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ANTERIORMENTE
- Parabéns, pai. - Obrigado, filho.
- Porque estás aqui? - Sakrat Tatarnikow.
- Ele levou uma criança. - Eu não sabia.
O Tatar foi condenado na Bielorrússia.
Sakrat Tatarnikow, o amante da Angelika Szlezyngier.
Um homem que foge a tudo.
Sou a única que acha suspeito que ele e a Nikola tenham desaparecido?
Este homem não queria a sua filha.
Mas matou-a.
Acho que ele sabe algo que prova a inocência do Dawid.
O Aronowicz tinha um acordo?
Pode dizer-nos porque se está a encontrar com o sócio do Sakrat?
- Não sei do que... - Falo do Wito!
Têm encontros.
- Diga-nos porquê. - E quem matou o Ekiel?
Acham que não fui eu?
Ele arrancou-a das minhas mãos e ela caiu.
E depois levou-a.
Eu disse: "Meu Deus, Sakrat,
ele matou-a."
Eu confesso.
Eu matei a minha filha.
Têm um mandado?
Não perdeste o caso.
Ele foi condenado a seu pedido explícito.
- Ele tramou-te, acontece. - Isso só me irrita ainda mais.
- Kormak. - Aqui tens.
Uma prenda.
Até à vista.
Ele encontrou-as na nuvem da Angelika.
Foram tiradas há dois dias.
BASEADA NOS LIVROS DE REMIGIUSZ MRÓZ
SÉTIMO EPISÓDIO
Queria arrancar-lhe os tomates, mas já os arrancaram.
O que lhe fizeram?
Vai passar três anos a ser violado por algo que não fez?
Quero que continue a representar-me.
- Claro, desde que... - Continue a pagar, eu sei.
Garanto-vos que pago.
Não, desde que me diga a verdade.
Foi homicídio involuntário.
Posso tentar convencer o tribunal a mudar o veredito.
A esperança é a última a morrer.
E com bons advogados, nunca morre.
Se ainda são meus advogados,
ainda estão vinculados pelo sigilo profissional, certo?
Claro que sim.
O que significa que o que estou prestes a dizer...
... tem de ficar entre nós, certo?
Tem de ficar tudo entre nós.
E ninguém pode mudar isso.
- Mesmo após 15 anos... - Não há período de prescrição.
E não há maneira de obterem esta informação de vocês...
Fale!
Preciso que me façam algo nos próximos três anos.
O quê?
O Sakrat levou a Nikola. Para pedir um resgate.
Ela está viva?
Sim. E eu quero que continuem a pagar-lhe.
Houve uma discussão entre mim e a Angelika nessa noite.
Gritámos um com o outro e tivemos uma grande discussão.
Eu tive de me acalmar.
Fui-me embora.
Terá sido aí que a Angelika a escondeu.
Quando voltei, liguei o alarme.
Bebi demais e fui dormir para o sofá.
Acordei de madrugada e fui ao quarto da Nikola.
Ela tinha desaparecido.
Procurámo-la por todo o lado.
A Angelika disse-me para desligar o alarme.
Deve ter sido aí que entregou a Nikola ao Sakrat.
Não sei para onde a levaram.
Não sei mesmo.
Nikola!
Nikola!
Nikola!
Nikola!
Ligou para a caixa de correio. Deixe mensagem após o sinal.
Meu Deus, Sakrat, ele matou-a.
Nikola!
Ela é sua, Dawid, não é do Sakrat. O teste de ADN...
Eu sempre soube que ela era minha.
O que aconteceu?
Descobri quem a raptou pelos papagaios da Angela.
Ela estava convencida de que o Sakrat a amava incondicionalmente,
como ela o amava.
Infelizmente para ela, estava enganada.
Ele deixou-a.
Quando se apercebeu, já era tarde e...
Ela contou-me tudo.
Ela confessou tudo. Ele estava a chantageá-la.
Fê-la perjurar.
Ele não teria feito isto sozinha.
Certo, mas não foi a Angelika.
