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Conheci a Laura no ensino m�dio.
Sempre soube que me casaria com ela,
e que ela seria uma m�e amorosa e carinhosa
que criaria meus filhos.
Essa � a Zoe, a beb� da casa.
V� com seu pai.
Ela � um pouco rebelde.
Acho que a mimamos demais porque ela nasceu prematura.
Mas tamb�m porque, com o trabalho e a casa, Laura est� sobrecarregada.
- Annie. - S�rio?
N�o tem sinal, preciso ligar para o ��igo.
Ana, minha filha adolescente. Tiktoker, influenciadora, YouTuber.
Ela � muito simp�tica e gosta de passar tempo com a fam�lia.
- Cad� o Dante? Cad� seu irm�o? - N�o sei, m�e, para!
Desculpa.
Dante, meu primog�nito.
�s vezes, eu o vejo meio perdido,
mas ele � assim. Ele � meio�
Ele est� numa fase meio� Como posso dizer?
Uma fase experimental.
- Obrigada por nada. - O que eu fiz?
Nada! Esse � o problema, voc� n�o faz nada.
Por que n�o passamos um tempo de qualidade em fam�lia?
- Ana! - Certo! Eu tamb�m te amo, tchau.
Temos que esperar a Ana. N�o quero interromp�-la.
Eu a for�aria a entrar,
mas o terapeuta disse que n�o devemos pression�-la.
Ent�o ela pode entrar depois. Estamos na fila h� uma hora.
Luis, n�o! Vamos todos juntos.
Quero entrar agora, droga!
Voc� devia ter comprado o bilhete de acesso total.
Que voc� n�o queria pagar porque teve medo de baixar o aplicativo.
Fa�am o que quiser! Vamos entrar, querida.
Inacredit�vel.
Vamos l�.
Vamos. Dante, por favor.
- Zoe, espere! N�o corra! - Voc� est� perdendo!
Eu sei, mas tamb�m estamos aqui h� uma hora.
Claro, sinto muito.
Zoe, querida, espere! N�o corra!
E eu sou o cara vagando por a� como uma alma penada, Luis Villarreal.
O dono do jornal Di�logo do Cidad�o.
� o legado do meu pai, Ignacio Villarreal, um velho lobo do mar.
Ele nunca me abra�ou nem me beijou.
Mas assim eram os homens dur�es de antigamente, n�?
"Huehuet�atlatahualtacoyotxintitl, filho ileg�timo de Huitzilopochtli,
foi um dos guerreiros astecas que lutou durante a conquista.
Seu enorme desejo de defender os astecas o levou a ser invenc�vel."
"Ap�s sua morte, ele se tornou o deus dos sonhos e desejos.
Acreditava-se que ao fazer um desejo, Huehuet�atlatahualtacoyotxintl
tocava sua flauta e o realizava."
Mocinha! N�o fa�a isso! Zoe, n�o. Venha aqui!
- Ele n�o vai usar. - N�o � qualquer um.
Este � Huehuet�atlatahualtacoyotxintl. Tenha respeito!
N�o toque nas coisas.
S�o objetos fr�geis.
M�e, quero ir embora! Aqui � horr�vel!
- Querida, pare. - Odeio este museu!
- Aproveite, n�o vamos demorar. - Qu�? Ningu�m gosta de Puebla!
N�o consigo ligar para o ��igo!
Estamos andando em c�rculos� N�o me d� as costas!
Terei um ataque de ansiedade se der as costas para mim!
Por que s� est� me repreendendo? O Dante que � um idiota!
Devia ter me deixado ir com o ��igo!
Odeio esta fam�lia!
Huehuet�atlatahualtacoyotxintitl,
mesmo que eu seja ateu, pe�o que mude minha fam�lia.
Imagina s�
Se minha fam�lia pudesse mudar.
N�o. Isso � imposs�vel.
- Me solta! - N�o! Espere!
- Sou o pai dela. - Escolha algu�m do seu tamanho!
N�o a empurre! Ela s� tem sete anos!
ADAPTA��O | REVIS�O | SINCRONIA: QUER SE JUNTAR A N�S? | loschulosteam@gmail.com
� s� uma crian�a! N�o seja t�o retr�grado!
- Onde estava? - Te conto depois.
- Uma foto desta linda fam�lia? - Pode ser.
S�rio?
- Luis! - O qu�?
- Podemos tirar uma foto de fam�lia? - Claro, vem c�.
Sorriam!
��igo, n�o sei por que comentou com cora��es e foguinhos
na foto em que a Natalia mostra a bunda.
E voc� nem posta uma foto comigo!
N�o quer mostrar que somos um casal?
Quando postei uma foto de biqu�ni, voc� s� comentou: "Que linda."
Como assim "que linda"? Eu queria emojis de foguinho!
Claro que sim! N�o era o quadril dela!
Dei zoom e est� bem claro!
Est� literalmente na marquinha do biqu�ni dela!
Mais uma vez, por favor. Quais foram as primeiras culturas?
- Que culturas? � meu anivers�rio! - Responda.
Aqueles que os espanh�is mataram?
Os branquelos nos enfiaram a religi�o goela abaixo.
Onde ouviu isso, Zoe?
Silvina e Tacha me contaram.
Os espanh�is eram uns babacas.
Silvina e Tacha n�o est�o erradas, mas voc� n�o pode falar assim.
Al�m disso, voc� tem passaporte espanhol.
Est� vendo, m�e?
Prefiro correr nua entre pir�mides e corpos sacrificados.
Por isso nunca convido meus amigos.
� um show de horrores.
N�o os convida porque n�o quer.
Mas deveria. Seu irm�o precisa de uma namorada.
M�e, pelo amor de Deus, ele � 100% psicopata.
Essa � a �ltima vez que fala assim do seu irm�o.
Tanto faz. Voc� sempre diz isso.
Certo. Vamos continuar, por favor.
Ent�o�
Qual �
O que � isso, Zoe?
Voc� roubou?
N�o sei, acho que n�o.
Luis, entendo que esteja preocupado com o jornal,
mas concordamos em passar um tempo com as crian�as.
