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Xhosa
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Yoruba
Zulu
Embora a história se baseie na realidade,
as personagens e os diálogos são fictícios.
Vamos lá!
No dia 30 de dezembro de 2004, em Buenos Aires,
milhares de jovens foram ao concerto dos Callejeros
na República Cromañón.
Esta é a melhor banda de rock and roll São os Callejeros, caramba
Boa noite, Cromañón!
-Vão portar-se bem? -Sim!
Dois minutos depois do início do concerto, um foguete incendiou o teto,
causando uma catástrofe que marcou um país inteiro para sempre.
Julia!
Não!
CROMAÑÓN: THE NIGHT OF THE FIRE
MAIS POR MENOS
QUATRO ANOS DEPOIS
Precisamos de pessoal de limpeza no corredor dois.
OUTRO SOBREVIVENTE DO CROMAÑÓN PÕE TERMO À VIDA
Malena!
Mais uma vez, lamentamos uma perda.
ADVOGADO DE DEFESA
O massacre do Cromañón não terminou.
Os nossos filhos continuam a morrer e o governo tem de se responsabilizar.
Dentro de alguns dias, centenas de sobreviventes testemunham em tribunal.
Temos de os ouvir e apoiar.
Não podemos virar-lhes costas, porque eles sabem o que aconteceu.
Estavam lá.
Obrigado.
Ouvimos Carlos Binder, advogado das vítimas do Cromañón.
O suicídio de Javier Filgueiras ocorre poucos dias antes do julgamento
onde os acusados serão a banda de rock Callejeros, Omar Chabán
e o ex-presidente da câmara de Buenos Aires, Aníbal...
CHAMADA RECEBIDA CARLOS BINDER
REJEITADA
CORREIO DE VOZ 1 NOVA MENSAGEM
MENSAGEM CARLOS BINDER
Olá, Male. É o Carlos Binder.
Como sabes, estou à frente do caso do Cromañón.
Estou a ligar porque encontrámos a tua mochila.
A que tinhas naquela noite.
Estava entre as coisas de um sobrevivente que, infelizmente, se suicidou.
Queria contar-te como aconteceu e perguntar-te se há alguma hipótese...
24 DE DEZEMBRO DE 2004
VISUAIS
Sempre achei estranho. Ainda nem brindámos aqui
e em Sydney já estão a comer panetone ao pequeno-almoço.
Sydney fica na Austrália?
Fizeste o secundário?
Acredites ou não.
Chega de acordes aleatórios.
-Toca uma das tuas músicas para mim. -Nem penses. Não está pronta.
Male, vá lá. Sou tua mãe. Não tenhas vergonha.
É um presente de Natal. Vá lá.
Queres que te traga outra?
Vou inchar que nem um balão. Pronto, traz outra.
Mas depois tocas uma música?
Que tal um concerto?
Que engraçado.
-Juro. -Eu acredito em ti.
Gostas mesmo da tua família.
-Estás a divertir-te? -Cala-te, idiota.
Sabes quantas vezes ele me contou aquela história?
Até faz uma pausa nas mesmas partes. É inacreditável.
Bem, já o conheces.
Posso ir à casa de banho?
Vai ajudar a vizinha.
-É a tua vez. -Não. Não posso. Estou a comer.
Sacana.
Também estou a comer. Juro.
Parecem dois idiotas.
Vá lá. A sério.
Filho, desliga essa porcaria. Vamos fazer um brinde.
Claro. Vou tocar Boom Boom para ti. É chique.
Metes-te com o Bisbal e expulso-te.
-A ti também. -Não tenho nada que ver com isso.
-Como está a correr? -Vinho?
Sim, por favor.
Sim.
NICO: Traz o panetone da tua mãe!
Não é errado
Dançares nua sobre o mar
Sim, quero ver-te assim...
-Podes bater? -Bati, mas não me ouviste.
-Bem... -É bonita.
-Gostas? -Muito.
Que estás a fazer, puto?
Se o Santi vier, não lhe digas.
O Santi, o tanas. Sai!
-Os dois. Fora! -Vai.
LUCAS BINDER: Claro, aproveitador
Que se passa?
Tens um charro?
-Estou a perguntar sem rodeios. -Sim, aqui tens.
-Tens de sobreviver às festas. -Ótimo.
Aqui tens, rainha.
Obrigada, princesa.
Que chatice. Não funciona.
As tuas canções são lindas.
Fico deprimida só de me ouvir.
Aquele tipo lembra-me do Tuti.
