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Zulu
Não faças cerimónia.
Você é como Moisés, abriu o Mar Vermelho para eu entrar.
Agora somos sócios.
Quer saber uma coisa, Don Savastano?
Chama-me Gennaro.
Adoro o mar.
Tenho um veleiro de vinte metros. Gosto mais dele do que da família.
No mar, quando nos afundamos, pedimos ajuda.
E quem nos salva não é um idiota.
É o melhor amigo que podemos ter.
Tu e eu, juntos, vamos fazer coisas grandes.
GOMORRA
Os rapazes deram problemas?
Fiz-lhes perceber que valia a pena fazer alguns sacrifícios.
Quer dizer que te dão ouvidos.
Só porque até agora cumpri as minhas promessas.
Branka?
Agora trabalhas com os chineses?
É bom para eles e é bom também para mim.
- O Ciro. - É o teu sócio?
É o meu irmão.
Vão com ele.
CENTRO DE DIREÇÃO, NÁPOLES
- Gennaro! - Tudo bem, Michele?
É bom ver-te.
Eu sabia que eras um cavalo de raça.
Mas se não fosses tu, Gennaro, poucos o saberiam.
Tomas um café? Vamos para o meu gabinete.
Traga-me dois cafés, por favor.
Porra! Que gabinete, Michele!
Faz-se o que se pode, Gennaro.
Então? O que me tens a dizer?
Tenho 50 postos de trabalho para ti.
Mas fiz um novo amigo, o Gaetano Sanni.
O da lavandaria?
Tornámo-nos sócios.
Deu-me uma lista de empresários que estão com a corda ao pescoço.
- Sabes o que isso significa? - O quê?
Que agora vou comprar um montão de empresas.
E então podes dar trabalho a um montão de pessoas.
E por cada emprego há uma família que vai votar em mim, é isso?
Mete a trabalhar os meus homens nas obras do teu município
e eu torno-te presidente da região.
Então, fala com todos.
Diz-lhes que haverá muito trabalho.
O trabalho nunca é de mais, Michele.
- Obrigado, Gennaro. - Fica bem.
Chegaram as últimas sondagens.
É aqui.
Anda, Lucio!
- Posso? - Por favor.
- Têm o dinheiro? - Sim.
Faltam 200 para os 15 mil.
O meu pai deu-me tudo o que podia.
Depois pedimos por toda a parte, mas não conseguimos encontrá-los.
Está bem assim, minha senhora.
Obrigada.
Para quem é o trabalho?
Para o meu marido, Lucio Calori.
- E ele não tem língua? - A minha mulher já agradeceu.
- Que mais quer agora?! - Não lhe dê ouvidos.
Ele... Ele está aborrecido. Ontem, enterrámos a mãe dele.
- Então? Quer o trabalho? - Claro que quer.
Estou a falar com ele.
Como é que é? Quer trabalhar ou não?
- Sim. - Sim?
"Sim, obrigado."
Sim, obrigado.
Bom dia.
Tudo bem?
- Entra, Nicola. - Olá, Gennaro.
A casa ficou bem.
- Quantas pessoas vieram hoje? - Pusemos 32 pessoas a trabalhar.
- 480 mil euros? - Estão aqui.
Ótimo.
Adeus, Gennaro.
- Olá, Gaetano. - Boa noite, Gennaro.
A lista que me pediu.
Como é que uma agência funerária consegue ter dívidas?
Podemos comer menos, mas não podemos deixar de morrer.
Os mortos não perdem a casa no jogo, só os vivos.
Eles vão querer logo o seu dinheiro.
- Como é que sabes estas coisas? - O diretor do banco é meu amigo.
Disse-lhe que nós pagávamos para saber quem pede empréstimos.
Fiz mal?
Fizeste muito bem.
- Olá, Enzo. - Olá.
- Olá, Gaetano. - Olá.
Bom dia. Chamou-me?
Doravante só entram neste cemitério as agências funerárias que eu disser.
Está a brincar?
A minha família nunca brincou.
Toma. Esta é a primeira.
E que não seja a última.
- Percebeste o que tens de fazer? - Quando alguém pedir perdão a Deus,
nós chamamo-los. - Ámen.
Ámen.
Olá, Patrizia.
Como estás, Gennaro?
Bem. Estou a recuperar.
Obrigado por teres vindo.
Eu e tu tínhamos um acordo.
Desde o início.
E eu respeito os acordos.
Então, vem comigo. Quero mostrar-te uma coisa.
Esta empresa trabalhava para as cantinas das escolas.
Depois começou a fazer disparates. Má qualidade, carne estragada...
Algumas crianças sentiram-se mal e a procuradoria fechou-lhe as portas.
Amanhã, vai reabrir com um nome novo
e com 50 funcionários a trabalhar quase de graça.
De quem é o estabelecimento?
É meu. Comprei-o a um amigo.
Gostas?
