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Original subtitles

Golo! Marca a Universidade do Chile!

3 MESES DEPOIS 1984

Golo de Eveready!

Aos 42 minutos, com um passe de...

Olá.

Obrigado.

No chão, porra!

Olá, senhoras e senhores. Não tenham medo.

Se cooperarem connosco, isto não demorará muito tempo.

Bloqueie a estrada com o autocarro.

Vá, cabrão!

Segurem-se!

Vá, sai.

Vá, mexam-se.

Não tornem isto mais difícil.

Minha senhora, deixe-me ajudá-la.

Vamos lá.

Saiam daqui. Corram!

Saiam daqui! Saiam!

Como correu? Ouvi tiros. Estão todos bem?

Abre a porta!

- Conseguiram pendurar a faixa? - Menos conversa, camarada. Vai!

CHEGA DE TORTURAR PESSOAS FIM À DITADURA

Pelos poderes que me são conferidos pela Constituição,

decretei, a partir desta data,

estado de emergência em todo o país.

Esta resposta clara é a única forma de cumprir a nossa obrigação

de paz e segurança públicas.

VICTORY OR DEATH

BOMBAS DEIXAM MEIO CHILE ÀS ESCURAS

- Bareta. - Olá, Rosa.

Trouxeram a testemunha.

Está a morrer de medo.

Porquê?

Não sei.

Borram-se todos quando os trazem para cá.

- Isso é estranho. - Sim.

Tratamo-los tão bem.

Que cara é essa?

Porque está nervoso?

É a terceira vez que me trazem cá. Não sei que mais vos diga.

Roubaram uma carrinha cheia de dinamite.

Para que acha que a usaram?

Distribuem-na a pequenos mineiros. Não sei.

Disse que eles mencionaram o chefe e que não eram seus inimigos.

Sim, um deles disse-me que não devia proteger o dinheiro do patrão.

São comunistas. Não vê isso, idiota?

- Como havia de saber? - Cale-se, idiota!

Que se passa?

Alguém me explica porque não ligaram o gerador?

Porque está aí parado? Faça alguma coisa, cabrão!

Não vou passar um segundo às escuras por causa dos malditos comunistas!

Obrigado.

Já chega, idiota. Estou a perder a paciência. Fale.

E, agora que a eletricidade voltou,

será mais fácil fazê-lo falar.

Portanto, é melhor não mentir.

Ele era assim?

Sim, tinha barba e cara de maluco.

- Que confusão aquele autocarro criou. - Até deu na televisão.

CLUBE OROMPELLO VALPARAÍSO

Estavam desamparados.

Falaram na faixa?

Não, nada.

Mas houve um engarrafamento e os porcos não puderam fazer nada.

Continuo nervoso, camarada.

Tenho de ir, meninos. Vou-me embora.

- Mas porquê? - Porquê tão depressa?

O trânsito para Santiago fica péssimo.

- Não vamos comemorar? - Foi o teu batismo de fogo.

Tamara.

Tamara.

É o meu nome.

Porra, que lindo.

Fui eu que escolhi.

Não sejas atrevido. Eu é que escolhi.

Em homenagem a Tamara Bunke, a guerrilheira.

Ou em homenagem a Tania. Era o nome de guerrilha dela.

E Haydée, e Laura. Tantas vidas, tantos nomes.

Então, à Tamara.

À Tamara.

Saúde.

Saúde!

Olá.

A Cami está a dormir?

Sim.

Que pena.

- Olá. - Olá.

- Como correu o dia? - Bem. E o teu?

Bem.

Tive um dia difícil e quero comemorar.

Aconteceu algo?

Sim.

As coisas com o partido estão a correr bem.

As pessoas estão muito entusiasmadas.

Querem trazer mudanças, mudanças a sério.

Chegaste tão tarde por isso?

Valeu a pena.

Sim, imagino.

Que se passa?

Estou preocupado, Chichi.

Foste a uma reunião do partido em Valparaíso

e voltaste sozinha a esta hora.

Faltam dois minutos para o recolher.

Era muito importante.

Era muito importante.

- Promete-me uma coisa... - Vou ter cuidado.

CENTRO DE SANTIAGO

- És um idiota. - Não estavas alerta.

Chegaste cedo, meu.

Este sítio não é um pouco exposto, tão perto do La Moneda?

Parece cheio de agentes do CNI.

Melhor. Quanto mais exposto estiveres, menos te veem.

