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S�o v�rios os meios e diversos os caminhos que podem levar

o Principe ao poder. H� os que o herdam

e h� aqueles que o conquistam por talento ou sorte.

H� outros que s� podem tomar o poder

por meios p�rfidos ou criminosos. Ele ascender� ao poder

contra a vontade de muitos e sem o favor de ningu�m

por via de mil trabalhos e perigos e depois manter-se-� nele

por meio de actos audaciosos e arriscados.

Mas, n�o se pode dizer

que seja um exemplo de virtude matar, trair os seus amigos,

n�o ter lealdade nem compaix�o.

Minha querida! Minha querida! N�o tenhas medo, fizeste bem...

Deus e eu velaremos por ti.

Felicidades! - Agora ju�zo, menina.

Felicidades!

Primeiro a lgreja,

depois o Governo e s� depois a oposi��o!

- Jacinto, parab�ns... - Obrigado, Pedro.

Parab�ns...

Tens uma bela noiva...

Muito obrigado.

� para si, m�e.

- Ent�o est� feliz, m�e? - Estou... por ti.

N�o prefere um pastelinho de bacalhau

e um copo de vinho tinto?

Jacinto, achas que posso ir falar com o Boaventura agora?

Eu acredito no mercado, foi nele que refiz a minha fortuna.

Mas n�s fomos educados noutros princ�pios, Alexandre,

n�o me venhas agora com essa treta de que o lucro e o mercado

� que determinam quais as empresas que devem sobreviver.

H� outros valores, h� o interesse nacional, a amizade...

Eu sei que te preparas para comprar o Banco Popular aos espanh�is,

com a ajuda do Governo.

Tu sabes que o meu Grupo depende muito da relac�o de m�tua confianca

que estabeleceu com o Popular e que se essa rela��o se alterar

me pode causar graves dificuldades

e o desemprego para milhares de pessoas...

Durante o meu ex�lio no Brasil e enquanto lutei

para recuperar o que me roubaram no 25 de Abril

nunca mostraste o m�nimo sinal de solidariedade

e nem quando ias ao Brasil em neg�cios me perguntaste

se eu te poderia ajudar ou se queria ser teu s�cio.

E nem mesmo hoje, na situa��o em que te encontras,

me pedes humildemente ajuda ou apoio...

Pelo contr�rio, vens-me falar de trabalhadores e desemprego

como se isso te preocupasse...!

Pensa bem, Alexandre...

pensa bem antes de fazeres seja o que for...

Tens mesmo a certeza que o Boaventura vai comprar o Banco?

Hum. hum!!!

Tu sabes que se o Banco continuar nas m�os dos espanh�is

� a minha morte pol�tica. - Tem confianca em mim.

Eu j� alguma vez te deixei ficar mal?...

Jacinto, caro ministro. Como era vosso desejo,

fiz hoje aprovar em reuni�o do Conselho de Administrac�o da M�tua

a linha de cr�dito especial para o Grupo Boaventura.

Obrigado, Francisco.

O Jo�o Nuno tamb�m j� me confirmou

que o Banco de Portugal n�o se vai opor ao neg�cio,

apesar de o Boaventura ficar com mais de 20%

do mercado banc�rio.

Deixem-se de conspira��es. Anda Francisco, vamos dan�ar.

� para si, Senhor Boaventura...

Acabei de receber a confirma��o do empr�stimo

para a compra do Popular.

- Com as nossas condic�es? - Com as nossas condic�es.

� que eu em Portugal n�o meto nem mais um tost�o.

J� bastou o que me roubaram no 25 de Abril.

O senhor Ministro gostaria de lhe dar uma �ltima palavrinha.

Posso pedir-lhe que entre?

Parab�ns, senhor Boaventura.

O Popular regressa enfim a m�os portuguesas!

Muito obrigado, senhor Ministro.

N�o fa�o mais que o meu dever como empres�rio e como portugu�s.

Como sabe, alguma comunica��o social tem sugerido

que o senhor Boaventura n�o hesitar� na primeira oportunidade

em realizar mais-valias e regressar ao Brasil.

Eu gostaria de poder tranquilizar o senhor Primeiro Ministro

garantindo-lhe que n�o haver� altera��o na estrutura accionista

do Grupo Boaventura nos pr�ximos dez anos

e que o apoio � ind�stria nacional ser� significativamente aumentado?

Sabe que eu sempre procurei

contribuir para o progresso e para o desenvolvimento

do nosso Pa�s.

Entre homens de honra n�o s�o necess�rios contratos escritos.

Posso ent�o contar com a sua palavra, senhor Boaventura?

Pode. O Doutor Jacinto � disso testemunha.

Sr. Boaventura!

Vem-nos falar dos seus meninos, Padre Francisco?...

Tu � que me podias dar informa��es.

Vou entrevistar o Pedro no meu programa.

Que � que queres saber?

A posi��o do Banco de Portugal nesta hist�ria.

Almocamos?

N�o sabes que assediar um alto funcion�rio

do Banco de Portugal, � crime?...

Ent�o, e assediar a mulher de um amigo � o qu�?...

Pedro?

Not�cia de primeira p�gina: O ministro Pedro Castelo Branco

agarrado �... � comunica��o social!

Sempre se confirma,

o Pedro � o teu convidado desta semana?

Com o neg�cio do Boaventura ele � o rosto da not�cia.

Voc�s, s�o a favor ou contra?

Off record . Se estiv�ssemos no Governo

far�amos a mesma coisa.

Mas como estamos na oposi��o, somos contra.

E se tir�ssemos uma fotografia do nosso grupo?

Jacinto anda. Francisco ajuda-me aqui.

Vamos organizar... espera a�, falta o Pedro... Pedro!

Pedro! Pedro!

Sr. Ministro, venha l� que o Pa�s precisa de si.

Uma flor...

Nada... Jo�o Nuno tu tra�ste o nosso grupo

quando te passaste para os comunas...

Deixa-o l�...

n�s perdoamos-lhe esse pecado da juventude...

Anda, anda da�.

Pensando bem, nunca pertenci a este grupo...

por isso...

Espera a�... deixa os noivos...

venham voc�s para o meio.

N�o � preciso, estamos aqui bem.

Venham para aqui.

N�o faz diferenca nenhuma... deixem-se l� estar.

Anda l�, anda l�...

S� falta a F�tima para o nosso grupo estar completo.

Se ela estivesse em Portugal viria de certeza.

Nunca perderia uma oportunidade de tentar o Jacinto.

Porque � que n�o me chamaste? ... por orgulho?

Temos que ser sempre os mais fortes, n�o �?

N�o conhecemos limites, nem nunca admitimos a derrota.

