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Zulu
Outro sacana saiu em liberdade.
Faço o que posso, Dr. Kosmowski.
Se ao menos o doutor fosse tão bom no tribunal como é na cama,
ter-se-ia tornado sócio há muito tempo.
O caso é vosso.
Mas o Kosmowski torna-se sócio.
- O que fazes aqui? - Sakrat Tatarnikow.
Ele raptou uma menina.
Que menina? Como assim?
Wito, um contrabandista.
Ele ajudou o Sakrat a desaparecer e não sabe nada sobre a criança.
Comeste um dos principais suspeitos?
Descobri que a minha mulher tinha um caso.
- Com quem? - Sakrat Tatarnikow.
O conhecimento do Dawid do vosso caso
faz dele o principal suspeito.
Achas que somos culpados?
- O Szlezyngier não é inocente. - Eu vi-o.
- Foi o Dawid Szlezyngier? - Estava escuro.
O Antoni Ekiel, que teria ajudado o Tatarnikow,
foi encontrado morto num lago.
A defesa alega que Sakrat Tatarnikow desapareceu,
devido ao desaparecimento da vossa filha.
Acha que isso é possível?
O Sakrat nunca teria magoado a Nikola...
A Nikola é filha dele!
Olá, Adam Kosmowski. Sou advogado da Żelazny e McVay.
- O que quer? - Quero falar.
Estou ocupada.
Preciso da sua ajuda.
Ouça-me.
Quem o enviou?
A Chyłka está mal, o Oryński é inexperiente.
Precisa de começar a pensar em si.
Posso entrar?
O DESAPARECIMENTO
QUINTO EPISÓDIO
E a última é para o avô Czesiek.
- Que confusão. - Sim.
Vou indo.
- Posso dar-te boleia. - Obrigada.
- De volta para o miúdo. - Adeus.
Adeus.
A cabra armou-nos uma cilada.
Para mim.
Eu teria agido de outra forma.
Espero que a condenem pelo acidente.
Ela quase me matou.
São seis meses a oito anos.
Fizeram um acordo com o procurador.
Sentença negociada.
- Liberdade condicional? - Pena suspensa.
Ela safa-se.
Deve ter bons advogados.
Alexandre, o Grande.
O quê?
É o que os Iron Maiden cantam durante oito minutos.
Foda-se.
Sem comentários!
Ele é uma causa perdida.
Mas ela ainda pode ser salva.
Já falas como advogado dela.
Bem...
Porque sou.
Vieste aqui para me dizer que roubaste a cliente?
Roubei-a da firma.
Se achas que isto te dará a sociedade...
Não quero saber disso, já esperei demasiado tempo.
Dois nomes soam melhor do que três.
Kosmowski e Chyłka. O que achas?
Acho que preferia...
... Chyłka e Kosmowski.
Parece-me bem.
Em breve, tipos como o McVay e o Żelazny virão pedir-nos conselhos.
O quê? A firma deles sem nós...
... não é nada.
O que estás a fazer?
Achaste mesmo que eu os deixaria para ti?
- Pensa na liberdade... - Não estás apaixonado, pois não?
És doida.
Vai, a patroa está à espera do cãozinho.
Ela deve ter-te dado com força.
Eu dou-te com força.
O Kosmowski deixou a firma.
- O Żelazny sabe? - Sim.
Acha que a culpa é nossa.
Que eu devia ter-lhe dado o caso depois do teu acidente.
Não devias tê-lo feito.
Como assim?
Era amiga do arguido. Pode afetar o teu julgamento.
Treta.
Tens um plano para a defesa do Szlezyngier?
Tenho.
Vais recuperar até à audiência? O miúdo não vai conseguir.
Defenderei a honra da firma até ao fim.
A minha dela.
- O quê? - Estou a brincar. Adeus.
Uma cerveja.
- Dawid... - Não quero falar.
Só preciso de algumas informações.
Está a brincar? Eu disse-vos a verdade.
Apenas a verdade.
- Não volto a falar nisso. - Preciso de juntar as peças.
Eu também.
Porque mudou a Angelika o testemunho?
Não falei com ela.
Ela podia ter levado a Nikola?
- Não. - Tens a certeza?
Estive com ela a noite toda.
- Já pensaste em fazer um teste de ADN? - Não preciso.
Vais despedir-nos?
Se assim fosse, não falaria contigo.
És muito valioso para mim.
És o único que acredita que eu não...
... magoei a minha filha.
Queres que tenha um ataque cardíaco?
Para o bem da nossa amizade, dou-te outra oportunidade.
Vais pedir-me em casamento?
Vou poupar-te a uma humilhação.