Se quiseres falar de trabalho, podemos ir ao escritório novo.

Arranjaram um?

- Sim, num bairro pretensioso. - Boa.

Um universitário muito entusiasmado arranjou-no-lo.

Está ansioso por fazer parte disto.

Os vizinhos não vão suspeitar?

Os ricos não se metem na vida dos vizinhos. É má educação.

Foi o que o Mario disse. E tem razão.

Mario.

É o nome dele?

Sim.

Devia conhecê-lo, sendo assim.

Como estão as coisas aqui?

Bem.

Tomaremos a rádio durante o jogo do Universidad Católica.

É quando o público aumenta. Estarão todos a ouvir.

A secretária é a chave para entrarmos.

- Bom dia. - Bom dia.

- Delicioso. Abacate? - Espera.

- A Cami já acordou? - Não.

Querida, estou um pouco preocupado.

Acho que estás a esforçar-te demasiado.

Estás a fazer muitas coisas ao mesmo tempo.

Queres ser mãe, professora, membro do partido...

- Toma. - Não é demasiado?

Acho que devias repensar a situação.

Sabes que, se eu fosse homem, nem teríamos esta conversa.

Não, não comeces com o feminismo. Estou a falar de nós, da nossa família.

De nós ou de ti?

Estou a zelar por ti, amor.

Tens razão.

Talvez me preocupe muito.

Mas é a minha vida e não vou vivê-la de outra maneira.

Tenho a certeza de que consigo, mas teremos de nos adaptar.

Ofereceram-me mais aulas em Valparaíso e não posso continuar a deslocar-me.

Por isso, vou arrendar uma casa lá.

O quê?

Não posso mudar-me, Chichi. Foi difícil arranjar emprego aqui.

Eu sei.

Podemos continuar as nossas carreiras. Tu ficas aqui e eu vou para lá.

Teremos de fazer esse sacrifício.

Mas, Chichi...

Não me faças abdicar do que quero por tua causa.

Não somos assim.

TERRORISTAS PEGAM FOGO A AUTOCARRO NO CENTRO DE VALPARAÍSO

MUSEU DE HISTÓRIA NATURAL

Bom trabalho em Valparaíso.

Tínhamos de nos destacar, certo?

O cenário é muito mais complexo do que eu imaginava.

Não temos muitos recursos.

A rede do partido está fraca.

Vamos devagar.

Vamos continuar com a missão da rádio.

Envolver o máximo de pessoas possível.

Ora bem, vamos falando.

Gosta de futebol?

Oiça o jogo do Católica.

Vai ficar surpreendido.

ESCONDERIJO DA FPMR

Podes ir.

Eles precisavam de um guarda-noturno,

então, estou cá há seis meses. É muito calmo.

É discreto, é grande. Montei ali um quarto.

Muito bem, camarada.

Que achas? É bom, não é?

Sim.

Cabe aqui toda a gente.

- A cozinha é aqui, certo? - Sim, aí.

Senhora, vou servir a comida, já que o Tomás não vem.

Obrigada, Dora.

Porquê? Que aconteceu ao comunista?

Pai!

Dora, podes vestir-lhe o pijama?

Anda, querida. Vamos vestir o pijama.

Aconteceu alguma coisa?

Estás grávida?

Não.

Queria contar-vos que vou mudar-me para Valparaíso.

- Ofereceram-me um cargo lá. - Que acha o Tomás?

Agrada-lhe a mudança?

O Tomás fica e eu vou com a Cami. Vemo-nos aos fins de semana.

Sinceramente, não sei se o Tomás é um santo ou um idiota.

Não entendo, querida.

Porque queres tanto ir para Valparaíso se tens um ótimo emprego aqui?

Aqui, sou apenas professora assistente. Lá, serei professora principal.

Sabem que é importante para mim.

Mas não é o mais importante.

Pai, ela vai para Valparaíso, não para a Gronelândia.

- Não te metas. - Parece que estás animada com Valparaíso.

Espero que não seja por outro comunista.

Não, é o meu trabalho.

E o meu envolvimento no partido, que também é lá.

- O Partido Comunista. - Pensa na tua filha.

Estou a pensar nela, mãe.

Espera, querida. Não entendo. Não gostas da tua casa?

Pergunto o mesmo.

Não gostas da tua família ou da vida que te demos?

Isto não é sobre ti. Ou sobre nós. É sobre o país.