Tu precisavas da minha ajuda... e eu ainda precisava tanto de ti...

Por ti eu era capaz de tudo!...

Deve o Pr�ncipe ganhar amigos e aniquilar os inimigos.

Fazer-se amar e temer.

Estar preparado para vencer pela for�a ou pelo engano.

Deve ainda manter a amizade dos ricos e poderosos

at� ser suficientemente forte para que deles n�o precise.

Filhos da m�e!!!

Preciso de todas as informac�es sobre os movimentos do �ltimo ano.

E, a partir de agora nenhuma ordem de compra ou venda

sai deste escrit�rio sem o meu conhecimento pessoal.

... Devemos ent�o saber... Que h� dois g�neros...

devemos ent�o saber que h� dois g�neros de combate.

Entre.

Queria falar-te a s�s.

Estou preocupado contigo.

Deixa-te de charadas, vai direito ao assunto.

No neg�cio do Boaventura h� muitos interesses em jogo, Francisco

e h� gente poderosa que n�o tem gostado da forma

como tens influenciado tudo e todos a favor do Boaventura...

O Joaquim Castro podia ter-me dito isso directamente...

� que temo que estejas a meter o Pedro e o Jacinto numa alhada...

N�o te preocupes, que eu sei bem o que � melhor para eles.

E tu toma aten��o por onde andas, Paulo,

h� ruas muito mal frequentadas...

Cheque.

Quantas pe�as tens de sacrificar at� ao cheque mate?...

Doutora F�tima?...

A menina precisa de mais alguma coisa?

N�o obrigada, senhor Silva. Pode ir para casa.

Sorria sempre senhor Ministro,

e n�o responda directamente �s perguntas...

Vamos ent�o colocar a m�scara...

Ponha qualquer coisa absorvente.

A pele do senhor Ministro � muito oleosa.

Ent�o? Est�s calmo?

Voltando ao tema inicial desta entrevista

e aquele que verdadeiramente interessa aos portugueses neste momento.

O seu governo apoia o acordo feito entre o grupo Boaventura

e os espanh�is para o empres�rio portugu�s

recuperar o controlo do Banco Popular?

O meu governo � favor�vel � exist�ncia de grupos nacionais econ�micos fortes.

Eu confio e creio que a maioria dos portugueses

concordar� comigo, nas capacidades do Senhor Boaventura

e no seu patriotismo.

N�o receia estar a comprometer a sua carreira pol�tica?

Ainda h� homens de palavra em Portugal, e tenho a certeza

que o senhor Boaventura � um deles.

Essa jornalista estava comprada, senhor Ministro!

Obrigou-o a fazer uma profiss�o de f� no Boaventura.

O que me vale � ter o Jacinto...

Como?

Nada... Ligue-me ao Dr. Jacinto Pereira Lopes...

Espero que j� tenha acabado a lua de mel...

Estou, Pedro? Correu tudo bem.

N�o, n�o te vi na televis�o... desculpa...

Posso, t�... Eu passo pelo teu gabinete amanh�,

antes de ir para a Boaventura... T�... um abraco.

� uma das mais brilhantes economistas da sua gera��o.

Doutorada por Harvard � ainda uma mulher bonita

e de reconhecido bom gosto. Falamos da Doutora F�tima Resende.

Porque � que abandonou a universidade e regressou a Portugal?

Porque para mim o bom nome do meu pai

� mais importante que a minha carreira.

Mas afinal de contas � uma profiissional de m�rito,

tamb�m gosta de desafios?

N�o digo que n�o. Tamb�m gosto bastante de desafios!

O que � que ela te quer dizer com isto?

Ela quem? A F�tima?

Ent�o, que isto � uma pir�mide e uma faca de secret�ria... em cristal...

N�o fa�as de mim parva... no vosso c�digo isto quer dizer o qu�?

Tens mais experi�ncia do que eu em interpreta��es esot�ricas.

Mas se queres mesmo saber

porque � que n�o falas com a tua tia Felismina que �...

que � uma mulher de virtudes e fala com os esp�ritos...

A minha tia n�o � para aqui chamada...

se n�o fosse ela n�o t�nhamos esta casa...

...obrigado pela casa, Rosa.

R�dio Club Portugu�s - lnforma��o.

Bom dia. A Bolsa de Lisboa voltou a abrir em alta

em consequ�ncia da compra do Banco Popular

pelo Grupo Boaventura.

Esta aquisi��o provocou uma onda de euforia junto dos investidores,

depois de ontem Alexandre Boaventura

ter prometido refor�ar o seu Grupo com mais aquisi��es

de importantes empresas portuguesas.

Por outro lado a CNVM decidiu instaurar um inqu�rito

� corretora Resende, confiirmando assim rumores

de eventuais irregularidades financeiras que estariam na origem

do suic�dio do corretor Afonso Resende.

Na inaugura��o do hospital de Vila Flor,

o primeiro-ministro declarou que o governo...

Trata-se da Doutora F�tima Resende, que regressou de urg�ncia

por causa dos neg�cios do pai.

A corretora est� em m� situac�o e corre o risco de ir � fal�ncia.

Os nossos bancos det�m cr�ditos sobre a corretora Resende?

Tem um relat�rio completo na sua mesa.

Passe por favor. Sim?...

Posso perguntar qual o motivo do seu interesse?

Uma mulher bonita merece sempre uma aten��o especial.

Sem elas n�o se constr�em imp�rios.

Senhor Director:

A corretora Resende honrar� todos os seus compromissos.

E n�o � pelo facto do meu pai ter falecido

que vai deixar de faz�-lo.

Pode ter a certeza disso.

Logo que tenha uma ideia precisa da situa��o,

entrarei em contacto consigo. Muito boa tarde.

A luz verde do Governo � tomada de controle do Banco Popular

pelo conhecido empres�rio Alexandre Boaventura,

continua a ter efeitos positivos na Bolsa...

Desculpa ter vindo sem avisar.

Por amor de Deus, F�tima, n�o tens nada que te desculpar.

A minha porta est� sempre aberta, especialmente para ti.

Que te traz a casa de um humilde servo do Senhor?

Preciso de saber se a M�tua me pode conceder um empr�stimo?

A corretora do meu pai est� numa situa��o desesperada.

Depende do montante e das garantias...

2 milh�es de contos e n�o tenho garantias suficientes...

Deixas-me numa posi��o dif�cil pois sabes que sou um mero servidor

de riquezas e bens que me foram confiados...

Eu nada posso fazer por ti... mas tu, podes fazer muito...

Senhor Doutor?

O senhor Ministro vai receb�-lo agora.

Logo � tarde tenho de ir � Assembleia da Rep�blica

e sabes que na minha posi��o n�o posso correr o risco

de factos consumados.

