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♪
[Falatório ao fundo] [Ruídos externos]
[Homem ao fundo] Cadê o Príncipe?
[Badaladas de sino]
[Falatório ao fundo] [Ruídos externos]
♪
[Homem ao fundo] Cadê o Príncipe?
[Ruídos de carroça] [Falatório ao fundo]
♪
[Gonçalves Ledo] Quando deixei o Brasil para estudar em Portugal,
não podia imaginar o que iria presenciar
naquela noite de grande agitação nas docas de Lisboa.
No auge das guerras napoleônicas, a Família Real Portuguesa,
seus ministros, cortesãos, criados, e alguns nobres escolhidos,
iriam atravessar o oceano rumo ao Brasil.
Uma viagem sem precedentes na história dos impérios europeus.
Não havia tempo a perder.
As tropas do General Junot estavam a duas léguas das barreiras lisboetas.
Os selecionados para acompanhar a família Real
haviam recebido credenciais para a viagem
e deviam apresentá-las no embarque.
[Badalada de sino]
♪
Este é Antonio. Ou Arrebita, como é vulgarmente conhecido.
♪
Joaquim de Azevedo, seu patrão e tutor,
havia sido o responsável pela expedição desses documentos.
E por isso Arrebita estava certo de que seu lugar nessa viagem
era garantido.
Afinal, ficar em Portugal representava grande perigo.
Mas estava enganado.
♪
Meu nome é Joaquim Gonçalves Ledo.
Eu também devia voltar ao Brasil, pois meu pai havia falecido
e eu precisava assumir os seus negócios.
Mas ainda não é agora que entro nessa história.
♪ [Falatório ao fundo]
O povo português custava a acreditar
que iria ser abandonado por seu monarca.
Mas se ainda havia alguma dúvida, ela acabou quando a Rainha Dona Maria,
a Princesa Carlota Joaquina e o Príncipe Regente Dom João,
pisaram no cais do porto.
♪
♪ [Gritaria ao fundo]
O destino de Portugal estava traçado.
E o do Brasil também.
♪ Música de abertura ♪
♪ Música de abertura ♪
♪ Música de abertura ♪
♪ Música de abertura ♪
[Ruído de carroça ao fundo] [Galopes de cavalos]
♪
Vamos homem! Depressa!
[Ruído de carroça] [Galopes de cavalos]
♪
[Ruído de carroça] [Galopes de cavalos]
Homem!
[Batidas na madeira]
[Ruído de carroça] [Galopes de cavalos]
Hei! Hei!
♪
[Tiro]
[Grasnado]
Vamos!
[Gritos]
Não grite, Manoel! Assim os patos escapam!
Eu não consigo, acho que parti a perna.
[Gritos] [Gemidos]
Vai depressa buscar ajuda, vai!
[Gritos]
[Ruído de carroça] [Galopes de cavalos]
♪
Vamos!
[Grito de comando]
♪ Suspense ♪
[Baque] [Estrondo]
Shh! Ô! Ô! Shh! Shh!
Por Deus, homem.
Eu não tive culpa, senhor.
Ele apareceu do nada do meio da mata e eu não consegui segurar os cavalos.
Me desculpe.
[Ofegante]
[Ruídos da natureza]
Eu não tive culpa, senhor. Ele surgiu como um raio.
Vamos sair daqui. Depressa!
Mas, senhor, ele é apenas um menino...
Faz o que estou te mandando!
Ou tu queres que Sua Alteza espere por nós?
Vamos! Apressa-te, vai!
Vai! Anda!
♪ Melodia dramática ♪
[Farfalhar de folhas]
Meu Deus do céu, que saudade que estou de ti!
Deixe-me ir, Arrebita! Se me pegam aqui contigo estou fornicada.
Não te preocupes, não te preocupes. Não vês como estou? Hein?
Estou louco por ti. Dá-me cá tua boca.
♪
[Risos]
♪
Tu és louco, homem!
Não imaginas o quanto.
Antonio! Onde estás, homem?
Mas o que se passa por aqui?
Nada demais, senhor Joaquim, nada demais.
Esta é... Ame...
Aurélia! É Aurélia. O senhor a conhece?
Conheço muito bem essa rapariga.
O suficiente para saber que aqui não é o seu local de trabalho,
muito menos o seu, senhor Antonio Gomes!
