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Original subtitles

Vivem hoje no mar do Norte perto de 60 000 pessoas offshore.

A bordo da plataforma F. G. McClintock, 80 homens e uma mulher trabalham

� porta fechada, noite e dia, � procura do Ouro Negro.

Esse espa�o limitado, � merc� dos elementos,

presta-se pouco a estados de alma.

A Ilha Negra

Os meus filhos sabem que trabalho offshore, numa plataforma petrol�fera.

N�o sabem muito bem o que � que eu fa�o exactamente.

Acho que ningu�m sabe,

a n�o ser que j� tenham trabalhado no mesmo.

Para eles � mais: "O pai foi-se embora,

estamos � vontade, podemos fazer o que quisermos."

Despe�o-me deles, levo-os � escola e depois passo a manh� com a Karen.

�s vezes damos um salto � cidade para comprar coisas pequenas

de que me esqueci, tipo pasta de dentes.

Depois, � hora de jantar, despe�o-me da Karen

e apanho um t�xi para o heliporto.

No �ltimo dia, quando ac�bamos o trabalho,

tom�mos banho, barbe�mo-nos e estamos prontos para partir,

s� nos mentalizamos do que vai acontecer quando chega o primeiro helic�ptero.

No primeiro voo, vai a equipa de perfura��o,

que deve chegar primeiro � plataforma.

S�o o encarregado da sonda, o sondador, e os plataformistas

(estes costumam ser os operadores de grua, ou seja, eu e o Craig).

No 2� helic�ptero, vai a equipa do conv�s.

Ao princ�pio, quando ainda estamos todos no heliporto, nem � assim t�o mau.

Falamos sobre o que fizemos em casa, e coisas assim.

Quando se entra no helic�ptero para sair dali,

� que o pessoal come�a a vacilar.

Fica tudo de queixo ca�do, e quando finalmente se chega,

come�a o pesadelo.

L� vamos n�s outra vez! � a mesma merda de sempre!

Nada muda.

Podes ter estado fora um m�s, ou 6 semanas,

que quando voltas, � como se nunca tivesses partido.

Lembras-te de tudo t�o depressa!

H� quem v� agora a casa ver a fam�lia.

Durante 3 semanas, v�o fazer o que quiserem. Podem beber...

Vem outra equipa substitu�-los.

Durante 3 semanas, a vida deles vai ser s� dormir,

comer e trabalhar.

Sou operador de grua e supervisor de cargas e descargas.

Sou oficial de aterragem. Controlo a aterragem dos helic�pteros.

Recebemos uma lista com os passageiros que embarcam e desembarcam

e a bagagem e carga dos helic�pteros.

Chega-se aqui e s� se v� �gua.

E trabalha-se com muitos homens, vive-se com eles.

Pode ser um ambiente muito tenso, se os homens n�o se derem bem.

Mas muitos d�o-se, porque n�o h� outro rem�dio.

O pessoal est� sempre a mudar. Alguns acham que aguentam isto,

chegam aqui e, ao fim de alguns dias, j� est�o com saudades de casa.

Sabem que t�m que ficar 3 semanas e h� quem n�o aguente.

A PLATAFORMA OPEROU 138 DIAS

SEM UM ACIDENTE QUE IMPLICASSE PERDA DE PRODU��O

De momento, temos...

cerca de 85 pessoas a bordo da plataforma.

Abaixo de mim, temos os encarregados da sonda,

que trabalham turnos de 12 horas.

Abaixo deles, est�o os sondadores.

Depois temos um capit�o da barca, que trata do lado "mar�timo" da coisa.

Ele � chefe dos operadores de grua, dos homens de �rea

e das equipas de manuten��o.

E, claro, temos os electromec�nicos.

Somos empreiteiros, seguimos as ordens e objectivos da petrol�fera.

Eles querem expandir o neg�cio e encontrar mais petr�leo e g�s.

Enquanto n�s trabalhamos para ganhar a vida.

N�o ganhamos mais por termos encontrado um po�o rent�vel.

Temos uma reuni�o de manh�.

