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Original subtitles

Olhe, eu pintei a concha de roxo.

Ficou linda.

Ei, pirata John!

Largue essa faca cega!

Espere.

Certo. Vamos. Ajude-me a encontrar o oceano.

Esses parecem peixes!

Eles têm cabeças grandes e caudas pequenas!

Cuidado!

- Pai! - Ei!

Minhas duas princesas!

Sentiram falta do tubarão de vocês?

Sim!

O tubarão vai pôr ordem por aqui!

Voltou cedo.

Pode ter sido um erro.

Está com fome?

Tem algo na geladeira?

Não gostou?

Prefiro você de cinza.

- O único normal aqui. - Que departamento?

Nina, coma uns chocolates belgas.

Não dá. Estou cheia de trabalho.

Preciso pôr as coisas em dia. Era para eu ter ajuda.

Por que está aqui?

Trabalho aqui. E você?

Começo hoje.

Moda e Estilo de Vida.

Comigo.

Com você?

Estava esperando por você.

Muito prazer.

Que legal.

Continue dizendo para virem e...

Sim, vamos consolar os formandos da faculdade de artes.

Ele tem que vir com a esposa.

Já é alguma coisa.

Com licença.

ESTA NOITE, VOCÊ DORME COMIGO

Quando voltou para a Polônia?

Ontem à tarde. Direto de Amsterdã.

Depois de dez anos.

E topo com você logo de cara.

Somos um casal e tanto.

Porra.

Queria poder ficar aqui para sempre.

Sente isso?

Essa conexão incrível que temos?

É um vínculo inquebrável.

Não sei como ficou bêbado com uma taça de vinho.

Foi minha primeira garrafa de vinho.

E minha primeira vez.

A senha está na gaveta.

Certo.

Vai precisar de um crachá. Pode pegar lá embaixo.

O que mais?

Chegue às 9h em ponto. Alguém precisa chegar cedo.

- Oi, Nina. - Oi. Obrigada.

- Acho que não nos conhecemos. - Não.

- Oi. Janek. Sou novo. - Agnieszka.

Estágio ou período de experiência?

Período de experiência.

Não seja dura com ele.

Espero que fique. Vamos ter muito o que conversar...

Agnieszka, podem conversar após o trabalho?

Vão ter mais tempo.

Nina, com que frequência encontra o homem dos seus sonhos?

Uma vez?

E rolou uma química entre nós.

Nos dê uma chance.

É brincadeira.

Não muito engraçada.

Apareça para um café. Sua cafeteira é uma droga.

Agnieszka.

Estou indo.

Eu sei. Tudo bem. Estou indo agora.

Estou indo.

Certo, vamos falar de trabalho.

Dê uma olhada no portal.

Se tiver alguma dúvida, é só me perguntar.

Alô, mãe?

O que está comendo?

Não ligue. É o efeito colateral da minha concentração.

Queria saber o que o papai e eu levamos esta noite.

Não se preocupe. Eu compro tudo no caminho.

Tá bom. Levamos algo especial.

Ótimo. Tchau.

Maciek, esqueci completamente.

Mas eu não.

Por favor, não é uma competição.

Estou cheia de trabalho. Não consigo sair cedo.

Estou com um novo assistente.

Do que precisa?

Pode pegar as meninas? Ajudaria.

Eu organizo algo para hoje à noite.

Eu tenho trabalho.

Por que não liga para sua mãe?

Preciso de ajuda, não de conselho.

Seria uma sentença de morte.

Se souber que esqueci, vai me matar.

Nina!

Vou desligar. Tenho uma reunião.

Que ótimo!

Sogrinha?

Meu cliente gostaria de lhe oferecer um cargo de CEO.

Vejo que não vai desistir.

Mas gosto da sua determinação.

Por favor, me seduza.

Srta. Eliza...

um cavalheiro nunca fala de dinheiro com uma mulher bonita.

Mas garanto que seu salário será o dobro.

Posso anotar o pedido, por favor.

