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ANTERIORMENTE
- Doutora? - Ousas incomodar-me antes do meio-dia?
É a minha mentora.
Desaparece daqui!
- Tu procuras? - Todos procuram. Eu encontro.
A nossa Dirty Harriet nunca perdeu um caso.
Estás a ganhar velocidade.
Só paro quando o meu título for o mesmo que o teu e o do Harry.
Sou eu, a Angelika.
- Angelika? - Sim. A nossa filha desapareceu.
- Porquê um advogado e não um detetive? - Muitas crianças são raptadas pelos pais.
Pode ficar feio.
Feio significa publicidade.
Deitámo-la, ligámos o alarme e, de manhã, tinha desaparecido.
- O que está a fazer? - Só temos alarme em baixo.
Não foram encontrados vestígios. De escadotes ou rastos de pneus.
- Eu concentro-me na defesa. - Isto não vai resultar.
- Mas eu confio nela! - Não serei atacado pela minha advogada.
Todos te vão atacar.
A criança não está na água.
O verão deste ano foi muito quente. Quanto mais quente, mais rápido aparecem.
Pesquisa um tipo estranho.
Em 1999, Antoni Ekiel foi condenado com base no artigo 207.º do Código.
Apanhou a filha de quatro anos a cortar-lhe os cigarros.
Depois mudou-se para cá para fugir.
- Qual a razão da detenção? - Não obstrua.
- Faz alguma coisa! - Eu liberto-vos!
Levante-se para comer.
Levante-se para comer!
O que se passa com ele?
Coçou uma borbulha.
TRIBUNAL DISTRITAL
EPISÓDIO DOIS
Então?
É a moção para prisão temporária? Não tem muito.
Nem o suspeito nem nós temos acesso aos registos.
- Vou ganhar isto. - Isto é a vida real!
Obstrução à justiça? Chega para prender duas pessoas?
Desde que haja a suspeita de assassínio de uma criança.
Com a Madzia, tinham a mãe, aqui têm um casal.
Como podem acusá-los? Nem sequer há um corpo!
Nem sabemos se está morta.
Na aula de procedimentos circunstanciais, estavas a planear perder a tua virgindade?
Agora é mais cedo do que no seu tempo.
E então?
O que quer?
Sabe o que é o Registo Criminal Nacional?
Sabia que alguém iria pegar nisso.
A Polícia virá, mais cedo ou mais tarde.
Não irão ignorar a proximidade de um agressor de crianças condenado.
Uma criança.
O quê?
Foi só uma criança.
O que estava a fazer ali? Junto ao lago?
A pescar.
Ouça, se não confessar, ainda hoje conto a todos a sua história.
Eu acabo consigo.
Eu vi-o a carregar a criança.
A Nikola?
Na noite em que ela desapareceu.
Quem a carregava?
- Estava escuro. - Quem?
Tudo ajudaria a reduzir a lista de suspeitos.
- Foi o Dawid Szlezyngier? - Não sei, estava escuro.
Mas era um homem.
Disso tenho a certeza.
Ela estava viva?
Estava escuro.
Por hoje, já chega.
Vão chamar-me como testemunha?
A acusação vai dizer que o Ekiel só viu o Dawid a carregar a filha.
Digam o que quiserem. Vamos virar o jogo a nosso favor.
- Como? - O alarme!
Se o Ekiel viu a Nikola quando estava escuro,
o Dawid estava em casa.
Vais redigir uma queixa sobre a ordem de detenção.
- Eu? - Quem mais seria? Eu?
És o meu lacaio. É isso que fazes.
E eu revejo.
Onde é que encontraram?
Quando é que sai a notícia?
Obrigada. Não vou esquecer.
Era a Olga.
Encontraram uma barra com sangue e as impressões do Dawid.
- Onde? - A 15 km da fronteira.
Sai nos noticiários daqui a uma hora.
Quem te bateu?
Pensam que sou um assassino de crianças.
Como está a Angelika?
Está na ala feminina.
Estou a escrever uma queixa para a libertar.
- E eu? - Não contes com isso.
Encontraram uma barra.
Que barra?
Uma com as tuas impressões.
E sangue da Nikola.
É agora que começas a dizer a verdade.
- Não fiz mal à minha filha. - Concentra-te.
Uma barra. De metal.
Porque tem as tuas impressões?