O representante da petrol�fera, eu, os encarregados da sonda,

e o pessoal das empresas de servi�o

reunimo-nos todos para falar das actividades do dia,

de manh� e ao final da tarde.

O encarregado da sonda supervisiona as opera��es de perfura��o e de conv�s.

Eu recebo ordens do chefe de plataforma.

Somos os dois empregados do operador petrol�fero.

Eu supervisiono, sobretudo, as opera��es de perfura��o.

Quer seja g�s ou petr�leo, para n�s � igual.

O trabalho � sempre o mesmo. N�s furamos, se houver petr�leo ou g�s, �ptimo!

Mas para quem c� trabalha, d� no mesmo.

� verdade que � muito dinheiro deitado fora,

mas aprende-se sempre alguma coisa com a perfura��o.

Obt�m-se informa��o geol�gica, mesmo que n�o se encontre petr�leo.

E isso pode ajudar-nos a escolher uma outra zona ou local para perfurar.

Fica muito caro, mas ganha-se sempre alguma coisa com isso.

Uma grande parte do nosso trabalho � log�stica.

Ou seja, conseguir o material para se poder fazer o que � preciso.

Se eles n�o me disserem, eu n�o sei.

Por isso � que organizo estas reuni�es. Para obter informa��o,

pass�-la a outros e, assim, conseguir o equipamento necess�rio.

�s vezes, discordamos sobre a maneira de fazer as coisas.

Seja como for, as coisas s�o feitas!

Venho de uma fam�lia ligada ao petr�leo: o meu av�, o meu pai, eu...

e os meus dois irm�os. Do lado da minha mulher, � o mesmo.

Por isso, pode dizer-se que sabemos de petr�leo.

Est�-nos na massa do sangue, � falta de melhor express�o.

Sabemos como lidar com este tipo de vida.

Numa equipa de perfura��o h� um sondador, um torrista, um bombeador,

tr�s plataformistas e um assistente de sondador.

Eles trabalham, exclusivamente, na plataforma de perfura��o.

Depois, h� o departamento de perfilagem, que tem computadores e tal.

Eles registam tudo o que se passa no furo.

Na sala dos agitadores de argila,

recolhemos amostras das forma��es depositadas nos agitadores.

Neste po�o, isso acontece de 10 em 10 metros.

Depois, lavamo-las e analisamo-las,

para assim termos uma ideia exacta do que se passa no po�o.

N�s fazemos de tudo.

Tudo o que seja papelada e lama... toda a geologia.

No final da perfura��o, apresentamos um registo de tudo.

� o documento final sobre o po�o.

Permite compar�-lo a outros po�os � volta, indica a progress�o dos trabalhos.

Mostra a geologia tamb�m, as forma��es que perfur�mos.

D�-nos par�metros sobre a lama.

Basicamente, d�-nos uma vis�o total do que fur�mos.

E, com um pouco sorte, ajuda a perceber o que obteremos do po�o.

E � mais ou menos isto!

O ambiente de plataforma petrol�fera

�, provavelmente, a �nica ind�stria, nos dias de hoje,

onde se tem de trabalhar, comer, dormir e viver no mesmo s�tio.

24 horas por dia e 3 semanas seguidas.

Muita gente vem para aqui, porque ouviram falar muito disto.

E depois cai-lhes a realidade em cima...

A comida n�o � cinco estrelas, a vida tamb�m n�o.

O trabalho n�o � canja, com o vento, a chuva, a neve, o granizo.

N�o � assim t�o f�cil. Nem toda a gente � feita para isto.

Se houver nevoeiro, n�o h� helic�ptero, logo, n�o h� jornais.

Perde-se o contacto.

O trabalho tira-nos, para a�, metade do dia.

Depois de teres despachado o trabalho e dormido,

pensa-se todos os dias na fam�lia, mas...

Sobretudo, esperam-se os telefonemas.

Recebo todas as semanas um telefonema da Karen, e eu tamb�m lhe telefono

uma vez por semana, o que d� dois telefonemas por semana.

No domingo, depois de falar com ela, come�o a esperar a quarta seguinte

que � quando falo com ela outra vez.

O Mick � meu assistente e ajuda-me quando estou muito ocupado.