Sim, quero o carpaccio vegetariano e...

terrina de alho-poró.

Só isso.

Também quero o carpaccio.

E como prato quente...

Tem outras opções além de terrina e beterrabas cozidas?

Duas terrinas, então.

Eu sei, desculpe.

Eu me esqueci de uma festa que deveria dar hoje.

Tive que fazer umas compras.

Desculpe. Somos as últimas?

Sim, mas elas não estão aqui.

- Como? - A avó já veio buscar.

Minha mãe?

Então ela sabe.

- Pai, o que faz aqui?

- Oi. - Estou arrumando a casa para a festa.

- E a mamãe e as meninas? - Devem chegar logo.

Nossa!

- Como trouxe tudo isso sozinha? - Com os dentes.

- Maciek teve que trabalhar. - O quê? E você não?

Se uma pessoa se sacrifica mais que a outra, aí...

a qualidade da relação é...

Pai, o Maciek se sacrifica muito nesta relação.

Sabe que sou a campeã do TDAH.

Sou faixa preta.

Sempre me esqueço das coisas, me atrapalho.

Fico feliz que ele tenha uma paixão.

Querida.

Um mês inteiro na Islândia?

Ele sempre viaja em agosto, quando tenho menos trabalho.

Pare de me amolar.

Obrigada pelas flores.

Adoro tulipas.

Eu poderia dormir coberta de tulipas.

Dormir em tulipas.

- Olá. - Olá.

- Nove vermelhas, por favor. - Rosas ou tulipas?

- Tanto faz. - Certo.

Estão casados há nove anos

e têm tudo.

E sabem por quê?

Porque estão juntos!

Você...

que acende o fogo

E você...

que o mantém aceso.

E, embora viver com nossa Nina não seja fácil,

ela lhe deu duas filhas maravilhosas.

São quatro partes de um todo.

E agora,

soprem as velas juntos. Para dar sorte.

Pai! E a mamãe? Era para soprarem juntos.

Não era para sermos rápidos?

Não se preocupe, eu apago as velas ano que vem.

Viu?

Ele me ama do jeito dele.

O bolo parece ótimo.

É feito em casa?

Eu não mereço uma sogra dessas.

Você é o único que me dá valor.

Do jeito dele.

Não gosto dessas coisas.

Mas o bolo estava ótimo.

De onde ela tirou o discurso do fogo?

Leu em um livro de autoajuda.

No 365 Maneiras de Ter Um Casamento Feliz.

Da próxima vez, seremos só nós.

Você e eu.

Vamos conversar, fazer amor, conversar.

Conversar. Fazer amor. Transar.

Quer saber?

Ela devia ser padre. Haveria menos divórcios.

Por favor, pare de falar dela.

Faça amor comigo.

Uma rapidinha?

- Quero dormir na sua cama. - Zuzia, venha.

- Oi, chefe. - Oi.

Fui o primeiro a chegar hoje.

- Você está bonita. - Obrigada.

Bem...

Não ia morar na Holanda?

Esse era o plano.

O que aconteceu?

A vida aconteceu.

O que aprendeu lá?

Tudo.

Então valeu a pena.

Certo. Precisamos de uma grande ideia para uma série de artigos.

Certo.

Algo para nos inspirar.

Soube que sua cafeteira é uma droga.

Obrigada.

Certo.

Por exemplo, o corpo e tudo o que o envolve.

Genial.

- Foi só uma ideia. - E das boas.

É?

Beleza.

Então é isso.

Corpo.

Nossa relação com o corpo.

Acha que, em geral, as pessoas gostam de seus corpos?

Acho que a maioria das pessoas não gosta de seus corpos.

Certo. E você?

Faça sua pesquisa.

Vamos falar de autonomia.

Quem tem direito aos nossos corpos?

O Estado, Deus, nós.

Identidade.

Nossa atitude quanto ao gênero, à natureza.

O corpo nas redes sociais.

O que mostramos ou não, o que comunicamos.

