego tudo enquanto você grita.
- Acalme seus hormônios. - Ouviu isso?
Eu o criei mal.
O que você disse é misógino.
Palavra nova: Misógino!
Essa palavra existe há muito tempo.
Ei, calma!
Meus lindos netos!
Temos gente nova na família.
- Atenção! - Perfeito!
Oi, sou o Kevin.
- Oi, Kevin. - Karine.
Eu não te vi!
Devíamos ter ficado de boca fechada. Encantada.
- Minha esposa. - Sim.
Ele pede para sair um pouco.
Ele sai e não aparece.
Dorme no trabalho porque está bêbado.
- Nada bom. - Bêbado demais pra trabalhar.
Enquanto os latinos
nunca reclamam, nunca se atrasam...
Parem de gritar!
- Ele é o mau! - Ele que está sendo mau!
O Jayden é sempre mau!
Jayden, pare de fazer sua irmã chorar!
É sempre culpa dele!
- Mas eu sempre me dou mal! - Ei!
Chega!
Deixe sua irmã em paz. E, Carolane,
pare ou vou te deixar na floresta.
Não diga isso a eles.
É o único jeito de ter paz.
O que eu estava dizendo?
Desculpe, odeio quando ele faz isso.
Mike...
Sim, Mike! Eu o demiti na hora.
Posso aceitar muita coisa.
Mas gente preguiçosa e sem iniciativa,
- Isso é para você. - que não consegue se cuidar?
- Lindo! Você que fez? - Sim, são corações.
Estou vendo!
Olha essa menina.
Tem uma nova favorita.
Fofo, Caro.
Então, você dá aula na faculdade?
- Sim, bem, eu... - Mãe, vai com calma.
Estou esperando uma posição.
Enquanto isso, dou aula para idosos.
Eu amo, é minha paixão.
Uma mulher com paixão é mais fácil de laçar.
A Sophia não é para ser laçada.
Você entendeu.
Não entendi, não.
O Sylvain é o intelectual da família.
É natural ele estar com uma acadêmica.
- E eu sou o idiota da família. - Não!
Eu não disse isso!
- É inteligente à sua maneira. - Seu irmão é curioso.
Ele lê livros.
- Você me manda artigos... - Não vale a pena falar.
Vale a pena sim!
- De que tipo? - Superinteressantes.
Avistamentos de OVNIS,
- vida após a morte... - As pirâmides!
As pirâmides.
Bem interessante.
Eu acredito nessas coisas.
- Tem um fantasma no meu salão. - Conversa fiada.
- Escuta isso. - Ele não acredita, mas, ano passado
eu mesma tranquei o salão.
Me lembro muito bem de ter trancado.
No dia seguinte, os esmaltes estavam rearrumados.
- E ela arruma bem o salão! - Arrumo por cor.
O amarelo estava ali, verde, azul,
o rosa espalhado por toda parte.
Me deu arrepios, fiquei morrendo de medo!
Fantasmas não têm nada melhor pra fazer do que espalhar esmalte!
Mãe, seu fondue está maravilhoso.
- Delícia! - Tá.
Eu ponho vinho.
Imaginei.
Pare de falar comigo como se eu fosse uma idiota!
Vai gritar, agora?
Eu não grito.
Desculpa, não temos modos.
Minha mãe chora em todo jantar de família.
Estou acostumada.
Desculpe, Sylvain, mas diga isso ao seu irmão!
Está bem. Nós entendemos. Kevin!
Me desculpem, ando muito emocional.
Então, você tem um salão de beleza?
Sim.
Um salão ótimo! Uma beleza, mesmo.
Sim, é a minha paixão.
Quero que as mulheres se sintam bonitas.
Você é a mais bonita de todas, e não tem nada de burra.
Agora, você é gentil!
A família é a coisa mais preciosa.
Junto com a saúde. Tim-Tim!
À saúde de todos!
Obrigada por me receber tão bem.
- Bem-vinda à família. - Obrigada!
Bem-vinda!
Vamos encher a cara! Meu irmãozinho está finalmente apaixonado!
Me mostre suas unhas enquanto os homens lavam a louça.
Somos homens modernos!
- Obrigada. - De nada.
- Mostra. - Estou meio sem-graça.
Vejamos... É!
Elas precisam de um pouco de amor.
