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ESTE PROGRAMA CONT�M CENAS FORTES
PODEM N�O SER ADEQUADAS A ALGUNS ESPECTADORES.
Eu trabalhava � noite na delegacia
um dos investigadores da divis�o de crimes graves
me perguntou se eu estava ocupada.
Meu nome � Elizabeth Cornett.
POLICIAL NOVATA
Eu era policial no Condado de Montgomery.
O investigador disse:
"N�s vamos prender Hadden Clark,
queremos a sua ajuda no interrogat�rio."
Eu fui pega de surpresa.
Tentamos definir uma estrat�gia,
de como lidar com ele.
O Tenente Teman pediu pra duas investigadoras
irem em casa colocar
um vestido mais provocativo,
uma roupa mais sensual
para chamar a aten��o dele.
Era uma oportunidade
para tirar o meu uniforme e colocar roupas boas,
me vestir bem.
Me senti muito adequada,
n�o quero que pare�a que eu estava:
"Me acharam bonita."
N�o era isso, certo?
Mas eu vou perguntar mesmo assim, voc� se achava bonita?
Eu jamais responderia essa pergunta.
Eu me achava maravilhosa... n�o.
Me achava preparada para fazer o que o FBI me pediu.
E s�.
DO PRODUTOR EXECUTIVO
COM INVESTIGA��O DISCOVERY
Esse � o assassino em s�rie.
UMA HIST�RIA VERDADEIRA SINISTRA...
Acho que ele � maluco.
Ele acreditou mesmo que eu era Jesus.
UMA FAM�LIA DE ASSASSINOS EM S�RIE
QUE VOC� NUNCA OUVIU FALAR.
Perguntei: "Por que fez aquilo com aquelas pessoas?"
Ele disse: "Eu vi meu pai fazendo."
Ele � o mal na sua ess�ncia.
N�s t�nhamos que derrub�-lo.
Vamos para pena de morte.
O MAL NA SUA ESS�NCIA: "A HIST�RIA DE HADDEN CLARK"
N�s nunca vimos nenhum remorso por Laura nem Michele.
DESAPARECIDAS
Antes de entrar,
o procurador e o nosso Capit�o,
EX-INVESTIGADOR DA POL�CIA DE MONTGOMERY
falaram comigo e com o Ed Tarney e disseram:
"Fa�am ele falar.
N�o importa se violarmos os direitos dele.
Fa�am o que for preciso. Ele tem que falar.
Precisamos encontrar o corpo."
E depois nos colocaram na sala com ele,
enquanto os investigadores assistiam,
monitoravam e gravavam tudo.
Pergunte o que quiser que eu respondo.
Posso falar com meu advogado?
Ele pesa no m�ximo 65 quilos,
� meio afeminado.
Por isso achamos que se acontecesse alguma coisa,
conseguir�amos nos defender.
Hadden, a Penny esest� ajudando voc�?
- Quero o meu advogado. - Est� bem.
Naquela noite, ele pediu o advogado.
- Quero o meu advogado. - Voc� vai ter o seu advogado.
Muitas vezes.
- Hadden... - Quero o meu advogado.
N�o quer levantar e esticar um pouco as pernas?
Quero o meu advogado.
Ele pediu um advogado acho que umas 200 vezes.
Esest� pensando em pagar a sua amiga, Penny...
Quero o meu advogado.
Quero o meu advogado. Quero o meu advogado.
Quero o meu advogado.
- Eu vou perguntar uma coisa... - Voc� gosta de homem ou mulher?
E continuamos negando.
Deus est� falando com voc�?
Deus est� falando comigo.
Aposto que ele disse para voc� ajudar.
Ele me disse para falar com meu advogado.
Ignoramos os pedidos pelo advogado.
Sab�amos que se ele dissesse alguma coisa que o incriminasse,
n�o poder�amos usar no tribunal.
Mas se ele nos desse alguma dica de onde estava a Laura,
teria valido a pena.
Escuta aqui.
N�s sabemos o que fez com ela.
Ajude a encontrar ela.
Me ajuda a encontrar ela.
J� lidei com muitos criminosos
e muita gente com o passado interessante.
Hadden?
Ali observando o comportamento dele,
eu imaginei a cabe�a dele dando voltas.
Ele est� possu�do?
Por que ele n�o fala, o que ele est� pensando?
Ele era assustador.
