All language subtitles for Brasil.Imperial.S01E05.Episodio.05.720p.AMZN.WEB-DL.DDP2.0.H.264-NTb_track4_[por]

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Original subtitles

♪

♪

Como estou, Rufino?

Magnífico, Majestade.

O terreiro do Paço está apinhado. Quase não consegui atravessá-lo.

Gente de todo o Brasil está lá fora.

É de se esperar, não é, Rufino?

Afinal, não é sempre que um Rei é aclamado, muito menos nas Américas.

É certo que sim, Majestade.

Este é o dia mais importante de nossas vidas.

Um privilégio destinado a poucos.

É, vamos ver se assim cessam os boatos sobre minha volta a Portugal.

Meus filhos e minha nora?

Estão todos aguardando por Vossa Alteza.

♪

Vamos, Rufino.

Que as chagas de Cristo

e a memória de Dom Afonso Henriques estejam comigo.

♪

♪

♪

♪

Juro e prometo, com a graça de Deus vos reger,

e governar bem, e direitamente,

e vos administrar direitamente na justiça

tanto quanto a humana fraqueza permite;

e de vos guardar vossos bons costumes,

privilégios, graças, mercês,

liberdades, franquezas,

que pelos Reis, Meus Predecessores,

lhes foram dados, outorgados e confirmados.

♪

Juro aos Santos Evangelhos tocados corporalmente por minha mão,

que eu recebo por nosso Rei, e Senhor verdadeiro e natural,

o Muito Alto e Muito Poderoso, o fidelíssimo Rei Dom João VI,

nosso Senhor, e lhe faço preito e homenagem

segundo o foro destes reinos.

♪

Real, Real, Real,

pelo Mais Alto e Mais Poderoso Rei Dom João VI

do nome Nosso Senhor.

[Todos] Viva Dom João! Viva!!

♪

♪ Música de abertura ♪

♪ Música de abertura ♪

♪ Música de abertura ♪

♪ Música de abertura ♪

Então, Arrebita. Fiquei sabendo que te entendeste bem com Marrocos.

Sim, Majestade. Luís Marrocos é um bom homem,

e tenho procurado ajudá-lo com dedicação em tudo que me pede.

Sei. E como anda o movimento lá no teu trabalho?

Poucos visitam a biblioteca, Majestade.

Quem está sempre por lá é a princesa Leopoldina, vossa nora.

Raça de ignorantes.

É um desperdício uma biblioteca tão rica numa terra como essa.

E Leopoldina devia cuidar mais do marido

ao invés de debruçar-se sobre livros.

Mas o que te trouxe aqui?

Avia-te! Não tenho a vida de Leopoldina, tenho mais o que fazer.

Vossa Majestade sabe da infinita gratidão que tenho pela senhora,

e pelo que fez por mim e por Ana do Congo.

Já sei, já sei, não precisa repetir. Lembra-te que detesto bajuladores.

Vai direto ao assunto, Arrebita.

Majestade, humildemente venho trazer minhas economia amealhadas

nesses últimos anos de trabalho.

Entrego-as à Vossa Majestade.

Pela liberdade de minha Ana.

Muito bem. Vejo que perseguiste o que prometeste.

Mas o que te faz pensar que aceitarei dar a alforria da preta?

Majestade, não se ofenda com o que digo,

mas vossa fama entre o povo é de mulher impiedosa.

Entretanto, eu tive a sorte de experimentar vossa benevolência.

Ainda hoje me lembro de vossas palavras

quando a senhora intercedeu junto a Paulo Fernandes

e livrou Ana do Congo da chibata daquele bárbaro.

E é apoiado nessa lembrança

que vim até aqui.

Majestade...

Não quero que meu filho nasça cativo.

E onde vais viver com a preta?

De certo não a esconderás no quartinho que Marrocos cedeu na biblioteca.

Não, Majestade. Consegui uma casota pros lados do Catumbi.

Lá moram alguns pretos forros.

As mulheres dos pretos irão ajudar no parto

e nos primeiros cuidados da criança.

Logo Ana também poderá trabalhar

e nos mudaremos para Ipanema.

As terras de lá são fartas e sem dono.

Ipanema?

Sim, Majestade.

Viver em meio aos índios naquela selva distante?

Nem pareces português.

Pois está muito bem.

Tiveste sorte hoje, estou bem humorada.

Sinto que a hora de deixar essa terra se aproxima.

E só de imaginar-me de volta à Europa

é o suficiente para inspirar-me boas ações.

Bendita seja Vossa Majestade! Bendita!

