Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
Downloaded From www.AllSubs.org
S�o v�rios os meios e diversos os caminhos que podem levar
o Principe ao poder. H� os que o herdam
e h� aqueles que o conquistam por talento ou sorte.
H� outros que s� podem tomar o poder
por meios p�rfidos ou criminosos. Ele ascender� ao poder
contra a vontade de muitos e sem o favor de ningu�m
por via de mil trabalhos e perigos e depois manter-se-� nele
por meio de actos audaciosos e arriscados.
Mas, n�o se pode dizer
que seja um exemplo de virtude matar, trair os seus amigos,
n�o ter lealdade nem compaix�o.
Minha querida! Minha querida! N�o tenhas medo, fizeste bem...
Deus e eu velaremos por ti.
Felicidades! - Agora ju�zo, menina.
Felicidades!
Primeiro a lgreja,
depois o Governo e s� depois a oposi��o!
- Jacinto, parab�ns... - Obrigado, Pedro.
Parab�ns...
Tens uma bela noiva...
Muito obrigado.
� para si, m�e.
- Ent�o est� feliz, m�e? - Estou... por ti.
N�o prefere um pastelinho de bacalhau
e um copo de vinho tinto?
Jacinto, achas que posso ir falar com o Boaventura agora?
Eu acredito no mercado, foi nele que refiz a minha fortuna.
Mas n�s fomos educados noutros princ�pios, Alexandre,
n�o me venhas agora com essa treta de que o lucro e o mercado
� que determinam quais as empresas que devem sobreviver.
H� outros valores, h� o interesse nacional, a amizade...
Eu sei que te preparas para comprar o Banco Popular aos espanh�is,
com a ajuda do Governo.
Tu sabes que o meu Grupo depende muito da relac�o de m�tua confianca
que estabeleceu com o Popular e que se essa rela��o se alterar
me pode causar graves dificuldades
e o desemprego para milhares de pessoas...
Durante o meu ex�lio no Brasil e enquanto lutei
para recuperar o que me roubaram no 25 de Abril
nunca mostraste o m�nimo sinal de solidariedade
e nem quando ias ao Brasil em neg�cios me perguntaste
se eu te poderia ajudar ou se queria ser teu s�cio.
E nem mesmo hoje, na situa��o em que te encontras,
me pedes humildemente ajuda ou apoio...
Pelo contr�rio, vens-me falar de trabalhadores e desemprego
como se isso te preocupasse...!
Pensa bem, Alexandre...
pensa bem antes de fazeres seja o que for...
Tens mesmo a certeza que o Boaventura vai comprar o Banco?
Hum. hum!!!
Tu sabes que se o Banco continuar nas m�os dos espanh�is
� a minha morte pol�tica. - Tem confianca em mim.
Eu j� alguma vez te deixei ficar mal?...
Jacinto, caro ministro. Como era vosso desejo,
fiz hoje aprovar em reuni�o do Conselho de Administrac�o da M�tua
a linha de cr�dito especial para o Grupo Boaventura.
Obrigado, Francisco.
O Jo�o Nuno tamb�m j� me confirmou
que o Banco de Portugal n�o se vai opor ao neg�cio,
apesar de o Boaventura ficar com mais de 20%
do mercado banc�rio.
Deixem-se de conspira��es. Anda Francisco, vamos dan�ar.
� para si, Senhor Boaventura...
Acabei de receber a confirma��o do empr�stimo
para a compra do Popular.
- Com as nossas condic�es? - Com as nossas condic�es.
� que eu em Portugal n�o meto nem mais um tost�o.
J� bastou o que me roubaram no 25 de Abril.
O senhor Ministro gostaria de lhe dar uma �ltima palavrinha.
Posso pedir-lhe que entre?
Parab�ns, senhor Boaventura.
O Popular regressa enfim a m�os portuguesas!
Muito obrigado, senhor Ministro.
N�o fa�o mais que o meu dever como empres�rio e como portugu�s.
Como sabe, alguma comunica��o social tem sugerido
que o senhor Boaventura n�o hesitar� na primeira oportunidade
em realizar mais-valias e regressar ao Brasil.
Eu gostaria de poder tranquilizar o senhor Primeiro Ministro
garantindo-lhe que n�o haver� altera��o na estrutura accionista
do Grupo Boaventura nos pr�ximos dez anos
e que o apoio � ind�stria nacional ser� significativamente aumentado?
Sabe que eu sempre procurei
contribuir para o progresso e para o desenvolvimento
do nosso Pa�s.
Entre homens de honra n�o s�o necess�rios contratos escritos.
Posso ent�o contar com a sua palavra, senhor Boaventura?
Pode. O Doutor Jacinto � disso testemunha.
Sr. Boaventura!
Vem-nos falar dos seus meninos, Padre Francisco?...
Tu � que me podias dar informa��es.
Vou entrevistar o Pedro no meu programa.
Que � que queres saber?
A posi��o do Banco de Portugal nesta hist�ria.
Almocamos?
N�o sabes que assediar um alto funcion�rio
do Banco de Portugal, � crime?...
Ent�o, e assediar a mulher de um amigo � o qu�?...
Pedro?
Not�cia de primeira p�gina: O ministro Pedro Castelo Branco
agarrado �... � comunica��o social!
Sempre se confirma,
o Pedro � o teu convidado desta semana?
Com o neg�cio do Boaventura ele � o rosto da not�cia.
Voc�s, s�o a favor ou contra?
Off record . Se estiv�ssemos no Governo
far�amos a mesma coisa.
Mas como estamos na oposi��o, somos contra.
E se tir�ssemos uma fotografia do nosso grupo?
Jacinto anda. Francisco ajuda-me aqui.
Vamos organizar... espera a�, falta o Pedro... Pedro!
Pedro! Pedro!
Sr. Ministro, venha l� que o Pa�s precisa de si.
Uma flor...
Nada... Jo�o Nuno tu tra�ste o nosso grupo
quando te passaste para os comunas...
Deixa-o l�...
n�s perdoamos-lhe esse pecado da juventude...
Anda, anda da�.
Pensando bem, nunca pertenci a este grupo...
por isso...
Espera a�... deixa os noivos...
venham voc�s para o meio.
N�o � preciso, estamos aqui bem.
Venham para aqui.
N�o faz diferenca nenhuma... deixem-se l� estar.
Anda l�, anda l�...
S� falta a F�tima para o nosso grupo estar completo.
Se ela estivesse em Portugal viria de certeza.
Nunca perderia uma oportunidade de tentar o Jacinto.
Porque � que n�o me chamaste? ... por orgulho?
Temos que ser sempre os mais fortes, n�o �?
N�o conhecemos limites, nem nunca admitimos a derrota.
