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Ajude-me! Por favor!
- O que aconteceu? - Por favor, ajude-me.
Agrediram-me e deixaram-me aqui. O carro não funciona. Por favor.
- Não te mexas, idiota! - Está quieto! Para trás, para trás.
Para trás. Olha para a frente.
Olha para a frente.
Entra.
Fecha, fecha.
Muito bem.
Mas tenho de ir, Enzo. A Carmela está à minha procura.
Vai, vai.
Esta está pronta.
Irmãos, estes são melhores do que os originais.
Seja como for, os chineses não sabem nada.
O quê? Eles são muito inteligentes. Aprendem a trabalhar seja onde for.
És mesmo estúpido. Eles são todos iguais.
Nem se reconhecem uns aos outros, quanto mais um berbequim.
Trabalha uma chinesa para o meu tio, e eu reconheço-a muito bem.
Ele gosta de rata amarela!
Corto-te a cabeça! Desaparece!
Dois, quatro, cinco... Aqui estão quinze.
A carteira, por favor.
Pasquale...
Quando fizeres queixa, esquece-te de mim.
Não me faças ir a tua casa.
Compra um vestido para a tua mulher com isto.
GOMORRA
Deixaram-te muito maltratado.
Porque é que voltaste?
Tive saudades de casa.
Mas isto já não é a nossa casa, Ciro.
Esta cidade mastigou-nos e cuspiu-nos.
Expulsaram-me de Secondigliano como um saco de lixo!
A mim!
Têm de morrer todos.
Onde estão a Azzurra e o Pietro?
A Deborah tinha razão.
Na última noite que a vi,
ela disse-me: "Para, Ciro. Para.
Pensa em nós."
Mas eu não lhe dei ouvidos.
Desci ao Inferno para o perceber.
Depois de tudo o que fizemos, ainda estamos aqui.
Só eu e tu.
Tens de reavê-los.
Se o fizeres por eles, estou contigo.
Bonitão!
- Sangue Azul! Como estás? - Bem, graças a Deus.
- Estás bem? - Estou.
- Isto acaba de chegar. - Deixa-me ver.
- Queres ver? - Claro.
- Vou testar. - Tenho um igual em casa.
Furei tudo com isso, menos a cabeça da minha irmã.
É mais dura que mármore!
Por sorte, no meu país, as paredes são feitas de merda.
Para os meus conterrâneos basta que a marca seja ocidental.
Levo-os. Gosto deles.
Rapazes, vamos carregar!
Entra. Quero mostrar-te uma coisa.
Estão aqui 80 mil.
- Assim está tudo pago. - Não havia pressa.
Uma pessoa como tu tem de ver que eu pago.
O que dizes?
Não está mal.
Deve ter-te custado muito.
Aqui só se gasta dinheiro uma vez.
Até tem um sistema de rega com controlo de temperatura.
Então, é este o teu negócio.
E depois?
Há uma coisa ainda maior. Sabes qual é?
O investimento emocional.
Para manteres uma zona de tráfico, precisas de inteligência.
Para manteres isto, só precisas disto.
Aprendi a adorar estas plantas.
Sei criá-las de cor.
Às três semanas querem uma luz, às seis querem outra
e às nove outra ainda.
E porque é que agora está tudo apagado?
Agora estão a dormir.
Regulei tudo com o temporizador.
À meia-noite, quando acordarem, acende-se tudo de novo.
E como é que consegues saber quando estão acordadas ou a dormir?
Eu conheço-as bem.
O que queres da vida, Enzo?
Ser agricultor?
Ou queres fazer uma coisa realmente importante como disseste?
Quero crescer.
Estive a pensar.
Mas se queres mesmo fazer dinheiro, tens de me dar ouvidos.
Tens de fazer tudo o que te disser.
Um café.
Um café, por favor.
Movem o dinheiro um minuto depois do fecho.
Eu pago a despesa deste senhor.
Abandonaram este sítio porque é perigoso.
- Partimos daqui. - E se cai?
Se cair depois de entrarmos, não importa porra nenhuma.
- Saímos por outro lado. - Porquê, Ciro?
Porque se queres sobreviver,
tens de estar sempre um passo à frente de quem vem atrás de ti.
Mas nós não queremos só sobreviver.
Isso vê-se depois.
Saímos aqui.
Nesta praça, atrás do mercado de Antignano.
E depois precisamos de armas.
Mas disso tratam vocês. Estamos entendidos?
Olá.
Rapazes, aqui!
Então?
Acho que os rapazes estão prontos.
Tão cedo?
São como éramos nós os dois.
Têm fome.
É disso que precisamos.
Assine aqui. O depósito fica aqui e já está.
Abre, abre.
O que é isto?
No chão! No chão!
Vamos, vamos, vamos!
Depressa! Vamos, vamos, vamos!
Leva isto.
Depressa! Depressa!
- Vamos! - Depressa!
Vem cá! Vamos!
- Vem comigo! - Mexe-te, porra! Depressa!
Vem tu também. Todos no chão! No chão!
Falta um minuto e quarenta. Depressa, depressa!
Vamos lá! Não temos o dia todo!
- Estou a ir! - Temos de ir!
Vamos!
- Já acabámos? - Mete aqui dentro, vamos!
- Depressa! - Vamos, vamos, vamos!
Rapazes! Vamos, vamos!
Vamos, vamos!
Olá, Maria.
Depois diga-me como estão.
