All language subtitles for My Old Ass 2024 1080p WEBRip

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Espera aí.

Ruthie, calma, nem estou indo tão rápido.

É seu aniversário, amiga! Seu aniversário.

Já pode fazer plástica na bunda.

MEU EU DO FUTURO

- Meu Deus. - Não fala merda, Ro.

A gente tem que parar de pescar pra pegar mulheres aleatórias.

- É. - E burras.

Ela não é aleatória.

Rola um clima desde o 8o ano.

Tenho que tentar antes de ir.

Aí vai ter pegado todas da cidade.

- Todas as meninas. - Verdade.

Não é verdade.

- Ai, gente! - Merda!

- Desculpa. - Puta merda.

- Foi mal. - Tudo bem?

- Ainda tenho pescoço? - Tem.

Vou dizer pra ela que vou embora em três semanas.

Se a gente transar...

foi o plano de Deus. Não depende de mim.

- Tá. - Vai devagar.

- Vai devagar. - Cara.

Foi mal. Eu piloto outro tipo de barco.

- Não com essa coisa de girar. - Devia tirar carteira.

Opero máquinas pesadas desde os oito anos.

- Tá. - Merda.

Foi mal.

Sabe?

Me ajuda a puxar.

Acho que não existe carteira pra barco.

É uma formalidade.

- Conseguiu? - Sim.

Pega essa ponta da corda.

Meu Deus.

Quase morri nessa merda.

- Nossa. - Tá.

- Pronto, está viva. - É hora de ir.

Você consegue.

Divirta-se.

- Obrigada. - Cuidado. Se proteja.

- Dei um jeito nas costas. - É, meu pescoço.

São uma maravilha médica, né?

- Verdade. - Curam cistite.

- Sim. - Precisamos deles.

Lutam pela gente. Vamos lutar por eles.

Então... você vai embora da cidade em breve, né?

Em 22 dias.

Cacete. Vai fazer contagem regressiva?

- Está com pressa? - É. Tipo,

vou sentir muita falta de uma coisa aqui.

O cabelo dela vai derreter. Vai estragar a surpresa.

Parece uma ovelha.

Gastei uma hora nisso.

Ela já vai chegar.

Escuta, minha tia foi casada com um cara

que tinha um porquinho-da-índia.

Na loja em que ele comprou, tinha um garoto,

e ele me deu as drogas.

Um estranho?

Não! Eu falei... Escuta.

Ele disse que são super-raros, da América do Sul...

- África. - É só mastigar?

- Vou pesquisar. - Tá.

- São da América do Sul? - Como se escreve "alucinógeno"...

Sim, é africano.

Sei lá, cogumelos.

É pra comer... Ouvi que dá pra fazer

um chá de ervas ou algo assim.

- Finalmente! - Não vamos fazer chá.

Não dá pra controlar a onda.

- Olha. - O que está fazendo?

- Agora não, mãe. - Kathy, estamos ocupadas!

Quero me drogar, mãe!

Tá bom.

Se vai pilotar assim...

Antes de nos afastarmos muito,

vamos fazer um plano de emergência caso algo ruim aconteça?

Nada de ruim vai acontecer.

Os cogumelos servem pra isso. Nada de ruim acontece.

E se uma de nós ficar muito doida, falar merda

e mudar nossa amizade pra sempre?

Maluca.

- Dez. - Nota 2,5.

O saco todo, não. É muita coisa.

Por isso precisa engordar.

À Elliot, sua piranha velha.

Que você experimente,

sei lá, uma porra de um novo nível de consciência.

- Cara. - Cara.

Está arrotando.

- Achei que nós... - Nossa.

- Não querem ficar doidonas? - Nojo.

- É. - Beleza. Um, dois, três.

Vamos.

- Vira. Vira. Vira. - Não dá.

Vira tudo.

- É muito ruim! - Vira tudo.

Vira tudo.

Estou com medo.

- Sério? - Não, na verdade estou meio...

Estou com medo também.

Que estranho, eu não.

Que porra foi essa?

- Tá. Vamos... - Tem ursos aqui.

- Minha mãe falou. - Quieta. Vamos só

falar de algo normal.

Falem de algo normal.

Pode falar quais são seus sonhos, Elliot?

- Meus sonhos? - Isso, porra. Sonhos.

Com certeza. Eu tenho sonhos.

Bem, eu...

Estou animada porque minha vida vai finalmente começar.

Sei lá. Mesmo com o mundo

literalmente pegando fogo e cheio de racistas,

tento me forçar a ter esperança.

Só quero me mudar pra Toronto,

morar numa cidade grande e ir pra facul.

É o que me parece certo.

Respeito muito meus ancestrais,

mas não quero ser a 3a geração...

A 3a geração de plantadores de cranberry,

morando numa cidade com 300 pessoas.

E me sinto mal dizendo isso.

Mas é tipo, tenho energia. Animação.

O mundo é nosso, porra.

- Temos que viver, sabe? - Sim.

Minha...

Meu Deus.

Vocês estão doidonas?

Sei lá.

Quero dançar, cara.

Que porra é essa?

Ruth.

Meu Deus. Ro!

Quero ficar doidona.

- Não sinto nada. - Você não tolera bem drogas.

- Que porra é essa? - Esquisitona.

Quem é você?

Meu Deus. Estamos em Maude Island.

Nossa. Eu amava este lugar.

Pena que um ricaço imbecil comprou tudo.

Uma droga.

Quero.

Delícia.

Saudade de coisas artificiais.

Quem caralhos é você?

De onde você veio?

Foi você que tomou cogumelos e me convocou.

Trabalha pro meu pai? Ele mandou você me espionar?

Isso é a cara dele.

Engraçado, mas não.

Deus?

Não sei como dizer isso.

Sim.