Tu precisavas da minha ajuda... e eu ainda precisava tanto de ti...
Por ti eu era capaz de tudo!...
Deve o Pr�ncipe ganhar amigos e aniquilar os inimigos.
Fazer-se amar e temer.
Estar preparado para vencer pela for�a ou pelo engano.
Deve ainda manter a amizade dos ricos e poderosos
at� ser suficientemente forte para que deles n�o precise.
Filhos da m�e!!!
Preciso de todas as informac�es sobre os movimentos do �ltimo ano.
E, a partir de agora nenhuma ordem de compra ou venda
sai deste escrit�rio sem o meu conhecimento pessoal.
... Devemos ent�o saber... Que h� dois g�neros...
devemos ent�o saber que h� dois g�neros de combate.
Entre.
Queria falar-te a s�s.
Estou preocupado contigo.
Deixa-te de charadas, vai direito ao assunto.
No neg�cio do Boaventura h� muitos interesses em jogo, Francisco
e h� gente poderosa que n�o tem gostado da forma
como tens influenciado tudo e todos a favor do Boaventura...
O Joaquim Castro podia ter-me dito isso directamente...
� que temo que estejas a meter o Pedro e o Jacinto numa alhada...
N�o te preocupes, que eu sei bem o que � melhor para eles.
E tu toma aten��o por onde andas, Paulo,
h� ruas muito mal frequentadas...
Cheque.
Quantas pe�as tens de sacrificar at� ao cheque mate?...
Doutora F�tima?...
A menina precisa de mais alguma coisa?
N�o obrigada, senhor Silva. Pode ir para casa.
Sorria sempre senhor Ministro,
e n�o responda directamente �s perguntas...
Vamos ent�o colocar a m�scara...
Ponha qualquer coisa absorvente.
A pele do senhor Ministro � muito oleosa.
Ent�o? Est�s calmo?
Voltando ao tema inicial desta entrevista
e aquele que verdadeiramente interessa aos portugueses neste momento.
O seu governo apoia o acordo feito entre o grupo Boaventura
e os espanh�is para o empres�rio portugu�s
recuperar o controlo do Banco Popular?
O meu governo � favor�vel � exist�ncia de grupos nacionais econ�micos fortes.
Eu confio e creio que a maioria dos portugueses
concordar� comigo, nas capacidades do Senhor Boaventura
e no seu patriotismo.
N�o receia estar a comprometer a sua carreira pol�tica?
Ainda h� homens de palavra em Portugal, e tenho a certeza
que o senhor Boaventura � um deles.
Essa jornalista estava comprada, senhor Ministro!
Obrigou-o a fazer uma profiss�o de f� no Boaventura.
O que me vale � ter o Jacinto...
Como?
Nada... Ligue-me ao Dr. Jacinto Pereira Lopes...
Espero que j� tenha acabado a lua de mel...
Estou, Pedro? Correu tudo bem.
N�o, n�o te vi na televis�o... desculpa...
Posso, t�... Eu passo pelo teu gabinete amanh�,
antes de ir para a Boaventura... T�... um abraco.
� uma das mais brilhantes economistas da sua gera��o.
Doutorada por Harvard � ainda uma mulher bonita
e de reconhecido bom gosto. Falamos da Doutora F�tima Resende.
Porque � que abandonou a universidade e regressou a Portugal?
Porque para mim o bom nome do meu pai
� mais importante que a minha carreira.
Mas afinal de contas � uma profiissional de m�rito,
tamb�m gosta de desafios?
N�o digo que n�o. Tamb�m gosto bastante de desafios!
O que � que ela te quer dizer com isto?
Ela quem? A F�tima?
Ent�o, que isto � uma pir�mide e uma faca de secret�ria... em cristal...
N�o fa�as de mim parva... no vosso c�digo isto quer dizer o qu�?
Tens mais experi�ncia do que eu em interpreta��es esot�ricas.
Mas se queres mesmo saber
porque � que n�o falas com a tua tia Felismina que �...
que � uma mulher de virtudes e fala com os esp�ritos...
A minha tia n�o � para aqui chamada...
se n�o fosse ela n�o t�nhamos esta casa...
...obrigado pela casa, Rosa.
R�dio Club Portugu�s - lnforma��o.
Bom dia. A Bolsa de Lisboa voltou a abrir em alta
em consequ�ncia da compra do Banco Popular
pelo Grupo Boaventura.
Esta aquisi��o provocou uma onda de euforia junto dos investidores,
depois de ontem Alexandre Boaventura
ter prometido refor�ar o seu Grupo com mais aquisi��es
de importantes empresas portuguesas.
Por outro lado a CNVM decidiu instaurar um inqu�rito
� corretora Resende, confiirmando assim rumores
de eventuais irregularidades financeiras que estariam na origem
do suic�dio do corretor Afonso Resende.
Na inaugura��o do hospital de Vila Flor,
o primeiro-ministro declarou que o governo...
Trata-se da Doutora F�tima Resende, que regressou de urg�ncia
por causa dos neg�cios do pai.
A corretora est� em m� situac�o e corre o risco de ir � fal�ncia.
Os nossos bancos det�m cr�ditos sobre a corretora Resende?
Tem um relat�rio completo na sua mesa.
Passe por favor. Sim?...
Posso perguntar qual o motivo do seu interesse?
Uma mulher bonita merece sempre uma aten��o especial.
Sem elas n�o se constr�em imp�rios.
Senhor Director:
A corretora Resende honrar� todos os seus compromissos.
E n�o � pelo facto do meu pai ter falecido
que vai deixar de faz�-lo.
Pode ter a certeza disso.
Logo que tenha uma ideia precisa da situa��o,
entrarei em contacto consigo. Muito boa tarde.
A luz verde do Governo � tomada de controle do Banco Popular
pelo conhecido empres�rio Alexandre Boaventura,
continua a ter efeitos positivos na Bolsa...
Desculpa ter vindo sem avisar.
Por amor de Deus, F�tima, n�o tens nada que te desculpar.
A minha porta est� sempre aberta, especialmente para ti.
Que te traz a casa de um humilde servo do Senhor?
Preciso de saber se a M�tua me pode conceder um empr�stimo?
A corretora do meu pai est� numa situa��o desesperada.
Depende do montante e das garantias...
2 milh�es de contos e n�o tenho garantias suficientes...
Deixas-me numa posi��o dif�cil pois sabes que sou um mero servidor
de riquezas e bens que me foram confiados...
Eu nada posso fazer por ti... mas tu, podes fazer muito...
Senhor Doutor?
O senhor Ministro vai receb�-lo agora.
Logo � tarde tenho de ir � Assembleia da Rep�blica
e sabes que na minha posi��o n�o posso correr o risco
de factos consumados.
