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ESTE PROGRAMA CONT�M RELATOS DE ABUSO
F�SICO, EMOCIONAL, SEXUAL E VIOL�NCIA.
AS CENAS PODEM N�O SER ADEQUADAS A TODOS OS ESPECTADORES.
O Jim Mordecai �
um ser humano que escolheu o caminho errado.
� preciso saber que em algum momento
ele provavelmente foi uma v�tima.
E a partir de um determinado momento se tornou criminoso.
Ele foi um jogador de futebol muito bonito.
Ele falava sobre isso o tempo todo.
Na Half Moon Bay, ele sem d�vida foi um l�der.
Era a identidade dele.
E ele conseguiu uma bolsa na UCLA
para jogar futebol para eles.
A fam�lia Mordecai meio que era a boa e velha fam�lia americana.
E a� ele engravidou a namorada dele.
E perdeu a bolsa por causa disso.
Ent�o, ele teve que casar para sustentar a fam�lia.
E n�o era isso que ele planejava. Ele n�o queria isso.
Eu me pergunto se foi a� que ele enlouqueceu, de verdade.
Ainda tem muita gente que se inspira nele hoje em dia.
Mas a verdadeira face dele � bem mais sombria.
Acho que o Jim tinha �dio das mulheres porque ele n�o
conseguiu ter a vida que ele achava que devia ter.
E todas aquelas mulheres iriam pagar por isso.
Ele ia descontar sua raiva, sua dor, em todas elas.
MEU AV�: O ASSASSINO DO ZOD�ACO.
Eu trouxe meus �lbuns da escola.
Eu pensei que a gente podia dar uma olhada
e ver como era quando eu estava aqui.
Olha, esse aqui � praticamente igual.
� o Jim.
Ent�o, o FFA,
Futuros Fazendeiros da Am�rica,
era um grupo importante na escola.
- Era um grupo bem grande. - Olha s�, tinha bastante gente.
E eu n�o sabia nada sobre o FFA.
No come�o da escola, voc� podia ir at� umas mesas para decidir
de que grupo queria participar.
de que grupo voc� queria participar
e eles estavam recrutando.
O Jim ficava na mesa de recrutamento.
Ent�o, hipoteticamente, ele via meninas
bonitas e dizia, ah, entra para o grupo.
- �, eu acho que... - Ele Fez isso com voc�?
Fez, �.
Algumas pessoas contavam que ele dormia com as alunas.
Mas o que eu estou percebendo agora �
que ele criava os boatos sobre essas alunas.
Ele falava de uma garota que eu tenho
certeza que ele tinha seduzido.
E ele falava sobre como ela cheirava,
que ela cheirava a peixe.
Isso era em aula.
Falava que ela era uma vadia.
Os boatos eram sobre tudo, desde
estupro at�, tipo, se quiser nota boa...
voc� vai ter que fazer coisas sexuais comigo.
Quando sa� do ensino m�dio, um ou dois anos depois, de
repente eu soube que o Jim ia se aposentar e fazer paisagismo.
Ele desistiu.
Ele n�o ia mais ensinar.
Geralmente, quando algu�m se aposenta depois
de uma carreira t�o longa em algum lugar, sendo o professor
reverenciado que ele era,
naquele momento da carreira, seria normal uma homenagem.
N�o teve nada.
Eu perguntei se n�o ia ter uma festa,
se ele n�o estava animado.
E ele respondeu, n�o, eu s� vou trabalhar com paisagismo.
Eu comecei a perguntar a todos que eu conhecia.
Voc� sabe de alguma coisa? Voc� sabe?
E voc� sabe?
E um dos meus amigos disse... Fala com essa garota.
Aconteceu alguma coisa com ela.
Eu entrei em contacto com ela
e ela disse que teve uma experi�ncia com ele.
Eles foram para o rancho do Jim e ele
come�ou a ir atr�s dela e ela teve que
distrair ele e fazer ele esquecer aquilo
e lev�-la de volta para o carro dela.
Ela falou com o conselheiro escolar e...
Ele contou o que tinha acontecido.
E ele disse para ela, bom, agora j� chega,
temos uma coisa para nos livrar dele.
E eles foram at� o Jim e pediram que ele se demitisse.
Ele nunca mais deu aula.
Eu estou na p�gina de ex-alunos da escola de Half Moon Bay.
Eu achei que seria bom postar alguma coisa com a inten��o de
mostrar as outras v�timas que n�o est�o sozinhas.
Ao longo dos anos, veio � tona que o meu
padrasto, o Sr. Mordecai, provocou algumas experi�ncias
traum�ticas a algumas alunas do ensino m�dio.
Mordecai faleceu h� cerca de dez anos.
E desde ent�o, alunas de v�rias classes, ao longo
das d�cadas, relataram hist�rias muito semelhantes.
Elas indicam que Mordecai tinha um padr�o
de abuso e manipula��o.
Se algu�m aqui foi afetada por ele
e deseja compartilhar sua hist�ria e encontrar um grupo
de mulheres que compartilham sua experi�ncia,
sinta-se � vontade para me enviar uma mensagem.
Eu achei que estava fazendo uma boa a��o.
E, pelo jeito, de acordo com muitas
pessoas na cidade, eu n�o estava.
Ele n�o est� vivo para se defender.
Isso � muito inapropriado.
