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MISSÃO
MISSÃO IMPOSSÍVEL
Bom dia, Sr. Phelps.
Leo Vorka, o velho ditador,
mandou o notório Georgi Kull começar uma matança
que vai matar os artistas mais jovens do seu país.
Se for cumprida, um banho de sangue destruirá a esperança
para as gerações futuras aliadas do Oeste.
Jim, a sua missão caso decida aceitá-la,
é remover Vorka do poder,
e assegurar-se da sucessão do vice-primeiro-ministro Bartzin.
Como sempre, se o senhor ou algum membro da Força M.I.
for capturado ou morto,
o Secretário negará ter conhecimento das vossas ações.
Esta gravação autodestruir-se-á em cinco segundos. Boa sorte, Jim.
NOVA ESTRELA DO TEATRO
COMENTADOR TELEVISIVO GANHA PRÉMIO
FORÇA DAS MISSÕES IMPOSSÍVEIS
PRODUÇÃO
ARGUMENTO
REALIZAÇÃO
Esta demonstração é parecida aquela que vamos lá mostrar, Nora.
Mas eu não vejo nada.
Use estes óculos de infravermelhos.
Funciona muito bem.
Este é o Josef Sarni, o velho inimigo de Vorka.
E eu serei o antigo amor com quem ele fugiu.
Certo.
Com a ajuda do Paris e cabelo mais claro
vais ser a sócia ideal para a Lisa Ruger.
- O Vorka matou-os aos dois? - Sim.
Jim, o Vorka tem alguma doença mental?
Não há nenhum diagnóstico, Willy.
Há relatórios a dizer que teve alucinações
durante a sua recente doença e houve sinais de senilidade.
Este é o altifalante, Jim.
O escritor, Jan Golni, onde é que o Vorka o encontrou?
Ele não encontrou. A empresa editorial estatal sim.
Procuram sempre escritores desconhecidos
que o Vorka possa roubar e depois matar discretamente.
Este é o Stephan Zara, o poeta.
É o maior alvo da matança do Vorka,
cresceu no orfanato de Talma, não se conhece os pais.
Jim, é o filho do Vorka?
Ninguém sabe ao certo, Nora.
Ele procurou-o, mas não o encontrou.
Deve estar morto.
Quando é que planeiam começar com as detenções em massa?
Assim que conseguir a confissão do Zara.
Tenho ouvido essa mesma resposta há dias,
há dias, Kull. Diga-me,
confiei-lhe esta tarefa ou não? Diga-me, sim ou não.
Nunca lhe falhei, primeiro-ministro, e nunca irei.
O Zara desfaleceu esta manhã,
mas ele entra numa espécie de coma e desmaia.
Ele desmaia? Porquê?
Porque desmaia? Estão a ser descuidados?
O jovem tem uma doença cardíaca congénita.
Dizem que há cura com cirurgia.
Boa, marcamos um transplante de coração.
É isso que quer? É disso que está à espera?
Número, por favor.
Arquivo central, por favor.
- Arquivo central. - Este é o coronel Kull.
Gostaria de falar com o major Trosk, por favor.
Sim, sim, major Trosk.
Deve estar na sala dos arquivos.
Peço desculpa, mas ainda não chegou nenhum major Trosk.
Ele que me ligue assim que chegar aí, estou em casa.
Eu sou o major Trosk.
- Estou aqui para inspecionar... - Sim, major Trosk.
O coronel Kull ligou há momentos.
Tem de ligar imediatamente para sua casa.
Coronel Kull, daqui major Trosk.
Não, coronel, acabei de chegar.
Sim, conseguirei encontrar a informação que precisa.
Sim.
Sim, eu percebo a importância.
Sim, claro, coronel. É para já.
O coronel Kull quer obter informação de alguns inimigos do estado.
Compreendo, major Trosk.
Por favor.
Não é fantástico como o microfilme simplifica tudo?
Agora podemos ter informação sobre todos os homens, mulheres
e crianças do estado, tudo na mesma sala.
Sim, é maravilhoso.
Como posso ajudá-lo?
Gostaria que tirasse os rolos do "S-T-R-O" e do "G-O-L-N".
Está a mentir, Zara.
Nós sabemos.
Então porque me atormentam, Kull?
Porque é um herói para os mais jovens.
O que lhe chamam?
"O Poeta do Protesto?
Pessoalmente, não tenho nada contra si,
mas assine isto e sairá livremente.