N�o era uma pessoa com quem eu gostaria de ficar...
sozinha em qualquer lugar.
E eles me deram um ursinho.
E aquele ursinho estava com um biqu�ni id�ntico
ao que Michele Dorr usava.
E me disseram: "Leva esse ursinho.
N�o deixe ele encostar nele,
quero que segure ele no seu colo,
mexa os bracinhos dele, quero ver a rea��o que ele vai ter."
Os olhos dele arregalaram e ele sorriu de orelha a orelha,
e ficou com um sorrisinho.
E foi naquele momento que percebi que ele n�o ia falar nada.
Quer chorar?
Quer colocar as l�grimas para fora?
Chorar por qu�?
Pelo que fez com a Laura.
Trocavamos de investigador toda hora
para ter sempre uma pessoa diferente l� dentro.
N�o encosta nele, n�o coma a casca, vai passar mal.
ENGANA-L�S
Foi assim que comeu a Laura?
Cortou em pedacinhos at� ela sangrar, provou o sangue?
Tinha um gosto bom, n�o conseguiu parar, e bebeu mais sangue?
Comeu mais peda�os do corpo?
Voc� tem um grande problema.
Anda por a� comendo carne humana.
Sabia que o Jeffrey Dahmer pegou...
quanto tempo ele pegou? Perp�tua?
Ele pegou perp�tua.
O problema do Jeffrey Dahmer � que ele foi pego
com todos aqueles corpos dentro do apartamento.
Ele tirou o cora��o e o f�gado de todos e colocou no freezer.
Jeffrey Dahmer � parecido com voc�.
Ele matou v�rias pessoas.
N�o sei se... voc� chegou a comer a carne delas.
Deve ter comido alguma parte.
Provou carne humana?
Voc� come carne?
Carne humana?
Sempre que pergunt�vamos sobre Laura Houghteling,
ou algo espec�fico, ele apenas sorria.
Foi isso que fez com ela?
Est� admitindo, j� que n�o negou?
E n�o foi um sorriso admitindo o que ele fez.
Foi s� um sorriso.
Ele apenas sorriu.
Era dif�cil entender o motivo.
N�s interrogamos Hadden Clark por cerca de tr�s horas e meia.
Quer�amos encontrar aquele gatilho
que fizesse ele se abrir e come�ar a falar.
Hadden, que tipo de sexo voc� gosta? De sexo oral?
Na balada voc� tenta pegar mulheres ou prefere sair com homens?
O que prefere?
Se marc�ssemos um encontro voc� ia se vestir de mulher?
Usaria uma calcinha?
Eu sabia que o Hadden Clark gostava de lingeries,
ent�o coloquei uma an�gua Christian Dior de seda
bem bonita
e cheia de detalhes.
Eu me senti confiante.
Fui bem feminina, me vesti de forma provocante,
porque achei que se eles queriam duas policiais l� dentro,
duas mulheres com um visual mais feminino,
eu e a Paula pod�amos fazer aquilo.
Achei minha apar�ncia profissional.
Acredito que representei bem as mulheres.
Levantei um pouco a saia
e mostrei a minha an�gua.
Os olhos dele cresceram.
Voc� gosta dessas coisas?
E ele ficou com olhar fixo nela.
Hadden?
N�o gosta que sentem perto de voc�?
Ele n�o tinha interesse em mulheres.
Nada.
Nossa ideia era
de que ele tinha interesse e por isso tinha levado a Laura.
Mas parece que esse n�o foi o motivo.
Tira o casaco.
Vai pra l� e senta!
Senta nessa maldita cadeira e fica sentado.
Se comporta como um homem,
pare de agir como um moleque.
E depois de esgotar todas as alternativas,
eu e o Richard entramos e tentamos.
Pra come�ar,
voc� est� sendo acusado de homic�dio.
Tem que encostar em mim? Me bater?
N�o estou batendo em voc�, s� estou...
gosto de ser amig�vel, certo?
Ele n�o gostava de ser tocado.
Sobre o que aconteceu com voc� na marinha...
Me aproximei e passei meu dedo no bra�o dele.
Ele se encolheu todo e comecei a fazer c�cegas nele.
Sabe?
Aquilo realmente mexeu com a cabe�a dele.
- Por que n�o senta l�? - N�o, fala s�rio! Vem c�.
- Derramou um pouco. Quando... - Posso sentar l�?