Certo, tanto faz.
Tudo bem.
- Vamos recome�ar, Zoe. - Droga, m�e.
- N�o preciso que me diga o que fazer. - Perfeito, fa�a sozinha.
Mas se for expulsa de novo, vou coloc�-la numa escola p�blica.
Se dependesse de mim, eu iria amanh�.
Cansei daqueles fedelhos e dos metidos a bonzinhos!
Crian�as�
Talvez seja hora de dormir.
N�?
Qual �, pai, s�o 19h.
Papai disse que devemos dormir, e Zoe n�o quer fazer o dever.
Ent�o vamos dormir!
Todos! Vamos!
Se tocar essa coisa de novo, juro que jogo pela janela.
V� dormir.
O que foi, amor?
O que aconteceu?
O que faz aqui?
Quando pegou isso?
N�o use o celular t�o cedo.
O que est� havendo?
- Pai? - Mam�e?
Que noite maluca.
Dante! Quem � voc�?
O que deu em voc�, Laura?
- O que foi? - N�o!
M�e?
Certo, vamos manter a calma.
Podemos ir a um hospital.
Deve ser algo errado com a �gua, n�?
Ou com a comida.
- Eu disse para n�o nos vacinarmos. - N�o.
Voc� que insistiu, Luis.
Quatro doses foram demais!
At� comprou passagens para os Estados Unidos.
Pessoal, s�rio, isso � um pesadelo.
Onde est� o meu ��igo?
- Meu ��igo. ��igo! - N�o.
N�o podemos ir ao hospital.
V�o nos dissecar como animais.
Somos um fen�meno cient�fico.
Ent�o�
Laura, qual � o plano?
Precisamos manter a calma�
e voltar para casa. Essa � a prioridade.
- Depois decidimos o que fazer. - Que se dane.
� minha viagem de anivers�rio. N�o quero voltar.
- Zoe, pelo amor de Deus. - Querida.
- N�o podemos sair assim na rua. - N�o gosto de ser velho.
Tenho cheiro de calcinha velha.
Isso � t�o zoado!
- Ol�! - Saia do meu quarto!
Desculpe. Vem, Dante.
Oi, bom dia. Est� tudo bem?
N�o. Est� tudo bem bizarro.
Qu�? Sim, vamos embora.
A festa foi cancelada?
Foi, sim. Por favor.
Seu bolo, os bal�es estavam lindos, o m�gico�
- Mas� - O palha�o�
Chega! Vou viajar com Silvina e Tacha para Veracruz!
De acordo com a nossa pol�tica de cancelamento,
haver� um custo extra. Deixe-me verificar, est� bem?
Pronto. Aqui est� a fatura.
N�o, isso � ultrajante!
� mais importante ir para casa e resolver tudo isso.
Vai pagar com cart�o?
Eu pago.
Eu vou pagar. Abram alas.
Sei como fazer isso.
- � assim, n�? - Foi recusado.
Deixe-me ajudar.
- Insira novamente. - Certo.
- Certo. - Deixe comigo.
- Eu quero fazer. - Pode fazer.
- � claro. - Legal.
Obrigada pela visita.
Espero que tenham tido uma boa estadia e que se sintam diferentes�
Sim, temos que ir.
� a droga do meu anivers�rio!
- Tem habilita��o, Dante? - N�o.
Mas eu tenho.
Agora precisa de mim, n�?
Prefiro morrer.
Sai, pai.
Qu�? Eu dirijo bem.
- Voc� n�o passou no teste. - Claro que n�o.
Cuidado, voc� arranhou o carro!
Que merda!
Ana, cuidado!
Para!
Tudo bem. Pronto.
E a�, Gonz�lez?
- Eu sei, m�e. - Sr. Villarreal?
Atenda a liga��o. Atenda.
Oi!
N�o, assim, aja s�rio.
- Aja com seriedade. - E a�?
Como v�o as coisas no escrit�rio? E o jornal?
Tem pap�is para assinar?
Desculpe incomodar no seu dia de folga.
Mas eu e o pessoal queremos saber como vamos ficar
depois da fus�o.
Ter� demiss�es? O que vai acontecer?
Disse que ter�amos uma resposta hoje.
Sim, eu esqueci.
Diga que eu� que voc� estar� l�.
Eu vou hoje.
Sim, vou para o escrit�rio.
Eu ando meio bobo ultimamente.
Dante, se n�o fosse meu filho�
Escute. V� tirar sua habilita��o.
N�o. O que a vov� est� fazendo aqui?
Ela me perguntou se podia ficar aqui.
Luis, d� uma desculpa e pe�a para ela ir embora.
Certo, vamos l�.
M�e?
- O que devo fazer? - Nada.
Ol�.
- E a�? - Oi, Viviana.
N�o, Anita. Lembre-se, s� o Dante pode me chamar de Viviana.
Laura.
Tenho que levar Zoe para o escrit�rio.
Tanto faz.
Estou cheia de problemas para resolver com o ��igo.
- Ana! - O qu�?
Certo, mas n�o a deixe falar muito.
- Pai? - Quer dizer�
Ol�!
Zoe�
- Tchau, Tita! - Zoe!
Inacredit�vel. Voc�s realmente mudam depois das f�rias.
- Est�o muito estranhos. - Vov�, n�o estamos no clima.
Pode me ajudar? D� licen�a.
N�o. Odeio minha fam�lia.
Ainda bem que puxou ao nosso lado da fam�lia, querida.
Venha comigo.
Voc�s deveriam fazer terapia psicanal�tica.
- S�rio? - Os Aramburuzabalas foram a Monterrey
e conseguiram uma terapeuta maravilhosa.
Ela mudou todos. � o que deviam fazer. Mudar.
Est� cheirando a mofo aqui.
Podia ter deixado uma janela aberta, pelo menos.
Viu? Onde est�o Silvina e Tacha?
Elas n�o vir�o. Dei a elas uma semana de folga.
Quer dizer, a mam�e deu uma semana de folga.
Vov�
Viviana.
