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Olá. Apanharam-me.
Bem, não se pode ter Natal sem uma árvore, certo?
E não se pode ter uma árvore sem uma floresta,
que é onde esta história começa.
Já pensaram sobre o que faz uma história de Natal uma história de Natal?
Algumas pessoas dizem que se a história se passa durante as férias, então bingo,
está feito.
O espírito natalício passa para ela e é tudo o que é preciso.
Mas eu penso que há algo mais.
A forma como nos sentimos nesta altura do ano.
Um bocadinho de felicidade, um bocadinho de tristeza.
Talvez nem consigam dizê-lo por palavras.
Mas se tentarem, talvez consigam fazer uma canção.
Esta canção que vou cantar, em geral é um disparate.
Mas as partes que não são disparatadas, têm muito significado.
UMA HISTÓRIA (QUASE) DE NATAL
Brilhante!
Apanhei-te!
Não!
Moon!
Outra vez?
- Outra vez não. - Viste-me?
Eu nunca voei para tão longe sozinho antes.
Era um ninho perfeito. Agora olhem para ele! Olhem para isto!
Deste cabo dele.
Bem, agora podemos torná-lo ainda melhor!
Olha o que eu encontrei. Imagina, um ninho de prata.
No topo da árvore mais alta, seríamos o assunto de todas as conversas.
Um ninho de prata?
Assim, todos vão olhar para nós. Toda a gente verá.
- Qual é o problema das pessoas nos verem? - Somos corujas, não é suposto.
- Agora anda e... - E se eu quiser ser visto?
Também queres ser comido?
Todas as outras criaturas da floresta adorariam
que fosses o jantar delas. - Os ratos não.
- Se fossem maiores, quereriam. - Os pássaros não...
- O que foi, papá? - Se calhar era uma folha.
Uma folha grande e assustadora a esvoaçar na brisa suave mas petrificante!
Muito engraçado, pequeno Moon.
Pensas que sabes o que há por aí no mundo, mas... não fazes ideia.
- Tenho uma ideia. - Sim, quando fores crescido,
podes fazer o teu ninho de prata em qualquer árvore que queiras,
mas agora está a ficar frio, e não temos ninho.
Preciso que sejas bom irmão e fiques aqui com o Peaky enquanto procuro
uma nova casa. Fazes isso? - Sim, papá.
Fiquem quietos, calados, e não vão a lado nenhum.
Volto já.
- Não queria estragar o ninho. - Mas estragaste.
Mas aposto que o consigo consertar. Só preciso de uns paus bons.
Podia fazê-lo antes de o papá voltar. Seria uma surpresa para ele.
Mas o papá disse que temos de ficar aqui.
Não te preocupes, Peaky, não vou longe. Estamos numa floresta.
- Há paus e galhos por todo o lado. - Espera, Moon!
Já volto!
Aqui está um.
Este deve servir.
Este é perfeito!
Brilhante!
Foge. Moon, eu trato disto!
- Papá! - Vai!
- Estás bem? - A minha asa, acho que está partida.
Vais ficar bem, mas fica aí na árvore.
Fica dentro da árvore. Já volto.
Sim, papá.
"Fica dentro da árvore.
Fica dentro da árvore.
Fica dentro da árvore."
Madeira!
Abram alas! Estamos a caminho.
Vamos lá.
Calma. Eu consigo, eu consigo fazer isto.
Que tipo de floresta é esta?
Desculpe!
Meu Deus, não!
Estás bem?
- Sim, estou ótima - Caíste com estrondo.
- Alguém que te possa levar a casa? - Deixa-me em paz.
- Vou-me embora. - Podemos acompanhar-te?
- Estou bem. - Porque não vens comigo?
Cuidado!
Olá. Estás no sítio errado, não estás?
Estás perdido?
Sim, senhor.
Parece que também estou no sítio errado. Cuida-te.
Estas ruas são perigosas... e geladas.
- Comida! - É para mim.
- Muito obrigada. - Comida.
Desculpa, não ia comer tudo.
- Ora, ora. - O que se passa aqui?
- Parece que temos um dos vivos. - Sim, estou vivo.
- Comida! - Não sou comida, senhor.