Lembras-te do Tuti?
Quem?
O Tuti. O tipo com quem tive um caso. Aquele que veio arranjar o telhado.
-Não foi um caso, foi um toca-e-foge. -Mãe!
-Sim, já me lembro. -Está bem.
Atende.
-Estou? -Feliz Natal, Malenuchi.
Ainda não é meia-noite, Luqui.
Mas sou muito organizado.
Se abrires a loja, vendes os cigarros todos.
Guardei-te um maço.
Obrigado, linda.
-Até logo. -Está bem.
Diz à mãe que pare de insistir que eu vá a Mar del Plata.
-Eu não vou. -A tua avó está a contar connosco.
Os Callejeros vão tocar!
Já os viste duas vezes!
É o melhor concerto de todos. O último deste ano, do melhor álbum.
São uma banda vulgar. Não são os Pink Floyd.
Vulgar? Tu ouves bandas antigas.
-E tu ouves bandas modernas? -Nunca ouviste os Callejeros.
Vá lá, adolescentes.
Voltem para a mesa. É quase meia-noite.
Estás uma brasa!
Não! Fantástico!
Força, Huracán!
Força, Huracán!
Feliz Natal, vizinha!
Mãe, que bom!
Querias ir aos três concertos. Este é o último.
-No dia 30. -És o máximo. Adoro-te.
Eu adoro-te mais, querida.
Dança, Lu!
Anda, miúda!
Sabes?
Não acredito!
-Adoro-te, mana! -Adoro-te!
É bom que ganhes.
Estás aqui!
-Feliz Natal, amiga! -Feliz Natal!
Estarás pronta para a competição?
Totalmente. É daqui a um mês.
Na sexta-feira, começo a treinar no duro com os patins novos.
Os rapazes farão fila para me ver.
Não precisas de patins novos para isso.
De qualquer forma, o único rapaz que me interessa
não gosta de mim.
Já chega de Cheti.
Vocês fodem, divertem-se. Que mais queres?
Estás mesmo a perguntar isso?
Tu e o Luqui amam-se e não se traem.
-É isso que quero. -Deixa-o e vais ver.
Falar é fácil.
A sério. Se não for ele, haverá outros.
-E o presente da Betty? -Ela é a maior.
Deu-me uma T-shirt e um bilhete para o concerto dos Callejeros.
Vou aos três concertos no Cromañón.
Vai ser ótimo! Só preciso de uma tenda. Vou apoiar a banda.
Queres ver a mesma banda três vezes?
Já te disse que não é igual. Tocam sempre um álbum diferente.
No dia 30, tocam o último álbum.
Pede um bilhete à Juli e vem comigo.
Não é o meu estilo. Muito barulho.
Vá lá, amiga!
Boa noite, meninas.
-Olá, Nico. Feliz Natal. -Igualmente.
Estás com sede!
Estava ressequido.
Olá.
Vou ajudar?
Está bem.
Senhor, eu ajudo-o.
Queres erva do Paraguai?
-Ofereces essa beata? -Sim, porquê?
Queimo a cara. Olha para isso!
Não sejas mariquinhas, Malena.
-Cuidado com isto. -Sim, estás a brincar?
-Estou a falar a sério. Vá. -Podes fumar?
Pronto, esquece. Queimei-te as pestanas.
-Aonde vais? -Mijar.
-Eu vou contigo. -Anda.
-Está um gelo, não está? -Sim.
Que tatuagem é essa?
-Podes fechar o fecho ou não? -Não sei.
-Voltas para a festa? -Não, vou-me embora.
Feliz Natal!
-Finalmente! -Força, Villa Celina!
-Agora? -Feliz Natal.
Feliz Natal.
-Como estás? -Bem. E tu?
Bem.
-Feliz Natal. -Boas festas.
E esta T-shirt do Huracán?
É um presente de Natal, mano.
É incrível!
Parece antiga.
E é. O Houseman usou-a.
-Estás a brincar? -Estou a falar a sério.
O meu pai ajudou-o uma vez e ele deu-lha.
Os Binders.
Seja como for, é horrível.
Horrível? Enquanto me insultas, eu alimento-te.
É da minha mãe. És o único que come isso.
-A Silvita é o máximo! -Que nojo.
-Olá, Luqui. -Olá, Lu.
Este panetone é uma delícia.
Feliz Natal, bando de parasitas.
-Olá! -Feliz Natal, Cheti!
-Define "parasita", Cheti. -Cala-te, imbecil.