Eu conto com a tua lealdade...
Preciso que me mantenhas informado
de todos os movimentos do Boaventura...
Se � por causa do neg�cio do Banco Popular,
podes ficar descansado.
J� corre que se isto falhar, a minha cabe�a � a primeira a rolar.
E, que o meu substituto serias tu.
Sabes perfeitamente que eu n�o quero ser ministro.
Al�m disso, eu nunca te trairia.
No contexto actual n�o nos � poss�vel protelar mais.
A decis�o est� tomada e � irrevers�vel...
Mas, Dr. Jacinto, o Governo assegurou que o Banco Popular
ainda iria refor�ar o apoio aos grupos econ�micos portugueses...
Qual governo, qual carapu�a.
Ou pagas imediatamente os empr�stimos que o Banco te fez
e que est�o vencidos
ou fa�o accionar as garantias que apresentaste
e fico com a maioria e o controle do teu grupo.
Ainda te vais arrepender, Alexandre.
Adoro v�-los rastejar...
Um homem assim n�o merece ter poder.
Dr. Jacinto, conto consigo para explicar a nossa posi��o
aos seus amigos no governo... e na oposi��o tamb�m, � claro...
Com certeza...
Consta que o seu nome anda a� na baila
para ocupar um lugar no governo?
S�o apenas boatos, senhor Boaventura.
Ainda bem, comigo n�o se servem dois senhores!
� o seu filho.
Voltou a assaltar uma loja e pede a sua ajuda.
N�o interessa. H� muito que deixou de ser meu filho.
Sr. Boaventura, se alguma vez os interesses do Grupo
forem incompat�veis com a pol�tica... eu n�o hesitarei em ficar do seu lado.
N�o, Dr. Jacinto: Devemos tornar sempre
a pol�tica compat�vel com os neg�cios.
Dom Jos�, como pasa?
Como ficou claro nesta Comiss�o, o Governo, agiu sempre tendo em conta
o interesse nacional...
O interesse do Boaventura!...
N�o me interrompa, senhor deputado.
Vossa Excel�ncia � que devia esquecer por momentos o interesse
do grupo econ�mico a que est� ligado e pensar acima de tudo
no Pa�s que representa nesta Casa.
Estou em condic�es de assegurar
aos senhores deputados, e ao Pa�s, que o Banco Popular
vai ficar em m�os nacionais das quais ali�s nunca deveria ter sa�do.
E se tal n�o acontecer por qualquer motivo
eu assumo aqui e agora o compromisso de honra
de me demitir imediatamente.
S� tor.
lsabel, pe�a por favor ao Doutor Teles
e ao Doutor �lvaro para virem ter comigo ao gabinete.
Mas, s� tor.
E agradecia que n�o fosse interrompido.
A Rosa n�o gostou da minha prenda?...
Se calhar n�o percebeu o que eu quis dizer...
A �nica forma de subir a pir�mide do poder
� usar o punhal...
Foi para me dizeres isso que me vieste visitar?...
N�o. Vim ver o mais jovem e brilhante administrador
do maior grupo econ�mico nacional.
Quando eu era um reles trabalhador estudante
e tu uma menina rica
nunca tomaste a iniciativa de me visitar...
Mas pass�mos bons momentos juntos...
Mas tu preferiste ir viver para os Estados Unidos...
E tu ca�ste nos bra�os da Rosa, com a benc�o do Francisco...
N�o ataques o Francisco. Foi ele que nos manteve unidos...
...para nos utilizar.
Mas sempre beneficiamos com as interessantes informac�es
que ele nos deu...
� exactamente o que eu preciso agora: uma informac�o interessante.
J� n�o h� informac�es interessantes. O neg�cio est� feito,
a Boaventura comprou o Popular ficando com a maioria do banco,
que assim volta para controlo nacional.
O Boaventura a fazer de cavaleiro andante...
e de grande salvador da P�tria...
...pod�amos jantar
para me contares o resto do conto de fadas.
Eu acabo de voltar de lua de mel...
Porque n�o dizes � Rosa que tens uma reuni�o?...
Tu quando queres, fazes bem de serpente tentadora...
Fico � espera da oportunidade de poder por � prova esse meu talento.
Para n�o teres a desculpa de n�o saber como me encontrar...
Rosa, podes vir aqui?
Olha, Rosa, tinha que representar a M�tua
no concerto no CCB e como n�o posso ir,
pensei que poderias substituir-me...
Com todo o gosto.
Outra coisa, Rosa: o Jacinto est� a par dos teus problemas?
Qual deles, Francisco?
Sabes muito bem a qual me refiro.
Nem desse, nem do outro.
Ainda bem.
� obriga��o de uma esposa, procurar poupar o marido.
Ali�s...
foi por te considerar a mulher certa que apoiei o teu casamento
e te ajudei na compra das ac��es.
Espero que n�o me desiludas.
Tem sido dif�cil convencer o Jacinto a ser mais ambicioso...
Eu quero saber tudo, absolutamente tudo.
Eu tenho a sensa��o que h� qualquer coisa que nos est� a escapar.
E se eu vos trouxe para a Boaventura foi exactamente para ter acesso
a toda a informac�o.
Mas, as coisas parecem estar a correr bem...
o neg�cio com o Popular foi um completo e arrasador sucesso.
Sim, mas � bom que estejamos preparados
para o pr�ximo movimento, porque isto n�o vai ficar por aqui.
Al�m disso eu tenho a impress�o que h� qualquer coisa
que n�s n�o sabemos.
E, isso deixa-me nervoso.
O Joaquim Castro tem bons apoios
e n�o vai ficar de bracos cruzados...
S� tor...
lsabel, eu pensei que tivesse ficado claro
que eu n�o quero ser interrompido!
Desculpe, s� tor, � a Doutora Rosa... a sua esposa.
Tou. N�o...
sabes que m�sica cl�ssica n�o � o meu forte.
Est� bem, eu aproveito e fico mais umas horas
aqui no escrit�rio... Diverte-te. Beijinhos.
A situac�o na corretora ia de mal a pior
e ele era demasiado orgulhoso para pedir ajuda.
Eu gostava muito dele.
Eu sempre tive um carinho especial pelo teu pai.
� pena n�o teres mostrado esse teu carinho especial,
quando tiveste oportunidade disso.
N�o estou a perceber.
A oferta do Boaventura sobre o Banco Popular
foi muito acima da cotac�o na Bolsa.
Teria bastado uma palavra tua para a corretora
ter recuperado todos os preju�zos.
Tens no��o do que est�s a dizer?
Tenho.
E tu ainda tens uma oportunidade para te redimires.
Basta dizeres-me ao ouvido aquilo que eu quero saber.