O que estavas a comer? Volta para onde pertences.
Desculpem. Só pensei que conseguia arranjar...
Vou impedir-te agora.
Isto é lixo, estás a ver?
E o lixo é comida de pombo, e não comida do tipo que és.
O que és tu, afinal?
- Sou uma coruja. - Uma coruja?
Um pouco pequeno para uma coruja, não achas?
Não acho que sejas uma coruja.
As corujas são criaturas notoriamente grandes
no céu à noite.
- Não, não és uma coruja. - Juro que sou.
- Comida. - Não! Não quero a vossa comida.
- Só quero... - Não podes, por isso para de pedir.
Não estava a pedir.
- Estava a falar... - Por favor.
Queres que o Punt morra de fome, miúdo?
- Ele está esfomeado! - Comida.
Que hipótese tem de comer se não comer lixo?
- Está cheio de fome. - Comida!
O que aconteceu à tua asa?
Bem, foi...
- Envolvi-me numa luta, e agora... - Que mauzão!
- E achas que podes lutar connosco? - Má ideia, miúdo.
Espera! Não disse isso! Tu é que disseste!
São três contra um. Achas mesmo que nos podes vencer?
- Péssima ideia. - Não!
Vamos mostrar do que somos feitos aqui na Praça Rockefeller!
Lá vamos nós outra vez.
Comida!
Ali.
- Vamos! - Comida!
Vai para a 5.a Avenida!
- Olá, amiguinho. - Apanhamos-te!
Abranda. Só queremos falar contigo.
Agora apanhamos-te!
Não!
- Tu outra vez. - Tu outra vez.
- O que é esta coisa? - Olá.
- Em que floresta é que vives? - Como é que estás tão longe de casa?
É perto daqui?
O que aconteceu à tua asa? Está partida?
Como se as férias não fossem já suficientemente stressantes.
Está tudo bem.
Vá lá, pequenino.
Já está.
Sou a Luna.
Tens a cara mais simpática que vi hoje.
- Chamo-me Moon. - Tens um nome?
- O papá chama-me Pequeno Moon. - Como te devo chamar?
Um dia, vou ser o Grande Moon. Mas, por enquanto, sou só pequeno.
Tens muito para dizer.
É suposto a tua perna ser assim?
Nunca tinha andado de metro sozinho.
Estamos aqui, mas eu e a minha mãe vivemos algures por aqui.
Acho que podemos apanhar este metro para este metro.
Mas se voltar para casa, vai ficar zangada comigo.
- Miúdo! - O meu pai vive aqui...
Este lugar não é teu. Este é o meu lugar.
- Isto tudo. - Sim, senhor.
Urinei por todo o lado.
- Está bem. - Feliz Natal.
E aqui fica a Praça Rockefeller.
- Foi de lá que viemos. - O papá disse para esperar na árvore.
Só queria patinar.
Não viste uma árvore por aqui, pois não?
Eu achava que o Natal era a melhor altura para estar na cidade.
Não entendo este sítio de todo.
Eu vinha aqui com os meus pais para olhar para as janelas
e todas as decorações.
Na minha floresta, havia humanos que apareciam de vez em quando.
- Pensava que toda a gente era feliz. - E o meu pai não gostava deles.
Mas eu fazia-lhes sempre o meu melhor truque e eles sorriam.
Nenhum deles se parecia com estes.
Quem sabe? Se calhar não são felizes.
Talvez estejam sozinhos, como nós, à espera pelo Natal para...
- O que foi? - Acho que é o meu papá!
É apenas um relógio.
Estás bem?
Não estás, pois não?
Eu também não.
Mas tenho fome.
- E tu? - Estás a falar de comida?
- Sabes, comer, comida? - Já comia.
Queres?
Gosto de minhocas, insetos, larvas ou ratinhos pequeninos.
Arranjas disso?
Isto é tudo o que podes comprar com cinco dólares em Nova Iorque.
- Muito bom, não achas? - É a pior comida que eu já comi.
Mas é querido teres caçado para mim.
Fazes-me lembrar o meu cão, sabias?
Tens os mesmos olhos. Parece que compreendes.
Estás a apontar para o coração? Amas-me?
Não te conheço bem, mas acho que... também te amo.
