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Original subtitles

Vem cá. Dá um abraço.

- Eu sinto muito. - Tá tudo bem.

Que pena que você não pôde vir antes, querida.

Não sei o que vamos fazer. O que a gente vai fazer?

- Poxa, temos que escolher flores. - É, temos.

Não acredito que vamos escolher flores pro enterro do seu pai.

Eu sei. Eu sei.

Não sei por que você se mudou. Não entendo.

Se eu tivesse o emprego que você tinha...

Nossa, eu mataria por um emprego daquele.

Agradeço pelo apoio e pelo entusiasmo, mãe.

Te amo. Vou guardar minhas coisas.

Tá bem.

- Lírios! - O quê?

As flores pro enterro dele.

Ah, lírios.

Fico feliz que voltou pra casa.

Eu também.

Ele te amava muito.

Quem?

Seu pai.

Eu sei. Eu...

É, eu sei.

Como está indo seu discurso fúnebre?

É uma das coisas mais bonitas que eu nunca escrevi.

É só dizer 5 coisas que você amava no seu pai.

Mãe, não é uma lista de mercado.

Só 5 coisas.

É simples.

De coração.

Você vai se sair bem. Vai ser ótimo.

Estamos aqui para honrar o prestigioso, generoso Andrew Bloom.

O idolatrado prefeito desta bela cidade.

Marido da adorada Jenny Bloom.

E pai da admirável e doce Lily.

Lily, suba ao palco, meu bem.

Olá. Agradeço a presença de todos.

Em homenagem à vida do meu pai, queria compartilhar com vocês...

5 coisas que eu mais amo nele.

Ele...

Desculpa.

ADAPTAÇÃO REVISÃO SINCRONIA: QUER SE JUNTAR A NÓS? loschulosteam@gmail.com

A cadeira é resistente.

Ah, é?

Me desculpa.

Foi um dia daqueles.

Pode descer daí, por favor?

Eu... tô de boa. Valeu.

Dá nervoso você sentada aí no parapeito.

Por favor?

Com cereja por cima?

Tô bem.

Só pode ser...

Eu soube que cereja marrasquino fica no seu estômago por uns 7 anos.

Ou causa câncer? Agora esqueci.

Eu não sabia disso sobre as cerejas.

Talvez eu tenha inventado, mas...

acho um nojo.

É, é um nojo.

O que aconteceu?

O quê?

Que foi aquilo...? Não tive intenção, mas...

Foi uma mulher?

Ou homem? Eu...

Foi a cadeira, não é?

É.

Você mora em qual andar?

Você primeiro.

Último andar, ao lado da minha irmã e do marido.

Você faz o que da vida?

Neurocirurgião.

Achou graça?

- Nossa. É sério. - É.

Mesmo?

Ah, não. Desculpa.

Me desculpa, desculpa. Você passou um tempão...

Desculpa.

Passou um tempão na faculdade, e eu, rindo da sua cara.

Sou péssima. Desculpa.

Pensei que você fosse investidor de cripto.

- Eu, investidor de cripto? - Não.

Não. Sei lá, ou um garoto de programa muito caro.

Bom, eu sou caro.

Beijos na boca nem pensar.

Por que nunca te vi antes?

Talvez porque nunca precisei operar o cérebro.

Mas também porque não moro aqui, então...

Então, invadiu o meu prédio?

Você tem uma vista linda.

Tenho.

Como você se chama?

Lily.

- E você? - Ryle.

Ryle de quê?

Kincaid.

Você inventou isso agora.

- Por que eu inventaria? - Ora... Esquece.

Qual o seu sobrenome?

Esquece. Vamos deixar pra lá.

- Só perguntei seu sobrenome. - Um prazer te conhecer.

- Obrigada. Toma cuidado. - Seria educado...

me dizer seu sobrenome também. Não vou te stalkear.

Não, é que... É meio constrangedor.

Fala.

Bloom.

- Seu nome é Lily Bloom? - É.

Mas fica pior.

- Fica. - Não. Impossível.

- Pior que Lily Bloom? - Não quero falar disso...

porque sinto vergonha.

Sou obcecada por flores.

- Vou abrir minha 1a floricultura. - Floricultura?

É o sonho da minha vida, então...

Para. Eu avisei.

Lily Bloom, a florista.

Não soa nem um pouco inventado.

Sempre pode usar seu nome do meio, se não der certo.

- Não, Violet. - Vai por mim.

- Petunia. - Não, para.

Do vale.

- Toadflax. - Blossom.

Caramba, seus pais te odeiam.

Bom, nunca vamos saber, porque meu pai morreu na segunda-feira, aí...

Foi por isso que subi aqui...

pra chorar um pouco e conhecer um neurocirurgião rico.

Então...

Meus pêsames.

Eu poderia ter voltado, sabe, para vê-lo antes de ele morrer, mas...

não fui.

Nossa.

É.

Bom, nem sempre as verdades nuas e cruas são bonitas.

Vi um garotinho morrer hoje.

Tinha só 6 anos.

O irmão achou uma arma no quarto dos pais...

e disparou por acidente.

Tentei de tudo.

Ninguém deveria passar...

Nem imagino como vai afetar o irmão que ficou vivo.

Vai destruir a vida dele. É isso que vai acontecer.

Tá, me conta outra.

Verdade nua e crua. Gostei.

- Vai. - Tá.

Eu... sei lá...

O 1o cara com quem transei era um mendigo.

Para.

É, sério. No ensino médio.

Conta mais.

Na verdade, o certo é "desabrigado" ou "desalojado".

- Não devia dizer... - Fugiu da pergunta...

- Não! Não tem o que falar. - Quero os detalhes.

Fiz amizade com um garoto, o Atlas.

Ele era gentil e muito talentoso...

e, bom, ele deu azar na vida.

Estou ficando com inveja de um mendigo.

Caramba.

Tá, já chega. Chega.

Sua vez.

Não, parei. Não dá pra superar isso.

Isso foi sexy e perturbador.

Me impressione. Fala... Pode falar qualquer coisa.

Quero transar com você.

- O quê? Tipo... - Me pediu pra te impressionar.

O quê?

Quantas... Desculpa.

Quantas mulheres já caíram nessa?

Não sou de ter relacionamentos.

- Eu percebi. - Nunca fui bom nisso.

Mas como sabe, se nunca experimentou namorar ou carboidrato?

- Como sabe que não é pra você? - Não falei que não como carboidrato.

Não tem corpo de quem come salgadinho.

Obrigado.

Amor não é pra mim.

Mas eu adoro prazer.

- Acho que tá perdendo. - Será?

Não respondeu à minha pergunta.

Já esqueci qual era.

Quantas mulheres já caíram nessa?

Todas.

Bom, eu...

eu não... eu...

vou estragar seu recorde.

Sou uma garota que você apresenta pra mãe.

Até onde você iria?

Não sei. Sou uma... narradora pouco confiável.

Mas vamos ver.

Longe demais?

Não.

E assim?

Depende do que vem agora.

Ai, droga.

Sim.

Não, eu não estou de...

Prepare a sala. O Tom opera, eu supervisiono.

Tá, chego em 10 minutos.

- Puta merda. - Eu sei, me desculpa.

Não, puta merda, acabei de me tocar...

que você é mesmo neurocirurgião.

- Eu avisei. - Não, meus parabéns.

- Isso é o máximo. - É.

Isso é... Ora, eu...

A gente se vê.

Mesmo?

Não.

Foi um prazer conhecer você, Lily Blossom Bloom.

Foi um prazer conhecer você, Ryle Siegfried Kincaid.

Gostei disso.

Merda.