Elliott. Sério.

Cara, eu sou você.

Sou você com 39 anos.

- O quê? - E aí?

O que... Como assim?

Você é eu? Não fode.

- O quê? - Não fode você.

Seus dentes.

- Não são meus. - O que tem?

- O quê? - São separados.

- Os meus não são. - Vá se foder. Use aparelho.

E seu cabelo. É tão seco e escuro.

- Calma aí. - Você tem franja.

Eu não tenho franja.

- Nem planejo ter. - Pega leve, sua vaca.

E seus peitos são caídos.

- Os meus não são. - Tá.

Nem dá pra ver eles.

- Você não é eu. - Meu Deus.

Esqueci como eu era burra.

Vou te mostrar uma coisa.

Isto aqui, viu?

Com nove anos, caímos do trator na cerca quebrada.

Doeu pra cacete.

O peito esquerdo é menor que o direito.

E eles nunca vão ficar iguais,

mas você se acostuma.

Os caras nem percebem. Só as mulheres, mas...

Tá. Mais coisas.

É nosso mindinho cortado.

Do acidente com a tequila no 2o casamento da Ruthie?

Merda. Isso ainda não aconteceu. Eu não devia ter dito.

Na verdade, sinto falta dele. Posso ver?

Puta merda.

Tá, eu tô doidona.

É.

Boa! Estou sentindo.

Estou reagindo aos cogumelos. Fizeram efeito.

Estou alucinando.

Sou até gostosa pra meia-idade.

Vá se foder. Tenho 39. Isso não é meia-idade.

- É, sim. - Não é.

Sou uma jovem adulta.

- Sério? - Sim.

Sinto uma vibe de mãe gostosa.

Ninguém mais fala "vibe".

Tá me dando bode.

Ninguém mais fala isso também.

- Então... - Espera. Meu Deus.

Me conta tudo. Onde a gente mora? Temos filhos?

Somos felizes e realizadas?

Nossa, isso é...

É. Esqueci como tudo parecia simples.

Isso parece sinistro. Você morre?

Eu morri? O planeta pega fogo, explode,

- e todo mundo morre sufocado? - Relaxa.

- Não. Tem... - Estamos vivas.

Isso está virando uma bad trip.

Quero me divertir, e você está me dando pânico.

- Tá. Relaxa. - Me fala algo bom.

Algo bom.

Por que está difícil pensar em algo bom?

- Isso é bom. - Tá.

Você vai pirar...

- Tá. Me diga. - ...de saber que faz doutorado?

Isso, porra.

- O quê? Está brincando. - Mas não quero dizer no quê,

pra não estragar sua animação.

- Animação? - Sim.

Você falou que eu ainda estou estudando aos 40?

Aos 30 anos.

Que porra é essa?

Achou que ia estar casada,

ter vários filhos e o emprego dos sonhos aos 40?

Achou? Beleza.

Espera, tive uma ótima ideia.

Me diga qual é a próxima Apple,

eu vou investir e ficar muito rica.

Acho melhor não.

- Por quê? - Não sei como isso funciona.

Não quero ficar com o karma ruim, sei lá.

Uma coisa acontece, aí outra merda acontece.

- Sei lá. - Qual é o objetivo desse papo

se você não pode me dar um bom conselho

pra melhorar nossa vida?

Tá, não é a solução. Não acho...

Então não resolveria

- alguns dos seus problemas? - Eu não...

Ou nossa vida foi tão perfeita

que você não quer mudar nada?

Pode evitar caras que se chamam Chad?

O quê? Quem é Chad?

Você tem uma chance de dizer ao seu "eu" mais novo

seus maiores arrependimentos,

e me pede para evitar um cara chamado Chad?

- É. - Está doidona?

Não.

Só faça isso.

Que coisa mais bizarra.

- Meu Deus. - Meu Deus!

Por que não atendeu?

Não vou falar doidona com a mamãe.

Cara, a mamãe é irritante, mas seja legal com ela.

Eu sou muito legal com ela!

Ontem, ouvi ela falar de um beija-flor por 45 minutos.

Que fofo.

- Foi irritante. - Você devia ficar mais com ela.

Tipo, passe tempo, saia com ela.

É isso, você é parecida com a mamãe.

É com ela que você se parece. Igualzinha.

- Que porra é essa? - Pois é.

- Já ouviu isso? - Sim.

- Todo mundo diz. - Não.

- Todo mundo. - Puta merda. Que louco.

- Todo mundo vira a própria mãe. - Basicamente.

Eu achava isso ruim, mas agora eu gosto.

- A mamãe é legal. - Beleza.

- Ela é legal. - Beleza.

Posso te abraçar?

Vem cá.

Isso é tão estranho.

Achei que eu seria feliz aos 40.

Você é feliz, e não tenho 40, babaca.

Você não parece feliz.

Parece que está com uma crise de meia-idade.

E você está doidona de cogumelo e não sabe de nada.

Verdade.

Tenho uma ideia.

Vamos nos beijar?

- Não. - Por quê?

- Por quê? - Por quê?

É só um beijo. Não é sexual.

Um beijo é inerentemente sexual.

- Não é, não. - Por que quer se beijar?

Não quer saber como é beijar a si mesma?

Eu quero.

Mas você é muito nova. É estranho.

Posso tocar na minha bunda velha?

- Nossa, preciso te internar. - É rapidinho. Não vou...

- Não vou enfiar a língua. - Tá, me beija.

- Sério? - Tá.

- Meu Deus. - O quê?

Eu só queria saber como era me beijar.

- Tá, agora você sabe. - Amei.

Agora sabe.

Foi um tesão. Você sabe.

Posso dizer uma última coisa?

Nossa.

Você já falou que vou ser velha estudando.

- Não pode piorar. - É sério.