- Como queremos ser vistos. - É infindável.

Está ficando confuso. Precisamos focar em algo.

CORPO - RELACIONAMENTO AUTONOMIA - CULTURA - IDENTIDADE

Talvez o corpo não nos defina.

Quer ir à formatura comigo?

Não.

Por que não?

Um formando e uma jornalista?

Seus amigos vão rir de você por gostar de mães.

Eu gosto de mães.

As mães são as mais bonitas.

O retrato de um homem com margaridas.

Ins-pi-ra-ções.

Achou alguma coisa?

Na verdade, não.

E você?

Talvez ache algo aqui.

É sobre diversidade.

O corpo não deve ser julgado.

Deve ser aceito incondicionalmente.

Como o amor.

Tem duas filhas?

Lena e Zuzia.

Quieta, não se mexa.

Estou no comando agora.

Se tivermos filhos, vamos escolher os nomes juntos?

Sim.

Se for menina, queria que se chamasse Lena.

Lena é bonito.

Se tivermos outra,

vai ser Zuzia.

Eu gosto.

Formam um lindo casal.

É só uma foto.

Ela não define você?

Oi, amor.

Estou fazendo compras.

- Não esqueci. Vou comprar tudo. - Compre removedor de manchas.

Vou comprar tudo. E isso também.

Tchau.

Vim ver como você está.

- Sempre tem que ser a irmã mais velha? - Qual é?

Só quero saber como está indo.

Quando vai aparecer?

Pergunta difícil.

Tenho que cuidar de umas coisas, aí eu apareço.

Ei, por que está tão estranho?

O que foi?

Está apaixonado?

Ah, não!

Está apaixonado mesmo.

Conte-me sobre ela.

Qual a idade dela? Onde ela trabalha?

Ela é bonita?

Ela é linda.

Inteligente.

Ela é jornalista.

Mais velha.

Ah, não!

Sim.

Casada e com filhos.

Casada e com filhos?

Sério?

Quer acabar com um casamento?

Ei, Janek.

Olhe para mim.

Isso não é uma boa ideia.

Está entendendo?

Não vou tirá-lo de encrenca de novo.

- Não conte comigo. - Olhe.

Já tentei fugir desse amor antes.

Merda.

A MAIORIA DAS PESSOAS NÃO ACEITA SEUS CORPOS. É TRISTE.

VAI SE JUNTAR A MIM NA GUERRA CONTRA A INDÚSTRIA PUBLICITÁRIA?

Ei, é meia-noite. Venha.

VOU. DOIS GUERREIROS SOLITÁRIOS.

É MEIA-NOITE

DURMA BEM, GUERREIRA

- Ao que estamos bebendo? - A nós.

Finalmente, consegui que Janowska assinasse o contrato.

Parabéns.

Obrigado.

Acho que mereço uma recompensa.

Vamos viajar no fim de semana e descansar.

Ótima ideia. Depois que eu voltar da Islândia.

Não é daqui a dois meses?

Decidi adiantar a viagem.

É lindo lá agora com o Sol da meia-noite.

É?

Ei, não fique chateada.

Você ficou louco?

Quer despejar tudo em cima de mim?

O jardim de infância, a escola.

As atividades.

O coral da Lena, as aulas de arte da Zuzia.

Vou ter que me virar sozinha?

Acabei de começar um projeto novo. Quer me matar?

Não seja tão dramática.

Não estou sendo dramática. Não pode deixar tudo nas minhas costas.

Eu também estou exausta. Não está vendo?

Estou.

Eu volto em um mês.

Mãe, fiz cereal para você!

Fiz uma torrada!

Uau, ótimo!

Obrigada, meninas. Vocês são uns amores.

Qual é a ocasião? Algum tipo de Dia da Princesa Esquecida?

- O papai disse que você está um babaço. - Um "babaço"?

Quer dizer um bagaço?

Um bagaço.

- Bagaço! - Bagaço.

- Vamos à casa da vovó e do vovô! - Sério?