N�o, n�s vamos ficar juntos.
- Posso sentar l�? - Vamos ser amigos.
Assim est� bom.
Olha, amigo.
Queria irritar ele at� ele dizer alguma coisa,
"Tudo bem, vou falar!" Qualquer coisa.
Olha, que cinto bonito.
Pois �, gostei do cinto.
O que est� usando por baixo, uma calcinha?
Ele est� usando calcinha.
N�o tenho a menor d�vida.
Meu pai!
Calcinha chique!
A din�mica foi bem interessante,
a forma como tentaram fazer ele falar.
Ningu�m vai te criticar.
Todo mundo sabe que voc� tem um problema psicol�gico.
Sabe, voc� � doente.
�, voc� � doente.
Se eu provar que matou essa menina,
voc� vai para cadeira el�trica.
Se eu provar que voc� � s�o, certo?
Sabia que dois assassinatos tornam voc� um assassino em s�rie?
Vai pra cadeira el�trica, se voc� for s�o.
Se for insano,
vai pra um hospital psiqui�trico.
Acho que voc� escuta vozes na sua cabe�a.
Escuta muitas vozes?
Tem algu�m a� dentro mandando fazer coisas?
Essa outra pessoa se veste diferente de voc�?
N�s tentamos v�rias coisas pra ele se abrir.
Quer�amos vencer pelo cansa�o.
Quer que eu te conte outra coisa?
Outro segredinho que sabemos e voc� n�o sabe?
Tinha uma mo�a na esquina da casa da Penny
que viu voc�...
vestido...
de mulher.
De sobretudo, com o seu sobretudo.
Quem � aquela mulher que saiu da casa?
O nome dela � Hayden?
Pensa no nome dela, Hayden.
Senta. Calminha.
Aquela pessoa levou Laura pra algum lugar?
N�o era a Hayden,
era algu�m dentro dela.
Ela entrou na casa � noite?
Entrou pela porta e foi escondida at� o quarto com uma faca?
Foi isso?
Subiu l� com uma faca?
E a Laura estava l� dentro dormindo,
ela era linda.
E aquela pessoa subiu na cama da Laura,
foi pra cima dela e come�ou a sufoc�-la,
pegou um travesseiro e colocou no rosto da Laura?
Pegou uma faca e come�ou a cortar,
cortar a carne.
Que coisa horr�vel.
Uma coisa horr�vel de se pensar,
mas temos que tirar isso de voc�.
� o �nico jeito.
Acho que est� quase saindo.
P�e pra fora.
O que aquela pessoa fez com a Laura?
O que acha, Hayden?
Como est� se sentindo?
Eu estou p�ssimo.
Sab�amos que qualquer coisa que ele dissesse
n�o poderia ser usada contra ele no julgamento,
mas quer�amos que ele confirmasse a morte da Laura.
Ent�o usamos a justificativa moral e seguimos firme.
Vamos voltar ao que interessa.
Vamos, Hayden.
Hayden, colabora, coloca pra fora, amigo.
P�e pra fora.
Vamos, Hayden.
Desabafa.
Tem algu�m a� dentro querendo sair.
N�o estou de joguinho com voc�.
Eu te mato, entendeu?
Nunca mais fa�a isso.
Vamos, coloca pra fora.
Fomos criticados por isso.
Mas, sabe, fazer o qu�?
Achamos que ele j� estava cedendo,
mas ele era mais esperto do que imaginavamos.
Ele sabia o que estavamos fazendo e n�o ia dizer uma palavra.
Ent�o...
Aqui o seu refrigerante.
Toma o seu refrigerante e vamos embora.
Por fim, como n�o ia dar em nada,
mandamos ele pro centro de deten��o.
Ele n�o � burro.
� s� manipulador.
Dois dias depois de prender o Hadden Clark,
eu estava na minha mesa e o telefone tocou.
Atendi e me avisaram
que a m�e do Hadden estava na recep��o.
"Ai, n�o.
Ele contou a ela que fomos agressivos e tudo mais.
E agora vamos escutar aquela ladainha.
Tudo bem, manda entrar."
Era uma senhora,
devia ter mais de setenta anos.
Ela entrou na sala de depoimentos.
N�s sentamos com ela,
esperando aquela bronca.
Mas ela nos olhou e disse:
"Fa�o tudo que estiver ao meu alcance
pra deixarem ele preso.