Então, quem foi?
Wito, o seu antigo empregador.
É impossível, quer dizer...
Era o plano dele.
Graças a ele, eles iam ficar ricos.
Sem mais contrabando, sem mais riscos. Sem trabalho nenhum.
Pediram cinco milhões de euros, mas eu não podia pagar tudo de uma vez,
porque os bancos são obrigados a registar
as transações acima de 15 mil euros.
Ele recebeu a primeira parte pela busca pela Nikola.
Sabia de tudo na altura e não disse nada?
Eu faria qualquer coisa.
- Pagou em tranches? - Criei contas
e transferi dinheiro entre bancos.
Alterava tudo. Se alguém decidisse seguir o dinheiro,
teria um problema dos diabos para descobrir a origem.
Eu dava-lhe dinheiro ou o acesso às contas
em troca de garantias da segurança da Nikola.
A Angelika deve tomar conta dela até à última tranche.
Depois voltam as duas.
É tão ingénuo.
É a única maneira de a manter segura.
Será?
E o facto de ela estar a divertir-se com o amante?
Sabia disso?
Esta é uma foto que a Angelika tirou há uns dias.
Ela não sabia que seria carregada para a nuvem.
Eu sei que a Angelika me traiu, mas...
O Sakrat também a enganou.
Ela garantiu-me que o odiava.
Descobre como sacar-lhe mais dinheiro.
Vá lá. Já temos o suficiente.
Podemos ir para onde quiseres.
Ele ainda tem algum.
Para.
Dawid, está a ouvir-me?
Ela fugiu com o amante, a sua filha e o seu dinheiro, e está a encobri-la?
Não, ele obrigou-a.
- Está bem. Onde está a Nikola? - Não sei.
- Vamos falar com a acusação. - Não, Chyłka!
Confia nos polícias? Na justiça?
- Não seja ridícula! - Vai ficar preso!
O que é que espera exatamente?
Não tenho outra escolha. É a única maneira de a manter a salvo.
Se sobreviver, a miúda vai gastar uma fortuna em terapia
e você vai apodrecer na prisão.
- Eu corro esse risco. - Destruirá a vida dela.
Ela vai odiá-lo.
Já acabámos!
- O que foi aquilo? - O quê?
Vais denunciar-me ao Żelazny e ao McVay?
- Os teus problemas pessoais... - São pessoais, entendido?
Tens um cigarro?
Acabou.
Teria acabado se estivéssemos de mãos atadas, mas não estamos.
- Duvido, legalmente. E eticamente... - Estou-me a cagar para a ética.
O nosso trabalho não é fazer justiça, mas defender os clientes.
Aqueles filhos da puta merecem justiça!
- O que queres fazer? - Trata da papelada.
Eu informo o Ministério Público.
Eles vão presos, a miúda volta para o pai e a Angelika perde a guarda.
- É isso que tenciono fazer! - Eles podem magoar a rapariga.
Não se não souberem o que estamos a planear.
E o Dawid?
Vão enrabá-lo e depois será libertado.
Foda-se...
- Isto vai contra tudo que me ensinaste! - Vai-te lixar!
Devemos ignorar tudo e deixar a criança ficar com um criminoso
ou esperar que a mãe se interesse?
- Não, mas... - Somos legalmente obrigados
a atuar no interesse do cliente.
Se eu puder fazê-lo, faço-o!
Trata-se do seu interesse legal, e não de um interesse qualquer!
Não podemos.
Não?
Vê e aprende.
Não podes decidir pelo cliente!
Posso, se houver terrorismo ou lavagem de dinheiro.
Se fosse outra coisa, defenderias o sigilo profissional.
Compreendo que queiras salvar a criança, mas pode arruinar a tua carreira!
- Não há lavagem de dinheiro. - Como assim?
Ele não fez nada de ilegal! Para além de não ter declarado um donativo.
É uma atividade contrária às regras de convivência social.
Ele não lavou dinheiro
e não está a planear um atentado!