O Sr. Mordecai foi um grande professor
e eu fui aluna dele por quatro anos.
Um profissional, um cara legal.
E isso est� errado, especialmente quando ele n�o
est� aqui para se defender de qualquer acusa��o.
Ele foi um grande professor e mentor.
N�o tenho nada al�m de respeito por ele.
Letras mai�sculas.
N�o tinha problema nenhum.
� muito errado colocar isso na Internet.
Muita gente concordou com isso.
Foi uma avalanche de mensagens.
Eu fiquei surpresa com a rea��o negativa.
Por que algu�m falaria alguma coisa diante disso?
Entende?
Ningu�m se apresentaria.
Ningu�m, exceto a Trish.
A Trish era a melhor amiga da Christy.
E o Jamie disse que na escola a Trish tinha uma queda por ele.
Ele teve que se esfor�ar muito para mant�-la afastada.
Eu acho que ele vigiava elas por um tempo para ver as garotas.
Para ver o que ele descobria.
Talvez o clima em casa n�o fosse bom.
Eu sou um cara legal. Eu sou um professor descolado.
Ele queria ganhar confian�a.
Muitas das garotas com as quais ele
dizia ter relacionamentos e era mentira.
N�o tinham pai presente.
Ent�o ele meio que ocupava esse espa�o.
Ele dava orienta��o.
Dava para ver que ele aliciava as garotas.
Oi, como vai?
Quando isso foi publicado nas redes sociais, todos
criticaram o fato de que ele n�o podia se defender.
Se voc� n�o � uma sobrevivente desse tipo de
situa��o, � f�cil olhar por esse �ngulo
e dizer: Essa � uma ca�a �s bruxas.
E ele n�o pode se defender.
Mas o fato � que nenhuma das v�timas dele podia se defender.
O Jim era um predador.
E ele devia ter sido preso.
Muitas pessoas na comunidade do FFA
chegaram a conhecer o Jim.
Por�m, elas nunca foram abusadas de forma alguma.
E elas imaginavam ele de certa maneira da mesma forma que eu.
Antes de tudo que ele fez comigo.
O ensino m�dio foi um per�odo dif�cil para mim.
Eu tinha uma vida complicada em casa com minha madrasta.
E estava tentando descobrir em qual
grupo de amigos eu me encaixava.
E quem era mais Gentil comigo era o pessoal do FFA.
A Christie e eu sa�amos juntas.
Ela tinha um �timo senso de humor.
E eu conheci o Jim, que era padrasto da Christie.
Eu achava que ele era um cara bonit�o e ajeitado.
Apesar de ter a idade do meu pai.
Mas era um cara bonito, charmoso, mais velho.
Eu achava que ele era muito respons�vel e est�vel.
Fui muito ing�nua.
No final do meu primeiro ano,
minha vida em casa estava muito ruim com minha madrasta.
E o Jim sabia disso.
N�o sei para onde a fam�lia dele foi.
Mas todos sa�ram.
Ele me perguntou se eu queria ir l�.
Ele falou que �amos entrar na banheira.
Eu estava com meu mai�, com uma toalha.
E ele me disse quando cheguei l�,
vamos tomar um pouco de vinho.
E enquanto eu relaxava com o vinho,
ele disse, posso arrumar maconha.
A� eu me lembro muito bem de estar
sentada na banheira, meio embriagada.
E ent�o ele olhou para mim e disse,
quero fazer amor com voc�.
E serei muito Gentil com voc�.
E eu pensei, eu tenho que sair daqui.
Estou numa posi��o rid�cula agora.
A� eu sa� da banheira,
corri pela casa para pegar minhas coisas.
E ele correu atr�s de mim.
Est� tudo bem, fica tranquila.
E eu fiquei paralisada.
Eu era s� uma adolescente tentando sair de l�.
Eu n�o parei. Continuei.
N�o consegui ver nada.
Eu s� queria sair dali.
Entrei no meu carro.
E quando eu entrei no carro, eu estava molhada.
A� eu sentei na toalha, dirigi para casa e eu estava tremendo.
Eu sou muito grata e aben�oada por
n�o ter acontecido nada comigo.
Porque eu sei que outras garotas n�o tiveram tanta sorte.
Olha, a placa ainda � a mesma, n�?
�, �ramos os Cougars.
�...
A direita.
Est� vendo aquele pr�dio grande verde?
- Atr�s do pr�dio marrom? - O pr�dio verde ali?
�, era ali que ficavam as estufas.
E nas �rvores tamb�m.
Mas ele encurralava as garotas na estufa.
Com a Christie, tudo come�ou com
ela quando ela era pr�-adolescente.
E ele era venerado na cidade.
�.
Bom, eu comecei o ensino m�dio em 79.
O Jim, claro, era professor no ensino m�dio, ent�o
eu n�o tinha op��o a n�o ser ter aulas com ele.
Est�vamos na estufa e ele me
encurralou na parte de tr�s da estufa.
Ele me agarrou, me jogou no ch�o e, claro, eu lutei
muito, mas ele abaixou a minha cal�a e me violentou.
E depois, como se nada tivesse acontecido, ele falou,
Ah, ok, vamos voltar ao assunto de cobertura do solo.
E eu fiquei parada ali pensando,
mas o que � que est� acontecendo?
E eu n�o acreditei que ele fez aquilo
dentro do espa�o da escola.