Eu conto com a tua lealdade...

Preciso que me mantenhas informado

de todos os movimentos do Boaventura...

Se � por causa do neg�cio do Banco Popular,

podes ficar descansado.

J� corre que se isto falhar, a minha cabe�a � a primeira a rolar.

E, que o meu substituto serias tu.

Sabes perfeitamente que eu n�o quero ser ministro.

Al�m disso, eu nunca te trairia.

No contexto actual n�o nos � poss�vel protelar mais.

A decis�o est� tomada e � irrevers�vel...

Mas, Dr. Jacinto, o Governo assegurou que o Banco Popular

ainda iria refor�ar o apoio aos grupos econ�micos portugueses...

Qual governo, qual carapu�a.

Ou pagas imediatamente os empr�stimos que o Banco te fez

e que est�o vencidos

ou fa�o accionar as garantias que apresentaste

e fico com a maioria e o controle do teu grupo.

Ainda te vais arrepender, Alexandre.

Adoro v�-los rastejar...

Um homem assim n�o merece ter poder.

Dr. Jacinto, conto consigo para explicar a nossa posi��o

aos seus amigos no governo... e na oposi��o tamb�m, � claro...

Com certeza...

Consta que o seu nome anda a� na baila

para ocupar um lugar no governo?

S�o apenas boatos, senhor Boaventura.

Ainda bem, comigo n�o se servem dois senhores!

� o seu filho.

Voltou a assaltar uma loja e pede a sua ajuda.

N�o interessa. H� muito que deixou de ser meu filho.

Sr. Boaventura, se alguma vez os interesses do Grupo

forem incompat�veis com a pol�tica... eu n�o hesitarei em ficar do seu lado.

N�o, Dr. Jacinto: Devemos tornar sempre

a pol�tica compat�vel com os neg�cios.

Dom Jos�, como pasa?

Como ficou claro nesta Comiss�o, o Governo, agiu sempre tendo em conta

o interesse nacional...

O interesse do Boaventura!...

N�o me interrompa, senhor deputado.

Vossa Excel�ncia � que devia esquecer por momentos o interesse

do grupo econ�mico a que est� ligado e pensar acima de tudo

no Pa�s que representa nesta Casa.

Estou em condic�es de assegurar

aos senhores deputados, e ao Pa�s, que o Banco Popular

vai ficar em m�os nacionais das quais ali�s nunca deveria ter sa�do.

E se tal n�o acontecer por qualquer motivo

eu assumo aqui e agora o compromisso de honra

de me demitir imediatamente.

S� tor.

lsabel, pe�a por favor ao Doutor Teles

e ao Doutor �lvaro para virem ter comigo ao gabinete.

Mas, s� tor.

E agradecia que n�o fosse interrompido.

A Rosa n�o gostou da minha prenda?...

Se calhar n�o percebeu o que eu quis dizer...

A �nica forma de subir a pir�mide do poder

� usar o punhal...

Foi para me dizeres isso que me vieste visitar?...

N�o. Vim ver o mais jovem e brilhante administrador

do maior grupo econ�mico nacional.

Quando eu era um reles trabalhador estudante

e tu uma menina rica

nunca tomaste a iniciativa de me visitar...

Mas pass�mos bons momentos juntos...

Mas tu preferiste ir viver para os Estados Unidos...

E tu ca�ste nos bra�os da Rosa, com a benc�o do Francisco...

N�o ataques o Francisco. Foi ele que nos manteve unidos...

...para nos utilizar.

Mas sempre beneficiamos com as interessantes informac�es

que ele nos deu...

� exactamente o que eu preciso agora: uma informac�o interessante.

J� n�o h� informac�es interessantes. O neg�cio est� feito,

a Boaventura comprou o Popular ficando com a maioria do banco,

que assim volta para controlo nacional.

O Boaventura a fazer de cavaleiro andante...

e de grande salvador da P�tria...

...pod�amos jantar

para me contares o resto do conto de fadas.

Eu acabo de voltar de lua de mel...

Porque n�o dizes � Rosa que tens uma reuni�o?...

Tu quando queres, fazes bem de serpente tentadora...

Fico � espera da oportunidade de poder por � prova esse meu talento.

Para n�o teres a desculpa de n�o saber como me encontrar...

Rosa, podes vir aqui?

Olha, Rosa, tinha que representar a M�tua

no concerto no CCB e como n�o posso ir,

pensei que poderias substituir-me...

Com todo o gosto.

Outra coisa, Rosa: o Jacinto est� a par dos teus problemas?

Qual deles, Francisco?

Sabes muito bem a qual me refiro.

Nem desse, nem do outro.

Ainda bem.

� obriga��o de uma esposa, procurar poupar o marido.

Ali�s...

foi por te considerar a mulher certa que apoiei o teu casamento

e te ajudei na compra das ac��es.

Espero que n�o me desiludas.

Tem sido dif�cil convencer o Jacinto a ser mais ambicioso...

Eu quero saber tudo, absolutamente tudo.

Eu tenho a sensa��o que h� qualquer coisa que nos est� a escapar.

E se eu vos trouxe para a Boaventura foi exactamente para ter acesso

a toda a informac�o.

Mas, as coisas parecem estar a correr bem...

o neg�cio com o Popular foi um completo e arrasador sucesso.

Sim, mas � bom que estejamos preparados

para o pr�ximo movimento, porque isto n�o vai ficar por aqui.

Al�m disso eu tenho a impress�o que h� qualquer coisa

que n�s n�o sabemos.

E, isso deixa-me nervoso.

O Joaquim Castro tem bons apoios

e n�o vai ficar de bracos cruzados...

S� tor...

lsabel, eu pensei que tivesse ficado claro

que eu n�o quero ser interrompido!

Desculpe, s� tor, � a Doutora Rosa... a sua esposa.

Tou. N�o...

sabes que m�sica cl�ssica n�o � o meu forte.

Est� bem, eu aproveito e fico mais umas horas

aqui no escrit�rio... Diverte-te. Beijinhos.

A situac�o na corretora ia de mal a pior

e ele era demasiado orgulhoso para pedir ajuda.

Eu gostava muito dele.

Eu sempre tive um carinho especial pelo teu pai.

� pena n�o teres mostrado esse teu carinho especial,

quando tiveste oportunidade disso.

N�o estou a perceber.

A oferta do Boaventura sobre o Banco Popular

foi muito acima da cotac�o na Bolsa.

Teria bastado uma palavra tua para a corretora

ter recuperado todos os preju�zos.

Tens no��o do que est�s a dizer?

Tenho.

E tu ainda tens uma oportunidade para te redimires.

Basta dizeres-me ao ouvido aquilo que eu quero saber.