Sabes perfeitamente que isso � ilegal...
E n�o � ilegal tudo o que tem valor?
Tu n�o confias em mim, pois n�o?
Ou n�o confias em ti, quando fico perto demais?
Eu prefiro manter uma fronteira clara
entre o plano profissional e o pessoal.
Ent�o porque � que me convidaste para jantar?
� um crepe suzette para a senhora?
Exactamente. E para mim, pode-me trazer j� um caf�.
N�o te importas, pois n�o?
N�o, comigo n�o precisas de fazer cerim�nias...
Nenhumas.
N�o te ponhas com merdas, t� bem?!
O teu problema � que te preocupas demasiado,
com o que as pessoas pensam.
Porque � que ficas sempre a meio caminho?
Porque vieste do nada
e qualquer coisa � melhor do que voltar atr�s?
Faz o que te apetece em vez de ficares para a� parado!
Est�s doido para me dar um par de estalos!
Forca! Porque � que n�o me d�s?
Ou ent�o, porque n�o juntas o �til ao agrad�vel?!
N�o te apetecia rasgares-me a roupa toda,
deitares-me em cima da mesa e foderes-me em grande, aqui mesmo?!
Era bom, n�o era?
�s capaz de tudo, mas n�o arriscas nada.
Larga-a! Larga-a!
Tu, larga-me. Tu... tu...
Tens a certeza que � isto que queres?
Absoluta.
- E n�o te vais arrepender? - N�o.
Ainda bem...
Espera... tenho uma surpresa para ti..
� bonita, a vista.
Foi uma prima minha que me alugou a casa,
mas n�o fez descontos para a fam�lia.
Estou a tentar convenc�-la a vender-ma.
Quer dizer que vais mesmo ficar c�?
Podes ter a certeza. Custe o que custar.
A vida d� muitas voltas, n�o �?
Quando menos se espera, acontece alguma coisa e,
de repente, muda tudo.
Pensando bem, se n�o fosse aquele arrumador de carros,
a esta hora cada um estava para seu lado.
No fundo, dev�amos agradecer-lhe, n�o achas?
Lembras-te destas cartas que h� alguns anos
escreveste ao meu pai?
Trabalhavas no Banco de Portugal e transmitias-lhe
informac�es confidenciais sobre as grandes decis�es em prepara��o...
Senhor Afonso Resende a taxa de juros vai subir na pr�xima sexta-feira...
Senhor Afonso Resende o FMl imp�s uma desvaloriza��o do escudo
de 20% nos pr�ximos tr�s meses...
Senhor Afonso Resende o Governo prepara a privatiza��o do banco...
Senhor Afonso Resende... Senhor Afonso Resende...
Senhor Afonso Resende... Senhor Afonso Resende...
Encontrei-as no cofre do meu pai.
S� soube agora pois ele nunca me tinha dito nada.
Mas ajudou-me a compreender muita coisa.
Nomeadamente, que estamos bem um para o outro.
Podes rasg�-las.
O que o ber�o ber�a s� a tumba tomba...
Assim nunca mais chegas a ministro.
N�o dizes nada? Agora transformaste-te num fantasma?
V�, fala, mostra que ainda �s um homem!
Quem � que te disse que eu queria ser ministro?!...
Ent�o o que � que queres?
Queres continuar a ser o cont�nuo a quem o Boaventura
manda fazer os recados?
Ou preferes ser o espi�o do Pedro?
Tu queres sempre mais, n�o �?
Mas eu estou contente com o que j� consegui.
E, o que � j� conseguiste? Nada! Se n�o fosse...
Sim?... Boa noite, senhor Boaventura?...
Como est�? Posso, com certeza.
Sim senhor, eu passo por a� amanh�. Boa noite.
Basta o dono assobiar e l� vais tu de l�ngua de fora.
Desculpa.
� melhor ser impetuoso do que circunspecto,
porque a fortuna � mulher, e � necess�rio, se se quer domin�-la,
bater-lhe e feri-la.
Nunca me canso de ver ferrar um cavalo
e apreciar o engenho e arte do ferrador.
Quando era mi�do fugia de casa e vinha para aqui
dar a ferramenta ao Sr. Manuel que era o nosso ferrador de ent�o.
Foi com ele que aprendi a montar.
Dr. Jacinto, o que me diria se o Santamaria nos propusesse
tomar uma posi��o significativa na Boaventura...
Depende... se essa posi��o n�o violasse o acordo
que o senhor estabeleceu com o governo...
Dr. Jacinto, l� na escola onde estudou
n�o ouviu dizer que s�o nulos todos os pactos obtidos pela viol�ncia?
Os acordos com o governo foram-me impostos
e eu s� os aceitei porque n�o havia outra sa�da
para reaver o que era meu.
O senhor comprometeu-se a manter o seu grupo sob controlo nacional...
E onde � que est� a na��o?
Depois da revolu��o a na��o foi dissolvida,
e os cidad�os respeit�veis ficaram sem protec��o.
Tenho todo o direito a defender-me.
Eu s� aceito o que me � favor�vel. E esta a minha regra...
... e quem trabalha para mim � assim que tem de me aceitar...
A Boaventura est� numa encruzilhada,
e eu n�o sei ainda o que vou fazer,
mas se optar por um acordo com os espanh�is,
gostava de contar incondicionalmente consigo.
N�o sei, senhor Boaventura.
O senhor tem todo o direito de lutar para atingir os seus fins, mas...
mas eu vou ter de pensar porque eu fico uma situa��o delicada.
Estou velho...
estou velho e sei que n�o vou durar para sempre.
lnfelizmente n�o posso contar com o meu fiilho,
mas penso que j� encontrei
algu�m capaz de continuar a minha obra � frente da Boaventura...
...obra que nem todos compreendem,
como os pol�ticos que procuram sempre interferir.
Principalmente neste pequeno Pa�s, Dr. Jacinto,
que nunca compreendeu nem aceitou grandes homens...
Paz e alegria!
� mesmo disso que eu estou a precisar, Francisco.
Pareces-me perturbado, Jacinto.
O assunto � s�rio.
Eu n�o sei o que hei-de fazer...
Eu tenho a impress�o que o Boaventura se prepara
para violar o acordo que fez com o Governo
e eu vou ter que decidir entre a lealdade ao meu patr�o
ou a amizade ao Pedro.
O segredo est� em procurar encontrar-se o projecto de Deus Pai
a respeito de cada um de n�s,
mesmo atrav�s das prova��es e sofrimentos deste mundo.
Estou certo que com esse conselho entro com facilidade no reino dos c�us,
mas neste momento eu preciso de ajuda
para resolver problemas terrenos.
