All language subtitles for Cidade de Deus A Luta Não Paraç.S01E06.1080p.WEB-DL.x264.NACiONAL.5.1.srt - por(2)

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Original subtitles

-Como se faz campanha com essa miséria? -Mal dá para o transporte, Maurício.

Eu sei, é complicado.

Concordo com vocês.

Mas o partido investe mais em quem tem mais chance de ganhar.

Qual macho falou que Berenice tem chance ou não?

Não tem nada a ver com isso. Barbantinho estava fazendo milagre.

Nossa, põe milagre nisso.

Sinceramente, não tenho certeza se vai valer a pena.

Não estou te entendendo, não tem certeza por quê?

-Por que ela é mulher? -Não.

A gente tem pouco tempo para trabalhar seu nome e colocar a campanha nas ruas.

O que a gente pode fazer é deixar sua candidatura para a próxima eleição,

e, nessa, me acompanhar.

A CDD não pode esperar mais quatro anos. Não pode esperar nem um segundo.

-Está entendendo? -Entendo.

Mas o Barbantinho era uma aposta. Você ainda é um tiro no escuro.

Maurício, você não me conhece mesmo, não é?

Se tem uma coisa que eu sou é teimosa.

Quando alguém diz que não posso fazer uma coisa, quero fazer duas vezes.

Em honra ao meu amigo Barbantinho, agora vou até o final.

Porque malandra não para.

Essa pesquisa está saindo do forno, é de ontem.

Só 15 por cento de "ótimo".

Mas 36 por cento de "bom", dá mais da metade da aprovação.

São números excelentes, secretário.

Mas ainda temos margem para crescer.

Olha aqui.

Setenta e dois por cento de aprovação como secretário.

Você tem que bater nessa tecla todo dia.

Precisa manter esse filho da puta agonizando pelo tempo que der.

Um inimigo público vale mais vivo do que morto.

Sem vilão, não tem mocinho.

Inimigo número um é o caralho.

Isso vai passar, todo mundo vai esquecer.

Não tem que esquecer, não.

Eu não sou o que eles estão desenhando.

Não sou o que estão botando na TV. Esse filho da puta me pegou para Cristo.

Não quero saber o que vão pensar de mim,

mas botar a morte do Barbantinho na minha conta, não.

Nem fodendo.

-Olha para mim. -Crazy, sai.

-Sai. -Está louco?

Está louco, o caralho.

Eles conseguiram...

Eles conseguiram o vídeo do violino.

Estão sabendo de tudo que está acontecendo aqui.

Tem X9 nessa porra. Tem rato nessa porra.

Mas eu vou pegar. Eu vou pegar o filho da puta traíra.

Vou pegar, Crazy.

Eu vou pegar, tu vai ver.

Eu não matei o Barbantinho, porra.

Crazy, tu vai para onde?

Se fosse um pagode, um bingo, uma putaria, um futebol,

ninguém faltava.

Calma, Berê.

Você tem uma eleição para ganhar.

Tem nós ao seu lado.

E mais a proteção dos Orixás.

Ogum é pai, não é padrasto.

Acredite nisso.

A conta nunca fechou para a gente.

Levanta a cabeça e vamos atrás do prejuízo.

É isso.

Não tem tempo, não tem gente, não tem verba, não tem porra nenhuma.

Mas vocês estão certas.

-Claro que estamos. -Tem uma eleição para ganhar.

-Aí, sim. -É assim.

Vamos andar essa favela toda.

Pelo Barbantinho.

Não estou falando mais palavrão.

Oi, seu Justino.

O Barbantinho foi, mas a Berenice ficou.

-Dona Eliane. -Isso aí.

São guerreiras.

Vocês precisam prestar atenção,

porque esses políticos só aparecem na véspera da eleição.

-Está bonitona, tirou onda. -Vocês são o futuro.

Vamos lá.

Sou Berenice estou me candidatando a vereadora.

Como diria nosso amigo Barbantinho:

"É uma luta diária."

É luta para pegar o busão lotado,

luta para botar comida na mesa, luta para mandar o filho para a escola.