Ah, eu bem sei, eu bem sei... eu bem sei, senhor Joaquim.
Eu estava justamente a dizer a esta senhora
para ela voltar aos seus afazeres o mais breve possível.
Antes que Sua Alteza ou alguém da corte a veja flanando por aí.
- Não é mesmo, Aurélia? - Sim, senhor.
Vamos! Volta à tua lida. Aurélia... Vá-te, mulher!
Pronto, resolvido, resolvido.
Resolvido, né? Antonio, as mulheres ainda hão de te trazer problemas.
Não conte comigo para te safar quando o marido dessa aí
te passar o fio da espada.
Por Deus do céu, senhor Joaquim. Não diga uma coisa dessas.
Chego a sentir calafrios.
- Calafrio, né? - É.
- Calafrio? - Calafrio.
Agora eu sei porque te chamam de Arrebita.
Estás sempre arrebitado para o lado das mulheres.
- Mais ou menos, senhor. - Está bem, está bem!
Eu vou fingir que acredito nessa sua história.
- Muito obrigado. - Estou precisando de ti.
Mas o que houve, senhor Joaquim? Já foi dada a ordem?
Ainda não, mas pelo que sei, não demora muito.
E não podemos deixar tudo para a última hora.
Temos que nos adiantar.
[Ruído de carroça ao fundo] [Galopes de cavalos]
O inglês novamente...
Não é o que digo? Não tarda e teremos muito o que fazer.
Anda! E você para de fiscalizar o trabalho das criadas
- e põe-te ao meu lado. - Sim, senhor.
Eu tenho notícias de que os trabalhos de reparo da frota estão acelerados,
não podemos perder tempo, vamos.
Vamos, senhor! Vamos, vamos.
♪
[Lorde Strangford] Alteza, se me permite a ousadia,
a maior demora em levantar âncora só piorará a nossa situação.
O Almirante Sidney Smith já está em Lisboa com sua esquadra
pronto para zarpar.
Assim, Vossa Alteza e a corte viajarão em segurança.
Os preparativos já estão bem adiantados.
Meu caro Strangford,
parece que a viagem de Lisboa até aqui o deixou mais ansioso que de costume.
Realmente, é uma viagem longa e cansativa.
Mas eu a faço de muito bom grado
para preservar a aliança entre Inglaterra e Portugal.
Alteza, as tropas de Junot já marcham em terras portuguesas.
É meu dever fazer com que Vossa Alteza e a Princesa Carlota Joaquina
fiquem livres desse lacaio de Napoleão.
Pois se a viagem de Lisboa até Mafra
é tão longa e cansativa como bem falaste,
o que dizer de uma travessia do oceano até minha colônia nas Américas?
Suíça, Itália, Holanda
tiveram suas linhagens reais destituídas.
Até mesmo exércitos como o da Rússia e Áustria
sofreram derrotas devastadoras.
A Espanha já se dobrou a esse que se chama de "Imperador".
Vossa Alteza sabe o que foi feito dessas famílias reais.
Não creio que deseje o mesmo destino.
Destino...
Destino...
Destino.
Quem tem poder sobre o destino, meu caro Strangford?
Será destino da Inglaterra suplicar a paz a Napoleão?
Quem poderá dizer com certeza?
Entre os meus ministros,
há aqueles que ainda acreditam num acordo com a França.
A neutralidade de Portugal
é conhecida e respeitada em toda Europa.
E até o momento tem nos mantido longe da guerra.
De fato.
O destino de cada um de nós está envolto em incertezas.
Mas eu não creio que Vossa Alteza possa supor
que Napoleão irá se satisfazer
com uma medida de neutralidade nesse momento.
Sendo que ele mesmo lhe enviou um ultimato
e eu não creio que o fazia a brincar.
Eu devo adverti-lo das terríveis consequências que advirão
caso Vossa Alteza se torne um vassalo voluntário da França.
♪ Suspense ♪
Advertir-me?
Por acaso estás ameaçando o príncipe regente de Portugal, Lorde Strangford?
♪ Suspense ♪
Não, Alteza.
Eu nunca seria capaz de tamanha ofensa.
Há muito que os nossos reinos são amigos
e esta amizade só tem gerado benesses para ambos os lados.
O comércio entre Inglaterra e Portugal
vem trazendo riquezas para nossas cortes,
e assim é o desejo do Príncipe de Gales
que continue para todo o sempre.