Ainda por cima a F�tima anda a pressionar-me
para lhe passar informa��es sobre os neg�cios do Boaventura.
Se ela pensa que faz comigo o que quer, est� muito enganada!
O meu �dio � o meu amor... Devias saber que a F�tima
� como aqueles guerreiros que n�o s� sabem manejar a espada,
como sabem a quem ferem e onde ferem.
O meu conselho �: ou a desarmas ou te alias a ela.
M�e...
Ent�o! De onde � que tu vens?
Queres comer? Tens a� um arrozinho de feij�o...
de ontem como tu gostavas...
N�o, m�e, obrigado, eu n�o tenho fome.
Quando uma pessoa se aproxima de uma mesa,
e n�o traz nada, nem sequer apetite, mau �!
Eu s� quero descansar um bocadinho, m�e.
Tirar os p�s da lama onde estou atolado.
Tu est�s assim por culpa tua.
Porque tens medo de encarar a realidade.
Tens medo de seguir o teu caminho.
O que � que a m�e sabe da minha vida?
Sei, sei... sei que tens uma mulher que n�o presta para nada
e tu foste casar com ela em vez de a largares,
sei que tens amigos que te utilizam e te desprezam
e n�o os largas da m�o,
sei que tens um patr�o que te explora e tu est�s sempre pronto
para aquilo que ele te manda.
Eu sempre fui assim, n�o �? Sabe porqu�, m�e?...
Sei. Porque tens vergonha de mim...
e de ti...
Eu n�o tenho, nem nunca tive vergonha da senhora.
Eu tinha era vergonha de ser sempre o melhor aluno
e quando saia das aulas tinha que ir trabalhar
para a mercearia do senhor Am�ndio
enquanto os outros, mesmo os que s� tinham negativas,
iam para o caf� a jogar snooker.
Vergonha de ver os nabos dos meus colegas
a jogar � bola enquanto que eu andava distribuir botijas de g�s.
Raiva de querer comprar livros e ter que esperar todos os meses
pela biblioteca da Gulbenkian para os poder ler.
Raiva...
raiva de tudo aquilo com que sonhei ter
e que nunca pude.
N�o, m�e. Eu nunca mais quero
desejar uma coisa e n�o a poder ter.
� S�rgio, vai buscar a �gua, e prende-a ali...
e vais ver como o macho se acalma.
� da natureza a f�mea dominar o macho, mas...
n�o h� nada como o dinheiro para dominar a f�mea!
Deste ordens aos nossos bancos para pressionarem a F�tima Resende?
Est� quase Fernando... parece-me que est� na hora
de come�ares a preparar nossa viagem de regresso ao Brasil
e se calhar desta vez n�o vamos regressar sozinhos...
Mas, para a batalha final vamos ter que preparar toda a nossa artilharia...
Repare bem D. Maria Helena, a impon�ncia destas instala��es!
Este j� foi o maior complexo industrial do nosso pa�s...
isto � obra da vida de um grande homem...
Como depois da revolu��o esta � a primeira biografia
de um dos grandes industriais portugueses,
era interessante fotografar o senhor Boaventura aqui.
Acha que seria poss�vel?
Eu falo com ele, embora saiba que ele n�o gosta
de voltar a este local pois recorda-lhe outros tempos...
tempos em que tinha muito poder...
tempos em que a ind�stria era o motor deste pa�s.
Agora � s� Bolsa, especula��o...
A Maria Helena al�m de uma grande jornalista
� tamb�m uma mulher muito bonita...
Ent�o, Doutor Fernando... estamos aqui em servi�o, n�o �?
Tem raz�o.
Primeiro os neg�cios, depois o divertimento!
Para al�m da biografia do senhor Boaventura
tenho uma outra excelente proposta para lhe fazer...
Sim?
O senhor Boaventura, precisa de uma pessoa inteligente
como a Maria Helena...
para orientar a imagem dele e do seu grupo...
Ele precisa � do apoio de uma empresa de comunica��o,
n�o � de uma jornalista.
O senhor Boaventura � uma raposa velha,
quer uma coisa mais subtil...
Desde estas compras e vendas de participa��es financeiras
veio parar �s m�os do senhor Boaventura
um jornal muito conceituado...
e a Maria Helena poderia ser a futura directora.
O problema � o pessoal!
Fazemos uma remodelac�o...
e a Maria Helena
contrata jornalistas de confian�a para trabalharem consigo...
- N�o deixas entrar mais ningu�m. - Com certeza!
Estou � espera que me diga a raz�o do seu convite...
Est� um verdadeiro cidad�o da Europa. Directo ao assunto...
Vantagens de 15 anos de integra��o europeia...
Que parece que contestou fortemente noutros tempos...
Esquerdismos, meu caro... Esquerdismos.
Mas v� l�, deixemo-nos de rodeios... Directo ao assunto.
Aqui est� a minha proposta...
Propostas destas s�o de facto irrecus�veis...
O Boaventura est� muito generoso...
O que � que ele quer em troca?
Sim? Ah, �s tu Maria Helena!
Comemorar? Sim, claro que vou contigo.
Onde?
Tira... tira... tira... tira... tira... tira... tira...
E ent�o?
Tens a certeza que � de confian�a?
N�o te preocupes... � universit�rio.
Vida dif�cil a dos jovens...
Estou a pensar comprar a corretora do Afonso Resende.
O senhor Boaventura desculpe... mas neste caso permita
que lhe diga n�o me parece uma boa ideia..
Ocupa-te mas � daquilo que tens que fazer...
O Santamaria est� a ficar impaciente
e n�s s� podemos realizar a venda quando tivermos a certeza
que o Doutor Jacinto est� do nosso lado.
O Governo de certeza que se vai opor
e n�s nesta fase n�o podemos correr qualquer esp�cie de riscos.
Estou a ficar farto deste pa�s de merda...
Estamos em vias de resolver definitivamente este problema...
a jornalista Maria Helena...
...Aquela a quem encomend�mos a sua biografia..
Ah... a amiga do Padre Francisco... e tua...
...fez um convite muito especial � Dr�. Rosa Pereira Lopes.
� o seu filho, senhor Boaventura!
Deixa. O meu filho j� morreu h� muito.
Dr� F�tima...
O gerente do banco n�o autorizou a transfer�ncia
para o pagamento dos sal�rios deste m�s
porque a nossa conta est� a descoberto
em mais de duzentos mil contos...
... ele diz que s�o ordens superiores e n�o pode fazer nada...
Senhor Silva, pode dizer aos funcion�rios
para n�o se preocuparem, que o sal�rio ser� pago em dia,
como sempre.
Doutora Rosa?