Vou levá-las por uns dois dias.

Para a minha mãe.

Você pode descansar.

Para a sua mãe?

Não é uma boa ideia?

Fantástica.

Acha que já deu?

Acho que sim.

Tirei umas cem fotos.

Tirei umas mil.

É um experimento. Vamos achar algo.

Claro.

O que é isso?

Você?

- Uma árvore de Natal? - Uma garça.

- E isso? - Não sei.

Sou Daniel, do Cobra Kai.

Cuidado.

Precisamos ter cuidado.

Temos que seguir o fluxo.

O quê?

Não podemos deixar o rio nos levar.

Eu primeiro!

Rápido. Vamos nos atrasar!

Coloquem o cinto.

O que está fazendo?

Mudança de planos.

Meninas, venham se despedir do papai.

A gente ia te levar. Tirei o dia de folga.

- As meninas... - Vão ficar irritadas, e nós frustrados.

Meninas, voltem para dentro. Tchau.

Querida,

não vai querer ficar presa no trânsito e depois vagando pelo aeroporto.

Acho que não entendeu.

É bom para nós.

Sei o que é bom para vocês porque amo vocês.

Eu te ligo.

Pegaram?

Posso tomar duas?

- Sim. - Posso tomar três?

Não, só duas.

Duas.

- Morango. - Claro.

Manga.

- Para você. - Obrigada.

E para você.

Manga e caramelo salgado.

É tão estranho. Com você, me sinto valorizada.

Talvez porque eu te alimente.

E espante animais selvagens.

Caraca, desculpe.

Não se preocupe.

Desculpe.

Deixei meu celular.

Vou ligar para os meus pais para ver como estão as crianças.

É para nossa série.

Você está linda.

Para a série também?

Essas fotos não são muito eróticas?

Essa não era a ideia.

Qual era?

Era só sobre o corpo.

Para mim, era sobre a beleza escondida.

Alô?

Sim?

A Zuzia?

Certo, já estou indo.

Tenho que ir.

- Precisa de ajuda? - Não.

ISLÂNDIA

Fique bem, meu amigo.

Oi, que bom te ouvir. Fale rápido, minha bateria está acabando.

Cadê a caixinha de remédios?

- O quê? - A caixinha de remédios.

Eu trouxe. Por quê?

Não sobrou nada? Nem paracetamol?

Podia ter me dito.

Mais um problema?

Zuzia está doente, com febre.

É normal com crianças. Amanhã ela estará bem.

Ela está com febre alta, 39,9.

Vomitou. Não posso sair de casa.

Não posso fazer nada daqui.

Você pode resolver isso sozinha.

Ah! A bateria está acabando!

Claro.

Mulher-Maravilha disfarçada.

Um só não vai matar. É um exercício em equipe.

- Bem, na verdade... - Vamos.

Queria te convidar desde que te conheci.

Para uma cerveja?

- Talvez eu deva anunciar cerveja? - Nossa, Janek...

- O quê? - Não quis dizer isso.

Você está na empresa faz tempo.

Conhece bem minha chefe?

- Nina? - Sim.

Dois filhos, um marido bonito.

Está sempre atrasada.

Bem, ela é meio...

- Vocês não se dão bem? - Eu não diria isso.

Mas não somos melhores amigas.

Além disso, ela é velha.

Não como nós.

Sangue novo.

Vamos correr!

- O quê? - Correr. Para o bar.

Mas... Quer saber? Espere.

Falando no diabo.

Alô?

Não tenho absolutamente nada.

- Nem xarope, nem paracetamol. Nada. - Quer que compre algo?

Sim. Remédios para tosse e enjoo.

- Peça na farmácia para criança de 6 anos. - Certo.

Mudança de planos. Tenho que ir. Tchau.

- Oi. - Oi.

- Trouxe os remédios. - Ótimo. Entre.

Tá bom.

Zuzia, vamos acabar com a febre. Já vai se sentir melhor.

- Deixe-me ver o que comprou. - Aqui estão os remédios.