Não gostarias de que a tua filha tivesse a vida que tiveste?

Exatamente.

Quero que todos tenham oportunidades, não só ela.

Isso é um disparate, Chichi. Meu Deus! Pior ainda, é egoísmo.

Chega, Lily. Vamos comer.

Escuta, Chichi.

Se te fores embora,

por favor, leva a Dora.

- Como é que levo a Dora? - Fá-lo por mim. Só até te instalares.

Assim, pelo menos sabemos que a menina fica bem.

Vi alguns rapazes.

Subiram a rua a correr,

entraram num carro e arrancaram depressa.

Como era o carro?

- Pequeno. - De que cor?

- Azul, azul-claro. - Azul ou azul-claro?

- Azul-claro. - De que marca?

Não sei.

Não, Chichita. Não traga mais coisas. Já não há espaço.

CASA EM VALPARAÍSO

Entre. Eu ajudo-a.

Não, são os meus livros da universidade. Vou guardá-los.

Olá, minha princesa.

Olá.

- Como estás? - Bem.

Ótimo!

- Vamos comer feijão? - Sim.

Que sorte.

Que se passa?

Não é nada. Anda tão misteriosa ultimamente.

E tu fazes muitas perguntas.

Talvez a minha mãe te tenha mandado espiar-me.

Nem pensar, claro que não.

Para com os mexericos.

Nas notícias nacionais, um ato emotivo durante a visita presidencial...

Velho de merda. Não o suporto.

Dora?

Achava que eras fascista.

Levaram o meu marido em 1973.

Uma vizinha denunciou-o.

Nunca mais soube dele.

Porque não me contaste?

- Não conte ao seu pai. - Não te preocupes.

É por isso que estou tão orgulhosa de si.

Tão orgulhosa.

Da forma como é.

Venha.

Anda cá.

Vai mantê-la segura.

Obrigada.

Está bem, tenente?

É tal qual o Baretta.

Só precisa de um papagaio aqui.

Não brinques comigo, Fanta.

Estou à procura dos tipos que pegaram fogo ao autocarro.

- Disseram-me que eram jovens. - Juventude Comunista, de certeza.

Onde se encontram?

Não sei, mas acho que em mais do que um sítio.

Isto não será de graça.

Que queres, idiota?

Sabe que mais, tenente?

Tenho um cão deste tamanho,

mas come como um alarve, e a ração é caríssima.

É um verdadeiro roubo.

Onde?

Na universidade.

UNIVERSIDADE DE PLAYA ANCHA

SOMOS A JUVENTUDE POPULAR QUE LUTA POR UMA NAÇÃO PARA O POVO

Ouve, Lobito. Vão mandar-me para Santiago,

como chefe de divisão.

Tu ficas aqui com muita gente sob o teu comando.

- Entendido? - Não vais aos jogos?

- Não podemos ganhar... - Ouve.

Chegou o Fittipaldi.

O chefe mandou os seus parabéns.

O Ignacio?

Não, o verdadeiro chefe.

O comandante Rodrigo.

E por isso é que fomos convocados.

Temos de ir a Santiago durante três dias. Pode ser?

- Claro. De que se trata? - Dizem-nos lá.

O vosso pedido.

Boa. Vamos ver.

Carregada.

Os adeptos aguardam ansiosamente pelo jogo da única equipa chilena

que ainda disputa a Taça Libertadores.

O Universidad Católica enfrentará o Independiente de Avellaneda...

- Ainda aqui estás? - Coronel.

Estava a terminar umas coisas.

Também tenho coisas por terminar, mas não aqui.

No Confetti?

Podia convidar-me, um dia.

És muito jovem. Comiam-te vivo.

Não me parece. Talvez se surpreenda.

Não sejas tão ousado, idiota.

Traz-me um daqueles idiotas que andam a plantar bombas

e talvez possamos falar do Confetti.

Talvez.

- Entra. - Com licença.

Boa tarde, camaradas.

Bem-vinda.

Estávamos à tua espera.

- Sou a última? - O comandante Rodrigo ainda não chegou.

Vem a caminho.

- Alguém sabe de alguma coisa? - Nem sabia que ele vinha.

Boa tarde.

Obrigado a todos por terem vindo.

Agradeço o vosso compromisso e o desejo de lutar.

A nossa próxima missão é sobre propaganda.

É importante manter estas operações o mais limpas possível.

Significa que não procuramos confronto.

Desculpe, comandante, mas, se encontrar um porco, abato-o.