Querida Ellen, antes de contar o que aconteceu hoje...

Tenho uma nova ideia pro seu programa. É "Ellen em Casa".

Obrigado.

Obrigado.

Não sei do que você tá falando.

Por que você tá naquela casa?

Minha mãe me expulsou de casa.

Por quê?

Porque...

ela gosta de pegar caras que enchem ela de porrada.

Que houve com a sua mão?

Cara, sinto o fedor dele daqui.

Eu me meti.

Olha, meus pais só voltam pra casa umas 17h...

então, se quiser tomar banho ou...

sei lá, lavar roupas ou...

- Eu não ligo. - Tá.

Claro.

Seu entusiasmo é contagiante.

- Sentiram o terremoto no fim de semana? - Sim!

- Sentiram? - Sim!

Oi.

Valeu pelas roupas.

Tá, claro.

Meu pai nem vai dar falta. Ele não é de usar jeans mesmo, então...

Meus pais só chegam daqui a 1h...

se quiser ver TV e tal.

Então, o que quer fazer depois que se formar?

Eu... me alistei no treinamento básico em maio.

Treinamento básico de quê?

Nos Fuzileiros Navais.

Uau.

Desculpa. Eu...

Desculpa. Essa roupa...

A roupa do meu pai te deixa igual ao Ned Flanders.

A sua roupa te deixa igual a uma cenoura.

- Para. - É.

- Mãe... - Se não der certo...

...você sabe que adoro um desafio.

Eu falei, "e se?"

"Uma estatística de venda de flores que choca novos lojistas..."

Mãe, por que acha que não vai dar certo?

- "... assustadores 45% de todo..." - Mãe.

Mãe, tá lendo isso no Google?

Claro. Como eu ia saber?

Tô preocupada com você. O Google também tá.

Tarde demais. Estou indo pegar as chaves.

Tá bom. Tá.

- Te amo. Vai conseguir. - Peraí. Moço! Oi!

- Seja ousada e corajosa. - Tá, mãe.

Parece doida. A gente se fala. Tchau.

Oi. Desculpa. Desculpa.

- Acabei de me mudar. - Tome, querida. Boa sorte.

Obrigada.

Oi.

- Olá. - Oi.

- Desculpa. Oi. Desculpa. - Foi mal.

Não consigo...

- Peraí. - Não tô ouvindo. Oi.

Oi. Posso ajudar?

Eu posso ajudar?

Como assim?

"Estamos contratando", ali na frente? Tem essa placa lá fora.

Ah. Desculpa. Não fui eu que coloquei.

- Acabo de alugar. - Imaginei. Parece antiga.

Passo por aqui todo dia e sou obcecada pelo local.

Sempre quis conhecer por dentro...

e eu pensava: "Quem vou encontrar?"

- E é você, né? - Sou eu. É. Oi.

- Você é a dona? - Sim. Me chamo Lily.

- Allysa. - Prazer. Desculpe. Que nojo.

Oi. É um prazer.

Bom, você precisa de ajuda?

Ainda não tô contratando.

Peguei as chaves faz alguns dias...

e ainda tô pensando no que vou fazer, daí...

Posso perguntar o que isso vai ser?

Uma floricultura.

Me desculpa.

Tenho problemas com...

Minha cara diz tudo. Odeio flores.

Odeia flores?

- Odeio. - Tá.

Por que não me dão algo vivo...

em vez de algo que vai morrer?

Só me dará mais trabalho, e terei que jogar fora...

mas, enfim, é o meu ponto de vista.

É que acho floriculturas deprimentes. Coisa minha.

Boa sorte. Me desculpa.

Concordo. Também acho floriculturas deprimentes.

Porque eu sinto que...

sei lá, é que a beleza da flor...

Que ridículo.

A beleza da flor já se perdeu, né? É...

E a gente só encomenda...

- É. - Não é?

É como você disse.

É realçar a dor, a tensão e o...

É ser efêmera, contar uma história e...

Ora, é isso que eu acho bonito.

É o que quero fazer aqui.

Isso foi absolutamente lindo.

Se é isso que vai fazer, tá, conta comigo. Maravilha.

Obrigada.

Bom...

- te desejo boa sorte... - Obrigada.

...e vou continuar perambulando pelo bairro.

Espero ter feito minha 1a cliente.

- Ótimo. Que linda. - A gente se vê...

Tá. Tchau.

Ei, eu...

sei lá, isso...

Preciso mesmo de ajuda. Quer um emprego?

Era exatamente isso que eu queria quando entrei aqui.

- Sim. - Nossa. Tá.

- Maravilha. Ótimo. - Certo.

Preciso sair até as 17h hoje. Tenho um jantar.

- Hoje? - É.

É meu 1o dia aqui.

- Tá, perfeito. - Ótimo.

Só preciso limpar...

- uma superfície pra essa beleza. - Aqui.

- Aqui... - Muito obrigada.

Parece até cenário de Ghostbusters aqui, hein?

ESTAMOS CONTRATANDO

Emoldure.

Você viu?

Nossa. Tá preso.

Ai, não quero ver.

É.

TUDO É MELHOR EM BOSTON

Você é tipo um dr. Frankenstein, só que das flores.

Não, não, não. Vai dar, vai dar.

Não vai dar. Segura.

- Vamos lá. - Peraí. É meu marido ligando.

Posso chamar ele pra ajudar?

- Pode. - Ou é fraqueza?

- Prendeu? - Não.

- Amor. - Nem um pouco.

- O jogo acabou. Cadê você? - Oi, amor.

- Tá onde? - Na loja com minha chefe.

Queremos ajuda pendurando uma coisa.

- Não gosto quando fala "chefe". - Amor.

Deveria ser você. Compramos a loja, e você vira chefe.

Amor, tá no viva-voz.

- Deixa... - Oi.

- Só... - Oi.

Olha, eles vão estar vestindo macacões.

- O bar dá cerveja grátis pra quem... - Tô te vendo.

...vai de macacão em jogo dos Bruins...

- mas não usam sempre. - Tô aqui em frente.

Tá, tá.

Nossa, amor, você tá linda.

Traz o meu irmão também?

Olha, não me responsabilizo...

por nenhum dos 2 que vão entrar aqui, aviso logo.

- Oi. - Oi.

Você tá linda.

- Essa é a Lily. - Oi. Lily. Prazer.

- Meu marido, Marshall. - Foi mal aquilo de "chefe".

E o meu irmão Ryle.

Oi. Oi.

- Oi. - Lily.

Lily Bloom.

É. É.

- Vocês se conhecem? - Não.

- Um pouco. - Não, a gente...

A gente se conheceu uns meses atrás.

Trocamos verdades nuas e cruas.

- Isso é... - Não, é...

Somos adultos.

- Péssima escolha de palavras. - Foram suas.

Você falou "verdades nuas e cruas" primeiro.

Ora, foi... A gente só conversou.

Chamam assim agora, "conversa"?

- A gente conversa direto. - Ótimo.

- Conversa de 3 a 5 vezes na semana. - Boa.

Quer ver o trabalho que eu fiz aqui?

- Quer conversar esta noite? - Não, vão...

- Vem aqui pro lado. - Vou conversar com sua irmã aqui.

- Tá. - Tá ótimo.

Nos reencontramos.

Bom te ver.

É nessa floricultura que minha irmã trabalha porque tá entediada?

Preferimos dizer "inspirada" aqui...

mas, é, é aqui...

Sabe, eu...

É.

Parece que a gente vai se ver bem mais daqui pra frente.

É mesmo?

Amor, isso tá incrível.

Muito obrigada.

Você é ainda mais assustadora de dia.