Para as meninas.

Mas para depois.

Só um para cada uma.

Trouxe comida também.

Vou dar os remédios a ela, e aí comemos.

Fique aqui.

LIGUE PARA MIM, MESMO À NOITE, SE PRECISAR DE ALGO.

Quem é?

Boa tarde!

- Vamos tomar sopa. - Então chega de barrinha de gergelim?

Chega!

Então cheguei na hora certa. Olá.

- Ei. - Oi.

Que tal um tofu transformador como segundo prato?

Muito transformador.

De sobremesa, chocolate para Zuzia.

Barrinha de gergelim para Lena.

Iogurte de coco para a mamãe.

Para o papai, chocolate amargo.

Como sabia?

Contei para ele ontem.

O que comemos primeiro?

Eu sei. Barrinha de gergelim.

Não, a sopa.

- Por favor. - A sopa.

Vá embora.

Zuzia.

Não se preocupe.

Tudo bem. Beleza.

Eu...

já vou indo.

Muito obrigado.

Tchau, Lena.

Tchau.

Obrigada.

Obrigado.

Tchau.

Alô?

Alô? Como está se virando sem mim?

Eu sabia. Posso falar com as meninas?

Lenka, é o papai.

Alô? E aí?

Não fui à escola porque a Zuzia está doente.

Então a vovó está ajudando?

A vovó não, o Janek.

Quem é Janek?

Amigo da mamãe. Ele me deu barrinha de gergelim.

O quê?

Trouxe coisas para todo mundo.

Ele te trouxe chocolate amargo.

Legal. Posso falar com a mamãe?

Oi?

Quem é esse tal de Janek?

Um colega de trabalho.

Comprou os remédios.

Poderia ter pedido à sua mãe.

Sim, mas já tenho duas filhas para cuidar.

Não preciso dela aqui.

Está cheia?

Ótimo.

Mãe, o que está fazendo aqui?

Como pôde?

Pedir ajuda a estranhos...

em vez da sua mãe.

Sabe como é com a gente.

Nem sempre temos o mesmo objetivo.

Maciek me ligou.

É por isso que nunca vamos nos dar bem.

Viu algum incêndio ou inundação?

Estou embaixo da mesa por causa de um terremoto?

Terminou? Vou ficar no escritório do Maciek.

Mãe! Diga ao Janek que acabou a barrinha de gergelim!

Vovó!

Querida!

Não se esqueça de falar para ele.

Acabou a barrinha de gergelim.

Oi.

Vocês estão bem?

Estamos.

Você está estranha.

Estou no trabalho, não posso falar. Sabe como é.

Está se vingando de mim?

Tenho motivo?

O que faço com isto?

Deixe aí. Depois jogo fora.

Sabe o que quero dizer?

Não importa. Você sempre acha um defeito.

O que quero dizer é...

que devia se concentrar mais nas meninas.

Você já se concentra o suficiente.

Se nós duas fizermos isso, vão se sentir pressionadas.

- A não ser que volte para casa. - Não vou.

Vou ficar

até a Zuzia melhorar.

Quero que recobre seu juízo.

A Zuzia vai melhorar em três dias.

Olhe, leia isto.

Este livro diz que uma célula em contato com o meio ambiente

muda seu DNA.

- Quer dizer epigenética? - Exatamente.

Tem a ver com o corpo.

Podemos explorar.

Receio que esta série não vá a lugar nenhum.

Não, mas devemos começar com o corpo.

Você começa com o corpo

e termina no Triângulo das Bermudas do corpo, da mente e do amor.

Nina.

Venha à minha casa.

Esta noite, você dorme comigo.

- Legal. - Ainda não terminei.

Os filhos da minha irmã deixaram a marca deles.

É difícil tirar isto.

Está falando com uma especialista.

Eu recomendo óleo ômega 3

e um secador, que não só seca o cabelo, mas também queima o couro cabeludo.

E, se tiver outras perguntas, ouça meu podcast, a espertinha.com.

