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♪
♪
[Gonçalves Ledo] Quase todos os dias realizava-se o ritual do "Beija Mão".
Era a oportunidade de todos, ricos ou pobres,
se aproximarem do Príncipe para fazerem seus pedidos.
E ele atendia à todos com gentileza e paciência.
O mesmo não podia se dizer da Princesa Carlota Joaquina.
Enquanto os cerimoniais antiquados se desenrolavam no Brasil,
a Europa sofria fortes transformações.
Depois de anos sob ameaça de Napoleão,
a solidariedade entre as cortes europeias se fortaleceu.
Mas o vírus revolucionário antimonarquista estava incubado,
pronto para se manifestar.
Só era necessário esperar o momento oportuno.
♪
Dom João recebeu uma carta do representante português
no Congresso de Viena que relatava a insatisfação das cortes
do velho mundo causada por seu exílio nos trópicos.
Diante da recusa do Príncipe Regente em retornar a Portugal,
a carta sugeria uma solução surpreendente.
Elevar o Brasil?
É o que me propõe Palmela nesta carta.
Afirma que com a elevação do Brasil à categoria de Reino Unido
eu continuaria a governar daqui a minha grande união transatlântica
na qual o Brasil será o grande parceiro majoritário.
E isso apaziguaria as divergências quanto à minha permanência na América.
Alvíssaras! Essa proposta de Palmela me parece uma ideia genial.
E Portugal?
A recompensa pelos anos de sofrimento acertada em Viena foi insignificante.
Um ultraje, para ser mais claro.
Portugal deixará de ser o centro do Império,
mas, com certeza, Dom João e os senhores ministros
trabalharão daqui para a reconstrução de Lisboa.
Eu gosto da ideia, Fernando.
E como se chamará esse novo reino, Majestade?
Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.
Majestade, penso eu que a partir da elevação do Brasil
findará qualquer influência britânica sobre os nossos negócios.
Nosso povo em Portugal certamente não ficará satisfeito.
Mas, diante das atuais circunstâncias, eu devo admitir,
é uma sábia medida.
Pois que assim seja. Preparem o decreto que eu assinarei.
Governarei daqui o meu novo reino
e o Brasil será uma extensão tropical de Portugal.
Façam correr a notícia por todo o território.
Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.
♪ Música de abertura ♪
♪ Música de abertura ♪
♪ Música de abertura ♪
♪ [Ruídos da natureza]
♪
O que vosmicê acha que vai mudar?
- Para nós? - Uhum.
Nada.
Joaquim continuará enchendo os burros de dinheiro
e nós trabalhando para ele.
Ele parece que tem estima por vosmicê.
Joaquim mudou muito.
O poder muda as pessoas.
Quando saí da minha aldeia e fui para Lisboa,
ele me acolheu,
me ensinou a ler e a escrever
Devo-lhe muito.
Mas eu não reconheço aquele meu protetor quando olho para ele.
As pretas que lavavam roupa comigo no chafariz do Paço
estavam falando sobre o senhor Joaquim.
Disseram que ele emprestou dinheiro a Dom João
e que o Banco do Brasil é comandado por ele.
[Canto dos pássaros]
Não duvido.
Não é segredo que as finanças da Coroa não andam bem.
Joaquim não chegou a Visconde à toa.
Eu também vivia numa aldeia no Congo.
No Congo?
Uhum. No Congo.
Eu lembro...
Lembro da minha mãe junto com as outras mulheres
cantando e dançando para Nzambi.
Era uma vida boa.
Um dia, um pombeiro português chegou
e pegou eu e minhas irmãs quando fomos buscar água no rio.
O chefe de nossa tribo tinha se vendido aos portugueses.
Eu fui trocada por vinho,
e pelas minhas irmãs ele recebeu um cavalo.
E tuas irmãs? Onde estão?
Elas morreram na viagem.
[Suspiro]
Deixemos as histórias tristes de lado.
Em breve serás minha mulher.
Pegaremos um pedaço de terra lá pros lados de Ipanema
e criaremos nossos filhos.
Teremos muitos filhos, muitos filhos. Uns dez.
Vosmicê não vai me iludir. Vosmicê é um homem branco.
E homem branco não quer mulheres pretas para ter filhos.
Somente para fornicação.
Ipanema... Ipanema é no fim do mundo, né, Arrebita?
Não acreditas em mim.
Pois vou te provar que estou sendo sincero.
