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Original subtitles

UMA SÉRIE DOCUMENTAL NETFLIX

Ele chama-se Gunther, mas é alemão por isso pronunciamo-lo

"Gun-ter" e a sua riqueza vem de uma herança, por incrível que pareça.

É multimilionário, um magnata imobiliário.

Parece que adora caviar e anda de jato privado.

Mas tratem-no por Sr. Gunther,

porque é o cão mais rico do mundo.

- Um pastor alemão… - Gunther…

Consta que vale 500 milhões de dólares.

Um cão que vale milhões de dólares?

Um cão com sorte.

E se eu lhe contasse uma história sobre uma condessa muito rica

que deixou a fortuna toda ao cão?

O Gunther vem de uma linhagem de cães ricos.

Por mais ridículo que pareça, é verdade.

A riqueza do fundo é maior do que se pode imaginar.

É um cão que vale 400 milhões de dólares.

É infinita.

Não sei se o cão sabia que era bilionário.

Talvez ele não soubesse essa parte,

mas tinha um estilo de vida bilionário.

O Guinness diz que o Gunther herdou o dinheiro de uma condessa alemã.

TORNOU-SE O CÃO MAIS RICO DO MUNDO NOS ANOS 90.

Mas depois tornou-se maior do que isso.

Isto é uma história muito bizarra.

Temos um cão. Temos o que parece ser um culto.

Tinha os seus "mandamentos".

Encorajavam-nos a fazer sexo.

Uma orgia selvagem.

Éramos como cobaias a ser estudadas.

Estava a criar algo completamente fora

de tudo o que eu compreendera antes.

Estamos a fazer investigação.

A criar uma nova raça de homens.

O Maurizio aprovou isto?

Sou cuidadoso. Corta, por favor.

De onde veio o dinheiro?

Como aconteceu isto?

Quem é a figura sombria que nos lidera a todos, o mestre das marionetas?

Quem é este cão, o que está a fazer e porquê?

Temos criminosos e vigaristas.

Pede desculpa aos americanos, caralho!

- Está bem. - Como é possível?

E as coisas ficaram descontroladas.

Uma história verídica.

Trabalho para o cão.

Estou a pensar no que vou dizer.

- Como quer que comece? - Então…

A casa tem uma aura de orgias, nudez e jovens lindos.

Posso dizer orgias? De certeza que sim.

Está bem.

Quer que comece do início? Sim.

Sou a Lucy Clarkson, chefe de relações públicas do Gunther.

Perguntam: "Como se faz relações públicas para um cão?"

Acreditem, tem sido uma loucura.

Há imenso dinheiro, uma fortuna com um cão à frente.

Esta é a história de como tudo começou.

Carlotta Liebenstein era uma condessa alemã que vivia em Munique

e o marido era professor universitário

e veio para a Alemanha refugiado da Hungria.

Fizeram a fortuna com a sua empresa farmacêutica incrível,

que lhes rendeu muito dinheiro.

Em fevereiro de 1992, a Condessa faleceu.

Quando morreu, não tinha parentes diretos

nem ninguém próximo e deixou tudo ao cão,

o Gunther, que adorava.

Foi criado o Fundo Gunther,

para que o dinheiro ficasse com o Gunther e a linhagem.

É legal um cão ser beneficiário de um fundo?

Não vejo nada contra.

A escritura do acordo é a Bíblia para este fundo, não é?

- Correto. - O que?…

Tenho-a aqui.

É o que diz aqui.

Diz que o cão é o beneficiário.

"Se morrer prematuramente,

os Administradores substitui-lo-ão como beneficiário principal

por outros exemplares com o mesmo nome."

Muita gente não percebe que este é o Gunther VI.

Antes de falecer,

a Condessa tinha criado o Gunther para estabelecer uma linhagem.

Estava a criar a Dinastia Gunther.

É como realeza, sabe?

Têm de garantir que há sempre um, dois, três ou quatro que se seguem.

