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NOS ANOS 1970, UMA GANGUE DE DELINQUENTES
SAIU DOS SUBÚRBIOS PARA CONQUISTAR ROMA.
PARA SEGUIR SEU SONHO INGÊNUO E TERRÍVEL,
ELES REMOVERAM TODOS OS OBSTÁCULOS.
FORMARAM ALIANÇAS PERIGOSAS E SE SENTIRAM IMORTAIS.
Pessoal, tem um bloqueio policial!
- Pare! - Freie!
- Segurem-se! - Freie!
- Tem um carro a frente! - Acelere!
- Consegui! - Acelere!
- Não consigo! - Vá para o esconderijo!
Isso, para Castelfusano! Acelere!
Me ajudem, pessoal.
Ai, meu estômago. Devagar...
Dói aqui.
Acham que ele está morto?
- O que foi? - Será que ele morreu?
- Andrea, o que você tem? - Eu vejo e não vejo vocês.
A polícia está vindo?
Relaxe, ninguém sabe sobre este lugar.
Sabia que o Babão foi pego pela polícia?
Um nome de merda atrai uma vida de merda.
É por isso que devemos escolher nossos próprios nomes.
- Eu gosto de Grana. - Grana?
Por causa do dinheiro que é meu maior desejo.
Me chamem de Ursula Andress,
seus peitos são meu maior desejo!
Você já não te chamam de Dândi?
Sim, serei como Fred Astaire, tomarei café de smoking.
- Se diz Dândi, não é? - Como diabos vou saber?
Quero ser chamado de Libanês como essa droga,
quero ficar chapado o dia todo e não ver a merda ao meu redor.
- Como você quer ser chamado? - Frio.
- Por quê? - É da minha conta.
- Isso nem é nome. - E Dândi é?
A polícia! Fujam! Vamos nos separar!
Esperem por mim!
- E o Andrea? - Fuja ou vão nos pegar!
Frio!
Libanês!
Estou morrendo...
- Socorro, Libanês! - Estou indo.
Minha perna!
Estou morrendo.
Dândi! Dândi!
Dândi!
LIGAÇÕES PERIGOSAS
- Como foi lá dentro? - Pareceu uma eternidade.
- Você deixou a barba crescer. - Está ruim?
Não, está bom.
Estou planejando algo grande
um sequestro.
- Sequestro? Você ficou maluco? - Não, eu acordei, Frio.
- Quem você vai sequestrar? - O Barão Rosellini. Ele é rico.
Sei tudo sobre ele, meu pai trabalhou para ele.
- Eu e você? - Não. Eu, você, Dândi...
Ciro Buffoni... O resto é da rua:
Búfalo, Ricota, Pele e Osso e Ciclope.
- Ciclope! - São oito pessoas.
- Ciclope! - Calado, vai acordar minha mãe!
O Negro também.
Ele não é da rua, mas... é um de nós.
- E as armas? - Duas metralhadoras,
oito revólveres e uma espingarda.
Eu as escondi no porão do ministério.
Dou dois gramas de cocaína por semana ao segurança,
- mas elas estão seguras lá. - Quanto vai pedir de resgate?
- Cinco bilhões de liras. - Ele tem tudo isso?
- Ele tem até dez! - Então vamos pedir dez.
- Frio! Está tomando um ar? - Como vai?
- Está tudo bem. - Tchau.
Você saiu?
Boa noite.
- Como vai? - Mal agora que te vi!
- Como vai, Gigio? - Esqueça seu irmão.
- Pai, por favor... - Nada de "por favor!"
Fique longe desta casa, ouviu?
Por favor!
- Senti sua falta. - Venha aqui.
- Gigio! - Como você está?
- Bem. - Vamos logo!
Vou voltar para Roma para trabalhar.
- Me dá uma carona? - Sim, assim deixo que me vejam.
- Até logo. - O que faremos?
Vamos esperar.
- E então? Está feliz? - Ainda não consigo acreditar.
- Boa noite. Nicola Scialoja. - Comissário Colussi.
- O que aconteceu? - Sete pessoas mascaradas.
Eles querem resgate. Pediram 10 bilhões.
Cretinos!
Quem está aí?
- Não gosta do escuro? - Quem é você?
Eu conheço você?
Por favor!
- Eu não tenho dinheiro. - Cale a boca!
- Não tenho muito. - Cale a boca, Barão!
Em um mês passou da primeira página
às notícias locais.
Colussi, igual ao resgate dos sequestradores.
Primeiro pediram 10 bilhões, depois 9, 6, e finalmente 3.
Por que "finalmente"?
A família concordou em pagar.
Só consegui marcar as notas.
Eles vão pagar 3 bilhões? Quando?
Daqui a alguns dias.
Mas pediram uma foto provando que ele ainda está vivo.
Isso é bom porque esse sequestro me parece estranho.
O que quer dizer com isso?
Senhor, esses caras são lobos solitários,
não uma gangue.
- Levante! - O quê? O que vocês querem?
- O que vão fazer? - Levante e cale a boca!
Vamos tirar uma foto legal.
- Não quero! - Segure o jornal.
Preciso escrever para minha filha...
O que você fez, porra?
Está com medo, Dândi? Vocês estão com medo?
- Como conseguiremos a grana? - Tire uma foto dele.
- Ele está morto. - Deite-o e vai parecer vivo.
- Vamos tirar a foto. - Me dê o jornal.
- Deite ele no chão. - Faça parecer que ele está de pé.
- Como vou tirar a foto? - Fique em cima dele.
- Não consigo. - Fique tranquilo! Relaxa!
Levante a cabeça dele, senão parece que está no chão.
Coloque a mão dele no jornal. Abaixe para cobrir o sangue.
Dois, quatro, seis, oito, dez, doze...
Aqui tem 700 milhões. Todos concordamos, certo?
Setecentos para o Libanês que planejou tudo. Segura.
Quinhentos para o Frio, quinhentos para mim.
- Sobra... - 1,3 bilhão.
Vocês sabem contar, seus cretinos.
1,3 bilhão para dividir.
Duzentos milhões para cada um. E sobram cem milhões.
Vamos gastar com jogos, putas e cocaína!
Eu estava pensando...
Todos nós temos nossos vícios.
Dândi, você vai comprar roupas novas.
Pode apostar. E preciso consertar minha moto.
Ciclope e Ricota gastarão com mulheres e cocaína.
- E você? - Abrirei um bar com meu irmão.
- Comprarei um Rolex. - Vou comprar uma bazuca.
Para que uma bazuca?
Daqui a alguns meses a moto vai enferrujar,
a bazuca vai entupir, as xoxotas ficarão secas
e voltaremos à estaca zero.
- E então? - Tenho uma proposta.
- Qual? - Vamos dividir igualmente.
Cinquenta milhões para cada e guardaremos o resto.
Em vez de um pouco cada, teremos muito juntos.
- É um ótimo começo. - Que merda! Quero minha grana!
- Quero meu dinheiro! - Relaxa, Pele e Osso!
- Agora sente-se. - Que merda ele está dizendo?
Ele está falando gentilmente.
Escute primeiro e depois decida.
Diga-me, Libanês. Para que serve essa grana?
Para conseguir o que todos queremos.
- O que queremos? - Tomar Roma.
- Como faremos isso? - Roma é enorme.
E nós somos pequenos?
Vamos controlá-la com drogas, com prostitutas, jogos...
- Os jogos são do Scafa. - Até ontem.
- Amanhã não serão mais. - As drogas são do Terrível.
Olhem só para vocês.
Vamos destrui-los, acabaremos com eles.
Você está louco? Esqueceu quem é o Terrível?
- Um velho. - Ele tem 40 anos, no máximo.
Ele é coisa do passado, agora é a nossa vez.
Os caras fazem fila para se juntar a nós.
- Como quem? - O Rato.
Ele trabalhava para o Terrível e se juntará a nós.
Assim todos ficarão contra nós.
Todos quem? Quem governa Roma?
Se todos governam, ninguém governa.
Gosto disso, nós contra todos.
- Estou dentro. - Eu também.
Eu não dou a mínima para Roma.
Tire a mão.
Você está falando de uma gangue, um coletivo...
- Eu não gosto de coletivos. - Mas gosta das ruas, não é?
O Negro pode fazer o que quiser. Esse era o acordo.
Vamos ver se entendi.
Compraremos 2,5 bilhões de drogas e venderemos.
- Sabe o que acontecerá? - Haverá uma guerra.
Mas não vai durar,
porque vamos lutar contra eles, não vice-versa.
Negro, pode nos dar um segundo?
A partir de agora, tomaremos as decisões juntos.
Ninguém age por conta própria.
Somos parceiros agora.
Saia.
- Venha aqui, idiota! - Vá se foder!
- Gemito, qual é o problema? - Ele não fala.
Acho que ele não sabe de nada.
Não sei de nada, cheguei do Marrocos.
Não sabemos merda nenhuma!
- Filomena! - Quem é ela?
- Minha garota. - Essa vadia?
Você estava no Marrocos?
Que pena, eu tinha droga tailandesa
para você experimentar. Droga cinco estrelas, Rato.
Caralho, como senti sua falta!
Em Roma, não há provador como você.
Gemito, mandei bater nele, mas você exagerou.
Dizem que você está trabalhando para a concorrência.
Eu entenderia se fosse para um chefe de verdade
como o Cencio, o Napolitano,
Bernardino, até mesmo o Francês!
Mas você está com os quatro idiotas
que sequestraram Rosellini?
Não é verdade. Não sei quem o sequestrou!
Não estou entendendo nada.
Não tente nos enganar! Diga onde estão os filhos da puta!
- Eu não sei! - Eles desapareceram do nada?
- Não sei! - Estou farto dele!
O Napolitano é nervoso. Não acho que posso acalmá-lo.
Comece a falar, Rato. Desembucha.
- Eu não sei de nada! - Quero confiar em você dessa vez.
- Posso confiar? - Pode.
Então vou confiar.
Filomena! Ele é todo seu.
Se encontrar os quatro idiotas
avise para se curvarem ou estarão fodidos.
Bom menino, bom menino!
- Vou ver o que está havendo. - Tome cuidado.
- Tchau. - Obrigado.
O que o Ciro disse?
Todos estão no Full 80, Cencio, Bernardino Scafa,
o Terrível e o Napolitano, só falta o Gemito.
Gemito é o cãozinho do Terrível, não desgruda dele.