Muito obrigada.
Afinal, vou ter de olhar para ti.
Tenho provas condenatórias contra o teu cliente.
Estás a fazer bluff.
Mal posso esperar pela audiência.
- Vai ser a tua primeira derrota? - Eu disse que te podias sentar?
Vá lá, às vezes gostas.
- Não me faças rir, ou os pontos rebentam. - Vamos negociar?
O teu cliente declara-se culpado e a minha cliente diz que foi um acidente.
De onde vem esta súbita onda de memórias da tua cliente?
Ela tem-me parecido bastante ignorante.
Ela estava com medo.
Foi intimidada e ameaçada por aquele sacana sádico.
O tribunal apercebe-se de como foi difícil para a minha cliente?
Não só perdeu o filho,
como também...
Algo do género.
Um acordo é a tua única opção, Chyłka.
O meu cliente também pode começar a lembrar-se.
Sabes como é o trauma. Acordas a chorar,
lembras-te de como a tua mulher andava a comer um condenado bielorrusso.
Uma mãe em lágrimas é mais convincente que um corno.
A Angie tem muita sorte em ter-te...
E vice-versa.
Se ela recusasse, eu teria contactado o Szlezyngier.
Os coarguidos matam-se uns aos outros.
O teu lacaio está a tomar conta de ti?
Até diria que estavas com ciúmes, se não fosses um cabrão
Vi-o ontem com laranjas.
O que queres?
Chegar a um acordo.
Senão, a Angie começa a gritar no tribunal sobre como o seu marido
ameaçou...
... "matar a merda da bastarda."
Ela não vai mentir.
Não, vai dizer a verdade.
Posso apanhá-la com o artigo 239.º.
Obstrução.
Apanha três meses a cinco anos.
Terá a pena suspensa.
Veremos.
E que termos são esses?
Eu disse-te. Confissão em troca de homicídio involuntário.
Está claro?
Zordon, onde estás?
Vamos já para aí. Cinco minutos.
Porque estás zangada?
Estou?
- Tens a rédea curta, não é? - A Chyłka é uma mulher encantadora.
Verás.
Despejaram toda a merda do mundo em cima de mim, também devo carregá-la?
Vá à cafetaria.
Sim, você. O Oryński paga.
É mesmo encantadora.
O Kosmowski passou por cá.
Vou pedir para não o deixarem entrar.
- Descobri muita coisa. - Que estamos bem mais fodidos?
Vão culpar o Dawid por tudo. Querem uma confissão.
- Estás a pensar nisso? - Cinco anos em vez de 15 ou 25?
- Ou prisão perpétua? - Deves estar a brincar.
- É um diz que disse. - E se tiverem algo?
Porque quereriam um acordo?
Podem ter medo de que ela diga algo se pressionada.
Ou o Szlezyngier é inocente.
Continuas a acreditar nele...
Até te aperceberes de que este é o teu maior erro,
nunca subirás à superliga.
O que faço?
Falo com o Aronowicz. Ele pode ter um acordo com Kosmowski.
Talvez o Cristiano Ronaldo do bar de Varsóvia esteja a esconder algo.
Porque trouxeste o criminoso?
É o preço para saber onde está o Sakrat e eventual transporte para a Polónia.
Acham que eu sou uma rapariga de 16 anos?
Estão a brincar comigo?
- Não emitiremos um MDE. - Porquê?
Só funciona na UE.
Não o posso trazer da Bielorrússia! O acordo era apenas para o localizar.
Então, não pagamos.
Não tentem foder-me.
Eu encontro-o e trago-o. Está bem?
Bem, sim.
A conta, por favor.
Um ano, três em liberdade condicional.
- Cento e cinquenta e cinco. - É razoável.
Deixemos as formalidades.
Assim, quando isto acabar, podes insultar-me à vontade.
O homicídio involuntário pode ir até cinco anos.
Eu sei.
Mais de um ano, não tenho condicional.
- Não vim dar sermões. - Se calhar devias.
Porque pensaste que eu aceitaria homicídio involuntário?
E porque almejaria algo inferior?
Porque não têm provas.
Vou pedir homicídio agravado.
Como?
Secção dois, terceiro ponto.
A motivação merece uma condenação especial.
Doze anos de prisão perpétua.
Isto não faz sentido. Não vai dar em nada.
Vamos descobrir?
Chyłka, o Aronowicz está a ser julgado por homicídio agravado.
Eles têm algo ou é bluff?
Ele parecia confiante.
Se o Wito não encontrar o bielorrusso, estamos fodidos.
Posso multá-lo em 500 zlótis.
E agora em mil.
Localizei o Sakrat.