Pode deixar.

Gostei daqui. É meu estilo.

É?

Sua casa tem um estilo totalmente diferente.

Não é meu estilo. É do Maciek.

Você vai plantar tulipas?

Terá que se acostumar com meu novo corpo.

Estrias após ter filhas que não são suas.

O corpo não te define.

E aí, Zuzia? Novidades?

A vovó me deu um brinquedo novo.

É uma foca interativa. A língua já quebrou.

Peça para a mamãe consertar.

Tem que ser por um profissional.

E a mamãe não tem tempo para essas coisas bobas.

- A mamãe disse isso? - Não, a vovó disse.

Por que a mamãe não tem tempo?

Estou aqui. Pode me perguntar diretamente.

- Estou perguntando. - Porque estou trabalhando.

Desde quando trabalha à noite?

Desde que minha mãe cuida das meninas.

Graças a você. Obrigada.

Minha foca vai para cama.

Solte! É minha!

Eu que ganhei!

Ei, meninas.

Solte.

Pare.

Vire à esquerda.

- Espere. Vire à direita. - Esquerda.

Direita.

Confie em mim.

Em 400 metros, vire à esquerda.

Está bom para você?

Podemos vir aqui fora do trabalho?

Juntos?

Podemos?

Não esperava uma continuação.

Formam um belo casal.

Como um comercial de amor.

Não somos um casal.

Certo. Preparem-se para a massagem.

Prepare-se para a massagem.

Gosto de como dirige.

É muito suave.

Sério.

Por que não dirige até o trabalho?

É o carro do Maciek.

Tudo que tenho são minhas filhas.

E a mim.

Mas também sou criança.

Brincadeira. Sou um homem maduro e sério.

De verdade.

Eu podia ser morto aqui.

- Sente o cheiro? - Sem pressa.

Consegue sentir?

Floresta.

Liberdade.

Prado.

- Ficaria aqui para sempre. - Aqui?

Construiria um abrigo.

Viveria de sexo e raízes.

Cuidado.

Por que não vai morar comigo?

Não vou ter que pegar insetos do chão?

Vai transar o quanto quiser.

E vou doar as crianças.

Voltamos à estaca zero.

Não tem saída.

Eu arrumo um quarto para elas.

Nina.

O que aconteceu?

Mãe, eu me apaixonei.

Então, livre-se disso.

Não.

Não posso.

Não consigo viver sem ele.

Espere.

Espere isso tudo passar.

Quer que eu o deixe?

Vai fazer isso?

Não.

Fique do meu lado pelo menos uma vez.

Estou sempre do seu lado, Nina.

Não vou dizer nada.

Mas precisa pensar direito.

Aonde vocês vão morar?

Como vai ganhar a vida? E as meninas?

Ele tem família?

Não. Isso é bom?

É bom.

E não tão bom.

E se ele quiser filhos? Já pensou nisso?

Um homem sempre quer seus próprios filhos.

O que eu faço?

O que eu faço?

Eu não sei.

Mas lembre-se...

a família é o que mais importa na vida.

Confie em mim.

Se ficar...

você será a única a sofrer.

Se for embora...

todos vão sair machucados.

Você, as meninas, o Maciek e esse...

seu rapaz.

Não importa se eu for legal ou cruel.

Vou sair machucada de qualquer jeito.

Lembre-se.

Não se constrói felicidade com a dor do outro.

Só isso.

Oi.

Ei.

Ei.

Editei as fotos, não dá para saber que somos nós.

Mas ainda somos nós.

Sente-se.

Vou te mostrar.

Olhe.

Vamos colocar o texto, e pronto.

Eu ia dizer que recebi a resposta do...

Ficaram loucos?

O quê?

Não esperava isso de você, Nina.

- Como assim? - É assédio no local de trabalho.

Jesus, Agnieszka...

- Não se preocupe com ela. - Onde estávamos?

Recebi um e-mail da competição. Eles me querem no Dep. de Cultura.