Não vou muito à manicure.
Eu adoraria ter feito faculdade.
De qualquer forma,
Vocês veem sempre aqui?
Mais pelos shows.
Agora, saímos menos.
Não somos muito de balada. Principalmente eu.
O Kevin ainda gosta. Ele é festeiro.
- Deve ser o lado masculino dele. - Qual é o lado feminino dele?
Me dá um minuto. Boa pergunta.
Ah, ele adora um dedo no cu!
É legal estar aqui com você.
Quem é?
Sim.
Certo, até já.
Está se divertindo?
Parece que não tanto quanto você.
- Tudo bem? - Quem é a estrela local?
Quem?
O que foi? Não.
Brincadeirinha.
Ela deve ser stripper, sei lá.
É a minha prima, ela é oculista.
Mas, no campo,
a definição de prima não é mais vaga?
Ela é sua prima, mas não é sua prima...
Ela é sua prima ou não?
Não entendi.
Desce cinco bebidas, precisamos acordar!
Essa é a cor real do seu cabelo?
Sim. Mas...
É a cor do meu cabelo, mas eu pinto.
Por quê, se é a cor real?
Pra cobrir os brancos.
Você ficaria bem com luzes.
Certo.
Vanessa.
Muito prazer.
Sophia, desculpa.
Eu sou a aman... namorada...
Vim com o Sylvain.
Você é prima dele?
Sou.
Você diz isso como se precisasse.
Todos sabemos que você é a namorada dele.
Mesmo que não seja imediatamente óbvio.
O Sylvain é muito inteligente e tudo mais,
mas sempre teve azar no amor.
Tá, as meninas são lindas,
super sexys, blá-blá-blá...
E todas ficam histéricas.
E ele está sempre decepcionado.
Pelo menos uma vez, ele não está com um símbolo sexual.
É, verdade!
- Sou prima mais nova. - Como?
Prima mais nova.
Por casamento, não temos o mesmo sangue.
Eu nunca quis filhos.
Mas acho que gostaria de um com você.
Ok.
Isso é um sim?
Eu te amo.
- Transei com meu personal. - Como?
O quê?
- Sou a melhor trepada dele! - Não é surpresa.
Mas você e Phil transam sempre.
É totalmente diferente.
Com ele, eu me sinto vista, ele me admira.
- Ele gosta de jogos sexuais! - Tipo o quê?
Cuspimos um na boca do outro. Duas lhamas!
- O Phil desconfia? - Ele me xinga.
- O Phil? - Não, o Akim, o personal.
- Interessante. - O que isso diz sobre mim?
Talvez seja minha culpa, ou ele sente algo, mas
o Phil está ótimo. Estamos tão próximos.
Interessante.
Ainda quer transar com seu terapeuta?
Eu não quero transar com ele.
Quero que ele me queira. É diferente.
Me parece saudável.
O Akim é como o seu namorado. Ele é manual.
Amamos homens que leem com as pernas cruzadas,
mas falta-lhes talento na cama.
A vida é cruel. Preciso das duas coisas.
Eu renasci!
Lady Chatterlay!
- A comida chinesa te fez mal? - O Sylvain é inteligente.
- Claro! - Muito inteligente.
- De um jeito tangível. - É uma inteligência... da terra.
- Eu adoraria conhecê-lo. - Sim.
O Sylvain é muito... concreto.
Parece que isso te incomoda.
Nem um pouco.
Estou velha demais pra isto?
Alô?
Oi, minha linda.
Vem até a porta.
Entrega especial!
O que é isso?
Uma estante para seus livros.
Obrigada, Sylvain, que gentileza!
Às ordens.
Vem, vamos pá roça.
Para a roça!
Ah, mas... Você me pegou desprevenida.
Vamos dormir aqui. Não tenho nada na sua casa.
Começo a trabalhar amanhã cedo.
Eu te levo.
Por que nunca quer dormir aqui? É mais fácil pra mim.
- Me deixa nervoso. - Vem aqui.
Espere aí.
De quem é isto?
Do Xavier, eu acho.
É ou não é? Ele veio aqui?
Devo ter trazido por engano.
Se ele veio aqui, seja honesta e me diga.
Abaixa essa música selvagem!
- Por que está mentindo? - Não estou.
Está na cara.