Sabes perfeitamente que isso � ilegal...

E n�o � ilegal tudo o que tem valor?

Tu n�o confias em mim, pois n�o?

Ou n�o confias em ti, quando fico perto demais?

Eu prefiro manter uma fronteira clara

entre o plano profissional e o pessoal.

Ent�o porque � que me convidaste para jantar?

� um crepe suzette para a senhora?

Exactamente. E para mim, pode-me trazer j� um caf�.

N�o te importas, pois n�o?

N�o, comigo n�o precisas de fazer cerim�nias...

Nenhumas.

N�o te ponhas com merdas, t� bem?!

O teu problema � que te preocupas demasiado,

com o que as pessoas pensam.

Porque � que ficas sempre a meio caminho?

Porque vieste do nada

e qualquer coisa � melhor do que voltar atr�s?

Faz o que te apetece em vez de ficares para a� parado!

Est�s doido para me dar um par de estalos!

Forca! Porque � que n�o me d�s?

Ou ent�o, porque n�o juntas o �til ao agrad�vel?!

N�o te apetecia rasgares-me a roupa toda,

deitares-me em cima da mesa e foderes-me em grande, aqui mesmo?!

Era bom, n�o era?

�s capaz de tudo, mas n�o arriscas nada.

Larga-a! Larga-a!

Tu, larga-me. Tu... tu...

Tens a certeza que � isto que queres?

Absoluta.

- E n�o te vais arrepender? - N�o.

Ainda bem...

Espera... tenho uma surpresa para ti..

� bonita, a vista.

Foi uma prima minha que me alugou a casa,

mas n�o fez descontos para a fam�lia.

Estou a tentar convenc�-la a vender-ma.

Quer dizer que vais mesmo ficar c�?

Podes ter a certeza. Custe o que custar.

A vida d� muitas voltas, n�o �?

Quando menos se espera, acontece alguma coisa e,

de repente, muda tudo.

Pensando bem, se n�o fosse aquele arrumador de carros,

a esta hora cada um estava para seu lado.

No fundo, dev�amos agradecer-lhe, n�o achas?

Lembras-te destas cartas que h� alguns anos

escreveste ao meu pai?

Trabalhavas no Banco de Portugal e transmitias-lhe

informac�es confidenciais sobre as grandes decis�es em prepara��o...

Senhor Afonso Resende a taxa de juros vai subir na pr�xima sexta-feira...

Senhor Afonso Resende o FMl imp�s uma desvaloriza��o do escudo

de 20% nos pr�ximos tr�s meses...

Senhor Afonso Resende o Governo prepara a privatiza��o do banco...

Senhor Afonso Resende... Senhor Afonso Resende...

Senhor Afonso Resende... Senhor Afonso Resende...

Encontrei-as no cofre do meu pai.

S� soube agora pois ele nunca me tinha dito nada.

Mas ajudou-me a compreender muita coisa.

Nomeadamente, que estamos bem um para o outro.

Podes rasg�-las.

O que o ber�o ber�a s� a tumba tomba...

Assim nunca mais chegas a ministro.

N�o dizes nada? Agora transformaste-te num fantasma?

V�, fala, mostra que ainda �s um homem!

Quem � que te disse que eu queria ser ministro?!...

Ent�o o que � que queres?

Queres continuar a ser o cont�nuo a quem o Boaventura

manda fazer os recados?

Ou preferes ser o espi�o do Pedro?

Tu queres sempre mais, n�o �?

Mas eu estou contente com o que j� consegui.

E, o que � j� conseguiste? Nada! Se n�o fosse...

Sim?... Boa noite, senhor Boaventura?...

Como est�? Posso, com certeza.

Sim senhor, eu passo por a� amanh�. Boa noite.

Basta o dono assobiar e l� vais tu de l�ngua de fora.

Desculpa.

� melhor ser impetuoso do que circunspecto,

porque a fortuna � mulher, e � necess�rio, se se quer domin�-la,

bater-lhe e feri-la.

Nunca me canso de ver ferrar um cavalo

e apreciar o engenho e arte do ferrador.

Quando era mi�do fugia de casa e vinha para aqui

dar a ferramenta ao Sr. Manuel que era o nosso ferrador de ent�o.

Foi com ele que aprendi a montar.

Dr. Jacinto, o que me diria se o Santamaria nos propusesse

tomar uma posi��o significativa na Boaventura...

Depende... se essa posi��o n�o violasse o acordo

que o senhor estabeleceu com o governo...

Dr. Jacinto, l� na escola onde estudou

n�o ouviu dizer que s�o nulos todos os pactos obtidos pela viol�ncia?

Os acordos com o governo foram-me impostos

e eu s� os aceitei porque n�o havia outra sa�da

para reaver o que era meu.

O senhor comprometeu-se a manter o seu grupo sob controlo nacional...

E onde � que est� a na��o?

Depois da revolu��o a na��o foi dissolvida,

e os cidad�os respeit�veis ficaram sem protec��o.

Tenho todo o direito a defender-me.

Eu s� aceito o que me � favor�vel. E esta a minha regra...

... e quem trabalha para mim � assim que tem de me aceitar...

A Boaventura est� numa encruzilhada,

e eu n�o sei ainda o que vou fazer,

mas se optar por um acordo com os espanh�is,

gostava de contar incondicionalmente consigo.

N�o sei, senhor Boaventura.

O senhor tem todo o direito de lutar para atingir os seus fins, mas...

mas eu vou ter de pensar porque eu fico uma situa��o delicada.

Estou velho...

estou velho e sei que n�o vou durar para sempre.

lnfelizmente n�o posso contar com o meu fiilho,

mas penso que j� encontrei

algu�m capaz de continuar a minha obra � frente da Boaventura...

...obra que nem todos compreendem,

como os pol�ticos que procuram sempre interferir.

Principalmente neste pequeno Pa�s, Dr. Jacinto,

que nunca compreendeu nem aceitou grandes homens...

Paz e alegria!

� mesmo disso que eu estou a precisar, Francisco.

Pareces-me perturbado, Jacinto.

O assunto � s�rio.

Eu n�o sei o que hei-de fazer...

Eu tenho a impress�o que o Boaventura se prepara

para violar o acordo que fez com o Governo

e eu vou ter que decidir entre a lealdade ao meu patr�o

ou a amizade ao Pedro.

O segredo est� em procurar encontrar-se o projecto de Deus Pai

a respeito de cada um de n�s,

mesmo atrav�s das prova��es e sofrimentos deste mundo.

Estou certo que com esse conselho entro com facilidade no reino dos c�us,

mas neste momento eu preciso de ajuda

para resolver problemas terrenos.