N�o pode ficar muito tempo.
Voltamos com uma gripe muito rara.
Estamos muito doentes.
Laura, n�o acho que esteja doente.
Al�m disso, quero dar o presente de anivers�rio da minha querida Zoe.
Um bolo de anivers�rio.
- N�o �? - Essa � a quest�o.
Temos uma doen�a na barriga.
N�o era uma gripe? Espere, estou falando.
Exatamente. S�o as duas coisas. Voc� pega gripe,
tem catarro, vai para o intestino e depois para a bunda.
Uma diarreia terr�vel.
Esta fam�lia sempre comemora anivers�rios.
- N�o �, Zoe? - Oba.
Ana!
Querido, por favor.
DI�LOGO COM CIDAD�OS JORNALISMO CR�TICO DESDE 1933
SE CONSEGUE LER ISTO, � UMA VADIA
Zoe.
Apague isso.
- O que foi, Zoe? - Meu anivers�rio foi uma merda.
Olha.
Preciso que entenda que os funcion�rios
n�o querem que o jornal se modernize.
Eu tamb�m n�o.
N�o, queremos que ele se modernize porque ser� digital.
E vamos atrair novos leitores de outras gera��es.
Por isso estamos conversando com um novo s�cio chamado Braulio Schmitz.
� o cara que voc� diz ser um p� no saco?
Zoe, por favor! Eu nunca disse isso. � s� que�
Eu s� disse que t�nhamos� nossas diferen�as.
Ent�o � a mesma merda.
Certo, Zoe, olha.
A quest�o � que, se o jornal se tornar digital,
teremos que demitir todas essas pessoas.
E elas trabalham pra gente desde o in�cio.
Mas tamb�m precisamos do Braulio.
Voc� entendeu? Vem c�.
Desculpe interromper, senhor, mas todos est�o inquietos.
O que vai acontecer conosco?
Precisamos saber.
Claro, venha comigo, est� bem?
Senhoras e senhores,
vai ficar tudo bem.
Garoto�
acho que agora n�o � o momento.
Precisamos saber do seu pai.
O que vai acontecer conosco, senhor?
Quando meu pai me deu o Chucky,
um cachorro de rua bob�o, fiquei muito feliz,
mas ent�o o Chucky se perdeu,
e disseram que me dariam
um novo cachorro de ra�a pura,
mas eu n�o queria porque o Chucky
sempre foi muito importante para mim.
Mesmo que ele fosse um cachorro feio e fodido,
sempre esteve ao meu lado nos momentos bons e ruins.
Somos todos Chucky.
- Somos todos Chucky! - Somos todos Chucky!
Somos todos Chucky!
A� vem o bolo.
Olha, querida.
Muito bem.
Isso. Bravo! Voc� tem sete anos agora, meu anjo.
Sopre a vela, vamos l�.
Luis, por favor.
Sei que teve uma inf�ncia dif�cil, mas n�o � seu anivers�rio.
Est� tudo bem.
Sem ataques, certo?
Deixe-me ver.
Certo. Este � para voc�.
Venha comigo, querida.
- A textura� - Tenho outro presente para voc�.
Venha comigo. O que foi, Zoe? N�o parece muito feliz. Suba.
Olha, Zoe.
Sua velinha. Fique para voc�, meu amor.
Esse anivers�rio est� uma bosta!
Olha isso, que lindo!
Est� muito lindo.
� o vestido mais lindo que j� vi na vida.
� incr�vel.
Minhas amigas ficar�o com inveja.
Voc� est� linda, princesa. Agora, d� uma voltinha.
D� uma voltinha. Pronto.
� a mochila do Unicorn Adventure!
Tem todas as cores.
� t�o lindo! Com todos esses z�peres e bolsos.
Isso n�o tem gra�a.
N�o � hora do seus traumas.
Eu devia ter ouvido seu pai e te levado � terapia.
Pelo amor de Deus.
Minha princesa, deixe-me ver.
Voc� est� t�o linda.
Este � o pior anivers�rio
da hist�ria dos piores anivers�rios!
Por favor, tentem entender seu pai.
Est� muito estressado.
Ele trabalha muito.
N�o ouviram de mim, mas�
nunca comemoramos o anivers�rio dele.
Seu av� e eu pensamos que�
Vimos que ele era uma crian�a muito sens�vel, e n�s�
Ele se chateava com tudo.
At� pensamos que ele era homossexual.
J� chega! Pare.
- Sim, j� chega. - Chega.
Estou cansada.
Podemos ir para a cama agora?
Sim, querida.
Acho que � melhor.
Depois desse espet�culo.
� melhor assim.
Voc� � t�o bonito.
Eu te amo. S�rio, voc� � o amor da minha vida.
Eu te amo.
N�o, eu te amo.
Olha como minha salsicha balan�a!
Boa noite!
REUNI�O DE FUNCION�RIOS
Rodrigo�
OCUPADA? SAUDADES
SEMANA COMPLICADA
RESERVEI UM CHAL� PARA N�S DOIS
Dante?
Dante!
Por que est�o dizendo que estou ganhando no Resident� sei l� o qu�?
Brega!
"Se n�o me matar com balas,
vai me matar com essas pernas, gata?"
Me cubra, Dante!
Zumbi idiota.
Seus amigos s�o uns machistas.
"Sentar sensual". O qu�?
Espere, o qu�? @ManuVizz?
"Garota sexy."
Legal.
N�o perca, est� bem?
E se cubra!
Zoe, por favor! Pare!
Ouviu isso?
Minhas costas estalaram.
O papai estala em todos os lugares.
Devia dormir um pouco.
Acha que tudo voltar� ao normal amanh�?
Espero que sim. N�o aguento me ver assim.
Com todas essas rugas.
O ��igo n�o vai me curtir assim.
Est� melhor do que eu.
� t�o estranho carregar essas coisas.
Para! Que nojo! N�o, para!
HIST�RIA E CI�NCIA DA TRANSMIGRA��O DA ALMA
Ai, essa dor de cabe�a est� me matando.
Este pesadelo n�o acabou.