- Ele não veio! - Por que está rindo?
- Não estou. - Está, sim!
Estou rindo porque...
você está me estressando!
Qual é o problema?
Mesmo se eu o visse, e daí?
Nem sempre se pode
Não pode aparecer sem avisar,
bater na parede e ser racista
Peralá, racista? Que caipira?
- Peralá não é uma palavra. - Falo como quiser. Caipira?
Michel Sardou.
- Tenho mau gosto? - Não!
Caipira? Racista?
O Sardou é de direita. Tem valores de direita.
- Me dá um exemplo. - Ele é xenofóbico.
Ele tem medo de estrangeiros.
Pare de falar assim comigo! Fala normal!
Está mudando de assunto! Ele deve ter vindo!
Não! E, no meu mundo, eu falo normal.
Como assim, no seu mundo?
Nada.
Vá se foder com esse tom calmo!
Que tom?
Me dá seu telefone!
Me dá seu telefone!
Vai comprar uma coleira?
Queria fazer uma surpresa.
Pra ele? Ou tem mais alguém?
Não, pra você!
Queria que a gente experimentasse. Você está irracional.
Você não é minha mãe!
- Vagabunda! - Complexo de Édipo?
Não sou mesmo a sua mãe!
Não acredito em OVNIS e não sou exuberante!
Maluca.
Desculpa, desculpa!
Desculpa, desculpa, eu...
não quis dizer isso.
Isso é ridículo, espere!
Me perdoa.
Me perdoa.
Ele estava nervoso porque o casaco do Xavier estava lá.
Ele ficou superagressivo.
Eu estava muito calma.
Eu só disse que ele não devia dizer peralá.
Dizer o quê?
Peralá em vez de espera.
Não é mesmo muito elegante.
As pessoas falam tão mal.
Por exemplo, você usa demais tipo.
E daí, mãe?
Não ligo para os erros de linguagem dele.
Eu só quero ajudá-lo, eu só quero...
encorajá-lo a falar direito
para ajudar a expandir o pensamento.
E foi, tipo...
uma explosão.
Tão bizarro, tão louco.
Eu estava super calma.
Então, apesar de mim mesma, teve um tipo de switch.
Switch? Não temos uma palavra para isso?
Mudança?
Psicologia reversa?
Sim, isso é mais preciso.
A linguagem desenvolvida leva a pensamentos precisos.
Exatamente! Não está ouvindo?
Ele disse que eu estava tentando diminuí-lo
por não aumentar meu tom de voz,
que isso foi pior que gritar,
que sou a namorada mais louca de um bando de loucas.
Algo assim.
Não sei dele há dias. É uma tortura!
O homem sempre deve amar mais a nós do que nós o amamos.
O Xavier me emprestou um livro sobre o apartheid: Ebony Rage.
Já leu? É fascinante!
Sylvain Tanguay...
O primeiro amor Lembre-se
É uma promessa que não cumprimos
Amaremos por nada
Em uma viagem entre dois mundos
Sentindo-se leve
Vamos amar como se o amor
fosse medo
Diferente de Platão,
Spinoza faz uma distinção entre desejo e amor.
Podemos desejar algo sem dar valor,
por exemplo,
querer ir pra cama com alguém em quem não estamos interessados.
Às vezes, podemos até desprezar o objeto do nosso desejo.
Também podemos amar sem desejo.
O valor que damos a alguém determina o amor,
não o nosso desejo de,
desculpem a expressão... foder.
- Desculpe. - Merdas acontecem.
A senhora está com larica?
- Foi bom. - É, tchau!
Mas, mais do que tudo, o desejo é uma força.
Está na origem da nossa capacidade de agir.
Desejo é vida.
Ele vê o casaco do Xavier e perde a cabeça.
Eu fiquei super calma.
Só o aconselhei a não dizer peralá.
- O quê? - Significa espere.
Não me importo com os erros dele.
Só quero encorajá-lo a ser preciso,
para expandir o pensamento.
Ele ficou furioso do nada. Tão bizarro, tão louco!
Ele é maluco!
Foi tipo psicologia reversa.
Fiquei calma para não brigarmos. Só piorou as coisas.
- Preciso fazer cocô! - Tem certeza?
- Deve ser o sangue espanhol. - Vou ao banheiro com a Gisèle.
