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Yoruba
Zulu
Sim, Shirley.
Os projetos atualizados
da nova ala est�o na sua mesa.
Agendei uma reuni�o com nossa equipe na ter�a.
Sim, eu vi, obrigado.
O Phillip Bronwyn do Banco Crown solicitou uma reuni�o.
Ele sugeriu na ter�a � uma.
Remarcarei a reuni�o de CPA para quarta.
- Perfeito. - �ltima coisa, n�o se esque�a
de pegar seu pai para a festa hoje.
O Carlos estar� com ele � frente do asilo.
Obrigado, Shirley. Preciso atender aqui.
- Rachel! - Oi, Daniel.
Oi!
- Veja s� voc�! Est� linda. - Obrigada.
- J� faz 20 anos, � isso? - Sim, 20 anos.
- Isso nos d� uma nova perspectiva. - Sim.
Sim. � animador tamb�m, n�o?
Mas ent�o por que s� conseguiu 45 minutos na sua agenda para mim?
Era o que voc� queria. Eu disse que tinha 45 minutos hoje.
E voc� quis assim.
Amanh� eu teria o dia todo!
Mas voc� quis hoje. Por que preferiu hoje?
Voc� me ofereceu 45 minutos! Vamos aceit�-los!
Ter�amos duas horas amanh�.
- Mas voc� quis hoje! - Deixe para l�, n�o � importante.
Est� tudo bem. De verdade.
Sabe, tenho pensado em voc� ultimamente.
E... sobre aqueles dias.
N�s passamos momentos incr�veis, n�o foi?
Aquelas viagens,
aquele apartamento estranho que tivemos.
As risadas, as brigas, os gritos.
- Sua dan�a do ventre. - Flamenco.
Claro!
- Ainda faz isso? A dan�a? - N�o, quem dera.
Como passou esses anos?
- Ainda mora no Canad�? - Sim. Voc� � um homem muito educado.
Voc� est� odiando este encontro.
Bom, isso n�o � verdade. Fiquei feliz em saber de voc�.
Deixe para l�, me desculpe.
Quem era aquela cantora que voc� adorava?
Voc� sempre cantava as m�sicas dela. Sanson. V�ronique Sanson.
Ainda gosta dela?
Por que est� chorando?
Eu vim at� aqui para conversar com voc�.
Tudo bem, estamos conversando. Desculpe se... se eu te magoei...
�s vezes, por conta da minha vida agitada...
Quando me mudei para o Canad�, depois que terminamos...
Eu descobri que estava gr�vida.
O Allen nasceu, o beb� mais lindo do mundo.
H� dois meses, ele fez 19 anos.
Ele era... era um garoto t�o especial. Daqueles que cuidam da gente.
Enfim, nunca te contei sobre ele
porque eu sabia que voc� n�o queria filhos.
E eu n�o queria nada de voc�. N�o queria a sua ajuda.
Tudo estava... estava t�o bem.
Licen�a, estamos sem vitela.
Vamos precisar de alguns minutos.
- Claro. Desculpe-me. - Sinto muito. Deus!
J� volto.
- Ol�, Sr. Bloch. - Ol�, Shirley.
Contate meu advogado.
Veja se ele est� dispon�vel em 30 minutos.
- O Perry ou o James? - Sim, o Perry.
Certo, irei contat�-lo.
Certo. Talvez eu precise falar com ele. Obrigado. Tchau.
Sinto muito.
H� duas semanas, ele pegou meu carro
e se envolveu em um acidente.
Ele estava em uma ponte, o carro perdeu o controle e ele morreu.
Eu quis te contar porque voc� � o pai dele. Certo?
Ol�, Perry.
A Shirley me pediu para te contatar.
- Precisa de mim? - N�o, est� tudo bem.
Est� bem. O que achou do contrato que te enviei?
N�o olhei. Falaremos disso amanh�.
Ainda h� pend�ncias,
s� para que saiba. Eu te ligo amanh�.
- Tchau. - Tchau.
Ol�, Carlos. Pai, como est�?
Muito bem, estou te segurando. Sente-se.
Que bom te ver! Voc� conseguiu vir!
Sim!
Certo.
Ol�, Sr. Bloch.
Comprei uma passagem no voo mais cedo
como solicitou, com retorno na quarta.
O motorista te esperar�.
Logo mais envio o itiner�rio completo. Boa noite, Sr. Bloch.
Aqui � o capit�o.
Est� nublado em Toronto.
A temperatura � de 20 graus Celsius.