Tivemos o Gunther IV a seguir a linhagem

e, neste momento, temos o Gunther VI.

Esperamos chegar ao Gunther XXV ou assim.

TOSCÂNIA VIVENDA DO GUNTHER

Sou o Mirko, chef pessoal do Gunther.

Estamos na sua cozinha e vamos preparar-lhe um belo bife de novilho.

O Gunther tem o melhor estilo de vida possível.

A Condessa quis garantir que o tratassem como um deus.

Escolhemos a carne só para ele porque é um cão

que tem muita satisfação a nível culinário.

O Gunther tem 27 funcionários.

Sou o Lee Dahlberg e há 20 anos

que sou o porta-voz do cão mais rico do mundo.

O que significa isso?

Pediram-me para falar em nome de um fundo

e deixe-me contar como aconteceu.

Lembro-me de que dormia num sofá,

não tinha dinheiro e pensei…

- Desculpa, podes parar? - Estás bem?

- Podes tirar o colar? - Sim.

- Não o vejo, mas oiço-o. - Claro.

- Sim. - Não há problema.

Bem…

eu era ator e modelo sem carreira a fazer todos os biscates.

Numa prova de vinhos, disse-me uma mulher: "Sou publicitária e represento um fundo.

Precisamos de um porta-voz há ano e meio.

Acho que és tu."

Disseram que um indivíduo tinha herdado uma grande quantia

e que se chamava Gunther. "Gun-ter."

Disse eu: "Ele é alemão? Não falo alemão."

Eles riram-se. "Ele também não."

Fiquei confundido.

Em 1999, o Gunther vivia em Pisa.

A caminho da reunião, passei por um brunch de hotel.

Entrei, roubei um bocado de bacon e meti-o no bolso envolto num guardanapo.

Quando conheci o Gunther, disseram: "O cão adora o Lee."

Ele seguiu-me o dia todo.

Isso é segurança no emprego, meus amigos.

Eu sabia que era uma oportunidade única.

Quis ser uma carraça no cu do cão para o resto da vida.

Nunca conheci um italiano que não soubesse a história.

Nos anos 90, o cão Gunther apareceu na sociedade de Pisa

por causa da história da condessa Carlotta Von Liebenstein.

JORNALISTA ITALIANO

Olá, sou o Massimo Marini, jornalista de televisão.

A Condessa fez com que o cão herdasse 138 mil milhões de liras antigas

e isso atraiu imensa atenção.

A condessa alemã rica deixou 150 milhões ao pastor alemão.

O Gunther é quase tão rico como Bill Gates e tão famoso como Leonardo DiCaprio.

Em todos os lugares do mundo,

havia um pastor alemão, o Gunther.

Come bifes e caviar ao jantar, supervisionado pelo tratador humano.

Obviamente, sempre acompanhado pelo seu anjo da guarda.

A condessa deixou instruções no testamento

para alguém cuidar do dinheiro do cão.

Na falta de uma expressão melhor, ele é o chefe.

Que engraçado eu não saber como esse tipo era famoso.

Um administrador está com a Gunther desde o início,

antes de a condessa morrer.

Chama-se Maurizio Mian.

- Maurizio Mian. - Maurizio Mian.

O homem que puxa os cordelinhos deste programa.

Sou o raio do rapaz da piscina com um microfone

e ele é o dono do castelo.

Ou seja, o génio por trás de tudo.

Ao meu lado está Maurizio Mian.

É o homem que administra os milhões.

Como é possível?

O homem por trás do cão milionário é Maurizio Mian.

Quando o conheci, não sabia que ele era o cérebro por trás do cão,

mas ele tinha uma certa aura.

O Maurizio é um génio.

Apresento o Gunther e o Dr. Mian.

Tem um doutoramento. É um visionário.

Muito famoso na Toscana.

Candidatou-se a um cargo político.

É da Máfia? Não sei. Talvez.

ESTRELA PORNO

Mas o Mian é muito famoso.