Não me importo se és preta, branca ou amarela.
Sinto-me bem contigo.
Minha alma fica em paz.
É só isso que me importa.
Só preciso juntar dinheiro para comprar tua alforria ao Joaquim.
Vosmicê é maluco mesmo.
Sou, muito maluco, não imaginas o quanto.
[Risos]
Para, para, para.
[Batida de porta] [Estrondo]
Então estavas certo, Sebastião.
Tenho em minha casa uma preta rameira. E meu secretário me engana.
Senhor Joaquim, não é nada disso. Eu e Ana nos amamos.
E eu vou comprar sua alforria. Pago o preço que o senhor pedir.
Não me faças rir, Antonio. Essa cena me dá nojo.
Como podes ter a coragem de deitar-te com esta preta fedida.
Não fales assim dela, Senhor. Eu lhe imploro.
Contigo depois eu me entendo.
Agora é hora disso aqui ter o castigo que merece.
Não toque nela! [Batida]
[Golpe] [Estrondo]
[Tosse] [Urro]
Vem! Vai, homem!
Então me agrides por causa de uma escrava?
Fostes longe demais. Esquecestes de tudo que fiz por ti?
Eu devia ter te denunciado quando chegaste clandestino no Brasil.
Não te quero mais em minha casa. Fora daqui! Fora daqui!
- Vai embora, Arrebita! Vai embora! - Fora! Fora!
Eu volto para te buscar, Ana. Eu prometo. Eu volto!
Me espera que eu volto. Eu volto!
Podes ir agora, Sebastião.
Já me ajudaste bastante.
Amanhã eu falo com o teu senhor e decido o que farei.
Agora isso aqui vai para o tronco.
Não, não, não! [Gritos]
[Batida de porta] [Estrondo]
[Sussurros]
♪
Majestade!
Que surpresa agradável.
Não esperava vê-la de volta aqui tão cedo.
Vim confessar-me, Padre Luís.
Mas, Majestade, se me permite lembrá-la,
ainda ontem eu tomei a sua confissão.
É preciso estar vigilante, meu caro padre.
As forças do maligno não dormem.
É verdade, Dona Maria, é verdade.
É sempre uma grande honra recebê-la em nossa igreja.
O senhor sabe do apreço que eu e meu filho José
temos por esta capela.
Ela...
traz-me lembranças do meu Portugal.
Eu posso imaginar o que Vossa Majestade sente.
No tempo em que estive em Lisboa lembrava-me com melancolia
do meu Rio de Janeiro.
Mas estou certo de que Vossa Majestade em breve retornará à sua terra natal.
Não tenho tanta certeza, padre.
Estou velha e sinto as minhas forças se exaurirem. Lentamente.
Dentro em pouco ele virá buscar-me.
Majestade, ele quem?
Meu filho José.
Recebi uma carta em que me diz que está a caminho para me levar com ele.
Dona Maria, o seu filho Dom José está no paraíso.
Guardado pelos anjos de Deus e de lá não se escrevem cartas.
Não é verdade! Não é bonito para um padre mentir.
Escreverei à Nossa Senhora queixando-me de ti.
Me perdoe! Majestade, me perdoe. Eu acho que me confundi.
A idade também está chegando para esse velho servo de Deus.
Olha, eu já embaralho os fatos de vez em quando.
Meu filho José vem resgatar-me das mãos do demônio.
O maldito me atormenta dia e noite.
Preciso falar com meu filho João
para saber o que estamos fazendo aqui nesta terra distante e calorenta.
[Canto dos pássaros ao fundo]
Mas, Majestade... e a confissão?
- Que confissão? - A sua.
Vossa Majestade não veio até o Outeiro da Glória para se confessar?
Ainda ontem me confessei. E o senhor me fala em outra confissão?
Ainda estou cumprindo a penitência.
Assim também já é demais, Padre Luís.
Até com as confissões devemos ser parcimoniosos.
Deixe que eu governe as minhas próprias confissões.
Como Vossa Majestade desejar.
Mas Vossa Majestade não quer ficar mais um pouco?
A senhora mal acabou de chegar.
Eu tenho pressa, Padre Luís.
Eu tenho pressa, eu tenho que retornar.
No trajeto para cá eu vi o demônio
que me espreitava nas montanhas.
Até mais ver, padre.
Até mais ver, Majestade.
Uma carta?
É sério o que tu me dizes, Presas?
Sim, Alteza, foi o recado que Rufino me passou.
