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No momento, Mariana não pode atender.
Deixe seu recado, e ela retornará o mais rápido possível.
Mariana?
Você está aí?
Atenda.
Atenda, por favor.
Mariana.
Por favor.
Mariana, você está ouvindo?
Não nos deixe sozinhas.
Por favor, Mariana.
Mariana, atenda.
Você está aí?
AS TIAS
Gostou da sua casa nova?
É bonita, não é?
Está com sede?
Venha.
Sente aqui.
Toma, meu amor.
Ouça, agora vai acontecer o seguinte, tá?
Você fica aqui sentada e tranquila, e mamãe fala com o pessoal do caminhão.
Vai ter um pouco de barulho e movimento, mas não se preocupe, vai ficar tudo bem.
O que acha?
Pode me ajudar?
Um pouco de espaço ali.
Muito bem.
Coloque isso em cima das caixas.
- Olá, senhora, com licença. - Oi. Isso.
Essa caixa vai lá para o fundo.
Cuidado para não fazer barulho e incomodar minha filha.
Essas plantas ficam ali no canto.
Sim, na mesa está bom.
Vamos buscar os colchões que acabaram de chegar…
ESTIMULAÇÃO LOLA
E o colchão?
O colchão vai para o quarto à esquerda, aquela porta.
Sim, senhora.
E as cadeiras,
no mesmo quarto do fundo, por favor.
Pode deixar.
E as plantas? Ali?
Sim, à direita.
Cara…
vem aqui me ajudar com essas.
Ei, tome cuidado.
Se você quebrar, tem que pagar.
E aí?
Pronta pra conhecer o resto?
COMER DA TERRA RECEITAS À BASE DE PLANTAS
Lola, abra.
Meu amor, você quase não come.
Comer bem faz parte do tratamento.
O que Manu dirá se souber que você não come?
Vai, mais um pouquinho.
Sei que tudo isso é novo pra você.
Sente falta da sua casa.
Mas veja.
Aqui tem árvores, flores…
Não se ouve o tráfego o dia todo como antes.
Está ouvindo os grilos?
Não teria te trazido sem a certeza de que você iria gostar.
Lembra que passei muito tempo nesta casa quando era pequena?
Fui muito feliz. Tenho certeza que também será.
Não vou discutir agora, não é hora.
Já estamos aqui, correu tudo bem. Então não se preocupe.
Não consegui te avisar antes porque não chequei meu telefone.
E já disse que agora Lola só vai usar este.
Vou passar pra ela.
Lola,
é o papai.
Está escutando.
Oi, meu amor, é o papai.
Estou com muita saudade.
Bem-vinda à vida que você merece. Conversamos amanhã.
Vamos lá.
Isso.
Venha, coração.
Está com vontade de dizer como se sente hoje?
Quer descobrir juntas?
Bom.
Nervosa.
Surpresa.
Feliz.
Triste.
Quer escolher alguma?
Vamos ver esta.
Você está se sentindo feliz?
Feliz?
Então não está feliz.
Vamos ver. Triste?
Triste?
Se sente triste, amor?
O lugar é novo, Lola, mas os exercícios são os mesmos.
Vamos fazer uma harmonização, tá?
Como está?
-Muito bem. -É?
Estamos nos adaptando.
Bom.
Que louco voltar aqui depois de tanto tempo, né?
-Pra mim, nem me fale. -É.
Vejo que deu seu toque à casa.
Que nada! Ainda falta muito.
E aí? Cadê minha paciente favorita?
Ali.
Olá, Lola.
Como vai? Tudo bem?
E a mamãe?
Dando muito trabalho?
Bom, parece que a dor de cabeça passou.
E vejo que está respirando melhor.
Já dá para notar a mudança nela.
Como vão os exercícios?
Muito bem.
Aqui, totalmente dedicada a ela, é mais fácil cumprir o cronograma.
E os diapasões,
tive a impressão de…
Na verdade, tenho certeza
que segurou a nota por muito mais tempo e com mais clareza.
E o que você notou nela?
Relaxamento.
-E conexão. -Sim.
Vejo que estão fazendo um ótimo trabalho, meninas.
Sei que vir pra cá foi um grande sacrifício,
mas dá para notar o benefício.
-Valeu a pena. -Não.