E o sangue dela?
- Não sei... - Foda-se.
Bem...
Eu ia fazer um corrimão e comprei umas barras...
Às vezes, a Nikola brincava no barracão.
E depois?
Ela magoou-se?
Quando?
Tens de nos contar tudo. Houve algum acidente?
Não, não houve nenhum acidente.
- Não... - Então, o que aconteceu, Dawid?
Que merda de história queres? Devo inventar alguma coisa?
Quando me deitei, a Nikola estava no quarto.
A Angelika acordou-me de manhã e ela tinha desaparecido!
Acalma-te ou eles levam-te.
Sra. Angelika!
O que nos pode dizer sobre a descoberta da arma do crime?
Foi um acidente?
Meus senhores, afastem-se.
- Um comentário? - Fale connosco!
Entre, rápido! Arranque!
A Sra. Angelika foi libertada, mas não fez qualquer comentário.
Como te sentes?
Obrigada por me libertares.
- Alguém nos quer prejudicar. - Quem?
Tentam incriminar-nos.
Quem?
Eu disse que o Dawid tinha inimigos.
Preciso de alguns nomes.
Somos ricos. As pessoas têm inveja.
O tribunal vai adorar essa.
Não posso dar nomes. Conhecemos dezenas de pessoas.
De onde veio a barra?
Foi o Dawid que comprou. Ele ia fazer um corrimão.
A sério?
Um gajo da capa da Forbes não paga o serviço a alguém?
Ele acha relaxante.
A Nikola magoou-se numa delas. Ele nem sequer sabia.
Uma criança foi à garagem sozinha?
- Não percebes de crianças. - Vai-te lixar.
Quando é que foi?
Dois dias antes de desaparecer.
Puseste-lhe um penso rápido?
- Estou quase a vomitar. - Não em cima das provas.
Talvez quisessem voltar ao que eram antes.
Desculpa?
Os filhos mudam muito uma relação.
Já chega, Chyłka.
Adoramos a nossa filha. Não nos queríamos livrar dela.
Ela é tudo para ele. Somos uma família normal.
Pode ser difícil imaginar, mas nem todos têm a tua vida marada!
Cala-te!
O Dawid é um pai maravilhoso, mas tu não poderias entender isso.
Encontrei-o!
Ponho num saco com fecho, para proteger?
Resposta errada!
Agora de medicina legal.
Ao pôr ADN em plástico, ele é privado de ar e destruído.
Não me vou esquecer.
Arranja um envelope e põe no carro.
Não bebas tanto.
- Ligaste o alarme? - Liguei.
Confio mais no alarme do meu carro.
- Quando é o julgamento? - Ainda não há acusação.
A investigação continua em curso.
Quanto tempo vai demorar?
Zordon?
Na teoria, podem mantê-lo em prisão preventiva até três meses,
mas a acusação pode prolongar.
O recorde é...
Kowalczyk. Doze anos e meio.
- Devias saber. - Eu sei.
Kowalczyk.
Foi exonerado pelo Tribunal Distrital de Gdańsk
após o outro suspeito ter mudado o testemunho.
Não pode demorar tanto tempo.
O Dawid não vai aguentar.
E a empresa?
Temos de ganhar a vida.
Um argumento clássico de uma mãe perturbada.
Seria mais genuíno se chorasse no teu ombro?
Não sei. Continuaria a não acreditar em ti.
Sempre soubeste chorar na hora certa.
E a criança foi uma forma de amarrar um rico.
Tenho pena de ti, Chyłka.
- Estou? - Dá para falsificar registos de alarme?
É tão fácil como pôr um negócio falso no site de uma loja.
- Um hack deixaria rasto? - Depende de quem invade e investiga.
Um perito em ações penais.
Ou um idiota de merda que julgou que não havia hack
e por isso foi preso.
O que digo à Chyłka?
Diz-lhe que se ninguém entrou pelas portas 21 e 80,
porque mesmo as empresas usam salvaguardas, então...
... se os outros TCP e UDP estiverem bem configurados,
pode haver um rasto.
É preciso verificar a 22, a porta aberta, o SSH.
Senão, pode ter havido força bruta.
Balbus melius balbi verba cognoscit.
- Entendeste? - Quê?
Merda para isto.
Na pior das hipóteses, chamamos um perito diferente.