Ele tentou me matar v�rias vezes e
morro de medo dele."
Sua m�e disse pra pol�cia que voc� tentou matar ela.
� verdade?
� mentira.
Na verdade,
quando minha m�e se separou do meu pai,
foi porque ele pegou ela na cama com outra mulher.
Depois ela nos contou o que tinha acontecido com o Bradfield.
Brad era meu irm�o mais velho.
Ele nasceu em 1950.
Hadden nasceu em 1952,
eu nasci em 1955.
Ele era extremamente inteligente.
Quero ajudar eles a entender por que coisas ruins acontecem.
Coisas ruins. Sei.
Justo voc� quer entender por que coisas ruins acontecem?
N�o, coisas ruins aconteceram comigo.
O qu�?
Voc� vai me contar?
N�o contei pra voc� que tenho dois irm�os presos por homic�dio?
A patrulha da meia-noite
� um dos melhores turnos para policiais jovens.
� quando os bandidos est�o na rua.
POLICIAL DE LOS GATOS
Meu nome � Tim Morgan.
Comecei como policial volunt�rio em Los Gatos em 1979.
Soubemos que Union City procurava uma pessoa desaparecida
que tinha sa�do para encontrar algu�m.
Ela nunca chegou.
O nome dela era Patr�cia Mak.
Em torno de seis e quinze da manh�,
recebi um chamado pelo r�dio para verificar o n�mero 135
na Riviera Drive,
apartamento 241.
Era uma tentativa de suic�dio.
Chegando l�,
tive a impress�o de ouvir algu�m dizer: "Entra",
e a porta tava destrancada.
Vi uma grande quantidade do que parecia ser sangue.
Pude ver a v�tima dessa tentativa de suic�dio.
Havia cortes nos punhos,
no pesco�o e
tinha uma faca.
Ele se esfaqueou no est�mago, perto do umbigo.
Disse que seu nome era Bradfield Clark.
Os param�dicos chegaram e iniciaram os primeiros socorros nele.
Entrei na cozinha,
o outro policial chegou,
e ele apontou para um cart�o da delegacia de Union City
na bancada da cozinha.
Sab�amos que eles procuravam uma mulher desaparecida
que tinha ido pra Los Gatos.
Quando perguntei para ele onde ela estava,
ele respondeu:
"Ela est� na mala do meu carro."
que era um Datsun vermelho com placa de Massachusetts.
E o investigador Yorks foi at� o carro.
Meu nome � Michael Yorks.
Eu era investigador de homic�dios
na Cidade de Los Gatos em 1984.
Fomos juntos at� o carro.
Vi sangue seco no para-choque.
Na mala do carro n�s tinham dois sacos de lixo pretos.
Um dos policiais olhou e falou: "Caramba, ela foi desmembrada."
Havia bra�os e pernas dentro dos sacos.
Vimos uma caixa de isopor.
Levantamos a tampa e l� estavam os olhos dela.
Bem azuis.
Olhando pra mim.
Visitamos o Hadden uma vez,
ele tinha salsichas penduradas no teto,
disse que estava curando a carne e deixava assim por semanas.
Ele pendurou um f�gado na janela.
Formou uma penugem.
Era nojento.
Depois ele pegava e comia.
Tudo que ele fazia era nojento.
Ele nem se acanhou em dizer que comeu carne humana.
Depois descobrimos o caso do Brad.
Quando os param�dicos tiravam o Brad do apartamento, perguntei:
"Como conheceu a Patr�cia?"
Ele disse que foi na Tymshare,
a Patr�cia trabalhava l�.
Era uma empresa de tecnologia em Cupertino.
Ele era considerado um nerd da inform�tica.
Ele ia sair da empresa.
Ele disse para Patr�cia que ia voltar pra costa leste e perguntou:
"Voc� e seu marido n�o querem jantar l� em casa?"
O marido n�o p�de ir por algum motivo.
Pelo que sei, eles tiveram um caso no passado.
Acho que o Brad queria reviver o momento.
Eles beberam um pouco e o Brad come�ou a dar em cima da Patr�cia.
Meu irm�o convidou a garota para jantar,
mas ela n�o sabia que ela era o jantar.
E ele fez coment�rios obscenos que irritaram a Patr�cia.
Ele disse: "Eu revidei o tapa.
Ela tentou me dar um soco.