Porque é que tenho de gostar?
Porque agora é teu.
E para quem trabalhamos?
Para o Michele Casillo, o presidente da Câmara.
Confiou-me a adjudicação das escolas primárias do município.
Mas quando se tornar presidente da região, com os nossos votos,
vai adjudicar-nos os hospitais e as escolas da zona toda.
Então? Interessa-te?
Patrizia, onde te meteste?
O Gennaro ligou-me. Fui ter com ele.
Não me diz nada. Já sabem como é.
Vamos fumar lá fora.
O que quer o nosso Gennarino?
Quer encontrar-se consigo. Tem uma proposta para si.
Claro.
De que se trata?
Diz que os negócios estão bem.
Tem um fornecedor de droga novo.
E se a Dona Annalisa quiser, quatro mãos são melhores que duas.
O Gennarino não vale nada. Nem olhos para chorar tem.
E agora, assim tão aprumado, quer vir chorar para a mamã?
Pelo que vi ele recuperou.
Não se vê a merda debaixo de água.
Eu faço o que disser.
Mas pense bem.
Porque em Secondigliano o dinheiro não se mexe.
E a droga que compramos aos albaneses é uma porcaria.
E quando as coisas estão mal,
os melhores amigos tornam-se inimigos da noite para o dia.
Sabes o que mudou, Patrizia?
A mamã tinha um filho e perdeu-o.
Não quer outros filhos.
Vamos encostar.
Desculpe, pode dar-me a chave do cadeado?
Isto nunca teve cadeado.
- Terá sido algum familiar? - Acho que não. Vou perguntar.
Mãe, tem a chave do cadeado?
Não, não tenho nada. Isso nunca teve um cadeado.
- E agora? - Fique tranquilo.
Vamos falar com o zelador.
- Vem comigo? - Claro.
Volto já.
Pousem o caixão.
Desculpe, pode chegar aqui?
- O que é? - Bom dia.
Armando Maccaluso. Está aqui a certidão de óbito.
O portão do jazigo está trancado.
Lamento, não há lugar.
Como não há lugar? Aquilo é o jazigo da família.
Tem um cadeado. Tem de tirá-lo já.
O jazigo até pode ser vosso,
mas escolheram o Caronte errado.
- Quer que eu chame a Polícia?! - Claro, esteja à vontade.
Quantos lugares vagos ainda há no vosso jazigo?
Quatro?
Portanto, se chamar a Polícia, preenchemo-los num instante.
Então?
Diz que não te quer ver.
Não quer saber dos teus negócios.
Sabes porque é que te pedi para ficares em cima da Scianel?
Porque essa grande cabra, neste momento, em Secondigliano,
é a única que tem homens e armas.
É por isso que é importante que a convenças.
E como se convence uma serpente?
Com um presente.
Diz-lhe que, se aceitar, terá um belo presente.
- Obrigado por ter vindo logo. - O que aconteceu?
Aceitei as pessoas que me indicou.
- Alguém está a dar-te problemas? - Não, não, por amor de Deus.
Trabalham de manhã à noite.
- O problema é que não posso pagar. - Mas porquê?
O estado paga com as heranças.
E eu usei o dinheiro todo para pagar aos bancos.
Não tenho um tostão.
E é esse o problema?
Paga a quem podes pagar e aos outros explica bem a situação.
Se o Estado tem dívidas, que culpa temos nós?
E se alguém se chateia?
Manda-o falar comigo.
Eu explico-lhe melhor.
Lucio Calori.
Uma assinatura aqui.
Obrigado.
- O que é isto? - Há algum problema?
Não estou a falar consigo. Estou a falar com quem me contratou.
Há algum problema?
O salário era 1150 euros. Aqui só estão 850.
- Como é que é isto? - O resto são impostos.
Impostos?
Mas quais impostos?! Nem sequer temos contrato.
Nem segurança social. Nós aqui dentro não somos ninguém!
Se fosse um trabalho do estado, não pagarias impostos?
Este trabalho demos-te nós. Não nos queres dar nada?
Mas o que estás a dizer?! Já paguei pelo meu trabalho!
Pensa bem antes de gritares aqui.
- Paguei 15 mil euros pelo trabalho. - Tu pagaste 14.800!
E por 14.800 euros, nós fizemos-te a vontade.
Estás velho. Com a tua idade, ninguém te contrata.
Com a minha idade,
dou um pontapé no cu de crianças idiotas como tu!
Isto não fica assim. E não te rias, parvo.
Próximo.
A Scianel aceitou o encontro. É amanhã.
Ótimo.
A nossa droga está a voar. Nas festas, nas discotecas...
Vende-se melhor do que nas ruas.
E os confederados ainda não deram por nada?
Por enquanto. É uma questão de tempo.
Vendemos cem quilos de droga dentro da casa deles.
Em menos de um mês.
Temos de nos preparar para a guerra, Ciro.