Eu não trabalho por migalhas. Adeus.
- Eu sei o que a acusação tem. - Lindo!
Ligaram o alarme às 19h. Ninguém o faz a essa hora.
Gostam de se deitar cedo?
Nunca o tinham feito. Era sempre à meia-noite.
Esta foi a única exceção.
O que é que isso prova?
Mataram-na, enterraram-na, voltaram e ligaram o alarme só para ter um álibi.
Pensava que os julgavas inocentes.
Faço de procurador.
Ena, darias um ótimo procurador!
- "Advogado". - Deixa-te de sonhos.
Bem... não lhe ocorreu.
E agora?
Muita vergonha da mentora?
Fiz como ela faz.
Verifiquei o último ano.
Há que mudar o prisma.
É possível mudar registos.
Quem os tramaria? Já falámos sobre isto.
Aonde vais?
Correr.
Quer vir?
Correr é degradante.
- O que se passa? - Podes procurar?
Posso fazer qualquer coisa. Procuramos algo específico?
Sabes que sim.
Alguma coisa?
Espera. Deixa-me converter o ficheiro.
Vê no ecrã.
- Estas são... - Mensagens apagadas.
ANGELIKA: ANDA. SAKRAT: NÃO DÁ.
Bom trabalho, Kormak.
ANGELIKA: QUERO-TE. SAKRAT: O QUE GANHO COM ISSO?
C'um caraças.
Estás contente?
Obrigada, Kormak.
DAWID: ENTÃO? ANGELIKA: FOMOS DAR UM PASSEIO
ANGELIKA: O JARDINEIRO VEIO
Porque é que ela me chamou se me mente desde o início?
Como assim?
O Kormak recuperou mensagens apagadas da nossa mãe do ano.
E o que continham?
Um tipo chamado Sakrat.
Sakrat?
Da Ucrânia? Ou da Bielorrússia?
Não era violento. Era tipo Cinquenta Sombras de Grey.
Ele disse que, mal o Szlezyngier saísse, arrancava-lhe a roupa e fodia-a na mesa.
E a nossa Angela não estava menos entusiasmada.
Então, ela teve um caso.
És demasiado perspicaz para mim.
Devia arrancar-lhe a cabeça.
Talvez não seja fácil desabafar consigo.
Tem um feitio especial.
Obrigadas.
Estás doido? Só por sorte descobri antes da acusação.
Acha que não sabem?
Se soubessem, já teriam usado contra ela.
- Temos de saber mais sobre o Sakrat. - Vamos dormir. Amanhã, vou-me a ela.
Chyłka...
Ouvi-a a falar com a Angelika.
Eu também sou um dos azarados.
- Tudo foi ao ar... - Sem confidências.
- O que está a fazer? - Mexe-te, Zordon.
Quero-te junto ao carro num minuto.
Procuro um tipo chamado Sakrat.
Não conheço.
Viveu por cá? Trabalhou aqui?
Já percebi, ninguém quer ajudar os Szlezyngier ricos,
mas isto é pela criança, está bem?
Raios me partam.
Ainda não se fartaram?
Não querem que nos ponhamos a andar
e vos deixemos em paz?
Pergunte à Sra. Kazimiera.
O Sakrat costumava ficar com ela.
E onde poderei encontrá-la?
Tem uma banca de legumes.
- Bom dia. - Viva.
Onde está o seu inquilino?
Qual inquilino?
Há mais, além do Sakrat?
Sra. Kazimiera, prefere falar com a Polícia?
Não sei de nada.
O Sakrat Tatarnikow foi-se embora.
- Quando? - Não me lembro.
Antes ou depois de a criança desaparecer?
- Qual a ligação? - Nenhuma.
Mera coincidência.
A Polícia também o verá desta forma.
Espere!
Ele foi-se embora assim que as câmaras apareceram.
Teve medo de ser feito bode expiatório.
Fazia alguma coisa?
- Era bielorrusso. - Muitos cá o são.
- Como se conheceram? - Ele veio cá.
De roupas sujas, a pedir pão.
Não dinheiro, mas pão.
É assim que se conhece uma boa pessoa.
O que é que ele fazia? Para viver?
Dava no duro. Renovações, reparações.
Cortava relva.
Para os Szlezyngier?
Já o estão a acusar. Eu disse que é bom rapaz!