Idem.

Pessoal, uma ideia.

Vamos sair pra zoar hoje.

Voltei no terraço umas vezes, torcendo pra te ver lá.

Quero te ver de novo.

Já tá me vendo.

Sabe o que quero dizer.

Vamos lá, vai.

É uma péssima ideia, né?

Por causa da minha irmã, por causa da floricultura...

Vai, Lily!

É, é uma péssima ideia.

- É sua. - Vai, sua vez, amor.

Não! Ei!

Com ela, não. Não. Ela é minha.

Eu tô vendo.

- Ei. - É verdade.

Vamos ser amigos, então?

Gostei.

É, amigos.

- À amizade. - É.

É fim de semana em algum lugar. Vamos.

Espera, moço. Nosso Uber tá indo embora.

Te amo. Vou pra casa, amiga.

Tá cedo em Cingapura. Vem, Lily.

- Eu te levo em casa. - Não precisa.

- Moro logo ali na esquina. - É meu caminho.

- Você mora com a gente. - Detalhes.

Tá, mas só porque você vai ficar mal se me matarem.

Onde ganho o meu pão, não coma a carne, Ryle.

Te amo. Até amanhã, Lil.

Agradeço por vir comigo...

- não precisava... - Você não sai da minha cabeça.

Eu tô aqui.

Esse é o problema.

A gente combinou de ser amigo.

Verdade.

Mas isso foi há horas.

Posso só te beijar?

- Nossa. Você força a barra. - Só uma vez. Uma vez.

Só preciso disso pra te tirar da minha cabeça.

- E isso resolve? - Um beijo.

Ora, boa sorte pra você.

Isso foi um sim?

Só um?

Só um.

Tá bem.

Tá.

Isso me tirou da sua cabeça?

Vou pra casa sozinha, tá?

Tchau, amigo.

- Já tá bom assim? - Tá.

- Bota talvez mais um pouco aí? - Tá.

Vai proteger as raízes da neve...

ou caso elas congelem ou algo assim.

As raízes são a parte mais importante da planta.

- É? - É.

Não sabia disso da raiz. Legal.

Toma, você quer?

Obrigada. Pode deixar.

O que te fez começar a plantar?

Quando eu cuido direito das plantas...

elas me retribuem com flores e verduras.

E quando não cuido, elas murcham e morrem.

Que nem a gente.

E esse carvalho?

Não precisa de ninguém pra crescer.

É capaz de se cuidar sozinho.

De qualquer forma, continua de pé.

É firme e forte...

e ele sobrevive porque é um carvalho, poxa.

- Me fez passar vergonha. - Amor, por favor.

- Você adora atenção. - A Lily tá dormindo lá em cima.

Amor, por favor. Por favor, para!

Eu ouvi o que aconteceu ontem à noite...

com seu pai e sua mãe.

Eu não... É, tá.

Acontece muito?

Sinto muito.

Ei, Lily.

Quer fazer as honras?

Não, vai você. Quero ver isso daqui.

Estava torcendo pra você falar isso.

Tá bem.

Calma aí!

Ai, meu Deus.

- Isso é surreal. - Parabéns.

Eu não teria conseguido sem você.

Minha nossa.

Não sei onde eu estava com a cabeça. Graças a Deus.

Tá incrível.

Tá perfeito. A sua cara. Tá perfeito. Tá lindo.

E se a gente não tiver clientes?

Não entra nessa. Sua mãe tá vindo.

- Minha mãe. - Vem de avião pra ser sua cliente.

É, mas... não seria deprimente...

se nossa única cliente for minha mãe?

O Marshall virá à tarde. Já são 2, você tá bem.

Pronto, começou.

- Uau. - É.

Nem parece a mesma loja. Parabéns.

- Como estão indo? - Acabamos de abrir...

Então, seu irmão é o 1o cliente oficial?

Tem que comprar alguma coisa pra te chamar de cliente.

Agora você só tá enrolando.

Bom dia, Lily.

Bom dia.

Beleza. Vou comprar essas.

Vocês entregam?

- É pra uma garota? - É.

Conhecendo ela, talvez as devolva.

Sei. Tá.

Aquele cartãozinho, escreva a mensagem na frente...

e, no verso, ponha o nome e o endereço da pessoa.

Tá.

E vai levar essa garota misteriosa no meu aniversário na sexta?

Porque eu preciso planejar essas coisas.

Não sei.

Você vai, Lily?

Vou, é claro.

- É. - É.

Ela tem que ir. É minha melhor amiga.

- Pronto. - Obrigada.

Quanto devo?

$ 51, certinho.

- Tome. - Obrigada.

- Momento importante. - É, sim.

Muito obrigada pelo serviço... pela preferência.

Obrigada.

Ei, parabéns.

Vá embora. Obrigada.

- Bom te ver. - Tchau.

Tchau.

Nossa. Que idiota ele é.

Botou o nome da nossa loja no endereço de entrega.

1o cliente estranho.

NÃO PARO DE PENSAR EM VOCÊ, AMIGA

Lily.

- Caramba! - Oi. Parabéns.

- Lily, você veio. Tá linda. - Perdi algo importante?

- Que é isso? - É minha... É uma longa história.

Bem-vinda à nossa casa.

Gente, isso... Digo, sua casa...

- Não acredito que é sua casa. - Nossa humilde morada.

Quis fazer algo modesto para a gatinha aqui.

Meu Deus.

E olha que nem me casei com ele pelo dinheiro.

- Não foi pela grana. - Não foi.

- Você é minha alma gêmea. - É.

Quando nos conhecemos, eu era duro e dirigia um Toyota Camry.

Ainda tem um Toyota Camry, não?

- É o melhor carro do planeta. - Ele tem.

- Não me convence do contrário. - Aliás...

ele acha que o torna do povo.

- É verdade. - Sou um cara do povo, tá?

Feliz aniversário. Vou pegar uma bebida.

- Já volto. - Obrigada.

Tá. Tá. Você é um cara do povo.

Obrigada.

Não gostou das flores?

Para de flertar comigo.

Um uísque, por favor? Obrigada.

Eu não consigo.

Achei que éramos amigos.

Somos amigos.

Tá.

Licença? Segurou a minha mão. Obrigada.

- Oi. - Para.

- O quê? - O que tá fazendo?

Nada.

Pode parar. Para com isso.

- Por favor. - O quê?

Isso de, sabe, ficar me encarando assim e o...

Só tô te olhando.

Tá. Você tá só olhando.

Para de aparecer na minha loja...

- e de me mandar flores. - Minha irmã trabalha lá.

Para de ficar me seguindo pela festa.

- Está me deixando... - Pode calar a boca 1 segundo?

Tá.

Eu gosto de você.

Você tem 5 anos?

Eu tô tentando.

Continua.

Quer ir pra um lugar mais reservado?

Pra conversar?

Pra conversar.

Tá bem.

Não, não, para.

Quer que eu pare?

Não.

Não.

Mas não quero transar. Não hoje.

Eu sei, eu sei.

Não faço sexo casual, e sei que você gosta disso...

mas não vou mudar de ideia. Me desculpa.

Não quero fazer isso.

Tudo bem? O que vai fazer?

Me preparar pra dormir.

A gente vai dormir.

Peraí, a gente vai... o quê?

Vai dormir.

Meu Deus.

Se importa?

Tem roupa pra emprestar?

Acho que você nunca fez isso na vida.

Foi mais sexy na minha cabeça.

Calça?

Você consegue.

Engraçadinha.

Boa noite, Lily Bloom.

Ryle, como eu sou legal, trouxe café pra você.

- Oi. - Não.

Ah, não.