Chega! Chega de lambidelas!

Sim, Majestade...

- Vai, pode ir. - Com sua licença.

Arrebita.

Pois não, Majestade.

Conheces bem Ipanema?

Não, Majestade.

Mas dizem que é uma praia linda e selvagem.

E que o clima é ameno e muito bom para plantações.

Vai, vai embora.

Com sua licença.

Só pode ser lunático.

♪

[Porta]

Aqui está, Alteza.

Obrigada, Marrocos.

A Princesa deseja mais alguma coisa?

Não, obrigada.

Sente-se, Marrocos.

Há quanto tempo estás no Brasil?

Muito mais do que já imaginei.

Eu trabalhava na Livraria Real do Paço da Ajuda.

Porém, para que os livros e os papéis secretos da corte

não caíssem nas mãos dos franceses,

me despacharam para cá com uma remessa desse acervo.

Pelo tom de tuas palavras eu percebo que não gostas dessa terra.

Eu entrei na fragata me confortando com as palavras de Dom João

de que sua ausência seria temporária e que ele voltaria para Portugal

assim que pudesse ser feito com segurança,

porém os fatos frustraram as minhas esperanças.

E o que te incomoda neste teu exílio, Marrocos?

Ah...

A distância da família. É o que mais me dói.

Eu sinto falta de meu pai. Também sofri muito com o clima.

Padeci de diversas moléstias.

Eu entendo-te bem, meu amigo.

Também sinto falta de meu pai e de minha irmã Marie-Louise.

Se não fossem as cartas que trocamos, eu acho que já teria enlouquecido.

Vai passar, Alteza. Com o tempo, tudo passa.

Eu mesmo confesso que já estou mais adaptado,

e já não praguejo contra o Brasil como quando aqui cheguei.

Já até encostei-me a uma carioca. Minha esposa é brasileira.

Eu espero que tenhas razão, Marrocos.

Assim será, Alteza. Assim será.

Com licença. Se precisar de mais alguma coisa, é só chamar.

Obrigada, Marrocos.

♪

[Leopoldina] Minha amada irmã. Espero que essas poucas letras

te encontrem bem e feliz junto de nossa família.

♪

Você tem mesmo razão. A verdadeira felicidade não existe neste mundo.

Eu tremo constantemente na expectativa de um desgosto, pois...

não posso saber com certeza se tenho um amigo no meu marido

e se sou realmente amada.

Meu sogro é muito bondoso comigo. Mas nada desejo com mais ardor

do que pisar novamente o solo querido da Europa.

Meu caráter, anteriormente risonho, sofre com isto,

pois estou completamente melancólica.

Não dou mais risadas como antes.

♪

Marrocos!

♪

Ah!!!!

Meu Deus, por que tanta demora?

Calma, meu filho. Tenha calma, Pedro.

Nossa Senhora da Glória está amparando Leopoldina.

Tenha calma, ela está em boas mãos.

♪

♪

Isso, força!

Ah!!! Ah! Ah!

Ah!!

♪

Ah!!! Ah!

♪

Ah!!!

Ah!!!

[Choro]

Majestade. É uma menina!

[Risos]

Vai se chamar Maria da Glória.

Em louvor à Santa que sempre protegeu nossa família.

Vai, Rufino. Faz correr a notícia. E que comecem os festejos.

Parabéns, meu filho. Esta menina vai dar muito orgulho à nossa família.

Como está Leopoldina?

Ela está dormindo agora.

O parto foi bem difícil, mas ela vai se recuperar.

Com sua licença, Alteza.

[Risos]

♪

[Choro]

Toma teu filho.

É um moleque.

E Ana, como está?

Está bem. Só precisa descansar.

Ana é parideira. Vocês vão ter muitos filhos.

Como vosmicê vai chamar ele?

Manoel. Esse vai ser o nome dele.

Manoel.

Meu filho. Meu filho.

[Gonçalves Ledo] A primeira filha de Dom Pedro e Leopoldina

iria se revelar um forte elemento de ligação entre eles.

Apesar disso, o juízo que Dom João tanto desejava ao filho

teimava em não chegar.

♪

A alegria pela chegada da Princesa Maria da Glória

espalhou-se por todo o Reino, mas a Princesa Leopoldina

continuou amargando dias de profunda tristeza e solidão.

♪

♪

♪

♪

[Gonçalves Ledo] Dom João consagrou a Princesinha

à Nossa Senhora da Glória do Outeiro,

inaugurando uma tradição que seria seguida

pelos membros da Família Real dos Bragança no Brasil.