A pena não vale. O que vale é a alegria.
E o pai dela?
Ele veio?
Disse que está muito ocupado.
Ofereceram um cargo novo a ele.
Agora em Paris.
Muito mais dinheiro.
E aí?
Disse que…
só aceita…
se nós três formos.
Sei.
Você não contou a ele.
Bom, não importa.
O importante
é que pare de pensar nas necessidades dele e se concentre nas suas.
Nem tudo é Lola e Ernesto na sua vida.
Montou seu ateliê?
-Quer ver? -Quero.
Já tirei quase tudo.
-O que acha? Indo bem, né? -É, estou vendo.
-Mais uns detalhes, e pronto. -Sim.
Posso sentar pra desenhar. Faz tempo que não faço isso.
Gosto de te ver feliz.
Eu gosto que você tenha vindo.
A viagem é longa, mas valeu a pena.
A alegria!
Vou embora…
Vou tranquilo, vendo que estão muito bem.
Principalmente você, Lolita.
Quando volta?
Logo. Vou tentar vir com frequência, tá?
Vem cá. Até.
Tive uma ideia.
Quando eu era criança, não havia celular.
Era telefone fixo, como o desta casa, mas não me deixavam usar.
Então, com Tere, minha vizinha do lado,
fizemos este.
Intercomunicador especial com fio.
Passamos os fios de janela a janela
e conversávamos por horas, às vezes nem sabíamos sobre o quê,
mas continuávamos.
Quer experimentar?
Senta aqui.
Mamãe chamando Lola.
Você me ouve?
Quer tentar? Veja.
Vamos ver.
Ficar perto não faz muito sentido.
Mas…
o que vai acontecer se eu for sua vizinha do lado?
Alô?
Quer que eu conte uma piada?
O que o vidro disse pro outro?
Estou vidrado em você.
Mariana, está aí?
Lola?
Lola?
Você disse algo?
Você falou, meu amor?
Olha.
Esta era a coleção de pedras da minha tia Liliana.
Minhas tias eram duas mulheres meio estranhas.
Eram primas da minha mãe, mas eu chamava de tias.
"As tias."
Quando as conheci, tive um pouco de medo, mas depois nos tornamos amigas.
Eu gostava de vir visitá-las
porque me deixavam brincar horas com a caixa.
Viu como são bonitas?
Essa era minha favorita.
Segundo minha tia, era mágica.
Chamava de "pedra da pureza do coração".
Segundo ela, essa pedra brilha quando nosso coração é puro e sincero.
Quer ver?
E aí? Não brilha, né?
Porque só a dona da pedra consegue ver.
Era o que Liliana dizia.
Uma vez eu pedi de presente.
Ela disse que me daria quando eu crescesse.
Se eu continuasse vindo vê-las e nunca me esquecesse delas.
Mas a verdade é que, com o tempo,
passei a vir cada vez menos.
Então resta a curiosidade de saber se era verdade.
Quer brincar um pouco com elas?
Lola?
Tudo bem? Quer ir ao banheiro?
Lola, tudo bem?
Está dormindo?
Vamos deitar, meu amor.
Alô?
Como estão? Como vai tudo?
Bem, tudo bem.
Ouça.
Hoje não vou poder ver a Lola.
Estou com um problema aqui no trabalho.
Você virá outro dia.
Não dá pra falarmos por vídeo?
-Ernesto… -Só um segundo.
Quero vê-la. Por favor.
Manuel disse especificamente que ela não deve se expor ao celular.
Pedi um minuto pra ver minha filha.
Nem isso você pode me dar?
O combinado era você vir hoje.
Mas o trabalho sempre vem primeiro, né?
Eu já disse que pagaria.
Quem disse que não foi você.
Ajudaria mais se confiasse em mim.
Não, senhor.
O errado aqui é você.
Se não pode fazer o impossível pra ajudar sua filha, é problema seu.
Mas, se houver uma possibilidade mínima
de que Lola possa melhorar, por mais remota que seja,
e leve uma vida um pouco mais feliz,
me desculpe, mas vou fazer tudo o que for preciso.
Não vou desistir, ouviu?
Você não me ouve, né?
Ernesto, eu…
Eu quero o divórcio.
Preciso ir, são os exercícios da Lola.
Vamos lá, Lola.