- Onde? - Na Bielorrússia.
Onde exatamente?
Fazes-me perder o almoço
só para dizer: "Eu sei, mas não vou contar"?
Digo-te se me ajudares.
Continua.
Fala.
Temos de criar alarido nos média.
Até o apanharem.
É a minha condição.
Procuras um bode expiatório.
Há uma caça às bruxas e o teu cliente sai em liberdade.
Ele está inocente.
Isto é bom para ti. Apanhas um criminoso perigoso.
Podia prender-te por obstrução e ocultação de informação importante.
Não oculto nada.
Estou vinculado ao sigilo profissional.
Deixa-te de merdas.
Pensa nisso e diz-me.
Quem é que vai tomar conta dela?
O assistente dela.
Assistente?
Porque não disseste nada quando ela acordou?
Quanto tempo falta para ela te expulsar? Um minuto? Dois?
Quero saber o que se passa com a minha filha!
Não me metas nisto!
- É entre vocês os dois, eu não quero... - Querida, por favor.
Está tudo bem.
Desculpa...
Está tudo bem.
- Wito? - Wito, estou na Bielorrússia.
Alguma coisa sobre o Sakrat?
Ele tentou subornar alguns dos nossos na fronteira.
Em meu nome, prometeu-lhes mais dinheiro.
Eles são barulhentos.
Bom, fui atrás dele.
Procurámos o idiota quase dois dias
pelas aldeias da fronteira.
- E? - E nada!
Nada. Mas sabes o que eu pensei?
Não encontrava rasto porque ele não atravessou a fronteira.
- Eu disse-te. - Ele apenas deu a entender que sim.
Ele sabia que a polícia andaria atrás dele.
- Continua. - Não queria voltar para a Bielorrússia.
Ele foi condenado lá. Está melhor na Polónia.
- Faz sentido. - Temos de o procurar na Polónia.
- Onde? - Como é que eu hei de saber?
Tenta saber! Pago-te para isso.
É o advogado do assassino.
Vejo que já passou a sua sentença.
São todos muito rápidos.
Não lê os jornais?
Retiraram as queixas contra ela.
- Deve ter-lhes dado algo sobre o Dawid. - É obra do Kosmowski.
Foda-se.
Ele transformou a Angela numa testemunha, ganhou dinheiro e desapareceu.
E?
E enviar a polícia para a Bielorrússia também não deu certo.
O Wito diz que o Sakrat não atravessou a fronteira.
Estamos à procura, mas podemos não o apanhar antes da audiência.
O Kosmowski pensa que isto é pessoal.
E está em vantagem. Arranja-me uma cadeira de rodas.
O quê?
Traz a cadeira de rodas. Ainda não consigo andar.
- Nem pensar! - Não foi um pedido!
Tens de ficar mais uma semana a descansar, no mínimo!
E quando é a audiência?
- Em quatro dias. - E vais resolver isto?
Está tudo em jogo!
Eles estão a jogar sujo, eu farei o mesmo.
Mexe-te!
Não!
Bravo, Zordon.
Agarra-te bem.
Espera.
- Vou buscar a cadeira. - Traz-me uma cerveja.
- Não podes beber. - Traz sem álcool.
Não há.
- Vai comprar. - Deves estar a brincar.
Devias estar a tomar conta de mim, certo?
Traz-me os papéis e o portátil.
A cerveja vai dar-te diarreia.
Exatamente. E vou precisar de ajuda.
Vais levar-me à casa de banho, despir-me, dar-me um banho, grande coisa.
Se pudesses ver a tua cara.
Empurra a mesa.
Vai buscar as tuas coisas.
- Para aqui? - Sim, aluguei-a para te manter por perto.
Para o caso de eu morrer.
- Não, isso é demasiado. - Zordon!
Mexe-te.
Disse à testemunha, como pessoa próxima do réu,
sobre o direito de recusar o testemunho.
Tenciona exercer esse direito?
Não.
A testemunha é avisada que induzir em erro o tribunal
é punível com uma pena de prisão de até oito anos.
Estão de acordo em dispensar o juramento?
Não, Meritíssimo, eu gostaria que a testemunha prestasse juramento.
Neste caso, levantem-se todos.
Repitam depois de mim.
"Consciente do significado do meu testemunho...
... e a responsabilidade perante a Lei...
... juro solenemente...
... não dizer nada para além da verdade...
... sem esconder nada...
... do que tenho conhecimento."
Obrigado.
A acusação pode começar.
Pode descrever-nos os acontecimentos dessa noite?
Eu e o meu marido discutimos. Eu contei-lhe sobre o meu caso.