Ou, quando temos que usar duas gruas, ele controla uma, e eu outra.

Ocupamo-nos os dois de preparar material

para ser usado no barco, ou na plataforma.

Ele ajuda-me e orienta os meus subalternos.

Eu e o operador de grua estamos encarregados

de tirar a carga do conv�s e manter o espa�o livre.

Se o Craig n�o puder, vou eu.

Se n�o puder eu, vai o Craig.

� para isso que serve um assistente. N�s n�o paramos durante 12 horas.

Se ele n�o acabou um trabalho, acabo-o eu.

A ideia � passar a outro o trabalho que n�o se terminou.

Nada fica por acabar, ou n�o devia ficar.

Craig, vou descer!

N�o h� muito espa�o numa plataforma auto-elevat�ria.

Por isso, quando chega um barco, tens que arranjar espa�o.

Tentamos que o barco fique num lugar de f�cil acesso

para podermos guardar o material.

N�o podemos deixar nada no conv�s principal.

N�o h� propriamente cabines privadas. Partilhamo-las com 4 pessoas.

� como partilhar um apartamento. Respeita-se a privacidade dos outros.

Se tiveres fotos � volta da cama, ningu�m lhes mexe.

Esse espa�o � teu.

Se se ficar com a mesma cabine, sentimo-nos mais em casa.

Se estivermos sempre a mudar de cabine, n�o � a mesma coisa.

O trabalho que se faz nestas plataformas n�o � para mulheres.

Os homens v�m aqui, exclusivamente, para trabalhar.

O trabalho que fazemos aqui n�o � pr�prio para as mulheres.

E muita gente acha que isto n�o � lugar para elas,

que s� v�m � tirar trabalho aos homens.

Oficialmente, sou respons�vel de log�stica.

A minha responsabilidade come�a logo quando chega o barco.

Antes de o material ser descarregado, tenho de verificar as certifica��es

para assegurar que � seguro tirar o material do barco.

Depois, tenho de verificar o pr�prio equipamento,

para perceber se o que chegou � o que vem no manifesto.

Por isso, ando pelo conv�s a verificar se o material chegou mesmo

e est� conforme � certifica��o.

Depois tem de ser introduzido num invent�rio di�rio,

para sabermos sempre exactamente o que h� na plataforma.

A Pat � t�cnica de controlo de material,

supervisionando os manifestos e as cargas.

Tudo o que tem de ser carregado, passa por ela.

Ela diz-nos onde p�r os contentores e o que carregar nos barcos.

Ocupa-se dos manifestos com o conte�do dos contentores,

para o capit�o e a alf�ndega.

O trabalho dela �, sobretudo, administrativo.

Mas deve ser estranho para ela, com as coisas que tem que ouvir e assim.

Os homens habituam-se a estar com outros homens.

Ao princ�pio, os homens pensavam: "H� uma mulher a bordo."

Depois passaram a trat�-la como um gajo.

� com ela se fica ofendida,

se se chateia com o que dizem e as asneiras.

Mas ela entende.

J� trabalha offshore h� muito tempo.

O meu marido tamb�m trabalha offshore, o que � um problema.

Ele trabalha 2 semanas e passa 2 semanas em casa.

Eu trabalho 3 semanas e estou 3 em casa. Mal nos vemos.

Uma vez estamos juntos uma semana, outra vez s�o 2 semanas.

E depois ficamos 5 semanas sem nos vermos.

Por isso, quando estou em casa tenho muito trabalho atrasado.

Tenho de limpar, cozinhar, cuidar da casa. � dif�cil.

A minha mulher est� satisfeita. Tem tempo para fazer as coisas dela.

E eu tenho tempo para as minhas. Troc�mos quantidade por qualidade.

Antes deste trabalho, est�vamos muito tempo juntos,

mas isso n�o quer dizer que estiv�ssemos mesmo juntos.

Agora quando volto a casa, partilhamos essas 3 semanas.

Quando parto, ela l� tem a sua vida: desporto, reuni�es, clubes, e assim...

e eu tenho o meu trabalho.

Ela tem o tempo dela, e eu o meu. E depois temos tempo nosso.