A boca.
Abra.
Lola.
Lola, por favor.
Filho da mãe!
Mamãe, por que está chorando?
Lola?
O que você disse?
Lola?
Você está brava comigo?
Manuel, você não vai acreditar.
É a Lola.
Ela está falando!
O tratamento funciona. Minha filha está falando!
Agorinha!
Estou te dizendo que tive uma conversa com ela.
É…
Não, você foi o primeiro pra quem liguei.
Vou falar com ele. Já te ligo.
Oi.
Ernesto, você precisa vir urgentemente.
Lola?
Lola?
Aqui, Lola ligando.
Aqui, Lola ligando.
Não ouço nada. Falem mais alto, por favor.
O que está fazendo, amor?
Está brincando?
Estou falando com minha vizinha.
Tere?
Ela ainda não disse o nome.
Você está bem?
Sim, claro.
Sabe a emoção que me dá te ouvir?
Falou com meu pai?
Sim. Ele está vindo te ver.
Quer falar com ele?
O que houve?
Não tem vontade de vê-lo?
Não gosto que fiquem brigando o tempo todo.
Tem razão.
Nós, adultos,
às vezes tentamos fazer as coisas direito, mas nem sempre conseguimos.
Seu pai e eu…
queremos o melhor pra você.
Mas não chegamos a um acordo.
Prometo que agora não vamos mais discutir.
Não prometa coisas que não vai cumprir, mamãe.
-Onde está? -Por aqui.
Está cochilando.
Está pronto?
Meu amor. Lola.
Meu amor.
Princesa.
Papai está aqui.
Sentiu minha falta?
Princesa?
-Lola? -Lola.
Como você está?
Conseguiu descansar?
Lembra que conversamos agorinha?
Lola?
Seu pai veio te ver.
-Não quer falar com ele também? -Mariana.
Melhor não a pressionar, tá?
Ela fala quando quiser.
-Mas é que… -Não, não deve pressioná-la.
Não deve pressioná-la.
Não se preocupe, eu tenho tempo.
Devia ter dado o telefone pra ela.
Eu não ia dar um celular pra ela.
Não acha que a situação justificava esquecer essa regra?
Nada de telas, nada de dispositivos.
-Nada de… -Ela está do mesmo jeito.
Juro que está muito melhor desde que chegamos.
Ora, Mariana…
Eu só preciso saber se Lola falou
ou se foi sua imaginação.
O que quer dizer?
-Não sei, talvez imaginou ou exagerou… -Não estou louca.
Eu não disse isso.
Quem é?
Manuel.
Oi.
Eu estava…
-Me cumprimente direito. -Ernesto está aqui.
Vou falar com minha paciente primeiro.
Como vai, linda?
Então…
Sua mamãe disse que vocês conversaram um pouco.
Ernesto.
É uma ótima notícia.
Agora sim, como vai?
-Bem. -Tanto tempo, não?
Bom…
O que acham de, agora que estamos os três, aproveitarmos e conversarmos um pouco
sobre o que realmente nos une?
A cura sempre é integral.
Sim? Algo do espiritual se destravou esses dias.
Sabemos perfeitamente que Lola fala e pode se comunicar sem problema.
Isso não sabemos.
Sabemos porque eu ouvi.
Minha filha não olha pra mim.
Nem pra mim, nem pra ninguém.
Todo progresso tem retrocesso. Ninguém avança em linha reta.
-Exato. -Vocês têm uma resposta pra tudo, né?
Sei que está ansioso, entendo.
E também sei que não sou o pai da Lola, mas me coloco em seu lugar e perspectiva.
E essa ansiedade,
não acredito que sirva nem pra Mariana,
nem pra mim, nem pra você.
E também não servirá pra Lola.
Sim, estou ansioso.
Pra saber se toda essa loucura que Mariana inventou faz sentido.
Minha filha está a duas horas de casa, três se tiver trânsito,
e não posso falar com ela por telefone.
Ernesto,
Lola falou.
Sabe quantos pais dariam a vida pra viver esse momento?
Eu não ouvi.
Ainda insinua que estou mentindo?
E agora?
Acha que tudo é uma encenação pra sugar seu dinheiro ou o quê?
Não. Eu sei que você não mente.
Pelo menos sobre Lola.