Ainda por cima a F�tima anda a pressionar-me

para lhe passar informa��es sobre os neg�cios do Boaventura.

Se ela pensa que faz comigo o que quer, est� muito enganada!

O meu �dio � o meu amor... Devias saber que a F�tima

� como aqueles guerreiros que n�o s� sabem manejar a espada,

como sabem a quem ferem e onde ferem.

O meu conselho �: ou a desarmas ou te alias a ela.

M�e...

Ent�o! De onde � que tu vens?

Queres comer? Tens a� um arrozinho de feij�o...

de ontem como tu gostavas...

N�o, m�e, obrigado, eu n�o tenho fome.

Quando uma pessoa se aproxima de uma mesa,

e n�o traz nada, nem sequer apetite, mau �!

Eu s� quero descansar um bocadinho, m�e.

Tirar os p�s da lama onde estou atolado.

Tu est�s assim por culpa tua.

Porque tens medo de encarar a realidade.

Tens medo de seguir o teu caminho.

O que � que a m�e sabe da minha vida?

Sei, sei... sei que tens uma mulher que n�o presta para nada

e tu foste casar com ela em vez de a largares,

sei que tens amigos que te utilizam e te desprezam

e n�o os largas da m�o,

sei que tens um patr�o que te explora e tu est�s sempre pronto

para aquilo que ele te manda.

Eu sempre fui assim, n�o �? Sabe porqu�, m�e?...

Sei. Porque tens vergonha de mim...

e de ti...

Eu n�o tenho, nem nunca tive vergonha da senhora.

Eu tinha era vergonha de ser sempre o melhor aluno

e quando saia das aulas tinha que ir trabalhar

para a mercearia do senhor Am�ndio

enquanto os outros, mesmo os que s� tinham negativas,

iam para o caf� a jogar snooker.

Vergonha de ver os nabos dos meus colegas

a jogar � bola enquanto que eu andava distribuir botijas de g�s.

Raiva de querer comprar livros e ter que esperar todos os meses

pela biblioteca da Gulbenkian para os poder ler.

Raiva...

raiva de tudo aquilo com que sonhei ter

e que nunca pude.

N�o, m�e. Eu nunca mais quero

desejar uma coisa e n�o a poder ter.

� S�rgio, vai buscar a �gua, e prende-a ali...

e vais ver como o macho se acalma.

� da natureza a f�mea dominar o macho, mas...

n�o h� nada como o dinheiro para dominar a f�mea!

Deste ordens aos nossos bancos para pressionarem a F�tima Resende?

Est� quase Fernando... parece-me que est� na hora

de come�ares a preparar nossa viagem de regresso ao Brasil

e se calhar desta vez n�o vamos regressar sozinhos...

Mas, para a batalha final vamos ter que preparar toda a nossa artilharia...

Repare bem D. Maria Helena, a impon�ncia destas instala��es!

Este j� foi o maior complexo industrial do nosso pa�s...

isto � obra da vida de um grande homem...

Como depois da revolu��o esta � a primeira biografia

de um dos grandes industriais portugueses,

era interessante fotografar o senhor Boaventura aqui.

Acha que seria poss�vel?

Eu falo com ele, embora saiba que ele n�o gosta

de voltar a este local pois recorda-lhe outros tempos...

tempos em que tinha muito poder...

tempos em que a ind�stria era o motor deste pa�s.

Agora � s� Bolsa, especula��o...

A Maria Helena al�m de uma grande jornalista

� tamb�m uma mulher muito bonita...

Ent�o, Doutor Fernando... estamos aqui em servi�o, n�o �?

Tem raz�o.

Primeiro os neg�cios, depois o divertimento!

Para al�m da biografia do senhor Boaventura

tenho uma outra excelente proposta para lhe fazer...

Sim?

O senhor Boaventura, precisa de uma pessoa inteligente

como a Maria Helena...

para orientar a imagem dele e do seu grupo...

Ele precisa � do apoio de uma empresa de comunica��o,

n�o � de uma jornalista.

O senhor Boaventura � uma raposa velha,

quer uma coisa mais subtil...

Desde estas compras e vendas de participa��es financeiras

veio parar �s m�os do senhor Boaventura

um jornal muito conceituado...

e a Maria Helena poderia ser a futura directora.

O problema � o pessoal!

Fazemos uma remodelac�o...

e a Maria Helena

contrata jornalistas de confian�a para trabalharem consigo...

- N�o deixas entrar mais ningu�m. - Com certeza!

Estou � espera que me diga a raz�o do seu convite...

Est� um verdadeiro cidad�o da Europa. Directo ao assunto...

Vantagens de 15 anos de integra��o europeia...

Que parece que contestou fortemente noutros tempos...

Esquerdismos, meu caro... Esquerdismos.

Mas v� l�, deixemo-nos de rodeios... Directo ao assunto.

Aqui est� a minha proposta...

Propostas destas s�o de facto irrecus�veis...

O Boaventura est� muito generoso...

O que � que ele quer em troca?

Sim? Ah, �s tu Maria Helena!

Comemorar? Sim, claro que vou contigo.

Onde?

Tira... tira... tira... tira... tira... tira... tira...

E ent�o?

Tens a certeza que � de confian�a?

N�o te preocupes... � universit�rio.

Vida dif�cil a dos jovens...

Estou a pensar comprar a corretora do Afonso Resende.

O senhor Boaventura desculpe... mas neste caso permita

que lhe diga n�o me parece uma boa ideia..

Ocupa-te mas � daquilo que tens que fazer...

O Santamaria est� a ficar impaciente

e n�s s� podemos realizar a venda quando tivermos a certeza

que o Doutor Jacinto est� do nosso lado.

O Governo de certeza que se vai opor

e n�s nesta fase n�o podemos correr qualquer esp�cie de riscos.

Estou a ficar farto deste pa�s de merda...

Estamos em vias de resolver definitivamente este problema...

a jornalista Maria Helena...

...Aquela a quem encomend�mos a sua biografia..

Ah... a amiga do Padre Francisco... e tua...

...fez um convite muito especial � Dr�. Rosa Pereira Lopes.

� o seu filho, senhor Boaventura!

Deixa. O meu filho j� morreu h� muito.

Dr� F�tima...

O gerente do banco n�o autorizou a transfer�ncia

para o pagamento dos sal�rios deste m�s

porque a nossa conta est� a descoberto

em mais de duzentos mil contos...

... ele diz que s�o ordens superiores e n�o pode fazer nada...

Senhor Silva, pode dizer aos funcion�rios

para n�o se preocuparem, que o sal�rio ser� pago em dia,

como sempre.

Doutora Rosa?