Dei um soco no peito dela de punho cerrado.
Ela come�ou a gritar."
Ent�o ele apertou o pesco�o dela,
at� ela parar de se mexer.
Ele arrastou ela para o banheiro, precisava se livrar do corpo.
Foi quando decidiu desmembr�-la.
Eu sei que n�o d� para cortar ossos com uma faca.
Eu perguntei: "Como voc� cortou?"
E ele disse: "Voc� nunca desossou um cervo?
N�o se corta o osso, separamos as articula��es."
E disse: "Eu cortava um pouco e depois torcia.
Cortava mais e seguia torcendo at� chegar nos tend�es e soltar."
E ele deu um risinho, ele riu.
Fez uma cara de:
"Voc� n�o sabia?"
Ele levou o corpo para dentro do arm�rio.
Eu soube que o marido registrou o desaparecimento, no dia seguinte.
Os policiais de Union City foram l�.
Eles procuraram por ela no apartamento.
Ela estava, mas n�o encontraram.
Estava dentro do arm�rio.
Mas que policial iria imaginar...
que ela estava desmembrada dentro do arm�rio?
Eu nunca teria pensado nisso. Jamais!
E depois da visita da pol�cia de Union City,
deixaram um cart�o de visita caso ele tivesse not�cias dela.
Acho que n�o foi uma tentativa de suic�dio de verdade.
Ele � muito meticuloso, sabia exatamente onde cortar.
Ele cortou o pesco�o,
mas n�o foi muito fundo, n�o pegou as art�rias,
e quando cortou os pulsos,
foi bem superficial n�o pegou as art�rias.
Ele n�o queria se matar.
Ele sabia que seria pego quando os policiais de Union City foram l�.
Acho que foi para...
provocar simpatia e mostrar que n�o suportaria viver com aquele peso.
Ele tentou passar isso para as pessoas.
Na minha opini�o, ele n�o se arrependeu.
A aut�psia foi feita pelo legista,
e um dos investigadores disse que faltava um dos mamilos da v�tima.
Descobriram que faltava um mamilo.
Havia marca de mordida no peito,
exatamente onde foi tirado o mamilo.
ENCONTRADO CORPO FEMININO DESMEMBRADO
Brad contou mais tarde que...
mordeu Patr�cia na mama,
enquanto desmembrava o cad�ver,
precisou retirar aquela parte da mama
para n�o ser identificado pela mordida.
Procuramos o mamilo.
Mas n�o o encontramos.
Aquele mamilo nunca foi encontrado.
Mas o que ele fez com ele?
Onde foi parar?
N�o estava nos sacos de lixo.
N�o sabemos o que aconteceu.
Ele nunca contou onde jogou o mamilo.
Conclu�mos que ele comeu.
Meu irm�o, Brad, era um assassino em s�rie.
Contei isso na carta que mandei.
Minha m�e disse que o Brad foi condenado por um homic�dio,
obviamente cometeu muitos outros.
Voc� diria que o Brad � mau?
N�o diria que ele � mau, mas era usu�rio de drogas.
Voc� disse que sua m�e contou
que o Brad feriu muitas pessoas.
S� sei de um assassinato cometido pelo Brad,
que � o que ele est� pagando agora...
mas minha m�e disse que ele cometeu outros.
Quando as pessoas bebem,
dizem muitas coisas que n�o se lembram.
Ela disse que ele matou outros... como ela sabe disso?
Olha, eu n�o sei.
Ela tinha coisas no s�t�o.
O Brad guardava muitas coisas no s�t�o dela.
Fui procurar uma coisa l� em cima,
encontrei algumas caixas e minha m�e disse:
"N�o mexe nessas caixas, s�o do Brad."
Fora da caixa estava escrito: "Trof�us."
Trof�us, ele j� praticou esportes?
Que tipo de trof�us ele teria?
Brad j� praticou algum esporte?
Olha, isso eu n�o sei dizer.
Muita gente... quando...
quando resolve matar algu�m, guarda um trof�u.
Isso � o que dizem.
Como assim, quem mata guarda um trof�u?
Me explica isso.
Aparece na TV o tempo todo.
- O qu�? - Dizem que eles guardam...
uma pe�a de roupa ou coisa parecida,
um objeto da v�tima,
uma lembran�a dela.
Por qu�?
Por que uma pessoa ao matar outra guarda trof�us?