Caí num vórtex abissal.
Passei duas semanas vendo vídeos sobre mel.
Eu queria pôr colmeias no nosso telhado!
- O quê? Você, colmeias? - Pensei que...
Não acredito.
Você tem medo até de um mosquitinho!
Mosquitos são belicosos.
Os piores assassinos da Terra.
Abelhas são pacifistas. É outro modus operandi.
Então, agora, você é um apicultor urbano.
Sim, eu sou.
- E queria te dizer... - O quê?
Sabe que todos os ditadores
na verdade, todos os autocratas, têm um denominador comum?
Muito interessante! Qual é?
Um pai violento.
Sim, claro!
Ponto pro Freud.
- E aí? - São todos fascinantes.
Só pode escolher um.
Meu ditador preferido? Ramzan Kadryrov.
Com certeza. Mas, com licença,
sempre tivemos uma quedinha por Gurdanguly Berdim...
- O cara do Turcomenistão? - Sim!
Sabia que ele era dentista e obcecado com higiene?
- Estou adorando isso. - Sério?
Você sabe falar comigo.
- Está com frio? - Um pouco.
Obrigada, isso é bom.
- Tudo bem? - Tudo.
Obrigada.
- É complicado. - Sim.
- Não devíamos fazer isso. - Por favor...
Eu preciso de você.
Tão bom!
Isto é pra você.
Pensei que você nunca voltaria.
Não posso viver sem você, sinto demais a sua falta.
Também senti saudade.
Desculpa.
Você é tão lindo!
Isto é pra você.
Pega.
Me pega.
- Você me dá tesão. - Você também.
Achei que você nunca voltaria.
Eu sinto muito.
Me perdoa.
Eu vou comer você, já que é por isso que gosta de mim.
- Quer que eu te coma? - Sim, eu quero.
- Vou mostrar pra você... - Mostra pra mim...
Eu sou sua!
Eu sou sua...
Eu sou sua.
É o que quer ouvir.
- Diz de novo. - Eu sou sua.
Mais forte. Mais forte...
Mais forte...
Mais forte...
Muito bom!
Você podia abrir um restaurante.
O que foi?
Não vai comer sua fruta?
Fruta é pra mulher.
Sinceramente!
Piada de caipira!
Você é tão linda!
Senti tanto a sua falta!
- Como senti a sua falta... - Eu também.
Veja na minha mochila, eu te trouxe um presente.
- Mesmo? Um presente? - Na entrada.
- Vai. - Está bem.
Feliz aniversário adiantado.
Obrigada, amor.
Veste, pra eu poder tirar.
Acha que só quero fazer sexo com você?
Não.
Por que disse aquilo?
Eu não disse nada.
Disse, ontem à noite.
Eu estava bêbado.
Você está linda!
Você é tão linda!
Linda como uma estrela pornô.
Isso é indecente, mas estou lisonjeada.
Você sabe que gosta de ser sexy.
Põe a raba aqui.
- Sente-se aqui. - Palavras não importam.
Desde que a gente esteja feliz juntos...
O amor verdadeiro, de acordo
é irracional.
Amamos porque amamos.
O amor é a única fonte de vida.
Nos pega como uma doença.
Mas, de acordo com Bell Hooks,
o amor é uma ação,
Não nos submetemos a ele.
- Oi. - Olá!
- Você está ótima. - Obrigada.
Pega leve na maquiagem.
Você não precisa.
Você comprou vinho?
Sim, chefe.
Eles não gostam de vinhos fortes.
Estamos ficando velhos.
Amigos sommeliers devem estar lá,
temos que fazer um esforço.
O critério deles é outro, são mais exigentes.
Não conheço vinho.
Diz, se eu pegar uma garrafa ruim.
Essa aqui. Eu te amo como você é.
E aí?
Como você vai?
Oi.
Oi.
- Olá. - Tudo bom?
Sim...
Ah, excelente escolha!
Vocês vão à festa do Louis?
Louis? Não.
Não sabia que seria hoje.
Ele não me convidou este ano. É mais seu amigo do que meu.
Nós vamos...
- Pra minha casa? - Não!
Da Françoise!
Agora, esqueço até o nome dos amigos!
- Pelo meu aniversário. - Certo, eu ia ligar ontem.