És um homem das cavernas.
Luli, meu amor, presumo que essa cerveja seja para mim.
É bom que pagues.
-Não estávamos a bebê-la? -Sim.
-Anda cá. -O meu presente para ti.
-Não, espera. Anda cá. -Que foi?
-Que é? -Também tenho um presente para ti.
Que misteriosa! É o quê?
-Não acredito. Meu Deus! -E os cigarros.
-Estou mortinho por fumar. -Dá cá isso.
Que será?
-Não acredito. É incrível! -Sim!
Vamos ver o que temos aqui. Não acredito!
-Obrigado pela sorte. -De nada.
Posso dizer uma coisa?
Não me assustes.
Não acredito.
-Estás a brincar comigo? -Deu-me a Betty.
Merda! Quero morrer!
Não faz mal. Vamos fingir que não aconteceu.
Quiseste armar-te em romântico e correu mal.
Cala-te, idiota.
Não te preocupes. Eu compro-to a metade do preço.
Não vais a Mar del Plata?
Damo-lo à irmã da Cheti. Ela quer ir e não tem bilhete.
Quem te mandou dizer isso? A minha mãe? Se mo deres, fico cá.
E ela é muito nova para ir. Não tem 13 anos?
-Tem 15. -É igual.
Estou a ouvir bem? Há um bilhete para a minha irmã
e um baixista desprezível quer roubá-lo?
-Por cima do meu cadáver. -Este gajo...
Ouvidos biónicos, não é nada contigo, meu.
Escuta, caloteiro.
-Quero dizer-te uma coisa. -Agora?
Sim, anda cá. Quero dizer-te uma coisa.
Há boas notícias para a banda, mano.
Feliz Natal, mano.
Que estão a fazer?
Estamos a tocar um pouco. Feliz Natal.
Feliz Natal.
Traz os talheres, que formamos uma banda.
Dá-me a guitarra. É maior do que tu, Anita.
-Eu ouvi o que disseste. -O quê?
-Disseste que tinha 13 anos. -Desculpa. Quis dizer 15.
-É igual. -O tanas.
-Qual é o problema? -Quero o meu bilhete.
Feliz Natal. Também te adoro.
Que receção tão simpática! Gosto. Muito animada. Fixe.
-Dás-mo? -Sim.
Sim?
Vamos lá pôr música.
A tua irmã trabalha no Cromañón?
-Sim, mas tento não... -Então, está resolvido, certo?
Parece o Don Corleone, meu.
"Vou fazer-te uma oferta que não podes recusar."
-A quem é que ela sai? -Não sei.
Não deixa entrar as bandas que nos devem dinheiro.
Tenho rédea curta.
-Muito bem, Anita. -Muito bem, o tanas.
É muito nova para ser capitalista.
-Tens razão. -Sim.
Vamos diretos ao assunto.
-O alemão vem ver-nos amanhã. -O quê? Como conseguiste?
Enviei-lhe uma demo e ele gostou.
É um dos organizadores do Festival Cosquín.
Gere bandas e marca datas para o verão.
Quer ver um ensaio.
No domingo depois do Natal?
Tem de ser agora, porque uma banda cancelou
um festival no dia 8 de janeiro, em Gesell.
Quer que toquemos lá e os Peces Chinos não se vão acobardar.
Além disso, está na hora. Tocamos melhor do que nunca.
Sim, cada dia estão melhores.
Este tipo de música está em alta.
Não podemos perder isto. Vejam os Callejeros.
Começaram como nós e agora dão três concertos no Cromañón.
Talvez para a próxima sejamos a banda de abertura.
-Vá, tem lá calma, campeão. Calminha. -Força, Peces Chinos.
Não há calma nenhuma. Temos de acreditar em nós.
Não quero passar a vida a tocar uma vez por ano para dez pessoas.
Quero rock and roll.
Quero fazer digressões e as nossas músicas a tocar na rádio.
-Miúdas nuas no nosso camarim. -Fixe!
Ficas fofo com essas ilusões de grandeza.
Porquê ilusões?
Não acreditas nos Peces Chinos?
É que eu acredito em ti, princesa.
Tens muita garganta.
Calma, mulherengo.
-Nico, passa-me o baixo... -Eu mostro-te.
Aí, e depois tocas nesta...
Também gosto do Sul. Dos Sete Lagos e tudo mais.
Podíamos ir de Ushuaia a La Quiaca.
-O quê? -Viajamos durante três meses.
O meu namorado é louco!