Tem ideias originais.

Concordo com algumas, outras não.

O que acha o Gunther da música rap?

- Acho que não gosta. - Nunca ouviu falar do Snoop Doggy Dogg?

Não gosta nada.

Então, esse solteiro rico está disponível?

O Maurizio é mulherengo. Não há dúvida.

Andou atrás de mim várias vezes.

Todos querem ser amigos do Maurizio.

Todos querem estar perto dele.

É um pouco… maluco.

É muito inteligente e estranho.

Desinibido. Promíscuo.

VEDETA ITALIANA

Já perguntei se ele te está a pagar para fazer este documentário.

- Está bem? - Sim.

Olhe para mim. É importante não…

Esqueça a câmara. Não está lá. Olhe para mim.

Como se estivesse a ter uma conversa com o Aurelien e ele faz perguntas.

Está bem?

Como nos filmes porno.

Os atores, sobretudo as atrizes,

estão sempre a olhar…

O que é?… O mandachuva.

Mas deviam olhar para outro sítio, para outro ângulo.

Com… Eu sei. Só para ser… Está bem.

Então,

sou o Maurizio Mian.

Não comecei

como cuidador ou assistente de um cão.

Nem gostava muito de cães.

Preferia gatos.

Formei-me em medicina e especializei-me em farmacologia.

Também fui professor universitário até aos 37 anos.

A dada altura, desisti

porque tinha atingido todos os objetivos que me propusera alcançar.

Cresci no meio de uma grande família.

Os pais do Maurizio tornaram-se amigos da condessa e do marido

porque se conheceram numa convenção de fármacos.

A minha família viajava muito.

Sabe, Itália, Alemanha.

A amizade entre a condessa Carlotta e a minha família era muito forte.

Carlotta Liebenstein era uma pessoa fantástica.

Era uma mulher que…

Já não há mulheres como ela.

Era uma pessoa com muita educação e cultura.

Para mim, era a tia Carla.

A minha mãe e a condessa

formaram laços incríveis porque ambas adoravam animais.

Mas a vida da condessa não foi feliz.

Teve muitos problemas

por causa de uma grande tragédia que lhe aconteceu.

O filho dela, o Gunther,

chamava-se Gunther como o cão, era excelente pessoa

e éramos grandes amigos.

Uma grande intensidade.

Desculpe, estou a ficar emocionado.

Acontece. É uma bela recordação.

O Gunther sofreu muito.

Sofria de depressão. Estava muito doente.

Aos 26 anos, suicidou-se.

E a vida da condessa depois desse momento

nunca mais foi a mesma.

Tinha a sorte de ter muito dinheiro,

mas é o cliché: "O dinheiro não traz felicidade."

Infelizmente, chegou uma altura em que a condessa ficou muito doente.

O filho tinha morrido,

não tinha parentes próximos

e o marido já tinha morrido. Estava sozinha.

Então, o que ela fez

foi passar o amor que tinha pelo filho para o cão do filho,

que também se chamava Gunther, o Gunther III,

e encarregou a mãe do Maurizio de cuidar do dinheiro e do cão.

A minha mãe era a administradora do fundo.

Mas depois veio um ponto de viragem, porque se começou a sentir doente.

Todas as responsabilidades que ela tinha

quanto ao cão tinham de ser mantidas.

Ela não me obrigou a fazer isto,

mas pediu-me para intervir como representante legal.

Sou filho único.

Nesse momento, tornei-me o cuidador universal,

dando-me o poder de fazer o que quisesse.

Claro que um cão não pode administrar uma herança.

A Carla é a segunda no comando no Fundo Gunther.

Não apenas isso, é ex-mulher do Maurizio.

Sou a Carla, o braço-direito do Maurizio. Talvez também o esquerdo e as pernas dele.

Conheci o Maurizio em 1993.

O CEO da minha empresa de publicidade disse-me:

"Carla, devíamos ir a Pisa conhecer um tipo estranho.

Chama-se Maurizio."