Não vejo o Phil e a Françoise
desde aquele famoso jantar, quando...
Esqueci. Manda um oi por mim.
Desculpem, eu bocejo...
pra soltar um nó nas minhas costas. Mais nada funciona!
Bem, feliz aniversário!
É, feliz aniversário.
Vocês também! Quer dizer...
Bom, tchau.
Tchau.
Tchau.
Você está bem?
Sim.
- Sua camisa! - Peralá... é uma mancha?
Feliz aniversário!
Eu quero abraçar a Sophia!
Ela ama todo mundo, menos eu!
- Sylvain. - Muito prazer, Françoise.
Cadê o Philippe?
Tentando consertar a descarga da privada.
- Só a descarga? - Só.
- Eu conserto. - Vai mesmo, amor?
O Philippe não tem inteligência manual.
- Como foi a viagem? - Ótima.
Obrigada pelo vinho.
Parece que é natural.
- Este é o Stéphane. - Sylvain!
- Desculpe. - Simples como um oi!
Oi, cara. Como vai?
- Cara? - Françoise!
Eu dou uma olhada, amigo.
- Encontrei o Xavier. - Quando?
Com sua amiga francesa.
- Ela não é minha amiga. - Eles estão juntos.
- Eu não sabia. - Você respondeu muito rápido.
Eu sabia e não sabia.
Ela é tão bonita, tem classe. Não acha?
Ela não tem a sua cabeça.
Ela é perfumada como jasmins.
Ela tem um emprego híbrido, designer gráfica.
Não é arte de verdade.
- O Sylvain é lindo. - Acha?
Mas a camisa dele é horrorosa!
Eu arranco ela fora, ele é tão sexy!
Quem é mais gostoso que eu?
Ninguém, claro!
É o que eu queria ouvir!
- Feliz aniversário, querida! - Não há muito a comemorar. 41 anos.
E eu não sei?
Sou um gay de 42 anos que ficou gordinho.
Ninguém mais olha para mim, eu não existo.
- Sou um holograma. - É bom para o Harry.
- Oi, Harry! - Oi!
- Quem mais veio? - Seu irmão, com uma garota.
Esqueci o nome dela.
Olá!
- Feliz aniversário. - Obrigada.
Sou Sophia, irmã do Olivier. E você?
Camélia.
Legal, obrigada por vir.
Cadê ele?
- Cadê o Peralá? - Para!
Consertei a privada, não era nada de mais.
Oi! Sou o Olivier, irmão dela.
Certo! Sylvain.
- Camélia. - Como é?
Camélia.
Como em A Dama das Camélias.
- Dama do quê? - É um romance.
Ah, não conheço.
Vamos tomar uma pra nos conhecermos,
- como futuros cunhados! - Não...
- Ótimo. - Vem comigo.
- Feliz aniversário. - Obrigada.
Isso é...
- o ano que você nasceu? - Não.
Não é cola, é mais uma geleia.
As pessoas podem se aproximar do objeto,
pôr os dedos nos buracos e rasgar.
A obra é gradualmente destruída pela intervenção humana.
É sobre nossa relação com a natureza,
a crise climática...
Estou obcecado por isso.
É fascinante, mas assustador.
Meu terapeuta diz que a eco-ansiedade
está me levando ao fracasso,
como uma maneira de me juntar ao suicídio coletivo.
Tipo, como você gastou 150 pratas na internet ontem?
Amo esse tipo de música, me sinto tão livre.
- Não falo inglês. - Três quartos de tom.
Que música matemática! Todas aquelas nonas...
A orquestração é sinistra!
Três quartos de tom!
Quem?
- O quê? - A música.
Fayza Ahmed, uma cantora árabe.
Meu mecânico, Jojo, é árabe. Algeriano.
Mas ele tem um coração tão bom!
Não é possível.
Tem uma coisa sobre árabes que eu não entendo.
Me dou bem com eles, eles são ótimos.
Sempre sorrindo, sempre alegres...
Mas as pessoas não gostam deles.
Acham que são agressivos. Mas a música é tão alegre!
Algumas maçãs podres não estragam o cesto inteiro.
Boas, ruins, em toda parte.
É certo: Quando se mata inocentes,
faz terrorismo religioso...
Sou contra a pena de morte, mas, às vezes...
Então, você é a favor.