Você teve sorte.

A vida nunca vai ser igual ao que é agora.

Ótimo.

Você vai pra cidade,

tudo vai ser empolgante e agitado,

e você não vem pra casa no Dia de Ação de Graças.

Venha pra casa.

Tempo perdido não se recupera.

Ele passa tão rápido quando ficamos mais velhos.

Tão rápido. É uma droga.

Elliott?

Elliott?

- Meu Deus. - O quê?

Cadê seu celular?

- Celular? - Peitinho.

Peitinho?

Doidinha.

Aí o coelho cantou igual à Celine Dion.

Foi muito lindo.

Aí centenas de coelhinhos saíram da floresta.

Não entendi a letra porque cantavam em mandarim,

mas era linda.

Que inveja das viagens legais de vocês.

Conhecer seu eu mais velho parece bem maneiro.

Você não tolera bem drogas, Elliott.

Nem vi que chegou.

Voltei há um tempo.

Tentei ligar. Tinha bolo pra você.

Não.

Sim.

Mãe, vocês fizeram bolo?

Sim.

- Desculpa. - Tudo bem.

Eu falei que ia sair cedo com a Ro, não?

Talvez. Acho que eu esqueci.

- Desculpa. - Tudo bem.

Se divertiu?

Sim.

Fez tanto frio ontem.

Fiquei pensando se tinham cobertores.

Sim... Foi tudo bem.

É? Pelo menos não choveu. Olhei o radar,

e tinha 15% de chance de chover às 19h.

Mas é tipo...

Aí foi pro leste.

Foi tudo bem.

Então tá.

Vou te deixar sozinha.

Nunca peguei ninguém num barco.

O que estão fazendo?

Spencer!

O que está fazendo aqui a essa hora?

São 11h.

São 11h? Merda!

Cheguei!

Desculpa o atraso.

Quase desisti de você.

- Merda! - Foi mal.

- Não quis te assustar. - Sério?

Há quanto tempo está aqui? Cheguei há cinco minutos.

Há cinco minutos.

O que estava fazendo lá embaixo? Que bizarro.

Só estava nadando.

Não fiz nada esquisito.

Tá bom. Merda, estou pelada. Não chega perto.

Não mergulhe e abra os olhos.

Tá.

Meu Deus.

Só pra você saber,

não dá pra ver nada lá embaixo.

Nem um sanduíche gigante do Subway,

então...

Fica tranquila.

Tá. Beleza.

Meu 1o dia foi divertido.

Aprendi muito sobre cranberries.

Sabia que eles têm quatro bolsos de ar?

Você trabalha aqui, Washington?

Sim, cara.

Tom é um cara bem legal.

É sorte ser filha dele.

Como sabe disso?

Vocês são iguais.

Você é a versão menina.

- Sei. - Mesmas bochechas.

Valeu. Adoro ouvir isso. É legal.

Qual é seu nome?

Chad.

O que você disse?

Que me chamo Chad.

É apelido? Tipo, de Chadwick, Chandler?

- Charles Michael Murray? - Não.

É só Chad.

Meu Deus. Tenho que ir. Vira de costas.

- Fecha os olhos. - Desculpa.

Ei, qual é seu nome?

É... Ray!

Raymond Romano!

Como o comediante?

VELHA EU VELHA

Conheci o Chad

Não entra nessa, Ray Romano.

Uma tigela de arroz.

Isso nunca é bom. Tinha que ser à prova d'água.

Bem, resistente à água.

Legal. Valeu, Spencer.

Cacete! Funciona!

Quem é, caralho? É sério.

Se mexer comigo, vai ver só.

Nossa, olha que durona. Elliott, sua doida, sou eu!

Pus meu número no seu celular,

mas não sabia que ia funcionar. Que louco.

Espera. Está seguindo meu conselho e ficando com a família?

Já jogou golfe com o Max?

Acho que deveria.

Não. Não joguei golfe com ele ainda porque,

até duas horas atrás, quando conheci o Chad,

achei que você era uma porra de uma alucinação.

Então, me dá um segundo...

Meu Deus, quanto drama.

...pra entender o fato de que estou falando com Meu Eu Velha.

Achei engraçado. Me senti mal por não te deixar me tocar.

Espere. Você está na fazenda?

Deve ser... São 18h30.

Nossa, vocês vão jantar agora. Que fofo.

O papai fez salmão? Sinto tanta falta de salmão.

Coma enquanto ainda existe.

Sabe o que seria engraçado?

Imita o peixe com a boca. Mamãe vai rir.

- Espera. A mamãe morreu? - Oi?

Quer que eu faça ela rir porque ela morreu?

Não.

Não sei fazer a boca...

Não, ela tá vivona. Relaxa.

Graças a Deus. Preciso morrer antes dela.

Que coisa sinistra.

Tenho que contar isso pro meu terapeuta. Espera.

Porão!

Cara, tenho que ir. Te ligo depois.

Querida, quer mais alguma coisa?

Aqui. Pode me passar isso?

Não acredito que é verdade.

Eu também não. É tão estranho.

O que vamos fazer?

Eu não sei.

Acho que você ouve meus conselhos e melhora nossa vida?

Sem pressão.

Mas não quero falar muita coisa.

Senão vou estragar as surpresas da vida. Sei lá.

Não. Tá beleza.

- Odiamos surpresas, lembra? - Verdade.

E não sabemos como isso funciona.

Não conte isso pra ninguém.

Eu não ia contar.

Nem você vai contar pra nossa linda mulher e nossos três filhos?

Três filhos? Nossa. É proibido ter três filhos.

Olha, me escuta.

É só não fazer besteira.

Vai dar certo.

- Prometo. - Acho.

Merda. Porra!

Merda!