N�o sei por que ele guardava aquelas coisas.
Sei l�.
Eu nunca guardei, ent�o n�o sei.
Por que voc� nunca guardou?
Por que n�o, eu nunca guardei.
Mas aparece na TV o tempo todo.
Voc� sabe do que eu estou falando.
Ele me disse que enterrou um balde em Massachusetts.
Contou que todas as lembran�as est�o naquele balde.
IND�CIOS
Acho que vale a pena procurar esse balde.
MULHER DESMEMBRADA
Nunca encontramos o mamilo.
N�o sabemos o que aconteceu.
Dizem que foi comido.
Eu li que ele matou ela,
cortou as mamas,
colocou na churrasqueira,
junto com outras partes do corpo e comeu.
Quem comete esse tipo de crime,
� a forma mais extrema de possuir algu�m, o canibalismo.
Existe alguma prova concreta? N�o.
N�o aspiramos o est�mago dele, mas � uma possibilidade.
Ele � um mulherengo,
aquele poder, a manipula��o, o controle.
Acredito que isso � a parte do que ele procurava.
N�o � comum matar uma pessoa e desmembr�-la.
Achei que talvez ele tivesse cometido outros homic�dios.
E investiguei mais.
Bradfield Clark era funcion�rio de uma empresa em Cupertino,
viajava pelo pa�s dando treinamentos.
Entrei em contato com as prefeituras,
com as delegacias desses lugares,
perguntando se havia homic�dios com pessoas cortadas aos peda�os.
E descobri que havia outras seis v�timas pelo pa�s,
casos que nunca foram solucionados.
O DNA n�o era muito difundido na �poca,
e eles n�o tinham nada para lig�-lo aos outros homic�dios.
Ent�o tentei interrogar o Brad.
Os advogados dele estavam presentes e assim que perguntei:
"Voc� cometeu outros homic�dios?"
Ele usou o direito de n�o falar.
Nunca obtive nenhuma informa��o com Bradfield Clark.
Ele pode ter cometido outros homic�dios al�m da Patr�cia Mak.
Brad se declarou culpado de homic�dio doloso,
foi sentenciado de 15 anos � perp�tua.
Mais tr�s anos pela mutila��o do corpo.
MULHER TEM CORPO DESMEMBRADO
Na minha carreira, n�o lembro de nenhuma fam�lia
em que irm�os cometeram homic�dios completamente distintos.
�s vezes tem um caso em que dois irm�os cometem um �nico homic�dio.
Mas ter um irm�o na costa oeste
cometendo crimes no estilo Hannibal Lecter...
Sabe quem foi Jeffrey Dahmer?
Fala s�rio, qual � o seu filme preferido?
O Sil�ncio dos Inocentes?
E outro na costa leste cometendo ao menos dois homic�dios,
tem alguma coisa anormal acontecendo nessa fam�lia.
Quando soube do Brad, eu pensei:
"Qual � o problema dessa fam�lia?"
N�o importa se descendem de peregrinos do Mayflower
ou seja l� de onde eles vieram,
essa hist�ria dos crimes dele e do irm�o...
acho que o Geoffrey � o �nico normal entre os irm�os.
Quer um franguinho?
Vamos jantar?
�timo, aqui est�.
Tenho o privil�gio de morar com meus tr�s cachorros.
Aben�oe nossa refei��o.
Maravilha.
Muito bem, isso! Bonzinho.
Embora eles n�o sejam oficialmente c�es de apoio,
os tr�s s�o os meus c�es de apoio...
IRM�O MAIS NOVO
tenho certeza que sem eles eu n�o estaria mais aqui.
A rea��o inicial diante da realidade dos meus irm�os,
e da situa��o em que me encontro,
� me esconder.
Esconder.
Percebi que isso n�o funciona.
N�o escondo o fato de que tenho um passado horr�vel
que preciso enfrentar.
Foi muito claro desde novo de que tinha alguma coisa
muito errada com o Hadden
e a percep��o que ele tem do mundo.
O parto dele n�o foi feito de forma adequada.
O procedimento padr�o na �poca era usar f�rceps.
Ent�o eles enfiaram e prenderam a cabe�a dele
com o f�rceps e puxaram pra fora.
Foi uma coisa ou outra,
seja pela falta de oxig�nio no c�rebro no parto,
ou o pr�prio dano f�sico
causado pelo pin�amento da cabe�a
para tirar ele do �tero.