Não, ele disse para não estigmatizar.
Mas, quando se diz: às vezes...
Não sei.
Acha que a pena de morte é justificável, às vezes?
Acho que sim. Não?
Não?
Eu não sei. Nunca?
E se alguém matasse seu filho?
O que isto significa?
Ele quer transar com você.
Ah, legal.
- O que foi? Somos do poliamor. - Certo...
Ela transa com outros caras?
- Eu sou elus. - Se fosse eu,
eu acabaria com quem se aproximasse dela.
- Elus... - Aquecendo!
Se é a sua viagem, ótimo.
Eu não quero acabar" com ninguém.
Hora do show!
Em 10 anos, não existirá mais nada disso.
Pode começar agora.
- Por que 10 anos? - Guerra com a China.
A Terceira Guerra Mundial.
Sexo é extremamente banal.
E você quer o meu corpo
Bom, já chega.
- Hora de dormir! - Para, ainda não acabei!
Desculpem.
A maioria dos ditadores,
enfim, os autocratas...
- Posso interromper? - Claro.
- Você está bem? - Sim.
Eis o seu verdadeiro presente.
Minhas luvas estão molhadas.
- O que é? - Uma viagem.
- Para onde? - Viajar é vida.
Adoraria viajar mais. Com filhos, é muito caro.
Você precisa viajar com gente normal.
- É um inferno. - Odeio gente normal.
Nos tornamos pessoas normais babacas!
Quero empacotar tudo e me mudar pra Nova York.
- Gostei. - Você me entendeu.
Também quero empacotar tudo.
Sylvain deu à Sophia uma viagem.
- Para onde? - É essa a pergunta. Ouça!
Eu ouço melhor do que você!
O quê? Você acha que ouve?
Feliz?
É muita generosidade. Obrigada.
- Ah, não. Molhei você! - Vai à academia, relaxa!
Para onde é a viagem?
Alguém quer molly? Podemos tomar micro doses.
- República Dominicana. - Eu jamais iria lá.
- Aonde? - Na República Dominicana.
Meu Deus, fui lá quando tinha 14 anos.
É o pior lugar do mundo.
- Onde? - Na República Dominicana.
Eca.
É o presente do Sylvain.
Uma viagem ou uma aventura?
Podemos mudar o destino.
Só quero ver o mar com você.
Acho que dá pra trocar.
Obrigada.
Minha primeira viagem de avião. Espero não morrer!
Estatisticamente, é mais seguro...
Antes de cair num avião, tenho uma coisa importante...
Um ajoelhar romântico!
- Meu Deus. - Uau!
Eu quero viajar com minha futura esposa.
Maldita calça apertada!
Sophia...
quer ser minha esposa?
Merda! Esperem por mim!
Não responda ainda, Sophia!
Olivier, pare!
Pare de filmar! Pare!
Seu noivado é importante!
O mundo está acabando e filmamos qualquer bobagem.
Não temos que filmar tudo.
Não precisamos saber o que as pessoas comeram.
Me deixa ansiosa.
A vocês, não?
Um pouco.
Ela teve um pesadelo?
Talvez.
A vida não tinha menos significado antes disso.
Nem tinha mais.
Vi um vídeo de uma garota em um banheiro.
Depois,
um vídeo longo de uma garota chorando,
chorando muito.
Foi sinistro.
A Gisèle vomitou. Cuide disso, Phil.
- Não grite. - Eu não gritei.
Foi uma ordem firme. O único tipo que você entende.
Isso, é música atonal.
Vou pedir de novo, com educação:
Cuide disso.
Mas, enfim...
o que eu perdi?
Está bem para dirigir?
Pode ser só um anel.
- Não precisamos nos casar. - Precisamos, sim.
Vamos nos casar.
Fim de papo.
- Eu só fiquei surpresa. - Certo.
Nunca quis me casar, nunca foi meu sonho.
Mas, se você quer, eu também quero.
- Pode ser pequeno. - Sim.
Não precisamos de ninguém.
Só sei que nos amamos.
Sim, nos amamos.
Você tem um coração bom.
Meu coração é tão bom quanto qualquer outro.
Preciso parar pra pôr gasolina.
Tradução: 4ESTAÇÕES
Revisão e legendas: Nathalia Ferrante
A NATUREZA DO AMOR
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