Já sabemos isso. Onde estava a sua filha na altura?
Ela estava no quarto. Mas quando ouviu os gritos,
ela desceu as escadas toda chateada e eu peguei-lhe ao colo.
E o Dawid...
Não se preocupe, leve o tempo que quiser.
O Dawid empurrou-me e ela caiu.
Peguei nela e comecei a chorar, e depois o Dawid levou-a.
- Levou-a para onde? - Não sei.
Só me lembro de estar a chorar.
Não pensou em chamar a polícia ou uma ambulância?
- Estava em choque. - Amigos? Família?
Não pensou em pedir ajuda a ninguém?
Eu pedi...
E?
- E eu liguei... - A quem é que ligou?
Ao Sakrat.
Depois de uma discussão com o seu marido
e depois do alegado crime, ligou ao seu amante.
- De que é que falaram? - Bom...
Não falámos, porque ele não atendeu.
Deixei-lhe uma mensagem de voz.
O que disse?
Disse que o Dawid me tirou o bebé das mãos
e que a Nikola caíra.
- Mais alguma coisa? - Não sei, não me lembro.
Felizmente, temos uma transcrição.
O tempo para a apresentação de moções já passou.
Isto não é uma moção,
é apenas material de apoio para ajudar a testemunha a lembrar-se.
- Posso? - Prossiga.
- Posso aproximar-me? - Por favor.
- Isto é uma piada? - Por favor, respeite o tribunal.
- Isto é inaceitável. - Concordo consigo.
Mas depois de o ler, vou permitir.
Obrigado.
Doutora.
Pode consultar a transcrição e refrescar a sua memória?
Pode ler em voz alta?
Doutor, por favor.
Meritíssimo, vou reformular.
Pode, por favor, relatar a mensagem
que deixou no correio de voz de Sakrat Tatarnikow.
Eu disse...
"Meu Deus, Sakrat...
... ele matou-a.
Ele arrancou-a das minhas mãos
e levou-a.
Liga-me, por favor."
Porquê a suspensão?
Estão a permitir-nos rever o testemunho.
Queres dizer algo?
Não.
Nada mudou.
Não precisamos disto.
É tudo.
Muito obrigado. Alguma pergunta da defesa?
Todos nos lembramos do caso da pequena Madzia de Sosnowiec.
A mãe matara a criança e encobriu tudo.
Os peritos disseram que a criança não podia ter morrido
de uma queda tão curta, lembra-se?
Claro que sim.
Mas era uma criança com poucos meses,
e nessa idade, os ossos não estão totalmente unidos.
Porque é importante?
Um especialista em medicina forense poderia ser mais esclarecedor.
Uma queda de tal distância pode ser letal numa condição.
Nomeadamente no caso de uma fratura do crânio, onde o osso penetra no cérebro.
No caso de um bebé, uma lesão deste género é muito improvável,
uma vez que os ossos ainda são muito moles.
Os bebés também têm mais líquido cefalorraquidiano,
que atua como uma espécie de proteção.
Uma criança de alguns anos, no entanto, tem um crânio completamente desenvolvido
e a morte em consequência de uma queda é muito possível.
Entendido. E os sinais biológicos?
Se uma criança caiu e morreu no local,
deveria ter havido sangue.
Se o sangue foi removido, deveria ter havido
vestígios de produtos químicos.
Verificámos o chão.
Não havia vestígios de tecido ou qualquer outra coisa.
Mas a criança teria de sangrar.
Suspeito que vestígios de sangue teriam sido descobertos
no caso de fraturas no crânio.
Para que o testemunho da Sra. Szlezyngier fosse sustentado,
teria de haver sangue.
O que não foi o caso.
Por favor, não influencie a testemunha.
Claro, vou reformular.
Foram encontrados vestígios de sangue?
Havia vestígios de um agente de limpeza doméstica.
As casas costumam ser limpas.
Doutora, limite-se a fazer perguntas e abstenha-se de fazer comentários.
Havia alguma coisa no local
que pudesse sugerir que foi um assassínio em vez de um rapto?
Não. Mas também não há nada que sugira um rapto.
Também liderou a equipa responsável pela recolha de vestígios mecanoscópicos?
Correto.
Se isto fosse um rapto, teria havido muitos vestígios.
Claro que sim.
Encontrou algum?
Não.
Portanto, não há vestígios de assassínio nem vestígios de rapto.
O que crê que aconteceu?
Nunca me deparei com um caso destes.
Portanto, na realidade, ninguém sabe o que aconteceu naquela noite
e, no entanto, estamos a tentar condenar um homem.
Doutora, ainda não é altura para as declarações finais.