Qual �, ��igo! Para!
Querida, ainda est� no corpo do papai?
- Cale a boca. V� se foder! - Ana?
Qu�?
M�e?
N�o pode ser! Eu sou o papai!
N�o!
M�e, voc� disse que isso acabaria hoje!
Eu sei, mas n�o aconteceu.
� horr�vel!
O que foi? Pelo amor de Deus!
� uma crise de ansiedade.
- Quem � voc�? - Como assim? Sou o Luis!
N�o acredito!
- Oi, mam�e! - Zoe?
� o Dante?
Dante, tudo bem?
Al�m de mijar nas cal�as ontem e a dor no joelho,
estou bem.
Ent�o onde estou?
N�o te ensinei a bater?
M�e.
HORIZONTE INTERNO
Isso � culpa sua, Laura.
Voc� trouxe algo do laborat�rio que trabalha e nos contaminou.
M�e, por favor. Qual �.
N�o � um filme de fic��o cient�fica.
Estamos em uma situa��o muito complexa,
e a Laura est� tentando explicar do ponto de vista cient�fico
o que pode estar acontecendo conosco. Ent�o vamos tentar n�o�
Vamos tentar n�o polarizar a situa��o para poder entend�-la.
Vamos ter calma.
Continue, por favor.
� uma quest�o de n�meros.
Se mudarmos assim todos os dias,
levar� cinco ou seis dias para recuperar nossos corpos.
M�e, ontem voc� disse amanh�,
e agora uma semana? Digo�
- J� era! - N�o vamos entrar em p�nico.
Acho que a chegada da Viviana acrescentou um dia � troca.
Sim, claro, a culpa � minha.
De acordo com Carl Sagan, isso deve ser um buraco de minhoca.
Estamos em uma dimens�o diferente.
� melhor ficarmos em casa. Ningu�m mais deve saber.
N�o, de jeito nenhum! N�o!
Hoje � a festa do ��igo. N�o posso perder.
N�o, precisamos fazer algo logo, agora!
N�o podemos!
Mas, m�e!
O terapeuta disse que voc� tentaria me sabotar!
Eu odeio voc�s!
Est� de castigo!
Se isso deixa a Anita t�o chateada, eu posso ir � festa.
Viviana, n�o.
S� estou dizendo, s� quero ajudar.
Isso tudo � rid�culo!
Consertem isso logo.
Vamos, Dante.
Esperem a�.
Ainda n�o terminei.
Laura, n�o tenho uma semana de folga.
A digitaliza��o do jornal est� chegando,
e os funcion�rios est�o nervosos.
Por exemplo, o Gonz�lez usa m�quina de escrever h� s�culos.
Ele tentou usar computador, mas n�o deu certo.
Ele n�o conseguiu, ent�o�
Se eu n�o falar com eles sobre as demiss�es,
o Schmitz n�o vai respeitar as negocia��es.
- Tudo vai desmoronar. - Tem uma ideia melhor?
Vamos ao hospital ver um psiquiatra.
Precisamos achar um rem�dio para isso.
Talvez eu possa falar com um membro do corpo docente.
Ele � geneticista.
Sergei Petrov.
Sergei Petrov?
BALADA NOTURNA
Arrume-se. Preciso que venha ao escrit�rio.
N�o seja t�o duro comigo. Sabe o que o terapeuta disse.
Estou falando s�rio.
Eu tamb�m, pai.
- E a mam�e disse� - Sei o que sua m�e disse.
Estou dizendo que preciso de voc�.
Preciso de mim.
Certo, em 20 minutos estarei pronta.
Olha para voc�! O que fez comigo?
O que foi?
FACULDADE DE CI�NCIAS
UNIVERSIDADE MEXICANA FUNDADA EM 1849
Zoe?
Filho da puta!
- Desculpe, Rodrigo. - N�o se preocupe.
Sua m�e disse que voc� xinga muito. Est� tudo bem.
� uma garota linda, est� tudo bem ser voc� mesma.
S� se tem uma inf�ncia.
Como voc� est�?
- Sua m�e veio? - N�o.
Ela est� doente.
- Muito doente. - Como entrou aqui?
O papai vai nos levar ao hospital.
E me trouxe aqui para levar uns exames para a fam�lia.
- O Luis est� aqui? - Est�.
Tenho que encontr�-lo agora.
O qu�?
Nada. O seu olhar me lembra muito a sua m�e.
Ela � uma boa pessoa. Por isso que voc� � uma boa garota.
E muito inteligente.
Pode dizer � sua m�e que conversaremos quando ela melhorar?
Por acaso, sabe onde est� o professor Sergei Petrov?
DI�LOGO DO CIDAD�O
A melhor coisa para todos � entrar em greve.
Isso! E tem que ser hoje!
Chega!
Pacheco, quem pagou a fian�a do seu filho?
G�ngora, quem pagou seus estudos?
Benavides,
quem estava l� quando sua esposa o deixou?
Mas e os nossos direitos trabalhistas?
O Sr. Villarreal e o pai dele sempre nos apoiaram.
Ol�, equipe!
- Tudo bem? - Que bom que chegou.
- As coisas est�o complicadas. - � verdade.
Meu terapeuta diz que tudo � complicado.
Senhor, o que vai acontecer com nossos empregos?
� verdade que haver� demiss�es, senhor?
O qu�?
Lembre-se do que falei no carro.
O pessoal est� bravo.
Quem perde a calma perde o jogo.
Chegou uma declara��o do Braulio Schmitz
sobre a indeniza��o trabalhista.
Disse que isso n�o ia acontecer.
Isso n�o pode estar acontecendo.
- Deixe comigo. - N�o, mas�
Olha, Gonz�lez.
Voc�.
Ou voc�. Cachinhos, voc�.
Todos voc�s, que roupas s�o essas?
N�o ficam bem em voc�s.
Apar�ncia � tudo.
Esse jornal precisa de uma cor!
Eu acho essa cor bonita.
Se me permitir fazer um coment�rio, � uma cor distinta.
Muito elegante. E muito ic�nica para o nosso jornal.