Enquanto segurava orgulhoso sua neta nos braços,

a situação em Portugal se complicava,

e os clamores pela sua volta se tornavam cada vez mais fortes.

[Relincho]

♪

Os ideais liberais que reivindicavam o fim das monarquias

se manifestavam na Europa e na América em forma de revoltas.

No Rio de Janeiro, o germe revolucionário também havia chegado.

Com a corte pressionada, entendi que estava na hora de agir,

e entrei pra valer nessa história.

[Relincho]

Ana, não me esperes para o almoço.

Mas por que tanta pressa, homem? Vai tirar o pai da forca?

Marrocos está me esperando.

Temos uma pilha enorme de documentos a despachar para a assinatura do Rei.

Mas come alguma coisa, Arrebita.

- Eu não tenho tempo. - Oh, meu amor.

[Falatório]

Aqui está.

Finalmente. Está tudo aí?

Sim, creio que sim.

E a carta de mercê do novo conselheiro?

É esta aqui.

José Bonifácio de Andrada e Silva.

Quem é este, Marrocos? Aqui diz que é brasileiro.

Estranho Dom João aceitar brasileiros entre seus conselheiros.

Sim, é brasileiro. Mas de família portuguesa importante.

Estudou em Coimbra.

E não estranhe se mais brasileiros se juntarem ao lado do Rei.

Cada vez menos portugueses apoiam a permanência de Dom João no Brasil.

Ouvi dizer que este Bonifácio tem ideias constitucionalistas.

Que defende o fim da escravidão, é verdade?

É, pode ser. Mas na atual circunstância,

governar com uma constituição já seria um ganho para Dom João.

O que estás dizendo, homem?

Chegaram mais notícias da revolta do Porto? Não foi sufocada?

Não só não foi sufocada como se alastrou para Lisboa.

Queres que te leia um trecho do manifesto?

Sim, por favor.

Aqui está:

"A presença da corte no Brasil aflige profundamente

todos os cidadãos portugueses

que ainda conservam um sentimento de dignidade nacional.

A justiça é administrada no Brasil para o leal povo da Europa,

a uma vasta distância, com um gasto e uma demora excessivos.".

As cortes foram reconvocadas e exigem a volta de Dom João.

Dom João não aceitará dividir sua autoridade

com representantes das cortes.

E fará tudo para que essas notícias não se espalhem pelo Rio de Janeiro.

Tarde demais, meu caro Arrebita.

Não se fala em outra coisa pelas esquinas.

Os nacionalistas conspiram pelos cantos,

o jornalista maçom dispara panfletos e discursos insuflando a população.

O Brasil não aceitará voltar à condição de colônia, meu caro.

Disso podes estar certo.

Sim, mas tampouco Portugal concordará em continuar empobrecido

e apartado das decisões do Rei.

É como tu dizes. Está formado o imbróglio.

Que achas que vai acontecer, Marrocos?

Eu não tenho a mínima ideia.

Só sei que eu preciso partir agora para a Quinta da Boa Vista.

O Conde de Palmela está no Rio

e eu tenho o pressentimento que teremos muito trabalho.

Muito, Arrebita, muito!

Quem é o responsável por isso?

O panfleto tem autor desconhecido, Majestade.

Temos informações também que ele se espalhou por todo o reino,

inclusive em Portugal.

Senhor, eu concordo com o que está escrito neste panfleto.

Devemos abandonar Portugal tornando o Brasil um reino separado

governado por Vossa Majestade.

E como pensas que essa ideia será recebida em Portugal, Tomás?

Senhores, devemos encarar os fatos: Portugal sem o Brasil não é nada.

E pode, sim, ser descartado sem prejuízo

para a prosperidade brasileira.

Se os parlamentares das cortes portuguesas

perceberem que serão rejeitados, colocarão o rabo entre as pernas

e aceitarão as coisas como devem ser.

E o que pensa o meu novo conselheiro?

Sinceramente, Majestade, eu percebo que o longo isolamento

de meus nobres colegas aqui nos trópicos

deixou-os despreparados para entender a gravidade dessa situação.

Esse panfleto, ele só faz incendiar os ódios de ambos os lados.

Para os brasileiros soará como uma tentativa de Portugal

de conservar seus poderes absolutistas,

e em Portugal justificará medidas militares contra nós.

E como é que o letrado e nobre conselheiro Bonifácio nos aconselha?

De momento devemos respeitar a autoridade das cortes.

E mostrar benevolência diante de suas deliberações.

Mas o que eles querem é que a real pessoa de Dom João

volte para Portugal, ou então envie um de seus filhos.