E tem gente dizendo que a Berenice está maluca

de lutar contra esses caras.

Mas tem uma coisa que eles não sabem:

na favela, quando uma pessoa luta,

todo mundo luta junto.

É aí que eles se fodem.

Para mudar a CDD...

Vote na Berê!

Vocês já viram fábrica de arma em alguma favela?

-Não. -Não.

Já viram plantação de maconha e coca em alguma favela?

-Não. -Não.

Então por que só favelado que morre?

Se quem lucra com isso é essa playboyzada da Zona Sul?

Esses branquelos que tomam tudo que é nosso.

É por nós e para nós.

-Isso aí, Berenice. -É isso aí.

-Berenice. -Berenice.

-Vou. -A Berenice sabe o que a gente precisa.

Daqui a pouco a gente vai ter que pagar para usar o banheiro?

Nem cagar sossegada vai poder.

Não é, amiga?

Distribui isso aqui, não. Vai, na boa.

-Berê, para de encarar, vamos. -Não estava encarando.

-Agora não posso mais distribuir? -É perigoso.

-Mas por quê? O que estou fazendo? -Não é a nossa área.

É um projeto de matança que não nasceu aqui.

Nasceu num gabinete de tubarões.

Como esse Reginaldo, e agora esse filho dele, o Israel.

Esse tipo de político que chega aqui prometendo segurança,

mas só traz morte e medo.

-Berenice. -Berenice.

Não pararam para pensar que se vocês pararem, o Rio para?

Estamos juntos. Fechou.

-Como está a segurança no bairro? -Ontem mataram um rapaz.

Para esculachar morador, o que não falta é polícia.

Mas para fazer a segurança efetiva, eles somem.

A gente tem que ocupar a cabeça das nossas crianças.

Para que elas não queiram virar

mais um aviãozinho de bandido, que nem o Bradock.

Berenice estava começando a incomodar.

A gente conheceu moleque.

A Berê nunca teve papa na língua. Ela fala o que pensa.

Lembra uma mãe dando conselho e puxando a orelha ao mesmo tempo.

Por isso que estou aqui hoje. Para pedir o voto de vocês.

Para mudar a CDD, vote na Berê!

Para mudar a CDD, vote na Berê!

Qual é, Berê?

O Bradock está querendo desenrolar uma parada contigo.

Agora?

Agora. Vamos embora.

E aí, Berê?

Precisava disso?

Ficou bonita na foto.

Gostei.

Quando ia me procurar para falar da sua candidatura?

Não é segredo para ninguém.

Estou correndo atrás do prejuízo, faltam só 15 dias.

Achei do caralho você se candidatar.

Barbantinho sabia jogar o jogo.

Não falava merda de ninguém, fazia a política quieto.

Não vou permitir que fique falando mal de mim dentro da minha favela.

É impressionante, olho para você e não te reconheço mais.

Aquele moleque que subia a favela rindo e zoando geral,

dançando nos bailes.

Lembra quando o rio subiu?

Lembra?

Você estava na lama e eu te segurei. Senão você nem estaria aqui.

Eu não quero que tu fique envenenando a favela contra mim.

O meu papo com você é esse.

Eu te conheço.

E eu sei que você não é o monstro que estão pintando.

O que foi?

É essa mulher que está fodendo com a sua cabeça?

Te envenenando?

Até contra o Curió?

É o teu marido que está botando merda na sua cabeça, não é?

Vai se foder!

Homem nenhum manda na minha vida.

Sabe que eu posso mandar matá-lo dentro da cadeia?

Você não tem medo de morrer?

Eu não tenho medo de quem já está morto.

Me leva para casa, Pezinho.

Agora.

Vai deixá-la sair assim?

Está criando cobra para te picar.

-Está ficando mole, Bradock. -Repete.

Repete o que tu falou.

Da próxima vez que tu me desrespeitar,

eu dou um tiro na tua cara.

Estou fodida de medo daquele psicopata.

Meu pai acha que tem que deixar o Bradock sangrar mais.

E tu?

O que tu acha?

-Aliás, tu acha alguma coisa? -Qual é, Jerusa?