Não desgrudava. Agora eu o comprei.
Ele estão perdidos, não sabem onde estamos
nem o que faremos com a grana.
Isso mudou o sistema deles.
Óbvio. Eles esqueceram de onde vieram.
- Viraram animais de estimação. - Mas nós somos bestas ferozes.
Eles descobrirão isso esta noite.
O que pode acontecer de pior?
O que você acha?
Na pior das hipóteses, eles nos matarão.
Já morremos um milhão de vezes.
No reformatório,
todas as vezes que tivemos que dizer "Sim, senhor"
para quem que nos tratava como merda.
Não dá para matar um homem duas vezes.
Eu te apoio nisso.
E eu te empurro.
Ei, bebê!
Bernardino, o que está fazendo?
- Passo. Vou mijar. - Pode ir.
- E então? - Vai ser rapidinho.
Que merda é essa?
Sempre usando essa maldita corda.
Vamos dar o fora!
É o Gemito, abra!
Cacete, que nojo!
O que é isso? São os cachorros?
- Onde está a porra da luz? - Não acenda.
Poderíamos te matar como matamos os outros,
mas queremos negociar com você.
Temos dinheiro e queremos fazer um acordo.
Gemito diz que você é bacana e que sabe conversar.
Quem é você?
Cachorros legais, como se chamam?
- O que fez com eles? - Você está dentro ou fora?
Saia daqui, vá se foder!
Você está chorando?
Disseram que você é o Terrível, mas não é tão terrível assim.
- Quanto você quer investir? - 2,5 bilhões.
Eu fico com 75% dos lucros, não aceito menos!
Talvez eu não tenha sido claro:
você cobra 10% a mais da droga e nós a traficamos.
Agora ficará com 30% do lucro, nós ficaremos com 70%.
Diga que concorda.
Concordo.
Bom garoto, Terrível.
Mas Tio Carlo não vai concordar.
- Quem é ele? - É um dos sicilianos.
Os sicilianos respeitam Roma,
mas exigem respeito.
Se Tio Carlo quiser conversar, vamos falar com ele.
Marque uma reunião.
Se importa se eu pegar o seu carro para dar uma volta?
Matar não é grande coisa para essas pessoas.
Roma nunca viu nada assim, certo, Carenza?
- Pode descobrir mais? - Vou tentar.
Quem está no comando da delegacia?
Comissário Scialoja.
- O que sabemos sobre ele? - Tudo.
Nós o ajudamos a ser transferido de Bolonha.
- Aqui está. - Obviamente, ele não sabe disso.
Aqui está ele, Scialoja.
- Me dê isso. - Claro, agora lembrei dele!
Um bom diploma universitário, culto, honesto, ambicioso...
Um verdadeiro democrata!
Escada B, apartamento 10.
Não.
Sem porteiro.
Aonde está indo? Ver a Patrizia?
O que é isto? Posso ver?
Bolo de chantilly. Você queria usar isso, não é? Vai.
Cai fora! Entendeu? Vai!
Você não entende?
- Estou esperando um cliente. - Sou eu.
- Não, é um japonês. - Ele cometeu haraquiri.
- Pegue quanto quiser. - Espere.
- Você é linda. Venha aqui... - A porta, espere!
Ainda está aqui?
- Você tem um protetor? - O quê?
Um protetor, você sabe, um cafetão?
- Não é da sua conta. - Você tem ou não?
O cara que tentou continua chorando.
- Você está vendo alguém? - Saia da minha cama.
Vem cá!
Você pagou, teve o que queria, o que quer mais?
Você é linda.
Você é linda, como uma pintura. Quanto você vale?
- Você não pode pagar. - Não? Vamos lá.
- Me diga quanto você quer. - Tudo isso.
Então pegue tudo.
- Quero ficar com você. - Eu disse que não tenho cafetão.
Disse que quero ser seu homem:
ficar junto, jantar, te visitar quando eu quiser.
Vou apresentá-la aos meus amigos. Uma relação de verdade.
Você propõe, comanda, quem você pensa que é?
- Sou um cara elegante. - Elegante?
Você fode como um animal. Dentro e fora, excelente!
- E me fala de elegância! - Então me ensine.
- Me ensine. - Aqui vamos nós de novo.
Vá tomar banho, querido.
- Você está certa, vou agora. - Espere.
Me dê um minuto.
Gigio!
Gigio!
Gigio!
- Ele não está. - Onde ele está?
Não sei, talvez na casa de um amigo.
- Quem é você? - Roberta.
- Você é namorada dele? - Imagina!
Dou aula de reforço para ele. Moro no andar de cima.
Eu sou irmão dele.
Venha aqui fora um segundo.
Viu como você está falando?
Como?
Todo certinho.
Esse é o efeito que professoras têm em você?
- Ela não é professora. - Ah, desculpe.
O que há de tão especial nela?
Ela não é uma prostituta.
Quem sabe por que só ficamos com prostitutas.
Não sabe por quê? Pessoas como nós, de Oxford...
- Oi. - Oi!
Oi, Gigio!
Estávamos te esperando.
- Ela disse que você é burro. - Isso não é verdade.
Se você for reprovado de novo, vou arrancar sua cabeça.
Não vou ser reprovado.
O que é isso? Que porra é essa?
O que você acha? Eu doei sangue.
Consegui café e croissants de graça.
Um bom negócio.
Fique longe de problemas. Entendeu, Gigio?
- Uma scooter nova. - Para mim?
- Gostou? - É sério?
- Vá dar uma volta. - Pode apostar!
Pise no pedal.
- Sabe como dar partida? - Eu consigo, calma.
- Ela está pagando, comissário. - Estou vendo, Colussi.
Estou vendo.
Uma arma disparada nessa casa de apostas
foi a mesma que atirou no pneu do carro do Barão Rosellini.
Mesma arma, mesmas balas.
Antes não tínhamos muito,
mas recentemente, em uma loja de lingerie no centro,
esta cliente peculiar pagou com o dinheiro do resgate.
- Por que peculiar? - É uma prostituta.
Cinzia Vallesi, vulgo Patrizia.
Cinzia Vallesi, ordens de expulsão de Bari, Bolonha, etc...
- Nascida em Empoli, no dia... - Está ótimo, obrigado.
Ela tem saído com esse bandido Bruno De Magistris, o Dândi.
Acho que ele é um dos sequestradores do Barão.
Qual a ligação desse banho de sangue
- com o sequestro do Barão? - O dinheiro do resgate.
Quem o pegou pode ter usado para controlar algo.
Jogos de azar, apostas, até o tráfico de drogas.
Você tem bastante imaginação. Meus parabéns!
- Mas onde estão as evidências? - Vou encontrá-las.
Tenho os meios de obter provas, só preciso de algum tempo.
Você precisa de tempo.
- Eu preciso de provas. - Me dê apenas 20 dias.
Nem mais um dia.
- Ele é sempre idiota? - Sempre.
- Olá. - Olá!
Espere, aonde está indo?
- Muito bom, Seco! - Ei! Ele está trabalhando.
- Um Rabarbaro. - Com gelo?
Sim, por favor.
Não parece, mas ele é um gênio do dinheiro.
- Que porra é essa! - Agora o dinheiro está chegando,
precisamos de alguém como o Seco.
- Para quê? - Para fazer mais dinheiro.
Dê a ele um bilhão, ele ganhará 1,5 bilhão.
O que ele é, um mágico?
Muito bem, Seco! Ótima voz.
- É mesmo. - Seco!
Sente-se.
Se dermos a você um bilhão, quanto pode ganhar para nós?
- De 1,5 bilhão a 1,7 bilhão. - Como?
Lavando aqui e ali, enquanto estou em turnê.
Então reinvisto um quarto com agiotas
e o resto na heroína do Terrível.
Será que o Terrível vai ficar puto?
Se ficar puto pior para ele.
Ele me deu uma boa dica,
não devemos colocar o próximo lote
nas ruas imediatamente.
Nada de droga no centro ou nos subúrbios.
Nada de droga em lugar nenhum.
E cortaremos não em 35%, mas em 50%.*
E assim mata todo mundo?
Não, o médico disse que os níveis de tolerância são altos.
Dr. Mainardi diz que dá para aguentar.
O Rato é o provador mesmo.
Quando todos estiverem implorando pela droga,
a colocaremos na rua pelo dobro do preço.
- O que acha? - Ótimo.
- Ciro! - Aldo!
Meu irmão está aqui. Deixe-me passar.
- Como vai? - Ótimo.
- Pensei que ia sair amanhã. - Eles erraram o dia.
Quase me fizeram ficar mais um dia. Filhos da puta!
Filhos da puta mesmo. Vejam quem está aqui!
- Não ia ficar mais três anos? - Eu soube de tudo. Muito bem.
- Bem-vindo de volta. - Olá.
Fique com o troco.
Olha o que eu comprei de volta.
- Isso é da mãe? - Sim.
- Obrigado. - Bem-vindo de volta.
Como vai?
Prazer em conhecê-lo. Sou o Seco.
- Olá, Frio. - Você conseguiu, finalmente!
Quando você me deixou sozinho na prisão, eu quis morrer.
Acho que não conseguiremos grampear o lugar,
tem muito barulho.
Talvez no banheiro.
- Quem está lá? - Aquela moça...
A que fotografamos.
- A prostituta... Patrizia. - Entendi.
Ela estava com um arquiteto chamado Girino.
Para mim ele parece viado.
- E o Dândi? - Ele também.
Está com os suspeitos de sempre.
Me leve à casa da Patrizia.
Estava pensando em comprar este lixo. O que acha?
Não é má ideia. Com uma reforma seria uma mina de ouro.
- Certo. - Tony!
- Boa noite, doutor. - Parabéns pela música.
- Obrigado. - Boa noite.
Boa noite.
- Quem diabos é esse? - O advogado Vasta.
Quero que você o conheça, ele conhece pessoas da promotoria.
Ele tem cara de burguês.
Não suporto burgueses.
Ele poderia ser útil.
Você está aqui há horas e não vai me dar oi.
- O que foi? - Não se meta.
- Estou dançando. - Não comece.
- Tire as mãos de mim! - Pare com isso.
- Dê o fora daqui! - Vejo você depois.
- Saúde! - Saúde!
Na prisão não se fala de outra coisa,
só de você, Libanês, Dândi. Graças à coragem de vocês.
Você quer dizer ao nosso desespero.
Pare com isso!
E então, você está dentro?