A Christie e a Trish n�o s�o as �nicas v�timas do Jim.
Outras mulheres me procuraram e contaram suas hist�rias.
Mas elas n�o quiseram aparecer na filmagem.
Mas encontramos uma mulher chamada Valvitch, que
agora mora em Bellingham, no estado de Washington.
E ela � ex-aluna da Half Moon Bay e se formou em 1982.
Eu tive algumas conversas telef�nicas com ela
e eu sei que ela tem uma hist�ria com o Jim
e ela se disp�s a contar para mim.
Oi! Como voc� est�?
Bem, que bom finalmente te conhecer.
Pois �, que bom te conhecer.
Bom, eu posso fazer algumas perguntas?
Claro, bem-vinda a Bellingham.
- Legal. - Com certeza, sim.
- Quer conhecer meus cahorros? - Ah, eu quero muito.
Oi, pessoal!
- Oi! Pode entrar. - Que lindos!
Essa � a minha turminha.
Eu queria te perguntar mais.
Eu estou tentando entender mais sobre o Jim e a Half Moon Bay.
Como foi para voc� crescer l�?
Ele... Ele foi o professor que deu aulas para mim.
E eu tamb�m fui a assistente de classe dele.
Ele parecia um professor muito legal e era muito descontra�do.
Ele praticamente fazia parte da minha vida di�ria.
Entre o meu primeiro e o �ltimo ano, eu participei do FFA.
FFA significa Futuros Fazendeiros da Am�rica.
Ele sabia que eu era louca por cavalos
e falou que se eu quisesse ajudar a cuidar
da �gua da Christie, eu podia montar nela.
E eu achei isso incr�vel.
E eu me senti privilegiada e talvez especial,
sem nunca pensar que haveria um pre�o
por esses privil�gios.
Eu acho que preciso saber mais dos detalhes.
Claro.
Se n�o se importar em contar pra mim, o que foi que aconteceu?
Bom, o Jim me convidou para ir com ele para
levar a �gua com o filhote para uma fazenda.
E eu nunca tinha visto um criadouro.
E era... Era uma grande oportunidade.
Era um s�bado e minha m�e me deixou na escola,
onde eu ia me encontrar com o Jim.
E n�s �amos de carro at� Dixon.
E a viagem at� Dixon, eu acho que leva...
O qu�? Umas duas horas?
�, mais ou menos. Ou um pouco mais.
Mas enfim, chegamos ao criadouro e n�o teve visita nenhuma.
N�o aconteceu nada do que eu imaginava.
Eu fiquei meio chateada e s� deixamos a �gua l�.
Quer dizer que ele criou toda essa hist�ria que
voc�s dois fariam uma visita para conhecer o lugar.
Com certeza. Isso mesmo.
Infelizmente, nada disso aconteceu.
N�s almo�amos e eu pensei ingenuamente,
agora vamos para casa.
Mas ele quis me levar para um chal� da fam�lia dele.
Ficou claro que a visita na fazenda
nunca tinha sido planejada.
Era a desculpa para me fazer ir com ele.
Sabe, ali eu soube que aquilo n�o ia acabar bem.
E eu lembro de pensar na hora, bom, vamos ver.
Eu n�o tenho dinheiro, n�o tenho como chegar em casa.
N�o fa�o ideia de onde eu estou.
Eu acho que eu vou fazer o meu melhor para sobreviver.
E o meu foco era apenas voltar para casa.
Ele ficou agressivo e tentou me levar para a sala de estar.
E naquele ponto ele j� mostrava que queria fazer sexo comigo.
Eu sabia que se por qualquer motivo
eu resistisse aquilo n�o ia acabar bem para mim.
Eu sabia.
Ele podia me machucar e n�o havia nada que eu pudesse fazer.
Eu fiquei arrasada.
Minha vida toda, tudo que eu tinha
imaginado na minha vida tinha acabado.
Se algu�m � capaz de fazer isso com voc�,
n�o d� para saber do que mais ele � capaz.
E por que eu iria querer descobrir.
Ent�o, acho que ele sabia que eu n�o iria contar nada.
N�o sei como ele sabia.
Mas era verdade.
Eu achava que era a �nica.
Se eu soubesse que tinha mais gente,
talvez eu fosse mais corajosa.
Mas eu... eu guardei para mim mesma.
A menos que ele tivesse ido para a cadeia.
O que n�o acho que iria acontecer na �poca.
�.
Eu n�o acho que ele iria parar.
�.
Ouvir as hist�rias da Christie, da Trish e
agora da Val tem sido muito dif�cil para mim.
Em 2018, eu fui abusada sexualmente de novo.
Dessa vez por um amigo.
E por ser algu�m que se manifestou sobre os
pr�prios abusos sexuais, ficou traumatizada.
E as pessoas acreditaram.
Mas na pr�tica, n�o deram a m�nima.
Eu entendo.
Eu falei.
E todas as vezes,
ningu�m se importou comigo, a n�o ser a minha m�e.
Ningu�m.
Quando voc� conta,
a culpa � de alguma forma colocada na v�tima.
E n�o na pessoa que cometeu o crime.
Por que n�o procurou a pol�cia? Quando isso aconteceu.
Por qu�?
Porque eu tinha bebido e n�o achei que acreditariam em mim.