N�o sei se sabe mas o senhor Boaventura
fez uma proposta ao seu marido,
ele ficou de pensar mas ainda n�o respondeu
o que tem causado alguns problemas.
O senhor Boaventura gostaria de contar
com a sua influ�ncia junto do Doutor Jacinto...
N�o tenho sorte nenhuma...
O que � que se passa?
Se eu n�o convencer o Jacinto a apoiar o Boaventura,
divulgam essas fotografias...
Desta vez foste longe demais...
...Se fosse antes daquela puta chegar
tenho a certeza que conseguia dele o que quisesse...
Acalma-te. Eu ocupo-me desse assunto.
Marta?... Podia chegar aqui ao meu gabinete?
Sempre que te vejo deixas-me sem respira��o.
Grande cabr�o! Dizes que n�o fazes nada de ilegal
e aconselhaste a Rosa a comprar ac��es do Popular antes da OPA...
A Rosa comprou ac��es do Banco Popular?
Portanto...
Ou me dizes qual � a pr�xima opera��o
que o Boaventura prepara ou a tua carreira termina antes de comecar.
Sabes bem, que para salvar o bom nome do meu pai,
eu sou capaz de tudo!
Eu j� te disse que eu n�o sei
o que o Boaventura tenciona fazer mas mesmo que o soubesse
eu tenho muitas e boas raz�es para n�o te dizer.
Ent�o como tu n�o consegues escolher entre mim e ele, escolho eu...
Agradecia que quando o senhor Boaventura chegasse
lhe desse este meu cart�o.
Que engra�ado! Era mesmo consigo que eu queria falar!
Ent�o Dr� F�tima, qual � o neg�cio que gostaria de me propor?...
O senhor d� ordens aos seus bancos para autorizarem
o pagamento dos sal�rios aos funcion�rios da corretora do meu pai
e eu dar-lhe-ei informac�es muito importantes
sobre o Doutor Jacinto Pereira Lopes.
Diga, doutora... sou todo ouvidos.
Ent�o qual era a pressa?
L� este documento confidencial
que o Joaquim Castro recebeu de Espanha.
Parece que o Boaventura se prepara para revender o Banco Popular
e todo o seu grupo ao Santamaria,
n�o cumprindo assim o acordo que celebrou com o Governo.
Porque � que n�o d�s isto ao Pedro, s� ele � que pode fazer alguma coisa!
Tu � que est�s na Boaventura
e o Joaquim Castro precisa de uma confirma��o do golpe
para ver se pelo menos consegue recuperar as ac��es
que o Popular det�m do seu grupo.
N�o contes comigo...
Julgas que podes vencer estes tipos sozinho?
Julgo! Eu n�o tenho nada a perder...
Mas eu pensei que tinhas!
Fica a saber, se estiveres envolvido no neg�cio do Boaventura,
depois de ele regressar ao Brasil
n�o encontras nem um lugar de porteiro em todo o Pa�s.
O Boaventura voltou a assobiar?...
Puta...
Bom dia Padre Francisco.
N�o nos temos visto muito ultimamente...
� esta vida que levamos e nos consome...
Estou ansioso por saber a raz�o desta visita t�o urgente...
Vem-nos falar dos seus meninos, �?...
A Rosa Pereira Lopes n�o � o melhor caminho para o Jacinto,
senhor Boaventura... deveria ter falado comigo...
O Doutor Jacinto est� muito diferente da pessoa que me recomendou
quando eu regressei a Portugal para voltar a tomar conta do que � meu.
Mas, infelizmente ele � imprescind�vel para me ajudar a vencer a resist�ncia
que o Governo vai colocar a um neg�cio que eu quero fazer brevemente.
Ao Jacinto pode estar a acontecer o mesmo
que aos animais de circo
a quem ensinam habilidades � custa de pancada e de fome
e que mais tarde se viram contra o domador.
Este neg�cio � muito importante para mim, Francisco.
Quero regressar ao Brasil em paz comigo mesmo,
depois de me ter vingado deste bando de garotos
que ousou enfrentar-me...
Talvez eu o possa ajudar... mas deixe a Rosa em paz...
Sim? Sim, sou eu. Na herdade?
Com todo o gosto...
N�o queria estar na pele de quem a contraria...
O cavalo tem ra�a, mas precisa de uma m�o forte.
Vai ter oportunidade de o vir a ensinar. E seu.
Meu?
lnfelizmente apesar dos seus bancos me terem aumentado o cr�dito
n�o vou dispor de muito tempo.
A F�tima merece mais... muito mais...
merece partir para mais altos voos...
Eu n�o sei se est� preparada para receber
a proposta que lhe vou fazer,
no entanto tamb�m n�o lhe pe�o uma resposta imediata...
Quer comprar a corretora?
N�o... O que eu lhe quero propor � uma alianca...
...viras � direita e n�o tem nada que enganar.
Est� bem, um abra�o. At� j�, Pedro.
Se tivesse que escolher entre ser leal a um amigo ou ao patr�o,
o que � que fazia, m�e?
Eu acho que tu chegaste a um ponto em que se torna arriscado
fazer fretes aos outros e ainda n�o tens coragem
de exigir aos outros que te fa�am fretes a ti.
Acho que nem o Padre Francisco resumiria t�o bem a minha situac�o...
N�o me fales em padres...
Os padres ganham a vida
a ouvir as queixas dos pobres para as ir contar aos ricos.
Agora, que chegaste no mundo dos ricos
trata mas � dos teus assuntos directamente com eles. Boa noite.
Eu devo saber tanto como tu.
Al�m disso o Boaventura nunca me falou em vender nada
aos espanh�is...
pelo contr�rio ele falou � em investir mais
e expandir a �rea de ac��o do grupo. Quem � que te deu isto?
N�o sei, foi entregue sem remetente.
Eh p�, Pedro. Esquece.
Vais ver que isso � uma manobra do Castro.
O Boaventura � da gera��o daqueles que julgam que podem fazer tudo...
por isso n�s temos o direito de fazer tudo tamb�m...
para nos defendermos...
Eh p�, Pedro.
Eu percebo que estejas numa situa��o delicada,
mas eu sinceramente n�o vejo como � que eu te possa ajudar.
Tens de me dizer...
Voc�s todos, tu, o Paulo, a F�tima, o Francisco
est�o t�o habituados a falar comigo como se eu fosse um subalterno,
que nem se apercebem
que fazem exactamente o mesmo que o Boaventura!
Ele n�o merece a tua lealdade.
Quem tem de decidir se ele a merece ou n�o, sou eu.
Mete uma coisa na tua cabeca:
O Jacinto que recebia ordens com a felicidade estampada no rosto,
morreu!
Pode mandar entrar o Dr. Jacinto...
Disseram-me que queria falar comigo...