Tá. Se você não matar a gente,

me fala quando rola nosso 1o ménage?

Cara, não tenho energia

nem pra transar com uma pessoa.

- Sério. - Vá ficar com seus irmãos.

Alacazam!

Você esqueceu como são irritantes.

Por que quer ir?

Porque já vou embora e quero que a gente se conecte mais.

Alguma novidade?

Não.

Vai sentir minha falta?

Não.

Justo.

Cara, isso não está deixando nossa vida melhor.

Só jogou uma vez. Se esforça mais.

Max!

- Oi. - Oi.

Posso te ajudar?

Pode tirar o lixo.

- Esse conselho é uma bosta. - Cala a boca!

Você é uma bosta.

Ray! Raymond!

Espera. É o Chad?

Ei, cai fora daí!

- Estou indo. - Corre!

- Mandei ficar longe dele. - Eu sei.

Deixa comigo. Está se estressando por nada.

Não vou estragar tudo.

Merda.

O que foi?

Tinha uma cobra venenosa. Juro.

- Como ela era? - Marrom,

grande, e ela olhou direto pra mim e saiu.

Já volto.

Peguei!

Peguei.

Ela resistiu.

Mas eu fui mais forte, esperto e rápido que ela.

Você é maluco.

Qual é a potência do seu barco?

Como sabe que tenho barco?

Eu vi você nele.

Tá, pervertido.

Não é isso. Eu só estava olhando pro rio.

Me leva pra passear?

Não.

Não vou te levar pra passear. Mal te conheço.

É provável que você seja um assassino.

Não sou. Juro.

- Você é. - Não vou te matar.

Que tal?

E tipo... Ele está meio quebrado.

O que houve?

Não faço ideia. Mais cedo ele não ligava.

Posso consertar?

Agora é mecânico assassino?

Não.

Trabalhei na oficina do meu pai a vida toda.

Você tem seguro?

Me deixa consertar, Romano!

Me passa o alicate?

Vai assumir a fazenda um dia?

Não tenho nenhuma vontade de ser fazendeira.

E meu irmão quer, então vou deixar.

O do meio. O mais novo quer ir pra Irlanda

e casar com uma atriz famosa de nome impronunciável.

Saoirse Ronan, né?

Por que sabe isso?

Adoro ela. Viu Adoráveis Mulheres?

Umas cem vezes.

Se não quer ser fazendeira, o que vai fazer?

Sei lá. Ainda não sei.

O que foi?

Achei que não queria assumir o legado da família

porque tinha um grande sonho.

Tipo salvar o planeta, virar primeira-ministra e tal.

Não sei falar francês, Chad.

Meu sonho de virar primeira-ministra já era.

Que porra é essa?

Consertei seu barco.

A mangueira do motor soltou.

De nada.

Vamos dar uma volta?

Eu nunca vou dar uma volta de barco com você.

Você fala francês.

Sou mais inteligente do que pareço, Chad.

Parece inteligente.

Para de ser legal.

Tá. Sua piranha.

Não.

Tá. Pode me dizer

o que o tal do Chad faz?

Ele parece tão inofensivo.

Nunca me senti tão pouco ameaçada.

Acho que não.

O que rolou?

Nada.

- Nada. - Me fala.

Ele foi legal, consertou o barco...

Você deixou? Não!

Ele me obrigou a deixá-lo fazer.

Tá?

Não lembra?

Lembro.

Ele é tipo...

Uma mistura estranha

- de cara fofo... - Meu Deus.

Quero protegê-lo, mas ele é tão sem-graça

- que quero bater... - Nossa.

...naquele rosto simétrico.

Elliott, não transe com ele.

Nossa, não vou...

Posso dizer que um rosto é simétrico sem transar com a pessoa.

- Nossa. - Nossa.

Alô?

Não passeie mais de barco com ele. Promete?

Você está bem?

Vá dormir. Por favor.

Já fez trilha com isso?

- Tipo aqueles monster trucks? - Não.

Eu faria.

Foi mal, não sou maneiro como você.

Você é, sim.

- Mamãe e papai te mandaram falar isso? - Como assim?

Você veio porque eles pediram. Nunca ia querer ser vista comigo.

Seu idiota. Eles não me pediram nada.

Acha mesmo que eu não ia querer ser vista com você?

Tipo... acho.

Por quê?

Sou tudo que irrita você.

Gosto da fazenda. Faço esportes.

Odeio Euphoria.

Você escreveu no meu aniversário:

"Te desejaria felicidades,

mas homens cis e hétero já têm de sobra."

Foi uma piada.

Foi, sim.

Tá, desculpa. Eu devia ter escrito:

"O gênero binário está nos matando. Morra antes do planeta."

Desculpa.

Desculpa. Sei que ando...

meio intolerante com algumas coisas, e é errado.

Desculpa.

E acho de verdade que você é realista.

Tipo, tem boas vibes.

E não tenho vergonha de você.

Achei que você que tivesse de mim.

Eu tenho.

Não sabia que era um esporte tão preciso.

Estar em forma é importante.

- Por que estou dolorida? - Não está em forma.

Oi.

- Oi, filhota. - Como foi seu dia?

Foi bom.

Como foi o seu?

Muito bom.

Que bom.

Tá. Se não fôssemos a mesma pessoa, e você tivesse me conhecido em uma festa,

acha que gostaria de mim?

Sabe uma das melhores coisas de ficar mais velha?

Qual é?

A gente para de se preocupar com o que pensam.

É ótimo.

Sinto que...

Andei sendo meio babaca.

Você só tem 18 anos.

Todo mundo é babaca nessa idade. Por quê?

Você está bem?

Elliott? Alô?

Tudo que fazia sentido não parece fazer mais.

- Sim. - Até a Chelsea.

Ela é a mulher dos meus sonhos há tanto tempo.