E passamo-lo bem.

Nem sempre falamos do que se passa fora daqui.

Falamos de futebol, beisebol, mulheres, sei l�.

Temos um gin�sio e costumo l� ir.

Ponho-me no tapete rolante e ando.

� a� que liberto a mente, a andar.

J� nem estou na plataforma, estou a pensar noutras coisas.

N�o jogo bilhar.

Continuo a achar que �, sobretudo, um desporto para homens.

Se quiser ver televis�o, em geral, s� h� um televisor a bordo.

E j� percebi que tenho tr�s escolhas: desporto, pornos, ou westerns.

Ora, eu n�o gosto de desporto, acho os filmes porno bem chatos

e n�o gosto de westerns.

Por isso, ou vou para o quarto ler, ou n�o h� muito que fazer � noite.

Mandei o meu curr�culo para as empresas todas.

E, de repente, recebi um telefonema a dizer que tinha um trabalho offshore.

Resolvi arriscar.

Quando aterrei e percebi que ia aqui ficar 3 semanas,

e que ia ser como aquela noite, foi assustador.

Se um helic�ptero tivesse aterrado, acho que tinha voltado para casa.

Houve um s�tio onde fiquei numa cabine com quatro homens.

Normalmente, partilho uma cabine com um homem,

mas os homens est�o l� de dia, e eu de noite.

Mas nesta plataforma �ramos 4 l� dentro.

Durante a noite havia l� um homem comigo.

P�nhamos o despertador para a mesma hora.

Quando tocava, fic�vamos os dois com medo de nos mexermos.

Era desconfort�vel para mim, mas acho que para ele tamb�m.

O torrista � respons�vel por puxar a sonda de perfura��o para a torre.

Como sabe, ele trabalha a 30 metros do solo.

Ele puxa a sonda para cima.

Tamb�m trabalha na sala das bombas,

onde faz a manuten��o das bombas e das condi��es da lama.

A torre de perfura��o...

� um s�tio muito perigoso.

Se n�o se tiver a corda bem apertada, pode-se mesmo cair.

Nesse caso, vem algu�m socorrer, se for poss�vel.

� um trabalho muito pesado no Inverno.

Est�-se sujeito a todos os elementos: neve, chuva, granizo.

Est�-se muito exposto.

Pode-se estar l� em baixo, na sala das bombas.

Mas se se estiver na torre, � muito mais duro.

Pode ser muito complicado estar l� fora, em termos de tempo.

Uma pessoa habitua-se a trabalhar ali. Tem que se confiar no cinto.

H� um "cabo-suic�dio", que eu s� usaria como �ltimo recurso

para descer da torre, se n�o se puder ir de escadas.

Mas deixas de pensar na seguran�a, se houver um explos�o ou inc�ndio.

Sobretudo se for no piso da plataforma.

Longe de casa

Perdida no mar

Algures no horizonte

E em mais lado nenhum

Como uma b�ia, como um barco ancorado

Como uma garrafa lan�ada ao mar

Ergue-se tranquila

A sua linda ilha negra

Sob as palmeiras de a�o

Batido pelo sopro salgado do vento

Embalado pelo ritmo das m�quinas

B�lsamo para a melancolia

Impregnado do perfume do ouro negro

N�o pensa em nada

A sua linda ilha negra

Procurei, e escolhi este trabalho, porque me d� muito tempo livre.

Acho que o segredo � agradar � maioria das pessoas, a maior parte do tempo.

Tento sempre p�r na ementa coisas que eu sei que algu�m vai comer.

H� 3 op��es.

Por isso, toda a gente encontra algo de que goste, mesmo os vegetarianos.

Agora temos um prato vegetariano.

Estou sempre a fazer coisas novas, n�o fa�o sempre o mesmo.

H� quem prefira assado ou grelhado, e eu fa�o,

mesmo que n�o esteja na minha ementa.

Se as pessoas estiverem de dieta, por exemplo, eu ajudo-as.

Sei l�, estou s� - como � que hei-de explicar? �

a fazer o meu trabalho!

Eles fartam-se de trabalhar. T�m de queimar as gordurinhas!