Senhor Boaventura...
eu reflecti muito sobre a possibilidade de venda
do grupo aos espanh�is e decidi apoi�-lo a 100%...
embora seja meu dever avis�-lo que o governo vai reagir violentamente...
Eu n�o devo nada a esses franganotes
que se armam em defensores do povo e que mais n�o fazem sen�o
olhar com olhos de rafeiros esfomeados para aquilo que os outros possuem.
Eu fa�o aquilo que muito bem entendo sem prestar contas a ningu�m!
E o que � que quer que eu fa�a?
Prepare o contrato entre a Boaventura e o Grupo Santamaria
de forma a que a nossa posi��o seja inatac�vel.
N�o faca essa cara de crucificado.
N�o se preocupe com aquilo
que os seus antigos colegas v�o pensar de si.
Siga o seu caminho...
olhe que quanto mais alto subir, mais eles o respeitar�o.
Sabe o que � a liberdade, Doutor Jacinto?
A verdadeira liberdade?
� n�o permitirmos que nos impe�am de fazer aquilo
que queremos fazer.
Por isso � que s� os poderosos s�o livres.
De qual dos dois � que gosta mais?
Depende a quem se destinam... eu gosto do mais cl�ssico...
Mas como n�o se trata de um casamento cl�ssico....
Vai-se casar?
Vou.
Parab�ns! Desejo-lhe as maiores felicidades.
Felicidades?
S� os est�pidos ou os ing�nuos � que casam para ser felizes!
Um homem deve ter medo das mulheres
tanto quando elas nos amam como quando elas nos odeiam...
eu vou casar porque n�o tenho ningu�m
que mere�a suceder-me... ...o m�ximo que consegui foi um idiota...
� o mal das monarquias!
E que a democracia tamb�m n�o conseguiu resolver,
pelo contr�rio, apareceram por a� uns escroquezinhos
de terceira categoria de ambi��es mesquinhas
e que se vendem por tuta e meia.
Os neg�cios, Doutor Jacinto, os grandes neg�cios,
t�m uma �tica pr�pria, uma �tica feroz...
Exigem uma grandeza que escapa ao comum dos mortais.
Mas isso s�o �guas passadas.
Bom, se n�o tem mais nada para me dizer,
pode-se ir embora.
Doutor Jacinto!
O senhor est� convidado para o casamento.
E a Doutora Rosa tamb�m, � claro.
Dr. Jacinto! N�o quer saber o nome da noiva?
� uma velha amiga sua: A Doutora F�tima Resende.
Sim?
Abre.
� verdade que vais casar com o Boaventura?
Vou... e tamb�m vou entrar para a administra��o do grupo.
Tens a certeza que � mesmo isso que queres fazer?
E porque � que n�o havia de ter.
Pois se quem est� ao teu lado pensa grande, tu pensas maior,
e se ele sobe, tu corres para o topo!
Este colar condiz com o anel que o teu noivo te vai oferecer.
E sabes o que � que mais me fode!
Foi que eu o ajudei a escolher enquanto ele me demonstrava
que compra tudo o que quer
at� compra a mulher que eu sempre amei!
Nunca pensaste em ser feliz, s� feliz?
A nossa maneira de ser feliz � estar no centro das grandes batalhas.
H� dois g�neros de combate.: um que se serve das leis,
outro que se serve da for�a.:
o primeiro � pr�prio do homem, o segundo dos irracionais,:
quando em combate, ao pr�ncipe � necess�rio, portanto,
saber usar ou o animal ou o homem que est�o dentro dele.
Bom, espero que este mist�rio todo valha a pena.
L� isto.
Mas isto � explosivo!... O que queres que eu fa�a?
Sabes melhor do que eu...
Sei... s� n�o percebo muito bem porque � que fazes isto...
Entalas o Boaventura, que � o teu patr�o, e fodes o Pedro...
o que a mim me d� jeito... mas a ti...
ou est�s a pensar ser ministro?
N�o, Paulo. N�o estou a pensar nem quero ser ministro.
Espanh�is compram o Grupo Boaventura!
Um esc�ndalo econ�mico rebentou esta manh� em Lisboa
quando o Di�rio de Not�cias publicou em exclusivo o protocolo
que estabelece a venda da Boaventura S. A.
ao Grupo Santamaria,
o maior grupo financeiro espanhol,
que assim vai ficar a dominar uma importante quota
do mercado banc�rio portugu�s...
Senhor Ministro, � verdade que j� pediu a sua demiss�o?...
N�o � verdade...
Eu venho � Assembleia no pleno exerc�cio das minhas fun��es
para explicar aos senhores deputados
quais as medidas que o Governo se prop�e tomar
nesta situa��o que n�o cri�mos e n�o somos de todo respons�veis.
...o governo portugu�s decidiu dar instru��es ao Banco de Portugal
para vetar o neg�cio estabelecido entre o senhor Alexandre Boaventura
e o Grupo Santamaria, visto que esse neg�cio
viola de forma frontal o acordado entre o Governo
e o senhor Boaventura...
Senhor Ministro, onde est�o esses acordos?
O senhor Boaventura nega peremptoriamente ter assumido
qualquer obriga��o de manter o seu grupo sob controle nacional.
Senhor Ministro: est� na hora de cumprir o que prometeu. Demita-se.
Acabamos de receber a informac�o que o Ministro das Finan�as,
o mais alto respons�vel a n�vel governamental
pelo apoio concedido pelo Estado ao empres�rio Alexandre Boaventura
acaba de pedir a sua demiss�o ao primeiro ministro
que a aceitou imediatamente.
Entretanto o Governo anunciou tamb�m que decidiu
vetar o neg�cio, solicitando a interven��o do Banco de Portugal.
Confiirmo que pedi a minha demiss�o ao senhor primeiro ministro
mas tenho a consci�ncia tranquila, tendo agido sempre na defesa
dos mais altos interesses nacionais...
N�o se sente enganado por Alexandre Boaventura?
Como vai o governo reaver os apoios que deu ao Boaventura?
Quem � que estes fedelhos pensam que eu sou?
Algum salteador de estradas? Eu j� lhes digo...
Fernando, convoca essa canalha.
Eu vou-lhes dizer o que � que penso deles
e deste pa�s de madra�os.
O �dio n�o � bom conselheiro. Vamos pensar com calma.
O Doutor Jacinto e o seu grupo de advogados
podem preparar a nossa resposta.
O Doutor Jacinto?
N�o foi ele que elaborou a argumenta��o jur�dica
de apoio ao Protocolo?
N�o foi ele que participou em todas as negocia��es com o Governo?
A Doutora F�tima tem raz�o:
� importante que ele assuma publicamente
as posi��es da Boaventura. E que o veto n�o v� para a frente,
para que o neg�cio se possa concretizar.