Eu entendo porque as mulheres n�o querem relatar essas coisas.
Eu julgava as pessoas por n�o falarem.
Eu n�o percebia e eu n�o entendia.
Eu n�o entendia que quando coisas assim
acontecem com as garotas, elas n�o falam disso.
N�o porque na mesma hora, todos ficam contra elas.
Elas s�o manipuladas para pensar que a culpa � delas.
E eu me pergunto o tempo todo,
por que eu n�o procurei a pol�cia?
Eu acho que por muito tempo, e talvez at�
mesmo agora, eu tive um pouco de vergonha.
E � desanimador que n�o tenha mudado muito.
Eu n�o sei qual � a resposta.
Eu tamb�m n�o sei.
E infelizmente a mudan�a � lenta.
Talvez seja lenta.
Mas eu te entendo.
Tomara que voc� seja parte da mudan�a.
Eu tenho orgulho de voc�.
Eu estou tentando.
Eu senti na pele o que acontece quando silenciamos as pessoas.
E o Jim era um homem que via as coisas que ele queria.
Pegava das pessoas e as intimidava para ficarem caladas.
E eu quero que a minha fam�lia fique livre disso.
Eu quero que eles sejam livres para poder falar.
Voc� trouxe refrigerante?
Eu quero que a gente exista
e quero que todas as mulheres existam para al�m deles.
Como est� sendo para todo mundo falar sobre o Jim de novo?
Ai, cara.
Pesado, n�?
Bom, tem muita coisa que
surgiu na minha cabe�a enquanto eu pensava.
Tudo que ele falava era mentira.
Eu tenho uma lembran�a de voc� me dando banho.
E ele estava me espiando.
E no instante em que a gente come�ou a
sair, ele simplesmente... Puff, sumiu.
Talvez n�o fosse tanto para ver o corpo nu de uma menina,
mas porque ele queria ouvir.
Ele ouvia a conversa de todo mundo.
Eu ligava para ela e perguntava, est� segura?
Est� segura? Est� tudo bem? Est� tudo bem mesmo?
Depois que eu soube da Christy.
Porque a Jamie me contou da Christy.
Ele estuprou a Christy.
Voc� sabia que ele estuprou ela?
Bom, eu soube disso.
Foi a Dine que me contou.
Mas ele disse que n�o era verdade.
E ele disse que a m�e dela
era uma pessoa muito, muito horr�vel.
Eu pensei, s�rio?
Ent�o ele virou o jogo de novo.
A mam�e estava inventando isso para ficar com a gente.
Eu acreditei quando ele disse que n�o molestou a Christy.
Ele disse que era inven��o da Dine.
E eu acreditei nele.
Porque era muito dif�cil para mim imaginar
que ele podia ter feito uma coisa assim.
O que voc� me disse mesmo quando ele estava no seu apartamento?
E voc�s estavam olhando para a vista e...
Porque eu s� lembro de umas partes disso.
Do nada, ele olhou e disse,
sabe, a Christy e eu, n�s tivemos um caso.
Ela era uma menina.
Como uma menina teria um caso?
- � verdade. - �, exatamente.
E foi da� que come�amos com isso.
E ele disse, bom, sabe, voc� era jovem.
Sua m�e era muito distante e ela meio
que, sabe, nos afastamos ou algo assim.
E a� ele disse, a Christy estava l�, nos conectamos.
E eu disse, t�, mas espera a�.
Se eu era jovem, quantos anos ela tinha?
Quantos anos a Christy tinha?
E ele disse, eu percebi que ele ficou meio...
E ele disse, 13 anos.
De certo modo, eu acho que ele deixou esse mundo
sem ningu�m se levantar e dizer para
ele, foi isso que voc� fez comigo.
N�o sei que poder ele tinha sobre as pessoas dessa cidade
para depois sair por a� fazendo o que fazia.
Eu acho que, considerando os fatos que sabemos,
sabemos que ele era um estuprador costumaz
e sabemos que ele era abusivo, que desaparecia.
Eu s� acho que a realidade de algu�m assim,
que nunca foi al�m
do estupro, para quem sabe matar algu�m,
eu acho que n�o estava fora de cogita��o nem um pouco.
Eu concordo com voc� nisso.
Ou seja, se voc� � um estuprador em s�rie,
que estupra mulheres por
divers�o ou sei l� qual � o motivo, entende?
Eu n�o sei, tem certas situa��es que v�o dar errado.
N�o d� para ser um estuprador habitual
e nada dar errado em algum momento.
Se ele sai por a� machucando pessoas,
como pode evitar que a coisa v� para um n�vel diferente?
Olha s�, eu encontrei uma coisa enquanto eu estava fu�ando,
quando estava procurando fotos e outras coisas.
E eu encontrei isso e eu acho que
deve ser bem importante para voc�.
Bom, n�s t�nhamos algumas b�blias,
mas essa � a b�blia que me assustou.
Ela estava...
nas coisas do meu pai, numa caixinha.
Eu nunca pensei em abrir, ela estava guardada ali.
Algu�m me disse para ficar com ela.
- Eu abri pela primeira vez... - Olha s�, tem marca de tinta.
e eu n�o vi que tinha marcadores de p�gina.
E ele sublinhou e grifou partes...
Tipo vers�culo favorito?
Aleat�rios, trechos aleat�rios.
