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Esta é Londres no final do último século.
Nossa história começa aqui...
na capital britânica, no inverno de 1883.
Precisamente em 19 de dezembro.
Uma data memorável para os londrinos.
Um dia que marcará o fim de um pesadelo assustador.
Martin Bauer...
o feroz criminoso mais conhecido como "A Hiena de Londres"...
o homem que, por três longos anos...
aterrorizou a cidade com seus crimes terríveis...
o monstro cuja mente podia conceber os crimes mais hediondos...
está prestes a ser executado.
Mais alguns momentos...
e ele será nada além de uma lembrança assustadora.
MARTIN BAUER 19 de dezembro de 1883
A HIENA DE LONDRES
BRADFORD, UMA CIDADEZINHA PERTO DE LONDRES.
ALGUM TEMPO DEPOIS.
Não pode me mandar embora! Sou um cliente fiel!
Deixe-me entrar!
- Só mais um copo! - Não! Basta por essa noite!
É quase meia-noite, vá para casa! É tarde!
Espere! Estou com sede!
Covarde.
Depois de todo o dinheiro que lhe dei...
sou tratado desta forma.
O que eu faço agora? Para onde eu vou?
Venha para casa, como Archibald disse.
Quem é? Ah, é você. O que quer?
Olhe o seu estado. Vamos, apoie-se em mim.
Deixe eu andar sozinho! Deixe-me em paz!
Toda noite a mesma história. Não pode continuar assim.
Vá embora, Margaret! Me deixe em paz!
Vá para casa que é o seu lugar.
Só vou se tiver o que beber.
Está bem, John, como quiser.
Vamos, Margaret! Anda, rápido!
- Não grite assim! É tarde! - Grito o quanto quiser!
- É meia-noite! Vai acordar todos! - Não estou nem aí!
O que foi, John? Não pare.
Dá um tempo.
John, estamos quase chegando. Está se sentindo mal?
- Estou bem. - Não, John, levante-se.
Por favor, levante-se.
John! John!
Eu, um assassino?
Como pôde pensar em algo assim, Sr. inspetor?
Infelizmente, tudo está contra você.
Mas repito que não fui eu! Eu juro! Sou inocente!
Estava completamente bêbado, John.
Tão bêbado...
que poderia ter feito sem nem perceber.
Não, Sr. Inspetor, acredite em mim! Eu jamais a machucaria!
Eu amava Margaret.
- Demonstrou isso. - Eu não a matei!
Precisam acreditar em mim! Acreditem em mim!
Me soltem! Sou incocente! Sr. inspetor, sou inocente!
Eu não matei!
É um excelente comediante.
- O Dr. Dalton está aqui. - Ótimo, mande-o entrar.
- Entre, Edward. Sente-se. - Obrigado.
- Então? - Foi morta perto da meia-noite.
O assassino estrangulou a vítima com uma força feroz.
É claro, doutor, ele estava bêbado.
- Também acha que John Reed... - Obviamente.
A esposa o repreendeu, talvez rispidamente...
e então ele a atacou.
Está tudo muito claro.
Quando a vida de um homem está em jogo...
deve se ter bastante certeza da sua culpa.
Eu tenho. Absoluta.
Desculpe, Brett.
- Se não precisa mais de mim... - Não, pode ir.
Venha me visitar qualquer dia. Sempre diz a mesma coisa.
Tem razão. Estou ficando preguiçoso.
- Qualquer dia eu apareço. - Vou aguardar.
- Mande lembranças à sua filha. - Está bem. Até logo.
Dr. Dalton evidentemente não gosta muito de mim.
Evidentemente.
- Até logo, doutor. - Bom dia, O'Brien.
Bom dia, doutor.
Sabia que terminaria assim. Tudo o que fizeram foi discutir.
Se todos que discutissem terminassem assim.
Fala assim porque não conhece John Reed.
Sempre foi um bêbado, um tipo violento.
- Por mim, ele não a matou. - Então quem foi?
- Margaret não tinha inimigos. - Um amigo talvez.
Isso é uma maldade. O que está insinuando?
Não estou insinuando nada. Só o que eu disse foi...
Que uma amiga pode tê-la matado.
Mas seu tom dizia algo mais.
Margaret nunca traiu John. Digo com absoluta certeza.
Mesmo que eu não viva mais em Bradford.
Éramos amigas de infância.
Às vezes, ela vinha me visitar em Springford...
e nunca me escondia nada.
É verdade que o marido batia nela quando bebia?