Bem, então…
vou voltar pra Lola pra que vocês conversem tranquilos.
Com ele?
Sério?
Manuel…
me apoia e acredita em mim.
Ele é um charlatão.
Nada do que ele diz é verdade. Não percebe?
Manuel deu um ano a mais de vida pra minha mãe.
-Graças a isso, ela conheceu a neta. -Não é assim.
É comum pacientes com câncer terem uma melhora antes de morrer.
Amigos médicos me disseram. Eu não te disse.
O que houve com sua mãe não foi milagre.
E é melhor nem falar
do que aconteceu com suas tias depois que Manuel assumiu.
Vou dar tchau pra minha filha.
Meu amor.
Bebê, papai está indo, certo?
Eu te amo.
Te amo muito.
Muito.
Boa noite, amor.
Adorei ouvir sua voz.
Conversamos de novo quando quiser.
Desculpe se hoje se sentiu pressionada.
O que aconteceu com Ernesto?
Não quero falar disso agora.
Foi um dia muito intenso.
Não foi milagre, Mariana.
Lola voltará a falar.
Dou minha palavra.
Obrigada.
Lola!
O que aconteceu? Mamãe chegou. Não se preocupe.
Estou aqui.
Venha. O que foi?
Em que está pensando?
Me conte.
Lola nunca tinha sido sonâmbula.
E desde que chegamos já são duas vezes.
As duas no banheiro.
Ela está passando por muitas mudanças.
Se tudo continuasse igual, aí sim me preocuparia.
Agora, se Lola voltar a falar, seria bom registrarmos de alguma forma.
Pensei isso, mas não quis pegar o telefone.
Alguns minutos em modo avião, não tem problema, certo?
É…
É importante demonstrarmos a eficácia desse tratamento.
Me ligue se precisar de algo.
-Sim. -Promete?
Prometo.
Já te enxaguei, amor. Mais um minuto, tá?
Jogue a cabeça pra trás.
Isso. Tá bom.
Calma. Já está quase.
Pronto, já foi. Já passou.
Passou.
E aí?
Hoje não vai me dizer nada?
Sei que está me ouvindo, amor.
Sei que consegue falar e demonstrar suas emoções
e que, por alguma razão, não está fazendo isso.
É por causa do seu pai?
É por não gostar de nos ver discutindo?
É por causa do Manuel?
Suponho que você já tenha notado, mas…
Manuel e eu…
não somos namorados, mas temos algo.
E não quero mais esconder isso de você.
Já contei ao seu pai, e ele entendeu.
Bom…
Vamos sair, temos muito o que fazer.
Assustada.
Confusa.
Com raiva.
Quer escolher alguma?
Vamos, Lola.
Um esforcinho.
Você não fez nada.
É preciso continuar com os exercícios, amor.
Eles funcionam.
Não podemos desistir.
Vamos de novo.
Não, meu amor.
Você sabe que não te faz bem.
Olha. Vem.
Com isto, você terá com o que se entreter por um bom tempo.
Posso te deixar sozinha um pouco e ir trabalhar?
Lola?
Como terminou o quebra-cabeça tão rápido?
Eu não terminei, mãe.
Não fui eu.
Você está falando de…
Vai assustá-las.
Quem?
Minhas amigas.
Aqui não tem ninguém.
Já foram embora.
Eu disse que você ia assustá-las.
Elas não gostam de você.
E posso saber quem são essas amigas?
As tias.
Que tias?
As que moram aqui com a gente.
Meu amor.
Aqui só moramos eu e você.
Uma tem o corpo retorcido e anda de cadeira de rodas.
E tem a cabeça toda machucada.
A outra é muito magra…
e tem sangue aqui nas mãos.
Parece má.
Mas só está triste porque perdeu o bebê.
Olá.
É a Lola.
O que ela tem?
Pra mim,
essa questão não tem mistério.
De jeito nenhum.
Olha.
A Lola é rápida com quebra-cabeças, né?
Tem um nível impressionante de concentração.
Sim, mas não tanto. E aquele era novo. Ela não conhecia.
Olhe pra ela.
Do nosso ponto de vista, parece que ela está em outro mundo.
A milhões de anos-luz.
Mas a realidade é que ela está muito mais focada no aqui e agora,
muito mais do que nós dois.