Mas � verdade que � um trabalho duro. Acho que percebeu isso.

Aquilo de que sinto mais falta � de ver crescer os mi�dos.

Estou em casa 6 meses e o resto do tempo estou fora.

Quando tens filhos pequenos, vens trabalhar e eles ainda gatinham.

Quando voltas, j� voam pela casa de gatas.

Partes outra vez e quando voltas, j� eles andam.

Estamos a falar de semanas, mas � o suficiente para se perder isso.

� tudo muito r�pido.

Trabalhamos 6 meses por ano,

logo, s� vemos os nossos filhos 6 meses por ano.

E � incr�vel o quanto crescem nesse tempo.

De manh�, v�o para a escola.

Nem damos por ela...

e um dia t�m 10 ou 11 anos.

Eles comem muito, porque queimam muita energia a trabalhar.

N�o v� nenhum gordo l� em cima, pois n�o?

Quantas vezes por dia?

Alguns comem 3, ou mesmo 4 vezes, por dia.

E t�m pausas para cigarro, �s 9 da manh� e �s 3 da tarde.

E a messe est� sempre aberta.

J� nem posso ver comida chinesa, ou outras esquisitices, � frente!

Prefiro ovos, batata frita, esparguete, feij�o e tomate.

O barco de socorro acabou de chegar.

Deve estar algu�m a trabalhar deste lado.

E est� nevoeiro.

A minha equipa � composta por 12 pessoas.

S�o 3 oficiais de conv�s, incluindo eu, 3 engenheiros,

um cozinheiro, e 5...

...marinheiros.

Esta equipa ocupa-se, sobretudo, da embarca��o de salvamento.

A fun��o deste navio � salvar vidas.

O principal � mesmo salvar vidas.

E trabalhar de forma segura,

no que respeita � nossa equipa, e � da plataforma.

J� ouvi quem dissesse que � chato.

Eu acho que � tempo demais longe de casa.

Ao fim de um m�s, come�a a fartar.

S� � chato, se se quiser.

A maioria da tripula��o dos barcos de socorro

passou a vida quase toda no mar,

j� as plataformas s�o outro of�cio. � um tipo de vida super diferente!

Aten��o! Aten��o! H� um homem no mar, a bombordo.

Informamos que h� um homem no mar...

Homem no mar, a este.

Sou o capit�o da barca

e sou respons�vel pela seguran�a dos homens,

bem como pela estabilidade da plataforma.

O barco de socorro interv�m se algu�m cair ao mar.

O objectivo � salvar a pessoa o mais r�pido poss�vel.

Porque neste ambiente, de Inverno, um homem sem roupa especial

n�o sobrevive na �gua mais do que um minuto, dois no m�ximo.

No Mar do Norte nunca se sabe. O tempo pode mudar em duas horas.

Temos as quatro esta��es num dia!

Temos que estar sempre preparados.

Da� as plataformas terem estes exerc�cios

para testar a resposta

da equipa de salvamento e ver a sua rapidez.

Nunca pass�mos os 3 minutos.

Acho que se vive bem no barco de socorro.

S�o todos marinheiros profissionais.

Para eles, o mau tempo n�o faz diferen�a.

Nunca ficam enjoados, isso n�o � problema.

� verdade que trabalham 30 dias e descansam outros 30.

Acho que � melhor do que na plataforma. Primeiro, � menos perigoso.

E segundo, n�o � preciso trabalhar.

Muitas vezes, � muito dif�cil.

E, por isso, muitos casamentos acabam. O meu n�o acabou.

E ando no mar desde que deixei a escola, em 1955.

Acho que depende da pessoa.

E da companheira.

Mas n�o v�s os filhos a crescer, isso � verdade.

O meu casamento foi � vida por causa deste trabalho.

Estava sempre nas plataformas. Era respons�vel por 4.

Ia de uma para outra, fosse Natal ou Ano Novo. Andava sempre offshore.

Isso n�o ajudava nada o meu casamento, da� ter acabado.

Ao fim de 18 anos.

Costum�vamos viajar juntos pelo mundo inteiro.