Espero que tenham um bom voo. Obrigado por voar conosco.
Estamos chegando em Hamilton, Sr. Bloch.
- Com licen�a, padre. - Claro.
Vim pelo Allen Hilu. Haver� um enterro aqui?
Sim, tamb�m os estou aguardando. Pode esperar comigo.
Obrigado, era para ter come�ado h� dez minutos, n�o?
Sim, parece que est�o um pouco atrasados.
Certo.
J� volto.
Ol�, aqui � a Rachel. Deixe um recado ap�s o sinal.
Oi, Rachel, � o Daniel, acabei de chegar.
Estou no cemit�rio. Est� tudo bem? Voc� est� a caminho?
Enfim, estou aqui, esperando, tchau.
Sinto muito, mas n�o posso esperar.
Vou fazer uma ora��o sobre o t�mulo, como a Sra. Hilu solicitou.
Se quiser, pode vir comigo.
- Claro. Irei com voc�. - Certo. L�.
- Ele era o que seu? - Era da fam�lia.
"Tu preparas uma mesa diante de mim na presen�a dos meus inimigos.
Tu unges a minha cabe�a com �leo. O meu c�lice transborda."
"A bondade e a miseric�rdia me seguir�o todos os dias de minha vida,
e habitarei na casa do Senhor para sempre." Am�m.
Voc� pode falar algumas palavras.
N�o, acho que n�o falarei.
Qualquer coisa que quiser dizer a ele.
Est� bem.
Al�.
- Al�, Daniel? - Sim.
Aqui � o Robert Hilu, marido da Rachel.
Ol�. Estou voltando do cemit�rio.
Sim, recebemos sua mensagem. E n�s sentimos muito.
A Rachel achou que voc� n�o viria.
Ela est� no hospital h� dois dias.
Acham que � alguma doen�a autoimune.
Ela est� sendo tratada com esteroides, sinto muito.
Nossa, que triste! Como ela est�?
Est� dif�cil para ela. Doloroso.
Ela teve dois dias horr�veis.
Acho que ter� alta em um ou dois dias.
Vou embora amanh� � noite. Obrigado.
Talvez eu passe no hospital pela manh�.
N�o � uma boa ideia.
Ela n�o quer que ningu�m a veja assim.
Mas eu te ligo amanh�
- caso alguma coisa mude. - Certo.
Estou no Hotel Walper at� amanh� � tarde.
- Certo. Desculpe-me novamente. - Eu sinto muito, tchau.
o mercado est� extremamente forte.
Esta economia mais resiliente e essa persistente...
- Al�. - Boa noite, Sr. Bloch.
H� uma pessoa te aguardando no sagu�o.
Est� bem. Vou descer. Mas... quem �?
- H� algu�m me esperando. - Daniel?
Oi, sou Mikey. Eu era o melhor amigo do Allen.
Oi. Ol�, prazer em conhec�-lo.
Soube que estava aqui.
�timo!
- Poder�amos... - Claro.
Bom, eu tinha que te ver. Isso � inacredit�vel.
- O qu�? - Que seja o pai do Allen.
Sim, verdade. Sim.
Ele ficaria muito feliz em te conhecer.
- Voc� acha? - Com certeza.
Como voc�s se conheceram? Estudavam juntos?
A nossa escola � aqui na frente.
� uma grande e vermelha de tijolos...
- Sim. - com quatro colunas. Sim.
Quando o Allen e eu nos conhecemos, conversamos,
e n�s dois �ramos m�sicos.
O Allen tocava piano, eu toco violoncelo.
- O Allen era pianista? - Sim, ele era incr�vel, virtuoso.
Ele tocava Bach como ningu�m e era muito rom�ntico!
Discut�amos por isso.
- Que maravilha! - Sim.
E outras coisas, como esporte?
Hamilton Bulldogs. Somos torcedores fan�ticos!
Que incr�vel, voc�s n�o se parecem.
Exceto pelo queixo. E os l�bios. Os l�bios s�o iguais.
E uma namorada? Ele tinha?
O que foi? Ele n�o gostava de garotas?
- Por qu�? Pare�o gay? - N�o, imagine. Eu s� queria saber.
O Allen gostava bastante de garotas. O que era triste para mim.
Mas elas n�o gostavam muito dele por conta do seu problema na perna.
Qual problema?
Ele nasceu com uma perna menor
do que a outra.
N�o dava para perceber, mas...
Ele usava um sapato de plataforma e cal�as longas para cobrir.
- Mal dava para perceber. - Ent�o ele mancava.