- Alguma outra pergunta? - Não.
A defesa gostaria de chamar o sargento Satanowski a depor.
Ficaria muito agradecido se não interferisse com o tribunal.
O tribunal é que decide a ordem das testemunhas.
Pode dizer-nos se a causa da morte de Antoni Ekiel foi estabelecida?
A causa da morte foi estrangulamento.
Então, ele foi assassinado?
Sim.
E sabemos quem o matou?
Essa investigação ainda está a decorrer.
Pode dizer-nos o que foi estabelecido até à data?
Por exemplo, o dia da morte?
Foi a 25 de setembro.
Nesse dia, o meu cliente estava detido. Ele não o podia ter matado.
Não pessoalmente.
Está a insinuar algo?
Ou há alguma prova que ligue o meu cliente a este assassínio?
Não.
Doutora, qual é a relevância para este caso?
É crucial, meritíssimo.
Antoni Ekiel
viu um homem com uma criança ao colo naquela noite.
Ele era amigo de Sakrat Tatarnikow, o amante da minha ex-cliente.
O Sakrat vivia com ele.
O Ekiel contou-me e acredito que queria dizer a verdade,
mas não conseguiu.
Talvez esta verdade fosse incómoda para alguém.
A sua morte está estritamente ligada com este caso.
Quem matou o Ekiel estará envolvido no desaparecimento da Nikola.
Tudo isto são conjeturas.
Com todo o respeito, são conclusões lógicas,
baseadas nas circunstâncias.
A defesa tem alguma prova?
Eu diria que a polícia deveria ter.
E talvez tivessem se investigassem!
Doutora, considere-se avisada.
O meu cliente tem sido o bode expiatório desde o início!
Doutora, estou a avisá-la mais uma vez.
Dawid.
Tem de me dar alguma coisa, estamos a ir ao fundo!
Como assim?
Ela não queria a criança, queria abortar..
Não sei, a rapariga irritava-a, ela batia-lhe e perdia a paciência.
Não sei... Não há uma ama que possa testemunhar isso?
Está doida?
Não vê o que se passa?
Não vê?
Ela está a culpá-lo, o tribunal está do lado deles.
Eles têm a transcrição, estamos a perder!
Dawid, acorde, senão vai acordar na prisão!
Que tal fazer o seu trabalho?
O que é que ela tem contra si?
A defesa omitiu habilmente o aspeto mais importante deste caso.
A acusação tem provas. Provas fortes.
Ouvimos o testemunho de alguém que estava lá
e que descreveu os acontecimentos.
Não sei o que pensa o arguido,
mas olhando para ele, creio que vejo arrependimento.
Pelos seus atos.
É por isso que proponho rever as acusações
de homicídio agravado para homicídio involuntário
e para o condenar a cinco anos de prisão.
Este homem não queria matar a filha.
Mas ele matou-a.
Chyłka...
O ónus da prova recai em quem acusa.
A acusação é apresentada pelo Ministério Público,
que não é uma parte neste caso.
É Angelika Szlezyngier, a coarguida,
que empurra a culpa para o meu cliente.
O seu testemunho não pode ser considerado credível,
porque o seu único interesse é proteger-se a si própria.
Por esta razão, peço para exonerar o meu cliente de todas as acusações.
- Dá-me um cigarro. - Não podes fumar.
Zordon, dá-me um cigarro!
Foi a isso que chegou.
Sou uma aleijada à espera de perder o primeiro caso.
- Não foi assim tão mau. - Poupa-me.
Observei as pessoas durante as declarações finais.
Ficaram impressionadas.
Aposto na liberdade condicional.
A mensagem teria sido o fim.
Mas como nunca a apresentaram como prova,
não a poderão usar no recurso.
Já há veredito.
Zordon!
Em nome da República da Polónia,
o Tribunal de Suwałki,
Segunda Vara Criminal, presidido por este tribunal,
tendo ouvido o caso de Dawid Szlezyngier,
filho de Grzegorz e de Anna Wiśniewska,
nascido a 15 de dezembro de 1976 em Varsóvia,
acusado de,
no dia 28 de setembro de 2018 em Augustów,
agindo com intenção direta de tirar a vida de Nikola Szlezyngier
e de provocar a sua morte,
cometendo assim um crime resultante do artigo 148.º , alínea 1
do Código Penal,
condeno...
... e considero o arguido, Dawid Szlezyngier,
culpado.
O tribunal observa, no entanto,
que o crime foi cometido de forma involuntária.
Para o efeito, em conformidade com o artigo 155 do Código Penal,
o tribunal condena-o a três anos de prisão efetiva.
Legendas: José Beltrano plint.com
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