Eu entendo. Não é tão ruim quanto parece.

- Parece bem ruim. - Meio que é.

Não é problema meu.

O que...? Eu já vou.

Vou só falar uma coisa.

Esse homem troca de mulher como troca de roupa.

- É diferente. - É? Maravilha.

Mas se caso obviamente não for...

saiba que se você não espera nada dele, é uma ótima opção.

Mas se quiser romance ou um relacionamento...

não é a pessoa certa, e o problema não é você.

E eu te amo.

- Tá. - Mas preciso dizer...

Namora comigo.

O quê?

Namora comigo.

Eu... eu não...

O que isso quer dizer?

Tá, não. Vou embora.

E me desculpem, mas só vim trazer café...

e agora, tô morta de vergonha.

Você não pode tomar.

É pra você.

Vou nessa.

Uma pessoa normal iria embora e iria pra terapia.

Do que você tá falando?

Eu quero tentar.

Eu quero tentar.

Ora, acha que consegue?

JANTAR HOJE ONDE TE CONHECI. VÁ ARRUMADA. (PIJAMA NÃO)

Eu não faço ideia.

Mas sei que quero te beijar de novo.

Nisso, eu posso ajudar.

Tá.

Mas não me faça me arrepender.

Bom dia.

Você já escovou os dentes. Assim não vale.

Desculpa. Preciso trabalhar cedo.

Te vejo hoje à noite?

Não, hoje não. Minha mãe veio.

Quer conhecer um restaurante novo, Root.

Quer me levar lá antes de morrer.

Sua mãe tá na cidade?

Tá. E não, ela não tá morrendo.

- Só... falei brincando. - É que você não me contou.

Desculpa. Não sabia que você queria saber.

Tem lugar pra mais um?

O quê?

Quer conhecer a minha mãe?

Qual o problema?

É que não sei se é uma boa ideia.

- Ai. - Não.

Não, é que...

Não é por você.

É por causa dela. Aquela mulher...

Só quero conhecer a mãe da mulher que eu amo.

Ei!

Desculpa, você esqueceu.

Calma, peraí, não é meu.

Eu sei.

É que eu também te amo.

Vai se atrasar.

Me deixa em paz, caramba!

Sou comprometida!

Você fez?

É.

Entalhei em um galho do seu velho carvalho.

Caso você esqueça.

Firme e forte.

Obrigada.

Que nojo. Deve ter passado raiva pra ela.

Levanta.

- Levanta. Levanta. - Para. Não, não.

Anda.

Gosta de cozinhar?

Eu adoro.

A necessidade é a mãe das invenções.

O cheiro tá bom. O que é?

Cookies de chocolate quente amargo com marshmallows queimados.

Bom.

Minha mãe esbanjava em Swiss Miss pra gente no Natal.

A marca favorita dela.

Então, você me beijou mais cedo porque queria...

ou era pra só pra se vingar da Katie?

Eu só...

Eu só queria esclarecer isso.

Eu queria te beijar.

É o meu pai.

É o meu pai, sai daqui.

- Precisa ir agora. - Não esquece os cookies.

- 12 minutos. - Vai agora.

- Sai pelos fundos. Vai. - 12 minutos.

Vai, vai, vai.

- Oi! - Oi!

- Tudo bom, filha? - Tudo.

Tudo certo? Seu dia foi bom?

Foi. Tudo certo.

Que bom. Agitado?

É...

Isso é bom.

Eu fiz cookies.

É. Tô começando...

Vai chover hoje.

É.

Eu queria não te amar tanto.

É, idem.

Guarda uns pra mim?

- Claro. - Promete?

Prometo.

- Nossa, olha só. - É, o máximo.

- Oi. Viemos jantar com ela. - Claro.

- Desculpa desde já. - Não.

Não. Se prepara.

Oi! Oi, mãe!

- Amei esse lugar. - É bonito, né?

Meu Deus! É lindo.

- Vamos pedir uns drinques. - É. Vamos, sim.

- Oi. - Oi.

Mãe, meu amigo, Ryle, estamos dormindo juntos e...

- Ryle Kincaid. Muito prazer, senhora. - O prazer é meu.

- Ouviu o que você falou? - Sei o que eu falei.

Sabe a Allysa que trabalha comigo?

Ele é irmão dela.

Claro! Agora vi a semelhança.

- Os 2 puxaram à mãe. - Começou. Te odeio.

Todos dizem o mesmo de mim e da Lily.

Claro, dá pra ver.

É.

A cara uma da outra.

- Que sorte a sua, Lily. - Muita sorte.

Que sorte a minha!

Meu Deus.

Me dão licença? Tenho mania de lavar muito as mãos e...

- Só um... - Vai logo.

- Vou. Tá. Tchau. - Deixa a gente.

- Meu Deus. - Mãe, não precisa fazer isso.

Não contou que estava namorando o mais lindo dos homens.

Ele tem personalidade boa pra compensar...

Certo.

Quem é ele? Ele trabalha?

- Não começa. Para. - O que ele faz? O quê?

Ei, eu sou... Sou sua mãe.

No Hospital Boston Grace.

- Ah, não. - Para.

- Bem-vindas ao Root. - Para.

- Bebem alguma coisa? - Ai, sim, preciso beber.

Queria provar um negroni. Soube que é uma delícia.

- São. Já lhe trago um. - Obrigada.

E o que você gostaria?

Eu... Me surpreenda.

E aí, o que eu perdi?

Por acaso, você é médico?

Sou. Aliás, vou realizar uma cirurgia única na vida em breve.

Meu Pai! É perigosa?

- É uma cirurgia arriscada. - Isso é incrível.

Ele é incrível.

Eles têm 5 anos.

Muito obrigado.

Me fala de Boston.

Foram os melhores anos da minha vida.

- A comida lá é maravilhosa... - É?

...e o porto...

Meu tio, às vezes, me levava pra pescar.

Parece que tem saudade.

É.

Vou me mudar pra lá depois da Marinha.

Tudo é melhor em Boston.

Menos as garotas.

Boston não tem você.

Vou sentir saudade.

Idem.

Não sei como você fez isso.

Mas acabou virando minha pessoa preferida.

Idem.

Ei.

O quê?

Tem certeza?

Tenho.

Não tenho camisinha.

- Eu tenho. - Tem?

De Educação Sexual.

É minha 1a vez.

- Tá. Não tenho muita experiência. - Tá.

- Só fiz uma vez. - Tá.

- Tá. - Tá.

Eu os estudo desde que nasceram.

Continuem...

Vou ao banheiro rapidinho.

Tá, filha.

Se conheçam melhor. Já volto.

Lily Bloom.

Atlas.

Você tá...

É, você...

Obrigada.

Minha mãe não te reconheceu, então...

- Melhor assim. - É, não é?

O que você anda fazendo?

Trabalhando. Vivendo.

Eu, idem.

É. Você serviu na Marinha?

Sim. Servi... 8 anos.

- Uau. - É. Pedi baixa e vim pra Boston.

O que você...? O que...?

O que tá fazendo em Boston? Tá aqui de visita ou...?

Eu moro aqui.

É. Tudo é melhor aqui.

Aquele é... o seu namorado?

É, é o Ryle. Ele é muito especial.

Vai gostar dele.

- Tô feliz por você. - Obrigada.

Você tá com alguém ou...? Tá casado?

Tem namorada ou algo assim?

- Tenho. A Cassie. - É?

Ela é legal.

Que bom.

Você parece ótimo.

Não quero te dar problema, então...

Como eu te encontro?

Se quiser te encontrar.

Bom, abri minha floricultura.

Lily Bloom's.