N�o, a plataforma o ajudava a n�o mancar.
- A Rachel n�o me contou. - Ou�a, Daniel, eu vim aqui
porque h� algo que quero te pedir.
E espero que voc� diga "sim" porque estou com prolemas.
Certo, o que foi?
O Allen e eu, o nosso problema era que n�o t�nhamos dinheiro.
E ent�o, decidimos...
Isso vai soar errado, mas n�o �.
Decidimos comprar maconha.
Ir�amos vender aos amigos.
Compramos um quilo para nos aliviar...
- Um quilo? - Mas n�o era arriscado,
porque era s� recreativo.
N�o se importam muito.
A nossa droga estava no carro quando ele se acidentou
e o cara que nos vendeu quer o dinheiro.
Daniel, n�o tenho cinco mil d�lares.
Achei que poderia ajudar com a parte do Allen.
Certo. Vou pensar.
Conte mais sobre o que tocavam.
- Onde tocavam? - Ou�a, estou bem encrencado.
Eu entendi. Vou pensar a respeito.
Sei que fizemos algo errado, mas voc� � o pai do Allen.
Se me ajudar, ficarei livre desse cara e...
Mikey, eu prometo, pensarei nisso.
Certo? Mas n�o pode esperar que eu tire um cheque do bolso
e o preencha para voc� aqui e agora.
Na verdade, sim, era o que eu...
- Espere um pouco. - Por que n�o? N�o entendo.
Quer que eu financie tr�fico de drogas. Sinto muito.
Voc� n�o sente.
Sei que tem dinheiro. � dono de uma f�brica.
Voc� pode me ajudar.
Talvez tenha sido bom ele n�o te conhecer.
N�o se orgulharia de voc�.
ADAPTA��O | REVIS�O | SINCRONIA: QUER SE JUNTAR A N�S? | loschulosteam@gmail.com
FORMANDOS DO COL�GIO DELTA DE 2023
- Bom dia. - Bom dia.
Espero l� fora?
O que precisa?
- Temos algo marcado? - N�o!
Sou Daniel Bloch. Pai do Allen. Allen Hilu.
Ol�. Minhas condol�ncias. Ficamos devastados com a not�cia.
Sinto muito pela sua perda. S� conhec�amos a m�e do Allen.
- Meus sinceros sentimentos. - Obrigado.
Por favor, sente-se. Quer beber algo?
N�o, estou bem.
- A Martha � nossa orientadora. - Ol�.
� uma perda terr�vel, uma trag�dia. Um jovem charmoso e tranquilo.
Com olhos muito inteligentes. Mas bastante reservado, sabe?
Ele n�o falava muito, mas dava para sentir sua for�a.
Ele tinha for�a. Seu filho era realmente excepcional.
Obrigado.
O que quis dizer com "reservado"?
Ele n�o tinha amigos?
Temos poucos estudantes da regi�o onde ele morava.
N�s atuamos, mas eles acabam se isolando.
Sim, claro.
Sabe, eu estava olhando as fotos ali.
E n�o o vi.
Acho que ele n�o estava mais aqui quando a foto foi tirada.
- Est� dizendo que ele n�o se formou? - Ou�a, Sr. Bloch.
O Allen fez algo muito s�rio
e que exigiu uma rea��o r�pida e severa de nossa parte.
Ele pintou um grafite enorme e vulgar na parede
em frente � escola.
Coisas obscenas sobre a professora Alice.
Foi totalmente humilhante para ela e muito dif�cil de suportar.
O que ele escreveu? O que era?
H� muitas coisas boas sobre o Allen.
Sabe? Ele foi um dos melhores pianistas
- que j� passou por aqui. - Ele tocava lindamente.
Sim, obrigado. Mas eu queria saber.
Ent�o, se tudo bem por voc�s,
poderiam dizer o que ele escreveu?
Acho que seria um erro, mas se insiste.
Vou lhe mostrar. Venha.
L� est�. Vamos pintar tudo quando pintarmos a escola.
- Mas... - N�o falo franc�s.
- Poderia traduzir para mim? - Sim.
A Alice tamb�m � professora de literatura francesa, ent�o...
Ele escreveu: "Se colocar um p� no port�o da escola
e outro na biblioteca,
poder� se sentar na escola
e deixar a torre te penetrar.
Ent�o, incline seu corpo � frente e esfregue seu clit�ris no gin�sio.
Quando parar de gemer, vamos nos sentar no banco,
eu te abra�arei. E poderemos conversar."
� um poema.