- Você sabe quanto. - Sei.

Ela é gostosa, o sexo é incrível.

- Eu sei. - Estou confusa.

Cadê a empolgação?

Não é a última vez que vai conseguir exatamente o que queria.

E perceber que não era o que queria.

Como sabemos o que queremos?

Quando a gente se apaixona, como sabe que é real?

A gente não sabe.

Parece que tudo parece certo.

mesmo quando é difícil.

Estou errada?

Você está errada. Muito errada.

Foi mal.

É difícil de explicar.

Tenta. Fala qualquer coisa.

Tá.

Nossa. Então, o amor.

Um amor saudável é tipo...

se sentir seguro e livre ao mesmo tempo.

Boa. Segurança e liberdade.

- Tá. - Tá.

Sei que não soa romântico pra você, mas é.

Confia em mim. Nossa.

Como funciona com isso?

Me dá uma folga.

Bom dia, Elliott. Conhece o Chad?

Ele está trabalhando aqui.

Fez a gentileza de ajudar seu pai com o trator.

Vem, senta. Coma panquecas antes que esfriem.

Aqui. Pode me passar isso?

Posso.

- E aí? - E aí?

Então, você estava falando sobre seus planos de faculdade.

Sim.

Eu queria fazer engenharia,

mas agora estou tendendo mais pra biotecnologia,

e espero ter mestrado em ciências farmacêuticas

pra pesquisar remédios para câncer e tal.

Muito legal.

Tem um anjo entre nós.

Se quer ser cientista,

por que veio trabalhar com cranberries?

Pelo dinheiro e pela fama.

Ele é um Chatsworth.

Um dos primeiros fazendeiros da região.

A casa a duas ruas daqui era deles.

O seu avô e o dele eram amigos próximos.

São praticamente família.

Somos parentes?

Que bom que está ficando com sua avó.

Ela deve estar feliz.

É. Não conheci meu avô.

Nem consegui ver a fazenda antes que fosse vendida,

porque ele morreu antes.

Mas, sim... Tem sido legal.

Queria entrar em contato com minhas origens.

Deve ser a coisa mais brega que já ouviram.

Não é brega.

É maravilhoso.

- Acho legal. - Não.

Estamos atrasados pro jogo, Max.

Chad, quer jogar golfe com a gente?

Quer que o Chad vá?

- Não precisa... - Eu...

- Eu adoraria. Se for... - Ótimo!

Vou pegar cafés pra levarem.

Cara, o quê?

Você é demais.

Manda muito bem.

- Você é profissional. - Ah, não.

Devia ter me dito.

Vou passar vergonha.

Você é melhor do que pensa.

Não.

Elliott disse que ia assumir a fazenda.

Devia jogar golfe.

Meus pais vão vender a fazenda,

então talvez seja a única opção.

O quê?

Quem disse que vão vender a fazenda?

Eles disseram.

O quê?

Que porra é essa?

Como assim?

- Por que não me contaram? - Acharam que não ligaria,

já que não vai assumir.

- O quê? - Você só fala em ir embora.

Espera aí.

Papai e mamãe não vão vender.

Vamos falar pra eles que não podem vender.

Já tentei. Não funcionou.

Merda. Sério?

Max.

Por que finge que isso não é nada?

Não está chateado?

- Estou. - Não parece.

Já sei há um tempo.

- Há um tempo? - Já estou menos chateado.

É diferente de saber agora.

Por que fiquei fora disso?

É você que se exclui.

Max?

Pai!

Pai! Vai vender a fazenda?

É loucura.

Ela é nossa essência. Nossas raízes.

Nosso sangue, suor e lágrimas. Nossa história e vida.

Desculpa.

Não achei que ligasse.

Vai vender porque não vou assumir?

Não, tem vários motivos. Nenhum tem a ver com você.

Sinto muito mesmo. Já está em andamento.

Foi uma oferta irrecusável.

Vamos repassá-la após o outono.

- Não iam me contar? - Claro que sim.

Tentamos algumas vezes.

É difícil parar você.

Achei que ficaria feliz.

Só fala em ir embora daqui.

Assumi que sempre estaria aqui.

É o que dizem:

as pessoas presumem coisas, a maioria delas é errada.

Dizem isso mesmo, pai?

Faz um pano de cozinha com isso!

Cadê você? Por que não responde?

Mandei umas 50 mensagens, porra.

Max me falou da fazenda.

Tem algo que eu possa fazer pra impedir a venda?

Só tenho mais uma semana aqui.

Me liga, tá?

Está fazendo algo agora?

Me ajuda a vender o barco?

Ouvi uns boatos sobre a mudança de zoneamento

afetando os reservatórios...

Algo assim... Sei lá.

Não sabia que era algo certo.

Merda.

Até a galera temporária soube antes.

"Galera temporária"?

Eu estava muito animada pra ir embora.

Mas sempre achei que eu poderia voltar.

Agora é diferente.

Quando eu for embora, vou me despedir pra sempre dela.

Odeio despedidas.

Queria que o tempo parasse por um segundo

pra que eu pudesse aproveitar.

Desculpa. Eu não devia estar desabafando,

- jogando isso em você. - O quê? Não.

Na verdade... eu entendo.

Lembra a última vez que você saiu com seus amigos quando criança

pra brincar de faz de conta?

Lembro que eu fazia muito isso.

Lembra a última vez que você fez isso?

Não é triste?

Pensar que teve uma época

em que você pedalava com seus amigos,

fingindo que zumbis perseguiam vocês.

Todo mundo sujo e se divertindo demais.

E aí...

a gente foi pra casa,

deixou a bicicleta na garagem e foi dormir

sem se dar conta de que nunca mais faria aquilo.