Sempre foi assim. Era a cor favorita do meu pai.
- Sem gra�a. - Mas�
- N�o, � - Apagada.
Escutem.
Prestem aten��o, por favor.
Juntos encontraremos um�
Um� O qu�?
- O qu�? - Tudo bem, me digam voc�s.
O que foi, Touro Sentado?
Um novo estilo. � isso.
Uma nova identidade, �nica.
Vou garantir que o jornal seja renovado.
Uma reciclagem: "Evoluir ou morrer."
Confiem em mim!
Um momento. Al�, sim?
Sim, sou eu. Espere.
- Pode atender a liga��o? - Claro. Al�?
Sim, � ele.
O qu�? Desculpe, em espanhol. Certo. Com licen�a.
Encontraram a mam�e sozinha na faculdade.
- Precisamos busc�-la. - Eu avisei! Vamos.
Temos uma emerg�ncia pessoal.
- Com licen�a. - Certo.
Sr. Villarreal?
Eu? Sim!
Precisamos do senhor aqui.
Certo. Vamos cuidar disso e j� voltamos.
- Ou eu posso ficar. Vou ficar. - N�o, mas�
Vou ficar.
Sim, sem problemas. Vou ficar.
Certo, nos falamos mais tarde.
Por favor.
Eu sei.
Claro, policial.
Feito.
Vamos.
Senhora, os cigarros da sua filha.
Me d� isso.
O que foi? Por que foi t�o grosso?
Laura, eu disse que era perigoso vir aqui.
Quando digo que algo vai acontecer, acontece.
N�o posso cuidar de tudo o tempo todo.
Bem-vindo ao meu mundo.
Por causa disso, deixei a Ana no jornal
com todos os funcion�rios sozinha.
N�o pode ser. A Ana sozinha no jornal?
Espere! Laura!
N�o consegue cuidar da sua filha por um segundo.
- O Sr. Villarreal disse� - N�o, ou�a com aten��o.
De agora em diante, estou no comando.
- Mas� - A partir de hoje, fale com a Deborah.
Eu tinha que ver todos eles, como se moviam.
E estavam aqui, na minha frente, com aqueles corpos incr�veis.
S�o simplesmente fant�sticos.
N�o, � estranho. Agora estou com calor.
Voc� entende perfeitamente. A emo��o desde o in�cio�
Braulio!
- Laura! - Braulio, bom te ver.
- Tudo bem? - Tudo. Voc� est� linda.
- Obrigada. - Quando foi a �ltima vez que nos vimos?
Em Paris, n�o foi?
Eu estava com a Brigitte, depois me divorciei.
Enfim, concordei com o Luis em fazer essa fus�o
porque acho que precisamos modernizar o jornal.
E para ajud�-lo.
Como v�, isso estava prestes a desaparecer.
N�o sei como te dizer, mas o Luis est� meio�
perdido.
Em c�rculos�
Certo. Escuta, Braulio�
Acho que o Luis vai resolver tudo.
Fale com ele porque tudo isso precisa mudar.
At� mais.
Certo.
Isso, mas conto depois. Tenho muitas hist�rias.
Ent�o�
Pode me explicar o que fez, Ana?
Relaxa, pai.
Est� tudo resolvido.
O que voc� fez?
Viu? Voc� nunca confia em mim! Nem me deixa terminar.
Certo. O que voc� fez, querida?
- Fiz o que pediu. - O que eu pedi?
Confie em mim, papai.
Quer que eu confie?
Quero.
Como na vez que venci a competi��o de gin�stica.
Ningu�m acreditou em mim, s� eu mesma.
E o que aconteceu depois? Eu venci.
A mam�e e voc� foram testemunhas.
Gonz�lez.
Ol�, senhora.
Sabemos seu segredo, mas n�o diremos nada.
Como?
Essa n�o.
De qual voc� gosta mais? Deste?
- Ou daquele? - Onde estava, Viviana?
- As crian�as est�o� - N�o, Laura.
Elas s�o sua responsabilidade.
Al�m disso, esta � uma segunda chance para mim.
O que est� havendo?
N�o ouse dizer nada, Luis.
Filho, seu pai n�o me deixava fazer nada.
N�o acha que sua m�e merece um dia de divers�o?
Mas, m�e�
Isso � uma�
demonstra��o de bom gosto, vov�!
- N�o �? - Adorei!
Minha querida, que bom que gostou.
Mas n�o se preocupe. Paguei com minha pens�o.
Laura.
J� sei.
- � o Rodrigo. - Vem c�.
Desculpe por vir � sua casa, mas eu precisava falar com voc�.
Quero muito dan�ar, cantar, transar�
Ai, para!
Me preocupei. Zoe disse que voc� estava doente.
Doente?
Sei que � uma mulher casada,
e acredite, eu respeito isso, mas�
n�o aguento mais. Sinto falta dos seus beijos e do seu corpo.
E finalmente reservei o chal�.
M�e, precisam de voc� aqui.
Oi, pequena Zoe.
Mam�e?
Desculpe, tenho que ir, mas pense, por favor.
Tchau, Zoe.
- Luis, me escute. - Por favor, n�o!
- Luis, me escute. - Por favor!
N�o se aproxime de mim, Laura!
Luis, me escute, por favor.
V� embora.
Luis�
Eu te amo.
Mas h� quanto tempo n�o temos tempo para n�s dois?
H� quanto tempo n�o fic�vamos felizes em estar juntos?
N�o nos conectamos mais.
Voc� sabe disso.
Fiz isso para evitar confus�es.
- S�rio? - Dante.
Tome, Laura.
S�o uma gra�a, n�?
Obrigada, Viviana.
- Por que essa cara? - N�o � nada.
Por favor, jante.
Cad� o papai?
Est� com dor de cabe�a.
T�pico do Luis. Faz isso desde o col�gio.
M�e?
- Acha que posso ir � festa do ��igo? - N�o!
- Vou com prazer. - Nem pensar, vov�.
- � muito arriscado sair assim! - A Zoe j� contou pra todo mundo!
