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...14, 15, 16...
...28, 29, 30.
Afastem-se, desfibrilador carregado.
Primeiro choque aplicado,
já se pode tocar no paciente.
Por aqui, Don Pietro.
Don Pietro...
Desculpe-me...
Tenho más notícias.
O Genny foi alvejado.
Os homens dele também.
Estão mesmo em mau estado.
Don Pietro, descanse um pouco.
Já descansei demasiado, Malammore.
O que aconteceu?
Em vez dum homem morto, deste-me um inimigo para a vida.
Ele levou três tiros.
Um deles aqui.
- Se não morreu, morrerá em breve. - Esperemos que sim.
- Porque o pai dele evadiu-se. - Ouvi isso na rádio.
Temos de ser rápidos, Salvatore, temos de conquistar tudo.
Os opositores do Gennaro têm de ficar connosco
e os indecisos têm de passar cá para o nosso lado.
Convoquemos uma reunião.
Pediremos um representante de cada família com locais de venda,
mesmo aquelas que trabalham para o Savastano,
até mesmo amigos e parentes daqueles que o Gennaro matou.
Damos a volta às coisas, todos ficam connosco
e fazemos o que sempre prometemos:
tu trazes o produto
e cada um de nós gere um local, mas autonomamente.
Salvatore...
Façamos uma aliança.
E o que ganho eu com isso?
Recuperas o que era teu...
...o que tinhas antes de Espanha.
Na tua terra.
Mas voltas como patrão.
Tudo bem.
Quem trouxer dinheiro fica com um local,
antes que um Savastano fugitivo ou um Savastano ressuscitado...
...venha intrometer-se.
Entendido.
Não, Mariarita, não.
Pára de chorar, já passou.
Onde está ela?
Pára de chorar, está bem?
Podes lavar as mãos? Boa.
Tens aqui o sabonete.
Lava-as, e depois seca-as com isto, está bem?
Ciro...
- Temos de falar. - Agora não, Deborah.
- Eles virão matar-nos. - Não vem ninguém.
Mataste a mulher dele e alvejaste o filho, quebraste todas as regras.
Eles vão matar-me a mim e à Mariarita.
Ele está escondido, não se pode mover.
Mas mandam alguém.
São reis há 30 anos, pensas que não arranjam alguém?
Estás a ouvir-me?
Temos de ir embora.
Não te preocupes, Deborah.
- Ciro, temos de ir! - Não te preocupes.
Sabes quanto dinheiro juntei todos estes anos?
60 mil euros...
Uma miséria.
Eu nem isso tenho.
Temos de ficar com um local, Rosario.
Temos de procurar dinheiro.
Temos de arranjá-lo agora.
Saiam, saiam!
Eu mato-vos! Saiam!
- Atira a arma para o chão. - Baixa-a.
- Não temos nada... - Pousa-a no chão.
Mãos no ar.
Acabámos de sair do depósito, não temos dinheiro.
Despe-te.
- Porquê? - Despe-te!
Mexe-te!
Ouve, eu sei onde vives,
em que escola andam os teus filhos.
Sei tudo.
Não faças asneira.
- Boa noite, Salvatore. - Boa noite, malta.
"SALA DE CONTROLO"
Vai um café?
Não, obrigado, não demoramos.
Nem tu, Luciano?
Luciano!
Não é o Luciano, é um colega novo.
E esse colega não tem voz?
- Porque raio... - Cala-te, idiota!
Mexe-te!
Vai ali para dentro.
- Não me magoes, o que faço? - Entra.
Tira daí as gravações, depressa.
- Despacha-te! - Sim!
Sai, depressa.
Mexe-te!
Mariarita, fá-lo ir mais alto.
Vá lá, um pouco mais alto.
Linda menina!
Não o deixes cair.
A polícia chamou-me.
Fui intimada, juntamente com os outros pais.
Devo ir?
Se não for, é pior, não é?
Mas diz-lhes que não estive em Nápoles,
que nem sequer vi o recital,
percebeste?
Depois resolvo o resto.
Ciro, não aguento mais.
A Mariarita nem pode ir à escola! Até quando?
- Quando é que isto acaba? - Estás a vê-la?
Vês? Olha como é bonita!
Ela já está bem, esqueceu tudo.
Porque não fazes como ela?
Pensa apenas que tudo passou,
porque passou mesmo.
Agora vou ver se me livro da polícia
e depois podemos relaxar.
Alguém viu um homem a sair do teatro.
Mais ou menos assim.
Parece-se com o seu marido, não acha?