- Claro que sim. - É. Fica em Back Bay.

Então, pode me procurar qualquer hora...

- É. Bom, preciso... Você sabe. - É.

- Tô trabalhando e... - Tá. Vai lá.

- Já vou, então. - Tá.

- ...uma operação única na vida. - Lily?

Vai beber o quê?

Um vinho, por favor.

Vinho, não. Tá de macacão.

- Sem vinho grátis de macacão. - Justo.

- Bebo o que você for beber. - Bingo!

3 cervejas e uma água pra minha amada.

Peraí, você pediu água?

Sim.

A gente não ia te contar aqui...

Para.

Pois é.

Vou ser pai!

- E eu vou ser mãe. - Sim!

Eu vou ser pai!

- O quê! - Não, não.

A maior loucura! Eu sei!

Sou papai.

Você vai ser uma mãe maravilhosa.

À Allysa, que é 11 meses mais nova que eu...

e ainda me ensina todos os dias como um adulto deveria ser.

- Saúde. - Saúde.

Saúde.

11 meses? Não sabia que era tão próximo.

É. 3 filhos em 3 anos.

Dá até pena da mamãe.

3? Têm um irmão?

É.

A gente tinha um irmão mais velho, Emerson.

E ele morreu quando éramos pequenos.

Eu sinto muito.

Gol!

Bom dia.

Gosta de fritada?

O que é isso?

Me sinto num pornô. O que é isso?

Não sabia que você cozinhava.

Não cozinho.

Que bom, porque eu já estava meio intimidada.

Estava bom demais pra ser verdade.

- Essa é sua. - Esse é meu. Obrigada.

Beber pra curar a ressaca. Sem miséria.

Na verdade, é...

Isso é pra comemorar minha grande cirurgia amanhã.

Nossa, eu...

- Desculpa. - Não, não.

- Não sei onde tô com a cabeça. Eu... - Tudo bem.

Não tá bem. Desculpa.

- Ei. Me desculpa. - O que é isso? O coração.

Ah, não é nada. Eu só...

É uma daquelas bobeiras que a gente faz.

Não é nada, não. Toda tatuagem tem significado.

Eu sei. Não, não.

É uma daquelas bobagens que a gente faz na escola...

e nem sei por que ainda tenho.

Não.

É uma das partes que mais gosto em você.

Tá. Amor?

Preciso te contar uma coisa.

A fritada tá queimando.

Vai ficar perfeita.

Tá bem.

E quais as outras partes que gosta em mim?

Sua glabela.

- Sua flagina. - Ah, não! Para!

- Ai, droga! - Verdade seja dita, eu avisei.

- Não. Amor, usa luva. - Droga! Merda!

Vai enfiar a mão aí?

Ei, amor.

Ei, ei.

- O que foi isso? - Tá tudo bem.

O que foi isso? Não. Não.

- Me dá um tempo? - Ei, ei.

- Me dá só um tempo? - Ai, merda!

Você tá bem? Desculpa.

- Meu Deus. Sua mão. - Não se preocupa.

Amor, a sua cirurgia.

Você tá bem?

Acho que tô. Não sei.

Deixa eu ver.

- Que merda. Eu... - Eu sei. Machucou.

Sabia que a gente criaria um caos.

Me desculpa.

- Foi sem querer. - Não... Eu não...

- O que a gente fez? - Foi sem querer.

Eu tô bem.

Nossa, me desculpa.

- Obrigada por vir, desculpa a demora. - Para.

- Eu tô um desastre. - Não, aqui, acho que eu trouxe tudo.

Tá. Não, obrigada.

E o casamento?

- Outro desastre. - Não.

- Tá tudo bem. Só meio... - Como um casamento é um desastre?

O casamento em si deve ser o desastre, mas tá tudo bem.

- Eles são lindos. E se merecem. - Mas as flores estavam bonitas.

É, as flores arrasar...

Desculpa.

Me desculpa. Como foi sua...

Como foi a cirurgia? Como ficou a sua mão?

- Foi ótima. - Jura?

- É. - É?

Teve uma hora que...

A Allysa e o Marshall zoaram tudo.

A gente vai no Root.

Aquele aonde fomos com sua mãe.

- Teve uma hora que eu... - Peraí, por quê?

Não sei.

Tá, mas eu queria provar aquele novo...

- É, mas eles ouviram... - ...e já fomos lá.

- ... como falamos de lá e... - Mas podemos ligar pra eles.

- Não. Já estão lá. - Eu sei.

- Pediram 14 entradas. - Eu queria tanto...

- Conhece a minha irmã. - ...ir ao lugar novo. É. Desculpa.

- Te levo lá semana que vem. - Sabe que eu amo comer. Só isso.

- Sabe que sou de tradições. - É isso.

Vou pedir o mesmo que da última vez.

Claro, tá perfeito. A comida é ótima, então...

Ei. Ei.

O quê?

- Oi. - Oi.

Desculpa, foi uma semana difícil.

Não queria reclamar com você. Você entende.

É.

Me fala, quero saber tudo.

Tá.

- Oi. - Oi.

- Oi. - Oi!

- E aí? - Desculpa o atraso.

Senta aí. Não esquenta.

- Posso ficar aí? - Claro.

- Pedimos muita comida. - Desculpa.

- A culpa foi minha. - Ai, amiga.

Eu não...

O Ryle me falou de um incidente...

mas não disse que tinha ficado feio assim.

Olha isso, querida.

- Tudo bem. Nem tá doendo. - É.

Foi um caos, tinham que ver.

É, a mão dele. Ele também se machucou.

- Então... É, nós 2. - Não, tá tudo bem.

Tô meio mal. Foi um baita caos.

Espera, então, como foi a cirurgia?

Provavelmente, o melhor dia da minha vida.

27 horas.

- 27 horas? - É.

A única coisa que fiz por 27 horas foi day-trade e jogar Call of Duty...

Já escolheram nome pro bebê?

- ...maratonas de DraftKings. - Desculpa, não quis interromper.

- Nome de bebê? - É, desculpa. Andei pensando.

Pensamos em um nome forte.

- Pensamos em escritores famosos. - Essa ideia...

R. L. Stine.

Judy Blume.

...vai acabar com o nosso casamento.

- Tudo bem por aqui? - Oi.

- Que acharam das entradas? - Maravilhosas.

Provei só uma coisa e esse já meu restaurante preferido.

- O que era? - A couve-de-bruxelas.

Couve-de-bruxelas.

E você? Gostou de quê?

Eu... É impossível escolher.

Meus cumprimentos ao chef.

Obrigado. Agradeço. É a receita preferida da minha mãe.

- Que bonito. - Nossa...

É meu 1o restaurante...

Adorei.

E adorei a criatividade, cara, sério.

- Então... - Também sou empreendedor, eu entendo.

Qual é o negócio? Qual é a sua parada?

Agora estamos procurando alocar capital...

em negócios locais de Boston...

e um lugar assim seria incrível.

Sem querer abusar, quanto vocês lucram?

Bom, o lugar está bombando. 13, 14, 15%.

Adorei a história da sua mãe. Era de foro pessoal?

Invista numa série A pra crescer.

- Amor. - Eu o ofendi?

Não, só repetia "alocar capital".

- O chef foi um babaca. - Tô apertada há um tempão.

Vou ao banheiro rapidinho. Já volto.

- Quer que eu vá? - Não, tudo bem.

- Você tá... - Não, continuem o papo.

Eu já volto.

- Que isso? - O que houve?

Me fala, vai. O que houve?

Nada. Eu... Ele queimou a mão, e eu caí.

Eu sei. Eu sei. Mas foi sem querer. Foi...