Ela nunca me contou, mas acho que sim.
Ela temia muito seu matrimônio, mas talvez tenha se enganado.
Coitada. Não queria que o povo da cidade tivesse pena dela.
Eu sei o que eu acho.
- E o que é? - Que John Reed é inocente.
É o que veremos.
Por mim, o inspetor O'Connor podia mandar ele pra forca.
Henry!
Como vai? Quanto tempo.
- Dois anos, se não me engano. - Dois anos e três meses.
- Tem uma memória formidável. - Talvez não seja só memória.
Mary, não há mais nada entre nós. Não tente reviver o passado.
- Como é a vida em Springford? - Boa.
Só não é tão alegre quanto Bradford.
Aos domingos, dançamos na praça.
- Po que não vem às vezes? - Não tenho tempo.
- Da sua casa são só 10 minutos. - Talvez, mas não prometo.
- Eu me lembro de tudo. - Devia tentar esquecer.
- Você conseguiu esquecer? - Sim.
- Sempre admirei sua honestidade. - Mary...
- Estão olhando para nós. - Quem se importa?
Você não muda mesmo. Adeus, Mary.
- O que estão olhando? - Nada.
- Tchau, Mary. - Tchau.
- Desculpe pelo atraso, querido. - Não importa. Foi melhor assim.
Se viesse antes, teriam nos visto.
Havia duas mulheres na fonte.
Melhor nos encontrarmos em um outro lugar.
Como quiser.
Hoje podemos ficar mais um pouco juntos.
Meu pai foi para o povoado e acho que não volta tão cedo.
Vi a carruagem dele na frente da delegacia.
O inspetor O'Connor mandou chamá-lo, mas não sei...
- Houve um crime ontem à noite. - Um crime?
Sim, mas não vamos falar sobre essas coisas.
Eu te amo. E queria poder gritar ao mundo inteiro.
Eu nunca soube o que era o amor.
Não pensei que pudesse me dar tanta alegria.
Mas tenho medo de que tudo possa acabar.
E que um dia você me deixe.
- Isso jamais irá acontecer. - Jura?
Eu juro.
- Não ouviu nada? - Não, o que é?
- Quem pode ser? - Não sei. É melhor ir embora.
Nos vemos depois de amanhã, mas não aqui, no velho carvalho.
Tudo bem. Lamento que tenhamos que nos ver tão secretamente.
Não sabe o quanto isso me dói.
Agora volte para casa, Muriel. Vamos.
Muriel!
Muriel!
Muriel!
O que houve?
Me chamou, senhor?
Diga a Peter para preparar a carruagem.
Imediatamente, senhor.
Então, como se sente? Como está a enxaqueca?
- Passou? - Sim, papai.
Mesmo? Ora, querida, pare de pensar nisso.
Tente dormir um pouco. Vai te fazer bem.
- Está de saída? - Sim.
- Não volte muito tarde. - Não, meu bem.
Só vou falar com o inspetor e volto para casa, está bem?
Cuide-se.
Me dê essa garrafa, Dr. Finney.
- Você havia me prometido. - Perdoe-me.
Que nunca mais aconteça.
Caso contrário, serei forçado a substituí-lo.
- Não se esqueça disso! - Sim, claro.
Esta manhã procurei-o para que me acompanhasse...
até o gabinete do inspetor no povoado.
Mas você não estava aqui, nem no seu quarto.
Saí cedo...
e fui dar um passeio pelo parque.
Quando se afastar novamente, peço que me avise, Finney.
Assim saberei onde encontrá-lo.
Está bem.
Em que posso ajudá-lo, Dr. Finney?
Margie!
Margie!
O que foi?
Estava tentando entrar no quarto da senhorita.
O Dr. Dalton deve ser informado.
E por quê? Não são coisas que nos dizem respeito. Venha.
No estado em que se encontra...
acha que consegue determinar a data da morte?
Sim, não mais que duas semanas.
Mais alguém sabia além de você e Muriel?
Não.
Edward, tudo isso deve permanecer em segredo.
Muito bem.
- Isso vale também para sua filha. - Não se preocupe.
Quero conduzir a investigação sem alarmar a população.
Já estão muito agitados pela morte de Margaret Reed.
Não, inspetor, está falando do crime de John.
- É um pouco diferente. - É a lei quem vai decidir.
- Aposto que... - Quayle.
Com licença.
Que tipo estranho. De onde ele saiu?
Um presente da Scotland Yard.