O quê?

Eu me candidatei ao emprego em Amsterdã.

Aceite.

Eu queria ter opções, mas...

O quê?

Devia aceitar a oferta.

Não aguento mais.

É muita coisa.

As crianças, minha mãe, o trabalho, o Maciek.

É muita coisa.

Isso vai me matar.

Nina.

Não tome decisões precipitadas.

- Temos que terminar. - O quê?

Oi.

Oi.

Achei que conseguiria, sabe?

Eu tinha certeza.

E conseguiu. Conseguiu, cara.

Sim, bem, foi por pouco.

Achei que eu ia desistir em algum momento, mas aí, sabe,

a adrenalina.

É.

E me senti muito bem.

E aqui estou.

Com a idade, a adrenalina não é suficiente para fazê-lo sentir-se vivo.

Pegue, cara.

Valeu.

Obrigado.

Há quanto tempo está fazendo trilha sozinho?

Três semanas.

Queria vir com a minha namorada.

A gente planejou por bastante tempo.

Mas...

É como se ela estivesse na minha frente o tempo todo.

Eu não fazia ideia

de que ela significava tanto para mim.

Se eu soubesse, tudo teria sido diferente.

Não teria terminado com ela para valer.

As pessoas...

As pessoas são importantes.

Estou passando por uma fase difícil com minha esposa, e...

ficou chato.

Precisei me afastar para entender...

o que é o vazio realmente, sabe?

Ei.

Não se preocupe. Coma.

Vai dar tudo certo.

Nem tudo.

Ela tinha câncer, sabe?

Ela não me disse nada.

Terminei com ela, e aí, dois meses depois, ela...

Merda!

- Estarei lá. - Até mais, então.

- Tchau. - Tchau.

Você vem?

À festa de despedida do Janek no Naturalna.

Não, eu não vou.

Tudo bem.

Afinal de contas, terminaram.

É melhor assim.

Para todos.

Esqueça isso, Aga.

Tudo bem.

MÃE

Vovô!

Oi, meninas!

O que está fazendo aqui?

Estava com tanta saudade.

Não sufoquem o vovô.

Venham. Vamos. Venham.

Pai, não pode me ajudar.

Eu sei a solução.

Bem, exatamente, então...

o que está esperando?

É uma ilusão de ótica.

Como a escada do Escher.

As escadas de Escher são uma ilusão.

E sua vida é real.

O amor não concretizado te deixa com...

um vazio.

E te enche de amargura...

indiferença à vida.

Passei por isso.

Eu escolhi a família.

Um final feliz então?

É o que dizem.

A felicidade do seu filho acima da sua.

Contra isso, não há argumento.

Mas as crianças podem ser felizes quando os pais não são?

Pai, chega dessa demagogia. Claro que podem.

Você era feliz?

- Não. - Viu?

Mas por causa da mamãe.

Pelo fato de ela ser controladora e monitorar tudo.

Por como ela te tratava.

Exatamente.

E por quê?

Isso não é a escada do Escher.

É causa e efeito.

Não faz sentido.

Pare.

Só vai dificultar as coisas.

Não vai haver "depois".

Alô?

Alô?

Alô?

Alô?

Não ouço nada.

Eu amo você.

Venha aqui.

Oi.

Oi.

Quem é?

Quem é ele?

Quem?

Por que está transando pelas minhas costas?

O idiota do Janek?

O quê? Não tem nada para me dizer?

Maciek.

Ouvi você gemendo.

Maciek, acalme-se.

Devia ter desligado a porra do telefone.

Ligue a câmera!

Ligue...

Ligue a câmera.

Ligue a porra da câmera!

- Vou à Islândia. - Por quê?

Acabou. Quero contar para ele.

- Pode esperar até ele voltar. - Ele descobriu sobre nós.

A reação dele foi assustadora.

Mas tudo bem. Preciso levar isso até o fim. Vou até lá...

- E se ligar para ele? - Não quero fazer isso por telefone.