Tudo isto é grotesco, Kull.
O que é que se passa com o velho? Está a ficar senil?
- Porque declara guerra connosco? - Está longe de ser senil, Zara.
Ele quer deixar tudo o que construiu à sua geração.
Ele quer confiar em si.
Confiar?
Ele quer que eu envolva centenas num enredo que não existe.
O velho está louco,
ficou louco com todo o sangue que já derramou!
Eu não vou assinar.
Zara,
não está a perceber as alternativas.
- Aqui tem, major. - Pode montá-lo para mim, por favor?
- Aqui tem, major. - Muito obrigado.
- Posso fazer mais alguma coisa? - Não, obrigado.
- Café, chá? - Não, obrigado.
- Jan Golni? - Sim, sim.
Venha comigo.
O voo 117 tem chegada prevista para as 8:15.
A bateria é autónoma.
A antena está aqui, o microfone está aqui.
Assim que a colocar, ela liga
e vocês têm a imagem no monitor. - Certo.
Vamos maquilhá-la.
Edmund Moore e o seu pessoal. Serviço de radiodifusão inglês.
Revistem-nos.
O primeiro-ministro está à sua espera.
Desculpe, senhor Moore, mas até um visitante como você
tem de tolerar pequenas inconveniências.
Não peça desculpa, coronel. Nós compreendemos.
Não, não. Não os ponha na prisão.
A prisão é nada para eles.
Os jovens não valorizam o tempo.
Ninguém valoriza o tempo, até não haver mais tempo.
Mortes, Kull. Eu quero mortes!
Claro, primeiro-ministro.
Sim? Mandem-no entrar.
- O primeiro-ministro vai recebê-lo. - Obrigado.
Entre, senhor Moore.
- Há muito que admiro o seu trabalho. - Obrigado, primeiro-ministro Vorka.
Obrigado por nos receber. Sei que está com pressa.
Não, não, como prometi estou completamente ao seu dispor.
Podemos fazer a entrevista informalmente.
Claro, eu também acho que vai ser mais apelativo.
Como desejar assim o faremos, senhor Moore.
Monte aqui as coisas, sim, Stan?
E se eu puder ver a lista de perguntas.
Claro que sim.
Na pergunta três, sugere que tomamos medidas repressivas
contra a juventude do país.
Vocês no Oeste fazem isso, nós não.
Claro que se encontrássemos pessoas em atividades de traição...
Está sempre a ver o lado negro das coisas.
Vai apagar a questão três,
vai incluir esta,
e começar com esta.
Muito bem, senhor.
Tudo pronto, senhor Moore.
Primeiro-ministro Vorka. Coronel Kull.
Senhor Moore, se o primeiro-ministro usar os óculos terei de recomeçar.
Não.
Eu não preciso dos óculos.
Nunca sou fotografado com os óculos.
Obrigado.
- Pronto, primeiro-ministro Vorka? - Comece.
Peço desculpa, há reflexos no relógio.
Obrigado, coronel.
Está tudo pronto.
Primeiro-ministro Vorka, como primeira questão de hoje,
que passos está a tomar para trazer os jovens
mais ativamente ao governo?
Em contraste com a repentina conscientização
nas democracias de este,
sempre soubemos que os jovens querem um mundo melhor.
Há pouco conflito no nosso país entre as gerações
porque a nossa juventude sabe que partilhamos o seu zelo idealista.
Eles passam naturalmente da escola para o governo,
e são bem-vindos aqui,
pois é para eles que nós procuramos novas ideias, novos espíritos.
Todos os anoso partido integra 10 mil jovens no nosso sistema.
Eu também me juntei ao partido desta forma.
Acredito que os nossos jovens confiam nos seus líderes
porque nunca os enganámos.
Golni?
Pode ir. Revistem-no.
A juventude é um estado de espírito, por isso eu espero continuar novo
por muitos mais anos.
E agora a minha última questão, primeiro-ministro Vorka.
O que está a fazer pessoalmente para alcançar a geração atual?
Estou a escrever um livro sobre os jovens partidários de Talma.
Tem de aguardar uns minutos.
Obrigado.
Naturalmente, senhor Moore,
queremos rever a entrevista antes de ser levada para fora.
Vamos já começar a tratar disso.
Gostei da entrevista, senhor Moore.
Esteve bem. Muito bem.