Só tens as palavras do teu cliente,
que está em apuros e pode não estar a pensar com clareza.
Sai daqui.
Estás disposta a arriscar tudo o que conseguiste?
Se denunciares isto, eu demito-me.
Não trabalharei com quem não segue as regras mais importantes da profissão.
A sério?
És tão idealista.
Vais ignorar todo o dinheiro que vês no teu horizonte?
NOTIFICAÇÃO DE SUSPEITA DE INFRAÇÃO
Estás atrasada.
Processa-me.
Que tal isto?
Estás com péssimo aspeto.
Poupa-me os elogios e vamos a isso.
Que tal liberdade condicional?
Expulsão ou, na melhor das hipóteses, processo disciplinar?
Acho que não vou beber.
Não sei se fizeste merda
ou se querias ficar com o dinheiro do Szlezyngier.
Que provas tens dessas alegações?
Calma, Ziggy.
A criança está viva.
Verifica as finanças do Dawid e manda alguém atrás da Angelika.
Perjúrio, falso testemunho. E se te esforçares,
talvez atividade criminosa organizada.
Podes ser promovido.
Espera.
Quebraste o sigilo profissional?
Claro que não. Pode haver branqueamento de capitais.
Isso liberta-me do sigilo.
O que ganhas com isso?
- Polícia! - Larguem as armas!
Para, Wito.
O Harry prometeu que não haveria problemas.
Acordo mútuo.
O melhor que consegui.
Nenhum cliente contratará um advogado que quebra o sigilo, Chyłka.
Ao menos despediste-te?
Não terminámos da melhor maneira. Duvido que ela queira falar comigo.
Dizes tretas como um advogado. Que pena.
Bravo!
A Dra. Joanna Chyłka acaba de deixar a nossa firma.
E todos,
todos os que não respeitarem o sigilo,
podem ir com ela.
Ou mudar de profissão.
Deixa-me acompanhar-te.
Não é preciso. Volta a estudar.
Porque não atendes?
Estou muito ocupada.
A beber ou a trabalhar?
O que queres dizer com isso?
Liguei para a firma.
E vieste regozijar-te com o meu fracasso?
Porque o fizeste?
Tive de o fazer.
O que fazes aqui, Magda?
Ele ligou-me para me dizer que era mau.
Claramente.
Queres dizer que o nosso pai
ficou subitamente interessado em mim?
Chamaste-lhe "pai", estou sensibilizada.
És tão parecida com ele.
Estás a falar a sério?
Até nisso.
Ouve, beber não é nada comparado com o que ele era.
- Até quando vais continuar? - E tu?
Até quando vais dizer que ele é um ótimo avô para a tua filha?
Não sabes como ele estava quando vocês se foram.
- Então diz-me, por favor. - Não sabes nada!
Não sabes nada...
- Eu tinha de salvar esta criança. - Diz-me...
Tu não entendes! É melhor ires embora.
Magda, não me ouviste? Sai daqui!
Vou fazer-te um café. Quanto é que bebeste?
Açúcar. Tomas com açúcar.
Quanto? Seis colheres?
Olá, pai. Sim, estou aqui.
Não por telefone. Eu vou aí e conto-te tudo.
Adeus.
Onde está o café...
Devia tê-lo despedido com a Chyłka. Nem sei o nome dele!
- Não, o rapaz ainda pode ser útil... - Ele humilhou-nos!
- Vou levá-lo para Cracóvia. - Porquê, Harry?
Se decidirmos ficar com ele, mesmo depois de tudo isto...
Porque não nos contaste?
A tua lealdade deve ser para connosco e para com a firma.
Nenhum cliente contratará uma firma cujos advogados quebram o sigilo.
Queres acabar como a Chyłka?
Eu entendo-a.
E, no entanto, tentei dissuadi-la.
Eu sei qual é o limite.
Nesse caso, temos uma oferta. Senta-te.
Já tens saudades minhas?
Recebi um aumento.
Eu próprio não percebo.
Queres que te felicite?