Rapazes, juro pela minha mãe que ele estava a borrar-se de medo.
Está aqui tanto dinheiro!
Olhem para isto!
Rapazes?
Conseguimos.
Enzo...
Calem-se, calem-se!
Que é?
Estão satisfeitos?
O que querem fazer com este dinheiro todo?
Dividi-lo?
E depois gastá-lo?
E depois voltamos ao início.
É isso que fazem os assaltantes.
Mas não as pessoas que querem crescer.
As pessoas que querem crescer têm de saber investir o dinheiro.
Para se tornarem mais fortes.
O que querem vocês ser?
Têm de decidir.
Irmão?
Já podemos começar.
Olá, Maria.
Enzo, já não aguento ser empregada. Não é para mim.
Aguenta mais um pouco. Fá-lo por ela.
Ela sabe o que estás a fazer?
Estou a fazer o que é melhor para todos nós.
Eu sei, mas a tua irmã não sabe.
E ela não é parva, Enzo.
Tens de lhe dizer.
Onde arranjaste isso?
Não me digas que é da droga que vendes nas nossas ruas.
- É demasiado. - Fiz um assalto.
- Onde? - Não te preocupes, ninguém reparou.
Assim podes pagar à Câmara para fazeres a marquise.
Mas agora tens de ter calma.
Já levo comida ao meu marido lá. Não tarda estás na prisão também.
Carmela, eu levo o rapaz a casa.
Enzo?
Tu e o Cosimo são a minha vida.
Genny.
Senta-te.
Obrigado por me receberem.
Temos boas recordações do teu pai.
Fizemos ótimos negócios de armas com ele
Têm de fazê-los também comigo.
Está bem.
Estão aqui 366 mil euros, para começar.
Podemos fazer 33 o quilo.
- É um preço para amigos. - Está bem.
E quando a entrega?
Amanhã?
É boa.
Irmão, este material é bom mesmo cortado quatro vezes.
Vamos cortá-la duas vezes.
A nossa droga tem de ser a melhor.
As pessoas têm de perceber que não é a merda de sempre. Têm de vir a nós.
- E o preço? Por quanto a vendemos? - Mais barato do que eles.
Desculpa, mas assim não ganhamos nada.
Por agora tem de ser assim.
Temos de ganhar a coisa mais importante, Enzo, o mercado!
E quando dermos cabo dos outros, podemos fazer o que quisermos.
Olá, amigo.
- Querias conhecê-lo? - Claro.
- És o Valerio? - Sou o Valerio, sim.
- Posso oferecer-te uma bebida? - Depois. Agora podemos falar?
Claro que sim.
Volto já.
Soube que a erva que nos compras não chega para as encomendas.
A procura é alta.
E se eu te dissesse que podemos fazer mais?
Interessa-te?
Também podemos fornecer cocaína.
- Quanta? - Quanta quiseres.
Era o que eu esperava ouvir-te dizer.
Já viste como ele fala bem?
O que dizes?
- Podemos chamar-lhe Vocabulário? - Sim.
Como um fato feito à medida.
Agora és um de nós, Vocabulário.
Tudo bem?
Irmão?
Foi como tu disseste. Nem tocamos nas ruas.
A nossa droga está a voar. Se continuarmos assim,
vamos dar cabo deles, e nem saberão o que lhes aconteceu.
Mais tarde ou mais cedo vão saber.
Temos de estar prontos.
Mas tu sabes quem eles são?
Sabes quem tu és?
Ou esqueceste-te?
Esta cidade está cheia de Ciros.
Mas tu não és um Ciro qualquer. Tu és o Imortal de Secondigliano.
O Imortal morreu.
Mas era o teu nome, não era?
Isso é assim tão importante?
Sangue Azul.
Esse é o meu nome. E estou todo aqui.
Se tenho de combater contigo, tenho de saber quem és e quem foste.
Era o meu nome.
"O inimigo da República...
"... que deve dissolver...
... o exército."
Olha para mim.
"E confiscar as...
"... armas."
Se te reprovarem, passo-me.
- O que estás a fazer? - Nada, porquê?
Tu sabes que só te toleravam se traficasses um pouco de erva.
Mas parece-me que ultimamente andas a mudar de atitude.
Isso não é bom.
Já me doía o pescoço de andar sempre de cabeça baixa.
Tu e eu...
... só respiramos porque a mãe pediu por favor ao Eduadro Arenella.
- Não te esqueças. - A mãe não estava bem da cabeça.
Tinha 14 anos quando enterrei a mãe.
E dei a minha palavra ao Arenella em como tinha acabado ali.
Quero mantê-la, porque um homem só tem uma palavra.
Não és um homem, Carmela.
Mas fiz de homem.
De homem e de mãe.
Primeiro para ti
e agora para o Cosimo, porque tu não tens nada na cabeça.
Não fui eu que fiz esse acordo.
A palavra é tua, não é minha. E a tua palavra foi um disparate!
Era a vontade da mãe.
E foi a nossa salvação.
Mas tu não queres saber. Não respeitas nada nem ninguém.
Eles mataram o teu pai e nem deixaram o corpo para enterrar.
Somos filhos de fantasmas.
E os fantasmas não têm paz.
Mas a guerra é pior, Enzo.
Sabes quando começa, mas nunca sabes quando acaba.
NO PRÓXIMO EPISÓDIO
Tradução e Legendagem JOSÉ GONÇALO SILVA RTP - Produção
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