Não sei se os teus rapazes estão prontos para isso.
Já viste do que são capazes.
Sim, mas vender droga é uma brincadeira.
Eles só viram guerra nos seus videojogos.
Tu também eras assim, ou não?
E depois aprendeste.
Porque tive o melhor professor que pode haver.
Um professor que não teve qualquer pena de mim.
Estás a pensar no quê?
Há uma pessoa a chatear-me. Quer meter-se nas nossas coisas.
O Sangue Azul tem de matá-lo.
Tem de ser ele, Ciro.
Não podemos ficar sozinhos na tempestade que aí vem.
- Boa noite, rapazes. - Olá, Ciro.
Rapazes, deem-nos licença.
Tens de fazê-lo.
O que é que ele fez?
Isso não importa.
O que importa é que o faças.
Não és capaz?
Este momento havia de chegar. Já sabias isso.
Como é matar alguém?
É como nascer.
Nunca ninguém o pediu.
Tens de fazê-lo.
Bem, Giosuè, aqui estão as calças, a camisola e as meias.
- Vais vestir-te sozinho, está bem? - Vá lá, pai, ajuda-me.
Ora, Giosuè! Já não és uma criança.
És um homem. Tens de te vestir sozinho.
Fico à tua espera.
- Está tudo bem? - Estou cansado, mas sim.
- Estás cansado? - Sim, um pouco.
- Queres ajuda? - Não é preciso.
Hoje puxaram por ti.
- Tens fome? - Um pouco.
- O que queres comer? - Uma piza.
Já sabia, sempre piza. Basta-te uma piza, Giosuè.
Está limpo. Vimos dentro e fora. Não está cá ninguém.
- Tens a certeza? - Pode entrar.
Afinal, parece que o Gennarino não me quer tramar.
O que quer fazer agora?
Patrizia, a vida é como o póquer. Quero sempre ver as cartas.
Dona Annalisa, bom dia.
Por favor. Aqui.
Estou aqui.
Olá, Annalisa.
Sabias que a morte é o melhor negócio que há?
E porque me dizes isso? Achas que chegou a minha hora?
Digo-te porque esta loja pode ser tua.
Para quê? Vou ser cangalheira?
Tu sabes que a situação em Secondigliano não está boa.
As ruas já não vendem como antes.
E tu tens muitas bocas para alimentar.
Mas eu encontrei a solução para ti.
Logística Sermo,
Servicepol Notte, Auto Ventesimo...
Mas que porcaria é esta?
São empresas em dificuldade que eu comprei.
Como esta.
E tu e eu podemos dividi-las.
Montamos um sistema como faziam os clãs do centro de Nápoles.
Eu sei bem como eles faziam.
Mas... estou com um pressentimento.
Tu queres tramar-me.
Não te quero tramar. Pensa bem nisso.
Com o dinheiro da tua zona,
ficas com 51% dos quatro armazéns destas agências funerárias.
Mete a trabalhar quem quiseres e compra material onde quiseres.
Fazes tudo sozinha.
Porque entretanto vendo-te a florista, o marmorista, o marceneiro...
Assim ganhas com tudo.
E quem quer trabalhar contigo, primeiro tem de pagar.
Mas o dinheiro a sério sempre o fizemos nas ruas.
Mas agora, em Secondigliano, o maior negócio não é a droga.
É a fome.
E nós vamos fazer render essa fome.
Annalisa, temos de fazer de Secondigliano uma coisa só.
Só assim podemos tornar-nos mais fortes do que antes.
Muito bem, Gennarino.
É verdade que recuperaste. Tens o teu negócio...
Há um problema.
- É melhor esperar aqui. - Eu é que sei o que é melhor.
Bom dia, Annalisa.
Olá, Ciro di Marzio.
Quando o meu pai pegou em Secondigliano, não valia nada.
Era só um bairro de merda onde enfiavam toda a gente
que não queriam nos bairros do centro de Nápoles.
Mas o meu pai viu alguma coisa aqui.
E fez disto o maior supermercado de droga da Europa.
Ciro, sabes como nos chamavam no centro de Nápoles nos anos 80?
Macaquinhos.
Tratavam-nos como animais. Queriam-nos dentro de gaiolas.
- Tu também sabes disso. - Claro.
Ninguém se pode esquecer.
Graças ao meu pai é que começaram a dizer "bom dia" e "por favor".
Para conseguirem a nossa droga.
Mas o "bom dia" e o "por favor" já não servem para nada,
porque aqui já não se vende nada.
Temos de conseguir as zonas do centro de Nápoles.
E quem são aqueles?
São o nosso cavalo de Troia.
Gennaro, sabes o que significa isto tudo?
Temos de abrir uma guerra com os merdas dos confederados.
Há mais um funeral.
NO PRÓXIMO EPISÓDIO
Tradução e Legendagem JOSÉ GONÇALO SILVA RTP - Produção
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