Quando cheguei, disse: "Meu Deus, onde estou? É o paraíso."

Lá estava ele a brincar no chão com o Gunther.

Diverti-me tanto.

Quando o Maurizio me disse que trabalhava para um cão

apaixonei-me logo por ele, porque também era o meu sonho.

Eu disse: "Também quero fazer isso."

O Maurizio e eu tivemos um filho em setembro de 1995

e chamámos-lhe… Eu chamei-lhe Gunther.

É pelo cão ou pelo filho?

Por ambos.

Ainda agora, embora já não estejamos juntos,

gosto muito dele. Ninguém lhe pode tocar.

Eu mataria por ele.

Piero Salussolia é o nosso advogado.

Representa-nos na compra de bens imobiliários.

É italiano. Compreende os nossos sentimentos

e é perito naquilo que procuramos.

Sou o Piero Salussolia,

advogado do Fundo Gunther.

Acompanho o Fundo Gunther desde o início, mais ou menos.

O Grupo Gunther é composto por empresas e um Fundo Gunther.

E há uma Corporação Gunther

que é propriedade do fundo

e a Corporação Gunther é dona, entre muitas outras coisas,

de um iate em Itália,

temos várias propriedades em Itália

e temos uma empresa que gere cavalos de corrida.

Mais outros negócios dos quais não quero falar.

O cão tem de ter o melhor estilo de vida possível,

caso contrário eu não estaria a respeitar algumas das regras

criadas especificamente para este cão.

O Gunther tem de ser sempre o principal beneficiário de cada dólar

gasto no fundo.

Por exemplo, o Gunther adora andar de barco.

Um dia no mar para ele é inacreditável.

Comprámos um barco.

Posso falar do barco?

O barco? Aquele em que fomos?

O que queremos comprar.

Outro?

Pensei que tinham comprado um. Querem comprar outro.

- Queremos vender o barco. - E comprar outro?

Comprar um Perini.

- Quer comprar o barco? - Sim.

A ideia foi sua ou do Maurizio?

Não posso dizer que tenha sido minha.

Foi ideia do cão.

Foi ideia do cão comprar o barco?

Como expressou a ideia?

Vá lá, Aurelien.

Está bem, quero o barco.

É uma bela ideia para o cão. Podemos dar a volta ao mundo.

Com alguns limites, se o Maurizio quer comprar um avião,

ninguém vai recusar.

Dirão: "Compra o caralho do avião."

Se o Maurizio quer um barco: "Compra um barco."

Com algumas limitações.

Se o Maurizio dissesse:

"Vamos gastar 50 milhões para comprar um bordel",

o fiduciário diria que não, a Carla diria que não.

Eu, com a conta, diria que não.

O Maurizio também diria que não a menos que enlouqueça.

Na teoria, o Maurizio pode fazer o que lhe der na gana

Todas estas coisas derivam

da paixão que o filho da Condessa tinha

pelo mundo do glamour,

pelo "mundo brilhante".

Quando estava bem…

Ele estava muitas vezes em baixo e deprimido.

Mas quando estava bem, era muito extrovertido e alegre.

Adorava música, televisão e espetáculos.

Segundo as regras, essas coisas tinham de ser respeitadas.

Começámos a formar uma banda

e gravámos um disco.

Ele gravou um disco.

- Ei-lo: "Wild Dog." - "Wild Dog."

A propósito, também é o primeiro cão a ter um teledisco e música.

A canção é "Wild Dog."

O disco "Wild Dog" foi lançado nos anos 90

e o cantor era o cão, sabe?

O Günther Group. "Graup?"

- Não, group. - Group? "Graup" soa melhor, não?

Günther "Graup".

Bob Dylan, The Beatles, John Lennon.

Cantores que cantaram sobre temas

muito potentes e importantes.

- VERSÃO DA RÁDIO - VERSÃO FORTE

O "Wild Dog" foi um disco com temas importantes.

Era um hino à alegria.