Anthony!
Não me faça voltar para Londres. Vou ficar aqui com você.
- Não diga bobagem. - Posso alugar um quarto.
- Não, Elisabeth. - Não vou incomodá-lo.
Não insista.
Ainda ficar muito tempo na casa de Dalton?
Não sei. Um mês ou dois.
Quando partiu de Londres, disse que era só alguns dias.
No meu trabalho não é possível estabelecer isso com certeza.
- De que trabalho está falando? - Por favor, não comece com isso.
- Mas eu preciso saber. - Direi na hora certa.
Não, deve me dizer agora. Por que deixou Londres tão rápido?
Por que veio para Bradford?
Seja o que for, eu preciso saber. Por favor, me diga.
Às vezes, me faz sentir como uma estranha.
Passei meus melhores anos ao seu lado, você esqueceu?
Na saúde e na doença.
E por isso tem direito de se meter nos meus segredos profissionais?
Devia confiar em mim.
- Não, minha cara. - Está sendo malvado.
Mas me ama mesmo assim.
E foi por um homem como você que eu deixei tudo para trás.
Minha famíla, meu orgulho feminino e a mim mesma!
Não banque a vítima. Não faz o seu tipo.
- Queria nunca tê-lo conhecido. - É mesmo?
Lamento, mas tenho um compromisso muito importante.
Não se preocupe comigo, papai.
Pode ir, Peter.
É melhor ficar em casa hoje. Descanse um pouco.
- Ainda está um pouco pálida. - Vai voltar logo?
Assim que eu me livrar daquela conferênicia maçante.
Se seus ilustres colegas pudessem ouviu-lo.
Volto amanhã. Londres não atrai mais como antes.
Estou envelhecendo, minha menina.
- Tem notícias do inspetor? - Não.
Esqueça aquilo, Muriel.
Ou vai acabar adoecendo.
Por que não vem comigo?
- Vai se distrair um pouco. - Não, papai, obrigada.
Como quiser.
Não tenha medo, Chris.
Até logo, preciso ir. Brincamos mais na próxima vez.
Voltarei amanhã. Vou passar a noite com você.
Não é fácil entrar na casa. Há um cachorro, um vigia.
Posso tentar. O risco deixa tudo mais excitante.
- Você a conhece? - Não.
- Anthony, quem é ela? - Você não toma jeito.
Nem você! Devia ver como sua expressão mudou!
Agora vá.
Nos vemos num outro dia. Eu te aviso.
É isso que odeio em você! Me trata como um objeto!
Que pode jogar fora na hora que quiser!
Vá embora.
Ao ver aquela mulher, ficou completamente transtornado.
- Está apaixonado por ela? - Mandei você ir embora!
Não tenho medo de você.
É melhor ficarmos um tempo sem nos vermos.
Volte para Londres e aguarde meu retorno.
- Qual o problema? - Nada.
- Não minta, Muriel. - Não, só estou um pouco cansada.
Cuide que o caso Reed passe para a repartição de Londres.
E também a identificação do cadáver.
E por quê?
Porque não somos tão equipados como seus colegas da Scotland Yard.
Quayle, está aqui há um mês, já devia ter entendido.
Inspetor...
Quando trabalhei na capital, a adaptação não foi tão fácil.
- Acredite em mim. - Inspetor!
- É John, depressa! - O que foi, Brown?
Não, Muriel. Não podemos continuar assim.
Precisa contar ao seu pai sobre nosso relacionamento.
Decida-se, ou eu mesmo o farei.
Mas tente entender. Ele sempre sonhou que eu...
Eu sei. Um lorde, um homem do seu nível.
Um médico distinto, talvez.
Não faça isso, devemos saber esperar.
Como? Que eu encontre um tesouro com o qual compre um título?
Talvez para o seu pai, mesmo assim seria bom, não é?
Muriel.
Não aguento mais ter que me esconder.
De ter que esperar. De temer que alguém possa nos ver.
Que alguém se aproxime de você.
- O que quer dizer? - Aquele cara, o Dr. Finney...
Acha que gosto de vê-lo no castelo?
- Um alcoólatra, um fracassado. - O Dr. Finney é uma pessoa digna...
e meu pai fez bem em lhe oferecer ajuda.
Seu papai vai acabar fazendo de você uma respeitável solteirona.
Henry!
Henry...
- Não se preocupe. - Deve ser Peter.
Vamos!
Fora!
O que estava fazendo aqui?
- Estou falando com você! - Espere aqui.