Até o final, você é como um irmão para mim.
Claro... Mandei parar com isso!
Vai falar comigo ou vai ficar olhando para ela?
- Você gostou dela? - Claro que sim. Eu saí hoje!
- Acorde. Qual é seu nome mesmo? - Loredana.
Loredana, esse é meu amigo de infância,
faça ele se divertir, se puder.
- Aqui. - Obrigado.
Passou a noite com essa bicha, fique comigo agora.
- Meu nome não é bicha, eu sou... - Eu falei com você?
- Não, mas... - Perguntei alguma coisa?
- Você sabe... - Sente essa mão?
Deixe-o em paz, pare de ser valentão!
- Por que não fica comigo? - Quero ficar sozinha hoje.
Isso não é verdade, é mentira.
Eu faço o que eu quero e é melhor me soltar
porque se você me machucar, nunca mais vai me ver.
- Me solte! - Tire as mãos dela!
Que porra você quer?
Temos que resolver isso, agora mesmo.
Quem diabos é você? Me solte!
Você está me machucando. Me solte.
Preciso fazer xixi.
- Deixe a porta aberta. - Você é pervertido?
- Não, só não confio em você. - Dou a minha palavra.
De quem, Patrizia ou Cinzia?
Vá para o inferno!
Então você gosta com violência?
Não.
- Estou aqui para conversar. - Eu não falo com policiais.
O que está fazendo? Pare com isso!
Mandei parar! Pare!
Eu poderia prender você.
Por quê? Não fiz nada de errado.
O que você sabe sobre o Dândi?
Estou cansada.
Estou com sono. Tive uma noite difícil.
Certo, seus clientes...
seu trabalho.
- Homens indo e vindo. - Quem é você? Um sádico?
Daqueles maníacos que gostam de atormentar mulheres?
- Pare com isso, Cinzia. - Não me chame de Cinzia.
Quer foder ou não? Me chame de Patrizia.
Certo, Patrizia!
Um de seus clientes te paga com dinheiro de resgate.
O refém está morto, um caso de prisão perpétua.
Aposto que você sabe quem é.
Um nome e te deixarei em paz, juro
Eu não sei de nada.
Eles vêm e pagam, é isso.
Eu não sei.
E mesmo se soubesse, não diria.
Quem é?
Não posso.
Não posso, estou com um cliente.
Não, espere, eu desço.
É o Dândi?
Não, pior ainda.
Estou saindo.
Quando nos vir sair, vista-se e vá embora.
Você não me deu o nome.
Suma daqui. Está perdendo seu tempo.
Você não encontrará o que está procurando aqui.
E então?
Não é bonita? Você gostou, Patrizia?
Está à venda, tem 14 quartos e 5 banheiros.
É grande o suficiente para um bordel?
Vá se foder!
Você deveria agradecer. Quer trabalhar na rua para sempre?
- Eu não trabalho na rua. - Gostou? É bonita.
Vamos colocá-la no seu nome, venha conosco ao cartório.
- Vocês vão me dar? - É um investimento perdido.
Tudo o que ganhar é seu. Não pegaremos nada.
Mas sem boquetes para quem aparecer à sua porta.
O acordo é que, a partir de amanhã,
você seja a mulher do Dândi.
Me leve para casa.
Não encha meu saco. Fizemos uma oferta, aceite ou não.
- E se eu quebrar o acordo? - Isso não está previsto.
Vocês ainda não me pediram para foder, por quê?
Vocês são bichas?
Porque você é só uma puta.
E se não parar de graça, será uma puta morta.
Libanês perguntou se você quer a casa,
você deve responder: "Sim, eu quero. Obrigada".
Entendido?
- E então? - Ele fez uma pergunta!
Estou cagando para vocês.
Filha da puta! Maldita!
- Ela morde como um cachorro. - Quase perdi meu dedo.
Patrizia!
- A casa... - Tudo bem, eu aceito.
Vá se foder!
Conhece ele? Cesare Rocchi, vulgo Libanês.
- Sei lá. - Como assim? Ele é seu amigo.
Amigo? Não acho.
- O que ele fez com você? - Comigo? Nada.
Aqui dentro está toda a vida dele.
E diz que ele morou no sítio do Barão Rosellini quando criança.
Agora ele ficou rico e passa um tempo com você.
Vamos ver se entendi. Quer que eu o espie? Esqueça.
Sou um homem honesto.
Não vamos chamar de espionagem, mas de "bate-papo".
Digamos que é um prazer para mim conversar com um sobrevivente.
Pois você é um sobrevivente, sabe disso, certo?
Parou. Foi presente de um amigo e agora parou.
Que roubada, nunca confie nos amigos!
Me diga por que eles te deixaram viver e você pode ir.
- Que horas são? - 16h20.
Me diga só dez palavras
e o Libanês pegará prisão perpétua.
E então?
O que você diz?
Voltou a funcionar!
Rocchi, venha tomar um ar.
Meu nome é Carenza,
vim porque você corre o risco de ficar muito tempo preso.
Pelo quê? Sou inocente, estou desempregado.
Vivo da aposentadoria por invalidez.
Pelo sequestro do Barão Rosellini.
- Quem? - Barão Rosellini.
- O que tenho a ver com isso? - Um comissário está atrás de vocês.
E no processo constam algumas notas
que foram gastas por uma mulher a quem você transferiu um imóvel.
Você está bem encrencado.
Mas se quiser, eu posso te ajudar.
Quem mandou você aqui?
Quem é você? Um guarda, um policial, quem diabos é você?
Um cara que ajuda o Estado de vez em quando.
Quer me tirar daqui? O resto é só besteira.
Se fizermos algo, você sairá em duas semanas.
E então, Rocchi...
O que devemos fazer?
Vamos fazer algo?
Você ainda está aqui?
Tenho muita coisa para fazer lá fora.
Então temos um acordo.
Não, eu não vou me acalmar!
As notas eram uma prova decisiva.
Onde diabos estavam guardadas? Como sumiram?
Quem liga para a investigação interna?
Enquanto isso, você deixa um bandido como o Libanês livre!
Vai se foder!
Precisa ter paciência, senhor.
Senhor uma ova! Foda-se a paciência.
Me desculpe.
Não é sua culpa, Colussi.
Aqui está o arquivo Vallesi.
As putas e os clientes da casa.
Este carro me excita.
Aqui na Itália só eu e o príncipe Torlonia temos um.
Levei minha mãe ao mercado nele, para comprar salada.
Todo mundo ficou olhando, ela quase chorou.
Aqui está ele.
Libanês.
- Vou me casar por acaso? - Alguém importante nos espera.
- Quem? - Tio Carlo.
O siciliano? Você entrou em contato com ele?
Ele nos chamou. O Seco organizou tudo.
Estamos arrasando Roma!
- Vamos aproveitar! - Vamos detonar!
Gostaríamos de entrar em uma joint venture com vocês.
Vocês não sabem o que é isso.
Seco pode explicar.
Ele sabe explicar direito,
e é como um cão farejador atrás de dinheiro.
Ele é bom nisso.
Quanto mais difícil, mais ele gosta.
As mercadorias são pagas em dinheiro, na entrega.
Os lucros são seus,
para nós é uma operação deflacionária.
Quinze quilos a cada 20 dias.
Não é fácil de vender. Vocês têm certeza?
Temos, Tio Carlo.
- Posso fazer uma pergunta? - Claro.
O Terrível sabe sobre essa oferta?
Não.
Na verdade, estamos nos perguntando
como dizer a ele.
Porque ele se ofende facilmente, é orgulhoso.
Estranho ele não saber, porque sempre sabe de tudo.
Ele sabia onde eu estava quando me prenderam.
Ele nem sempre foi assim, acredite em mim.
Mas agora ele virou um problema.
E nesses casos, na minha terra
dizemos que só os vivos causam problemas.
- Saúde. - Saúde a todos.
Saúde.
Deixe o carro na Via del Babuino. Venha me pegar em meia hora.
Vou dizer apenas um nome.
Um amigo seu, está lá embaixo.
Quando vê-lo, envie meus cumprimentos.
O nome dele é Judas.
Terrível, se importa se te fizermos companhia?
- Acho que ele não te ouviu. - Isso queima.
- O que ele disse? - Sei lá. Não entendi.
Quer um cigarro? Quer fumar?
Está tarde, tenho que ir.
- E você, Dândi? - Vou também.
Adeus, Terrível.
Na escola, eu só gostava dos imperadores,
Augusto, Tito, Adriano...
- Eu não, eles eram malucos. - Mas tinham grandes ideias.
Não, todos acabaram mal.
Não em guerras, mas por besteira.
Talvez isso aconteça conosco também.
Você pensa que é um imperador?
Você tem mania de grandeza!
Todos que mudaram a história tinham mania de grandeza.
- Como quem? - Mussolini,
Hitler... até Stalin!
Não se esqueça do Mao Tse-Tung!
Ele é comunista, mas tem culhões!
Ditadores... O que há de errado em ser ditador?
- Eu não confio em ditadores. - Eu sei.
Acha que não conheço você?
Eu te conheço melhor do que ninguém.
Verdade.
Ao Libanês, a este clube e a nós!
Voltamos para a redação do telejornal.
Interrompemos a programação para dar uma notícia dramática.
O presidente da Democracia Cristã, Aldo Moro
acaba de ser sequestrado em Roma por terroristas.
Os cinco oficiais que o escoltavam aparentemente estão mortos.
Aqui estão as primeiras edições especiais.
Entre em contato com os fanáticos que estamos seguindo.
O que acha do cara que soltamos da prisão?
Viu o que houve nas Escadarias da Praça da Espanha?
Eu diria que ele é perigoso.
- Ele é o chefe? - Sim.
Marque uma reunião e tenha cuidado.
Pode ir.
- Bom dia. - Viu que mantive minha palavra?
- Eu deveria te agradecer? - Não precisa.
Mas vou te dar um conselho: da próxima vez,
escolha um lugar mais discreto para resolver seus assuntos.
Do que você precisa?
- Você lê jornais? - Eu assisto TV.
Então já viu que o país está em guerra.
Infelizmente, sim.
- Foi ele quem o tirou da prisão? - Aparentemente.
Parece um contador para mim.
- Ele está vindo. - A careca dele até brilha.
- Aquele cara me assusta. - Não precisamos casar com ele.
- Ele disse o que queria? - Ele deixou claro.
