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- Art Subs - 14 anos fazendo Arte para voc�!
Legenda - JuLima -
CAP�TULO 1: A LINHAGEM
CADA UM TEM UM PAPEL BEM DEFINIDO.
VOC�S T�M UM PAPEL DEFINIDO.
MAS OS OUTROS TAMB�M T�M UM PAPEL DEFINIDO.
A arte � para voc�s!
A mesma posi��o, id�ntica a dele.
Ele estava sempre com as pernas cruzadas,
at� dormia assim.
Eu sempre dizia: "Como consegue dormir com as pernas cruzadas?"
Id�ntica!
Mas o rosto de voc�s � diferente.
Sua prima Perla parecia com ele, era ele cuspido e escarrado.
Sabe com quem voc� parece? Com a vov� Anita. Lembra dela?
Ele era o mais bonito do bairro.
Meu querido.
A� est� ele, l� em cima, naquele avi�o olhando para voc�.
Ele est� sempre com voc�, at� � noite.
Voc� estava incr�vel.
N�o corra, v� devagar que d� no mesmo.
- Vamos ao mercado de pulgas? - N�o. Hoje n�o.
Ent�o posso ficar aqui com voc�?
N�o. Hoje n�o que ela est� vindo.
Amanh� ent�o?
T�nhamos combinado hoje?
Sim, agora vamos comer.
Pegue as cenouras para o Marcel, sen�o o est�mago dele d�i.
Voc� precisa comer as cenouras, sen�o vai doer seu est�mago.
Marcel, coma. Coma.
Voc� gosta, vamos l�!
Aqui, aqui.
Voc� gostou, Marcel?
Muito bem, voc� se esfor�ou bastante.
Lembre-se que devemos nossa vida � arte.
Amanh� veremos.
Tire a mesa.
CAP�TULO 2: O PRINC�PIO CRIATIVO
SUCESSO SUBLIME. OR�CULO FAVOR�VEL.
N�o. Saia.
A arte � para voc�s!
Obrigada.
Obrigada.
Voc� foi magn�fica!
Pensei em voc� essa noite e escrevi algumas coisinhas
para expressar toda a minha devo��o.
Leia, leia, leia.
� para voc�.
Marcel?
Marcel!
Marcel!
Marcel!
Marcel!
- Tchau. - Tchau.
Marcel?
Marcel!
Ele ficava lindo com essa camisa!
Acredite. Ficava lindo! E com aquela cascata de cachos.
Os cachos pareciam flores, n�o dava pra saber qual flor.
Acredite. Ficava lindo!
Prontinho.
- Vamos brincar de guerrinha? - Preciso fazer compra agora.
- E depois? - Devo fazer coisas com a compra.
- E depois de depois? - Voc� me encheu.
Marcel, � voc�? N�o � voc�.
Eu fiz o caldo. Voc� precisa comer.
N�o posso, n�o quero comer.
Vou acabar com voc�!
Acho que voc� � idiota.
Quanto Marcel amava a sua carninha?
Muito.
CAP�TULO 3: O TUMULTO
O TUMULTO CHEGA. O TUMULTO TRAZ O TRIUNFO.
O que buscamos, se n�o respostas?
Se n�o retornos?
Onde estar� o Marcel?
Talvez esteja num avi�o agora.
CAP�TULO 4: O REBAIXAMENTO
QUANDO TR�S PESSOAS SEGUEM O MESMO CAMINHO
ELAS DESVALORIZAM UMA PESSOA.
QUANDO O CAMINHANTE EST� S�,
ELE ENCONTRA SEU COMPANHEIRO.
Marcel?
Isso mesmo, agora procure.
Procure, procure! Procure, procure!
Onde est�, onde est�, onde est�?
- Est� aqui. Est� ali. - Onde?
Nostos, nostos.
Sua jornada � como estar no mar.
- � um ir que � sofrimento. - Sim.
Aqui est�. Aqui est� o Marcel!
- � um filhote. - Sim.
Eles o abandonaram em uma caixa.
Aqui est� voc�. Corra, corra, Marcel!
Procure o seu Marcel. Escolha entre deles.
Escolha o Marcel.
Vem c�. Sim, voc� mesma.
Venha, venha, venha.
Vai! Vai! Vai.