O problema de não nos despedirmos

é que não podemos aproveitar

a última vez que faremos aquilo.

Sei lá, eu...

meio que...

Não faz sentido.

Foi profundo pra cacete.

É.

Eu cursei a Faculdade de Poesia.

Me formei em profundidade.

- Meu Deus! Merda. - O quê?

Desculpa.

Tudo bem, eu...

Desculpa.

Não...

Tenho que ir. Marquei dentista.

Marcou dentista?

É, meu dente...

Meu dente está ferrado. Enfim, tenho que ir.

Mas pode levar...

Nesta doca. Pode levá-lo?

Até minha casa? É que tenho que ir.

- Tá. - Tem carteira de barco?

- Não. - Tá.

Merda.

Só tem alguns cabos e farelos.

É o bastante pra mim, né?

- Claro. - Tá.

Espera. O que está rolando?

Você anda sumida.

Aí aparece aqui muito agitada, numa quarta,

num horário aleatório, pedindo cogumelos.

É que nunca estive tão ocupada.

- Tá. - Não é isso.

Que cara é essa? Estou bem.

É a fazenda?

É muita coisa.

Mas confie em mim quando digo...

é complicado.

Tá?

Tá.

Não vou deixar você ir sozinha pra floresta.

Tipo...

Acho que é uma boa quantidade.

Delícia.

Puta merda.

Já estou chapada?

Não.

Tá, eu tomei cogumelos de novo.

Não fique brava. Só quero...

te conjurar de novo,

porque você não atende o celular,

e eu preciso falar.

E não sei como funciona. Se ouvir isso,

estou em Maude Island e estou chapada.

Bem, vou ficar.

Meu Deus.

Ro?

Ro?

Cara, não tem graça.

Ro?

- Cara, que porra é essa? - Oi.

O que está fazendo aqui?

A Ro me disse que você queria falar comigo.

O quê?

Elu foi embora.

Que porra é essa?

Sobre o que quer falar?

A Ro falou que você quer me deixar entrar no seu mundo.

O que está acontecendo?

Eu sou sua "One Less Lonely Girl", Elliot.

Como sabia da minha fantasia com o Bieber?

Eu sei que, enquanto todas as garotas que gritavam na plateia queriam ser

"uma menina solitária a menos",

você queria ser o Bieber entregando rosas.

Agora é sua chance.

Tá, vamos.

Vai ter uma menina solitária a menos

Uma menina solitária a menos

Vai ter uma menina solitária a menos

Uma menina solitária a menos

Quantos "eu avisei" você ouviu Quantos recomeços

E em quantos ombros você já chorou?

Quantas promessas? Seja sincera

Quantas lágrimas já derramou?

Quantas malas já fez Só pra aceitá-los de volta

Me fala, foram quantos "ou"

Mas não mais vai ter isso Se você me deixar entrar no seu mundo

Vai ter uma menina solitária a menos

Vi tantos rostinhos bonitos Antes de você

E agora só vejo você Você vai ser minha

Não

Não preciso dessas outras meninas Como preciso de você

E quando você for minha

Vai ter uma menina solitária a menos

Vai ser minha Uma menina solitária a menos

Merda.

Vou consertar seu coração

E te dar um novo começo

Posso te fazer acreditar

Só quero libertar uma garota Pra se apaixonar

- Ela está livre pra se apaixonar - Livre

- Pra se apaixonar - Por mim

Meu coração está trancado sem chave

Vamos sair daqui Uma menina solitária a menos

Vai ter uma menina solitária a menos

Uma menina solitária a menos

Vai ter uma menina solitária a menos

Uma menina solitária a menos

- Você vai ser minha - Uma menina solitária a menos

- Vai ser minha - Uma menina solitária a menos

Que porra é essa?

- Quem é você? - Estou mudando. Amadurecendo.

- Sim. - Estou aprendendo.

Faça o que quiser. Voa, passarinho.

Não quero falar disso com você nunca mais.

- Por quê? - Já soube o que queria.

Não vamos mais falar disso.

Tá.

Nossa, o puto do Justin Bieber.

Quero manteiga.

Talvez mais sal.

Tá.

Vou confessar algo.

Aqui entre nós.

Um confissão só entre nós.

Estou sentindo...

algo estranho por uma pessoa.

Tá.

Mas... a parte bizarra é que...

É um cara.

Merda.

Gosta de um cara?

Faz muito mais sentido agora.

- Sou bi? - Não brinca.

- O que isso quer dizer? - Eu...

Tipo, se você gosta dele...

Sempre tive certeza de que só curtia mulher.

Nunca nem pensei duas vezes.

Sei lá. Tipo, eu sempre...

Sempre gostei de mulheres, mas quando estou com ele...

Cara.

- Merda. - Pois é, é bizarro.

Você não é menos queer só porque gosta de um cara.

Não vou deixar de te amar por ser hétero.

- Foi mal. - Hétero?

Esse foi o pior xingamento que você já me fez.

Você mesma falou sobre rótulos.

Se forem úteis, pode usá-los.

Se não forem mais, pare.

Você me falou isso.

Ouça a si mesma. Seu coração. Seu instinto.

Ouça seu instinto.

Também tenho que ouvir meu eu mais velho.

Está obcecada por si mesma?

- Sim. - Eu também.

Queria falar disso com você há um tempo.

- Quero conhecê-lo. - Cale a boca.

Ele é bonito?

Gostou?

Spencer.

Faltam três paredes antes de eu me mudar pra cá.

Não podia esperar eu ir?

Achei que já tinha ido.

Não vou dormir nessa cama com ela me encarando.

Isso não é legal.

Pode pôr ali? Quero ver se está harmônico.

Onde?

Bem ali.

- Aqui? - Não, ali.

Mais pra cima.

- Pra baixo. Pra esquerda. - Ai, meu Deus.