- É muito gentil, primeiro-ministro. - De todo.
- Obrigado. - Obrigado. Adeus, senhor.
Adeus.
Pode entrar.
Tenho receio que seja apenas um esforço humilde.
Não, não, não, o manuscrito está excelente.
Os jovens partidários de Talma.
Sim, esses eram tempos a sério.
Lutavam arduamente e sabiam o seu lugar.
E isso é porque naquela altura tínhamos líderes a sério.
Aqueles de nós que sobram estão presos numa luta
com uma geração que perdeu a sua cabeça.
Sim, sim.
Vice-primeiro-ministro Bartzin, eu apenas transmito as ordens.
Fale com o primeiro-ministro, não comigo.
O meu escritório fica a 27 metros ao fundo do corredor,
não vejo o primeiro-ministro há dois meses.
Ele tem as suas razões.
Apesar das suas insinuações sobre a sua irracionalidade,
está tão brilhante como sempre.
E as suas alucinações?
Ele tinha febre, estava doente.
Ele tem noção do quanto você e os restantes no gabinete
se querem livrar dele.
Está a sugerir que nós queremos fazer-lhe mal fisicamente?
Eu tratei da segurança para que nunca alguém tenha essa chance,
faria o mesmo por si, se tivesse a oportunidade.
A partir daqui,
gostaria de dar a minha atenção ao manuscrito.
Você trabalhará aqui, longe de distrações
e debaixo da minha supervisão.
Primeiro-ministro Vorka, eu respeito-o muito.
Confesso que estou em dívida para consigo,
mas tenho de escrever como escrevo.
Claro que sim.
Não quero censurar a sua criatividade.
Eu compreendo o que implica ser um autor.
Como se tem de trabalhar sobre cada frase.
Veja aqui, todos estes livros são meus.
Mas eu posso ajudá-lo. Por favor, permita-me.
Claro. Claro.
Desde que mandei o manuscrito para a empresa editorial estatal,
já completei mais 100 páginas.
Fala sobre o período em que dirigiu o partido em Talma.
Lida com o seu conflito com o contrarrevolucionário,
Josef Sarni.
Onde arranjou a fotografia do traidor?
Nos arquivos.
As fotografias do Sarni devem ser destruídas.
A nova geração tem de saber da sua luta com ele.
Conte-lhes.
Mas ele vai continuar um demónio sem cara!
Claro, certamente.
Espero, senhor, que não tenha a mesma reação
à discussão da sua relação com a Lisa Ruger.
Lisa Ruger?
O que é que escreveu sobre a Lisa Ruger?
Que ela era líder partidária, uma mulher bonita,
que o amava...
... e que você a amava.
Verdade, verdade.
Que mais?
Que o Josef Sarni a raptou e matou.
Sim, é verdade. Ele matou-a.
Sim, arbitrariamente e brutalmente.
O que nunca foi publicado é que viajavam com uma criança,
um menino.
Eu suspeito que fosse seu filho.
O quê? Porque é que suspeita isso?
Sou historiador, primeiro-ministro.
Há relatórios policiais secretos nos arquivos porque procurou por ele.
Eu procurei por ele.
Tê-los-ia amado aos dois, se tivesse tido oportunidade.
Quantas vezes tenho de lhe dizer, Kull,
eu prefiro morrer a incriminar os meus amigos.
Então...
... a sua vida não tem significado para si.
E a sua juventude, Zara?
Nós podemos fazê-lo velho, Zara.
Mais velho do que pode imaginar.
É uma história, primeiro-ministro, de grande tragédia humana.
O país devia saber.
Por favor, leia e decida.
Ele seria um homem agora...
Eu vou ler.
Desculpe.
Passa-se algo?
Penso ter visto algo.
Visto algo? Onde?
- Ali. - Não estou a perceber.
O que pensa que viu?
Nada.
- Posso trazer-lhe alguma coisa? - Não, não, nada. Estou bem.
Gostaria de estudar as minhas notas para as suas revisões.
Creio que aqui estará mais confortável.
Temos tanto a falar sobre a Lisa Ruger.
Já passou tanto tempo desde que pensei nestas coisas,
preciso de algum tempo para pensar.
Sim.
Leo.
Leo.
Lisa!
Não, não!
Leo, estás com medo de mim.
Não há nada ali.
Não há nada ali!
É algum truque ou...
- Serei eu que estou... - A ficar louco?
Não. Nem penses nisso.