- Eu me distra�, me virei. - Vire-se.
E quando me virei ele n�o estava mais l�.
Vire-se!
Voc� n�o � ele. N�o � ele! N�o � ele!
N�o � ele.
N�o deu certo.
CAP�TULO 5: A ESPERA
VANTAJOSO � PERMANECER NO QUE � DURADOURO.
O AMOR � SINCERO, MAS INCERTO.
Escreva "Ess�ncias e perfumes".
Escrevo "Feito � m�o"?
- Foi voc�s que fizeram? - Sim, � m�o.
Os produtos de voc�s s�o nojentos.
Acho que eu n�o deveria ter dito "� m�o".
Eu queria te dar isto.
Voc� j� gosta tanto assim de mim?
Voc� quer vir amanh� no lote dez por volta das tr�s?
Nada � t�o invis�vel aos olhos quanto o que voc� v�.
Ent�o, Denny, hoje queremos jogar fora esses an�is.
Praticamente os jogamos fora. O que estamos fazendo?
Este voc� pode usar sempre, o dia todo.
Voc� acorda de manh� e coloca, porque te traz alegria.
Porque voc� merece. Esta � a joia que voc� merece.
Fique com ele o dia todo, talvez evite lavar lou�a.
Mas isso � com voc�s.
Denny, o que eu fa�o? Posso ficar com ele?
Quando vejo coisas bonitas n�o consigo resistir.
Temos uma liga��o. Qual a decis�o?
Reservado. Parab�ns, senhora.
� isso.
Gra�as a Deus ele nos deixou suas obras.
Ele era um pintor, um artista.
Todos na vizinhan�a diziam: "Resigne-se, ele � um artista."
Ele sabia pintar.
E estava sempre com um sorriso, era feliz.
Onde quer que fosse, ele levava alegria.
Todo mundo o amava.
Ele era irresist�vel.
Isso � algo que me traz de volta ao mundo: ouro amarelo.
Senhores, estamos falando de uma beleza extrema.
Estamos falando de uma joia extraordinariamente preciosa.
Ouro amarelo, rubi de lapida��o baguete.
Em formato de caix�o, para ser mais clara.
Uma joia eterna...
- Mas voc� j� tinha visto ela? - N�o, s� ontem.
- E ela te deu isto? - Sim.
Quero ver. Isto fede queijo.
CAP�TULO 6: A ASCENS�O
� PRECISO VER O GRANDE HOMEM, N�O TEM�-LO!
ASCENDENDO ENTRAMOS NUMA CIDADE DESERTA.
- N�o corra. Aonde est� indo? - Atr�s da minha m�e.
Eu n�o vou cair. Eu vou viver, eu vou viver, eu vou viver.
Voc� que tem o cora��o leve como uma pena,
� para voc� que eu falo.
Meu cora��o, meu amor.
Meu cora��o, meu amor, meu cora��o.
Me leve com voc�.
CAP�TULO 7: O ANDARILHO I
ATRAVESSAR SEM PARAR.
SE O ANDARILHO SE ATRAPALHA COM COISAS PEQUENAS
ACABA ATRAINDO DESGRA�A.
- Senhora! Bilhete! - Fique abaixada.
Aonde vai? Precisa comprar o bilhete.
Eu n�o sabia.
Como n�o sabia? N�o pode entrar sem.
Compre um inteiro para voc� e meia entrada para ela.
Mas estou sozinha. N�o conhe�o essa menina.
- Como n�o a conhece? - N�o.
Precisa comprar o bilhete, n�o pode entrar sem.
Compre o bilhete.
Senhora, aonde vai? Para onde est� indo?
Senhora, volte aqui! Venha aqui, senhora!
Senhora!
- Obrigada. - Obrigada.
Obrigada.
M�e...
Depois dessa vida
Que se esquece de voc�
Depois desse c�u Sem arco-�ris
Depois da melancolia
Que me leva a cada mentira
Depois de todo esse desejo De serenidade
Me diga o que haver�
Depois do sonho do Hava�
Como todos os marinheiros
Atrav�s deste mar de concreto
Depois de outro inverno
Soprando neve em mim
Que j� sinto frio Se n�o estiver perto de voc�
Voc� deve acreditar
Haver� uma hist�ria de amor E um mundo melhor
Haver� um azul mais profundo
E um c�u mais imenso
Haver� sua sombra ao meu lado
Vestida de branco
Haver� tamb�m um modo Mais humano
Quanto tempo vai durar? Quanto tempo dura essa agonia?