T� bom.
Obviamente, se ele perdeu tempo para grifar
e para guardar, era importante para ele.
� um pequeno vislumbre da mente dele.
�, exato.
E alguns nem fazem sentido.
Pois todos pecaram e carecem da gl�ria de Deus.
Eu cheguei aqui no final e eu fui lendo e vi isso aqui.
Purifica-me com o essopo e ficarei limpo.
Lava-me e ficarei mais branco do que a neve.
E esse aqui me deu arrepios.
�, porque a falsidade disso.
� tipo a falsidade do arrependimento, de certa forma.
Eu posso pedir perd�o para Deus
e posso me livrar desses pecados.
Eu posso fazer essas coisas horr�veis e eu serei perdoado.
Ele tinha v�rias personalidades.
E quando come�ava a falar em l�nguas, ele dizia,
estou falando em l�nguas, estou entrando em contacto com Deus.
Ele inventava palavras,
coisas que eu nem poderia repetir porque eu n�o sei.
O Jim realmente achava que estava
em um plano espiritual superior.
Uma vez, quando eu estava brincando com bonecas,
ele entrou no meu quarto e colocou as m�os assim.
E ele fazia assim.
E eu pensei, nossa, que estranho.
E ele falou, voc� sente meu poder?
E eu sabia que se eu falasse que sim,
ele ia me deixar em paz para continuar
fazendo o que estava fazendo.
Mas se eu dissesse n�o, ia ter um problema.
Ent�o eu decidi concordar que eu sentia o poder dele,
porque eu sabia que se eu concordasse com isso,
ele ia embora.
Ent�o eu falei, sim, pai, eu sinto o seu poder.
E a� ele ficou parado ali mais um minuto.
E ent�o sorriu e depois ele foi embora.
Ele tamb�m acreditava que teve v�rias outras vidas.
Ele achava que ele era a reencarna��o de Mois�s,
que era o Messias.
Tinha umas coisas que o Jim fazia que eram t�o...
malucas.
Ok.
Romanos 23.
Pois todos pecaram e carecem da gl�ria de Deus.
Eu vou pesquisar isso na Internet.
Romanos 23 diz que Paulo resume essa parte da sua carta
e todo o Evangelho nesse vers�culo famoso.
Ele compara os dois tipos de vida que descreveu.
Aqueles sem Cristo s�o escravos do pecado.
Seu trabalho de iniquidade recebe um sal�rio de morte.
Por mais que uma pessoa pense que � boa,
seu trabalho nunca pode ser bom o suficiente.
No fim das contas, ela s� pode culpar
a si mesma por pecar contra Deus.
Isso faz sentido para ele.
Ele sabe que est� lutando contra o mal.
E ele est� s�rio desesperado.
Para ser salvo desse mal.
E isso me mostra.
Que,
bom, ele sabia o que estava fazendo.
Ele sabia exatamente o que estava fazendo.
Ele tinha uma presen�a.
Ele entrava num lugar e o lugar mudava.
Ele mudava a energia do lugar.
E dependendo do estado mental dele,
ele era o homem mais charmoso que voc� poderia conhecer.
Ou era o seu pior pesadelo.
Eu tinha visto um pouco dessa instabilidade mental.
Tinha visto essas mudan�as de personalidade acontecendo
de vez em quando.
Uma vez, ele come�ou a falar de uma mulher.
Ele odiava tudo naquela mulher.
Ele queria amarrar ela e jogar ela numa vala.
E eu pensei, isso � bizarro.
Ele sempre dizia, eu vou cortar a
sua garganta e a da sua m�e tamb�m.
Eu vou amarrar voc�.
Quando brincavamos de luta,
era uma das coisas que ele falava pra gente.
Isso � muito estranho.
Quem fala isso?
Quem fala isso?
N�s pesquisamos na Internet,
Amarrar, Vala e Santa Rosa.
Os assassinatos de Santa Rosa apareceram.
E eu pensei, mas que droga.
Era a cara dele.
Seis ou sete jovens pedindo carona
foram mortas no condado de Sonoma.
Algumas delas foram pegas nas ruas da cidade de Santa Rosa.
A gente viajava de carona, mas
agora n�o � mais seguro fazer isso.
Por que pararam?
Por causa das coisas que tem acontecido com as garotas.
Muitas horas de trabalho foram gastas na
investiga��o dos assassinatos de Santa Rosa.
Estamos trabalhando para solucionar
os homic�dios na cidade de Sonoma
e precisamos da ajuda dos cidad�os de bem.
Foi oferecida uma recompensa de 10 mil d�lares
pela pris�o e condena��o do assassino das jovens.
At� agora ningu�m se manifestou.
Os assassinatos das jovens de Santa Rosa
� uma s�rie de homic�dios n�o solucionados
de jovens possivelmente marginalizadas.
Ocorridos em Santa Rosa no in�cio dos anos 70.
Algumas delas foram violentadas.
Todas elas foram jogadas em valas
em �reas remotas de Santa Rosa.
Muitas delas foram amarradas,
o que era particularmente interessante para o Jim,
porque ele falava, quando ficava chateado com as mulheres,
como ele gostaria de amarr�-las e jog�-las em valas.
As semelhan�as s�o muito estranhas.
Todos esses assassinatos t�m muitas conex�es com o Jim,
em especial os locais em que o Jim morava
e onde esses assassinatos ocorreram.