Prometeram guardar segredo e, se contarem algo,
eu as mato.
� arriscado para n�s sairmos.
Certo?
Prometam para mim.
Est� bem.
Amor, estou com saudade.
Gato.
Essa n�o!
Meu Deus!
Marifer, onde estou? Onde ela est�?
Sr. Villarreal.
Marifer, n�o minta. Nos conhecemos desde o jardim de inf�ncia!
S�rio, vov�?
O que � isso? Est� arruinando minha reputa��o!
E voc�, controle essa m�o boba!
Meu filho chegou!
Ou � minha neta?
Por favor, vamos. N�o fa�a esc�ndalo.
- N�o na frente dos meus amigos. - Um esc�ndalo? Eu?
N�o se preocupe. Os jovens esquecem tudo muito r�pido.
Qual � o seu problema?
N�o, por favor.
Cale a boca, lixo!
Por que est� beijando esse fracassado?
Qual � o problema? Ele � gato.
Me diga que o ��igo n�o viu voc�!
Quem?
Amor, n�o � o que est� pensando.
- Desliguem a m�sica. - Merda.
- A festa acabou. - N�o.
N�o! Por favor, n�o!
- Saiam da minha casa. - N�o!
- N�o! - Ana, voc� me magoou.
Estamos terminados.
Amor, n�o! N�o!
Vou vomitar.
Senhor!
Cad� o papai?
Tudo bem, fam�lia. Ainda estou buscando uma solu��o.
Pode ser uma acelera��o do espa�o-tempo.
- N�o entendo. - Como no filme A Mosca.
O qu�? Vou virar uma mosca?
- N�o quero virar mosca. - De onde veio isso?
- Como se tudo isso j� n�o bastasse. - Virar uma mosca, n�o.
- Como vamos resolver? - Estamos virando moscas.
Como moscas-zumbis ou algo assim?
Chega!
Ningu�m vai virar mosca.
Encontraremos uma solu��o.
Somos uma fam�lia.
Defina fam�lia para voc�.
Luis, aqui n�o.
N�o quero virar mosca.
Laura, saia!
N�o at� conversarmos, Luis.
Mam�e e papai est�o furiosos desta vez.
Isso � t�o chato.
Eu era a �nica da classe sem pais divorciados.
Era a �nica coisa de que me gabava.
Claro que n�o!
Eles s�o um saco, mas n�o v�o se divorciar mesmo.
Ent�o�
Esta rainha vai partir.
Tenho que salvar o legado desta fam�lia.
Tchau.
E como p�de ficar com um cara daqueles?
O assistente de laborat�rio!
Aquele assistente de laborat�rio � atencioso comigo!
Ele cuida de mim, me escuta!
Nesse caso, tudo bem!
Voc� n�o me ama mais.
Luis, eu te amo!
- Mas algo aconteceu conosco. - O qu�?
O tempo! A gente se perdeu nele.
A �nica perdida aqui � voc�.
Quando foi a �ltima vez que me ouviu?
Por Deus, Luis!
Quando foi a �ltima vez que ficamos juntos?
- O qu�? - Devia ter vergonha.
- Metal! - Metal!
Fada da Morte, v� embora
N�o venha mais me ver
Eu sei disso�
N�o.
N�o estamos fluindo. N�o.
N�o vamos chegar l�.
Se quisermos soar mais pesados,
precisamos de amps melhores.
S� ouvi verdades, Luciano.
Amps.
Sei quem pode ajudar.
Se trabalharmos juntos, o jornal ser� melhor.
Por isso encomendei uniformes novos para a equipe.
Tudo bem?
O qu�?
Olha s�. Acham que s�o grande coisa.
Mas vamos mostrar a eles que somos os campe�es
aqui na quadra�
- No campo. - Isso, Gonz�lez.
No campo e em todo canto.
Ningu�m acreditou em mim.
Eu tinha oponentes russas, romenas e tchecas.
Mas quando a competi��o come�ou,
percebi que n�o se tratava de vencer,
mas de dar o melhor de mim.
Vamos, Salamandras.
Camisas para dentro.
Que bom te ver, Luis.
S�cios no jornal, inimigos em campo.
Suas panteras vieram pra selva errada.
Vamos dar tudo. Eu tenho a for�a.
Sou uma mulher!
Sim, tenho que confiar em mim mesma.
Eu sou o poder! Vamos!
Salamandras Xochimilco! N�s somos os vencedores!
Gol!
- Isso! - � do outro lado!
Gol! Isso!
Isso a�! Somos os melhores!
Que jogo!
Dificultamos para eles.
Nunca tivemos uma derrota t�o grande.
Pode ser uma premoni��o do que vai acontecer amanh�.
Licen�a, Salamandras.
Por que n�o fazem circuncis�es?
Bom dia. Lembrem-se de que esta tarde
vamos fazer uma rodada animada e divertida de bingo
no jardim Margarita Viuda de Romero.
Quem s�o voc�s?
Vov�, sou eu, Luciano, seu neto.
Trouxemos maconha para voc� vender.
D� a ele.
Temos um acordo.
CHAL� URSO ROM�NTICO
Laura.
- Olha, Rodrigo, eu� - Entre.
Obrigado por ter vindo. Espero que goste do chal�.
A verdade � que eu queria te levar para a praia.
J� te contei que Tampico tem praias lindas?
N�o.
Fique � vontade, por favor.
Sinta-se em casa. Quer beber alguma coisa?
- N�o. - Pergunta boba.
Voc� sempre quer algo para beber.
Sinto muito pelos copos. Esqueci de trazer outros.
- Escute� - Estou bem.
- Obrigada. - � seu favorito.
Gim irland�s especial.
Laura, eu�
n�o quero arruinar seu casamento.
Quando fui � sua casa, eu�
percebi que passei dos limites e que�
invadi o seu espa�o, o do Luis e da sua fam�lia.
Me senti muito mal por voc� e�
pelo Luis, que � um cara �timo.
Ent�o eu decidi�
te deixar em paz.
Vou correr atr�s do meu sonho de me tornar enfermeiro.