- Isso foi sem querer? - É.

Largue esse cara.

- Meu Deus. - Tem que largar esse cara.

- Não sou sua mãe, Atlas. - Larga ele.

Você quer virar a sua?

- Me deixa sair. - Lily.

- Me deixa sair agora. - Lily.

Para.

Espera, o que é isso?

Atlas! Para.

Se encostar nela de novo, corto a porra da tua mão e te enfio goela abaixo...

- seu merda. - Atlas, para! Para.

Para.

Então, esse é o Atlas.

- Ei. Ei. - O mendigo...

- Chega. Para. - ...com quem jogou fora sua virgindade?

Gente, para! Para!

- Por favor! Para. Para! - Ei! Separa.

- Não! Por favor. - Vem cá.

- Por favor, parem. Não! - Saia do meu restaurante!

- Para! Vamos sair daqui. - Sai agora do meu restaurante!

- Para, por favor. Vai embora. - Sai.

Fora!

Para, agora!

Ryle?

Licença. Ryle.

Ryle. Ryle. Espera.

- Por favor, espera. - O que ele fazia no banheiro, Lily?

- O que ele fazia no banheiro? - Ele viu meu olho...

e acho que viu a sua mão.

Ele já sabe que foi sem querer. Falei que foi sem querer.

Lily.

O quê?

Eu não...

Eu não conheço ele.

- Éramos garotos, não conheço ele agora. - Qualquer um, menos ele.

Qualquer um, menos ele.

- Não tô entendendo. - Eu te conheço. Qualquer um, menos ele.

Me promete.

Tá.

- Tá? - Tá.

É.

Eu não sei...

É.

Tá, tá.

Eu nunca tinha sentido isso.

- Eu sou seu. Sou todo seu. - Eu sei. Eu sei.

- Se não me quiser, é só... - Não, não. Tá tudo bem.

Para. Para.

Para. Para.

Para. Para.

- Para. - Eu te amo, Lily.

Eu sei, eu sei. Eu sei.

Eu sei.

Eu te amo, Lily.

Também te amo.

Não, por favor, para. Para, por favor.

Lily! Abra a porta.

- Tem que ir agora. - Lily!

- Já vou! - Abre essa porta!

Vai agora.

- Se veste. - Quem tá aí?

Abre...

- Obrigada, aproveite. - Obrigada pela preferência.

Eu agradeço.

- Tchau. - Obrigada.

Agradeço por vir.

- Movimentado, né? - É.

Acho que foi a última.

Como você tá, mamãe?

Indo.

- Tô indo. - Vestidinho lindo.

Se importa se eu...

- Se eu tocar no bebê um segundo? - Claro. Vem visitar.

Oi, bebê. Como você tá?

Uma pergunta.

Se não podemos voltar naquele restaurante...

Sim.

...por que ele pode vir aqui na loja?

- Eu não... - Café.

- Tá. - Vou comprar café. Você quer?

Não, tô bem. Obrigada.

- Licença. Oi. Licença. - Oi.

Obrigada.

- Bom te ver. - É.

Oi.

Oi.

Isso é incrível.

É, obrigada.

Exatamente como eu imaginei.

É, o seu também.

Obrigado.

Olha só a gente.

Olha, eu...

passei aqui no dia seguinte à briga...

mas ele estava aqui. E não achei que seria uma boa ideia.

Eu só queria me desculpar.

Eu perdi a cabeça...

e agi feito um babaca.

E fiquei muito mal, me desculpa.

Não, tá tudo bem. É só...

Foi um mal-entendido. Então...

Bom, não sei.

Não acho que foi.

Por que tá aqui agora? Te dei meu endereço meses atrás.

O que você tá fazendo?

Eu vim no dia seguinte.

Eu passo muito por aqui de carro.

É.

Desculpa.

Você tá feliz?

Tô.

- Tá? - Tô.

Eu não poderia estar mais feliz.

E você?

Não.

Sinto muito.

É o seu celular?

É.

O que tá fazendo?

É o meu número. Caso precise.

Tá, não vou precisar...

mas obrigada.

Espero que não.

Ei, aquilo...

Aquilo que ele te falou naquele dia...

sobre a gente. Não foi...

Não joguei nada fora.

Eu sei.

Eu estava lá.

Oi.

- Oi. - Oi.

Que cheiro bom.

Obrigada.

Você tá feliz?

Tá tudo bem?

Tá, tô só...

Só tô curiosa.

Eu não estava.

Lily, você me faz feliz.

Você tá feliz?

Acho que ninguém é feliz o tempo todo, mas...

Não sei se gostei de como isso soa.

Não. É que...

Claro que tenho minhas questões...

com a vida, o relógio biológico...

- e todas essas decisões que... - Certo.

Afligem as mulheres.

Mas sou uma pessoa naturalmente feliz.

Deve ser só um mecanismo de defesa que aprendi com minha mãe.

Sua mãe?

Meu pai batia nela.

Que merda, sinto muito.

Você nunca me contou.

Não é uma coisa que a gente fala.

Ele te batia?

Não. Mas ele quase matou o Atlas.

Meu Deus. Sinto muito.

Nossa.

Que vergonha. Eu...

Aquela briga no restaurante.

Eu não sabia. Deve ter sido horrível pra você.

É.

Amor, tudo o que quero na vida é te proteger.

Sabe disso, né?

Quando você se machuca sem querer...

quando dá uma topada, também me culpo.

É como se fosse culpa minha a parede estar ali.

Para.

Sou o homem mais sortudo desse planeta.

E eu podia passar o rodo, vai por mim.

Não quero ouvir isso.

- Não quer ouvir isso um pouquinho? - Não.

Sou um neurocirurgião sarado, fala sério.

Qual foi a última vez que viu um cara que nem eu...

fora de uma novela de TV?

Ora, parando pra pensar, realmente, não vejo.

- É. - E eu sou rico.

E humilde.

Vamos trabalhar nisso aí.

Eu te amo tanto.

Eu sei. Também te amo. Esse é o problema.

É um problemão.

É um baita problemão.

Para.

Olha pra ela. Parece uma E.T.

Ela é perfeita.

Quer segurar?

- Quero. - Eu sabia.

Pega aí.

Tá. Pronto.

- Pronto. Oi. - Isso.

Você é tão linda. Oi.

Você é mamãe.

Sou.

Minha irmã é mamãe.

E você é tio.

Uau. Você conseguiu.

São só os hormônios. Não olha pra mim.

Vocês querem filhos? Bom...

- Sem pressão. - Falei sem pensar.

Não precisa responder agora.

Seria ótimo pra cuidar de crianças e tal.

Não vou obrigar ela a botar um vestido branco...

e ter filhos comigo.

Só se ela quiser.

Aí, eu me casaria com você hoje.

- Eita, ele fala sério. - Meu Deus.

Ryle, tá embriagado com cheirinho de bebê.

Não. Isso é sério como um aneurisma.

Meu Deus. Não faz piada de neurocirurgião no seu pedido...

Quer dizer, se tá me pedindo.

Isso é...? É...?

- Ele tá dando a volta. - Se for isso mesmo...

- Me dá a bebê. - Isso é tão...

- Para. - É. Espera.

Não, não. Não, para.

- Ele vai fazer isso. - Ai, meu Deus. Meu Deus.

Tá. O que...?

Podemos só...

Me dá a bebê aqui? Ela é nossa.

- Deixa com a gente. É nossa mesmo. - Me dá.

- Toma. - Vem cá, bebê.

Pode se ajoelhar. Ajoelha de novo nesse segundo.

Quer casar comigo, Lily Blossom Bloom?