Esteve sempre consigo na Polónia?
Comigo e com...
... o Antoni Ekiel.
Tem alguma fotografia dele?
É do meu aniversário.
- Qual é ele? - É este.
Foi a minha neta que tirou.
- Adeus. - Adeus.
Ena, o Tom Hardy de Podlaskie.
- O que fazemos com o Tom? - Não sei.
Tenho de falar com o idiota e ver o que o caso me traz.
- Aonde vamos? - À casa do Ekiel.
Pressionar em relação ao Sakrat.
Se calhar, morreu.
Não parecia assim tão mal.
Se começarmos a perder testemunhas, mais vale restabelecer a pena de morte
para os clientes.
Por onde andaste?
E tu com isso? Fui passear.
Quando não for tua advogada, cago de alto.
Qual é o problema? Preciso de ocupar a cabeça.
Sakrat Tatarnikow!
Não achaste que a tua advogado devia saber, idiota?
Que andaste com um tipo que poderia ser o suspeito principal?
Uma combinação perfeita para um raptor.
Não te embebedes. Ainda não acabei.
Agora fala.
Arruma as minhas coisas. Ninguém faz de mim parva.
Conhecemo-nos aqui.
O Sakrat quase não falava polaco.
Muitas vezes, estou aqui sozinha.
O Dawid está sempre fora. Ele só se dedica ao negócio.
O Sakrat trabalhava no jardim.
Trazia-lhe comida.
Tomávamos uma bebida.
Não planeei nada disto.
Claro, só te embebedaste e acabaram na cama.
Nunca vivenciara algo assim.
E então? Ias deixar o Dawid?
Não.
Porque não?
Pela Nikola.
Sem trabalhar desde a faculdade e sem experiência, ia fazer o quê?
Eu ia perder tudo.
Onde é que ele está?
Não sei.
Regressou?
Não me parece.
- Foi condenado lá. - Por quê?
Por quê?
Por homicídio involuntário.
O teu amante é um criminoso condenado
e não me disseste?
O Sakrat nunca faria mal à minha filha.
Claro.
- Espero que não estejas a fazer merda. - Sempre um encanto.
Transferiram o caso. Vai para o Aronowicz.
- Bonito. - Tens de entalar o gajo!
Perder não é opção!
Perder nunca é uma opção para mim.
Ótimo. Era isso que eu queria ouvir.
Que queria ele?
Dizer que estamos lixados.
O Aronowicz vai avançar.
Zordon, traz-me os de carne.
Tem uma oportunidade para resolver isto fora do tribunal.
Não sou seu amigo.
Desculpe, esqueci-me que vocês ainda seguem as regras comunistas.
Basta-me olhar para si
e para o seu estagiário para perceber como é progressista.
Acertou em cheio, eu e aqui o Zordon
morremos de vontade de ficar sozinhos.
Chega de conversa fiada.
Vai levar um chuto no cu por prender um inocente... doutor.
- O Szlezyngier não parece inocente. - Há alguém que pareça?
Vê-se duas pessoas do sexo oposto e pensamos logo em pessoas a trair.
Há algum objetivo?
Tem os resultados das análises do penso?
Já os deve saber, dado que largou a bomba.
Quando procuram o verdadeiro suspeito?
Quase acredito que está nisto pela menina e não por publicidade ou dinheiro.
- Comece a procurar a criança. - É o que faço.
A toda a hora.
Procura um corpo, não a criança.
Talvez o acuse a si.
Intimidar uma testemunha é crime.
O Antoni Ekiel não desapareceu do nada.
Então, desapareceu.
- E não sabe de nada? - Também não nos agrada.
Também o procuramos e a Polícia também devia.
Pense nisso, Zigi,
porque ainda temos algumas cartas nas nossas mangas.
Bom, doutora, se o objetivo era acelerar a acusação,
considere a reunião um sucesso.
Leu a minha mente, Zigi.
Bingo!
Passará a suspeita para o bielorrusso?
Temos dois condenados envolvidos no caso e um penso a minar as provas da acusação.
O que achas?
- O Dawid sabe da traição? - Vai ficar a saber no tribunal.
Estou à espera de desespero.
Os pierogis?
Queres rever mais uma vez?
Não, está tudo bem.
Szlezyngier? Vais ao tribunal.
Assassinos! Assassinos!