É um hino à alegria.

Querem-no? Está a chegar, aqui está!

PROGRAMA DE SUPERCLASSIFICAÇÃO TV DE SORISOS E CANÇÕES

Para ser sincero, o disco não foi um sucesso comercial.

Se tivesse sido,

talvez o mundo estivesse um pouco melhor.

Foi a primeira aventura do Maurizio na área da cultura pop.

Segundo ele, o projeto devia ter um objetivo,

enviar uma mensagem sobre homens e animais

a viverem em serenidade e sinergia.

De certa forma, um mundo utópico.

Comprou o disco?

Não inclua isto. Era péssimo.

O disco teve pouco apoio exterior.

Mas não me importei porque o Gunther teria gostado.

Uma das grandes paixões do Gunther…

Refiro-me ao Gunther filho,

que infelizmente morreu jovem.

Gostava de viajar por todo o mundo.

Mas queria ir para a América.

Para ele, a América representava o sonho americano.

Sabíamos que o nosso objetivo,

o objetivo do Gunther filho,

era Miami.

No início dos anos 2000, Miami era o máximo.

Era onde todos queriam estar.

Já todos tinham superado o homicídio de Versace.

Abrange o melhor de tudo.

Algumas das coisas importantes em Miami

são o estilo de vida, gastar muito dinheiro e ter bom aspeto.

Tentámos conhecer melhor Miami.

DE SERVIÇO EM COCONUT GROVE

Um pastor alemão poderá comprar esta casa por 24 milhões de dólares.

SORTE DE CÃO

Das primeiras coisas que explicaram

foi que procuravam uma propriedade de proveniência distinta,

que tivesse pertencido a uma pessoa famosa.

A mansão de Sylvester Stallone, em Coconut Grove.

Em breve poderá ter um novo dono.

Este cão quer comprar a propriedade de Stallone.

O porta-voz de Stallone

disse ao Extra que o cão não fez uma oferta pela mansão do Sly.

Pensávamos que uma casa mais pequena poderia ter sido melhor para nós.

Vimos a casa dos Versace na altura,

que também era enorme

e muito cara ao mesmo tempo, por isso não deu.

Finalmente, surgiu a mansão da Madonna,

que parecia ser perfeita

porque ela é a rainha do espetáculo.

Comprámos essa.

O mesmo cão famoso que tentou pôr as patas

na mansão do Sly Stallone é agora o dono da casa da material girl.

Lembro-me de pensar: "Isto é fantástico. Claro."

Era a casa da Madonna, a maior artista da história.

O espírito da Madonna estava lá.

A cama da Madonna estava lá.

A cama em que a Madonna concebeu a filha, Lourdes Maria.

Foi assim que tudo começou.

Isto é um cheque de sete milhões e meio

com a assinatura da pata do Gunther.

A SEGUIR

Podem imaginar o caos que isso causou.

Havia mais de 200 jornalistas à porta da casa.

A mansão do Sul da Florida de Madonna pertence agora a um rico pastor… alemão.

Pois.

Fomos entrevistados pelo Good Day L.A. Em direto.

A trabalhar para um cão, aprendi

a cumprimentar as pessoas por trás.

- É verdade que ele gosta à canzana? - Muito bem.

A Madonna não acreditava que um cão lhe tinha comprado a casa.

Quer dizer, é uma loucura.

Foi explosivo.

Tenho de admitir, comprar a mansão da Madonna

foi o ponto mais alto da segunda parte da minha vida.

Sim, estou muito feliz. Só…

Fizemos uma transmissão em direto com Maurizio Mian

e umas raparigas lindas na casa da Madonna em Miami.

- Massimo! - Sim?

As raparigas da FHM estão aqui em Miami…

Olá.

… por causa do Gunther. O Gunther trouxe-as cá.

O Gunther está cansado

porque esteve em filmagens o dia todo, está a descansar.

Maurizio, a sua mãe está aqui no estúdio.

