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Com tanta droga com esta qualidade, não temos concorrência.
Mas temos um farol em cima.
E o Sangue Azul?
Pediste-lhe uma prova de confiança. E ele deu-ta.
Matou um desconhecido só para te fazer feliz.
E tu também sabes isso.
Mas agora temos de matar a sério.
E se o apanham a ele ou a um deles, não sei como podem reagir.
E tu também não sabes.
No dia em que me encontrou, ele não era ninguém.
Nunca tinha feito nada do que fez até agora.
Ele sabe bem que sem mim e sem ti não vai a lado nenhum.
Mas o Enzo não é parvo.
Por isso é que o escolhi.
Eu pensava que estava a tramar o Avitabile.
Mas ele é que me tramou.
Já nem em mim confio, Ciro.
Mas em ti confio.
GOMORRA
Gennaro, eu percebo tudo,
mas ainda não me explicaste como confias no Ciro di Marzio.
Só quando tocam nos teus é que mostras quem realmente és.
E eu vi o Ciro di Marzio.
E ele viu-me a mim. E sempre foi assim.
Portanto, agora, ele é um dos meus.
E para proteger o meu pai também tu perdeste os teus.
Não é verdade?
O meu pai achava que tinha à sua volta os melhores soldados que há.
E tinha mesmo.
Mas eu também vi outra coisa.
Vi que não era só isso.
Que queres dizer, Gennaro?
Quando chegares onde queres, vem dizer-mo tu a mim.
- Bem-vindos. - Olá, rapaz.
- Este é o Ciro. - Sou o Valerio. Muito gosto.
O Enzo falou-me bem de ti.
- Sabes que isto não é brincadeira? - Sei.
Se quiserem, instalem-se. O chefe da casa está à vossa espera.
Um momento.
Antes de entrar, tenho de saber uma coisa.
Para onde vai a droga?
O cliente é sócio de um grande grupo londrino.
A cocaína vai para esse mercado.
- Como é que a leva para Londres? - Tem um passaporte diplomático.
O pai dele trabalha no consulado italiano de Londres.
- O que ganhas com isso? - De vocês, estima e amizade.
A minha parte é o cliente que ma dá.
- Leva-me até ele. - Sigam-me.
Antonello Rodi, muito prazer.
Disseram-me que procuras algo. É verdade?
O Valerio disse-me que podia falar convosco
se quisesse fazer uma aquisição importante.
- Quanto? - Duzentos mil.
Onde está o dinheiro?
Antonello?
Temos de acordar um preço.
Soube que um bom preço são 43 mil euros por quilo.
Dado o volume, talvez possam fazer mais barato?
Não podemos fazer menos de 40.
São cinco quilos.
Está bom assim.
Quando é a entrega?
- Se quiseres, já. - Dá-me a chave, Antonello. Eu vou.
Com isto, dás muito nas vistas.
Se não passar dos 300 km/h, nenhum polícia para um carro destes.
Vem comigo, Enzo.
O teu amigo pensa que é um deus.
Não é um deus, mas tem imensas possibilidades.
Para ele, somos como aquele carro. Andamos a 300 km/h.
Assim que tiver problemas, muda de carro.
Mas o carro não é dele.
Ciro?
Quem sou eu para ti?
És o que eu era há dez anos.
Tinha raiva, fome, ambição de quem é jovem,
sentia-me o mais forte de todos.
Agora já não é assim?
Isso era outra vida.
Mas estás connosco. Porquê?
Porque já não aguentava estar sozinho no inferno.
Está aqui um quilo.
Compraste-nos cinco embalagens.
Diz ao teu amigo
que, se a relação continuar, damos-lhe um bom presente.
Rapazes, a Polícia!
- Rapazes, a Polícia. - Onde?
- No portão nove. - Quantos são?
É só um carro, mas os sacanas estão a revistar tudo.
Eu trato disso.
Já carregámos tudo? Vamos, vamos. Depressa, vamos!
Depressa! Vamos, vamos! Fechem, fechem!
- Vamos! Depressa! - Fecha, fecha!
Sai! Sai!
- Sai! - Sai, sai!
De joelhos! Mexe-te!
Vamos!
- A cara no chão! - Mexe-te!
Podemos confiar no teu amigo, se os polícias o apanharem?
Vamos ver.
Acho que o rapaz tem tomates.
A quantidade é enorme.
Esta droga toda, em tijolos...
Temos de trabalhar.
Acho que este sítio já não serve, Enzo.
Vamos procurar outro.