Sim?

- Tá. - Isso é tão...

- Ele fez isso. - Eu só...

É um milagre.

Graças a Deus.

Ai, meu Deus.

- Mas vai ter outro casamento direito. - Você se casou sem mim.

E ainda sinto muito...

mas, algum dia, vai ter que me perdoar.

Vou vencer pelo cansaço.

- Minha mulher vai vencer pelo cansaço. - Impossível.

Acho que você não devia perdoar. Pronto, falei.

Tá. Chega disso. Espera, pode carregar meu celular?

Não venho sonhando com seu casamento a sua vida toda.

Eu sonho com ele a minha vida toda.

E, desculpa, me sinto traída.

Tá. Já entendi. Valeu, mãe. Temos que mudar de assunto.

Se não posso te ver andando até o altar...

não me negue te ver sofrer.

- Quer me compensar? - Por favor.

Me dê um neto. Não, 3. Trigêmeos.

Tá bem. Dá pra... Podemos mudar de assunto por favor?

Tudo bem?

O que houve?

- Mãe, já te ligo, tá? - Tá bem.

Pode desligar.

Ei, o que houve?

Tá tudo bem?

Derrubei seu celular...

e a capa saiu.

E achei isso.

Liguei pro número...

- Não foi... - Você me prometeu.

- Eu sei. - Eu nunca mentiria pra você.

Eu sei. Não é nada.

- Nada? - É.

É.

- Não é nada? - Nada. Juro.

É.

Tá bem?

Não é nada.

- Tá bem. - Tá bem.

Ryle.

Ryle, amor, juro que não ia encontrar com ele.

- Eu juro, por favor. - Para! Não, não.

- Não, eu juro, por favor. - Lily, para!

Não, é... Por favor, me escuta.

- Eu não sabia que ele ia na loja. - Você me prometeu. Para.

- Conversa comigo, por favor. - Para!

- Para você! Por favor, não. - Para!

Ei. Fica quietinha.

Fica bem quietinha.

Passou. Tô aqui.

- Para. - Tô aqui.

O que... O que aconteceu?

Você caiu da escada.

Não, não, não. Não mexe.

Você tropeçou e...

Eu tentei te segurar.

- Não, Ryle, não. - Você tá bem. Tá tudo bem.

- Não. - Tá doendo.

Sei que tá doendo. Tá tudo bem.

- Tá. - Tudo bem.

Você sabe o seu nome?

Lily Bloom.

Certo. Onde você tá?

- No nosso apartamento. - Isso. Quem sou eu?

Meu marido.

O que eu tô fazendo agora?

Me ajudando.

Quantos dedos tem aqui?

- 5. - 5.

- E agora? - 2.

Diz que não é nada.

Não é nada.

Tá, vem cá.

Obrigada.

Eu tô bem?

Você tá bem. Tá tudo bem.

Tá.

Lily! Ai, meu Deus.

Você viu? Viu a revista?

Você conseguiu! Olha isso!

Top 10. A gente é top 10!

- A gente é top 10... Você conseguiu. - Espera, cadê?

Você é genial! Conseguimos. Olha, olha.

- Olha aqui, é você! - Meu Deus.

Ai, meu Deus. Vou ligar pro Ryle...

e dizer pra ele comprar uns 50 exemplares.

10 MELHORES NOVOS NEGÓCIOS DE BOSTON

Oi.

Oi.

Você viu?

- Parabéns. - Obrigada.

Eu não sabia que era tão importante esse "Melhores de Boston".

Melhores de Boston.

Oi.

Tá bem.

Adoro essa tatuagem.

O que mesmo ela significa?

Já falei.

Não significa nada mesmo?

Você já leu?

Já, e você?

Quer ler pra mim?

- Não gosto dessas coisas. - Por favor.

Não. Amor, fiz jantar, e vai esfriar.

- Lê pra mim. - E não gosto dessas coisas, tá?

"Número 7, Lily Bloom's."

- "Uma floricultura de vanguarda..." Que é? - Não. Pula pro número 1.

Nosso restaurante preferido.

Amor, eu...

Lê pra mim.

"O número 1 não é surpresa..."

Não, vai pro final.

"O dono, Atlas Corrigan..."

"contou a bela história de origem por trás do nome do famoso Root."

"Quando era garoto, eu entalhei um..."

- Entalhou o quê? - Amor, não quero mais ler...

Continua.

"... coraçãozinho oco de um carvalho para uma garota."

"E o nome representa algo que ela me disse..."

"e que ficará entre nós dois."

"Mas não havia outro nome para o Root. Foi..."

"sempre para ela."

Amor...

Vá direto pra esse último parágrafo.

Fica melhor.

- Eu não quero... - Leia.

"Perguntado se ele a havia visto desde que eram adolescentes..."

- "Corrigan respondeu..." - "... Corrigan respondeu..."

"'Sim. Próxima pergunta.'"

Você o ama?

Eu o amava.

Você ainda o ama?

Eu amo você.

Não foi o que eu perguntei.

Não sei.

Obrigado.

Desculpa, amor.

- Vem. Vamos jantar. - Não.

Por favor.

Não, não, não. Agora não. Por favor...

Por favor. Para, por favor.

Amor, para. Para.

- Quer que eu pare? - Agora não. Para com isso.

Para com isso.

- Ei. - Para!

- Ei. - Para, por favor. Para.

Ei!

- Ei. - Para.

Para.

Para! Para.

Não. Para. Para. Ei.

- O que tá fazendo? Para. - Ei.

O que tá fazendo? O que tá fazendo?

- Amor. Ei. - Para. Para.

Ei.

Eu te amo.

Ainda não mostrei como eu te amo.

Mostrou.

- Mostrou. - Não.

Mostrou.

- Amor... - Por favor.

Mostrou, amor, mostrou.

Tá bem.

- Eu te amo tanto. - Eu te amo, amor.

- Eu te amo. - Eu te amo tanto.

Amor. Por favor, para.

Por favor, para.

Para. Ei. Ei, para.

Ei, para. Olha pra mim.

- Te amo demais. - Olha pra mim. Não, olha pra mim.

E quero que saiba que te amo o bastante.

- Você mostra. Ei. - Não.

Olha pra mim. Olha pra mim. Eu te amo.

Amor, olha pra mim. Por favor, olha pra mim.

- Por favor, olha pra mim. - Essa tatuagem.

Por favor, olha pra mim. Por favor, olha. Por favor.

Por favor. Por favor. Eu te amo.

Eu te amo. Por favor.

Por favor, não faz isso.

Por favor. Por favor.

Para!

Acho que não mostrei como eu te amo.

- Mostrou. Sou eu. - Em vez disso...

- Não mostrei. - Ei.

- Serviço. - Sim, chef.

Eu não queria acabar igual a ela.

Você não é igual a ela.

Não pensa assim.

Tá?

- Tá. - Você não é.

É o que eu tô pensando?

É.

Queria falar uma coisa. Não sei se é a hora certa...

Desculpe pela demora.

O movimento está grande esta noite.

Temos um exame para este tipo de caso.

Fazemos corpo de delito. É opcional, claro...

Ele não...

Não, eu não...

Ele tentou?

Não preciso do exame. Obrigada.

Posso?

Pode, claro.

Aqui dói?

E aqui?

É apenas superficial.

Normalmente...

eu pediria um raio X da sua clavícula pra ver se não há fratura...

mas, devido ao seu estado, vamos fazer uma assepsia...

e a enfermeira virá aplicar uma antitetânica.

Eu... não tô entendendo.

Não fazemos raio X em grávidas a menos que seja essencial.

Tá bem?