Então, estão em ótimas mãos.

Não gosta de gente que se diverte. É muito séria.

- Sim. - Estamos a divertir-nos, entende?

A mãe do Maurizio preocupava-se muito com tudo o que ele fazia.

Para o voltar a ver,

lembrou-se de uma transmissão audiovisual intercontinental.

Tem um rabo de cavalo? O que ele foi fazer…

- Sim. - E uma farda.

Ela estava preocupada com o Maurizio.

- Quem te penteou? - Sim.

Quem te penteou?

Naquela noite, soubemos que ia sair um artigo

na capa do Herald a dizer que era tudo mentira

e convoquei uma conferência de imprensa

nos degraus do edifício do Herald às 9 horas da manhã seguinte.

Agora descobrimos que o cão que passeou pela cidade é um impostor.

É substituto do Gunther.

Nunca verão o verdadeiro Gunther. Por razões de segurança.

Mas fomos cá trazidos na segunda-feira

e disseram-nos que era o Gunther.

Sim.

É mentira.

Não foi verdade.

Esperam que acreditemos em mais alguma coisa que nos digam?

Os jornalistas foram enganados por um truque publicitário?

Havia uma condessa? Ela existiu mesmo?

Tanto quanto sei, sim.

A única coisa que não era verdade

foi usarmos um cão substituto por razões de segurança.

Dependendo de onde vamos,

se não estivermos seguros quanto ao local ou às pessoas à volta,

usamos um clone ou um duplo do cão.

Este é o verdadeiro?

O que está lá fora é o Gunther verdadeiro.

São tão maus.

Os jornais diziam um pouco de tudo

porque não sabiam o que era verdadeiro ou falso

e os jornalistas preferiam dizer que era falso.

ESCRITURA DE GARANTIA

No final tiveram de se calar porque o dinheiro estava lá.

A Madonna aceitou o dinheiro.

A Madonna já cá não está. Estamos nós.

Ele provou que tinha dinheiro,

um bom começo para se provar algo a alguém.

À parte de toda a atenção da comunicação social,

interessava-nos o que se podia fazer naquela casa.

Lembrem-se de que temos de seguir as instruções do fundo.

O testamento da Condessa estipulava que o primeiro beneficiário era o cão.

E o segundo beneficiário do fundo

era um grupo de cinco pessoas chamado Gunther Group.

"Uma banda musical formada com o cão Gunther

e com rapazes e raparigas a trabalhar e atuar com ele."

Se esse grupo de pessoas viver dentro de certos parâmetros

do Fundo Gunther e com o cão,

serão os beneficiados do fundo.

Significa que se o fundo comprar uma casa,

eles poderão viver nessa casa.

O Maurizio veio ter comigo e disse-me:

"Lee, forma um grupo que cante e dance em nome do cão mais rico do mundo."

Isso estava no testamento.

A condessa tinha traçado um plano.

Em Miami, houve uma evolução.

Abandonámos a banda Wild Dog,

que era só um grupo musical,

e criámos um grupo de entretenimento

chamado The Burgundians.

Quando juntei o grupo, foi com pessoas em quem confiava.

A mulher com quem eu namorava na altura, a Michelle, é membro.

Eu era a gatinha sensual, era o meu papel no grupo.

E o meu amigo Christopher.

Ele disse: "O proprietário é um cão.

Isto é tudo propriedade de um cão."

E eu: "Estás a gozar."

Sou pago por um cão. A sério.

A mulher do Maurizio, a Carla.

Tudo passava pela Carla.

O Maurizio ficava em segundo plano.

Eu precisava de ser um dos Burgundians na altura porque eu era

uma das representantes da empresa,

era mais uma líder do que membro do grupo.

Eram os membros principais e estabelecemos laços no primeiro dia.

Umas semanas depois, tivemos a conferência de imprensa.

Desaparece, Madonna.

Os Burgundians vão ocupar o teu lugar ao sol.