- Enzo, o que é? - Bom dia, Don Saverio.
- Tenho uma proposta para si. - Entra.
E quando é que precisariam?
Agora.
Se tudo correr bem, no próximo mês ganha o dobro.
Certo?
Certo.
- Que lixeira que ele tem! - E tantos livros!
Vamos deitar tudo fora. Só guardamos o Padre Pio.
Irmão, soltaram-te!
Então? O que te pediram?
- Disse que fui testar o carro. - E o que te disseram?
- Nada. O Antonello confirmou tudo. - A sério?
O comissário fez-me uma reprimenda. Disse que não devo voltar a fazê-lo.
É o que dá nascer em Posillipo. Se fosse um de nós, já estaria preso.
Foi por isso que os atraí.
Golia, prepara a cocaína para o amigo dele.
- Vou já buscá-la. - Anda, anda.
- Devias ter visto a cara do Ciro. - Não estava à espera?
Os riquinhos também têm tomates.
- Os nossos são maiores. - Estou para ver isso.
Eu levo-te.
Vê se funciona.
Está uma maravilha.
- Dois e cinco. - Dois e cinco.
- De onde veio esta gente toda? - São todos amigos do Valerio.
- Esta droga sai como pão quente. - Podes crer.
- Olá, Mullet. Então? - Rapazes, boa noite.
Está tudo pronto.
- As motas agora voam. - És o maior.
- Adeus, irmão. - Adeus, rapazes.
- Obrigado. - Estes filhos da mãe...
Doutor? Uma encomenda para si.
Uma encomenda para o quarto 412.
Adeus.
Aqui tem, doutor.
- 50 mil. E ainda agora começámos. - E ninguém percebeu.
- Os sacanas queriam tramar-nos. - Mas nós é que estamos a tramá-los!
Daqui a pouco tempo, eles já não valem nada.
Carmela, estou aqui. O que querias dizer-me?
Eu sei tudo, Enzo.
Estás a desafiar pessoas que andam no crime há 50 anos.
Sim, andam há 50 anos nas ruas, mas só conseguiram ganhar frio.
Estás a meter-te em sarilhos.
Carmela, fica tranquila.
Eles sabem que não tens nada a ver com aquilo que eu faço.
Mantiveste a tua palavra.
Mas tu não percebes que não te quero chorar?
Sei bem.
Diz-me, durante este tempo todo, nunca quiseste lixar aqueles merdas?
Sonhei com isso todas as noites.
Isso já não é um sonho.
Isso é o nosso momento.
- Enzo, vamos. - Já vou.
Viste aquele carro?
- Porquê? O que tem, Enzo? - Era o mesmo que passou lá em casa.
Vi-o no monitor.
Rapazes, temos de estar atentos. Eles estão em cima de nós.
Vamos.
Fecha a porta.
Então?
O Sangue Azul está por trás da descida nas nossas vendas.
Chega aqui.
Como explicas que quatro fedelhos que ainda nem pelo na gaita têm,
conseguiram lixar-nos? Como é que explicas isso?
Estás rodeado de idiotas. Desaparece-me daqui.
Estudaram bem como se mexer porque nos conheciam.
Nós não os conhecíamos. Por isso é que não os vimos.
Está bem.
- Agora temos de acabar com eles. - É para já.
Mas espera! Vem cá.
Vem cá.
Quero olhar esse merdas nos olhos antes de morrer.
Fazemos assim...
Nós trazemo-lo. E depois trata você dele.
Ótimo. Faz isso.
O que significa isto?
É o presente que te prometemos. Pagas quando a venderes.
Pensei que isto só viria se a nossa relação continuasse.
Protegeste o Valerio com a Polícia. Salvaste um irmão.
E isso quer dizer que a nossa relação continua.
Isto não pode ficar assim.
Temos de dar cabo dele.
É lógico.
Eu só sei uma coisa.
Tudo bem que o queiram matar, mas só se não houver outra opção.
Respeito o que pensas, Ruggero,
mas ele tem o mesmo sangue do avô.
Deixa comigo, Ruggero. Eu resolvo este assunto.
Já se perguntaram porque é que aquele rapaz,
que até ontem nem um pio fazia, foi aparecer logo agora?
O que queres dizer, Ruggero?
Por trás do Sangue Azul está alguém mais forte.
Temos de descobrir.
- E quem será? - Não sei.
Se eu soubesse, esse seria o primeiro a ir.
Temos de descobrir quem é o nosso verdadeiro inimigo.
- Tens de ir falar com o Sangue Azul. - Ainda tenho de ir falar com ele?