Dom João manda avisar que anda muito ocupado
e pede-lhe que trate dos assuntos de seu interesse através de cartas.
Quem aquele...
aquele papa-frangos pensa que é?
Já não bastasse nos enterrar nessa terra de pretos.
Eu sou a Princesa. E agora do Reino de...
Qual é mesmo o nome?
Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves.
Isso. É esse o nome do disparate.
Não pense ele que faço gosto de estar em sua presença real.
Mas eu tenho assuntos urgentes a tratar
que não podem esperar por idas e vindas de cartas.
Presas, manda selar meu cavalo.
Alteza, me desculpe, mas é que as suas recomendações médicas
são para que repouse e evite grandes cavalgadas.
E São Cristóvão está muito distante de Botafogo.
A la mierda com os médicos.
Dom João terá uma surpresa e será hoje.
Mariana, cuida do almoço de Maria Isabel e Maria Francisca,
- parto agora mesmo. - Sim, Alteza.
O que estás esperando, Presas?
Manda preparar meu cavalo que vou me arrumar!
Sim, Alteza.
Acalma-te, Joaquim!
Nunca te vi assim.
Quando comprei esta preta,
me disseste que ela era treinada nos trabalhos da casa.
Não na luxúria da cama.
Meu amigo, acho que estás nervoso à toa.
Se a preta revelou ter outra serventia,
por que não aproveitar isso?
Como pode um branco deitar-se com uma preta?
É indecoroso, é nojento. E muitos que pensam como tu,
farão uma mistura de sangue indecente, pecaminosa,
da qual o Brasil se arrependerá no futuro.
Os que pensam como eu são a maioria, Joaquim.
E pra tudo dá-se um jeito. Basta que não deem cria.
Não, não, não, não vamos esticar esta prosa. Eu só vim até aqui
porque várias vezes manifestastes o desejo de desfazer o negócio,
mas já que não queres,
eu vou-me embora, não tenho mais tempo a perder aqui.
Acalma-te, homem! Vá! Ah!
♪ Suspense ♪
Então gostas de fornicar.
Não é, preta?
Está certo, Joaquim. Negócio desfeito.
Ana do Congo é minha novamente.
Dá-me um prazo para te pagar e assinaremos os papéis.
Por mim, está certo.
Passar bem, Elias.
Passe muito bem, Joaquim, muito bem.
♪ Suspense ♪
Não imaginas como estou feliz em te ter de novo.
♪ Suspense ♪
♪ Suspense ♪
Não sei porque insistes em te vestir assim.
Não fica bem para uma Princesa.
Não fica bem para uma Princesa é viver escondida do mundo
no meio de selvagens.
Já tivestes tempo suficiente para te acostumares com o Brasil.
Esta terra, minha querida, é promissora.
Nem a eternidade será suficiente para que eu me acostume.
Preciso voltar para a Europa, rever minha família.
Rogo-te que autorize a minha viagem.
Carlota, não é prudente.
Não se separa um casal real com um oceano no meio.
Tu acolhes com entusiasmo todo o tipo de ideia
que teus conselheiros despejam em teus ouvidos.
Mas nada, nada do que te peço encontro apoio.
João, as mulheres dessa terra circulam com vestidos sem manga,
cabelos soltos, e os homens então?
Nada poderia ser mais repugnante: usam camisas abertas,
coletes desabotoados, calças frouxas, sandálias sem meias.
[Risadas]
E os escravos então? Andam praticamente nus.
Carlota, o Brasil é quente.
João, meus médicos já me avisaram
que não recuperarei minha saúde na América.
Tu és forte como uma leoa!
Mas escuta, Carlota:
a missão francesa não tarda a desembarcar.
Acho que isso te fará mais feliz.
Malditos franceses.
Foi Araújo quem te convenceu a trazê-los para cá, não foi?
Como se estivéssemos nadando em dinheiro.
Estou com o salário dos meus criados atrasados, se queres saber.
Vou precisar vender algumas joias.
Mas não foi para chorar misérias que vim até aqui.
O que foi que te trouxe à Quinta da Boa Vista, Carlota?
João, Maria Teresa está viúva.
Não temos planos de tirá-la dessa situação.
Enquanto estás aqui, te lambuzando com os teus franguitos
as alianças acertadas pelos casamentos dos herdeiros das coroas
estão sendo seladas na Europa. Maria Isabel e Maria Francisca
já estão em idade de contrair matrimônio.