Não, isso eu não vou fazer. Eu não cederei a esses rebeldes.

Quem me garante o que farão quando Pedro puser os pés em Portugal?

Não. A minha nora está em estado interessante,

não fará uma viagem tão longa.

Não, senhores, precisamos encontrar uma outra solução.

[Porta]

Majestade, o Conde de Palmela.

Majestade.

Ah, eu estava mesmo te esperando, Palmela. Fizeste boa viagem?

O que achaste do Rio de Janeiro?

Majestade, há sítios belíssimos. Eu posso afirmar com toda a certeza

que a Baía de Botafogo é comparável

aos mais belos lugares da Itália ou da Suíça.

Senta-te, Palmela. Creio que só não conheces Bonifácio.

- Não pessoalmente. Senhor Bonifácio. - Conde.

Palmela, eu tenho refletido dia e noite sobre o que deve ser feito.

Eu espero que me tragas notícias que me ajudem nesta difícil decisão.

Majestade, eu não trago boas novas.

Eu presenciei a revolução em Portugal, mas foi em minha escala por Salvador

que minhas preocupações aumentaram. A cidade está à beira de uma revolta.

E eu tive informações de que em Pernambuco

a situação é ainda mais tensa.

As tropas portuguesas sediadas por todo o litoral

estão prontas para atender ao chamado da mãe pátria.

A sua autoridade corre perigo.

Malditos!

Meu senhor, depois de tudo que eu presenciei no Brasil e em Portugal,

eu preciso afirmar com muita positividade a Vossa Majestade

que não há mais nenhum instante a perder.

Não tomar nenhuma decisão agora seria a pior escolha.

Uma monarquia constitucionalista me parece a melhor estratégia.

Embora limitado pelo parlamento, seu poder continuaria sendo exercido.

E Dom Pedro precisa retornar imediatamente a Lisboa.

Saiam todos, eu preciso ficar só.

Majestade, o estado de espírito em todo o reino é tão ruim

que se medidas mais positivas não forem tomadas,

tudo estará perdido.

Eu mandei saírem! Deixem-me só!

♪

[Baque]

♪

[Galope]

♪

[Passos de cavalo]

[Carlota] Mierda. Mierda. Nem um veado. Nem uma única perdiz.

[Miguel] Precisamos mandar vir mais perdizes de Portugal.

[Carlota] Nada mais deve vir de Portugal para essa terra infeliz.

Ao contrário, Miguel: nós é que precisamos ir embora.

[Miguel] Não alimentaria muitas esperanças, minha mãe.

Quem vai voltar é Pedro.

Foi o que me disse o Conde de Palmela.

[Carlota] Palmela é um estúpido.

Acho até que trabalha para os revolucionários.

Teu pai é um frouxo. Estamos bem arranjados.

Se eu estivesse no trono,

mandaria nossas tropas esmagar aqueles deputados das cortes.

As cabeças deles iam ficar penduradas na praça pública

para serem comidas por corvos.

[Tosse]

Não creio... Não creio que os nossos soldados

estão em condições de esmagar uma única mosca sequer, minha mãe.

Pelo menos não os que ainda nos são fiéis.

Dom João deixou chegar a esse ponto.

E agora fica paralisado diante da nossa desgraça

sem tomar uma decisão firme.

E ainda quer enviar o filho leviano para nos representar.

É o cúmulo do disparate.

Eu ouvi Pedro chamando a senhora de rameira.

Deixa-o, Miguel. Ele vai ter o que merece no tempo certo.

Nós precisamos nos unir, meu filho.

Na Europa eu preciso de ti ao meu lado.

Tu não és igual a teu irmão.

Nosso destino não será baixar a cabeça para esses...

Esses deputados borra botas.

Dom João já declarou

o retorno imediato de Pedro.

E vai criar um Parlamento aqui no Rio de Janeiro para...

discutir as decisões das cortes de Lisboa.

Discutir? Discutir?

Puta que parió! Não se discute com traidores.

Vamos, Miguel. Vamos embora.

Hoje o dia não é dos caçadores.

Precisamos nos mexer se não quisermos que o dia da caça chegue para nós.

[Tosse]

Por Diós, Miguel.

Precisas ver essa tosse, estás parecendo um tísico.

Vem, vem.

[Passos de cavalo]

Eu vou.

Isso não é possível, Leopoldina.

Eu vou, Pedro.

Mulher, olha para ti. Queres colocar a vida de nosso filho em risco?

Não basta o que aconteceu com nosso Miguel.