Se pensares nisso vais dizê-lo.
Os teus inimigos podem matar-te.
Eu sou real.
Eu sou muito real.
- O que queres de mim? - Eu vim defender o nosso filho.
O teu filho!
Pensava que estava morto.
Eu escondi-o de ti.
Eu sabia que me matarias e ao Sarni.
- Terias poupado o rapaz? - Poupado?
Eu tê-lo-ia amado.
Eu não sou um monstro, Lisa. Só fiz o que tinha de fazer.
O nosso filho está aqui na cidade, numa das tuas prisões.
Ele está prestes a ser assassinado.
- Quem se atreveria a matá-lo? - Tu, o teu pessoal.
Ele é o Zara.
Stephan Zara, criado no orfanato estatal em Talma.
Não, eu não acredito.
Não está nada ali, não há, eu não...
Lisa, deixa-me em paz, deixa-me em paz!
Lisa! Lisa! Deixa-me em paz!
- Primeiro-ministro Vorka... - Ali, ali! Veja, a Lisa!
Lisa Ruger, ali, ali ao fundo! Diga-me que a vê, diga-me!
Gomal, Gomal!
Primeiro-ministro, o que se passa?
Pensava ter visto alguém.
Visto alguém, primeiro-ministro Vorka?
Revistem o quarto.
Revistar, primeiro-ministro? Mas o quê?
Não me questione. O quarto tem de ser revistado.
Agora, imediatamente!
Algo que possa fazer?
Não, volte ao trabalho.
Muito bem. Gostaria de usar os seus livros como referência.
Use-os.
Passe...
... passe-me ao Kull.
- Traga-me o ficheiro do Zara. - Sim, primeiro-ministro Vorka.
Onde é que o Zara nasceu?
- Na província de Talma. - E onde cresceu?
No orfanato de Talma.
Que idade tinha quando entrou no orfanato?
Primeiro-ministro, se há algo específico...
Responda-me!
Eles não têm a certeza, por volta dos sete anos.
E quando foi?
Em 1949.
Quem o entregou?
Um operário ambulante.
- Qual era o seu nome? - Stross.
Traga-o cá. Quero vê-lo.
Já passou tanto tempo, o homem pode estar morto.
Eu não lhe disse para mo trazer dos mortos, pois não?
- Encontre-o. - Sim, primeiro-ministro Vorka.
- Queria ver-me, primeiro-ministro? - Entre Golni, entre.
O seu livro ajudou-me muito, obrigado.
Sente-se.
Eu li o seu manuscrito.
Tem um talento raro.
A sua história é Marxista na sua interpretação,
mas as suas personagens são humanas.
Muito obrigado, senhor.
Trouxe-me o passado.
Este é o meu filho.
Estava com ela quando encontraram o seu corpo.
Claro que seria um pouco mais velho quando a mataram.
Se o tivesse encontrado... A minha vida seria diferente.
Diga-me,
é possível ele estar vivo, depois destes anos todos?
Suponho que sim, não há registo da sua morte.
É possível, sim.
Leo, porque é que duvidas de mim?
Eu contei-te a verdade.
Salva-o, Leo.
Salva-o.
Consegue ouvir?
Ouvir o quê?
Salva-o.
Acredita no sobrenatural?
Há um rapaz em Talma, os mais antigos dizem...
Eles acreditam.
Eles falavam de espíritos agitados.
Sim, as velhas superstições ainda duram.
Tem razão, Golni. Claro que tem razão.
Apenas um plebeu teria medo do desconhecido.
Estou honrado.
Nunca nos meus sonhos imaginei que poderia estar sentado aqui.
Se a minha porta não se abrir a todo o meu povo,
então seria muito negligente.
Está sempre tão ocupado, tem de tomar conta de todos nós.
Stross, escute.
Há 25 anos, entregou um rapaz no orfanato de Talma,
lembra-se disso?
Não, não. Sim! Eu lembro-me.
Onde o foi buscar?
Uma senhora, uma bela senhora.
Quem era? Qual era o seu nome?
O nome já não me lembro bem, já foi há tanto tempo.
Espero não ter feito algo de errado.
- Ela deu-me algum dinheiro. - Era esta a senhora?
Pode ser, eu não sei. Não sei.
Pobre senhora, ela depois foi morta.
Como é que sabe isso?
Ela foi raptada.
Apareceu nos jornais, e depois ela foi morta.