Mas já não concordei com tuas vontades?
Não vão nossas filhas se casar com teus irmãos?
O que queres mais de mim?
Santo Diós. Ayuda me!
Precisamos acompanhá-las até a Europa para a cerimônia, homem.
Ou queres que as meninas viagem sozinhas?
Ainda não me decidi sobre isso.
Não sei que efeito terá nossa presença na Europa.
A situação em Portugal está tensa.
No tienes cojones? Vamos voltar de cabeça erguida.
Entregar nossas filhas ao matrimônio como Regentes que somos.
Casando-se com meus irmãos, elas estarão seguras.
E a nossa aliança ibérica fortalecida novamente.
Chega! Chega Carlota, chega.
Se queres ir, que vás sozinha.
Então permitirás a minha viagem?
Sim, Carlota. Sim.
Para que te cales, faço qualquer coisa.
Vou conversar com os meus ministros e prepararemos tudo.
Mas se pensas que não estou preocupado com o futuro de nossa família
estás muito enganada.
Digo-te que as negociações com Francisco I estão bem adiantadas.
Estou esperançoso de em breve receber
a princesa austríaca para casar com Pedro.
Ah, agora eu perdi o apetite!
José Rufino, Sua Alteza quer descansar um pouco.
Vamos encerrar esse almoço.
♪
[Gonçalves Ledo] A alegria de Carlota Joaquina não duraria muito.
Os ministros de Dom João sabiam que, uma vez sozinha na Europa,
seria impossível prever os atos da Princesa conspiradora,
e trataram de convencer o Príncipe Regente a descumprir o prometido.
♪
♪
[Gonçalves Ledo] Um longo período de luto
se estendeu pelos quatro cantos do reino.
A morte da Rainha alterou fundamentalmente a situação do Rio.
E a sucessão formal de Dom João e Dona Carlota
se tornou iminente.
[Relincho]
[Falatório ao fundo]
[Falatório]
Abílio, coloca uma bagaceira aí.
Escuta, Arrebita, tua conta já vai alta.
Quando vais se acertar comigo?
Não te preocupes, Abílio, não te preocupes.
Por acaso não fui sempre correto em minhas contas?
Foi quando trabalhavas pro Joaquim.
Joaquim de Azevedo não é o único empregador do Rio de Janeiro.
Coloca outra aí, vai.
Está bem, está bem.
Mas hoje é o último dia que te vendo fiado.
Promessas não pagam contas.
Eu bem sei.
A bruxa de Córdoba está fumegando.
Ontem, bateu em dois homens
que não se ajoelharam quando ela passou a cavalo.
Desmontou e estalou o chicote nas costas dos pobres coitados.
Esses beócios parece que gostam de apanhar.
Não sabem que devem se ajoelhar para ela?
E ainda mais agora que vai ser Rainha. Imagina quando Dom João for aclamado.
Rufino, dita-me cartas quase todos os dias a seu irmão Fernando,
suplicando-lhe que arrume um jeito de tirá-la do Rio.
Sabe como se referiu ao Brasil em uma dessas cartas?
Terra de macacos e negros.
E o que era de se esperar, Presas?
Se até em Lisboa ela reclamava da falta de sofisticação da corte.
As chuvaradas tropicais e a umidade dos trópicos a irritam.
Sua saúde não anda nada bem.
Ora! José Presas está condoído de sua Rainha.
Nada disso, Rufino.
Minha estima por Carlota se resume ao salário que ela me paga.
Que aliás, anda bem atrasado.
Diferente de ti, né? Que amas a Dom João.
Ih! O que estás querendo insinuar, Presas?
Esquece, Rufino.
Ando meio ressabiado com as notícias que andam chegando da Europa.
E aflito por encontrar um ajudante.
Já não estou dando mais conta de tantas correspondências e livros.
Mas também, onde é que vou encontrar alguém que saiba ler e escrever
nessa terra de analfabetos.
E que ainda por cima aceite em trabalhar para Carlota.
É, meu amigo Presas... Terás uma tarefa árdua pela frente.
Desculpem-me interrompê-los, senhores.
Mas não pude deixar de ouvi-los.
E parece que procura alguém com domínio das letras.
Como te chamas?
Antonio Gomes Martins é meu nome, senhor.
Mas todos me chamam de Arrebita.
[Risos]
Arrebita?
Muito bem, Arrebita.
Diz-me o que está escrito ali naquela placa.