"Qual é?"

Vou te falar a real.

Não confio mais no teu pai.

O Reginaldo adora usar as pessoas e está puxando para a sardinha dele,

se esquecendo de ti

e pouco se fodendo se eu vou sair viva ou morta.

-Que papo é esse? -De quem está sendo passada para trás.

A gente precisa de você monitorando o louco.

O velho é difícil, mas sabe. Olha onde a gente já chegou.

"A gente" quem?

Não tem "a gente".

Isso ficou claro quando vocês me largaram sozinha naquela invasão.

Só que eu não tenho vocação para boi de piranha.

Tu está ligado, não é?

Ou vocês resolvem essa merda logo,

ou eu vou dar o meu jeito.

Olha, Lígia, eu admiro a sua paixão e...

até acho que essa matéria que você se comprometeu a fazer

tem importância, mas...

Se até a revista que te mandou até aqui não vai mais publicar,

é porque tem algum motivo, não é?

Quem vai publicar qualquer matéria baseada em depoimentos anônimos?

Não são mais anônimos. E o Felipe morreu por ter falado.

O que faço com uma testemunha morta?

Não é possível que tenha morrido em vão.

E essa foto do filho do secretário de segurança

beijando a mulher do dono da CDD?

Essa foto é uma bomba? É uma bomba.

Mas só atinge o vereador,

eu preciso de mais evidências.

Ou vocês aparecem com alguma coisa mais concreta

para comprovar essa tese aí de vocês,

ou não tem como publicar, você sabe disso, não é, bicho?

-Porra, Matheus. -Porra, Wilson.

Quando a guerra do Zé Pequeno com Mané Galinha

transformou a vida na favela um inferno,

eu decidi cair fora.

Que foto boa, olha só. Pode ser do Rogério Reis...

E foi assim que conheci o maior fotógrafo policial que a cidade já viu.

Mas, como todo mundo que trabalha nas ruas,

um dia Rogério cansou de violência,

se aposentou e passou a fotografar coisas muito mais maneiras.

Mas eu sabia que, mesmo longe das ruas,

Rogério não ia deixar o pupilo dele na mão.

Essa foto aqui.

-Você que fez? -Foi.

A gente está atrás do Cabeção, o Reginaldo.

Só que o cara tem testa de ferro e laranja para tudo.

Porque o que ele faz a gente chama de crime organizado.

-Vocês não estão atrás de qualquer um. -E essa mulher aqui na foto?

Essa eu conheço.

Já escrevi sobre ela. Não, sobre o pai dela.

Era uma matéria sobre contrabando.

E caiu no meu colo um puta de um esquema de tráfico de drogas.

O pai dela era envolvido com o tráfico?

Não, bucha.

Caminhoneiro.

Ele foi preso carregando 200 kg de coca,

trazendo do Paraguai para o Mato Grosso do Sul.

Mas ele jurou, morreu jurando que não sabia da carga.

Duzentos quilos e o cara não sabia?

Duzentos quilos não é nada

para esses caras que trazem coisas do Paraguai.

Provavelmente ele foi usado de isca.

-Então o pai dela foi boi de piranha. -Exato.

-E de quem que era o produto? -Espera aí.

Aqui.

Curió.

O pai da Jerusa foi preso por conta do Curió?

Certo.

Agora as coisas estão começando a fazer algum sentido.

E a Jerusa foi atrás do Curió e do Bradock para...

Foi vingança. Faz sentido.

Isso explica muita coisa, mas não faz a gente avançar em quase nada.

Se eu fosse vocês, eu tomava mais cuidado com isso aí.

Esse Reginaldo não é besta, ele não é...

O cara é envolvido com gente muito poderosa.

Com tráfico de armas, a porra toda.

Tráfico de armas?

Todo mundo sabe disso aí.

Caralho.

Estava na minha cara o tempo todo e eu não vi.

A chegada das armas de guerra na Cidade de Deus

coincide com o enriquecimento de Reginaldo na polícia.

E Israel está trilhando os passos do pai.

Eles me pegam também.

Como diz o ditado: "filho de peixe, peixinho é."