Eu vou e volto. Comprei as passagens.

Só queria que soubesse. Que soubesse primeiro...

Calma...

Calma.

- Alô? - Alô.

- Alô. - Equipe de Resgate da Islândia aqui.

- Um homem caiu em uma fenda. - Entendi.

Ele parece estar inconsciente. Sim.

Não faça nada. Espere pela equipe de resgate.

Vou mandar as coordenadas do GPS.

Pode ficar aí?

Não posso. Minha esposa chega da Polônia hoje.

BUSCA E SALVAMENTO

Oi. Joanna Ragnarsdottir. Serviço de Resgate da Islândia.

- Nina? - Sim.

Fui enviada pelo seu marido.

Ele não pôde vir pessoalmente?

Já sei. Ele calculou mal a hora.

Não exatamente. Ele testemunhou um acidente na trilha.

Ele virá com a equipe de resgate. Siga-me.

Você é da Polônia?

Sim, mas moro aqui faz tempo.

Vamos pôr as malas aqui dentro.

Meu marido é da Islândia.

Nós dois trabalhamos no serviço de resgate.

Precisamos de adrenalina.

Aposto que vocês não têm filhos.

Temos. Eles têm três, cinco e sete anos.

Nós nos revezamos nas missões.

Fica com as crianças sozinha?

Fico, mas ele fica com elas quando estou fora.

Nós nos apoiamos, nos damos liberdade e somos felizes.

Sabia que os islandeses são o povo mais feliz da Europa?

E tem a maior taxa de divórcio.

Talvez por isso sejam felizes?

Ninguém sofre em um casamento infeliz por causa dos sogros ou filhos.

Temos que ir ao hospital. Seu...

Seu marido salvou um homem, mas ele se acidentou.

Olá. Meu nome é Szklarska. Meu marido está internado aqui.

É possível vê-lo?

Não.

Certo. Sabe o nome do médico com quem posso falar?

Doutor Jallow.

Certo. É possível falar com ele agora?

Certo. Obrigada. Vou esperar.

- Olá. Sou a esposa do Szklarski. - Sra. Szklarski?

Sim. Queria saber sobre o estado dele.

Como ele está?

A condição dele é crítica, mas estamos fazendo o possível.

Ele está fazendo exames agora.

Não há mais nada que possam fazer?

Temos que esperar mesmo.

Obrigada.

Que bom que ligou. Não consegui focar em nada.

Como foi?

Você volta amanhã às 16h, certo?

Sabe de uma coisa?

Não me conte nada.

Vou fazer o jantar. Comprei tudo que você gosta.

Comprei aspargos, alcaparras. Comprei até ostras.

Aí, você me conta tudo.

Janek, vou ficar aqui.

O quê?

Não, Nina, eu te imploro.

Nina.

Está me ouvindo? Nina?

- Não faça isso com a gente. - Entenda. Não posso voltar.

Não!

Nina.

Não quero saber o motivo.

Só me diga se é sua decisão final.

Sim.

Mas...

JANEK, ESTOU NO HOSPITAL...

Alô?

Desculpe.

Eu me desestabilizei quando nos falamos.

É, eu sei. Eu entendo.

Não queria que as coisas terminassem assim.

Com raiva.

Tome. Precisa de açúcar.

O que vai acontecer com a gente?

Estou com medo.

Maciek...

Ele ainda está inconsciente.

Vou me afastar.

Para você ter mais... espaço.

Por enquanto.

Mas sempre estarei aqui.

Por perto.

Nina...

Hospital...

Você ficou em coma.

Por quatro dias.

Venha aqui.

- Vou chamar o médico. - Não vá. Espere.

Vamos conversar.

Senti tanto sua falta.

Entendo tudo agora.

Acha que é o suficiente?

O suficiente? Não sei.

É...

um passo em direção...

Amo você mesmo assim.

Eu não sinto...

Não sinto.

Não consegue mexer o braço?

Vai passar.

Legendas: Rubens Martins

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