Não entendo.
O que quero dizer…
é que tudo o que a Lola
parece saber do nada,
na verdade,
são coisas que ela viu, ouviu e deduziu
com base em tudo o que acontece ao redor.
Manuel,
eu nunca falei pra Lola como minhas tias morreram.
Não tinha como saber.
Sim, mas você e eu falamos sobre esse assunto várias vezes, não?
Como sabe se ela não ouviu?
Fique com a gente esta noite.
Talvez ela volte a falar em algum momento.
Sim, claro.
Desculpe.
Não estou no clima.
Sim, claro. Não se preocupe.
Sabe?
Sinto que deveríamos sair desta casa.
Sim, não sei explicar, mas é como se houvesse algo estranho aqui.
-Sua filha está falando. -Mas a que preço?
Há algo que nunca te contei.
O quê?
Diga.
Antes de Liliana matar Eugenia
e depois se suicidar…
Eugenia me ligou na Espanha.
Foram duas ou três chamadas que eu não atendi porque estava ocupada.
E foi só depois de você me ligar pra dar a notícia
que ouvi minha caixa de mensagens.
Eugenia parecia
preocupada.
Como se soubesse que algo ruim ia acontecer.
Não tinha nada que você pudesse fazer.
Você veio a esta casa atrás de algo, né?
Algo que parecia impossível e que agora está acontecendo.
Aqui não tem nada de errado.
É você…
quem precisa superar a resistência à mudança, só isso.
E aí? Disse alguma coisa?
Não, nada.
Mas parece estar muito bem.
Vou aproveitar pra fazer uma harmonização.
Vamos começar, Lola.
MANUEL ME DISSE QUE ME AMAVA
FIZEMOS AMOR
FILHO DELE
ESTOU GRÁVIDA, VOU TER UM FILHO DELE
O quê?
Vai me dizer que acredita nestas loucuras?
Ora, Mariana.
Liliana sofria de esquizofrenia.
-Uma doença muito… -Você nunca me disse.
Porque eu não sabia.
Está dizendo que, nesse tempo todo, ela nunca se insinuou pra você.
Vamos lá, a raiz dos delírios da sua tia consistia em que,
pelo visto, não só eu, mas todos os homens do planeta
estavam apaixonados por ela, e Eugenia conspirava contra ela.
E a gravidez dela?
O que tem isso?
Ela disse aí que estava grávida.
Que perdeu o bebê.
Isso foi exatamente o que Lola me disse.
Agora você vai me dizer que sua filha fala com fantasmas.
Não, mas…
Onde achou isto?
Estava na caixa das pedras.
Havia um fundo falso.
Tá.
Está mais claro que água.
Lola passou todo esse tempo brincando com a caixa,
e eu tenho certeza que ela achou o diário antes e leu.
Claro.
Quando você foi morar na Espanha, não tinha ninguém pra cuidar de suas tias
e me implorou pra vir vê-las.
Foi ou não foi?
E agora,
depois de tudo
o que fiz por você,
por sua mãe,
você diz que engravidei sua tia esquizofrênica
e ainda a forcei a abortar?
Por que eu faria isso?
Por favor, Mariana.
-Desculpe… -Não, tudo bem.
Eu preciso ir.
Está triste porque brigou com Manuel?
Você está bem, mãe?
Sim, é só que…
Por que não falou com Manuel, amor?
E com papai?
Por que não falou com ele?
Elas só querem que eu fale com você.
"Elas"?
Do que está falando?
Elas dizem que Manuel é ruim.
Não gostam que ele seja seu namorado.
Já te disse que…
Meu amor,
você achou isto?
Você leu e depois me disse todas essas coisas?
Não, mamãe.
Eu não li nada.
Vamos, Lola.
Vamos, diga algo, por favor.
Lola, o que foi?
Sempre disse que isso é ruim pra mim.
Tudo bem, mas isso não importa agora.
Só fale.
Eu já disse.
Elas só querem que eu fale com…
Chega!
Já chega!
As tias não existem, me ouviu?
Pare de falar delas. Não vê que está me enlouquecendo?
Eu não entendo.
Agora há pouco, você queria que eu falasse.
Agora que eu falo,
você não gosta.
Lola, me perdoe por tudo.