Mas tem outro ditado, mais adequado para esse momento:

"Peixe morre é pela boca."

Quem é esse cara aqui?

Sidnei dos Anjos.

Esse cara é simplesmente o financiador de todas as campanhas do Reginaldo,

desde que ele começou na política.

Fodido, tem umas três ou quatro concessionárias,

lobista forte da indústria de armas.

Bingo.

Wilson.

-Isso é muita loucura. -Eu sei.

Por isso que a gente vai fazer.

-Perdeu, caralho. -Que isso?

-Caralho. -Quietinho aí, imbecil.

Não olha, não.

Abre aí. Entra aí, porra.

Tem alguma ligação com o Reginaldo? Fala, porra.

-Fala, porra. -Eu vou falar.

Fala logo, senão vai morrer.

O Reginaldo não usa telefone, ele tem medo de grampo.

Ele manda a mulher vir negociar as armas e depois ela distribui para o tráfico.

Fala um nome. Qual mulher, caralho?

Jerusa. É Jerusa.

Sabem que isso é ilegal, puta que pariu.

Ilegal é contrabando de armas.

Coação é crime, a gente não pode aceitar esses métodos.

Mas pode aceitar que o cara venda armas que matam inocentes?

Está bem.

Quer dizer que o secretário de Segurança Pública

alimentou a guerra entre as facções só para entrar na Cidade de Deus?

-Exatamente. -Para que ele ia fazer isso?

Esse cara aqui é o Touro. Chefe da Mineira na Gardênia Azul.

A Mineira tenta entrar faz muito tempo na Cidade de Deus,

só que o Curió organizava e resistia.

A invasão da PM era para limpar o terreno. Está entendendo?

Quando a PM sair, a Mineira entra.

Quando a Mineira entrar,

Reginaldo garante pelo menos 100 mil votos para eleição a governador.

Dividir para governar, Matheus.

Reginaldo usou a Jerusa para jogar pai contra filho na guerra pela CDD.

E agora que o Curió morreu e o Bradock está acuado, ele vai estar com tudo.

Certo, eu...

preciso falar com a diretoria.

Preparar o terreno para essa merda.

Porque isso aqui vai feder.

Vocês sabem disso, não é? Vai feder muito.

Eu estava pensando

da gente escrever uma música para a campanha da Berenice.

O que acham?

Se cada um der o que tem, a gente consegue dar uma alavancada.

Não acham, não?

Demorou.

-Fechou. -É?

Estamos juntos.

Amiga.

-Eu amo vocês. -Eu também.

Olha aqui, eu já tinha começado a escrever.

Não é?

Fiz uma partezinha, espera aí.

Aqui.

O povo cansou de sofrer

Esperar um governo melhor

Combatendo um leão por dia Muita luta e muito suor

A luz no fim do túnel brilhou

Berenice nos trouxe esperança

Melhoria para o nosso futuro E segurança

-Segurança, não, amiga. -Segurança não?

Não fecha "segurança".

Esperança.

Melhoria para o nosso futuro E esperança

-"Esperança" não fica bom. -Deixa eu ver.

Melhoria para o nosso...

Melhoria para o nosso futuro E das crianças

O povo cansou de sofrer

Esperar um futuro melhor

Combatendo um leão por dia Muita luta e muito suor

A luz no fim do túnel brilhou

Berenice nos trouxe esperança

Melhoria para o nosso futuro E para as crianças

Confia na Berê

Segurança para a família promete Faz acontecer

Vote na Berê

Ela luta todo dia Fazendo a favela vencer

Voto de confiança Para mim e para você

Berenice trazendo para o povo Saúde e lazer

É Berenice

É Berenice, é 35279

É Berenice

É Berenice, é 35279

É Berenice

É Berenice

Vereadora do futuro É o nosso nome

É isso aí, CDD!

Vai, Berenice!

É com essa energia que a gente vai colocar

uma cria da nossa favela lá na Câmara dos Vereadores!

-Berê! -Berê!

-Berê! -Berê!

-Berê! -Berê!

-Berê! -Berê!

-Berê! -Berê!