Vou para bem longe de voc�.
Muito longe.
Em Tampico.
Laura, eu�
S� quero que seja feliz.
Sei que relacionamentos�
n�o dependem s� de uma parte.
N�o ama mais o Luis ou n�o sabe mais do que ele gosta?
Do que o Luis gosta? Do que gosto?
De caminhar na praia.
Ent�o caminhe na praia com ele. Leve-o.
Voc� tamb�m tem que aceitar seus defeitos, Laura. Por qu�?
Como vim parar aqui?
Sabe do que gosta, Laura. Voc� sabe.
Do que a Laura gosta? Do que eu gosto?
Eu gosto�
Em casa, gosto de acender uma luz para as crian�as � noite.
Para que elas se sintam�
seguras.
E�
E antes de dormir, gosto de ler um pouco.
Por alguma raz�o estranha, s� cinco p�ginas, nada mais.
E depois adormecer.
� isso.
Est� muito bom.
Olha, mam�e.
Um porco-unic�rnio de verdade. O nome dele � Capit�o Brilhante.
- Ele n�o � legal? - Onde o pegou, Zoe?
Dante comprou com o dinheiro do av� do Luciano.
Seu filho Dante e Luciano s�o uma m� influ�ncia para nosso Cayetano.
Brilhante.
Nosso filho fica chapado o dia todo.
E essa bandinha de rock � uma distra��o da escola.
Com licen�a.
O que ele est� fazendo aqui?
Estamos apaixonados.
Vov�, o que esse perdedor est� fazendo aqui?
Fale baixo, querida. Ele pode ser seu pr�ximo av�.
M�e, fa�a alguma coisa!
Enquanto eu estava ocupada tentando salvar nossa empresa,
a vov� insiste em ficar se agarrando com esse�
tarado!
Ana, n�o comece! Vamos resolver isso.
Deixe seu ego de lado.
E o Luciano vai embora agora.
- Tudo bem. - Sabe por que tenho esse ego, m�e?
Por sua causa!
N�o, mocinha. N�o sou respons�vel pelos seus traumas.
Parem de discutir!
Vai comprar um trof�u para ela como fez na competi��o de gin�stica?
Diga que n�o � verdade, m�e.
Nunca vou te perdoar por isso.
- Nunca! - Ana�
Eu te odeio!
- Ana� - Vou estudar no exterior!
Vai embora, Luis?
Onde voc� estava?
Me diga que n�o foi ver o Rodrigo.
Voc� tinha raz�o.
O tempo�
nos pegou de surpresa.
Ainda podemos nos recuperar disso.
Talvez o que esteja acontecendo conosco�
seja uma chance de perceber isso.
Olha, Laura, eu acho que�
depois que tudo isso acabar�
precisamos dar um tempo.
Tem certeza?
Sim, acho que vou�
- Vou ficar na casa da minha m�e. - Mas sua m�e vive aqui.
� verdade.
Sim?
Laura, o professor Sergei Petrov pode receb�-la hoje.
Quer marcar uma hora?
Sim, por favor.
Sergei Petrov.
Viviana, chame um t�xi pra mim.
R�pido.
Isso � fascinante, Laura.
Toda a sua fam�lia est� assim?
Correto, professor Petrov.
N�o h� explica��o para trocarem de corpo.
Isso vai contra a Lei da Impenetrabilidade.
� um enigma.
E sua fam�lia est� vindo?
Correto, professor Petrov. Devem estar chegando.
S� queremos encontrar uma cura.
- Queremos voltar para nossos corpos. - Sim, claro.
Vamos te ajudar.
N�o �, colega?
Claro.
O que est�o fazendo?
Professor Sergei Petrov, o que est� fazendo?
Preciso de todos os estudos recentes sobre a Lei de Impenetrabilidade.
Talvez precisemos de uma disseca��o.
Estamos lidando com algo nunca visto.
O que foi, chefe?
Achei que t�nhamos voltado ao normal.
- N�o quero perder meu emprego. - O que h�?
Caros colegas do Di�logo do Cidad�o,
eu quero�
me desculpar�
porque�
eu prometi algo que�
Bem, talvez�
as russas, as tchecas e as romenas�
sejam melhores do que eu.
Mas eu�
Eu�
- Eu� - O Luis quer dizer que�
acredita em voc�s.
E n�o vai decepcion�-los.
Porque,
seja l� o que aconte�a,
a tecnologia nunca vai poder superar�
tudo o que voc�s�
significam para mim.
Para n�s.
Voc�s mostraram ao Luis
que estamos juntos nessa, e que somos�
somos�
Diga.
Somos uma fam�lia.
Esta � a casa de voc�s.
Conversamos mais tarde.
Cachinhos, seu su�ter est� lindo.
Calma.
S� precisamos de uma amostra de DNA.
Sabe como �, Laura.
Doutora, aqui est�o os exames que pediu�
- Zoe, o que faz aqui? - Rodrigo, me ajude! Fui sequestrada!
Esta garota n�o gosta de inje��es.
S� preciso de uma amostra de sangue.
Pode perguntar. � uma ordem direta do professor Petrov.
Este caso � �nico.
Na verdade, esta � a Laura.
A fam�lia toda est� trocada.
V� com calma, doutora. Deixe-a falar, por favor.
Est� tudo bem, doutora. Calma.
Rodrigo, � verdade, sou a Laura!
E eu fui sequestrada!
Sim, Laura. Doutora, eu acho�
R�pido!
- Voc� est� bem? - Estou.
- Preciso achar meus filhos. - Vamos.
- Est�vamos esperando. - Por aqui, por favor.
M�e?
- Socorro! - Vamos!
Corre!
- Socorro! - Corra, Laura! Vamos!
Estou aqui com mais parentes.
- Dante, temos que ir! - Vamos!
Zoe!
Por aqui. Est� livre.
- Tem uma sa�da no fim do corredor. - Eu te agrade�o.
Andem, vamos.
Depressa.
Vamos!
Filho, tudo bem?
Acho que vou vomitar.
- Dante! N�o! - Ei! Por favor!