� altura de mostrarmos a nossa artilharia pesada!...
Espero que valha a pena ter-me feito vir aqui a esta hora da noite....
Como a situa��o � de crise, eu vou ser directo:
o grupo Boaventura precisa que o seu jornal
fa�a uma campanha a favor da nossa posi��o.
� indispens�vel que alguns colunistas influentes
escrevam artigos de opini�o sobre o assunto
e que apare�am cartas de leitores criticando o Governo.
N�o sei se poderei corresponder inteiramente ao que me pede...
as cartas dos leitores � o menos, mas acho dif�cil
que os nossos colunistas, por mais boa vontade que tenham,
modifiquem radicalmente a sua opini�o.
Maria Helena: se n�o mudarem, amanh� j� n�o t�m opini�o.
O que � que pretende que eu fa�a?
Que o meu amigo conven�a os seus colegas
do Conselho de Administrac�o do Banco de Portugal
que a venda do Grupo Boaventura ao Santamaria � perfeitamente legal
e que n�o h� motivo nenhum para qualquer veto,
apesar da insist�ncia do Governo.
E se eu e o Conselho n�o formos dessa opini�o?
Pior para n�s... e pior para si...
O Pa�s ficar� a saber dos problemas do meu amigo com as drogas,
o que levar� � sua demiss�o e � consequente nomea��o
doutro administrador para o Banco.
Depois, quem sabe
talvez o Conselho mude de opini�o...
E se eu conseguir que o Conselho decida a favor da Boaventura SA,
que � que eu ganho com isso al�m destas fotografias?
A eterna gratid�o do senhor Boaventura... que se pode concretizar
de muitas e variadas maneiras.
Senhor Doutor Fernando Oliveira: diga ao senhor Boaventura
que o Jo�o Nuno Menezes apesar de ser um desertor
e ter abandonado os seus ideais de juventude
n�o trai os seus amigos nem est� � venda.
E diga-lhe ainda que farei tudo o que puder
para que o Conselho aprove o veto proposto pelo Governo.
Bom dia, meus senhores. Obrigado por terem vindo a esta casa
que sempre foi t�o mal tratada
pela comunica��o social e pelos poderes p�blicos.
Mantendo o meu h�bito de ir direito aos assuntos
quero dizer aqui claramente
que o neg�cio que celebrei com o Grupo Santamaria
� perfeitamente legal
� luz da legisla��o nacional e comunit�ria
e que n�o pode ser impedido por nenhum Estado ou poder
sem violar o direito � liberdade de circula��o de capitais e de pessoas,
trave mestre da Comunidade Europeia.
Repito: eu pr�prio e o Grupo Boaventura n�o violamos qualquer lei
ou norma do Estado.
Assim, quero informar-vos que vamos recorrer
para as inst�ncias comunit�rias de Bruxelas
da decis�o do governo portugu�s de impedir a realiza��o do neg�cio.
O Doutor Jacinto Pereira Lopes vai explicar detalhadamente
os fundamentos legais da nossa posi��o.
Meus senhores:
Eu estou certo que o acordo estabelecido entre os senhores
Alexandre Boaventura e Jos� de Santamaria
n�o viola as leis porque nos regemos.
Mas o facto de uma empresa, ou um homem, n�o violar uma lei
n�o o faz nem bom, nem justo, apenas o torna inocente perante essas leis.
Eu n�o tenho d�vida
que os homens tendem para o seu benef�cio pr�prio,
e mesmo entendendo
que um homem que trai um amigo, ou um compromisso
possa a estar a realizar uma acc�o razo�vel
para alcan�ar os seus fins,
eu n�o posso deixar de considerar
que essas ac��es s�o reprov�veis, mesmo que legais.
Para mim, nesta... nesta guerra de todos contra todos,
n�o vale tudo.
Tem de existir, acima da lei, uma noc�o do bem e do mal.
Uma pr�tica contr�ria � moral, que assenta apenas no sil�ncio da lei
desobriga-me de acompanhar os seus autores.
Em consci�ncia, eu penso que este acordo
viola os princ�pios em que fui educado,
viola acordos previamente estabelecidos
embora n�o reduzidos a escrito,
viola a palavra dada, e viola a boa f�.
Por isso eu apresento desde j� a minha demiss�o
de todos os cargos que ocupo nas empresas Boaventura...
Muito obrigado.
Senhor Doutor...? Dr. Jacinto... Dr. Jacinto...
Dr. Jacinto, para a RTP... para a RTP...
Dr. Jacinto... � verdade que vai para o governo?
O R�dio Clube Portugu�s apurou que o Doutor Jacinto Pereira Lopes
vai ser convidado para o cargo de Ministro das Financas.
A nomeac�o recolhe o apoio generalizado
dos comentadores pol�ticos
e mesmo de in�meros deputados da oposi��o...
Desculpa, l� na Assembleia...
mas eu sei que tu sabes que era o que tinha que fazer...
N�o tem import�ncia... J� nada tem import�ncia...
Porque � que n�o deixamos isto tudo
e vamos para longe, os dois... s�zinhos...
S� tu consegues ver a luz ao fundo do t�nel
no meio desta confus�o.
O que � que achas que devo fazer: apoiar o Boaventura ou o Governo?
Deixa a poeira assentar
e logo reconhecer�s os novos senhores.
Tou sim, � o pr�prio... Pode passar...
Boa noite, como est� senhor Primeiro Ministro...
Com certeza... com todo o gosto... um abraco.
Pai... pai...
Nasce agora uma quest�o: se � melhor ser amado do que temido,
ou antes temido do que ser amado.
O Pr�ncipe quereria ser uma e outra coisa;
mas porque � dif�cil em conjunto,
� muito mais seguro ser temido do que amado,
quando se tem de perder uma das duas.
Sr. Ministro!!!
A morte do senhor Boaventura vai alterar a posi��o do Governo?..
Como se sentiu quando soube da trag�dia
que aconteceu esta �ltima madrugada?
O ministro das Financas lamenta profundamente
a morte do grande empres�rio Alexandre Boaventura...
bem como do seu filho.
O senhor Boaventura contribuiu de uma forma �nica
para o desenvolvimento do Pa�s e da economia.
Muito obrigado.
A Doutora F�tima Boaventura assumiu o lugar
de Presidente do Conselho de Administrac�o.
Que coment�rio lhe oferece esta nomeac�o?
Relativamente �s alterac�es na Administra��o do Grupo Boaventura
eu n�o tenho quaisquer coment�rios a fazer.
Muito obrigado, bom dia.
Vai ser bom fazer neg�cios contigo.
Downloaded From www.AllSubs.org
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.