- Tá. - Certo.

- Eu já volto. - Tá bem.

Não existe Cassie, existe?

Não.

Não existe.

Essa é...

É a minha casa.

Cozinha, sala.

Vou te trazer umas roupas.

Obrigada.

Meu pai nem vai dar falta.

O quarto é todo seu.

- Não vou tomar o seu quarto. - Por favor.

Vou acordar cedo mesmo pro trabalho, então...

Adoro esse sofá. É muito bom.

Então, fique o tempo que quiser.

Obrigada.

Agora, tente descansar.

Até amanhã.

Oi.

Oi.

Não sabia se estaria com fome, então trouxe alguns dos mais pedidos.

Qual música vai querer no seu enterro?

Se tivesse que escolher.

Nunca pensou nisso?

Qual música vai tocar no meu enterro?

É.

No meu enterro, penso em Creed, "With Arms Wide Open".

- Sabe? "With arms wide..." - É.

...enquanto o caixão desce.

Vai ficar tudo bem.

Não sinto que vai.

Eu sei.

Mas vai ficar.

Mas agora é meio diferente.

Não consigo cuidar nem de mim mesma...

então, como vou cuidar de um bebê?

Na noite que fui pra casa abandonada...

não fui procurando um lugar pra ficar...

fui pra lá pra me matar.

E eu estava sentado no chão da sala...

e vi você na janela do seu quarto.

A luz se acendeu...

e você meteu a cabeça entre as cortinas...

e assim que vi seu rosto, eu não consegui.

No dia seguinte, você levou comida pra mim.

Você me salvou...

Você salvou a minha vida. É o que quero dizer.

Você é assim.

Se você decidir ter o bebê, vai ser uma mãe maravilhosa.

E esse bebê tem muita sorte.

Você dá conta.

Lily.

Se você achar que é capaz de se apaixonar de novo...

se apaixone por mim.

Eu sinto muito.

Eu acompanho ele a minha vida toda e vejo...

como ele tem medo de abrir o coração pras pessoas...

desde criancinha.

E eu sentia que ele estava definhando por dentro.

Definhando por dentro aos poucos...

até conhecer você.

E não tô dando desculpas...

Eu nunca...

Nunca pensei que ele fosse capaz disso.

Posso perguntar o que aconteceu com o Emerson?

Claro.

Você merece saber, e é a nossa família.

Meu pai tinha uma arma.

O Ryle e o Emerson estavam brincando em casa...

sabe, bancando caubóis...

e a acharam.

O Ryle tinha 6 anos.

Era um menininho de 6 anos.

Ele nem sabia que era uma arma de verdade.

Achou que era de mentira...

até ser tarde demais.

- O Emerson era nosso irmão... - Sinto muito.

...melhor amigo dele.

Ele nunca mais foi o mesmo.

Depois daquele enterro...

Antes eu gostava de flores.

Presta atenção.

Como irmã dele...

o que eu mais queria é que você conseguisse perdoá-lo.

Mas como sua melhor amiga...

Lily, se você o aceitar de volta, nunca mais falo com você.

Eu sinto muito.

Você é a melhor amiga que já tive.

E eu vou ser uma tia melhor ainda.

Minha querida.

Amor, pela nossa família

Me deixa te ver. Me perdoa

Sei que tá com raiva. Por favor, me atende

Desse lado?

É. Se eu segurar aqui, fica mais fácil.

- Pra direita, aperta. - Tá.

Desculpa.

Não, você consegue.

Seu pai sempre fazia essas coisas.

Aposto que você já montou umas coisas na vida.

Não, não, era departamento dele.

Não quer entrar.

Por que você continuou com ele?

Teria sido mais difícil ir embora.

E eu amava ele.

É, eu também.

Acho que consegui.

Isso é o coração batendo.

Olha só. Você quer saber?

- Já dá pra saber? - Dá.

Tá bem.

Quero.

- Quer? - Quero.

Está vendo aqui?

É a cabecinha dela.

Oi.

Oi, filhinha.

"Ela", né?

Oi.

Oi, minha filhinha.

Oi.

É sempre...

Valeu.

Ela tá chutando?

É, tá.

Pronto.

Firme.

Vai. Segura aí.

Obrigada.

Deixa que eu limpo tudo depois.

Tá.

Quer sentir antes de ir? Se quiser...

Tá chutando agora?

Sempre. É.

Quero.

Tá bem.

Pode vir. Vem.

Aqui. Aqui.

É ela.

É.

Um belo cabeção. Sentiu isso? É o pezinho aqui. Sentiu?

Tá se espreguiçando.

Volta pra casa.

Olha, eu não...

Nunca mais vai acontecer.

Prometo. Vou me tratar.

Por favor, volta.

- Desc... - Vai se atrasar pro trabalho.

Vem cá. Quer ficar com a gente?

Tem lugar pra mais um.

- Tem? - Tem.

Eu sei. Tô aqui. Tô aqui.

- Oi. - Quer segurar?

Quero.

- Toma. Desse jeito. - Ei. Oi.

A mamãe tá aqui.

- A mamãe tá aqui. - É.

Ainda aqui. A mamãe tá aqui.

Eu sei, eu sei.

Eu sei. Tudo bem.

Segura ela assim.

- Oi. - Isso mesmo.

- Oi, linda. - Isso mesmo.

Sou o seu papai.

É. Você é.

É.

Qual vai ser o nome?

Pensei em dar o nome do seu irmão.

- Emerson. - É. Emerson.

Assim, a gente a chama de Emmy.

O que acha?

Acho que é a coisa mais legal que já fizeram por mim.

Obrigado.

Tudo certo. O papai tá aqui.

O papai tá aqui, Emmy.

Oi.

Oi, linda. Sou seu pai.

Vou proteger você, Emmy.

Vou proteger você.

Quero o divórcio.

Ei, não vamos falar disso.

É.

É.

É.

Não por você nem por mim. Por ela.

Você sabe.

Olha pra ela.

E se, um dia, ela dissesse pra você: "Meu namorado bateu em mim".

O que você...?

O que você diria a ela?

Ou se ela dissesse: "Papai, meu marido me empurrou da escada..."

"mas falou que foi sem querer, e tudo bem."

Ou se dissesse que o marido a imobilizou e ela implorou pra ele parar...

mas ele jurou que isso nunca se repetiria?

O que você diria?

Se a pessoa que ela amasse...

se ela...

a machucasse, o que você diria?

Eu imploraria pra que ela o largasse.

É.

E pra que ela nunca voltasse pra ele.

Quer ir com a mamãe? Você tem uma mamãe incrível.

Toma.

Tô aqui, bebê. Tô aqui. É, meu amor.

Tá. Eu vou...

É.

É isso, amor. A mamãe tá aqui.

A mamãe tá aqui.

É.

É.

É assim que acaba, meu amor, com você e comigo.

É assim que acaba.

Ouviu?

É assim que acaba.

É.

Obrigada.

Mamãe, eu te amo.

Que orgulho de você.

- Tá. - Tá.

- Eu já volto. - Tá.

Vem conhecer seu vovô.

Pronto.

MARIDO E PAI AMADO

Tchau, papai.

Tá.

Já chega.

Vamos.

Também é meio assustador.

FEIRA

- Oi. - Oi.

Como você...?

Era a sua filha?

É, é a Emmy.

Eu vi vocês antes. Eu só não tive...

É.

Ela é linda.

Obrigada.

Você continua com...

Não.

Não, somos só nós duas.

- Você tá com alguém? - Como vai a loja?

Não.

Ainda não.

É ASSIM QUE ACABA

Tradução: Monika Pecegueiro do Amaral

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