E essa coisa de alguma forma
fez com que um c�rebro normal, tenha ficado com...
sequelas graves.
Por isso ele n�o entendia
que seus atos
podiam causar sofrimento aos outros,
da mesma forma que as coisas aconteciam com ele.
Isso n�o fazia sentido pra ele.
� um dos melhores exemplos disso foi num passeio de bicicleta.
Eu tinha 9 anos e ele 11 ou 12.
Eu estava quase,
quase conseguindo andar sem as m�os.
Aquilo ia ser incr�vel, o m�ximo.
Eu estava sentindo.
N�s demos voltas.
Ele vinha atr�s de mim e eu consegui.
Tava andando sem as m�os e falei:
"Hadden, consegui!"
Ele acelerou e entrou na minha frente...
sangue para todo lado.
Uma mo�a do outro lado da rua viu tudo.
Ela precisou gritar com o ele,
mandou ele ir pra casa chamar meus pais,
porque ele estava examinando a bicicleta
checando se n�o tinha quebrado nada.
Minha m�e era a t�pica dona de casa
com algumas atividades fora de casa.
Ela tinha todas as caracter�sticas de uma alco�latra.
Ela escondia a bebida,
misturava no suco de laranja de manh�
e j� estava b�bada antes do meio-dia.
Meu pai...
foi diagnosticado como man�aco-depressivo
e tomava l�tio.
Acredito que o controle da raiva era constante na vida dele.
Lembro que uma vez,
quando meu pai chegou em casa...
Meninos!
Sua m�e mandou pegarem os brinquedos!
Ele nos levou para cima e tirou o cinto.
Arrancou o nosso couro.
Mas a cada vez que ele partia para agress�o f�sica,
tinha 20, 30 ou 50 vezes de xingamentos,
uma conduta abusiva horrorosa com uma crian�a.
Conversei com Flavia Clark, m�e do Hadden.
Ela me falou sobre o marido,
que levantava no meio da noite para comer hamb�rguer cru,
o que n�s achamos estranho.
Hadden me disse
que aprendeu tudo com o pai,
observando escondido.
Eu perguntei: "O que voc� aprendeu?"
Ele respondeu:
"Cheguei em casa um dia
quando devia estar na escola
e vi quando...
ele matou uma garota."
Hadden me contou como ele...
COMPANHEIRO DE CELA
entrou e viu o pai
matar uma garota.
Eu perguntei: "O que voc� fez?"
"Fiquei vendo um pouco e depois sa� escondido do quarto."
Acho que na mente distorcida dele, ele pensou:
"Se � normal meu pai fazer isso,
e eu tenho essa vontade, por que n�o posso fazer?"
Entendo que ele diga que meu pai era violento.
Entendo que ele diga que meu pai ensinou...
coisas sobre ca�ar ou algo do tipo.
Voc� � um bom ca�ador?
�, eu sou.
De animais, sim.
- Voc� j�... - N�o ca�o pessoas.
Mas ca�o animais.
Ele � uma pessoa que pode mentir pra si mesmo algumas vezes
e achar que � verdade.
Hadden � mestre nisso.
Ele mentiu pra mim, me manipulou.
Ele conta a hist�ria
com seus pr�prios fragmentos de realidade.
A culpa nunca � dele.
N�o pode ser culpa dele.
A culpa � sempre de outra pessoa.
O problema � sempre do outro.
Nunca � porque ele fez alguma coisa.
Ela me acusava de coisas que eu n�o fazia.
Na me dava dinheiro.
Minha m�e tamb�m disse que eu era maluco.
Ele fazia as coisas escondido de mim.
Eles n�o entregam minha correspond�ncia.
Ele me pediu dinheiro emprestado.
Ele estava drogado, abusou de mim.
Eu sabia que era uma arma��o.
Todo mundo tenta prejudicar voc�, � a verdade?
Todo mundo aproveita da minha bondade.
Sou uma pessoa muito boa.
Sei que Hadden � um assassino,
sei que o irm�o Brad � um assassino,
mas n�o tenho nenhuma informa��o
se o pai dele era um assassino,
ou se tinha algum desvio de conduta.
Com o Brad, acredito que foi uma aberra��o,
uma coisa que n�o ia se repetir.
Enquanto o Hadden
tinha o mal na sua ess�ncia.