Eu sei que é difícil pra você, mãe.
Tenho uma proposta.
Vamos esquecer tudo isso, tá?
Olha.
Gostou?
Vai me dar de presente?
Só se falar com o Manuel amanhã.
E com seu pai.
Você promete?
Claro que prometo, filha.
O que foi?
Nada, mamãe.
Boa noite.
Filha.
Temos que ir. Agora.
Vista isto, filha.
Vamos.
Vamos, Lola, vamos.
Entre.
Meu amor, deixei meu celular na casa.
Não saia daqui.
Lola?
Lola!
Lola, cadê você?
Lola!
Lola!
Lola?
Lola?
Lola?
Não, Lola!
Lola!
Lola!
Lola!
Lola!
Infelizmente, até agora, o trabalho com os cachorros não deu resultado.
A chuva não ajuda muito nesses casos,
mas é pouco provável que tenha saído dos arredores.
De qualquer forma, continuaremos procurando na vizinhança. Está bem?
Alguma novidade?
Boa noite.
Eu estava dizendo a sua…
Não. Nada ainda, mas continuaremos procurando.
É que não consigo entender.
Como exatamente ela desapareceu?
Bom…
O que sabemos é que a senhora deixou a menina no carro
enquanto foi pegar o celular, mas, ao voltar, ela não estava mais lá.
Não foi o que me disse.
Não sei o que disse, estava muito confusa.
Você me ligou do banheiro
e disse que Lola tinha desaparecido na banheira.
Nunca disse isso.
Foi o que ouvi.
Não, Lola tomou banho de banheira e esqueceu a torneira aberta.
Por isso o chão está todo molhado.
Depois disso, entramos no carro…
e ela sumiu.
Aonde estavam indo?
Já expliquei tudo.
Íamos passar uns dias na cidade.
À meia-noite, Mariana?
Me acompanhe, senhor. Vamos.
Por favor.
Sou a detetive Ramírez e vou fazer umas perguntas.
Vejamos, sabemos que sua filha veio morar nesta casa
e que o senhor não concorda.
Diga com detalhes o que aconteceu.
Senhor.
-Senhor. -O que você fez?
-O que fez? Cadê minha filha? -Por favor, calma.
Está me acusando?
Do que está me acusando?
Sua filha teve que sumir pra você ter tido a decência de vir ver como ela estava?
Não minta.
Você me ligou e disse que a Lola tinha ido pelo ralo.
Mariana, o que fez com ela?
Você a afogou?
Não fiz nada, filho da puta!
Fiquem calmos.
Me acompanhe, por favor.
Entendo.
Espero notícias.
Obrigada.
Por isso preciso que me diga se vai…
Não estou acusando ninguém,
mas minha filha continua desaparecida.
Espera.
Já te ligo.
Falei com Manuel. Ele pediu pra você ligar pra ele.
-Agora confia nele? -Não.
Mariana,
só quero encontrar a Lola.
Eu também.
Eu sei o quanto Lola é importante pra você.
Você é a mãe dela. É uma ótima mãe.
Mas ultimamente está muito estranha.
Manuel concorda comigo.
Preciso que diga tudo o que sabe.
Preciso que nos ajude.
Já disse tudo o que tinha que dizer.
Sei que não disse tudo o que sabe.
Mariana, eu sei.
Preciso ficar sozinha.
Não irei embora até que me conte todos os detalhes…
Preciso ficar sozinha, e é minha casa, Ernesto.
Vou pra delegacia.
Te aviso se tiver novidade.
Mãe?
Mãe?
Lola.
Lola, você está aí?
Mãe?
Lola?
Mãe?
Mamãe chamando Lola.
Mamãe chamando Lola. Está me ouvindo?
Mamãe chamando Lola!
Lola, você está aí?
Mãe?
Mãe?
Lola! Meu amor, onde você está?
Elas não querem me deixar ir, mamãe.
Estão sozinhas.
-Elas precisam de mim. -Não, não.
Lola, você tem que encontrar uma forma de voltar.
Seu lugar é aqui comigo e não com elas.
Elas estão bravas.
Querem a vida de quem teve a culpa por tudo.
-Não. -Uma vida por uma vida.
Não.
Lola, não entendi.
Lola!
Lola?
Lola! Não.