Não será o primeiro a nascer no mar. Certamente nem o último.

Eu não ficarei no Rio de Janeiro abandonada sem o meu marido.

Meu amor, eu voltarei.

Conversei com Palmela e com José Bonifácio.

Se eu não for, perderemos Portugal.

E não haverá nenhuma garantia do que nos acontecerá por aqui.

Serão apenas alguns meses.

Não, Pedro. Não e não.

Força alguma irá me impedir de ir ao teu encontro.

Nem que para isso eu precise embarcar em um bote miserável.

Já não basta ser alvo das intrigas e maledicências

que teu comportamento me causa.

Abandonada aqui minha situação ficará insuportável.

Eu tenho certeza que se isso acontecer

eu ficarei condenada a um exílio eterno longe da minha família,

eu não aceitarei isso, Pedro.

Está bem, meu amor.

Vou conversar com meu pai.

Mas te prometo que quando eu voltar a Portugal,

minha esposa estará ao meu lado.

Nosso filho nascerá à bordo.

Após o nascimento, o navio poderá trazer o menino de volta.

E se for outra menina?

Que seja. Só não quero mais te ver nessa amargura.

Então eu já posso providenciar uma boa ama de leite

para que possa retornar com nosso filho

enquanto seguimos para Portugal?

Sim, Princesa Leopoldina. Faça isso.

Meu pai, preciso conversar com o senhor.

Também preciso conversar contigo, Pedro. Senta-te.

Prefiro ficar de pé.

Não sei se gostarás do que tenho a te dizer,

mas Leopoldina viajará comigo.

Não posso deixá-la aqui, meu pai. Já tenho tudo planejado.

Após o nascimento um navio trará a criança de volta--

Tu não irás para Portugal.

- Não? - Não.

E o que faremos?

Vem aqui, meu filho.

Afinal ainda não mandou tirar isso daqui?

Espelhos quebrados trazem má sorte, meu pai.

Eu não deixei que o levassem.

Estás vendo esse espelho, meu filho?

Ele reflete a situação de nosso reino.

Nosso poder que vem de séculos distante está partido.

A rebelião já chegou no Rio de Janeiro, Pedro.

Os liberais estão em toda a parte, inclusive entre os nossos soldados.

A minha autoridade está reduzida ao Rio de Janeiro,

e mesmo aqui ela está ameaçada.

Meu pai, nós já conseguimos contornar a revolta das tropas,

se é isso que estás falando. Atendemos às exigências deles

e o senhor concordou em honrar

a Constituição que será redigida em Lisboa.

Achas que isso será suficiente?

Eu me encontro prisioneiro no meu próprio palácio.

E sei que já não sou mais bem-vindo no Rio de Janeiro.

Não é bem assim.

Vossa Majestade ainda goza de grande prestígio entre o povo.

E muitos entendem, meu pai, que vossa partida rebaixará

o Rio de Janeiro a uma mera capital de província.

O Brasil não é apenas o Rio de Janeiro, Pedro.

Nosso reino está tomado por homens mal intencionados

que desejam a anarquia.

♪

Voltarei para Portugal e tu ficarás no Brasil como Regente.

Meu senhor, se essa for a tua vontade, eu a cumprirei com fiel dedicação.

Mas estive conversando com Bonifácio.

Ele acha que os brasileiros não aceitarão voltar a sofrer

como colonizados desprezíveis.

Fala-se em independência.

Pedro, se o Brasil se separar, antes seja para ti,

que me há de honrar, do que para algum desses aventureiros.

♪

Vai, Pedro.

Vai, eu preciso acertar os detalhes da minha partida.

Ela deve acontecer sem muito alarde.

[Gonçalves Ledo] No dia 26 de abril de 1821,

Dom João embarcou de volta a Portugal

com uma comitiva de quatro mil pessoas.

Raspou os cofres do Banco do Brasil

e deixou para trás uma terra empobrecida

e fracionada por diversas correntes políticas,

que não se entendiam sobre qual rumo o país deveria tomar.

Vamos, vamos com isso.

Finalmente retornarei à uma terra habitada por homens.

Capaz de ficar cega quando chegar à Europa,

depois de viver tanto tempo no escuro vendo apenas pretos e mulatos.

Vamos! Vamos, andem logo!

♪

♪

[Gonçalves Ledo] As marcas da longa temporada da corte

no Rio de Janeiro permaneceriam por séculos.

E o jovem D. Pedro estava à frente

de um posto que exigiria muito mais do que ele pensava ser capaz.

♪

♪

♪

♪

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