Nem acredito que você já vai.

Está animada?

Pensei em você ontem à noite.

Quando você tinha dois anos,

ainda não dormia a noite toda.

Nossa, você dormia muito mal.

Eu te ninava por horas.

E tinha exigências tão específicas.

Eu cantava Brilha, Brilha, Estrelinha, você queria seu cobertor

e tinha que segurar uma chupeta em cada mão.

- E mamadeira. - Por que eu era tão chata?

- Sei lá. - Faz sentido.

Lembro que, uma noite,

eu já estava cantando há 45 minutos.

Minha garganta estava seca, e as pernas com cãibra.

E eu pensei: "Deus, não consigo mais um segundo disso."

Devia ter me jogado no berço e mandado eu me virar.

Eu sei.

O que você fez?

Continuei te ninando.

Mãe, autocuidado.

Eu sei.

Mas lembro que, uma noite, pouco depois,

você virou para mim e falou: "Berço."

Cheia de razão.

Então eu te deitei lá,

e você olhou pra mim

e sorriu.

Aí você se virou e dormiu.

Simples assim.

Fiquei tão orgulhosa.

Você não precisava mais de mim pra dormir.

Mas, naquele momento,

também percebi que não ia mais poder ninar você.

E é assim que me sinto agora.

Muito orgulhosa.

Mas um pouco triste.

Vou sentir sua falta.

Demais.

E ainda preciso de você. Sou uma idiota.

- Eu não sei nada... - Não.

Você não é uma idiota.

CANTO DOS HOMENS

Estou empolgada pra conhecê-lo.

- Estou suando. - Por que está nervosa?

Você apresenta suas ficantes três segundos depois.

- Não. - Verdade.

Não é?

Oi. Estas são minhas melhores amigas.

Esta é a Ruthie, e Ro.

- Oi. - Ro.

- Prazer. - Prazer.

Não acredito que alguém quer comprar esse barco.

Pois é. Ainda mais quando achei o nome perfeito.

Pronto?

Barca Furada.

Não?

- Foi sua melhor ideia? - Tá.

A alternativa era: "Bote. Onde?"

Boa. Excelente. Muito melhor.

- Ou "Onda Boa". - "Mastro-bador."

"Mastro-bador." Clássico.

- "Playboia." - Como ele tem tantos nomes?

- "Mar Acostumado." - Entendi.

Esse é bom.

Tem tantas opções.

Espera...

você limpou ele?

Só um pouquinho.

Ficou incrível. A ferrugem sumiu.

Como fez isso?

Só liguei num podcast, peguei sabão

e passei de quatro a seis horas esfregando.

Não foi nada. Foi relaxante.

Quer dar uma última volta nele?

Estamos atrasadas. Temos que ir.

Ele afunda com quatro pessoa.

Sim. Temos que ir.

- Ro. - Mais óbvio, impossível.

Prazer em conhecer.

- Até. - Divirta-se.

- Tchau, gente. - Se cuidem.

Se cuida, tá?

- Prazer. - Muito prazer.

Não balance muito o barco.

Ignora.

Desculpa.

- Tá relaxado aí? - Muito relaxado.

Espera.

Não. Por que está rindo?

Que porra é essa? Voltamos pra buscar?

Vamos baixar o preço pra 350.

O motor está no fundo do Lago Muskoka.

- Merda. - Não se preocupa.

Meu pai tem um monte de motores velhos na oficina.

Tá tudo bem.

Merda.

- Vai. - Meu Deus.

- Cacete. - Está tão frio.

- Por que a chuva é fria? - Que frio.

Casaco.

Pois é. Vim preparada.

Se vira.

- Não olha. - Pode deixar.

Obrigado pelo casaco.

De nada.

Está quentinho.

Que bom.

Você achou o que queria aqui?

Como assim?

Você falou de...

querer contato com suas raízes,

aprender a plantar cranberry.

Quero saber se você sente que fez isso.

Na verdade, sim.

Minha família passou a vida toda me dizendo

como lembro meu avô.

Então eu acho que...

Vindo pra cá, eu o conheci melhor

e o entendi melhor.

O que é legal.

É muito legal.

Onde você mora?

- Toronto. - O quê?

- É. - Vou pra Univ. de Toronto semana que vem.

Eu estudo lá.

Como assim?

Como nunca falamos disso?

Sei lá, cara.

Está com frio?

Eu sou lésbica.

Legal.

Eu achei que era.

Você achava que era?

Sim.

Até eu conhecer...

um cara chamado Gary.

- Gary. - Gary.

E o Gary me fez perceber...

Sei lá. Eu sou bi, ou talvez pan.

Ainda tenho que descobrir.

Mas é isso.

Tá.

Aí uma amiga...

Nossa. Uma amiga disse: "Não faça isso.

O Gary é furada."

Furada?

Furada.

O que o Gary fez?

Ela não me falou, mas...

Ela só...

Ela só me falou pra não me envolver...

com ele.

Essa sua amiga é meio esquiva.

É, ela é uma chata.

Mas eu deveria ouvi-la, então...

O que seu instinto diz pra você fazer?

Sobre o Gary.

Meu instinto?

Meu instinto está...

bem interessado...

no Gary.

Entendi.

- Gosto de olhar pro seu rosto. - E eu, pro seu.

Quero te beijar.

Quero te beijar.

- Para de me imitar. - Foi mal, você sabe que não penso.

Não me lembre disso.

Foi mal. Sou ruim nisso.

Eu nunca...

transei com alguém que tem pau.

Você quer...

transar assim?

Talvez.

Eu te convidaria,

mas meus pais não podem saber que peguei o temporário.

- Que vergonha. - Não é bom pra mim.

Te vejo depois?

- Você precisa ir. - Tá.