N�o sei se sabe mas o senhor Boaventura

fez uma proposta ao seu marido,

ele ficou de pensar mas ainda n�o respondeu

o que tem causado alguns problemas.

O senhor Boaventura gostaria de contar

com a sua influ�ncia junto do Doutor Jacinto...

N�o tenho sorte nenhuma...

O que � que se passa?

Se eu n�o convencer o Jacinto a apoiar o Boaventura,

divulgam essas fotografias...

Desta vez foste longe demais...

...Se fosse antes daquela puta chegar

tenho a certeza que conseguia dele o que quisesse...

Acalma-te. Eu ocupo-me desse assunto.

Marta?... Podia chegar aqui ao meu gabinete?

Sempre que te vejo deixas-me sem respira��o.

Grande cabr�o! Dizes que n�o fazes nada de ilegal

e aconselhaste a Rosa a comprar ac��es do Popular antes da OPA...

A Rosa comprou ac��es do Banco Popular?

Portanto...

Ou me dizes qual � a pr�xima opera��o

que o Boaventura prepara ou a tua carreira termina antes de comecar.

Sabes bem, que para salvar o bom nome do meu pai,

eu sou capaz de tudo!

Eu j� te disse que eu n�o sei

o que o Boaventura tenciona fazer mas mesmo que o soubesse

eu tenho muitas e boas raz�es para n�o te dizer.

Ent�o como tu n�o consegues escolher entre mim e ele, escolho eu...

Agradecia que quando o senhor Boaventura chegasse

lhe desse este meu cart�o.

Que engra�ado! Era mesmo consigo que eu queria falar!

Ent�o Dr� F�tima, qual � o neg�cio que gostaria de me propor?...

O senhor d� ordens aos seus bancos para autorizarem

o pagamento dos sal�rios aos funcion�rios da corretora do meu pai

e eu dar-lhe-ei informac�es muito importantes

sobre o Doutor Jacinto Pereira Lopes.

Diga, doutora... sou todo ouvidos.

Ent�o qual era a pressa?

L� este documento confidencial

que o Joaquim Castro recebeu de Espanha.

Parece que o Boaventura se prepara para revender o Banco Popular

e todo o seu grupo ao Santamaria,

n�o cumprindo assim o acordo que celebrou com o Governo.

Porque � que n�o d�s isto ao Pedro, s� ele � que pode fazer alguma coisa!

Tu � que est�s na Boaventura

e o Joaquim Castro precisa de uma confirma��o do golpe

para ver se pelo menos consegue recuperar as ac��es

que o Popular det�m do seu grupo.

N�o contes comigo...

Julgas que podes vencer estes tipos sozinho?

Julgo! Eu n�o tenho nada a perder...

Mas eu pensei que tinhas!

Fica a saber, se estiveres envolvido no neg�cio do Boaventura,

depois de ele regressar ao Brasil

n�o encontras nem um lugar de porteiro em todo o Pa�s.

O Boaventura voltou a assobiar?...

Puta...

Bom dia Padre Francisco.

N�o nos temos visto muito ultimamente...

� esta vida que levamos e nos consome...

Estou ansioso por saber a raz�o desta visita t�o urgente...

Vem-nos falar dos seus meninos, �?...

A Rosa Pereira Lopes n�o � o melhor caminho para o Jacinto,

senhor Boaventura... deveria ter falado comigo...

O Doutor Jacinto est� muito diferente da pessoa que me recomendou

quando eu regressei a Portugal para voltar a tomar conta do que � meu.

Mas, infelizmente ele � imprescind�vel para me ajudar a vencer a resist�ncia

que o Governo vai colocar a um neg�cio que eu quero fazer brevemente.

Ao Jacinto pode estar a acontecer o mesmo

que aos animais de circo

a quem ensinam habilidades � custa de pancada e de fome

e que mais tarde se viram contra o domador.

Este neg�cio � muito importante para mim, Francisco.

Quero regressar ao Brasil em paz comigo mesmo,

depois de me ter vingado deste bando de garotos

que ousou enfrentar-me...

Talvez eu o possa ajudar... mas deixe a Rosa em paz...

Sim? Sim, sou eu. Na herdade?

Com todo o gosto...

N�o queria estar na pele de quem a contraria...

O cavalo tem ra�a, mas precisa de uma m�o forte.

Vai ter oportunidade de o vir a ensinar. E seu.

Meu?

lnfelizmente apesar dos seus bancos me terem aumentado o cr�dito

n�o vou dispor de muito tempo.

A F�tima merece mais... muito mais...

merece partir para mais altos voos...

Eu n�o sei se est� preparada para receber

a proposta que lhe vou fazer,

no entanto tamb�m n�o lhe pe�o uma resposta imediata...

Quer comprar a corretora?

N�o... O que eu lhe quero propor � uma alianca...

...viras � direita e n�o tem nada que enganar.

Est� bem, um abra�o. At� j�, Pedro.

Se tivesse que escolher entre ser leal a um amigo ou ao patr�o,

o que � que fazia, m�e?

Eu acho que tu chegaste a um ponto em que se torna arriscado

fazer fretes aos outros e ainda n�o tens coragem

de exigir aos outros que te fa�am fretes a ti.

Acho que nem o Padre Francisco resumiria t�o bem a minha situac�o...

N�o me fales em padres...

Os padres ganham a vida

a ouvir as queixas dos pobres para as ir contar aos ricos.

Agora, que chegaste no mundo dos ricos

trata mas � dos teus assuntos directamente com eles. Boa noite.

Eu devo saber tanto como tu.

Al�m disso o Boaventura nunca me falou em vender nada

aos espanh�is...

pelo contr�rio ele falou � em investir mais

e expandir a �rea de ac��o do grupo. Quem � que te deu isto?

N�o sei, foi entregue sem remetente.

Eh p�, Pedro. Esquece.

Vais ver que isso � uma manobra do Castro.

O Boaventura � da gera��o daqueles que julgam que podem fazer tudo...

por isso n�s temos o direito de fazer tudo tamb�m...

para nos defendermos...

Eh p�, Pedro.

Eu percebo que estejas numa situa��o delicada,

mas eu sinceramente n�o vejo como � que eu te possa ajudar.

Tens de me dizer...

Voc�s todos, tu, o Paulo, a F�tima, o Francisco

est�o t�o habituados a falar comigo como se eu fosse um subalterno,

que nem se apercebem

que fazem exactamente o mesmo que o Boaventura!

Ele n�o merece a tua lealdade.

Quem tem de decidir se ele a merece ou n�o, sou eu.

Mete uma coisa na tua cabeca:

O Jacinto que recebia ordens com a felicidade estampada no rosto,

morreu!

Pode mandar entrar o Dr. Jacinto...

Disseram-me que queria falar comigo...