O Geoffrey fazia coisas escondido, sabe?
Quando vim para o pres�dio,
ele veio me visitar.
Eu descobri que ele usou um grampo para pol�cia.
Depois do Hadden,
percebi que precisava me afastar deles.
Ent�o n�o falo com nenhum deles
h� mais de dez anos.
N�o sei se est�o vivos.
N�o sei onde est�o presos.
N�o sei de nada.
N�o posso me importar com eles.
O que fa�o � chorar de vez em quando pelas v�timas.
E nem sei quando vai acontecer.
Hadden,
como voc� se descreve como pessoa?
Sou um cara muito gentil.
Fiz muito trabalho volunt�rio nas ruas antes de ser preso.
Fui volunt�rio da Cruz Vermelha, doava sangue.
Eu doava sangue a cada dois meses.
Ajudei muita gente.
Uma audi�ncia de cust�dia foi marcada para hoje
para o homem acusado de matar
Laura Houghteling, de 23 anos, de Bethesda.
No fim de semana
a pol�cia de Montgomery prendeu Hadden Irving Clark,
um homem sem-teto de 40 anos.
N�o havia corpo.
� poss�vel acusar algu�m e conseguir
uma condena��o sem um corpo em Maryland,
mas com certeza � muito melhor achar o corpo.
Laura veio pra casa da faculdade.
Harvard.
N�o conversei com ela.
Fui andando.
Dei a volta at� o celeiro.
Sabia onde ficava a chave da casa.
Entrei pela porta da frente.
Eu estava de vestido tamb�m.
Me vesti muito bem, coloquei um vestidinho.
Tirei a arma da caixa
na sala de estar e...
subi pro quarto dela.
Apontei a arma pra cabe�a dela.
Engatilhei e deixei bem claro:
"Isso � s�rio, se voc� se mexer, eu atiro."
Eu tinha algemas dessa vez e depois de colocar nela,
amarrei com uma corda que eu levei.
Mandei ela olhar pra mim e disse:
"Voc� sabe o meu nome.
Meu primeiro nome come�a com L
e meu sobrenome come�a com H.
Voc� sabe o meu nome.
Se n�o me chamar pelo meu nome certo, eu te mato."
Sab�amos que havia um acordo firmado,
em que Clark daria a localiza��o do corpo da Laura
em troca da acusa��o de homic�dio simples.
Hadden Clark e o advogado dele
levariam um dos procuradores ao local
para mostrar onde Laura Houghteling foi enterrada.
O acordo na confiss�o
seria pra ele se declarar culpado de homic�dio simples
e encarar uma pena de 30 anos de pris�o no m�ximo.
Entendi por que resolveram fazer o acordo.
O j�ri � imprevis�vel e, sem um corpo,
pode ser muito dif�cil obter uma condena��o.
O fato de recuperarem o corpo
foi muito bom pra m�e dela,
pro irm�o e para todos n�s.
O corpo de uma estudante de Harvard foi encontrado ontem � noite,
enterrado numa cova rasa na zona norte de Bethesda.
Fiquei feliz porque a m�e podia enterrar a filha,
mas nada ali foi agrad�vel.
Nunca senti qualquer al�vio.
O que ele fez criou traumas na vida de muita gente.
Imagina o pai da Michele Dorr, que ficou arrasado.
Geoffrey Clark, que foi arruinado.
Ele se esfor�ou muito para arruinar a minha vida.
N�o sei como perdoar.
Isso pode acabar com a vida de uma pessoa.
Eu me esfor�o muito para superar,
sabendo que...
n�o preciso ter nenhuma liga��o com a fam�lia que me colocou no mundo.
Quando sente raiva, o que voc� faz?
O Hadden me disse:
"Meu irm�o Geoffrey me deixou com muita raiva."
Eu perguntei:
"Acha certo ter raiva do seu irm�o?
Seu irm�o n�o fez nada com voc�."
Mas ele disse:
"�, mas ele me abandonou."
Hadden me disse que se um dia for solto,
a primeira coisa que ele vai fazer � matar o Geoffrey.
E eu disse: "Cara,
voc� est� pensando em matar seu pr�prio irm�o?
Esse n�o � o caminho para ir pro c�u."
Hadden Clark mostrou
que n�o � um assassino oportunista.
Ele se encaixa na defini��o de assassino em s�rie.
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