- Não quero que te vejam. - Já vou.

Não olha pra minha bunda.

- Meu Deus. - O que foi isso?

Que porra é essa? Por que está aqui?

- Você beijou o Chad? - Não.

- Não? - Não... um pouco.

Puta merda.

Onde você estava? Achei que tinha morrido.

Eu só passei quatro dias fora.

Estava no retiro de Hubbya. Voltei, e tinha 200 mensagens suas.

Que porra é "Hubbya"?

É uma meditação transcendental, mas melhor.

A Penelope Disick inventou.

Merda. Fiquei preocupada.

Comi mais de um quilo de maconha

da namorada da minha amiga pra vir.

- Merda. - Você está bem?

O que é isso?

Por quê? Ainda nem é temporada de libélulas.

Não tem nada aqui.

Falei que a gente não tolera bem drogas.

- Nossa. - Estou muito doidona. Quero água.

Não pode sumir assim.

Devia ter me falado do retiro de hobby.

- Hubbya. - Eu descobri sobre a fazenda,

- e rolou tudo aquilo com o Chad. - O quê?

Tudo o quê?

O quê?

É sobre isso que tentei falar com você.

Eu tentei, tá? Muito.

E eu entendo. Os outros conselhos foram bons.

Eu não estava dando valor à nossa vida e à nossa família.

- Agora vejo isso. Tá? - Tá. De nada.

Mas fiquei com medo de contar

que me apaixonei pelo Chad.

Eu sei. Desculpa.

Desculpa. Eu não queria te decepcionar,

bagunçar nossa vida nem nada, mas...

Fala logo.

Nós transamos.

Eu sei.

Desculpa. Você mandou eu me afastar.

Mas...

Cara...

Tudo nele...

parece encaixar tanto.

Desculpa, tentei achar algum defeito nele,

e não consigo.

Não entendo por que não queremos ele.

Me fala logo o que ele fez. Manda a real,

porque não vou conseguir ficar longe.

É uma conexão muito real.

Fala logo o que ele fez.

- Não. - O que ele fez?

- Me fala. - Não posso.

Juro por Deus.

Me fala.

Não pode ser tão ruim.

Ele morreu.

Foi o que ele fez.

O Chad morre.

E você é tão perdidamente apaixonada por ele

que você perde o rumo.

Não se imagina amando mais ninguém.

E não dá pra salvá-lo.

Sei que vai dizer isso, mas não dá pra salvá-lo.

E você não acha nada de ruim nele

porque não tem nada de ruim nele.

Elliott. É muito difícil, tá? Muito, muito difícil.

Não quero que você sinta essa merda.

Não.

Não?

Não, vou me apaixonar pelo Chad.

Vou amá-lo...

demais... pelo tempo que tivermos.

Você diz isso porque é jovem e burra.

Se não fosse assim, a gente nunca teria coragem pra nada.

Se a gente soubesse como a vida é uma merda e injusta,

não ia sair de casa.

A gente nunca ia se divertir com ninguém

porque ia ficar pensando em como vão morrer.

Quando a gente é jovem e burra,

não pensamos nisso.

E é o que nos permite viver.

Ser jovem e burra pode não ser ruim.

Já pensou nisso?

Ei, Elliott.

Você deixou cair.

Foi mal interromper.

Você consegue vê-la?

Ela?

Sim.

Não era pra ver?

Legal.

- É meu tio, Michelle. - Michelle.

Sou o Chad. Prazer.

Prazer,

Chad.

Nunca conheci um tio chamado Michelle.

Que engraçado.

Odeio trazer más notícias.

Acho que um carro passou por cima.

Tipo...

Não sei, mas não fui eu.

Não sei o que houve.

Podemos tentar tirar com água sanitária.

E também

dando uma boa esfregada.

Pode ser um estilo novo. Atropelado chique.

Falo com vocês depois.

Não, não vai embora.

Eu já ia embora, pode ficar.

- O quê? - Fique com a Elliot.

- Não ia, não. - Ia, sim.

Foi um prazer te conhecer,

Chad.

É, foi um prazer.

Ela está bem?

Sim. Ela vai ficar bem.

Você está bem?

Estou.

Acho que dá pra tirar com bicarbonato,

pensando melhor,

porque água sanitária vai deixar tudo laranja.

Sei lá. Enfim, tem que usar água fria.

Eu gosto muito de você. Tipo...

- Muito mesmo. - Eu gosto...

muito mesmo de você também.

E eu agradeço por este momento com você.

Também agradeço por este momento com você.

Tipo férias?

Vai ter que pegar sozinho.

Não quer me dar nada.

Quer um desses?

Aqui.

Oi.

Nossa.

- Se vira. - Desculpa.

Estou virando.

- Vou por ali. - Espero que você esteja bem.

Só queria mandar uma última mensagem.

Entra.

Você tem razão, Elliot.

Eu devia te ouvir.

Não percebi como meu eu jovem era sábio.

Tá, isso foi estranho.

Mas quero dizer que...

você tem razão.

Não viva sua vida pra mim nem pro futuro,

nem fique presa ao passado. Isso não é viver.

Que bom que se apaixonou pelo Chad.

Amar o Chad é uma dádiva.

E ser amada por ele...

é a melhor coisa do mundo.

Então que se foda.

Continue sendo ingênua, burra, com a pela boa,

esperta, feliz, confiante, corajosa,

egoísta, otimista e idiota,

porque é perfeito.

E viva sua vida com o Chad.

Ou o Chad e as três esposas de vocês, ou o que decidir.

E eu vou viver a minha. Tá?

Eu te amo.

Vá se despedir do lago por mim.

E use seu aparelho e um hidratante. Obrigada.

Legendas: Paula Padilha

Supervisão Criativa Rosana Cocink

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