Entretanto, Dom João, com todo o respeito,
eu devo lembrá-lo que sem a proteção inglesa
Portugal não tardará em perecer.
E se Vossa Alteza transferir a corte para o Brasil, continuará a governar
e nós ganharemos tempo para aniquilar esse infame sanguinário.
Do jeito que tu me falas, Lorde Strangford,
parece até que essa é uma ideia original.
Desde os tempos de Dom João V recebemos conselhos iguais aos teus.
Mas e o nosso povo?
Aqueles que não conseguirão embarcar nessa aventura insana pelo Atlântico?
O que será deles?
Às vezes, Alteza, é necessário que alguns padeçam
para que o poder das famílias reais seja preservado.
De que adiantaria esses pobres coitados
verem sua rainha, seu príncipe e princesa
humilhados e decapitados em praça pública?
Será esse o destino dos portugueses?
Eu conversei com Antonio Araújo,
ele me disse que enviou um outro emissário até Junot.
Nós entregaremos um vasto lote de brilhantes
e confirmaremos nosso acordo de fechar os portos aos navios ingleses.
Embora isso não seja verdade,
talvez faça com que Napoleão pense melhor
antes de ordenar a invasão de Portugal.
Francamente, Alteza, esse tal Araújo já deu provas o suficiente
de sua incompetência
trabalhando para a França quando esteve à frente de seu ministério.
E nós estamos vendo agora o resultado disto.
Os embaixadores da França e da Espanha devolveram ontem suas credenciais.
Junot marcha a quatro dias de Lisboa,
e Vossa Alteza me fala em acordo com Napoleão?
O meu dever como Príncipe Regente me impede de abandonar o meu povo.
Eu devo ficar ao lado dele até o último instante!
Nós estamos no último instante.
Se falo isto, é única e exclusivamente para proteger Vossa Alteza
e o bem estar do povo Português.
Vosso exílio, nestas circunstâncias, seria uma grande vitória.
Mas se Vossa Alteza não concorda
e quer aguardar que as tropas de Junot cheguem a Lisboa,
a Grã-Bretanha pede que ao menos ordene
que a frota portuguesa seja deslocada para a Ilha da Madeira.
O não atendimento a esse pedido
será considerado por Sua Majestade, o Rei Jorge III,
como justificativa para que tomemos
qualquer outra atitude
que julguemos apropriada.
Eu não disse que não concordo com a transferência da corte,
também não disse que concordo...
Eu...
Eu preciso pensar melhor. Me aconselhar com os meus ministros.
Por enquanto, manda minhas saudações ao Rei Jorge e ao seu filho,
o Príncipe de Gales.
Pode ir, Lorde Strangford.
Como Vossa Alteza desejar.
Eu rogo a Deus para que o senhor tome a decisão mais acertada
- e que ela não demore muito. - Pode ir, Lorde Strangford!
Com sua licença.
[Ruído de porta]
Alteza.
O Doutor Castanheira está aqui para examiná-lo.
Lorde Strangford.
Meu caro Dr. Castanheira. Como tem passado o senhor?
Bem, e o senhor? Eu vejo que já estava de saída.
Sim, tenho pressa. E estou cansado.
Cansado de ser enganado, se é que o senhor me entende.
Mas eu conto com a sua ajuda.
Como eu já lhe disse antes, pode contar comigo.
Bem, eu tenho aqui algo para ajudá-lo a lembrar,
um singelo regalo.
O senhor é muito generoso. Isso faz muito bem à minha memória.
Até mais ver, Doutor Castanheira.
Até mais ver, Milorde.
♪
Mierda...
Mierda!
Puta que parió!
Me desculpe, Dona Maria.
Me desculpe.
Mas é que não me vem outra palavra à boca para me referir àquele...
Àquele que tive a infelicidade de desposar.
Que por outra armadilha do acaso, também é seu filho.
Embora a senhora não tenha culpa.
Melhor sorte teria eu se tivesse permanecido solteira até a morte.
Fugir feito um coelho assustado.
Levar a família para viver na selva em meio aos índios.
Isso não me parece uma atitude digna
de um governante respeitado por seu povo.
Duvido...
Escuta bem, Araújo,
eu duvido que um Bourbon tivesse um atitude dessa.
Calma, princesa. Nada foi decidido ainda.