-Pagas tu? -Obviamente!
Pedir boleia é por minha conta.
Vá, Luquita! Desafio-te. Vá!
Queres ser humilhado.
Vá, eu dou cabo de ti.
-Isso! -Toma lá!
Cabrão!
Arranjem um quarto. Tenho de fazer chichi!
Desaparece, cabrão!
Vai-te foder, Cheti!
Cuidado, está a subir.
Está quase.
Golo! Um remate incrível do número nove!
O guarda-redes ficou impotente.
O San Lorenzo aumenta a vantagem sobre o Huracán.
Estás sempre a girar.
Tens mau perder. Para de chorar. Vá, dá o pontapé de saída. Vai.
Que se passa com a bicicleta?
Muito bem... Mexe-te, meu!
-Que foi? -É o momento da verdade.
O vencedor ganha o bilhete para dia 30.
-Combinado? -Combinado. Ótimo.
Tu és o árbitro.
-Vamos lá. -Muito bem.
Anda. Vai.
Queres sempre ganhar, Cheti!
És viciado em ganhar. Mas desta vez vais perder.
Cala-te. Mesmo com essa cara, também ganhas mais vezes do que devias.
Cuidado!
Cuidado!
Golo! Que golaço!
Olha quem tem tomates agora!
-Olha quem está aqui. -Olá.
-Olá, Víctor. Feliz Natal! -Como estão?
Boas festas, meu.
Vá, meu.
Raios, meu!
Vá, meu.
Que merda é esta, Víctor?
-Quase me provocaste um enfarte. -Perdi a audição para sempre.
Onde está o espírito natalício?
Que se passa, malta? Feliz Natal!
Já estás em ácidos. Esqueceste-te do Tuca!
Não.
Vá lá. O Menino Jesus ressuscitou, meu!
Nasceu, seu idiota.
Mais uma razão. Que tal mudarem essas caras?
Especialmente, tu.
Eu estou bem, Víctor, mas não acendas fogo de artifício perto da loja,
senão, tens de atravessar a autoestrada para comprar cerveja.
-A autoestrada? Vou a caminho. -Ouve.
-Vais ser famoso. -Eu?
-Anda. Eu conto-te. -Cheti, aonde vais? Vem jogar.
Os jogadores precisam de uma pausa, mano.
Meu, vamos.
Vão-se embora? Aonde vão?
Vou ali só num instante.
Que estás a fazer?
Aquele idiota está drogado?
Ainda tenho um bocado. Queres?
Não estava nos meus planos, mas tudo bem. É leve?
A ideia é essa, meu.
Um concerto em Gesell e depois quem sabe?
Pedrado.
-Quem? Cabrão. -Estás pedrado.
Companheiros.
Parece que me junto a vocês hoje. Vou tomar LSD.
O gajo está soltinho.
O professor do povo.
Atira!
Luquita, chegou o teu grande momento.
Abre a boca.
É muito forte?
Abre a boca.
Abre a merda da boca.
Bem-vindo ao clube dos roqueiros invisíveis.
-Nico? -Dá cá isso.
Dá cá isso.
É muito amargo.
Não está a bater.
Acabaste de tomar!
-Quanto tempo demora a bater? -Não sei, pouco.
Não sinto a língua.
Não sentes o quê?
-Não sinto a língua. -"Não sinto a língua."
Espera.
-Que faço? -Olá.
Sim.
Tira uma foto! Vá.
-Tira! -Viva Villa Celina!
BAIRRO DE VILLA CELINA
Ouvi dizer que há por aí um bilhete para dia 30. Também quero.
Para de implorar. Não é fixe, a sério.
Cala a boca. Também queres.
Vai passear, Tuca.
Estão a disputar o meu bilhete e tu não dizes nada.
O presente é meu.
Senhoras e senhores,
acho que eu e a Tamarita vamos fazer uma transação.
O mercado está aberto?
-Queres juntar-te? -Sim.
Vamos.
-Vá, malta. -Adeus, família.
Adeus.
Quem conduz?
Só restam os bons.
Sabes que mais? Sabes que mais, meu?
Um de nós vai ganhar o bilhete para dia 30.
Justamente.
És tu ou eu, em nome da minha maninha.
Ouve, Cheti.
Quem beber uma garrafa de cerveja mais depressa ganha o bilhete.
Vais perder.
-Alinhas? -Sim.
-Dás-me duas cervejas? -Uma.
Duas, para a competição.
-Abaixo da cintura. Vá. -Três, dois, um. Vão.