Seja quem for a pessoa ou pessoas respons�veis por isso,
tem prefer�ncia por mulheres jovens.
A maioria dessas jovens tinha a idade
das garotas que o Jim gostava de abusar.
A Laurie Lee Curse, 13 anos.
Yvonne Webber, 13 anos.
Maureen Sterling, 12 anos.
Carolyn Davis, 15 anos.
Todas foram encontradas nuas,
e as roupas nunca foram encontradas.
Eram brancas, de estatura pequena
� m�dia, e trajavam roupas informais.
Cabelos compridos, repartidos ao meio.
Usavam brincos.
Elas eram de lares disfuncionais e pediam carona.
Eu me lembro do Jim dizendo,
n�o pegue carona porque voc� pode acabar morta,
pode ser estuprada.
Eu n�o sei se ele realmente dava caronas,
mas eu suponho que ele faria isso,
especialmente se fosse uma garota bonita.
As mortes tamb�m ocorreram em um momento
muito interessante da vida do Jim.
Em 1972, quando esses assassinatos
come�aram a acontecer,
o Jim estava se divorciando da primeira esposa.
E tudo o que eu ouvia � que esse div�rcio n�o foi bom,
ele foi muito tumultuado.
O Jim estava em um per�odo muito sombrio da vida dele,
bem quando esses assassinatos come�aram a acontecer.
A ex-mulher dele se mudou para Santa Rosa,
e ele continuou morando em Half Moon Bay.
E ele viajava pela 101 para Santa Rosa para
poder v�-la, para persegui-la no meio da noite.
E o interessante � que todas essas garotas foram vistas
pela �ltima vez pedindo carona na 101 ou perto dela.
Ele acredita que as mulheres s�o lixos.
E essa � a raz�o pela qual ele desova os corpos
como algu�m que joga lixo pela estrada.
Ele conhecia Santa Rosa como a Palma da m�o dele.
Ele cresceu l�.
Um assassino louco est� na ativa.
Ele provavelmente vai matar de novo.
Ele saberia exatamente onde desovar um corpo sem ser pego.
Tem uma mulher que dedicou grande parte da vida dela
para manter viva a mem�ria dessas garotas,
para lutar por justi�a para elas, para buscar respostas.
O nome dela � Deb Silva.
Ela � dona de um site chamado SantaRosaHitchhikeMurders. Com
e ela � guardi� n�o oficial dos
assassinatos das caroneiras de Santa Rosa.
Eu estou muito animada para falar com ela.
Ela tem um arquivo incr�vel.
E eu realmente quero ver o que ela sabe
que pode me ajudar a descobrir
se o Jim era o assassino ou n�o.
Chegamos.
- Oi. - Oi, Sarah.
Oi, como voc� est�?
Que prazer em te conhecer.
� um prazer te conhecer tamb�m.
Eu adoraria falar com voc� sobre o padrasto da minha m�e.
Est� legal. Tem muita coisa que ele disse, ou fez,
ou lugares onde ele morou
que se conectam aos assassinatos das caroneiras de Santa Rosa.
Eu adoraria ouvir o que voc� tem a dizer
e ver se eu tenho alguma coisa que seja promissora.
Sim, eu estou muito empolgada.
Claro que eu quero ver esses casos solucionados.
Eu tamb�m.
Eu j� morava aqui h� um ano quando um vizinho me perguntou
o que eu achava de morar onde
aqueles corpos foram encontrados.
E eu falei, o qu�?
Aqui � Friends Valley, onde elas foram encontradas.
Tr�s delas. Tr�s jovens brutalmente mortas.
Pode haver uma trilha que ligue esses assassinatos
a outras mortes na regi�o.
Tr�s jovens foram encontradas na regi�o.
Maureen, Yvonne e Carolyn.
Eu fiquei chocada.
Teve um total de oito garotas mortas em dois anos.
Bom, o nome do meu av� era Jim Mordecai.
Ele cresceu aqui em Santa Rosa.
Ele era um estuprador em s�rie
e ele atacava garotas que tinham
- entre 12 e 19 anos. - Bom, entendi.
� praticamente a mesma idade das meninas
que foram assassinadas em Santa Rosa.
E ele adorava falar sobre amarrar as mulheres.
Devia ser assustador para quem ouvia ele falar isso.
�, a minha m�e ouvia isso
e tamb�m os meus tios e as minhas tias.
Era um tema comum em casa,
que ele gostava de pegar e agarrar elas pelos p�s.
Eu vou amarrar voc� ou voc� j� tem
idade, precisa aprender a amarrar.
Teresa Walsh estava amarrada.
Ela foi encontrada na �gua, no Rope Mark West.
A v�tima desconhecida, que foi encontrada em uma ravina,
havia sinais de que ela tamb�m tinha sido amarrada.
Em mar�o de 1972, Kim Allen desapareceu.
Ela saiu do trabalho e pegou uma carona at� a rodovia 101
para poder pegar carona at� Santa Rosa.
Foi a �ltima vez que ela foi vista com vida.
A Kim foi encontrada jogada seis metros abaixo
em um barranco, de bru�os, nua e com um dos brincos.
Havia sinais de que ela tinha tido
os pulsos e os tornozelos amarrados.