A Cidade de Deus é feita de gente trabalhadora.

Mas nós precisamos sair das páginas policiais.

A gente...

A gente sabe que quem deveria estar aqui hoje é uma outra pessoa.

-Barbantinho. -Barbantinho.

-Barbantinho. -Barbantinho.

-Barbantinho. -Barbantinho.

-Barbantinho. -Barbantinho.

Barbantinho, meu amigo.

Nosso amigo.

Ele ia estar aqui dizendo que ia ficar tudo bem, porque ele é desses.

Eu não gosto de política.

Não gosto.

E quem me conhece sabe que eu não gosto.

Mas, para honrar o meu amigo,

aceitei essa missão e vou até o final.

Quero estar lá na Câmara

para olhar para a cara desses filhos da puta

e dizer para eles

que nós... nós...

não vamos perder mais ninguém.

Nem para o crime e nem para a polícia.

Nem um a menos.

E todo mundo vivo.

Vivos.

E todo mundo junto e botando essa porra toda para foder.

Porque a favela...

A favela não é carência, nunca foi.

A favela é potência.

-Berenice. -Berenice.

-Berenice. -Berenice.

Tudo certo.

Valeu.

E aí?

O Matheus recebeu sinal verde.

É para a gente juntar tudo o que tem, que ele vai publicar.

Está falando sério?

Mas depois que estourar essa bomba, a gente vai ter que ficar no sapatinho.

O filho da puta do Sidnei deu com a língua nos dentes.

Puta que pariu.

E você, Israel? Como é que você se deixa fotografar beijando essa mulher?

No meio da operação policial?

Uma coletiva de imprensa está marcada.

A gente precisa encarar esse problema e desconstruir essa narrativa,

ou então a campanha do Israel já era.

Covarde, filho da puta.

O melhor a se fazer agora, secretário,

é o Israel se afastar de você.

Não aparecer nas fotos, anunciar independência.

A foto com a Jerusa pode deixar, que eu contorno a narrativa.

Filha da puta!

Agora não é hora de se lamentar.

O senhor tem que dar um jeito de abafar isso.

O governador vai querer a minha cabeça.

Cara, eu te liguei mais de dez vezes. Já te deixei uma porrada de recado.

Não estou acreditando que você vai me abandonar agora.

Jerusa devia saber que, no jogo do poder,

lealdade é coisa rara.

E que, para vencer nesse jogo, ou ela dava as cartas ou virava a mesa.

Mas ainda não dava para saber o estrago daquela matéria.

A única certeza era que eu e Lígia

nunca mais íamos poder andar tranquilos pela cidade.

Estou pensando em voltar para a Espanha. O que você acha de vir junto?

-Quem? Eu? -É.

Só até a poeira abaixar.

Posso falar com o meu editor lá.

Com o currículo que você tem, está trabalhando no dia seguinte.

Wilson,

acho que sua família prefere você longe daqui,

vivo, do que perto deles, mas debaixo da terra.

Você foi manchete de jornal enfrentando as tropas de choque,

e agora quer ser vereadora do Rio.

Como é que é isso, Berenice?

Na realidade, foi um protesto pacífico pela morte do Barbantinho,

nosso líder comunitário,

e a PM invadiu a comunidade tratando todo mundo como se fosse bandido.

Mas há quem diga que essa ação policial

é um mal necessário para acabar com a guerra entre os traficantes.

Aliás, é verdade que você foi presa?

Já fui, sim.

Só que não tem nada a ver com o meu passado.

A gente está aqui para falar de quê? De futuro.

Futuro da Cidade de Deus.

Estou aqui para falar que, pela primeira vez na cidade do Rio,

teremos uma mulher de comunidade, preta, favelada,

dentro da Câmara dos Vereadores.

-Queria voltar na história da prisão. -Errei.

Como todo mundo erra.

O senhor nunca errou? Como é o seu nome?

-Tucão. -Seu Tucão.

Só que não posso pagar a vida inteira por isso.

E não vou.

Eu vim aqui para falar do agora, para falar do amanhã.

Eu vim aqui para falar

sobre essa podridão no jornal.