Cinco aspirantes a cantores, modelos e atores revelaram pouco sobre si mesmos.

Vamos ter música.

Estamos a preparar um programa de TV e uma revista.

Graças ao patrocinador canino, o novo grupo pop passará

uns dias de cão no verão, na antiga casa da Madonna em Miami.

Vivem juntos nessa casa e recebem o dinheiro de um cão?

Isso mesmo. Miami é o sítio perfeito para isso.

Faz todo o sentido.

Claro. É Miami, é Hollywood.

- E pronto. - Tanto faz.

- Está lá? - Estou.

- Lee. - Sim?

- Lembras-te do que era o meu nome? - Tipo…

Sei que o teu era Gene X, mas…

Gene X, sim.

Não havia uma Barbie ou algo assim?

Acho que o teu era Ginger Snap.

Estive envolvida com os Burgundians no início.

Na altura,

a minha carreira de modelo e atriz começava a dar frutos.

No início, achei um pouco estranho.

Éramos um grupo pop glamoroso

e, desde que vivêssemos na mansão com o Gunther,

passássemos tempo com ele

e cuidássemos dele,

desfrutaríamos dos milhões que lhe tinham deixado.

Claro que foi isso que me atraiu no início.

Pensei que seria uma oportunidade incrível:

a fama, a glória e o dinheiro.

O Gunther paga a hipoteca

e as outras pessoas aproveitam-se disso?

Basicamente.

Mas cantam, representam e dançam?

Não sabemos.

O grupo teria sempre cinco membros.

Como as Destiny's Child,

os membros estavam sempre a entrar e sair.

A dada altura, queríamos ter mais membros suplentes

e fizemos um casting.

- Como te chamas? - Sarai.

Recosta-te. Relaxa. Queremos-te descontraída.

É como estares numa festa

a conhecer amigos novos.

Lembra-se das filmagens do casting?

Pode falar-nos do processo de casting?

Foi por isso que lhe falei no Ed.

É agora.

Demasiada Red Bull.

Chamo-me Ed Arenas.

Sou diretor de casting aqui em Miami

e noutros sítios há cerca de 25 anos.

Tive muitas experiências interessantes

e uma diversidade de trabalhos de casting,

mas nenhum melhor do que quando um senhor italiano

muito elegante e excêntrico

chamado Maurizio entrou no meu gabinete.

- Porque estão aqui? - Relaxamos.

Estamos a tentar perceber como se pronuncia isto.

Burgundians?

Nem sei.

- Burgundians. - Não sabes?

Quem se segue?

Quando conheci o Maurizio, ele tinha um pedido estranho.

Queria formar um grupo de jovens

de aspeto fantástico,

muito sensuais

e vibrantes no seu estilo de vida,

para mudarem de vida e viverem com um cão rico.

Eu disse: "Estás…

… louco, caralho?"

Quer dizer…

Não era um casting convencional.

Em que estás a pensar agora?

- "Que gente sinistra." - Além de: "O que se passa?"

Acho que são todos simpáticos. Gente porreira.

Achas-nos atraentes?

A ideia do casting para o Gunther

era diferente de tudo o que me tinha aparecido.

VISUAL GUNTHER

- Quer que leia tudo? - Sim.

Deixe-me… Preciso dos meus óculos.

Resumo do casting.

"Uma expressão fenomenal audiovisual dos Burgundians."

"Os rapazes Gunther são jovens, bonitos,

vigorosos, bem constituídos e equilibrados.

Os dois rapazes devem ser como o Gerald dos G-Squad

ou o Steve dos Worlds Apart."

"Talvez com mais músculos e cabelo loiro."

Estamos numa festa a conhecer-te como amigo.

O ambiente é esse, não um interrogatório.

Está bem.

Podemos começar com os aspetos divertidos da tua personalidade?

O que fazes para te divertires?

O que faço para me divertir?

Falo com as pessoas.

Sou um palerma sisudo, acho eu.

- Disseste "sisudo" ou "tesudo"? - Os dois.

