All language subtitles for Mueda, Memory and Massacre

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Original subtitles

- Viva Frelimo! - Viva!

- Sintam-se todos cumprimentados. - Assim nos sentimos.

Neste momento,

queremos falar...

da história do massacre que aconteceu 1960 aqui em Mueda.

Assim eles pretendem registrar isso.

Desta feita, cada pessoa aí onde se encontra parada, deve ter boa postura,

como uma pessoa organizada, por que nós agora estamos independentes.

Não é altura de abrir boca de qualquer maneira ou se desleixar

para que possa permitir que as pessoas se riam de si lá fora, isso não é bom.

Por que onde você começa a se coçar aqui ou ali, vai permitir que lá possam se rir de si e.

Têm visto nos filmes que temos assistido nas noites.

Assim hoje, seria bom que cada pessoa aí onde se encontra parada possa ter uma boa postura.

Fique em silêncio, pare de uma boa forma.

Para permitir que lá quem poder vos assistir possa dizer:

Sim senhor, aquela pessoa saber se portar.

Assim, sempre que irmos encenando, ao meio começarão a disparar.

Assim logo que eles dispararem

nós temos que sair em conjuntos para trás.

Mas não é para seguirem nas vossas casas,

é só uma questão de darem uns passos.

E voltarem para as vossas posições, até que possamos ser autorizados a sair, então sairemos.

Assim as saídas não podem ser repentinas, isso não e bom.

Assim, em poucas palavras,

eu gostaria de comunicar aos colegas para que possa ter uma boa postura.

Visto que as filmagens vão para muito longe, na Europa.

- Viva Frelimo! - Viva!

Desta feita,

vamos dar espaço aos rapazes para que possam nos filmar para além

de que o sol já começa aquecer muito. Viva Frelimo! - Viva!

- Frelimo viva! - Viva!

- Tudo bem? - Está tudo bem. - Donde vem? - Venho de Tanzânia.

- Vai para onde? - Vou falar com os brancos.

- Estas para informar o quê? - Vou falar com os brancos.

- Não, vou informar a eles e depois eu virei dizer a si...

Mas vou falar com os brancos.

- Venho uma pessoa aqui fora. - Essa pessoa vem donde?

- Disse que vem de Tanzânia. - Vem de Tanzânia? - Sim.

Então vai chamá-lo eu quero-me encontrar com ele.

Tio, venha aqui, rápido. Tio, rápido, estas a demorar...

- Você vem donde? - Venho de Tanzânia.

- O que pretendes? - Vim falar com os brancos que estão aí dentro.

- Tu tens boca para falar com brancos? - Eu posso falar com brancos.

- Tu não sabes que és preto? - Eu sei que sou preto.

Diga a mim que sou branco. Sou mais do que suficiente.

Primeiro, tenho que dizer a eles e só depois direi a si.

- Diga-me? - Eu sei que você é branco vou te dizer.

Já te alertei para que não mexesse os braços ao falar.

Se for assim fica aí na varanda a espera para que eu possa ir comunicar os brancos.

- Alô, venha aqui. - Vamos, rapidamente.

- Você veio fazer o quê? - Vim pedir a independência.

- Você sabe quem construiu Moçambique? - Sei sim. Somos nós, o povo Moçambicano.

Eu sou Faustino Vanomba.

Faço trabalhos da Ceta até a província de Inhambane desde de 1956.

Nesta altura estava em Moçambique, e parti rumo a Tanzânia.

O que levou a ir para Tanzânia foi o facto de existência de salários baixos em Moçambique.

Enquanto em Tanzânia havia trabalho com uma boa remuneração.

Vivi em Dar-es-Salam durante 12 anos.

Quando o governo Tanzaniano adquiriu a independência

eu pedi a este para que me desse certas respostas de como ir a Moçambique

e procurar saber como é que ainda não está independente.

Nessa altura, eu estava sozinho e parti em 2 de Fevereiro de 1959 para Moçambique.

E entrei em contato com as pessoas

perguntando porque é que não pediam a independência?