Disse que precisamos descobrir onde está o Aldo Moro.
- O quê? - Aldo Moro?
Ele disse que a parte interessada ficaria grata.
- E quem é? - Não tenho ideia!
Mas quem diabos é ele, quem o enviou?
O Estado. Ou melhor, uma facção do Estado.
Ele sabe muito sobre nós. Até demais. Ele sabe tudo.
Vocês vão entrar?
Se encontrarmos o Moro, o que ganharemos?
Isso! O que ganharemos?
Ele disse para encontrá-lo e depois descobriremos.
- O Estado faz coisas assim? - Pior ainda.
Patrizia poderia nos ajudar, ela vê muitos caras do governo!
Podemos checar o mercado de armas?
Mas as Brigadas Vermelhas recebem armas dos russos!
De jeito nenhum, é dos palestinos!
- O que você está falando? - Não importa, porra!
Vamos usar nossos próprios meios.
Os que conhecemos.
- Revistem as mulheres. - Polícia!
- Mostre os documentos. - Cadê a Patrizia?
Assim...
Vistam-se e mostrem os documentos.
Cubra-se.
Saia, imbecil. Esta é minha casa!
Sua casa? Parabéns, Cinzia, você subiu na vida.
Você usa este lugar para chantagear os outros?
Tira fotos e envia para as esposas?
Ou é o parquinho do Dândi? Você abre as pernas e ele assiste.
Você não tem ideia do tipo de pessoa vem aqui.
E se tentar fechá-lo, já aviso...
- Acha que tenho medo do Dândi? - Estou falando dos seus amigos.
Tente fechar este lugar para ver o que acontece.
Não te mandarão para Bolonha, mas para o cemitério.
Que amigos? Venha aqui! Quem são eles?
Eu gostaria de te dar 15 minutos do inferno.
Calma, comissário, eu não trabalho mais.
Esse número está ocupado.
Deixe uma mensagem e ligaremos de volta.
Encontramos a mobília* que você solicitou.
Está na área Portuense.
Me ligue de volta
e passarei os detalhes. Até logo.
Para onde você estava indo?
Testaccio.
Para quê?
Dar aulas para um garoto.
Você não enjoa desses garotos?
O que ele fará se você não aparecer? Vai se matar?
Aonde estamos indo?
Para Ostia.
Podemos voltar para Roma?
Vou te levar em um lugar.
O que você faz?
Como assim?
Em que trabalha.
Tenho uma empresa de construção.
Acabei de começar uma obra em Santa Marinella.
E estou prestes a começar outra.
- Quem são eles? - A Madonna dos Peregrinos.
Maria está segurando o bebê,
mostrando-o aos peregrinos que estão pedindo graças.
Porque Jesus é um símbolo da salvação.
Está vendo o lençol branco?
Caravaggio o colocou como uma premonição,
como se fosse a mortalha.
Ele está nos dizendo que Cristo vai morrer jovem.
De fato, a Virgem Maria está triste.
Para mim, ela parece estar orgulhosa.
O quê?
A Virgem Maria parece estar orgulhosa.
Você gostou?
É bem feito.
Se Caravaggio tivesse te visto, ele teria pintado você
ao invés da Virgem Maria.
Não sei o quanto a informação é confiável,
mas temos que seguir qualquer pista.
Acho que a casa onde eles mantêm o presidente prisioneiro
deve estar entre Portuense e...
Não importa, pare tudo.
- Por quê? - Interrompa a investigação.
Está certo.
Você é Franco Tritto?
- Sim, quem está falando? - As Brigadas Vermelhas.
Estamos realizando os últimos desejos do presidente,
comunicando a sua família onde podem encontrar
o corpo de Aldo Moro.
O que devem fazer?
- Pode me ouvir? - Repita, por favor.
Não posso repetir.
Diga à família
que eles encontrarão o corpo de Aldo Moro
na rua Caetani.
- Rua...? - Caetani.
Fica à direita da rua delle Botteghe Oscure.
- Entendeu? - Sim.
Lá terá um Renault 4 vermelho.
A placa começa com N5.
- Devo ligar para eles? - Não, vá pessoalmente.
- Eu não posso. - Você não pode?
- Você precisa. - Eu imploro, não!
Lamento, mas se você ligar,
não realizaremos seu último desejo com precisão.
Fale com meu pai, por favor.
São imagens que chegam aos poucos...
Estávamos quase lá. Poderíamos ter libertado ele.
Mas não nos deixaram fazer nada.
Por que, senhor?
Sabe, Carenza...
há 2 mil anos, as muralhas romanas eram enormes e poderosas.
Agora não são mais nada.
Mas hoje na Europa há um muro que ainda está de pé,
um muro que divide duas civilizações.
A nossa, que é a da liberdade,
e a do comunismo.
E enquanto esse muro estiver em pé em Berlim,
tudo em Roma permanecerá como está.
É assim que é, Carenza. Coloque na sua cabeça.
O presidente Moro estava tentando mudar as coisas.
Mas há momentos em que o Estado exige o caos.
Ele precisa ser gerenciado, organizado,
e pode ser um trabalho sujo,
mas as sociedades não precisam
só de engenheiros, médicos e artistas.
Elas também precisam de criminosos.
E carrascos.
Essas imagens correm o risco de se tornarem repetitivas,
mas infelizmente as câmeras estão fixas.
Creio que estão transportando o corpo de Aldo Moro,
enquanto os líderes políticos...
- Sim? - Sou eu.
- O que foi? - Vamos para o Full 80?
- Não, vou ficar em casa. - Por quê? O que vai fazer?
Estou ocupado.
Vá se ferrar! Tchau.
- E então? - Ele está ocupado.
Espere aí.
Eu trouxe um presente para a casa nova.
Vamos.
- Isto é um Michelangelo. - Eu sei.
Esta é a mão de Deus,
esta é a mão de Adão e Eva,
e esta é a mão de alguém...
que ama você.
Você tem certeza?
Tem certeza de que tem certeza?
Vou fazer esse sacrifício.
Coloquei um Vincent aqui e outro embaixo da escada.
Nem sei por que estou dizendo, você não entende nada.
Usei bastante vermelho, preto e branco.
Tonino, deixe a lâmpada aí e leve este quadro para o quarto.
Algo que realmente não gostei foi desse quadrado e dessa parede.
Esse "quadrado", como você diz, é de Torben Stockholm
que projetou os estúdios dos Beatles e dos Rolling Stones.
- E isto aqui? - Tire as mãos! Espere, veja.
Esta é a mais recente lâmpada da NASA.
- Legal... - Pode posicioná-la como quiser.
Qual posição você gosta?
Qualquer uma que você não esteja, Girino!
Que pena.
Você repete decoração?
Não quero descobrir que a casa do Libanês é igual a minha.
Não, ele comprou a casa de um cara com um nome bizarro.
- "Horrível". - Certo! É Terrível.
Bem, tanto faz... E ele não me deixou tocar em nada.
O que há com o Libanês? Ele está sempre triste e sombrio.
Você esteve na casa nova dele?
- Cuide da sua vida! - Meu Deus, Dândi...
Ei, linda...
Caramba, como está imóvel. O que foi?
Lá vamos nós!
Girino, se você me irritar
darei suas bolas para a Eleonora comer.
- Quem é? - Anote esse nome: Novellara.
Entendi.
Temos que pegar um cara. O nome dele é...
Não quero saber. Sem nomes.
Comprei uma casa em um lugar desconhecido.
Se algo acontecer no futuro...
Por que estou contando para você?
Você é o único que não liga para dinheiro,
vai ver que é porque sempre teve.
Com toda grana que temos agora, os outros estão enlouquecendo.
Eles esqueceram que somos das ruas.
Frio não esqueceu.
Ele tem outras coisas em mente agora.
Enfim, se algo acontecer com o Frio ou o Dândi
e eu não estiver aqui, você pode levá-los até lá?
Quando eu estava quebrado, me perguntava: "O que é riqueza?".
"É comprar muitas casas e dar de presente a quem eu amo".
Foi o que fiz, comprei casas,
cada uma melhor que a outra, espaçosas, decoradas.
Mas elas estão vazias.
Muito bem!
- De quem é a vez? - Parabéns. Minha vez.
Boa jogada.
Quem deixou o Negro pegar duas armas do depósito?
Libanês, para fazer um favor.
Demos sorte em conseguir homens tão bonitos.
Não os acho tão bonitos.
Já tive melhores.
Que tipo de favor?
Um casaco de madeira, Negro é o carpinteiro.
Ele vai pegar alguém na estação de Bolonha
e levá-lo para o norte, onde outro carro irá encontrá-los.
Mas antes de Novellara*, Negro dará a ele a extrema-unção.
Você está muito apaixonada,
vai sofrer demais quando acabar.
Pensei que decidíssemos juntos! Por que ninguém me contou?
Ele não confia mais em você.
Como é?
Ele diz que você está muito apaixonado.
Foda-se!
- Nossa relação nunca acabará. - Claro, já vi esse filme!
Sabe qual relação nunca acabará?
A minha e do Dândi.
Pois se eu tentasse deixá-lo, ele me mataria.
Diante de dezenas de homens,
mulheres e crianças, vítimas inocentes
daqueles que se declaram
herdeiros de assassinos fascistas
e inimigos mortais da nossa democracia...
Jamais cansarei de repetir isso nas ruas da Itália.
A história da Europa,
a história da Itália me ensina
que por mais atroz e mais covarde que seja...
Roberta!
Roberta?
Roberta!
As pessoas que sofreram ferimentos leves
já receberam alta.
Eu estava fazendo compras em Santa Marinella
e ouvi sobre...
Onde você estava ontem à noite?
Saí cedo, tive uma reunião com o agrimensor fora de Roma.
Muitos foram mutilados pela explosão.
Esta família inteira foi morta. Pai, mãe, filhos.
Estima-se que cerca de 30 crianças foram mortas...
Vamos embora daqui.
Vamos morar na França ou na Inglaterra.
O que você acha?
São imagens chocantes.
Por que quis me ver aqui?
Porque é aqui que começou e é onde vai acabar.
Não gosto do que está acontecendo.
- Nem do que vi em Bolonha - Você estava em Bolonha?
Por que estava lá?
Vamos acertar as contas, quero sair dessa vida.
Não há saída.
Quem disse? Você se vendeu para políticos.
- Eu não sabia sobre Bolonha. - Então eu estava certo.