Mas Dom João está sendo pressionado pela Inglaterra.
Lorde Strangford trabalha dia e noite
para convencer Sua Alteza a fugir para o Brasil.
Strangford... Inglês janota hijo de puta!
Me desculpe, Dona Maria.
Não podemos nos curvar diante dos interesses ingleses.
Quem é que eles pensam que são?
Precisamos evitar isso, Araújo.
Como é que estão as negociações com os franceses?
Por mais que isso me doa, eu devo admitir, Dona Carlota...
[Suspiro]
As nossas esperanças de manter Junot longe de Lisboa se acabaram.
As notícias não são nada animadoras.
O exército francês já marcha para nos dominar e...
Tem deixado um rastro de destruição por onde passa.
Dom João já mandou chamar a mim e a Dom Rodrigo.
Quer nos ver em Mafra.
E o que diz Dom Rodrigo?
Dom Rodrigo é a favor da viagem.
Já está com o decreto redigido
aguardando apenas a assinatura do Príncipe Regente.
[Passos]
Vá ver como estão as crianças, Gabriela.
Sim, Alteza.
Majestade.
Senhor Araújo.
Essa viagem não vai acontecer, Araújo! Ouve bem o que eu te digo.
Eu sou Carlota Joaquina, filha de Carlos IV, Rei da Espanha.
Eu carrego sangue dos Bourbons nas minhas veias.
Não vou enterrar meus dias numa terra selvagem sei lá onde!
Se o Dom João pensa que vai me obrigar a isso, ele está muito enganado.
Ele, Strangford, Dom Rodrigo
e quem mais duvidar do que sou capaz, irá ver el diablo pela frente!
O diabo!
Não fales o nome dele, minha filha. Ele está aqui.
Eu posso vê-lo.
Ele veio para me levar.
Eu não vou contigo, Satanás!
Eu não tenho culpas na vida. Afasta-te de mim!
Calma, minha sogra. Calma.
Está tudo bem agora, o diabo já se foi, está tudo bem.
Nada está bem.
O diabo quer dominar a corte.
Ele está por perto. Eu posso sentir o seu cheiro.
Ele é mau cheiroso.
Lá está ele.
Ele entrou pelos ouvidos daquele ali. Valha-me Deus Nossa Senhora.
Ele entra pelos ouvidos e pela boca.
Eu não vou te ouvir.
Eu não vou te ouvir! Eu não vou te ouvir!
[Passos]
[Água]
Vossa Alteza continua tomando o chá de hipericão que lhe recomendei?
Sim, Castanheira.
Rufino não me deixa ficar um dia sem ele.
Mas eu não me sinto bem. Eu ando enjoado.
Eu vou lhe receitar um vomitório e esse enjoo deve desaparecer.
Mas se Vossa Alteza me permite, eu...
creio que seus nervos não estão trabalhando a favor da sua saúde.
O que queres tu, Castanheira?
Eu quase não tenho dormido,
até os caldos de galinha me fazem mal ao estômago.
Eu tenho uma decisão a tomar, Castanheira, e não posso errar.
Podes compreender isso?
Sim, Alteza, ainda mais se levarmos em consideração
as coincidências que o passado nos ensina.
Do que estás falando, homem?
Vossa Alteza sabe que não é a primeira vez que Portugal
se vê na iminência de ter que ceder ao inimigo da Inglaterra.
E toda vez que assim agimos...
Tivemos que amargar acontecimentos tristes, desastrosos.
Estás falando sobre o Tratado de Paz que assinamos com a França?
Ah, isso foi há 10 anos.
É verdade, Alteza, mas coincidiu com o mergulho da Rainha na demência
e nenhum médico, infelizmente, até hoje, conseguiu curá-la.
E se fosse só isso.
Não é só isso?
Perdoa-me, Dom João, se eu relembro fato tão doloroso à Vossa Alteza,
mas eu refiro-me à morte do seu filho, o Príncipe da Beira.
Por Deus, Castanheira, diga-me logo
o que tem a ver a morte de Francisco com os ingleses?
Nada de concreto. Apenas superstições do povo,
mas o que se diz por aí
é que o tratado assinado com a França e Espanha trouxe má sorte a Portugal.
E coincidiu com a morte do seu primogênito varão.
Eu sou homem da ciência, Alteza, mas eu não desprezo as forças ocultas.