As pessoas disseram que não conseguiam pedir por causa de medo.

Eu disse, assim se uma pessoa se disponibilizar a pedir a independência vocês poderão segui-lo?

O povo Moçambicano disse: Sim, poderemos seguir porque o povo pretende libertar o país.

Fui até ao distrito de Mueda

e aqui preparou se a minha viagem até a província de Newala, Tanzânia.

Em Newala, fui pegar um voo rumo a Dar-es-Salaam.

Chegado em Dar-es-Salam,

muita gente aproximou-se de mim e perguntou-me o que havia dito em Moçambique?

Eu convoquei uma reunião e expliquei a todos os membros do MANU o que tinha se passado.

Vens donde?

- Esse tipo tinha fugido para Tanzânia. - Tu, esse carimbo é de Tanzânia.

- Essas não são as pessoas provenientes de Tanzânia?

São essas mesmas. Miúdo como é que te atreves a sair de Tanzânia e vir para aqui?

- Não, eu não venho de Tanzânia. - Não vens de Tanzânia? Isso aí o que é?

- Essa camisa onde arranjou? - Essa camisa é tanzaniana.

Amarrem-no e metam-no lá dentro. Vocês coloquem esse indivíduo lá dentro rápido.

A guerra começou com a vinda de Atiago de Tanzânia até aqui.

Quando chegou aqui encontrou os portugueses.

E ele disse-lhes vocês nos governara durante muito tempo, têm de ir a vossa terra.

Os portugueses disseram: Essa pessoa maluca vem donde? Vem de Tanzânia.

Essa pessoa, está a dizer coisas de maluquice.

Mas nós não sabíamos que Atiago pertencia a um outro partido-MANU.

Só dizíamos que estava a fazer uma boa coisa.

Foi daí que os portugueses chamaram Ernesto,

e disseram-no para que acompanhasse Atiago à sua terra. Ernesto levou Atiago até à Newala.

Quando Ernesto regressa cá à casa, foi quando vem Zacarias Vanomba,

também com a intenção de vir expulsar os portugueses.

Ele dizia que vocês nos governaram durante muito tempo,

agora nós queremos governar o nosso próprio país.

Os portugueses disseram que veio novamente um maluco.

Também deve ser levado.

- Vão para onde? - Nós vamos para a sede do distrito.

- O que vão fazer? - Vamos nos encontrar com o branco.

- Para lhe dizer o quê? - Tenho algo por lhe dizer. - Vais ouvir lá mesmo dentro.

- Essa é a sua esposa? - Sim essa é a minha esposa.

- Qual é o teu nome? - Eu sou Tiago Mula.

- E você, qual é o seu nome? - Eu sou Modesta.

Eu não quero falar convosco e não vim aqui para falar convosco.

Estão a me reparar dessa maneira, porque vocês nunca viram uma moçambicana?

Cuidado oh, menina, poderás ter má sorte.

Talvez isso aconteça convosco e não comigo.

- Vocês querem o quê? - Queremos independência.

Sim, nós sabemos. Se viemos até aqui é por que sabemos o significado.

Vocês sabem quem fez Moçambique?

Moçambique, fizemos nós os pretos. Assim vocês devem regressar a vossa terra.

Vocês não sabem que fomos nós os brancos que cortamos os rabos.

Nós não somos macacos. Nós estamos na nossa terra. Nós não somos estrangeiros.

Mas sabemos que ele é peixe, porque veio para cá via marítima, como se fossem peixes.

Eles devem partir para a sua terra.

Mesmo que me mandem embora agora, irão para vossa terra.

Mesmo que nos prendam, irão para vossa terra, porque este país é nosso.

- E aí amigo, como está? - Está tudo bem.

- E lá em casa? - Lá está tudo bem. Eu estava para vir cá anteontem só que já era tarde.

Tudo bem não há de que. Aguarde-me aqui.

- Tudo bem lá convosco? - Sim, está tudo bem.

- Trouxe galinhas? - Não trouxe. As hienas acabaram todas as galinhas.