Viu só? Eles nos usam sem dar explicação,
vão tirar nosso sangue e depois nos jogar fora.
Quero sair antes disso, quero decidir como morrer!
Não encha meu saco! A política não tem nada a ver!
- Você perdeu a cabeça por ela. - O que está dizendo?
Você estragou nossa amizade.
Eu e você éramos irmãos. Agora você quer sair!
Tínhamos um acordo: "para sempre"!
- Essas regras não contam mais. - Essa perna conta.
Essa perna conta para sempre.
Machuquei minha perna para salvar você e o Dândi.
Ouviu o que eu disse?
Ouviu, Judas?
Se eu sou Judas,
dê minhas 30 moedas de prata e fim de papo.
Pegue. Se estiver faltando, peça para o Seco.
Saia da frente!
De quem é a vez?
Aqui tem 5 mil,
pode contar se quiser...
Seus 5 e mais 35, dou minha palavra.
Foda-se! Eu passo.
- Eu também. Me traz mais um? - Dois.
Mostre as cartas.
Dois noves.
Flush.
Cansei de jogar.
Estou fora.
- Sim, mas... - O quê?
- Não esqueceu nada? - Acho que não.
- O dinheiro. - Dinheiro?
- Exatamente. - Decidi não te pagar.
- Que história é essa? - É isso, calado e não reclame!
Você é inútil como um cachorro.
Eu matei seu chefe, você não disse nada.
Joguei um osso para você...
- E aqui está. - Como é?
- O quê? - Deixe isso pra lá.
Esqueça.
- Libanês, já chega. - Eu decido quando chega!
O que está tentando me ensinar, Buffoni?
Eu odeio traíras como ele!
Mas o mundo está cheio deles.
Pegue o dinheiro.
- Vai, pegue o dinheiro! - Vá em frente, pegue.
Desde que o mundo é mundo, todos pagam dívidas.
Os imperadores não.
- Socorro, Libanês! - Libanês! Socorro!
Estou indo!
Minha perna!
Isso dói!
O que foi? Francesco! O que houve?
Eles acharam isto com ele.
Alguns compromissos, mas sem nomes.
Nove facadas.
Eles o mataram no mictório perto do restaurante.
"Novellara, pagar dívida."*
Encontraram um corpo lá esses dias.
Com as pontas dos dedos queimadas.
E se eu disser 2 de agosto?
Estação de trem de Bolonha.
Fabiani, ligue para o QG e veja se podem
nos colocar em contato com a polícia de Bolonha.
Me deixe ficar um pouco com você
enquanto espero o Dândi voltar.
Ele está sempre rindo.
Sempre entretendo todos.
Onde você estava?
Vai me dizer onde estava?
O que está fazendo aí?
O que é isto? O que é esta coisa?!
Eu tenho uma arma...
Porque preciso me defender.
Me defender das extorsões.
Eles têm como alvo minha empresa e...
Eu tive alguns problemas.
Não podemos ir para Londres.
Estou cansada.
Aqui estão as folhas de cheques,
e as cadernetas do banco.
Se quiser dar uma olhada...
Todas as contas estão aqui. Receitas, despesas...
Não é hora de falar de dinheiro, mas...
esse é o meu trabalho.
Frio, o Libanês me disse que era para você...
- Pegar sua parte. - Temos tempo para isso.
- Ele disse que você queria... - Calado, disse que temos tempo!
Tanto faz.
- O que você descobriu, Aldo? - Que jogo maldito!
- Maldito pôquer. - O que isso significa? Quem foi?
Falei com o Ricota, com meu irmão, com o Búfalo...
Me diga quem fez isso!
Foi o Gemito.
Fui na casa dele, ele já se mandou.
Todas as gavetas estavam abertas.
Vou encontrá-lo um dia e queimá-lo vivo.
Você não fará nada.
Você virá me procurar e me dirá.
Seco, vá para casa.
Venha aqui.
Vá até a mansão do Libanês,
limpe um pouco.
Livre-se das drogas antes que a polícia apareça.
Precisamos avisar os outros. Ciro, Búfalo...
Diga a todos para irem esta noite ao Full 80.
Quero uma lista dos nomes das pessoas próximas do Gemito:
Parentes, amigos, esposa, filhos...
Todos.
Temos que manter a calma ou vai dar tudo errado.
É ela.
Como Gemito conseguiu ter uma esposa assim?
Ele ainda trai a coitada.
O que faremos depois da escola?
- Mas que merda! - A garota...
Acalme-se! Fique calmo!
- E o irmão dele? - Não sabe nada, Ricota o torturou.
Afogamos um primo e quebramos os ossos do outro.
Mande o Ricota acabar com o irmão dele.
- Onde Gemito está? - Não sei. Ele largou minha filha!
Não sei onde está aquele filho da puta!
Fale ou vou foder sua outra perna.
Há uma chance de investir na Sardenha,
é um lugar seguro.
O dinheiro voa para a Suíça no outono
e volta como pássaros na primavera.
Muito dinheiro.
- Pessoas de Milão. - Quanto devemos investir?
Pelo menos 10 dígitos.
Mas devem lidar com o negócio na Sardenha,
temos que ficar atrás dessas pessoas de Milão.
Não negociaremos agora, não podemos deixar Roma.
Os lucros aumentarão 300% em poucos meses.
Primeiro temos que vingar o Libanês, certo?
Vingança é um sentimento nobre.
- Mas tente fazer as duas coisas. - Gemito vem primeiro.
Ele está desaparecido há meses, deixa pra lá.
Ele fez uma péssima jogada, você se vingará em breve.
Você está derramando sangue demais.
Acredite, tudo que é demais vira inimigo do certo.
Foda-se o que é certo.
É falta de educação falar assim com um homem mais velho,
é como se dissesse que minhas palavras não valem nada
- e que ninguém mais me ouve. - Do que estamos falando?
- Relaxe. - Estou fora.
Sente-se. Aonde você vai?
- Até logo. - Tio Carlo.
Ele não quis desrespeitá-lo.
Mas nunca tivemos uma família como a sua,
que nos diz o que fazer,
o que pode ser dito e o que não pode ser dito.
Nós somos das ruas, mas queremos entrar no negócio.
Tudo bem. Vamos embora, Gaetano.
- Há quanto tempo está aqui? - Meia hora.
Vem cá.
Eu te esperei a noite toda.
Vou tirar você daqui.
- Parado! - Me soltem.
Fique quieto!
Está quebrando meu braço. Seu merda!
Do que estou sendo acusado?
Tentativa de homicídio, sequestro e incêndio criminoso.
- Rapazes, vasculhem a casa. - Podem levá-lo!
O frentista diz que era você e você diz que ele se enganou.
É a palavra dele contra a sua.
Mas não dou a mínima para o frentista.
Me deixe contar uma história.
- Um conto de fadas? - Não, uma história real.
Começa em Bolonha e termina em Novellara.
Dia 2 de agosto, o dia do massacre.
Naquele dia você alugou um carro de Bolonha à Roma.
Encontramos um terno na sua casa
que você comprou perto da estação de trem.
O balconista lembrou de vendê-lo para um homem empoeirado
que disse ter sobrevivido por milagre.
Por que diabos você estava em Bolonha?
Estava esperando um cliente que ia comprar uma casa em Roma.
Até ajudei a tirar as pessoas dos escombros.
Com estas mãos.
- Isso é crime? - Não, não é.
Bem, então, Novara, Novellara...
Nunca ouvi falar, nunca estive lá.
Encontramos um corpo em Novellara.
Sem nome, sem rosto, mas como acontece às vezes,
acho que ele morreu porque sabia algo importante.
Sei que não foi você,
porque você estava em Roma no início da tarde.
Mas quem fez isso usou suas armas, uma Walter P38.
- "Suas" armas? "Suas" quem? - Sua gangue.
Sabia que era um conto de fadas! Você gravou isso?
Acertei em cheio. Mas é muito longo?
Porque desde "Branca de Neve" que contos de fadas me entediam.
Seu merda!
85 mortos e 200 feridos parece um conto de fadas?
Bolonha não foi coisa de gangue, foi coisa de vocês!
Pare de encher meu saco e vá investigar o Ministério
- ou o andar aqui de cima! - O quê?
Talvez encontre um cronômetro dizendo "República Italiana".
Que porra é essa? Que merda está dizendo?
Lá vamos nós, a mesma história de sempre.
- Está vendo isto? - Vamos!
É do Libanês. Reconhece?
Você era tão amiguinho dele. Então olhe aqui.
Cadê? Onde diabos está?
Dois de agosto, o que está escrito?
"Novellara, pagar dívida",* o que significa?
Significa "deixe os mortos em paz".
Você deixa os mortos em paz?
Não está procurando o assassino do Libanês para acabar com ele?
- Não entendo o que está dizendo. - Não, não entende.
Você pegará 20 anos de cadeia
e com uma moça bonita daquelas, seria uma pena.
Se você não falar, vai esquecer como ela é.
Comissário...
Eu nunca confessei a Deus, por que confessaria a você?
Tire ele daqui.
Veremos quem fala primeiro, seu merda!
Diga olá para eles. Diga olá para Mozzicone.
- Mozzicone está morto. - Quando ele morreu?
- Ele se matou há alguns anos. - É sério?
Visita especial.
Olhe só para você!
- Veja como está! - Deixa pra lá.
Esqueça isso.
- Me mostre seu braço. - Deixa pra lá.
Diga ao Dândi que esses caras não têm nada contra nós.
- Ele precisa me dar um álibi. - Certo.
Eu vi a Roberta.
Ela me deu as chaves da sua casa e foi embora.
- O que ela disse? - Nada.
Ela viu os jornais, a TV,
eles disseram coisas horríveis
sobre você, sobre o Libanês...
Ela ficou assustada.
- Ela disse para onde ia? - Ela não disse nada.
- Lembre-se de fazer o que pedi. - Beleza.
E não seja burro.
- Vou tentar. - Tchau.
Tchau.
E então?
Nada a dizer?
Você está ajudando a gangue mais feroz da Itália,
com dezenas de mortes nas mãos.
Você entendeu?
Você não pode me prender por falso testemunho.
Meu advogado denunciará metade da delegacia.
Você não passou a noite com o Frio.
Ele é um criminoso, mas ama namorada!
As pessoas não me procuram só para transar.
- Então para quê? - Elas vêm se sujar.
Dândi pediu para você vir?
Frio precisava de um álibi e você é o álibi.