Pensei que me iam despedir. Fiquei feliz e agora...
... não sei o que fazer.
Queria a tua opinião.
Eu sei lá? Mas sou tua mãe ou quê?
Esperava que talvez...
... pudéssemos abrir uma firma?
Zordon, por favor...
Como me encontraste?
Conheço-te bem.
Sentes-te culpado?
Posso pagar-te o almoço?
Obrigada, mas ainda posso comprar comida.
O que vais fazer?
Todos me perguntam isso.
Não sei.
Talvez seja altura de mudar.
Talvez deva tornar-me...
... advogada.
Por favor.
Procuradora soa-me melhor.
- Boa tarde. - Olá.
Não, obrigado, já escolhemos.
- Ela quer lombo. - Mal passado?
Sim. E batatas fritas grandes com maionese dupla.
E outra cerveja.
E eu quero um hambúrguer pequeno e vinho tinto.
- É para já. - Obrigado.
Estou lixada.
És a Chyłka.
Mas o mais engraçado
é que não me importo.
Mas não te habitues a isso.
Você veio cá, fale.
Porque me ligou?
Sabia que eu não desistiria.
Lembra-se de quando fugiu de casa?
Que idade tinha?
- Catorze? Treze? - Doze.
A quem recorreu?
Você sabe.
Falou-me do seu pai.
Sobre o que ele fez. Ou melhor, o que ele não fez.
Como não protegeu a indefesa Joasia.
Lembra-se?
Ficaria surpreendido com o facto de não me lembrar.
Eu esperava que lutasse até ao fim.
- Que lutasse por mim, não contra mim. - Estou a lutar por mim.
A sério?
Foi por isso que arruinou a sua carreira?
Francamente, Aśka,
eu teria apostado que não o farias.
Surpreendeu-me.
Não acredito que o tenha planeado. É demasiado estúpida para isso.
Diga-me a verdade e talvez tudo não esteja perdido.
Agora que o Sakrat está morto, não quero saber.
O Wito estava por trás de tudo.
Ele sabia que eu e o Sakrat estávamos apaixonados.
E também sabia que o Sakrat seria capaz de me convencer
a envolver a Nikola em tudo isto.
E quanto ao Ekiel?
O Ekiel apenas ajudou o Sakrat a desaparecer com a Nikola.
Mas o Wito decidiu que era melhor livrar-se da testemunha.
Sabe que não foi a primeira vez que o Sakrat matou um homem.
Apaixonou-se por um assassino.
O amor é cego.
E estúpido.
Não mudou nada.
O Dawid adora a Nikola. Ele estava pronto para pagar.
A todos? Sabe que fui arrastada para isto.
Testemunharei o que quiser.
O Dawid pode ser estúpido a ponto de acreditar em si,
mas a mim não me engana.
Lixou-nos aos dois.
E não me chame Aśka.
Quando e como soube da relação da sua mulher com o raptor?
- Vai pedir o divórcio? - Fale connosco...
Quer entrar?
Ambos precisamos de uma bebida.
Devia estar com ela.
Porque o fez?
Ela tem um bom pai.
Não percebo.
Vai ou tenho de o levar?
Obrigado.
Vai ficar bem?
- No chão! Agora! - Mãos no ar!
- Pouse isso! - Mãos no ar!
Mãos no ar!
Aqui.
Temos dois cadáveres.
Só há um problema.
Não há problema nenhum. Eu quero-a.
Piotr, eu arranjo-te o melhor.
Preciso de te lembrar graças a quem esta firma ainda existe?
Como é que isto me faz parecer?
Após o julgamento podes fazer o que quiseres.
Tenho as mãos sujas.
O filho de um proeminente empresário foi detido
por suspeita de duplo homicídio.
Dois corpos decompostos foram encontrados no apartamento.
Piotr L. será levado ao gabinete do procurador ainda hoje,
onde é provável que seja formalmente acusado.
O crime implica uma possível pena de prisão perpétua.
Legendas: José Beltrano plint.com
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