Tivemos 3 filhos, que andaram em 6 ou 7 escolas diferentes.

E ela um dia cansou-se desta vida de n�mada.

Ela queria assentar. Tentei nos Estados Unidos,

mas n�o consegui.

Ent�o voltei para este trabalho e, pouco tempo depois, separ�mo-nos.

Por isso, diria que esta vida n�o conv�m a quem � casado.

Tudo o que se v� aqui, em termos de seguran�a,

barcos salva-vidas, foguetes,

coletes salva-vidas, � tudo como num navio.

Estamos fora de �gua, mas podemos flutuar como um navio.

Mas, agora, como estamos fora de �gua,

n�o estamos dependentes do tempo.

Mesmo com ventos muito fortes, a plataforma mant�m-se sobre 3 pernas.

Aguenta ventos at� 190 km/h.

� essa a vantagem das plataformas auto-elevat�rias.

Uma vez por semana, fazemos uma sess�o de treino,

para que os homens percebam o perigo em que vivem e estejam preparados

para, a qualquer momento, correrem para o seu posto de evacua��o.

� esse o �ltimo recurso, caso algo aconte�a.

J� fa�o isto h� anos demais.

J� vi cozinhas a arder e eu estive l�, a tentar combater o fogo.

Mas n�o posso prov�-lo, teria que p�r fogo � cozinha.

Mas vi muitos inc�ndios nos meus 25 anos de carreira

nas plataformas. J� combati muitos inc�ndios.

Aqui � como se f�ssemos todos velhos amigos.

N�o importa se se � capit�o, ou homem de �rea.

N�o � como dantes, com os uniformes e uma hierarquia a respeitar.

"N�o podes entrar na minha cabine, tens de bater � porta."

Costumava ser assim em todas as plataformas.

Mas isso acabou.

Um dia, no Golfo P�rsico,

estava a mover uma plataforma com 8 pernas e 5 partiram-se e ca�ram.

Em plena tempestade, numa plataforma com 8 pernas,

5 partiram-se, acima da barca, n�o abaixo.

Tivemos que abandonar a barca, mas j� n�o havia barco salva-vidas.

O mec�nico tinha fugido sozinho no barco salva-vidas.

Isto passou-se mesmo!

Acho que me vou reformar daqui a 2 anos. J� chega.

Tenho algumas poupan�as.

O pouco dinheiro que a minha mulher me deixou, o resto ela levou...

Por isso, vou-me reformar.

� essa a hist�ria. A velha hist�ria de quem trabalha no petr�leo.

A taxa de div�rcios � grande no petr�leo, como sabe.

Diria que anda nos 90%.

Quando me casei, a minha mulher sabia que a minha vida era esta.

E at� ver continuamos casados.

- Faz parte dos 10%? - Por enquanto.

Com os instrumentos certos, pode determinar-se, por exemplo,

se se deve perfurar r�pida ou lentamente.

Temos instrumentos para as bombas.

N�o podemos ver o que se passa l� em baixo, mas lemos os instrumentos.

E, assim, j� podemos saber o que se passa nos po�os.

Se v�ssemos o que se passa l� em baixo, isso facilitava-nos o trabalho.

A coisa principal � eles abrirem um buraco.

E, para isso, precisam de energia.

N�s garantimos que um fluxo cont�nuo de energia sobe para a plataforma.

E, assim, fica tudo satisfeito.

Produzimos a nossa pr�pria �gua. Quando est�o a furar muito intensamente,

fazemos �gua doce que chegue para toda a plataforma.

Depende do trabalho que fa�am. A energia de que precisam

determina o n�mero de m�quinas que usamos para produzir a electricidade

necess�ria para que o seu equipamento funcione.

Desde a recess�o,

recebe-se aqui tanto como em terra.

Mas, como digo, n�s gostamos das nossas folgas,

por isso, vale a pena vir para as plataformas.

Os tempos �ureos j� passaram e acho que n�o v�o voltar.

Fazemos aqui muitos amigos, somos como uma fam�lia.

Tem de ser mesmo assim. Vivemos todos juntos

num quarto pequeno. E trabalhamos num espa�o limitado.