Este � o momento de sermos uma fam�lia.
Vamos sair daqui juntos. Certo.
Quero confessar uma coisa.
No dia desta foto�
havia uma fam�lia que parecia muito unida.
Tinham problemas como todas as fam�lias, mas pareciam felizes.
- Vai, pai! Droga! - Chega, pai! Fala logo!
- Huehuet�atl� - O qu�?
- �atahualtacoyotxintl. - O qu�?
Ele era o deus dos desejos, o deus dos sonhos.
Eu estava na frente dele
e, inconscientemente, na minha confus�o,
fiz um desejo e acho que ele foi concedido.
O que voc� desejou, pai?
Desejei que ele mudasse minha fam�lia.
- Meu Deus! - Que merda.
- O qu�? - Por qu�, Luis?
Desculpe interromper, mas�
Voc�s s�o uma fam�lia maravilhosa.
Temos que ir agora.
Precisamos ir ao museu.
Eles n�o v�o escapar.
No tr�s.
- Vamos, suba. - Isso a�!
- Cuidado! - Segura ela!
Eu estava adormecendo, e uma luz muito brilhante�
�na minha frente, com presas enormes e horr�veis.
Tentei correr, mas imagine, eu estava completamente paralisado.
- O que aconteceu? - Tudo bem.
- Voc� est� bem? - Estou.
Vamos.
- Voc� est� bem? - Sil�ncio! Merda.
Entra a�. Vai.
- Aqui dentro? - Aqui. R�pido.
Huehuet�atlatahualtacoyotxintitl.
Sei que era um grande guerreiro
e que concedia desejos.
E fez os meus se realizarem.
Mas agora�
precisamos da sua ajuda.
O que querem?
Voltar ao normal, grande guerreiro.
- Meu Deus. - O que fazem aqui?
Imploramos para que nossa fam�lia seja como antes.
Do que voc�s precisam?
Por favor!
Ele � legal, n�o �? O guarda.
Parece um filme do Jodorowsky.
Pai?
Por mais quanto tempo vamos ficar aqui?
Quero ir para casa.
Bem�
O guarda, Chuy, nos deu algumas horas.
Mas precisamos pensar aonde ir.
V�o nos usar num show de aberra��es.
O garoto-falc�o, a garota-cobra.
- Horr�vel. - N�o diga isso.
V�o nos tratar como animais, papai?
N�o se preocupem.
Enquanto estivermos juntos, tudo ficar� bem.
Tudo ficar� bem.
� o Rodrigo.
Rodrigo. � o Luis.
Escuta�
Eu s� queria dizer�
Obrigado.
Boa sorte em Tampico.
O que � isso?
S�o eles, comandante.
Parados! N�o se mexam!
N�o atirem!
N�o quero morrer!
Voc� est� bem?
� a fam�lia que estamos procurando.
Fazem parte de uma pesquisa importante.
N�o podem ficar soltos.
� uma quest�o de seguran�a nacional.
Vamos come�ar pela m�e. Na verdade, ela � a filha.
Mam�e.
N�o deixe os malditos me levarem.
Comandante, pode explicar do que se trata?
Laura.
� �bvio que est�o mentindo.
Por que mentir�amos �s autoridades?
Ent�o por que est�o fugindo e se escondendo aqui?
Escute, comandante, permita-me explicar.
H� alguns dias foi anivers�rio da minha filha Zoe.
A mais nova. E�
Ela realmente queria fazer um desejo para o Huehuet�atlatahualtacoyotxintl.
Mas n�o tivemos tempo quando visitamos o museu.
N�o tivemos a chance, por isso quisemos vir hoje,
antes de o museu abrir.
E ela � muito mimada, sabe?
Porque� � culpa minha e da m�e dela.
N�s a mimamos muito.
E sabemos que erramos ao invadir.
N�o era nossa inten��o. Tem filhos, comandante?
Quatro filhos, Sr. Villarreal.
Incr�vel.
Ent�o deve entender
que, �s vezes, voc� faz loucuras por amar sua fam�lia.
O que posso dizer? Sou um homem do bem.
Sou o CEO do jornal Di�logo do Cidad�o.
Escute, eu vou�
Eu vou me responsabilizar por todos os danos
que causamos.
N�o faremos isso de novo.
E, por favor, comandante�
afaste esse homem da gente.
Ele tem perseguido nossa fam�lia.
- Est� mentindo! - Sr. Villarreal, pode ir.
Ele � ela, e ela � ele.
Acredito mais na loucura de um pai que faz tudo pela fam�lia
do que na loucura desse cientista.
N�o pode deix�-los ir!
Me solte!
- Me solte! - Soltem-no!
O mundo precisa saber que minha teoria molecular � verdadeira!
Soltem-no!
Querido!
Eles est�o mentindo! Soltem-no!
Eles est�o mentindo!
Dante, me d� um trago?
Acho que v�o�
nos deixar em paz.
Espero que sim, Luis.
O que vamos fazer agora?
Voltar para casa e buscar por uma nova solu��o.
Obrigada por nada, babaca.
Dante?
Peste?
N�o acredito!
- Cacete, sou eu! - Minha princesa, � voc�, Anita?
- Sim. - � voc�? Meu amor!
O que est� havendo?
- M�e? - Sim, querido, sou eu!
Obrigada!
Vou ao escrit�rio falar com o Braulio e�
vou para a casa da minha m�e.
Est� bem.
Tudo bem se�
conversarmos com as crian�as amanh�?
� uma boa ideia.
Boa sorte com o Braulio.
SEIS MESES DEPOIS�
N�s,
os astecas,
damos boas-vindas a voc�s, espanh�is.
O povo de Quetzalcoatl.
Sabemos que voc�s s�o verdadeiros filhos�
Sabemos que voc�s s�o filhos da mesma terra onde nascemos.
Nossas culturas receber�o uma a outra,
o melhor de cada uma.
Vida longa ao grande Tenochtitl�n!
Viva o M�xico!
Viva o M�xico!
Aqueles s�o meus pais.
Legendas: Alice Dantas
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