O seu marido esteve lá.
- E quem o diz? - Eu.
Só porque alguém viu um homem careca à saída do teatro.
Na escola, conhecem o meu marido.
Se ele tivesse lá estado, algum dos pais já lho teria dito.
Ou não?
Sra Di Marzio...
Está a defender-se das pessoas erradas.
Espero que perceba isso a tempo.
Tenha um bom dia.
Isso é um adiantamento.
Depois, dou-te 6 mil euros.
A cada dia 27 do mês.
Podes resolver tudo.
A tua mulher, os teus filhos...
...não terão mais preocupações.
E quando saíres, haverá dinheiro.
Para recomeçares.
É a oportunidade para mudares a tua vida.
Pensa nisso.
Bom dia, senhora.
O que se passa? Assustei-te?
Não te reconheci.
E agora reconheces?
Porque tremes?
O que foi?
Não podemos ser vistos juntos.
Se descobrem que estive contigo, sou um homem morto.
Tem calma, não vão descobrir.
Mas tens de fazer outra coisa para mim.
Eu vi quem disparou.
Porque demorou tanto tempo a vir?
Estava com medo.
Vamos ouvi-lo.
Não te preocupes.
Capiano, abra!
Polícia!
Capiano!
Abra, é a polícia!
- Antonio Capiano? - Sou eu.
Está detido.
Obrigado.
Dá-me o saco.
Tudo em ordem.
Está limpa.
Cada um de nós tem uma ferida,
uma humilhação,
um morto a lamentar.
A mão que nos magoou é a mesma.
É a do Savastano.
Alguns de vocês perderam um irmão,
ou um pai,
por causa do Gennaro e seus rapazes.
Mas isso são águas passadas.
Os que nos trataram como escravos estão escondidos num buraco...
...ou dependem de uma máquina para viver.
Não devem voltar.
Eu e o Salvatore Conte fizemos uma promessa...
...e vamos mantê-la.
Vocês são quem mais influência tem nos vossos locais de venda.
Hoje, quem puser dinheiro nesta mesa,
compra uma parte do produto que o Salvatore importa.
Os locais que vocês geriam para o Savastano serão vossos.
O dinheiro que fizerem vai directamente para os vossos bolsos.
Nenhum patrão.
Aqui está o meu dinheiro.
São 400 000 euros.
Para começar.
Estamos prontos, Don Pietro.
Rapazes...
Não fingi estar maluco este tempo todo para ser apanhado...
...ou levar um tiro.
Tenho de sair aqui.
Mas, a partir deste momento,
aqui em Nápoles, vocês são os meus olhos...
as minhas mãos...
o meu coração...
...e a minha raiva.
E garanto-vos uma coisa:
vamos recuperar tudo o que é nosso.
Deborah.
Já não há perigo.
Vês como a Mariarita está contente?
Tem aqui tudo o que é dela.
Eu também estou contente.
A nossa casa...
Vais ver, vamos começar uma bela vida.
A melhor vida de sempre.
E que tal um sorriso?
- Tenho de ir. - Aonde vais?
Tenho voltas a dar. Volto mais logo, o Fernando fica aí.
- Adeus, Mariarita! - Adeus, Papá!
Rita, tem cuidado!
Sra Di Marzio...
- Bom dia. - Bom dia.
O seu marido deu trabalho ao meu filho.
Queria agradecer. Ficamos em dívida para convosco e estamos à vossa disposição.
Obrigada, muito obrigada!
- Adeus! - Adeus.
Maria!
Rita!
Dona Deborah, ela estava aqui, tenha calma.
Mariarita!
Ali está ela!
Eu disse-lhe que ela estava aqui.
Desce da bicicleta.
Desce.
Apareceram uns tipos à noite e levaram tudo.
Não pudemos fazer nada!
Porra, nem aqui sobrou nada!
Levaram as armas todas! Filhos da mãe!
Vamos levar o que resta.
Onde está a Mãe?
O que raio se passa? Que malas são aquelas?
- Não fico lá, nem aqui. - Não vamos a lado nenhum!
Tu não entendes, eu não aguento mais.
Acalma-te!
- Tenho medo, Ciro. - Acalma-te.
Não, não tenho calma, porque isto não é vida!
- Tira-me as mãos de cima! - Quem te está a tocar?
Acalma-te! Acalma-te!
Tem calma!
Escuta!
Não há razão para teres medo. Nós ganhámos, ouviste?
Já acabou.
Os Savastano não vão voltar.
Acalma-te.