Quanto tempo dura essa agonia?
Depois de tanta vaidade
E ningu�m te dando nada Por nada
Depois de todo o mal
Que tem no mundo ao seu redor
Que bom te encontrar Ao meu lado
Voc� deve acreditar
Haver� uma hist�ria de amor E um mundo melhor
Haver� um azul mais profundo
E um c�u mais imenso
Irresist�vel.
Eu n�o ficava feliz assim desde aquele dia na praia.
Voc� lembra?
Tiramos os sapatos e depois n�o os ach�vamos mais.
O vento bagun�ava nossos cabelos que cobriam nossos rostos
e n�o consegu�amos enxergar nada.
Depois arrum�vamos eles e volt�vamos a enxergar.
Oh, Deus, est� tudo rodando.
E voc� lembra que quando o vento soprou
olhamos para cima e vimos todas aquelas cores.
Dez, vinte...
N�o, o que estou dizendo? Eram cem pipas.
E voc� pegou minha m�o e disse:
"Essa � a dan�a das pipas.
Agora tamb�m somos pipas e podemos voar."
N�o era eu, m�e.
Voc� nunca dorme?
A noite � dif�cil.
CAP�TULO 8: O ANDARILHO II
O ANDARILHO CHEGA � POUSADA.
OBT�M A PERSIST�NCIA DE UM JOVEM SERVO.
A POUSADA QUEIMA. PERIGO.
Querida, queridas.
- Talvez seja um pouco tarde. - S�o s� 4h da manh�.
Amanh� iremos ao festival de Sovano.
Bem, entrem.
Ele foi ferido por um javali, Ares, o mais corajoso.
Todos foram ca��-lo, era um gigante.
Por isso estamos aqui.
- Ele conseguiu escapar, mas... - Felizmente.
O que voc� disse?
Apresento a voc�s minha prima e sua ador�vel filha.
Est�o de passagem, indo para Sovano
para o festival de performers de rua.
Artistas de rua.
Minha prima n�o consegue tirar a arte das galerias
onde os cheques s�o assinados.
Na �ndia, o javali � sagrado.
� sinal da for�a criativa que nos permite sair do caos.
Evidentemente voc�s amam o caos.
Vou dar um "tapinha".
Colocar� a ca�a em uma dimens�o m�stica.
Obrigado.
Nas culturas mediterr�neas
o javali representa as for�as obscuras do submundo
pois ele ronda � noite,
um destruidor cego com presas afiadas.
� por isso que sa�mos,
para levar o submundo de volta � sua escurid�o.
E por que deve ca�ar o submundo?
N�o tem nada para comer?
O submundo � aqui.
Devemos mant�-lo, investig�-lo.
N�o h� esp�rito criativo em voc�s.
H� mais morte em voc�s do que no javali.
Espero que ele escape de voc�s.
Minha prima tem um cachorro artista,
eles fazem um espet�culo maravilhoso.
Mostre-nos o seu espet�culo!
Mas onde est� o Marcel?
Marcel morreu.
Que m�sica � essa?
� uma m�sica japonesa.
N�s n�o sab�amos que voc� viria.
Sen�o ter�amos feito voc� escolher a m�sica.
N�o � que eu n�o goste de m�sica japonesa,
� que ela n�o � certa para voc�s.
Minha prima compra tortas no supermercado
e depois coloca em caixas da doceria mais cara.
Que bobagem.
De onde voc�s est�o vindo?
Do lugar com respostas.
Minha prima adora sinais, ela sabe ler todos eles.
Eu n�o gosto de sinais, eu ou�o a intui��o.
A realidade profunda n�o pode ser lida como as not�cias.
N�o � uma p�gina de jornal.
A realidade profunda se questiona.
E voc� questionaria essa realidade profunda para n�s?
P�ndulo ou I Ching?
P�ndulo.
Direita e esquerda significa "n�o".
Pra cima e pra baixo significa "sim".
Todo o resto � "talvez".
Perguntas simples.