Ora bem, camaradas, vamos concentrar-nos.

O CNI é diferente.

Agora, trabalhamos com civis. Por isso, o planeamento é fundamental.

E a ordem também, para evitarmos surpresas.

- Certo. - Sabemos todos disparar, certo?

Claro.

- Sim. - Eu não.

- Como se chama, camarada? - Tamara.

Mas eu aprendo, comandante.

Bom dia. Sou o tenente Fuente. Procuro o Sr. Hugo Magni.

Como posso ajudar?

Estou à procura de um carro. É um Fiat.

Azul-claro. Matrícula OPS4...

431. O carro é meu. Qual é o problema?

Queria saber se esteve em Valparaíso ultimamente.

Pode estar relacionado com um ataque terrorista.

Que estranho.

Não sei. Esse carro foi roubado há cerca de um mês. Talvez mais.

Fez queixa? Preciso de ver a papelada.

Claro. Veja.

Ali está a queixa.

Diga-me uma coisa.

Pareço-lhe comunista?

Jovem, já fizemos a nossa parte.

Agora, é a vossa vez de acabar com esses desgraçados e limpar este país.

- Estamos a tentar. - É o que esperamos de vocês.

Obrigado.

Feche o portão ao sair, por favor.

Sentes-te segura com isso?

Sim.

Estou habituada a ver armas.

O meu pai tem espingardas de caça no campo.

Mas não levava as mulheres à caça.

- Que caçavam no campo? - Coelhos.

Coelhos.

E usavam-nos para alimentar os inquilinos?

Que piada.

Estou surpreendido por ter uma latifundiária na Frente.

Não sou latifundiária.

Quero dizer, a minha família tem dinheiro. Os meus pais.

Tudo bem. Não precisas de explicar.

Quanto menos soubermos uns sobre os outros, melhor.

São as regras.

Vamos trabalhar, então.

Estavas à minha espera, giraço?

Sim.

- Está na hora. - Vamos.

- Olá. - Olá.

- Olá. - Vim para o concurso.

- Vou já. - Obrigada.

- Veio muita gente hoje. Boa sorte! - Espero que sim!

- Pronto. - Aqui tem.

Obrigada. Entre.

- Siga-me. - Quieta!

Pare! Largue-a!

Quieto.

- Vamos. - Vão.

- Mexe-te. - Levanta-te.

- Sobe. - Mexe-te.

Passa pela direita, para o centro do campo.

Passe longo. Golo!

Não valem nada. Esta merda de equipa só me faz sofrer.

Vão dar cabo da tua equipa.

Queres apostar? Aposto 500.

Quinhentos? Não sejas sovina.

- Mil. - Dois mil.

Vou apostar 3000.

E tu, Bareta?

Aí têm, falhados.

Quantas equipas chilenas chegaram a esta fase?

Gostas do Católica, Bareta? Calma.

És um oportunista, até nisso.

Não, é de família. A minha mãe é adepta do Católica.

Duplico a tua aposta, meu.

Mas, se a tua equipa perder, que é o mais provável,

pagas-nos uma bebida hoje à noite.

Está bem?

Olhem para o segundo poste! O guarda-redes move-se com rapidez e elegância.

Tem a bola. Sergio.

Isso mesmo, querido Julio, ainda nenhuma equipa encontrou o ritmo.

No chão, cabrões!

Este é o quarto canto...

Dizes uma palavra e dou-te um tiro.

Que aconteceu?

Estamos no ar?

Atenção, povo do Chile.

A Frente Patriótica Manuel Rodríguez fala à nação.

Irmãos, os chilenos estão a perder a paciência.

Quem é que eles pensam que são?

Até quando devemos aguentar a miséria que nos infligem?

Até quando devemos aguentar a fome, o desemprego e a pobreza?

Tantos crimes cometidos pelo sinistro CNI?

Tanta perseguição e abuso?

Porque estão ainda aqui? Vão à rádio e tragam-me aqueles cabrões!

Depressa!

Devemos viver assim para sempre?

A Frente Patriótica e todo o país estão convencidos

de que está na hora de acabar com este regime de fome, miséria e terror.

Não podemos esperar mais.

Chegou a hora de dizer basta

e todos os chilenos, sem distinções,

devem travar juntos a batalha que esta situação exige.

Lutaremos até conseguirmos a liberdade. Fora, Pinochet!

Ainda temos uma pátria!