Como é que é? O gato comeu sua língua?
- Sente aí. - Qual é o problema, Peter?
Senta aí!
Encontrei ele no jardim. Nunca o vi antes.
Vamos, fale! Quem é você?
O que fazia no jardim? Esperava alguém, não é?
Os homens de O'Connor vão fazê-lo falar.
- Chris? - Sim.
Leve-o ao inspetor.
- Por que não vem também? - Estou ocupado.
- Por onde andou? - Está me machucando, Peter!
- Agora fale. - Peter, não é o que pensa.
- Onde conseguiu isso? - No quarto do patrão.
Ele é um ladrão, inspetor! Tenho certeza!
- Evidências concretas primeiro. - Mas Peter o viu!
E enquanto vagava suspeitamente pelo parque, já disse isso.
Ouça, Henry, pela última vez.
O que estava fazendo no jardim dos Dalton?
Não tenho nada a dizer.
Podemos prendê-lo mesmo assim.
Me ponha na cadeia então.
Ele é um inútil, inspetor.
Provas concretas logo aparecerão.
Terminará atrás das grades, não duvide disso.
E ficará lá por um bom tempo, que é o seu lugar!
Leve-o, Brown.
- Posso ir, inspetor? - Sim. Diga a Peter...
que mande por escrito tudo o que aconteceu.
E em detalhes. Eu mesmo vou buscar a denúncia.
Está bem, Sr. inspetor.
Mas quantos fatos misteriosos acontecem nesta pacífica vila.
Uma mulher assassinada.
Um cadáver que brota da terra como um fungo.
Um suicídio.
- Um jovem estranho que... - Quayle.
Parta imediatamente para Londres...
e entre em contato com o escritório da perícia.
Preciso saber a quem pertence o corpo daquele homem...
que encontramos na floresta.
Está bem, inspetor.
Bati muito ontem à noite e também chamei, senhorita.
Tomei um comprimido para dormir.
- Margie. - Sim.
Poderia descrever o homem que estava vagando por aqui?
Eu não o vi. Só sei que era jovem.
Ao menos foi o que Peter disse.
O que está fazendo aqui?
Vim avisá-lo que o café está pronto.
Está bem, agora vá embora.
Peter.
O que quer?
Preparou a denúncia para o inspetor?
- Ainda não. - Ouça, Peter.
Onde exatamente você viu aquele jovem?
Sob a varanda, na parte de trás da vila.
E acha que ele estava tentando invadir ou já estava de partida?
- Não. Queria entrar. - Tem certeza?
Pense bem, é muito importante.
Por quê? Não está pensando em...?
Não sei. Mas seria bom alinhar tudo antes.
- Não acha? - Talvez tenha razão.
- Bom dia, Srta. Muriel. - Bom dia, Dr. Finney.
Você está ótima hoje.
Está mais bela que nunca.
Obrigada. É muito gentil.
Margie, peça a Peter que sele meu cavalo.
- Imediatamente, senhorita. - Não quer me fazer companhia?
Perdão, tenho muito a fazer.
- Bob! Bob! - O que quer?
- Desça, venha brincar! - Estou indo, Susan!
- Oi. - Oi.
Entre.
Ah, srta. Dalton! Que prazer vê-la.
- O inspetor O'Connor está? - Não.
- Nem o inspetor Quayle? - Está em Londres. Mas estou aqui.
- Fique a vontade. - Obrigada.
- Então? - Brown, queria pedir um favor.
- E acho que o senhor... - Estou à sua disposição, srta.
Obrigada. Gostaria de saber...
quem é o jovem que foi preso ontem à noite no jardim da minha casa.
Um tal de Henry Duin.
- Gostaria de vê-lo. - Quem? O prisioneiro?
- Sim. - Não posso. Não tenho autorização.
- Lamento. - Não importa. Bom dia.
Bom dia, senhorita.
Troque a fechadura, Peter.
Deu falta de algo, senhor?
Sim, dinheiro.
- Chame minha filha. - A senhorita não está.
- Para onde ela foi? - Não sei.
Saiu pouco antes da sua chegada.
É um prazer revê-lo, inspetor.
- O Dr. Dalton já voltou? - Sim.
- Olá, Brett. - Olá, Edward.
- Como vai? - Mal, velho amigo.
Venha. Trouxe um uísque especial de Londres.
Sabe o que me aconteceu? Fui roubado ontem à noite.
Fale. O que há entre você e Muriel Dalton?