Acalma-te...
Ciro...
Leva-nos para longe.
- Ou arranjo alguém que me leve. - Cala-te.
Cala-te!
Tenho de sair.
Mas já volto.
Fica aqui, os homens do Pai estão lá fora.
- O que é, Dona Deborah? - Leva-me à casa antiga.
- Agora? - Sim.
Ela fugiu.
Achei que era bom, ela querer vir aqui.
Ela disse-me para esperar, subiu e nunca mais a vi.
Idiota...!
És um idiota, és um idiota!
Deixei-a contigo, e tu...
Desculpa, tens razão.
Não sabes fazer um caralho!
- Devemos preocupar-nos com ela? - Apenas com os locais de venda!
Sou teu irmão.
Se ela fizer asneira, o teu problema não sou eu.
Temos de a encontrar.
O produto chega daqui a dias.
É bom. Podem cortá-lo a um 1,5 ou 2 euros, certo?
Até três, sem problema.
Se um gajo for esperto como ele, até dá três.
Posso vender-to por 30 mil.
Só um momento.
Ciro, encontrei-a.
Onde está?
É como pensaste.
- Estavas a falar do preço... - Trinta mil.
Está bem para ti?
Sim.
Está tudo bem, Ciro?
O que aconteceu à tua mão?
Um acidente em casa, nada de especial.
A três...
A sério?
Sim.
Maria!
Mariarita!
Onde está a minha filha?
Saiu com a Rosaria, a Teresa e a Simonetta.
Levaram-na a comer pizza.
Esteve em casa o dia todo.
Quero pedir-te desculpa.
Perdi a cabeça.
Não aguento ver-te assim.
Queres fazer qualquer coisa?
Vamos sair, só os dois.
Há quanto tempo não nos vamos divertir?
Vamos sair.
Só nós os dois.
O que dizes?
Vá lá.
Sabes, Deborah...
Quando eu e o Attilio éramos putos, a fazer os nossos primeiros roubos...
...vínhamos cá.
Ficávamos a olhar.
Mas não podíamos entrar, ficávamos lá fora.
Não tínhamos cheta.
Sonhávamos acordados.
Mas olha agora...
Acompanhado pela mulher mais bonita do mundo
e uma miúda que me enche o coração de felicidade.
Deborah...
Sabes melhor do que ninguém o que fiz para chegarmos aqui.
E onde estamos agora?
Estamos no topo.
Deborah...
Ouve...
Estamos assim tão perto!
Percebes?
Estamos quase lá.
Ninguém nos pode parar.
Se não parares agora, alguém nos vai parar.
Ninguém me vai parar, percebes?
- Ninguém me pára. - Nem a mim! Larga-me!
Não sabes o que fiz para chegar até aqui?!
Agora não posso parar!
Eu paro-te!
Estás maluca?
Estás maluca!
Acalma-te. Acalma-te!
Acalma-te, Deborah!
Acalma-te!
Tens de te acalmar!
Vais acalmar-te?
Acalma-te! Acalma-te!
Tens de confiar em mim.
Vais acalmar-te?
Acalmas-te?
Acalma-te.
Hoje é um grande dia.
Baptizámos uma aliança nova
em que as decisões são conjuntas.
Eu compro o produto para todos, mas cada um é rei em sua casa.
Criámos os Estados Unidos de Scampia- -Secondigliano, e que Deus nos abençoe.
O Rione dei Fiori e o Berlingieri ainda estão fora.
São quatro idiotas que ainda acreditam nos Savastano.
Mas agora não podemos fazer guerra.
Temos de os manter lá presos.
Daqui a uns meses, estarão a rastejar à nossa porta.
Agora, façamos um brinde.
- Traz uma garrafa. - Vem cá!
Faça favor, Don Salvatore.
Aqui está, a todos os nossos inimigos!
Toma.
- Estão prontos? - Sim, abre.
Ciro...
Onde está o meu copo?
- À nossa, Don Salvatore! - À nossa!
São dela.
Uma assinatura aqui.
Sangue gera sangue, violência gera violência,
numa espiral de vingança que tem feito de Nápoles
palco duma guerra sangrenta da Camorra que mata dezenas e aterroriza a população.
- O último homicídio, na periferia... - Está?
...reflecte a brutalidade habitual. A vítima é uma mulher...
Sim, já vou.
Estamos num armazém em Melito...
Há uma clara melhoria do estado dele.
Os parâmetros hemodinâmicos já estão normalizados.
Adaptação SARA DAVID LOPES
No próximo episódio...
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