Quanto tempo devo esperar por ti?

O retrato dos sequestradores da rádio.

Só dois?

Os outros tinham a cara tapada.

- Uma mulher? - Sim.

Dizem que é a chefe.

Imagina.

Como correu a viagem?

Bem.

- Como estão os pais? - Adivinha.

A mãe implorou que te convencesse a voltar para casa.

Menina, vá lavar as mãos.

Nunca desiste.

E o pai está preocupado, como sempre.

Aliás, no outro dia,

um polícia foi lá a casa perguntar pelo teu carro.

Que andas a fazer, Chichi?

A Chichita anda muito ocupada e esquece-se das coisas.

Estaciona o carro em qualquer lado e esquece-se.

Não sabe onde estacionou. Deve ter montes de multas.

- Claro. - Está cansada, olhe para ela.

- Perfeito. Centrado com a toalha. - Aqui?

E se trouxermos mais pessoas?

- Também entram no vídeo? - Sim.

Não, já chega.

Com a vossa presença e a espingarda, chega muito bem.

O poder de uma imagem.

Isto acaba agora, malditos porcos.

- Como vão os preparativos? - Camarada. Por favor.

- Bem. - Pomos música por cima?

Isso iria distraí-los. Vamos manter a mensagem clara.

Muito bem. Prestem atenção.

Oiçam o que escrevi.

Vamos ouvir.

"Hoje, depois de mais de uma década de ditadura,

"a maioria dos chilenos quer que Pinochet saia de uma vez por todas."

- Eu disse que tinha pressa. - Também queria passear o cão.

Queria apresentar-lhe o Lenny.

Para ver que não estou a mentir quando digo que é um cão pequeno.

Ora bem, presta atenção.

Conhece-lo?

É difícil saber, com esses desenhos.

É jovem, certo? É impressão minha ou este tipo é jovem?

As testemunhas disseram que eram jovens.

Já chega. Senta. Não!

- Ele tem fome. - Não tenho mais dinheiro.

Não me interprete mal, tenente.

Não quero dinheiro.

Quero que me apresente ao seu chefe, para poder trabalhar com ele.

Achas que te dão uma arma e um distintivo?

Talvez deem, se entregar este tipo com a minha ajuda.

Em Orompello, há um monte de gajos que joga futebol.

O guarda-redes é parecido com ele.

Anda, Salomón!

Anda.

Anda, Salomón!

Ali.

CENTRO NACIONAL DE INFORMAÇÃO

Não há notícias aqui, general.

Boa noite, Castilla.

Boa noite, general.

Espero que seja importante.

Recebemos esta mensagem de vídeo.

Faça favor.

Hoje, depois de mais de uma década de ditadura,

a maioria dos chilenos quer que Pinochet saia de uma vez por todas.

Gostam de nos chamar terroristas,

mas, no Chile, o único terrorista chama-se Pinochet.

São os únicos que aterrorizam as pessoas

para as impedir de lutar pelos seus direitos.

Não somos um partido político.

Somos homens, mulheres e jovens

que se uniram para formar a Frente Patriótica Manuel Rodríguez,

para lutar na linha da frente contra o regime.

Estamos aqui e agora para dizer chega.

Chega de Pinochet.

Andas a sair com alguém?

Não!

Estamos à espera de alguém?

Estou com a minha irmã.

Com licença.

Podemos falar?

Sim.

Apanharam o Salomón.

- Que aconteceu? - Foi apanhado pelo CNI.

Identificaram o meu carro.

Foram à casa dos meus pais.

Tens de desaparecer já.

Entendes o que tens de fazer?

Desaparecer.

Leva o meu carro.

Tem cuidado, Tamara.

A mamã tem de ir viajar, querida.

Tu vais com a tia Pipa ver o papá.

Não sei quando voltarei a ver-te.

Espero que um dia percebas.

Amo-te muito.

- Tenho de me ir embora. - Chichi.

Leva a Dora e a Cami para Santiago, o Tomás trata de tudo.

Espera, Chichi. Que se passa? Não percebo.

Faço parte da Frente Patriótica Manuel Rodríguez.

O CNI anda à nossa procura e tenho de desaparecer.

- Por quanto tempo? - Não sei.

Tomem conta da Camila.

Se eu não sobreviver, falem-lhe bem de mim.

- Chichi. - Mas, Chichi...

Legendas: Nadine Gil

Supervisão Criativa Hernâni Azenha

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