Senhor Boaventura...

eu reflecti muito sobre a possibilidade de venda

do grupo aos espanh�is e decidi apoi�-lo a 100%...

embora seja meu dever avis�-lo que o governo vai reagir violentamente...

Eu n�o devo nada a esses franganotes

que se armam em defensores do povo e que mais n�o fazem sen�o

olhar com olhos de rafeiros esfomeados para aquilo que os outros possuem.

Eu fa�o aquilo que muito bem entendo sem prestar contas a ningu�m!

E o que � que quer que eu fa�a?

Prepare o contrato entre a Boaventura e o Grupo Santamaria

de forma a que a nossa posi��o seja inatac�vel.

N�o faca essa cara de crucificado.

N�o se preocupe com aquilo

que os seus antigos colegas v�o pensar de si.

Siga o seu caminho...

olhe que quanto mais alto subir, mais eles o respeitar�o.

Sabe o que � a liberdade, Doutor Jacinto?

A verdadeira liberdade?

� n�o permitirmos que nos impe�am de fazer aquilo

que queremos fazer.

Por isso � que s� os poderosos s�o livres.

De qual dos dois � que gosta mais?

Depende a quem se destinam... eu gosto do mais cl�ssico...

Mas como n�o se trata de um casamento cl�ssico....

Vai-se casar?

Vou.

Parab�ns! Desejo-lhe as maiores felicidades.

Felicidades?

S� os est�pidos ou os ing�nuos � que casam para ser felizes!

Um homem deve ter medo das mulheres

tanto quando elas nos amam como quando elas nos odeiam...

eu vou casar porque n�o tenho ningu�m

que mere�a suceder-me... ...o m�ximo que consegui foi um idiota...

� o mal das monarquias!

E que a democracia tamb�m n�o conseguiu resolver,

pelo contr�rio, apareceram por a� uns escroquezinhos

de terceira categoria de ambi��es mesquinhas

e que se vendem por tuta e meia.

Os neg�cios, Doutor Jacinto, os grandes neg�cios,

t�m uma �tica pr�pria, uma �tica feroz...

Exigem uma grandeza que escapa ao comum dos mortais.

Mas isso s�o �guas passadas.

Bom, se n�o tem mais nada para me dizer,

pode-se ir embora.

Doutor Jacinto!

O senhor est� convidado para o casamento.

E a Doutora Rosa tamb�m, � claro.

Dr. Jacinto! N�o quer saber o nome da noiva?

� uma velha amiga sua: A Doutora F�tima Resende.

Sim?

Abre.

� verdade que vais casar com o Boaventura?

Vou... e tamb�m vou entrar para a administra��o do grupo.

Tens a certeza que � mesmo isso que queres fazer?

E porque � que n�o havia de ter.

Pois se quem est� ao teu lado pensa grande, tu pensas maior,

e se ele sobe, tu corres para o topo!

Este colar condiz com o anel que o teu noivo te vai oferecer.

E sabes o que � que mais me fode!

Foi que eu o ajudei a escolher enquanto ele me demonstrava

que compra tudo o que quer

at� compra a mulher que eu sempre amei!

Nunca pensaste em ser feliz, s� feliz?

A nossa maneira de ser feliz � estar no centro das grandes batalhas.

H� dois g�neros de combate.: um que se serve das leis,

outro que se serve da for�a.:

o primeiro � pr�prio do homem, o segundo dos irracionais,:

quando em combate, ao pr�ncipe � necess�rio, portanto,

saber usar ou o animal ou o homem que est�o dentro dele.

Bom, espero que este mist�rio todo valha a pena.

L� isto.

Mas isto � explosivo!... O que queres que eu fa�a?

Sabes melhor do que eu...

Sei... s� n�o percebo muito bem porque � que fazes isto...

Entalas o Boaventura, que � o teu patr�o, e fodes o Pedro...

o que a mim me d� jeito... mas a ti...

ou est�s a pensar ser ministro?

N�o, Paulo. N�o estou a pensar nem quero ser ministro.

Espanh�is compram o Grupo Boaventura!

Um esc�ndalo econ�mico rebentou esta manh� em Lisboa

quando o Di�rio de Not�cias publicou em exclusivo o protocolo

que estabelece a venda da Boaventura S. A.

ao Grupo Santamaria,

o maior grupo financeiro espanhol,

que assim vai ficar a dominar uma importante quota

do mercado banc�rio portugu�s...

Senhor Ministro, � verdade que j� pediu a sua demiss�o?...

N�o � verdade...

Eu venho � Assembleia no pleno exerc�cio das minhas fun��es

para explicar aos senhores deputados

quais as medidas que o Governo se prop�e tomar

nesta situa��o que n�o cri�mos e n�o somos de todo respons�veis.

...o governo portugu�s decidiu dar instru��es ao Banco de Portugal

para vetar o neg�cio estabelecido entre o senhor Alexandre Boaventura

e o Grupo Santamaria, visto que esse neg�cio

viola de forma frontal o acordado entre o Governo

e o senhor Boaventura...

Senhor Ministro, onde est�o esses acordos?

O senhor Boaventura nega peremptoriamente ter assumido

qualquer obriga��o de manter o seu grupo sob controle nacional.

Senhor Ministro: est� na hora de cumprir o que prometeu. Demita-se.

Acabamos de receber a informac�o que o Ministro das Finan�as,

o mais alto respons�vel a n�vel governamental

pelo apoio concedido pelo Estado ao empres�rio Alexandre Boaventura

acaba de pedir a sua demiss�o ao primeiro ministro

que a aceitou imediatamente.

Entretanto o Governo anunciou tamb�m que decidiu

vetar o neg�cio, solicitando a interven��o do Banco de Portugal.

Confiirmo que pedi a minha demiss�o ao senhor primeiro ministro

mas tenho a consci�ncia tranquila, tendo agido sempre na defesa

dos mais altos interesses nacionais...

N�o se sente enganado por Alexandre Boaventura?

Como vai o governo reaver os apoios que deu ao Boaventura?

Quem � que estes fedelhos pensam que eu sou?

Algum salteador de estradas? Eu j� lhes digo...

Fernando, convoca essa canalha.

Eu vou-lhes dizer o que � que penso deles

e deste pa�s de madra�os.

O �dio n�o � bom conselheiro. Vamos pensar com calma.

O Doutor Jacinto e o seu grupo de advogados

podem preparar a nossa resposta.

O Doutor Jacinto?

N�o foi ele que elaborou a argumenta��o jur�dica

de apoio ao Protocolo?

N�o foi ele que participou em todas as negocia��es com o Governo?