Você vai matar por eles da próxima vez?
- Vadia... - Vá se foder!
Esta é sua chance de se livrar do Dândi de uma vez por todas.
Declare que ele te pediu para vir e eu vou prendê-lo.
Você ficará livre. Nós vamos ajudá-la!
Eu faço os homens sonharem,
não morrerem em uma cela.
Alô?
Quando foi isso?
Entendo, em uma clínica. Está certo.
Informe o juiz, por favor. Obrigado.
- A senhora... - Deixe ela entrar.
Entre.
- Como foi sua noite na cadeia? - Normal.
Normal como sempre.
Você pode ir.
Assine aqui.
Não olhe para mim,
estou um horror.
Você nunca está um horror.
- Ele acreditou em você? - Sim. Bom trabalho, querida.
Eu sou sua puta, não seu álibi ou dos seus amigos!
Não se chame de puta. Eu te trato como uma?
- Não, mas você me comprou. - O que está dizendo?
- Deixa pra lá. - Escute aqui...
Não quero ouvir nada, só quero tomar um banho!
O que está olhando? Sou bonito por acaso?
Conheço muitos caras como você:
superficial, ignorante, sem coração.
Talvez você esteja na merda por acidente,
mas sei que você não gosta.
- Terminou? - Sim, terminei.
Pode me dar um cigarro? Me dê um cigarro.
Deixa pra lá.
Você está livre desta vez.
Sua conhecida, a Patrizia, disse que vocês estavam juntos.
Sei que não é verdade, mas não posso provar.
Sei que é um assassino e traficante de drogas,
mas para você, esse pó é só uma mercadoria.
Quem injeta é idiota, certo?
- O que eles são para você? - Mais contos de fadas...
Contos de fadas. Mas um deles significa algo para você.
Seu irmão Gigio.
Uma viatura o achou na rua com a agulha ainda no braço.
Assine e saia daqui.
Cadê o Gigio?
Não adianta correr, Gigio não te esperou!
- Que porra é essa? - Seu irmão morreu por sua culpa!
- Ele queria ser como você. - Saia da frente!
Ele queria ser como você!
Feche a porta.
Vou tirar você daqui,
não vou deixá-lo aqui.
Vou te levar para casa.
Sinto muito pelo Gigio,
juro que vou descobrir quem vendeu a droga para ele.
Mas preciso te dizer algo importante.
Tio Carlo encontrou o Gemito para nós.
O que você quer fazer?
Você e Ricota fiquem atrás, nós vamos na frente.
Andem logo que preciso ir para o casamento do meu primo.
- Pode trazer sambuca para mim? - É para já, querido.
- Com leite? - Sim.
- A colher? - Já está mexido... Merda.
- Carlo! Carlo! - Sim?
Stefano, veja o que está acontecendo.
- Desgraçados! - Socorro!
Saia daqui!
Dândi!
Dândi, nos ajude! Onde você está?
- Estou indo! - Porra, Dândi, cadê você?
Dândi!
- Dândi! - Não...
Dândi! Dândi!
Dândi! Dândi!
Dândi! Dândi!
Com quem o Libanês veio aqui?
Não sei. Ele só disse que gostou do silêncio daqui.
- Estes livros eram dele? - Ainda estão embrulhados.
Talvez ele tenha comprado por atacado.
Já olhou nos olhos de alguém depois de atirar na pessoa?
Eu sempre faço isso, é como se tirassem a máscara.
Um cara sem valor se torna ousado,
um cara corajoso chora, um ateu reza.
Me pergunto como será quando chegar a nossa vez.
Frio.
Frio!
Você está aqui.
Como vai?
Ninguém me seguiu, tomei cuidado.
Scialoja está me dando um tratamento especial,
ele pode te odiar, mas me odeia mais.
Ele acha que eu estava na mansão do Gemito aquele dia.
Que burro! Se nem nós que estávamos lá vimos você.
Devo rir?
Você é quem sabe.
Só me diga por que não atirou quando os policiais chegaram.
- Sua mão ficou paralisada? - Atirar na polícia dá azar.
- Eles estavam nos destruindo! - Tire as mãos de mim!
- E você fugiu! - Tire a porra das mãos!
Quando fugi, Aldo já tinha pegado você,
Búfalo e Ricota estavam acabados, era inútil bancar o herói.
- Isso, finja que tem razão! - Não estou fazendo isso.
Mandei tirar as mãos de mim, porra!
Muito bem.
Você não se importou em vingar o Libanês.
Lá vamos nós de novo.
Deixe o passado para trás e comece a pensar no futuro.
Você não pode apagar o passado, então deixe os mortos em paz.
Essa frase é do Tio Carlo?
Ele treinou você como um cãozinho. Logo levará os chinelos para ele.
O que quer dizer com isso?
Vou te mostrar. Tudo está desmoronando.
Vou mostrar o que está acontecendo. Veja!
- O que é isso? - Contas do Libanês.
As somas não batem com as do Seco.
- O que está dizendo? - Que ele é um abutre.
- Você quer matá-lo também? - Resolva isso.
Entendeu? Você cuida do Seco!
- É sua chance de se redimir. - Você está paranoico.
- Está pulando fora? - Não, eu mato o Seco.
Mas ele não é o problema, você decide quem vive ou morre,
- enquanto os outros faturam. - Como assim?
Eles misturam mais a heroína. Vendem o resto e embolsam.
Por isso pessoas como Gigio morrem.
- Me dê nomes! - Aldo Buffoni.
Impossível!
Não, o Aldo não.
O Aldo não...
Saia, me deixe sozinho, por favor.
De toda forma, agora não é hora de agir,
eles estão atrás de nós.
Não podemos nos separar. Depois resolveremos.
- Me deixe em paz. - Juro que resolveremos depois.
- Acha que os outros são idiotas? - O que quer dizer?
Me diga uma coisa: o que eu sou para você?
Um palhaço engraçado? Um perdedor, um ninguém?
- Dândi, o que está dizendo? - Eu divirto você? Não, não!
É o que muita gente pensa.
Eles dizem: "Chamem o Dândi, vamos dar umas risadas".
"Dândi, nos conte sobre aquela vez..."
E eu conto. Eu sorrio, falo besteira...
Sabe por quê? Assim não ficarão com medo.
E quando paro de rir... eu causo dor...
Porque eu... causo dor.
Ninguém espera isso de mim.
Caras como você eu fatio com um sorriso,
é bem melhor do que isto.
Finalmente a lâmpada acendeu aqui.
Não tinha como o Libanês esgotar a conta.
- Você fez isso. - Não sei quem disse isso, eu...
Vou cortar uma mão, um pé
ou aquela coisa entre as pernas que você só usa para mijar.
Você não encontrará outro que lave dinheiro como eu.
É mesmo?
Eu devia ter te dito, mas o Frio estava lá...
- Ei, eu não sou Frio. - Por isso estamos conversando.
Você não entende, eu não quero conversar.
Já viu a cabeça de um cordeiro?
Eu poderia parti-la em duas, bem assim.
Quero falar com o comissário Scialoja.
Patrizia. Só Patrizia.
Não gastei o dinheiro do Libanês,
eu o reinvesti! Com os chineses.
Sério? Você reinvestiu para si mesmo, seu merda!
Se quiser entrar nessa, me deixe falar.
Oi.
Eu preciso ver você.
Eu também.
Se quiser entrar no negócio,
podemos entrar juntos, mas sem o Frio.
Ele é louco, não entende o que é lavagem de dinheiro.
Não posso trabalhar com alguém assim,
e você pensa como eu.
Só um de vocês está apto a ser o chefe...
Você.
Até o Tio Carlo disse isso.
- Ele disse isso mesmo? - Eu juro, Dândi.
Limpe o suor da testa,
você me dá arrepios de tão nojento.
Me fale sobre os chineses.
Ontem à noite fui dançar salsa e merengue com a Sonia.
Ficou acordado a noite toda, hein?
Você sabe como é...
- Lugar legal. - Gostou?
- O que faremos agora? - Vamos dar uma volta.
Vamos.
Porra, estou sem fôlego pra subir. Ganhei peso recentemente.
- Não aguenta? - Não.
Mas aguenta dançar.
Por que não leva algumas garotas?
- Será divertido. - Com certeza.
Me deixe descansar, essa subida me matou.
Veja o que eu comprei.
A droga dentro é de matar. Quer experimentar?
Você não entendeu.
Entendi o quê? Dê um pega.
Vamos, Frio, só um pega.
- Por que você jogou? - Você não entende o que fez.
O que eu fiz?
Revendeu nossa droga por conta própria.
Você não entende.
Frio, eu juro para você...
Olhe para mim.
Cometi um erro, eu sei.
Vamos considerar como um empréstimo,
vou pagar de volta.
Sabia que isso ia acontecer!
Eu sabia... Droga...
Sabia que isso ia acontecer! Eu sabia!
Merda, porra!
- Eu deveria confiar em você? - Não vai acontecer de novo.
Me ajude, por favor. Devolverei até o último centavo.
- Todos sabem o que você fez. - Eu sei, você está certo!
Na prisão nós compartilhamos tudo:
frio, calor, fome, piolhos.
Sempre contei tudo para você!
E queria contar quem vendeu a droga para o seu irmão.
Foi o Rato! Eu cuido dele, se quiser.
Quer que eu vá para o Brasil com a Sonia e desapareça?
O que devo fazer? Me diga!
Vamos fazer isso: vá para o Brasil com a Sonia,
mas não volte nunca mais, entendeu?
Você tem que sumir para sempre.
Sim, para sempre, eu juro. Me dê um abraço!
- Me dê um abraço e depois suma. - Obrigado, valeu.
- Quer amendoim? - Quero, mas agora saia daqui.
Dândi, diga ao Frio que acabou.
A licença acabou.
O sangue que ele queria derramar foi derramado.
Nós não queremos mais mortes.
E quando digo "nós"... quero dizer "nós".
- Entendeu? - Entendi.
- Entende o que quero dizer? - Sim.
Frio está louco.
Você precisa detê-lo de qualquer jeito.
Não me peça isso.
Ele é como um irmão para mim.
Não posso fazer isso como quer que eu faça.
Eu juro...
- Aldo Buffoni foi o último. - Está certo.
Mas se ele não for o último, será o último mesmo assim.
Pois se ele continuar assim, a coisa que você não quer fazer
será feita por nós.
Saúde.