Berenice não era querida na Cidade de Deus à toa.

Ela tinha essa capacidade de sacudir a poeira e dar a volta por cima.

Foi bem assim lá no passado, com a morte de Cabeleira,

foi assim com o lance do PQD

e é claro que seria assim depois da morte do nosso amigo.

A Berê é foda.

Depois de cada porrada, ela ressurge ainda mais forte.

A quem interessaria soltar um factoide em plena campanha do meu filho?

É uma clara tentativa de desmoralizar a minha família.

E prejudicar o nosso trabalho em prol da segurança do Rio de Janeiro.

Ou de revelar quem o senhor e o seu filho são de fato.

Se o governador Alexandre não exonerar o secretário Reginaldo Cavani,

será o maior exemplo de conivência que esse estado já viu.

Até porque o seu passado lhe condena.

O senhor pode explicar essa foto

de Vossa Excelência recebendo arrego

de um dos maiores traficantes do Rio de Janeiro?

Essa foto pode ser uma montagem grosseira,

como eu disse...

A matéria estava surtindo efeito.

Assim que a notícia correu,

Reginaldo deixou de ser o caçador para virar a caça.

Um casal apaixonado.

O Rio veria coisa bem pior nos anos seguintes.

Mas isso é outra história.

E também é um dos maiores traficantes do Rio de Janeiro.

Naquele momento, quem estava com um abacaxi imenso para descascar

era o Reginaldo Cabeção.

E isso deu um pouquinho de paz para a Cidade de Deus.

-Não pode entrar. -Não pode entrar, o quê.

Porra, Alexandre!

Não precisava nem ter vindo aqui perder seu tempo.

Não posso fazer nada.

Vou ter que te exonerar.

Você me conhece, Alexandre.

Não vou afundar sozinho.

Estou te avisando.

Se você continuar me fodendo,

afundamos nós e os patrocinadores.

Essa gente não sabe perder, Cabeção.

Calma, relaxa.

Eu vou fazer de tudo para apagar o estrago dessa matéria e diminuir

a repercussão nos jornais daqui.

Agora, a tua permanência no governo, meu amigo,

está difícil de garantir.

A tua única chance agora é o Israel.

Entendeu? Vê se investe nessa eleição.

Tenho muito orgulho de você, sabia?

É sério.

Subir no palco e mandar a letra que nem você,

precisa ter muito peito.

No meu caso tem que ter peito, bunda, um sorriso bonito,

várias coisas.

Então,

fiquei sabendo que estão se desentendendo no grupo.

-Estamos resolvendo. -É?

-Certeza? -Certeza.

Está bem.

Espera aí.

Olha.

Pega aí.

Pega aí, poxa. Toma.

É para o CD de vocês.

O que está acontecendo?

Resolveu entrar para o movimento agora? Não está se achando velho, não?

-Para isso? -Não.

E não dá para mim, não.

Você mandou bem, pai.

Com aquela matéria lá.

Também tenho muito orgulho do senhor.

E aí, Buscapé?

Até tu, Brutus?

Eu gosto do apelido.

E é bom que tira o peso dessa sua cara sisuda.

-Também não conseguiu dormir? -Não.

Vou sentir falta do Rio.

Aliás, eu acho que mesmo depois de tanto tempo morando fora,

nunca deixei de sentir falta desse lugar.

E por que você não fica?

Por que você não vem?

Não. A Espanha não é para mim, não.

Já fui para a Zona Sul, deixei a CDD.

Não ia suportar ser o negão que vai para o exterior

e larga família e amigos,

sabe?

Meu lugar é aqui.

Olá, boa tarde.

Boa tarde.

-Boa tarde. -Olá.

Berenice!

-Pode ir? Certo. -Por ali.

"V" de vitória. Isso.

Assim?

Pelo Barbantinho.

Chegamos com novidade.

Conseguimos mais.

Olha quem está aqui.

-Gente… -Deixa eu olhar.

Olha.

-Gente, mas não vai dar. -Calma, Berê.

Isso é uma parcial. Vamos acreditar?

Ainda falta a Zona Norte, e é lá que está o nosso público.