Caldo de galinha é canja, conversa não é valentia,
tudo com dinheiro se arranja, nesta casa nada se fia.
Sabes onde fica a casa da Rainha?
- Qual delas? - A de Botafogo.
Tenho certeza que não será difícil de encontrar, senhor.
Me chamo José Presas, procura-me lá amanhã
e vamos ver o que se arranja para ti.
Muito obrigado, Senhor Presas. Estarei lá antes do galo cantar.
Pode me esperar. Com sua licença. Com sua licença.
[Risos]
[Falatório] [Tilintar de copos]
[Ruídos da natureza]
♪ Suspense ♪
O que vosmicê tem nos bolsos para nos dar?
Eu não tenho dinheiro.
Eu não tenho dinheiro! Eu não tenho dinheiro.
Eu não tenho, não tenho nada.
Mas tem cheiro de aguardente.
Eu bebi fiado na Tasca do Abílio. É verdade, acreditem em mim.
Estou sem trabalho faz tempo
e nem minhas coisas meu ex patrão me deixou tirar da sua casa.
Não me matem, por favor. Eu suplico.
Não me matem.
Não somos assassinos.
Somos pretos que não aceitam as correntes nem a chibata.
Vosmicê pode ir.
Espere.
Você... Eu conheço você, você...
Você é Manoel... O preto do quilombo, não é?
♪ Suspense ♪
Acho que hoje é meu dia de sorte.
Estava mesmo procurando por você.
Preciso da sua ajuda.
[Batidas]
Pedro!
[Batidas]
Pedro! Sou eu.
[Rangido]
Raios, Chalaça, não vês que estou ocupado?
- Pedro, teu pai está à tua procura. - O que quer meu pai comigo?
Eu não sei. Mandou Rufino atrás de ti. Sai daí!
Não se vá, mon amour.
Preciso ir, minha amada.
Ainda não terminamos.
Eu volto essa noite, te prometo.
Espera-me e recomeçaremos de onde paramos.
Pedro...
- Pedro, sai daí, anda rápido! - Já vou, Chalaça, eu já vou.
[Batida]
Pedro, tu precisas ter mais cuidado. Teu pai anda desconfiado.
Tu está muito amolado, Chalacinha. O que se passa contigo?
Já sei: precisas te divertir.
Pois amanhã vamos à casa de Madame Claudete.
Chegaram umas raparigas dos Açores que eu tenho certeza,
te deixarão mais calmo.
Madames!
Felizes meus olhos que contemplam tanta beleza.
Vamos, Chalaça.
♪
[Gonçalves Ledo] Um grupo de artistas franceses,
financiados por Dom João, chegou ao Rio de Janeiro
com a missão de acelerar a civilização do antigo porto colonial português.
Passou a ser comum encontrar o pintor Jean-Baptiste Debret
pelas ruas do Rio de Janeiro, retratando cenas do cotidiano.
Distante dos belos traços de Debret
estava a imagem desgastada de uma corte perdulária e extravagante,
que só fazia a insatisfação com a monarquia crescer entre o povo.
♪
- É ali que ela dorme. - Vosmicê me espera aqui.
Manoel...
Obrigado.
Não precisa agradecer, português. Temos um trato.
Eu libero a preta e tu me paga.
E me conta tudo o que falaram do meu quilombo lá na casa da Rainha.
Tá lembrado?
Sim, estou. Tens minha palavra.
Não acredito na palavra de branco.
Nem acredito nessa história de amor entre vosmicê e a preta.
Mas se tratando da libertação de uma irmã, já fico satisfeito.
[Ruídos da natureza]
♪
Vai dormir, Sebastião.
Tá bom, Senhor Elias, tá bom.
♪
[Batida de porta]
E então, preta?
Pensavas que eu não vinha hoje?
Sentistes minha falta, não é mesmo?
♪ Suspense ♪
Shiiu!
♪ Suspense ♪
Você é Ana do Congo?
♪ Suspense ♪
[Baque]
♪
Sebastião, acorda, imbecil! Estão roubando a preta!
♪
[Golpe]
♪
[Golpes] [Pancadas]
[Lâmina]
♪
Vamos, nego.
♪
[Golpes] [Pancadas]
[Lâmina]
[Gemido]
♪
[Gemido]
Eu vou te encontrar, preto maldito!
[Urro]
[Gemidos]
♪ Suspense ♪
[Grito]
♪
♪
♪
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