Lola, meu amor. Responda.
Não!
Lola!
CONTRATO DE TRANSFERÊNCIA DE PROPRIEDADE
Mariana.
Ernesto me contou tudo.
Não acredito.
Pronto, estou aqui.
Obrigado.
E o Ernesto?
Na delegacia.
Cuidando da papelada.
Volta mais tarde.
Podem contar comigo para o que precisarem.
Queria falar sobre o que aconteceu ontem.
Não, isso já não tem importância.
Na verdade, tem.
Lamento não ter entendido antes.
De que está falando?
Do diário da minha tia.
Do que ela conta.
Liliana podia estar louca, mas tudo era verdade.
Vamos ver.
Sei que está desesperada.
-Mas eu disse que não falarei sobre… -Você entrou nesta casa.
Ganhou a confiança das minhas tias.
Você percebeu que elas tinham dinheiro no banco.
Propriedades que tinham herdado dos pais.
Eu estava longe.
Você viu a oportunidade
e decidiu aproveitar.
Você realmente acha…
Tentou fazê-las assinarem um documento…
pra ficar com tudo.
Liliana foi fácil.
Mas Eugenia…
Ela não acreditou nem um instante que você estava apaixonado pela irmã dela.
Não, Mariana. Chega.
Não sei
se realmente a engravidou.
Mas sei que a abandonou quando tudo se complicou.
Liliana culpou a irmã como sempre.
Foi ela quem se opôs à assinatura.
Eugenia tentou me avisar.
Me ligou,
mas eu não atendi.
Está ficando louca, Mariana.
De onde tirou essas coisas?
Abra.
O quê?
Abra e diga que é mentira.
Vamos. Leia.
-Mariana, isto é… -O que você tentou fazê-las assinarem.
Você ficava com tudo:
esta casa,
o dinheiro, o restante das propriedades.
Liliana assinou.
Só faltava Eugenia.
-Não, eu nunca… -O quê?
Vai dizer que estou imaginando?
Elas não tinham ninguém!
Você estava do outro lado do mundo.
Elas precisavam de alguém pra ajudar a organizar tudo.
Precisavam pagar os tratamentos, contratar as enfermeiras.
Eu paguei tudo do meu bolso!
Você nunca atendia uma ligação.
Eu nunca seduzi sua tia…
e também não a engravidei.
E isto?
Isto não é nenhuma prova.
Não preciso de provas.
Só que pague.
Mariana, me escute.
Mariana, eu…
Mariana, me ajude.
Me ajude.
Lola, você está aí?
Onde você está?
Devolvam minha filha, suas filhas da puta!
Conseguiram o que queriam!
Respondam, desgraçadas!
Já fiz a minha parte!
O que mais querem de mim, malditas?
O que mais querem de mim?
CHAMADA RECEBIDA DE CASA DAS TIAS
-Alô? -Mariana.
-Mariana, está ouvindo? -Quem é?
Marianita, por que demorou tanto pra atender?
-Tia? -Liguei várias vezes.
Precisamos de você.
Tia…
o que fizeram com Lola?
A tia Lili está muito mal.
Estou com medo, Marianita.
-Estou com medo. -Fiz o que pediram.
Só quero ver a Lola.
Você prometeu cuidar de nós.
Você foi pra muito longe.
-Não está me ouvindo? -Nos abandonou.
Onde está Lola?
Só quero ver minha Lola.
Precisamos de você aqui conosco.
Mariana!
Mariana?
Mariana!
Mariana!
Mariana?
Onde diabos você está?
Mariana?
Mariana!
Mariana?
Mariana!
O que você fez, Mariana?
O que você fez?
Meu amor…
Meu amor.
SEIS MESES DEPOIS
Bom, se concordarem com tudo, só falta assinar.
Parabéns. A casa é de vocês.
Muito obrigado, foi um prazer.
É uma casa antiga, mas tem muito potencial.
Pode ser reestruturada e reformada por completo.
Lola, meu amor, vamos.
E isso é…
Bom, isso é…
É, vocês sabem. Quero dizer, este pátio é maravilhoso.
Exatamente o que estávamos procurando.
Exatamente no centro. Ou seja, todos os cômodos têm contato…
O espaço é muito bom. Acho que vocês farão coisas maravilhosas…
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