Dá um tempo, Brown.
Rapaz, deixe essas atitudes nobres para os outros.
Não se destrua por uma mulher!
Você é pior que um irlandês.
Não percebe que está encrencado?
Com uma denúnica pode pegar um ano de trabalho forçado nas minas.
E eles não brincam por lá.
Já acabou?
Pense nisso, Henry.
Não, Edward. Conheço Henry desde que era criança.
Não acho que ele é capaz de tanto.
- Não, ele não é um ladrão. - Mas há provas esmagadoras!
Até o pobre John.
Brett, você não tem ninguém para culpar.
Posso trocar umas palavras com o Dr. Finney?
Ele não está, senhor.
Ele também?
Por quê? Falta mais quem?
A senhorita Muriel, senhor.
Diga-me uma coisa, Edward. Onde conheceu esse Finney?
Em Londres. Foi-me apresentado por um caro amigo.
Haviam cassado seu registro dois dias antes...
e ele já estava em um estado...
- Problemas com bebida, certo? - Sim.
E você, como sempre, ficou comovido.
E deu-lhe um trabalho, um teto...
É um médico excelente. É muito útil.
E aqui na sua casa, já pegou ele bebendo?
Sim, uma vez. Mas prometeu que nunca mais faria novamente.
- Entendi. - Não quer esperar mais um pouco?
- Pode chegar a qualquer momento. - Não, é melhor que eu vá.
Quayle pode ter voltado de Londres. E talvez com boas notícias.
- Tomara que sim. - Obrigado, Edward.
Sim?
- A denúncia, Sr. inspetor. - Quase me esqueci.
A denúncia.
A propósito, amanhã de manhã você e Chris...
compareçam no meu gabinete.
Preciso conversar com vocês.
- Quer que eu te acompanhe? - Não, obrigado.
Prefiro dar uma caminhada. De vez em quando é bom.
- Você que me aconselhou, certo? - É mesmo.
Dr. Finney, o que faz aqui?
Queria me desculpar por esta manhã no café da manhã.
Fui muito insistente, não é?
Mas era mais forte do que eu.
Espere.
Precisa me ouvir.
Precisa saber o que sinto por você, Muriel.
Eu te amo. E minha intenção é pedir sua mão ao Dr. Dalton.
- Por favor. - Deixe-me tentar.
Talvez seu pai permita, Muriel.
Saberei fazê-la feliz.
- Mas eu não o amo. - Eu sei.
Também sei a quem pertence o seu coração.
- Ele? - Sim, eu a segui.
Também no outro dia perto da fonte e ouvi sua conversa.
Vi seus beijos.
Dr. Finney, pensei que fosse um cavalheiro.
Esqueça aquele jovem. É um amor impossível e absurdo.
- Acredita nisso? - É claro.
Seu pai nunca permitirá que se case com ele.
Mas sabe muito bem disso. Do contrário, não guardaria segredo.
Não se preocupe, doutor. Contarei tudo ao meu pai hoje!
Eu não recomendo.
Quando o Dr. Dalton descobrir que o amante de sua filha...
tentou invadir a casa ontem à noite...
Você é um ser desprezível! Me solte!
O medo a torna mais bela e mais desejável.
Poderia tê-la à força, entende?
- Você é louco! - Sim, mas por você.
Dr. Finney, vou denunciá-lo! Vou dizer ao inspetor!
Não se atreverá a contar-lhe! Eu sei e vi muitas coisas!
Eu não estava errada.
Eu lhe disse para voltar para Londres.
Achei melhor passar a noite no povoado.
Você é um porco! É um porco, Anthony!
Então você não conhecia aquela garota, não é?
Aconselho você a ir embora.
Como eu pude ter amado você? Como?
Vá embora, Elisabeth! Ou juro que te mato!
- Você? Não seria capaz. - Não me conhece tão bem.
Vá em frente, me mate! O que está esperando?
Não vai conseguir se livrar de mim tão facilmente!
Lembre-se disso, Anthony!
- De onde está vindo? - Papai.
Quando voltou?
Ainda não respondeu minha pergunta.
- Preciso lhe falar. - É tão urgente assim?
- Trata-se do jovem que Peter... - Sim, e daí?
Henry não é um ladrão. Veio aqui para me ver.
Tenho certeza. Houve uma discussão entre nós.
- E então ele... - Conhece-o há muito tempo?
Estou aqui e não ali!
Vou te pegar!
- Não consigo! - Corre, gordinho!
Vamos!