As joias que foram encontradas
ou que estavam faltando em algumas cenas de crime
sempre me interessaram bastante,
porque quando o Jim morreu,
examinaram a casa dele.
E a minha m�e achou uma caixa, uma
caixinha cheia de brincos sem o par.
S�rio?
E quando eu vi a caixa de joias, eu pensei, de quem � isso?
Que [bipe]!
Eram bijuterias dos anos 70, mas n�o tinham pares completos.
E eu comecei a perguntar, de quem � isso aqui?
Era estranho.
E eu queria saber por que os brincos n�o tinham pares?
De quem eram?
E ela n�o sabia, n�o eram das meninas.
Eram coisas aleat�rias, e ela n�o sabia de quem eram.
Aquilo assustou todo mundo, porque elas pensaram,
por que ele tinha essas joias de meninas?
Certo. Ela ainda tem os brincos?
Eu n�o sei o que aconteceu com a caixa.
� o que eu estou tentando descobrir.
E falando de onde os corpos foram encontrados,
o quanto algu�m teria que conhecer
Santa Rosa para encontrar essa �rea?
Eu acho que seria preciso conhecer essa �rea muito bem.
Seria algu�m que morasse nas proximidades,
ou talvez algu�m que gostasse de dirigir
e percorresse as estradas secund�rias o tempo todo.
Bom, o meu av�, Jim, e isso � algo que todo mundo fala dele,
ele adorava passear de carro, e desaparecia por horas passeando.
E ningu�m sabia para onde ele ia.
E ele conhecia todas as �reas rurais.
�, e n�o tinha GPS na �poca, era preciso conhecer as estradas.
Eu queria te mostrar o lugar para voc� ver onde as v�timas do
assassinato de Santa Rosa foram achadas.
Ok.
Falei com as fam�lias de tr�s ou quatro das v�timas.
Falei com a irm� mais velha, da Kim Allen,
que at� hoje est� totalmente abalada
pelo assassinato da irm�.
O pai da Kim tinha um enorme sentimento de culpa,
porque ele se recusou a comprar o carro que ela queria.
Se ele tivesse comprado o carro, ela n�o estaria pedindo carona.
E ele carregou isso com ele ao longo da vida.
O mesmo aconteceu com a fam�lia da Maureen.
No caso dos pais, � natural que sintam culpa,
tinha algo que deviam ter feito diferente.
Eu acho que talvez poder ver algu�m sendo
reconhecido e quem sabe punido pelo que Fez,
pode propiciar algum desfecho para eles.
Encontramos tr�s corpos deixados no mesmo local no �ltimo ano.
Acho que podemos chegar � conclus�o
de que � muito prov�vel
que o mesmo indiv�duo ou indiv�duos estejam envolvidos.
Estamos indo para a rodovia France Valley.
Aqui estavam a Yvonne, a Maureen e a Carolyn Davis.
A Yvonne e a Maureen foram as primeiras que desapareceram
em fevereiro de 1972.
Elas estudavam juntas na escola Slater Junior.
E s� foram achadas em dezembro de 1972.
Vamos at� ali para ver um pouco melhor.
Chegamos.
Consegue ver uma parte do riacho l� embaixo?
E tem uma pequena ponte sobre o riacho?
A ponte n�o existia.
A Yvonne e a Maureen foram as duas primeiras
v�timas que foram encontradas aqui.
E nem eram mais corpos, eram apenas ossadas.
Duas crian�as estavam andando de bicicleta.
Um dos meninos encontrou o cr�nio.
E os meninos acharam muito legal isso.
Ent�o eles pegaram o cr�nio e levaram para casa.
Quando a Carolyn foi encontrada,
cerca de sete ou oito meses depois,
um motociclista estava percorrendo essa estrada.
Ele era um veterano do Vietn�
e conhecia o cheiro de um corpo em decomposi��o.
Na mesma hora?
Na mesma hora de reconheceu o cheiro.
E a Carolyn estava a uns quatro metros
de onde a Maureen e a Yvonne foram achadas.
E era como jogar um lixo fora.
- Isso. - � horr�vel.
Exatamente.
E � assim que as meninas foram tratadas, como se fossem lixo.
Algumas joias foram encontradas
no local onde a Maureen e a Yvonne foram achadas.
Uma delas foi um brinco.
Claro, todo o tempo que passou,
desde que desapareceram
at� serem encontradas, foi longo demais.
O segundo brinco, se a outra garota tivesse um
par de brincos, podia estar enterrado na terra.
Ou um animal,
um corvo ou um guaxinim pode ter levado embora.
- H� outra possibilidade? - Ah, sim.
O assassino pode ter levado.
- Oi. - Oi.
Eu queria falar com voc� porque
tem uma coisa que eu preciso saber.
A caixa de joias.
Voc� consegue lembrar o que tinha na caixa?
Tinha uma variedade aleat�ria de joias.
N�o eram pares completos.
N�o eram joias de verdade, eram bijuterias.
Coisas que adolescentes usam.
E voc� consegue lembrar de alguma coisa espec�fica?
Eu me lembro de umas azuis turquesa
e umas mi�angas na cor laranja.
As mi�angas na cor laranja estavam numa argola.
Mas com certeza eu vi um brinco com mi�angas na cor laranja.
Tem a descri��o do brinco.