Desculpa, está a começar a doer.
É capaz de ser a coisa mais fixe que já vi.
Consigo virar a cabeça ao contrário.
Não é tão bom como a perna, mas já é alguma coisa.
Somos um par e peras, não somos?
- Lá está ela! - O que foi?
- A árvore! Olha! - O que estás a tentar dizer?
- É onde tenho de estar! - Espera!
- É a árvore! - Volta aqui.
- É a árvore! - Devagar.
- O papá disse para ficar na árvore. - Para! Não sou tão rápida como tu!
- Está a fugir! - Espera, não te consigo acompanhar!
Não!
- Para! - Desapareceu.
- Quero ir para casa. - Quero ir para casa.
Acho que se estragou.
Bem, isto nunca me impediu de cantar.
Ora, ora, ora.
- Vejam só quem é. - Pensámos que te tínhamos perdido.
- Comida. - Desapareçam!
São um bando de rufias barulhentos. não queremos o vosso lixo!
Estamos perdidos e só queremos ir para casa.
- Sim, para o Natal. - Sim, para o Natal. Seja o que isso for.
- Acabei de te ouvir? - Acabaste de me ouvir?
- Para o Natal. - Casa é um bom sítio para estar no Natal.
- Quem nos dera ter uma casa. - Nós temos uma casa.
Sim, temos. As ruas.
- Comida. - O que achas? Ajudamos?
Acho que podemos mostrar-te o caminho de volta, se quiseres.
- Fariam isso? - Sim.
- É um presente de boas-vindas. - Para a Grande Maçã!
- As maçãs têm minhocas. - Têm, essa é a parte deliciosa.
- Vamos lá. - Tenho a asa partida, não consigo voar.
Voar? Achas que voamos? És doida, miúda. Vamos lá!
Sim!
- Isto é ainda melhor. - Devia ter trazido o meu cachecol.
Não pensaste que íamos mesmo voar até lá, pois não?
Somos pombos, dá-nos o devido valor.
Brilhante.
- Ali está! - Espera, deixa-me ajudar-te!
Tenho de chegar ao topo antes que o meu papá chegue.
O quê? Vamos correr agora?
Para. Isto está completamente fora de controlo.
Parem todos. Para de correr!
- Anda! - Isto é inaceitável.
Por aqui! Ali está, anda!
Por amor de Deus.
Nada de animais no gelo!
Eu consigo.
Eu consigo!
Apanhei-te!
Voa!
Agarra-te bem, pequenote. Já te apanhei!
- Sim! - Sim!
- Santo Deus! - Feliz Natal, miúdo!
Voa alto, sua coruja corajosa!
Bela vista daqui de cima, não é?
Sim.
Mas não vejo o papá. Achas que ele me vai encontrar?
Bem... talvez. Talvez não.
Mas olha para todas aquelas pessoas com bom espírito nos seus corações
e não só.
Talvez te possam ajudar a encontrá-lo.
Feliz Natal, miúdo.
Feliz Natal?
Então, o que acham? O que faz desta história uma história de Natal?
É a árvore? A neve? A luz na escuridão?
Ou talvez seja o sentimento
de que não se conseguiu exatamente o que se queria,
mas no fundo, sabes que mesmo uma pequena vela
pode tornar as coisas mais brilhantes e um pouco mais quentes.
Se calhar são todas essas coisas.
- Ou talvez seja isto. - Desculpe-me, senhor?
Há uma pequena coruja naquela árvore que precisa encontrar a família.
E eu também preciso encontrar a minha.
Vamos lá, pequenota. Estás muito longe de casa.
Tenho de ficar aqui. Tenho de esperar pelo meu papá.
- Vou ficar... - Não te preocupes.
Vamos devolver-te à tua família.
Isto é muito quente.
Está tudo bem, podes ir.
- Papá! - Moon?
Papá!
- Moon, onde estiveste? - Moon!
- Procurei... - Feliz Natal, papá!
- "Natal"? - "Natal"?
- O que é o Natal? - O que é o Natal?
Não sei bem. Mas acho que...
É disso que se trata.
Tens razão, Pequeno Moon.
É disso que se trata.
Tradução: Tiago Nogueira
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