- Estás a falar a sério, Ruggero? - É a tua zona, Eduardo.
Dona Carmela?
Podemos falar?
O que temos nós para falar?
Os jovens de hoje.
Estes miúdos já nascem ensinados, mas não sabem nada da vida.
Para mim, se querem aprender,
têm de estar com quem sabe mais, não com idiotas.
Com pessoas com experiência.
Sabe que isso é coisa que não nos falta.
Don Eduardo, seja claro, por favor.
O Enzo tem de ficar abaixo de nós.
Temos uma boa proposta para ele.
Tem de convencê-lo. Criou-o, ele dá-lhe ouvidos.
O seu discurso tem as suas razões.
É o de um familiar.
E se eu bem me lembro, nós nunca fomos familiares.
Ora, Dona Carmela!
Podemos sempre vir a ser.
O passado é passado. Temos de olhar para o futuro.
É o passado que nos ensina a viver.
O meu pai disse isto uma vez.
Claro.
Mas é por isso que estou aqui, sentado à sua mesa.
Se tivessem vindo outras pessoas, agora não estaríamos a falar.
Não quero fazê-la perder tempo.
Boa noite.
Sala quatro.
- Um? - Sim.
Gennaro?
Amor!
- És tão bonita! - Não aguento mais.
Não aguento mais.
Tive saudades tuas.
Estou a recuperar.
Estou a levantar-me aos poucos.
Mas tens de ficar calma. Não tens de fazer nada, percebeste?
E o Pietro?
Está bem.
Falo-lhe sempre de ti.
- Digo-lhe que o papá já volta. - Só tens de pensar nele.
- Ele é o que mais importa. - Eu sei.
Ótimo.
É o que eu estou a fazer, Gennaro. É o que eu estou a fazer.
Azzurra?
Azzurra, está tudo bem?
Sim, mãe, já vou.
Lembras-te do teu pai?
Pouco.
Estava sempre com pressa.
Uma vez, levou-me com ele para me comprar um presente.
Era Natal.
E como era?
Quem se lembra?
Partiu com 35 anos e esteve 20 anos preso.
Esteve mais tempo lá dentro do que cá fora.
A Carmela diz que se o teu pai pudesse voltar atrás,
sentava-se à mesa e aceitava o que te estão a oferecer.
O tempo o dirá.
Mas o que pensas tu?
Que tenho de falar com o Arenella.
Tu conheces-me bem.
Gosto de ser direto.
Ótimo. Assim não perdemos tempo.
O Stregone é irmão do teu avô. Tens o sangue dele no coração.
Foi por isso que me pediu para tentar perceber-te.
Não te vou matar agora. Não é o momento.
Mas nunca te esqueças disso.
Quando esse momento chegar, veremos quem continua de pé.
Muito bem. Eu dou-te duas zonas.
É o que o teu pai quis, mas nunca teve.
Via Cicerone e Via Plinio.
Duas ruas onde há dinheiro a sério.
- E o que quer em troca? - Compras a droga a mim.
- Mas já temos um fornecedor. - Esquece-o. Diz-me quem é.
Nunca traí os meus irmãos.
Rapaz,
nunca foste grande coisa.
Só tens de me dizer quem está por trás de ti.
Tens os dias contados. Fica atento.
Todos os temos, Don Eduardo.
Vamos embora, rapazes.
- Quem é? - Sou eu.
Entra.
O que fazes aqui?
Já não estás sozinho no inferno.
Também comprei o bilhete.
O que queres dizer?
- Recusei. - O quê?
Ciro, não tenho ilusões.
Eu sei que cada um pensa em si,
mas às vezes gostamos mais das pessoas do que das coisas.
Talvez.
Nunca vi isso acontecer.
Nem eu, até agora.
Hoje a vida fez-me uma surpresa.
Ofereceram-me o mundo e eu recusei.
Sabes qual era o preço?
Queriam a tua cabeça.
A guerra está a começar.
O Enzo está pronto.
O que aconteceu?
Ofereceram-lhe de bandeja tudo aquilo por que morreu o pai.
E ele recusou.
Entre eles e nós, escolheu-nos a nós.
Escolheu-te a ti.
É por isso que estás tão feliz.
O que tens?
Nunca odiei ninguém como te odiei a ti.
Mas finalmente, tu e eu estamos no mesmo barco.
E não quero continuar sozinho.
NO PRÓXIMO EPISÓDIO
Tradução e Legendagem JOSÉ GONÇALO SILVA RTP - Produção
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