Eu come�o.
� verdade que a caixa da torta � falsa?
O javali ainda est� vivo?
Est� por perto?
Marcel, voc� est� no submundo?
Marcel, sua morte foi triste?
Algu�m te matou, Marcel?
Uma noite de tempestade,
um ca�ador cansado da persegui��o
achou abrigo em uma casa no meio da floresta.
A casa ficava perto de um penhasco.
Estava ventando e a porta estava aberta.
E a porta falava com o vento.
Mas n�o havia ningu�m l�.
O ca�ador estava exausto e adormeceu.
Ele sonhou com uma mulher e um homem.
A mulher tinha os olhos brancos
e o homem tinha uma cicatriz.
Eles disseram o nome deles.
Ao acordar, o ca�ador fugiu.
Algum tempo depois, em um jantar
lhe disseram o nome daquele penhasco.
Era o nome daquele casal
que morreu naquela casa anos e anos antes.
Marcel estar� sempre conosco.
Marcel � o javali que voc�s procuram.
Infelizmente n�o tenho quartos dispon�veis,
voc�s poder�o ficar no celeiro.
Boa noite a todos.
Voc� sabe o que � isto?
- Um caro�o. - N�o.
� uma urna.
E voc� sabe por que n�s o colocamos aqui?
Porque voc� tem um grande cora��o
e o mundo � um lugar cruel.
E, assim a urna o mant�m seguro.
E n�o d� para abrir?
Veja.
Esse � o pergaminho do seu cora��o.
Beije o pergaminho do seu cora��o.
� a coisa mais preciosa que voc� possui.
S� voc� tem a chave, m�e?
Eu e quem te carregar de verdade no cora��o.
Dormiu bem na casa dos animais?
Ela � uma andarilha.
E a coitada da garotinha vive como uma selvagem.
Ela n�o cuida dela.
N�o tem nenhum cuidado materno com ela
s� pensa em si mesma.
Muitas vezes n�s tentamos ajudar as duas,
mas certas pessoas n�o querem ser ajudadas.
Ela pensa que � a reencarna��o de Pina Bausch e Marcel Marceau.
E aquele espet�culo dela... Eu faria algo menor.
Aquele pobre cachorro todo maquiado.
Voc� quer alguma coisa, querida?
Devemos nossa vida � arte,
esta noite ganharemos o festival de Sovano.
Late.
Late.
Late.
Pour toujours, Marcel.
Parab�ns, voc� � igualzinha a um cachorro.
Como voc� late? Queremos ouvir de novo.
O que voc� est� fazendo?
Por que faz isso em uma noite dedicada � arte?
Me solte! Me solte, eu te odeio! Entende que te odeio?
Eu matei o Marcel.
Sim, fui eu, eu o peguei e o joguei.
Eu te odeio muito!
CAP�TULO 9: ANTES DA REALIZA��O
CHEGOU A HORA DA MUDAN�A,
MAS FALTA FOR�A PARA CONCLU�-LA.
PROP�CIO � ATRAVESSAR AS GRANDES �GUAS.
Amorzinho da vov�, voc�s voltaram?
Amor, voc� estragou sua sand�lia?
Voc�s fizeram uma viagem?
N�s viaj�vamos muito, voc� lembra?
Mas ele, quantas viagens fez?
Com toda sua alegria...
fez muitas viagens.
Dan�as, festas.
POUR TOUJOURS, MARCEL! ENCANTA O FESTIVAL DE SOVANO
Era o cachorro do seu pai.
Com as cinzas poder�amos fazer uma linda tigela.
Ou uma bela x�cara de caf�.
Para poder ter por perto todas as manh�s.
Ou um pequeno pingente
para carregar sempre, por exemplo, perto do cora��o.
- Voc�s fazem s� as cinzas? - S� as cinzas?
- Isso. - Claro que sim.
- Ent�o quero s� as cinzas. - Tudo bem.
Deixa que eu fa�o.
M�e.
CAP�TULO 10: AP�S A REALIZA��O
A TRANSI��O DA CONFUS�O PARA A ORDEM EST� COMPLETA
E CADA COISA ENCONTRA SEU LUGAR.
Aos meus pais, com amor.
- Art Subs - 14 anos fazendo Arte para voc�!
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