Era uma pe�a circular que podia ser de ouro ou lat�o,
com padr�es de renda filigrana na qual ficavam penduradas
v�rias mi�angas na cor laranja.
Eu n�o consigo entender por que
um homem adulto teria joias assim.
Nem eu.
O que aconteceu com a caixa?
Onde � que ela foi parar?
Eu...
Acho que teve uma hora que a gente quis
se livrar dela e deu pra um brech�.
Por que voc�s n�o levaram pra pol�cia?
Quando te manipulam por tanto tempo
pra te convencer que a sua realidade n�o � verdadeira,
mesmo sabendo que essa pessoa te apavorava,
tem uma parte sua que se culpa e se questiona muito.
E quando temos que encarar a realidade da situa��o,
a coisa � assustadora.
E eu acho que naquele momento a minha m�e e eu
s� quer�amos nos livrar daquela coisa, sabe?
- Ok. - Bom, desculpa.
- Desculpa n�o ter guardado. - Tudo bem.
T� bom, eu te amo.
Eu te amo. At�. Tchau.
Tchau.
Eu entendo tudo isso, mas � frustrante
porque se tiv�ssemos isso,
seria definitivo.
Seria sim ou n�o, eu acho.
Se n�o temos a caixa nas nossas m�os, ent�o.
Tudo n�o passa de suposi��es, n�o importa.
O caso � muito desafiador.
Tanto que o delegado Strypek
diz que seus homens est�o trabalhando sem pistas.
Na maioria dos casos, a aplica��o da lei � feita
porque algum cidad�o forneceu as informa��es.
� isso que n�s esperamos.
A Debbie disse que se eu quiser ir a fundo
nessa investiga��o, eu preciso falar com a Mary.
A Mary era amiga da Yvonne e da Maureen
e estava com elas na noite em que
a Yvonne e a Maureen desapareceram
na pista de patina��o.
- Oi, � bom te ver. - � bom te ver tamb�m.
Ah, essa aqui � a Mary.
Oi, Mary, eu sou a Cierra.
Querida, prazer em te conhecer.
� um prazer te conhecer.
A Mary era uma amiga da Yvonne e da Maureen
e ela viu as meninas pela �ltima vez aqui.
Eu acho que fui a �ltima pessoa que falou com elas.
Eu acho, sim.
Posso te falar o que aconteceu naquela noite?
Claro, vou adorar ouvir.
Eu gosto como o lugar parou no tempo.
- Ah, n�o mudou nada. - �.
Como ainda �ramos muito novas,
nossos pais nos levavam at� a pista de patina��o.
Mas o mais legal � que eram duas ou tr�s
horas pra gente fazer o que quisesse fazer.
Alguns andavam de patins, mas outros s� ficavam com os amigos.
A Maureen, a Yvonne, eu e a nossa turma
�ramos do grupo que ficava com os amigos.
Muita gente ficava do lado de fora fumando cigarro.
Ent�o, eu estava l� dentro, sentada perto
da lareira e a Maureen e a Yvonne entraram,
e disseram, olha, conhecemos um cara.
E ele ofereceu pra dividir a maconha.
A gente vai fumar maconha com ele.
Voc� quer vir com a gente?
E meu primeiro pensamento foi, que cara?
Olha, porque eu tinha 13 anos, se
fosse o menino bonito do nono ano...
- �, voc� teria ido. - Eu teria ido.
Ent�o, eu quis saber quem era o cara.
E a�, elas disseram que
ele estava esperando no corredor, l� no sagu�o.
A�, eu dei uns passos, olhei pro corredor
na dire��o do sagu�o, pude ver o cara.
E na hora, eu vi que era um cara mais
velho que a gente, n�o era da nossa turma.
Ele n�o estava patinando,
ele estava do lado de fora,
e deve ter falado com elas, e estava esperando elas sa�rem.
E eu n�o gostei muito daquilo.
E eu falei, n�o, muito obrigada.
- Tudo bem. - Divirtam-se.
Eu fiquei na pista de patina��o,
e elas nunca mais foram vistas.
O que eu achei muito estranho,
foi que o pessoal que fumava maconha na
na escola, tinha cabelo comprido.
Os garotos.
Esse era o look, sabe?
O cabelo dele era curto e escuro.
Pra mim, ele parecia mais um professor, sabe?
Ele tinha outras caracter�sticas marcantes?
O cabelo era curto,
eu acho que era de castanho escuro pra preto.
Ele era branco, magro,
tinha mais ou menos um Metro e oitenta,
e vestia uma jaqueta jeans.
Eu quis falar com voc�,
porque o padrasto da minha m�e era um homem
muito horr�vel, e ele cresceu aqui em Santa Rosa.
Ele nasceu em 1941,
ent�o nessa �poca ele devia ter mais ou menos uns 30 anos.
Eu estou tentando descobrir quem exatamente ele foi,
e isso me trouxe a Yvonne Maureen.
Eu vou te mostrar umas fotos dele
por volta de 1970, 71,
e eu quero saber se ele parece com aquele homem que voc� viu.
Esse aqui � ele em 1970 e 71.
Essa aqui tamb�m � de 1970,
e em 71 ele come�ou a deixar crescer as costeletas.
E ele nem sempre usava os �culos.
Ai, credo, voc� est� me assustando.
Bom, eu posso dizer que se parece muito com ele.
Vers�o Brasileira DPN Santos
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