-Força! -Força!
Vai, Nico.
Ele está a cuspir. Isso é batota.
-Ganhei. -Ganhei.
-Eu ganhei. Que estás a dizer? -Nem pensei. Ganhei, não foi?
-Então? -Então?
Quem ganhou?
Que aconteceu? Não viram? Ganhei claramente.
Não tenhas mau...
Não.
-Que tomou ele? -É mau.
Um batido de véspera de Natal. Que havia de ser?
-Estás bêbado, Luqui. -Vou levar-te a casa.
Anda.
-Deixa-o ficar aqui. -Eu estou bem.
-Pronto. -Eu levo-te.
-De certeza? -Sim.
-Ele fica bem. -Vou chamar a Anita.
Ouve.
Livra-te das garrafas para os meus pais não se zangarem.
-Está bem. -Obrigado.
-Aonde vamos? -Ele fica bem. Vamos para a cama.
Precisas de ajuda?
Sim, obrigada.
Como começa a música?
Ela existia...
Ela existia...
-Apenas num sonho -Apenas num sonho
E ele é o poema que o poeta
Nunca escreveu
Ajuda-me.
Espera, eu ajudo-te.
E na eternidade
-Fundiram as suas almas -Fundiram as suas almas
Para dar vida a esta triste
-Canção de amor -Canção de amor
-Grande música. -Anda cá.
-Já está? -Não.
Ajuda-me só com esta divisão.
-Tens a chave? -Para que servem os vizinhos?
Fixe!
Ali.
Ele é como o mar
-E ela é como a Lua -Como a Lua
E em noites de lua cheia
Fazem amor
E na eternidade Fundiram as suas almas
Para dar vida A esta triste canção de amor
Raios!
Voar.
Porque não podemos?
Não sei.
-Talvez por termos drogas. -Sim.
-Não é? -Sim.
Que autocarros há para Buenos Aires?
Tenho uma ideia.
Que superpoder escolherias?
-Se tivesses de escolher. -O quê?
O meu seria voar, de certeza. Voar é a minha cena.
Nasci para isso. Quero voar.
A tua cena?
Sim, sem dúvida.
Qual escolherias?
É difícil, meu.
Cantar.
Cantar, sim.
-Isso não é um superpoder. -Porquê?
Além disso, já cantas.
Não, quero cantar a sério, Nicolás.
Tipo Janis Joplin, percebes? Quero cantar e gritar.
-Era isso que a Janis Joplin fazia? -Sim.
Bem, nem por isso. Não era assim.
Quando a oiço...
Quando ela canta, não sei, é como...
...abrir a torneira do chuveiro, mas sair fogo. Percebes?
-Um chuveiro de fogo? -Sim.
Um chuveiro de fogo é incrível. Adorei, Male.
Gostaste?
-Vou roubá-lo para uma música. -Olhem para ele.
-Sim. -Um poeta do rock.
Roubas e depois escreves, ao que parece.
Sim.
Obviamente. Tens de roubar muito.
A melhor escrita provém de roubar em todo o lado.
Não sei. Gostarias...
Gostarias de ser famosa?
-Conhecida? -Não sei.
Não sei.
Quero cantar e fazer música, mas...
Não me importo muito com o resto.
Não achas?
Agora, tens de me fazer uma pergunta.
-Para o jogo continuar. -Está bem.
-Percebes? -Sim. Faz sentido.
Deixa cá ver.
Se tivesses uma bola de cristal para prever o futuro...
Sim.
Se pudesses fazer uma pergunta
-sobre ti... -Sim.
...que perguntarias?
Perguntaria...
...o que há de errado
dentro de mim.
Ele é como um deus
-E ela é como a Virgem -E ela é como a Virgem
O que se passa comigo agora.
E os deuses ensinaram-nos
A pecar
E na eternidade Fundiram as suas almas
Para dar vida a esta triste
Canção de amor
A esta triste canção de amor
A Rosario Express anuncia a saída do autocarro para Retiro da plataforma 4.
-Tem bagagem? -Não.
Olá, Male. É o Carlos Binder.
Como sabes, estou à frente do caso do Cromañón.
Estou a ligar porque encontrámos a tua mochila.
A que tinhas naquela noite.
Estava entre as coisas de um sobrevivente que, infelizmente, se suicidou.
Queria contar-te como aconteceu
e perguntar-te se há alguma hipótese de testemunhares.
Legendas: Nadine Gil
Supervisão Criativa Hernâni Azenha
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