- Em toda a sua aldeia ninguém tem galinhas? - Sim, ninguém tem.

- Olha, estarás a dizer a verdade? - Sim, ninguém tem.

Ok. Espere aí mesmo

- Amigo, hoje esses brancos pedem demasiadamente. - Com certeza.

- Onde estão as galinhas? - Não tenho galinhas.

- Você está a brincar com as autoridades. - Não estou a brincar, as galinhas morreram.

Ai, ai, ai de mim.

O meu trabalho é cultivar.

O meu segundo trabalho é de receber ordens do governo,

com vista a dar apoio necessário à população, sou chefe - adjunto político.

Assim, a guerra surgiu pelo facto de estarmos a exigir a nossa terra.

Primeiramente,

veio Tiago até em Mueda.

Lá conversou com os portugueses, mas foi perseguido e foi se embora.

Foi mandado um sipaio para que o acompanhasse.

De facto tal aconteceu até ao rio Rovuma.

Na manhã seguinte, apareceu Faustino Vanomba.

Também chegou em Mueda e disse: Eu vim exigir a nossa terra.

Ele sozinho apenas. Também foi devolvido.

Antes de passar muito tempo, veio Shibiliti com a sua mulher.

Você não sabe que Moçambique é uma província de Portugal?

Moçambique é de nós próprios moçambicanos

daí que pedimos para que nós próprios possamos governar.

Vão informar todas as pessoas lá nas aldeias

para que possam comparecer aqui na próxima 5ª feira.

A vossa vinda não traga facas e nem catanas ou qualquer outro instrumento metálico.

Tragam cabritos e outros mantimentos. Devem trazer todas essas coisas.

- Na 5ª feira, logo de manhã virmos para cá todos. - Sim.

- Esqueci-me novamente. - Esqueceu-se? - Sim...

Deve se trazer a senha de pagamento de imposto?

- Afinal, o que você quer? - Nada...

Estende as mãos, estende as mãos, estende esta mão.

Ai, ai, ai, de mim

Não se esqueça novamente, ouviu?

Camarada, nós já tínhamos te avisado, tens prestar atenção para perceber bem as coisas.

Estas a ver gora o que te aconteceu? Criaste condições para ser batido.

Estas a ver o ferimento que tens tão profundo, quando é que isso vai sarar?

Viu o que te aconteceu? Deixa-me te fazer massagem.

- Faça calar os que estão a cantar. - Governador já chegou.

- Devem parar de fazer barulho.

Respondam, quando o branco diz: Viva Portugal, vocês devem responder viva...

e com a mão levantada.

Nós não queremos, nós não queremos.

Independência, sempre a mesma coisa.

É preferível dar independência os macacos que esses pretos.

Nós sabemos que não somos macacos e não temos rabos. Nós somos o povo moçambicano!

O facto de nos governarem e nos desprezarem

faz com que nos tratem como se fossemos macacos, mas nós não somos macacos.

- Quero te batizar. - Eu não quero ser batizado.

Vais morrer aqui mesmo.

Mesmo que eu morra, mas os moçambicanos governarão este país.

Ao mesmo tempo, eu tornei-me servente aqui no hospital.

Eu recebia os feridos.

Quando isso aconteceu,

as pessoas foram tratadas e curaram e regressavam as suas comunidades.

Nessa altura, eu me encontrava com Dr Joaquim Santana de Quadro.

Assim quando chegou o dia como este, onde encenamos o massacre de Mueda,

eu não enceno como pai de Mandushi, não, mas faço como uma imitação àquilo que ele fez.

Somos do mesmo bairro, temos o mesmo antepassado,

nascemos na mesma altura, temos a mesma infância.

Aquilo que eu procuro encenar é exatamente aquilo que ele fazia.

Quando nós fazemos a encenação aqui, os que nos assistem riem-se,

nós temos consciência que riem-se das atitudes do colono português,

das coisas que ele nos fez aqui neste país.

Termino aqui a minha intervenção.

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