- Veja aqui, era este o rapaz? - Não, o rapaz era mais velho.
- Quão mais velho? - Tinha seis anos, talvez sete.
Veja bem aqui, veja.
Veja com atenção, pense!
Há parecenças?
Pode haver, é possível.
À volta da boca, os olhos.
Eu acho... não sei, não sei.
- Era um rapaz doente. - Sim?
O médico no orfanato disse que havia algo de errado com ele quando nasceu.
- O quê? - Não sei.
Pense, senhor! O que é que se passava com ele?
Era o seu coração, o seu coração.
Havia algo de errado desde nascença, tinha um coração fraco.
Pode ir.
"Pode ir."
- É uma honra. - Saia.
Uma honra.
"Pode ir."
O primeiro-ministro não acredita que o Zara é seu filho.
São muitas coincidências.
Não espera que ignore todas...
- Traga-mo cá. - Primeiro-ministro Vorka.
Imediatamente!
Assim o farei.
Ligue para a prisão Stonenitz.
- Sim? - Estamos prontos e a aguardar.
O Zara está a sair da prisão.
Anda daí. Atrasar não vai ajudar.
Número 22.
Número 22.
Expedidor para o carro 22.
Expedidor para o carro 22.
Carro 22.
O major Kiri teve problemas no motor a caminho da capital.
Está no cruzamento entre Sedmoy e Pyatiy.
Preste qualquer auxílio que ele precise.
Carro 22 para o expedidor,
vamos seguir com as instruções. Terminado.
- Major Kiri? - Sim.
Estou com pressa. Enviaremos um mecânico para o carro.
Conduza.
O Barney vai dizer-lhe o que fazer.
Deixem-nos.
Se me permite, primeiro-ministro, este homem é perigoso.
- Deixe-nos. - Venha, esperamos lá fora.
Sente-se.
Fez bem em resistir este tempo todo,
especialmente com uma doença que pode ser tratada, sabe?
Sabia disso?
Não fale da minha doença.
É uma das poucas coisas que posso dizer que é minha
neste paraíso laboral.
Não se quer sentar?
O que se passa? Porque é que de repente é benfeitor?
O que é que quer?
O que recorda da sua infância?
Lembro-me que fui criado num dos seus orfanatos estatais.
E antes disso?
- Nada. - Não, não, não.
Tem de se lembrar de algo antes do orfanato.
Tenho alguma lembrança do amor da sua mãe,
do sorriso dela, dos seus olhos.
Não a conheço.
Eu amava esta mulher.
E ela amava-me.
Ela amava-me, sim!
Ela odiava-o!
Eras apenas uma criança, naquela altura.
- Como é que ela explicari... - Explicar?
O que é que há para explicar?
É um assassino.
Como é que ela aceitaria isso? Como poderia alguém? E você?
Eu fiz o que tinha de fazer, Stephan.
És meu filho.
Eu sou filho do Josef Sarni.
Quando eu ligava, ele atendia.
Quando chorava, as lágrimas caíam-lhe na bochecha.
Morreu a tentar salvar a minha mãe de você!
De você!
Como se atreve a chamar-me filho?
Matou a minha mãe!
Não, rapaz, não.
Não, Stephan.
A posição está igual.
Stephan.
Assassino! Não lhe toques.
- Mataste o teu próprio filho! - Não, não!
Não...
Assassino!
Não, não, não!
- Assassino, assassino. - Não!
O que é que ele fez?
Ele está vivo.
É melhor levá-lo ao hospital.
Ele está a apontar para mim, ele está a apontar!
Diga que o vê. Diga que o vê!
Está a apontar, apontar.
Vejam, vejam!
Veem? Digam-me que os veem, digam.
Digam que os veem, digam que...
Algo se passa.
Sasha.
Consegue ver?
Não acreditam em mim.
Diga que acredita em mim, diga.
- Diga que acredita em mim. - Sim, eu acredito.
Você está cansado. Precisa de descansar.
Descansar.
Deu a sua vida ao Estado e agora o Estado vai cuidar de si.
- Sim. - Venha primeiro-ministro.
Bem, Kull,
terei de assumir a posição.
Ao seu serviço, primeiro-ministro Bartzin.
Kull, você e o primeiro-ministro estiveram juntos tantos anos.
Não aguentaria separá-los.
Tradução e Legendagem MARINA PINTO RTP - Produção
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