Saúde, Tio Carlo.
Falei com o Ciro.
Ele ainda está chorando pelo irmão.
Mandei ele pegar o dinheiro e dar o fora.
Então o que posso dizer? Tudo em ordem.
Tudo em ordem...
Se as geleiras derreterem e Roma afundar em um mar de lama,
você continuará dizendo: tudo em ordem.
- Seco ainda está vivo? - Está.
- Então vocês fizeram um acordo. - O que está dizendo?
Amigo, posso ser um eremita aqui na floresta,
mas não sou um monge.
Eu poderia ter matado vocês dois se quisesse.
Mas não dou a mínima, façam o que quiserem.
Acredite em mim.
Nunca vou lutar contra você.
Eu sei. Talvez só uma facada pelas costas.
Você sempre quis agradar aos outros.
Por isso é tão mentiroso.
Por que diz isso? Não diga isso para mim.
Eu encontrei a Roberta, ela trabalha em uma galeria.
Posso trazê-la aqui se você quiser.
Se não quiser, aqui está o endereço.
Eu deveria ter te contado imediatamente,
e te deixado escolher.
Sabe o que as pessoas dizem sobre você? Sabe?
Sim.
Mas não tive nada a ver com Bolonha.
Você queria construir nossa vida com mentiras?
Eu não queria perder você.
Roberta...
Eu queria desistir de tudo para ir embora com você.
Mas então... as coisas ficaram complicadas.
Me deixe em paz.
Sinta como meu coração está batendo rápido.
- Mandei me deixar em paz. - Eu preciso de você.
Me deixe viver minha vida. Quero viver em paz.
Por favor.
Me deixe viver em paz.
Perdão, nunca mais quero ver você.
Pensei muito sobre a última vez que nos encontramos,
quando você me prendeu e depois me soltou.
Por quê?
Para incriminar o Dândi?
- Não. - Por que você me acariciou?
O que quer de mim?
Não diga nada.
Me ajude a pegar o Dândi.
Siga o Rato.
Eu não fiz nada.
Não tenho nada com isso, nem conheço essas pessoas.
Queremos salvar sua vida, eles estão te esperando.
Frio não deu um tiro na sua cara
mas quando sair daqui, talvez o Dândi dê.
A menos que você nos ajude a pegá-los.
Se sair e eles estiverem lá fora, você será um rato morto, sabia?
Ele não deve intimidar meu cliente!
Não estou intimidando ninguém! Rato, quer sair daqui?
Então vá! Pode ir agora!
Se tiver algum pedido especial para o seu enterro,
diga ao Colussi. Vá, você é um homem livre.
- Não diga nada. - Pode ir!
Comissário, eu quero...
- Quero despedir meu advogado. - Pense bem.
Exijo uma retratação da acusação, esse interrogatório acabou.
- Não acabou, agora saia! - Não diga nada.
- Por favor, saia daqui! - Não estrague tudo.
Fique calmo.
Você fez a coisa certa.
- Você vai me ajudar? - É por isso que estamos aqui.
Eu...
Eu faço parte...
de uma organização criminosa.
- Certo? - Sim.
- É verdade. - Colussi...
Fique calmo, ou não entenderemos você.
Respire fundo e nos conte tudo, certo?
Eu faço parte...
Por anos, fiz parte dessa organização criminosa.
"Por anos, fiz parte dessa organização criminosa."
Muito grande e poderosa.
"Muito grande e poderosa."
Eu era encarregado de garantir a qualidade das drogas...
"Eu era encarregado de garantir a qualidade das drogas."
- Conheço todos eles. - "Conheço todos eles."
Casas de apostas, terrenos, imóveis, eles têm tudo.
Eles até compraram uma boate
e, tirando você, ninguém nunca os incomodou,
pois eles são amigos de mafiosos, terroristas e alguns policiais.
Sei que o Frio me quer morto, e que Dândi está no comando agora.
Dândi, saia de casa agora,
a polícia está indo te pegar.
Aqui estão os documentos falsos, desapareça por um tempo.
A mansão do Libanês não é uma boa ideia.
Vamos te levar para uma casa na Córsega.
E veremos o que podemos fazer sobre o julgamento.
Pare.
Abra a cela que vou matá-lo com minhas próprias mãos.
Vá pra lá. Coloque ele com os recém-chegados.
Sinto muito, Pele e Osso.
Eu também.
Estou farto de ficar no exterior como um presidiário.
Eu avisei o advogado
que quero minha ficha criminal em branco.
Assim se eu mudar de vida, posso sair pela porta da frente
sem ter pesadelos com a polícia.
- Scialoja ainda é seu pesadelo. - Foi por isso que te liguei.
Ele está obcecado por nós.
Somos culpados de tudo.
- Então não temos nada a perder. - O que devo fazer?
Duas coisas. Primeiro o Scialoja.
Mas precisa parecer um acidente ou Tio Carlo vai enlouquecer.
Não será fácil, ele é policial e está sempre acompanhado.
Faça o que puder, esses sicilianos de merda
pensam que só eles podem matar policiais e juízes.
- Quem mais? - Um banqueiro de Milão.
Um idiota que está incomodando nossos amigos.
Seus amigos, os maçons que brincam com o avental.
Sim, esses trouxas mesmo.
Que brincam com bússolas, capuzes e números de membros.*
Eu até tenho um número.*
Uma vez em uma reunião fui chamado de "Irmão Pedreiro".
Justo eu, entendeu? Se meu velho pai ouvisse isso...
ele queria que eu fosse pedreiro.
Não conseguimos achá-lo.
- O que o Scialoja queria? - As perguntas de sempre.
Não me venha com bobagens. Dândi me pediu para matá-lo.
Não ligo para o namoro de vocês, quero saber se Dândi quer matá-lo
por causa do Frio, do Libanês, dos outros que estão presos,
ou se é apenas coisa de homem.
Se for pelos nossos amigos, vou matá-lo.
Se não, vocês que resolvam.
Por que essa urgência em me ver?
- Precisamos conversar. - Sobre o quê?
Quero fechar o bordel e parar de trabalhar.
Já falei com as meninas.
Acho que se eu vender a casa, posso comprar dez apartamentos.
Vou morar com você.
É mesmo?
Sim. Mas coloque a casa no meu nome.
- Quero ser a chefe da casa. - A casa é sua.
A casa não é suficiente.
O que mais você quer? Diga o que mais precisa.
Você me quer para sempre? Para sempre mesmo?
Então não toque no Comissário.
Mande o Negro recuar.
- Por que liga para esse verme? - Eu não ligo.
Mas quando ele me interrogou,
me tratou bem, como uma dama.
Porque ele estava com medo de mim.
- Talvez, mas não o mate. - Tudo bem.
Prometa.
Prometa pelo bebê que teremos.
Eu prometo. Eu juro.
Agora me foda direito.
- Bom dia. - Sr. Pisano, posso?
Bom dia, Comissário.
Aqui está a correspondência e o jornal.
Isso é urgente, mandaram da Córsega.
- Algo errado? - O mesmo de sempre.
É uma lembrança de alguns anos atrás.
Vou deixá-lo sozinho.
- Bom dia, Simone. - Bom dia. O carro está chegando.
Obrigado.
Sr. Danconi?
Bergomi, Scirea, Tardelli...
Gol! Gol! Outro de Tardelli! Acabou!
Campeões do mundo! Campeões do mundo!
A Itália vence a final contra a Alemanha por 3 a 1!
Junto ao Brasil, eles conquistaram o mundial três vezes!
Correio!
Frio, é para você.
Vou continuar escrevendo,
talvez algum dia você responda.
- Ricota, você está famoso. - Valeu, seu guarda.
Frio...
Tem o nome do Búfalo também.
"Processo contra um novo tipo de crime
ligado ao terrorismo, a máfia..."
De acordo com o artigo 488 do Código Penal,
o Tribunal de Roma declara os réus:
Francesco Avolio, conhecido como Frio,
Carlo Sopranzi, conhecido como Ricota,
Giovanni Moneta, conhecido como Ciclope,
Marcello Calisi, conhecido como Pele e Osso,
Ciro Buffoni e Romolo Mirabelli, conhecido como Rato,
culpado dos crimes mencionados com as seguintes sentenças:
Francesco Avolio, conhecido como Frio,
30 anos de reclusão.
Carlo Sopranzi, conhecido como Ricota, 30 anos.
Giovanni Moneta, conhecido como Ciclope, 7 anos.
Marcello Calisi, conhecido como Pele e Osso,
5 anos.
Ciro Buffoni, 2 anos e 4 meses.
Romolo Mirabelli, conhecido como Rato,
1 ano e 3 meses.
A condenação também inclui o pagamento das custas judiciais.
- Muito bem, Rato! - Silêncio!
- Faça silêncio! - Agora você vai se ferrar.
Comporte-se!
De acordo com os artigos 88 e 222 do Código Penal,
o Tribunal rejeita o processo contra Settimio Pascale,
conhecido como Búfalo, por considerá-lo doente mental.
Ele deve ser detido por 10 anos
em um manicômio judiciário.
Por fim, de acordo com o artigo 479 do Código Penal,
o Tribunal absolve Bruno De Magistris,
conhecido como Dândi, devido à falta de provas.
O Tribunal rejeita todos os outros pedidos.
Está encerrada a sessão.
Silêncio!
Me dê a garrafa, porra.
- Me deixe! - Você já bebeu demais.
E você fala demais!
Tinha que ficar bêbada hoje à noite?
Você está virando um cidadão de bem, não eu.
- Eu ainda sou a mesma. - Não, querida, pare de beber.
Tenho planos para você, vou te fazer virar atriz.
Claro, de filmes pornôs!
Vamos.
Obrigado, boa noite.
- É muito. - Dê o fora.
- Também estou indo. - Toque aquela dos amigos de novo.
- Scialoja. - Aqui é o tenente Liguoro.
Houve um acidente perto do Castelo Sant'Angelo,
uma mulher em estado de confusão perguntou por você.
E disse que se você não vier, ela não sairá daqui.
O que aconteceu?
Leve-a para o hospital amanhã.
Não me diga o que fazer. Vou ligar para o Dr. Mainardi.
Fique tranquila, querida! Mantenha a calma.
Sou eu. Se acalme, querida. Comporte-se. Vamos.
Querida, sou eu.
Obrigado por esta noite,
você também deveria me agradecer por ainda estar vivo.