"Três raparigas, parecidas com a Pamela Anderson,

a Victoria das Spice Girls, etc."

"Como as raparigas das revistas da atualidade, mas com nádegas salientes."

"Nenhum deles deve ser um elemento fixo se não for essencial."

"As pessoas do grupo devem dar uma ideia clara de beleza

e uma imagem vazia quase robótica, como uma máquina."

Estes requisitos de casting são estranhos.

O que acha deles?

Quero dizê-lo sem ser uma cabra,

mas sei que ele só gosta de pessoas bonitas.

É uma doença que tem na cabeça, mas não posso dizer isso.

- Já disse. - Está bem.

- Olá outra vez. - Olá.

- Como estás hoje? - Ótima e tu?

- Gostas de cães? - Claro, adoro cães.

- De onde és? - Da Colômbia.

Da Colômbia. Boa.

Há lá bons genes, não achas?

De vez em quando, ouvíamos um italiano interromper.

O que achas sobre a ciência?

- Sobre o quê? - A ciência.

Sem comentário.

MEMBROS ALTERNATIVOS

Tira isso!

Era trabalho contínuo.

Sim!

O casting, a formação e encontrar novos candidatos.

Sou eu.

Ninguém disse que é transparente.

Parte do processo era uma espécie de espetáculo de talentos.

A nossa versão do America's Got Talent.

Ponham música para ele.

Pronto e…

Para o canto, a dança e a coreografia, trouxe o meu querido amigo Maxidus.

Muito bem. Finalmente.

Chamo-me Maxidus.

Artista musical.

Canto, danço e crio ambientes e espaços.

Como coach, estava muito empolgado

para ganhar dinheiro a fazer o que quero com a música.

Ele é muito dedicado, uma alma pura.

Pensei: "Ele é perfeito. Pode treinar-nos, sejam quais forem as nossas capacidades."

Cinco, seis, sete e…

Outra vez.

Não, achei a história do cão algo maluca e fixe.

Mas quando cheguei cá e conheci o Maurizio,

ele não disse grande coisa.

Na altura, ninguém me conseguia explicar.

Ninguém explicou que era um grupo, The Burgundians.

Devíamos cantar e dançar. Eles vivem lá.

Fui percebendo aos poucos

e tentei perceber o que se passava.

Cinco, seis, sem música, vamos lá e um…

Nesse dia

Viste através de mim

Eu a vê-los, tipo: "O quê?"

Os cantores não sabiam cantar, os dançarinos não sabiam dançar.

Um, dois, três, quatro, cinco, para baixo, sete e oito.

Um, dois, quatro, cinco.

Olhem quem chegou!

O meu trabalho é fazer com que tenham bom aspeto e funcionem.

Não têm talento. Como posso fazê-lo? Mas o trabalho é esse.

Estava ansioso por ver…

Às vezes, eu perguntava: "Onde está a canção?

Qual é a canção?

Deem-me a canção para eu poder…"

Nunca me deram uma canção.

E depois soube…

… que era falso.

Ciência.

Gostarias de ser modelo nos estudos do comportamento?

São estudos comportamentais que demonstraram que…

A felicidade da geração. O sistema de geração da felicidade?

Se quero fazer parte de um estudo?

Faz parte de ser Burgundian.

Gostarias de ser objeto de um estudo sobre impulsos sexuais?

Queres?

Não sei se quero ser estrela porno. É isso?

Não.

Não se sobrepõem.

Talvez não seja a mesma coisa.

Estava um pouco apreensivo com o conceito

do que o mundo exterior

acharia que se passava na casa.

Estava a criar algo completamente fora

de tudo o que eu compreendera antes.

Como se fossem espécimes científicos e genéticos.

O que parecia muito fixe antes tornou-se esquisito.

RELAÇÕES

ACASALAMENTOS PARCIAIS

Acabou por ser um culto sexual e tornou-se um pouco doentio.

Legendas: Rodrigo Vaz

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