ONDE ESTÁ A NIKOLA?
Olha para ele, confiante.
Parece Jesus.
Estou prestes a crucificá-lo.
- Sabemos algo do juiz? - Pouco.
Segundo o Kormak, estaria melhor com os ingleses.
Porque gosta de perucas?
Declaro aberta a sessão.
Venho acusar Dawid e Angelika Szlezyngier
pelas suas ações a 18 de setembro de 2018, realizadas em conjunto e em conluio
com o intuito de tirar a vida de Nikola, o que resultou na sua morte.
Revele os resultados da análise da barra de metal
encontrada pela Polícia no bosque.
A barra tinha vestígios do sangue da Nikola
e as impressões do pai, Dawid Szlezyngier.
Havia mais vestígios no objeto em questão
que pudessem sinalizar o envolvimento de uma terceira pessoa?
Não.
- Não tenho mais perguntas. - Passo a palavra à doutora.
Quanto tempo esteve o sangue na barra?
Só posso dar uma estimativa.
Qual seria a exatidão dessa estimativa? À hora? Ao dia? À semana?
Entre um dia e alguns dias.
Não pode dar uma estimativa mais exata?
Isso depende do tempo que o sangue ficou na arma do crime.
Se for a arma do crime, o que ainda não ficou definido.
Ou estou enganada?
Já ouviu falar do método de Meez Islam, da Universidade de Teeside?
Infelizmente, não.
Islam desenvolveu um dispositivo de imagem hiperespectral.
Diz-lhe alguma coisa?
Sim, claro.
Pode explicar como funciona?
Este dispositivo contém um filtro de cristais líquidos
e determina a cor do sangue.
E sabemos o tempo que leva o sangue ir de vermelho a castanho,
o que permite avaliar rapidamente a idade.
- Com que rapidez? - Quase no momento.
E quanto tempo demorou a chegar a uma estimativa?
- Alguns dias. - Sabemos como o sangue foi parar à barra?
Não.
Havia vestígios que pudessem sugerir força bruta?
- Não. - E o penso apresentado como prova?
A favor do meu cliente?
Abstenha-se de fazer perguntas fora da área de atuação da testemunha.
Claro, Meritíssimo.
Examinou o sangue do penso?
As amostras eram da mesma pessoa.
E a idade era a mesma?
- Correto. - Obrigada. É tudo.
Eu disse que o crucificava.
Os registos mostram que, no dia do desaparecimento da criança
ligou o sistema de alarme às 19 horas.
Correto.
Os registos sugerem que nunca ligara o alarme tão cedo.
É verdade.
O que aconteceu nesse dia?
O arguido exerce o direito de se recusar a responder?
Não, Meritíssimo.
Então, por favor, dê uma resposta.
Descobri que a minha mulher estava a ter um caso.
- Isto foi combinado? - Não, eu não lhe disse nada.
As minhas desculpas, Meritíssimo, mas isto ainda não tinha sido mencionado.
Não sabia do caso.
O tribunal também não.
Pode elaborar?
Nesse dia, discutimos por um disparate.
Uma coisa levou a outra e a minha mulher confessou que me traía.
Ela disse com quem?
Sim, com o nosso jardineiro bielorrusso.
- Sabe o nome dele? - Sakrat Tatarnikow.
- Quanto tempo durou o caso? - Alguns anos.
Vamos recapitular os acontecimentos dessa noite.
O que aconteceu a seguir?
Gritei com ela, ameacei-a.
Quase lhe bati.
Estava a ser estúpido, porque nesse dia ela foi ter com ele para acabar com tudo.
Ao que parece, ele não gostou,
pelo que tememos que nos pudesse assediar, então...
... por causa disso, decidimos ligar o alarme mais cedo.
E onde estava a menina?
Estava no quarto.
Então, como desapareceu?
Não sei. É o que a Polícia está a tentar descobrir.
Ou estava, antes de se fixar nos pais.
E porquê?
Prefiro não comentar a competência da aplicação da lei.
A vossa filha não pode ter desaparecido de casa
após a ativação do alarme.
Só se tiver saído antes.
Isso é falso.
Qual é a ideia?
Estamos a ser lixados.
- Não tenho mais perguntas. - Obrigado, doutor.
O arguido pode sentar-se.
Legendas: Ana Filipa Vieira plint.com
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