Vamos! Não consegue?
- Bob! - Sim, mãe! O que é?
- Venha para casa, é tarde. - Está bem.
- Tchau, Susan. Até amanhã. - Tchau.
Até amanhã.
- Boa noite! - Boa noite, Bob!
Ontem à noite, a caminho de casa...
vi O'Connor e Quayle do lado de fora da delegacia.
Garanto que não pareciam tão felizes.
Não é fácil ter a vida de um homem na consciência.
John não devia ter cometido suicídio.
Logo descobririam que ele era inocente.
Mas quem pode ter matado a pobre Margaret?
Logo chegarão os engravatados de Londres...
e O'Connor terá uma aposentadoria antecipada.
Não deve ser fácil. Depois de tantos anos de serviço.
Não! Não!
Não!
Venha!
Helen! Helen! Venha!
- O que houve? - Corra!
Susan?
- Por ali, rápido! - Quem era?
Uma menina! Susan, filha de Katherine!
Brown! Brown!
O que aconteceu?
Henry... fugiu.
Você viu Susan?
Não! Susan! Minha filha!
O que fizeram com você? Não!
Não há tempo a perder!
Devemos cercar a floresta antes que ele fuja!
Precisamos saber quem é! Vamos!
- Ele vai se ver conosco! - Nós mesmos faremos justiça!
É você, Anthony?
Anthony?
Anthony?
Veio dali, perto da fonte!
- Venham, por aqui! - O restante comigo!
Pelas colinas! Venham comigo!
Me deu um susto, Chris.
Temos de ter cuidado. Se Peter descobrir, ele te mata.
Margie, por que não fugimos daqui?
Para a Irlanda ou para uma casa só nossa?
O que foi isso?
Tenho que ir.
- Vamos nos ver essa noite? - Não sei. Talvez.
Vou te esperar.
Atenção! Vamos nos dividir!
Vocês por ali, dois por ali e vocês dois venham comigo!
Quem é?
Quem é?
É você, Margie?
Não! Não!
- Inspetor O'Connor! - É Quayle.
O corpo que encontramos na floresta é de Martin Bauer.
Sim, inspetor. É Martin Bauer, sem sombra de dúvida.
Vamos ver.
Muriel!
Onde está o Finney?
Margie, onde está o Dr. Finney? Fale, Margie!
Ele passou por aqui.
"Sexta-feira, 19 de dezembro de 1883.
"O momento tão esperado chegou.
"Soube pelos jornais sobre a execução de Martin Bauer.
Esta noite eu roubarei sua alma."
- Peter! - Dalton!
Inspetor! Inspetor!
O que foi, Brown?
Estava no porão. Pertence ao Dr. Dalton.
Por aqui! Tem mais rastros!
Papai!
Não!
Pare!
Brett... Brett... ouça...
O diário... o diário...
Sim, Edward.
"Sexta-feira, 19 de dezembro de 1883.
"O momento tão esperado chegou.
"Soube neste momento pelos jornais...
"que Martin Bauer havia sido executado.
"Esta noite, vou roubar o corpo dele.
"Sábado, 20.
"Meu assistente, Dr. Finney, irá prosseguir com a operação.
"Estou perfeitamente ciente da gravidade do experimento.
"Mas somente agindo como cobaia...
poderei esperar o sucesso do soro que inventei.
"Preciso fazer isso.
"Devo absolutamente controlar os efeitos sobre mim.
"Cada sintoma do mal misterioso...
"que submete o homem aos crimes mais horrendos.
"Domingo, 4 de janeiro.
"Duas semanas após a operação.
"São nove da noite.
"Dores lancinantes na minha cabeça me atingem.
"É uma sensação assustadora.
"Como se outra pessoa estivesse vivendo em mim.
"Está quase amanhecendo.
"Recuperei a consciência no jardim da minha casa...
"e não me lembro de nada das últimas horas.
"Nada desde o momento do meu mal-estar.
"É terrível.
"A invenção na qual depositei tantas esperanças é ineficaz...
"e impotente diante do mal que agora me possui.
"Quarta-feira, dia 7.
"De volta de Londres, onde fui na vã esperança...
"de encontrar um elemento químico que pudesse aperfeiçoar meu soro...
"soube do suicídio de John.
"Meu Deus!
"A dúvida assustadora que ontem passou pela minha cabeça...
"novamente me ataca.
"Meu Deus, que isso não seja verdade.
Que não seja eu, o assassino de Margaret Reed."
FIM
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