Acaba por afectar a nossa personalidade.

Se nos zangamos com algu�m, temos de o ver todos os dias.

E durante muito tempo! Por isso, todos se parecem dar bem.

Quando me divorciei, era marceneiro.

Trabalhava muitas horas. Tinha-me casado h� 18 meses.

Ela queria ter muitas coisas e eu trabalhava para conseguir dinheiro.

Depois do div�rcio, percebi que queria tempo, e n�o dinheiro.

Procurei, e escolhi este trabalho, porque me d� muito tempo livre.

Longe de casa

Perdida no mar

Algures no horizonte

E em mais lado nenhum

Como uma b�ia, como um barco ancorado

Como uma garrafa lan�ada ao mar

Ergue-se tranquila

A minha linda ilha negra

Sob as palmeiras de a�o

Batido pelo sopro salgado do vento

Embalado pelo ritmo das m�quinas

B�lsamo para a melancolia

Impregnado do perfume do ouro negro

N�o penso em nada

Na minha linda ilha negra

N�o se trabalha s� com as pessoas, tamb�m tem que se viver com elas.

Podem n�o partilhar uma cabine, mas vives com elas � mesma.

Por isso, � melhor n�o fazeres inimigos.

Podes n�o fazer amigos, mas tens de ser simp�tico.

Isto n�o � lugar para ter inimigos.

� isso que � bom na vida offshore.

Os amigos que aqui fazes, d�o tudo por ti.

Estamos constantemente rodeados de barulho.

Sabemos sempre que estamos a dois passos do trabalho.

N�o se pode fugir.

Era �ptimo se depois de um dia de trabalho,

pud�ssemos ir a terra beber uns copos e voltar.

A vida social � muito limitada.

Uma pessoa tem de se acostumar, n�o � para toda a gente.

J� fa�o este trabalho h� 20 anos

e s� agora fui promovido a encarregado da sonda.

Por isso, n�o se pode dizer que espere subir mais na carreira.

O trabalho tem vindo a tornar-se mais t�cnico.

� trabalho para homens mais novos.

As coisas j� n�o s�o t�o f�ceis como eram.

Dantes, s� era preciso ser-se capaz de trabalho f�sico pesado.

Agora exige-se mais do que dar no duro.

Para alguns isso n�o � problema. Para mim sempre foi.

Conto os dias.

Venho por 21 dias. Sei que no dia seguinte j� s� faltam 20.

Talvez isso at� fa�a o tempo passar mais devagar.

Mas, nos dias de hoje, isto � um bom trabalho, e recebe-se bem.

� dif�cil deixar isto, se n�o se tem mais nada.

Sinto profundamente o sil�ncio, quando saio do helic�ptero.

� uma sensa��o maravilhosa. Nem notamos o barulho na plataforma.

� sempre nisso que reparo primeiro. Sai-se do helic�ptero, o motor p�ra,

e parece tudo t�o silencioso e tranquilo.

Longe de casa

Perdida no mar

Algures no horizonte

E em mais lado nenhum

Como uma b�ia, como um barco ancorado

Como uma garrafa lan�ada ao mar

Ergue-se tranquila

A minha linda ilha negra

Sob as palmeiras de a�o

Batido pelo sopro salgado do vento

Embalado pelo ritmo das m�quinas

B�lsamo para a melancolia

Impregnado do perfume do ouro negro

N�o pensa em nada

Na sua linda ilha negra

Ol�, gaivota

Que voa sobre a plataforma

Trazendo not�cias sobre este pa�s

Diz-lhe que n�o consegui dormir

Deitei as crian�as

E conto-lhes hist�rias da linda ilha negra

Longe de casa

Perdida no mar

Algures no horizonte

E em mais lado nenhum

Como uma b�ia, como um barco ancorado

Como uma garrafa lan�ada ao mar

Ergue-se tranquila

A sua linda ilha negra

Longe de casa

Perdida no mar

Algures no horizonte

E em mais lado nenhum

Como uma b�ia, como um barco ancorado

Como uma garrafa lan�ada ao mar

Ergue-se tranquila

A sua linda ilha negra

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