Na verdade, deveria agradecê-la,
porque quando você jogou todos nós na prisão,
ela contou que você a tratou como uma dama,
e ela pensou que acreditei nela.
Todos acham que sou mais idiota do que sou.
Saia da minha casa agora.
Agora vou ligar para o médico.
O que fizeram com você?
Sua correspondência, Sopranzi.
Meu primo escreveu para mim.
Frio, esta é para você.
Coloque na mesa, por favor.
Você não entendeu, é para você.
Meu amor,
vi você atrás daquelas grades e chorei por horas.
Não acredito que estará na prisão todos esses anos,
não posso acreditar, mal consigo suportar.
Não quero perder a esperança de vê-lo novamente.
Como está?
Mainardi, preciso que me faça um favor.
Sente-se.
Quero conversar com um amigo, não com um profissional.
Pode falar.
Sempre fomos bons com você, te demos bastante cocaína,
agora precisamos que devolva o favor.
- Dê um jeito de soltar o Frio. - Que jeito?
Ouvi falar de um cara que injetou sangue infectado.
Você tem algum paciente com sangue doente?
- Alguém realmente doente... - Claro. Mas não posso fazer isso.
- Se injetarmos o sangue nele... - Ele sairá da cadeia.
Sim. Mas depois ele morrerá.
- Ele sabe e disse que tudo bem. - Não posso.
Encontre outra pessoa para fazer isso.
Passei 20 anos construindo minha carreira.
Não me coloque na merda.
Acha que é fácil para mim matar o cara que é como meu irmão?
- Eu sei, mas... - Acha que é fácil?
Acha que gosto de te pedir para me trazer esse veneno?
Não.
Vou esmagar sua cabeça se não aceitar, seu bosta!
Juro por Deus. Vou contar até três! Um...
Está certo, tudo bem!
Eu faço.
Bom menino.
Agora estamos nos entendendo.
Tem certeza, Frio?
Manda ver.
Já vamos começar o tratamento.
- Olá. - Vem cá.
- Ela pode entrar no quarto? - Não.
Não se preocupe.
Vamos nos afastar um pouco, se não se importa.
Já faz tanto tempo.
- Quanto tempo, meu amor. - É tudo encenação.
Estou fingindo. A cadeira de rodas, a doença,
é tudo para sair da cadeia e ficar com você.
O quê?
- Quer ir embora comigo? - Como?
Planejei tudo com o Dândi.
Sairei amanhã e iremos para a França.
Vendi tudo para subornar juízes, policiais, enfermeiras.
Estamos quebrados, mas temos uma casa na França.
Lamento, mas é hora de ir.
O relatório diz seis meses. Esse é o tempo que tenho?
Depende. Pode ser dez vezes mais.
Ou menos ainda. A doença vai decidir.
Quando começar agir, ela se comportará como uma pessoa.
Se não gostar de você, pode te matar em um mês.
Certo.
- E quanto ao resto? - O resto...
Falei com o Dândi:
três dias no máximo. Adeus.
- Ei, Dândi. - Ei, Frio.
Coloquei os documentos falsos no táxi do primo do Pele e Osso,
ele sabe como levá-lo até a fronteira.
Nos vemos por aí, certo?
Cuide-se, irmão.
Isso é seu, lembra?
Não vou precisar.
- Tome cuidado, certo? - Vou tomar.
Fique atento.
O almoço está quase pronto.
- Não estou com fome. - Tudo bem.
CONDENADO A 30 ANOS SAI DA PRISÃO POR UMA DOENÇA INCURÁVEL E SOME
Estou muito satisfeito com meu cavalo.
Ele pertencia a um árabe que não queria vendê-lo.
Dândi, saia de casa agora, a polícia está indo te pegar.
- É a mesma voz. - Sim, é a mesma.
Aqui está o relatório.
Eugenio Carenza,
empresário de Cremona.
Falido duas vezes, nunca condenado.
Quando jovem militou no movimento estudantil.
Viagens à América do Sul e Tchecoslováquia.
Depois não houve nada por cinco anos.
E aqui está ele de novo.
Envolvido com tráfico de armas na África do Sul.
- Olá, Corinne. - Olá, Roberta.
- Como você está? - Bem, e você? Quer um café?
Querido, você está aí?
Está no banheiro?
Desculpe te fazer esperar, sente-se.
A que devo sua visita?
Ao fato de que nossos caminhos se cruzaram muitas vezes
ao longo dos anos.
E isso é estranho,
considerando que eu lido com criminosos
e você lida com algo completamente diferente.
Através de rumores, declarações, telefonemas,
confirmações objetivas,
descobrimos algumas coisas muito perturbadoras sobre você.
- Está aqui para me prender? - Ainda não.
Solicitarei uma investigação
para descobrir quem você realmente é.
Vou te contar e me poupar da calúnia.
Sou um servo do Estado.
Devido ao meu trabalho, interajo com o mal,
assim como você.
As pistas que venho juntando há algum tempo
indicam que tudo terminará em breve.
A divisão do mundo,
o muro de Berlim, sob cuja sombra eu envelheci,
mostra rachaduras evidentes e será demolido em breve,
cobrindo com seus escombros
a classe política dos últimos 50 anos.
Sairei de cena um minuto antes do terremoto.
Não perca seu tempo me removendo, a história fará isso.
Mas antes...
Como você deixou o Frio escorregar por seus dedos?
Minha admiração por você vacilou,
espero que não me decepcione de novo.
Por exemplo, amanhã
Búfalo saíra por cinco dias do manicômio judiciário.
Você sabe o que esse cavalheiro fará quando sair?
Claro, ele diz isso há anos, tentará matar o Dândi.
Certo, e você deve impedi-lo.
- Impedi-lo? - Sim.
Vim para dizer que será preso em breve
- e você me dá ordens? - Não foi uma ordem.
Impedir o assassinato de um cidadão inocente
é seu dever.
Quer sair hoje à noite?
Não.
- O que há de errado? - Nada, querida. Por quê?
Me abrace.
Me abrace.
Me beije.
Tire minha roupa como se eu fosse um bebê.
Fiz muita merda na minha vida,
mas desde a primeira vez que te vi,
e pelo resto da minha vida,
você tem sido a melhor coisa e também a mais bonita
que um homem como eu poderia esperar.
Você me conhece bem,
mas tem muita coisa que não contei.
Uma delas é que estou doente, muito doente,
e quando chegar a minha hora, quero estar sozinho...
Quero poupar você da dor, dos tratamentos, do sangue,
e de tudo o que vier antes da minha partida.
Vá fazer o trabalho que tanto ama,
mas que desistiu por minha causa.
Posso imaginar você,
com seus óculos, empertigada,
entre estátuas, pinturas, livros, antiguidades e coisas bonitas.
Posso te imaginar, querida. Meu amor.
- Isso é Art Nouveau. - Isso.
- De quem é? - Sarah Bernhardt.
- Uma atriz francesa famosa. - É muito refinado.
Sim, é mesmo. Ela era amante de D'Annunzio.
Eu sabia disso.
Separe para mim, estou construindo um prédio na Piazza Navona.
- Legal estes, são gregos? - Não, Luís XVI.
Quero morar no centro de novo,
meu pai foi expulso de lá anos atrás.
Embrulhe estas coisas do Luís também.
- Até logo, Mike. - Tchau, Dândi.
Celebrações em Berlim pela abertura da fronteira.
A cidade símbolo da divisão das contra-potências na Europa
saiu às ruas para comemorar a queda irrefreável do muro.
- Aqui. - Obrigado.
- Bom dia. Quero um café. - Oi, Roberta.
- Seu café. - Obrigada.
- Quanto devo? - Duzentas liras.
- Obrigada, tchau. - Tchau.
Passe para o Comissário Scialoja.
Avise que é o Frio.
Acho que você não entendeu,
estou de volta à Itália para me entregar,
vou te contar tudo.
Quem nós realmente éramos,
quem nos conhecia, quem nós conhecíamos,
quem nos protegia.
São nomes importantes.
Só peço uma coisa,
sem aborrecimentos no aeroporto.
Só preciso de algumas horas
e então serei todo seu.
Essa é minha carta de demissão.
Saio de cena na ponta dos pés, sem fazer alarde.
No futuro, pessoas como eu não serão necessárias,
porque não haverá nenhuma democracia para salvar
apenas interesses privados,
batalhas por mais poder, mais dinheiro.
Os poucos arquivos que levo comigo
são sobre homens que devem se salvar da tempestade,
muitas vezes pessoas vis,
almas negras, capitães mercenários.
No entanto, como já vimos na História,
serão elas que governarão o caos.
Foi aqui que tudo começou.
Quando éramos crianças
roubamos um carro atrás daquele prédio
Estavam o Libanês, o Dândi, eu e o Grande.
E também o Andrea,
que nos deixou naquela mesma noite.
Era uma noite como esta,
ameaçadora e nublada.
Talvez a morte dele tenha sido um sinal,
nos dizendo para sermos bons e nos colocarmos no nosso lugar,
ou acabaríamos como ele.
Em vez disso, pensamos que era melhor morrer como ele
do que bater um cartão de ponto pelo resto de nossas vidas.
- O que disse a ele? - Que a esposa quer se reconciliar.
Mas ela quer que seja na frente de um padre.
Um tal de Don Antonio.
Naquela igreja que você disse. Vá até lá amanhã de manhã...
Onde está a arma?
Bem aí.
Você se casou mesmo?
Sim.
Quem diabos casou com você?
Uma maluca.
Ela é tão pequena que,
quando saímos, ela parece meu estepe.
- Mas ela me ama, me ama mesmo. - Estou feliz por você.
Me deixe aqui.
- Aqui? - Sim.
- O que tem aqui? - Nada.
Frio... eu respeito você.
Tenho uma reunião com o padre, ele está?
Não, ele não virá hoje.
Ciro.
Frio.
- Bom dia, Comissário. - Bom dia.
Parece um acerto de contas.
Olá, Scialoja.
Que pena, ele poderia ter sido útil.
Provavelmente.
Posso parabenizar o novo chefe de polícia?
O que estão fazendo? Cubram logo esse corpo!
Frio!
Desgraçados!
Cadê vocês?
Que batida, o que aconteceu?
Andrea, corra, a polícia está chegando!
Frio, o que aconteceu?
- Corra que eu quero ver! - Corra, a polícia!
Estou correndo!
Frio, me dê sua mão!
Legendas: Mateuscrg e JuLima
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