-Acha mesmo? -Sim, temos chance.

Estamos falando do Rio de Janeiro. Não é só da Cidade de Deus.

É que não consigo imaginar alguém de fora votando em mim.

Pode acreditar, Berê.

Botei um boi na estrada para Ogum.

Duvido que ele não vai trazer esse povo todo para votar em tu.

E vamos se acostumando com a ideia de virar vereadora.

Berenice, vereadora.

Junta tudo, toma aqui.

Esses são os nomes…

-Deixa eu colocar aqui. -Certo.

Entre os vereadores mais votados, até o momento, sem grandes novidades.

Já é nosso, bicho. Já é nosso.

Perfeito.

A gente está reunido aqui.

Vou passar para ela, só um segundo.

-Cinthia. -Para mim?

Cinthia falando.

Certo.

-Vai dar certo. -Está bem, obrigada.

Então, gente.

O Israel, ele teve menos voto

do que a eleição passada por conta da matéria, mas mesmo assim,

foi o terceiro mais votado.

-Calma, gente. -Pelo amor de Deus.

É só questão de tempo, a gente vai desmascará-lo.

Fala logo!

Mas a Berenice da CDD...

foi a nona mais votada do Rio!

A nona, minha amiga!

Levanta dessa cadeira!

Vamos comemorar!

Vamos comemorar.

Barbantinho!

Viva!

Agora é a presidência da casa, moleque.

-Só um segundo. -Vai lá.

Alô?

Oi, Israel.

Jerusa.

Faz três dias que estou deixando recado.

-Não, eu ia... -Não precisa dar desculpa.

Estou ligando para te dar os parabéns.

E para te dizer que, de agora em diante, é cada um por si.

Como assim? Espera.

Jerusa.

Um brinde ao Barbantinho, meu amigo.

Barbantinho!

Gente, olha aqui. Estou tremendo até agora.

Para, Berê.

-Gente, deu minha hora. -Não, Lígia.

Muito prazer, viu?

-Meus parabéns. -Obrigada.

-Abraço coletivo. -Um abraço?

-Boa viagem. -Boa viagem.

E volte sempre.

Dona Natalina.

Venha visitar a favela.

Com toda a certeza. Em que lugar vou encontrar um feijão igual o seu?

-Obrigada. -Em lugar nenhum.

-Não vai encontrar mesmo. -Leve-a, filho.

Cuidado com o trânsito.

-Obrigada. -Tchau, mãe.

Deus te abençoe.

-Não esquece os amigos. -Estou indo levá-la e já volto.

-Desculpa qualquer coisa. -Volta, Buscapé.

-Guarda para mim o champanhe. -Está bem.

Promete que vai me visitar um dia?

Prometo, mas você também, não é?

Quando quiser um pouco de aventura, o Rio de Janeiro está de braços abertos.

-Estou falando sério, Wilson. -Eu também.

Espera aí.

Olha, tem uma coisa aqui.

-O quê? -Para você.

-Que é isso? -Abre aí.

Presente da nossa aventura.

Só você.

Certo.

E essa moto aí atrás? Lígia.

Wilson!

Perdeu, bota no chão.

Bota a porra no chão. Baixa essa porra.

Chega para trás, meu irmão.

Nosso assunto é familiar, Geninho.

Deixa o Pezinho ir embora.

Vai embora, Pezinho, vai viver tua vida.

A guerra acabou.

Vai embora, Pezinho.

Eu sinto muito.

Lígia. Acorda, Lígia.

Ajude-a, moço.

Ajude-a, por favor.

Porra, Bradock.

-Caralho, cara. -Geninho, vamos embora.

Porra, irmão.

-Porra! -Vamos, Geninho.

Vamos embora.

Acabamos de receber o resultado das eleições no Rio

para prefeito e para vereador.

O prefeito Marcelo Moreira foi reeleito.

E também figuras carimbadas como Israel,

que foi o terceiro mais votado.

A Cidade de Deus elege a sua primeira vereadora, Berenice,

que ficou como a nona mais votada da cidade do Rio de Janeiro.

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