E então, Araújo? Seu emissário enviado até Junot já retornou com notícias?
Sim, Dom Rodrigo.
Diga-nos, Araújo. Os portugueses terão clemência de Napoleão?
Infelizmente, não, Lorde Strangford.
Junot rejeitou nossas promessas de fidelidade à França,
exigiu a prisão de todos os cidadãos britânicos e o confisco de seus bens.
[Batida]
Maldito seja Napoleão.
Nós só estamos perdendo tempo.
Precisamos tirar Sua Alteza Real o mais rápido
e levar ao Brasil em segurança.
Será que não percebes isto?
Até quando lamberás as botas de Junot?
Acho que aqui está em jogo quais botas devemos lamber,
não é mesmo, Lorde Strangford?
E me parece evidente que na sua opinião e na de Dom Rodrigo
são as botas inglesas que devem ser lambidas.
Araújo, tu és um homem calmo e sensato.
Teus serviços prestados a Portugal são de mérito inegável.
Mas precisas olhar a situação com clareza.
Os ingleses são nossos amigos e os únicos que estão no nosso lado
na tentativa de manter a nossa monarquia.
Mesmo que pudéssemos atender a todas as exigências de Napoleão,
será que o Imperador nos daria anistia?
França e Espanha estão unidas num propósito claro:
tomar as terras portuguesas, derrubar a coroa e conquistar nossas colônias.
A estratégia de enganar Napoleão com promessas vãs
conseguiu retardar a capitulação de Portugal.
Mas a indecisão de Dom João pode arruinar os nossos planos.
Ou o senhor acha que o exército português
terá condições de resistir aos soldados franceses?
Nem sempre a solução está nas armas, Lorde Strangford.
Sou homem dos caminhos diplomáticos.
Às favas com a diplomacia!
Quando a espada de Junot estiver na sua garganta,
eu quero ver o que o senhor fará com seus salamaleques diplomáticos.
Calma, senhores.
Devemos passar serenidade à Sua Alteza.
Não convém que briguemos entre nós num momento tão delicado.
[Ruído de porta]
♪
♪
Sentem-se, senhores.
E então, como está a situação?
Tivemos algum avanço nas negociações com os franceses, Araújo?
Não, Dom João. Infelizmente, não.
Napoleão não acredita mais na conversão à causa francesa.
Alteza, nossos funcionários já despertam curiosidade entre o povo
ao movimentar tamanha carga pelas docas.
Temo uma rebelião que nos colocaria em situação ainda mais complicada.
E os nossos soldados?
Uma vez que tivermos embarcado, Vossa Alteza,
a segurança de todos passa a ser de responsabilidade da Inglaterra.
Napoleão não ousará nos enfrentar no mar.
Dom João, eu estive com Dona Carlota Joaquina.
Ela me disse claramente que não está de acordo
com a transferência da corte.
Da minha mulher cuido eu, Araújo.
Alteza, aqui está o decreto.
Basta a sua assinatura e tudo será preparada a contento.
Pelos cálculos que fizemos,
temos dois ou três dias até a chegada de Junot à Lisboa.
♪ Suspense ♪
♪ Suspense ♪
E se declarássemos uma guerra simulada à Grã-Bretanha?
Alteza, nesse momento ou mantemos as espadas totalmente embainhadas
ou totalmente desembainhadas.
Dom João, se a Família Real portuguesa se retirar para os Brasis,
Vossa Alteza poderá continuar governando
e, de lá, manter o comércio com nossas colônias.
♪
Senhor, senhor. Acorde, senhor.
O que aconteceu, Antonio?
Chegou a hora.
Depressa, por favor!
É hora de partir. Não há mais o que esperar.
Se cuida, Antonio.
♪
Rapaz, precisamos embarcar. Aqui estão as nossas credenciais.
O senhor tem sorte. Mais um pouco e ficaria em Portugal.
Mas aqui temos quatro autorizações.
Só estou vendo três pessoas.
Perdemos o nosso filho mais novo há poucos dias.
Ah, isso é uma lástima. Podem ir, depressa.
Por favor, depressa. Por favor. Depressa.
♪
[Gonçalves Ledo] E foi assim que um reles criado da Corte
conseguiu embarcar naquela viagem épica.
Uma viagem que iria mudar o destino de muita gente.
Inclusive o meu e o de Arrebita.
♪
♪
♪
♪
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