A Doutora F�tima tem raz�o:

� importante que ele assuma publicamente

as posi��es da Boaventura. E que o veto n�o v� para a frente,

para que o neg�cio se possa concretizar.

� altura de mostrarmos a nossa artilharia pesada!...

Espero que valha a pena ter-me feito vir aqui a esta hora da noite....

Como a situa��o � de crise, eu vou ser directo:

o grupo Boaventura precisa que o seu jornal

fa�a uma campanha a favor da nossa posi��o.

� indispens�vel que alguns colunistas influentes

escrevam artigos de opini�o sobre o assunto

e que apare�am cartas de leitores criticando o Governo.

N�o sei se poderei corresponder inteiramente ao que me pede...

as cartas dos leitores � o menos, mas acho dif�cil

que os nossos colunistas, por mais boa vontade que tenham,

modifiquem radicalmente a sua opini�o.

Maria Helena: se n�o mudarem, amanh� j� n�o t�m opini�o.

O que � que pretende que eu fa�a?

Que o meu amigo conven�a os seus colegas

do Conselho de Administrac�o do Banco de Portugal

que a venda do Grupo Boaventura ao Santamaria � perfeitamente legal

e que n�o h� motivo nenhum para qualquer veto,

apesar da insist�ncia do Governo.

E se eu e o Conselho n�o formos dessa opini�o?

Pior para n�s... e pior para si...

O Pa�s ficar� a saber dos problemas do meu amigo com as drogas,

o que levar� � sua demiss�o e � consequente nomea��o

doutro administrador para o Banco.

Depois, quem sabe

talvez o Conselho mude de opini�o...

E se eu conseguir que o Conselho decida a favor da Boaventura SA,

que � que eu ganho com isso al�m destas fotografias?

A eterna gratid�o do senhor Boaventura... que se pode concretizar

de muitas e variadas maneiras.

Senhor Doutor Fernando Oliveira: diga ao senhor Boaventura

que o Jo�o Nuno Menezes apesar de ser um desertor

e ter abandonado os seus ideais de juventude

n�o trai os seus amigos nem est� � venda.

E diga-lhe ainda que farei tudo o que puder

para que o Conselho aprove o veto proposto pelo Governo.

Bom dia, meus senhores. Obrigado por terem vindo a esta casa

que sempre foi t�o mal tratada

pela comunica��o social e pelos poderes p�blicos.

Mantendo o meu h�bito de ir direito aos assuntos

quero dizer aqui claramente

que o neg�cio que celebrei com o Grupo Santamaria

� perfeitamente legal

� luz da legisla��o nacional e comunit�ria

e que n�o pode ser impedido por nenhum Estado ou poder

sem violar o direito � liberdade de circula��o de capitais e de pessoas,

trave mestre da Comunidade Europeia.

Repito: eu pr�prio e o Grupo Boaventura n�o violamos qualquer lei

ou norma do Estado.

Assim, quero informar-vos que vamos recorrer

para as inst�ncias comunit�rias de Bruxelas

da decis�o do governo portugu�s de impedir a realiza��o do neg�cio.

O Doutor Jacinto Pereira Lopes vai explicar detalhadamente

os fundamentos legais da nossa posi��o.

Meus senhores:

Eu estou certo que o acordo estabelecido entre os senhores

Alexandre Boaventura e Jos� de Santamaria

n�o viola as leis porque nos regemos.

Mas o facto de uma empresa, ou um homem, n�o violar uma lei

n�o o faz nem bom, nem justo, apenas o torna inocente perante essas leis.

Eu n�o tenho d�vida

que os homens tendem para o seu benef�cio pr�prio,

e mesmo entendendo

que um homem que trai um amigo, ou um compromisso

possa a estar a realizar uma acc�o razo�vel

para alcan�ar os seus fins,

eu n�o posso deixar de considerar

que essas ac��es s�o reprov�veis, mesmo que legais.

Para mim, nesta... nesta guerra de todos contra todos,

n�o vale tudo.

Tem de existir, acima da lei, uma noc�o do bem e do mal.

Uma pr�tica contr�ria � moral, que assenta apenas no sil�ncio da lei

desobriga-me de acompanhar os seus autores.

Em consci�ncia, eu penso que este acordo

viola os princ�pios em que fui educado,

viola acordos previamente estabelecidos

embora n�o reduzidos a escrito,

viola a palavra dada, e viola a boa f�.

Por isso eu apresento desde j� a minha demiss�o

de todos os cargos que ocupo nas empresas Boaventura...

Muito obrigado.

Senhor Doutor...? Dr. Jacinto... Dr. Jacinto...

Dr. Jacinto, para a RTP... para a RTP...

Dr. Jacinto... � verdade que vai para o governo?

O R�dio Clube Portugu�s apurou que o Doutor Jacinto Pereira Lopes

vai ser convidado para o cargo de Ministro das Financas.

A nomeac�o recolhe o apoio generalizado

dos comentadores pol�ticos

e mesmo de in�meros deputados da oposi��o...

Desculpa, l� na Assembleia...

mas eu sei que tu sabes que era o que tinha que fazer...

N�o tem import�ncia... J� nada tem import�ncia...

Porque � que n�o deixamos isto tudo

e vamos para longe, os dois... s�zinhos...

S� tu consegues ver a luz ao fundo do t�nel

no meio desta confus�o.

O que � que achas que devo fazer: apoiar o Boaventura ou o Governo?

Deixa a poeira assentar

e logo reconhecer�s os novos senhores.

Tou sim, � o pr�prio... Pode passar...

Boa noite, como est� senhor Primeiro Ministro...

Com certeza... com todo o gosto... um abraco.

Pai... pai...

Nasce agora uma quest�o: se � melhor ser amado do que temido,

ou antes temido do que ser amado.

O Pr�ncipe quereria ser uma e outra coisa;

mas porque � dif�cil em conjunto,

� muito mais seguro ser temido do que amado,

quando se tem de perder uma das duas.

Sr. Ministro!!!

A morte do senhor Boaventura vai alterar a posi��o do Governo?..

Como se sentiu quando soube da trag�dia

que aconteceu esta �ltima madrugada?

O ministro das Financas lamenta profundamente

a morte do grande empres�rio Alexandre Boaventura...

bem como do seu filho.

O senhor Boaventura contribuiu de uma forma �nica

para o desenvolvimento do Pa�s e da economia.

Muito obrigado.

A Doutora F�tima Boaventura assumiu o lugar

de Presidente do Conselho de Administrac�o.

Que coment�rio lhe oferece esta nomeac�o?

Relativamente �s alterac�es na Administra��o do Grupo Boaventura

eu n�o tenho quaisquer coment�rios a fazer.

Muito obrigado, bom dia.

Vai ser bom fazer neg�cios contigo.

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