� um poema sobre... Sinto muito, claro...
por qualquer ofensa � professora, mas � um poema.
- Voc� n�o acha? - N�o. � degradante.
Ele pegou a nossa professora
e a desfilou nua pela escola.
Foi... foi muito dif�cil.
Se ele escrever sobre a professora usando linguagem grosseira,
vai ser um pouco chocante. Mas poesia � isso, n�o?
� para ser chocante. � um poema lindo, maravilhoso.
Sr. Bloch, com certeza n�s dois temos opini�es diferentes sobre arte.
Pelo amor de Deus, por que expulsar um aluno por isso?
- Por causa de um poema. - Porque n�o � um poema.
Sinto muito. Hoje em dia, tudo � chamado de poema.
Mas aquilo n�o � um poema. Mas sentimos com voc�.
� uma perda terr�vel. Mas precisamos ir.
O sino tocou e temos reuni�o.
N�o quero atrapalhar.
S� quero que saiba o que houve depois que o expulsou.
Ele come�ou a vender drogas. Sim.
O Allen comprou uma carga pesada de droga com um amigo
e queria vend�-la.
E do meu ponto de vista...
- N�o sei. - Licen�a, precisamos ir.
Acho que precisa pensar em reintegr�-lo � escola.
Reintegre-o, d� o diploma dele. E coloque a sua foto
no mural de formandos dali.
Acho que � o m�nimo que pode fazer.
Daniel, veremos o que podemos fazer.
Prometo que lhe darei um retorno. Mas agora, precisamos ir.
Fique se quiser.
- Pulem, agora! - Vamos, pessoal!
Pegue!
- Bom drible! - Arremesse!
- Voc� � pai do Allen? - Sim. Por qu�?
Ouvi que o pai do Allen estava aqui.
- E voc� �? - Mas o pai do Allen morreu, se afogou.
- Como assim se afogou? - Ele era pianista e morreu afogado.
Bom, eu era pianista, ent�o...
Sou Lillian. Eu era namorada dele. Prazer em conhec�-lo.
O prazer � meu. Quantos anos voc� tem? Parece bem nova.
- Tenho 16. - Dezesseis?
S� tr�s anos de diferen�a entre voc�s.
- Isso � muito na sua idade, n�o? - N�o. Ele at� morava com a gente.
Como assim?
Ele dividia o quarto com minha av�.
Por qu�?
Porque ele brigava com eles toda hora, com a m�e e o Robert.
Ent�o, ele n�o dormia na casa dele?
N�o, ele dormia na nossa. Com a boca aberta, assim.
- Como se estivesse morto. - Ele dormia assim?
E os seus pais? Gostavam dele? Como... Como foi isso?
O meu pai quase sempre estava na pris�o.
A minha m�e o mimava com comida e eu era a mulher dele.
Homens gostam disso.
- Voc� est� certa. - O Allen � o amor da minha vida.
Nunca amarei outra pessoa assim.
Voc� � muito jovem.
Amar� outras pessoas, eu juro.
Nunca. E ele nem me amava. Ele amava a professora, a Alice.
- Alice? A do poema? - Sim.
O que quis dizer com: "Ele amava a professora"?
- Rolava algo entre eles? - N�o!
Mas ele a achava a mulher mais bonita do mundo.
E ele falava dela toda hora, a perseguia, e...
Encontrei um caderno dele com poemas
que ele escreveu sobre ela.
Mas ela n�o o queria, ent�o, ele voltava sempre para mim.
Eu poderia ver esse caderno? Eu adoraria.
Sim, claro.
Ol�, Rachel. Vou passar mais uma noite no hotel.
Vou encontrar uns amigos do Allen, mas quero saber de voc�.
Entre em contato para me atualizar. Espero que esteja melhor. Tchau.
Foi aqui que aconteceu. O acidente.
Os prazeres v�m e v�o, o amor permanece
- Alice? - Sim.
- Oi. - Oi.
Sou Daniel. Pai do Allen.
Ol�. Sim, o diretor Thomas me disse que voc� veio v�-lo.
Ele me contou que voc� quer colocar a foto do Allen dentre os formandos.
Acho que voc� est� certo. E ele est� providenciando.
- Ele ir� coloc�-la. - S�rio?
- Sim. - Que �timo.
Isso me deixa muito feliz. Estou feliz em conhec�-la.
Eu tamb�m de conhec�-lo.
Eu sinto que te conhe�o bem.
Fiquei acordado lendo isto.
Todos os poemas e pensamentos do Allen sobre voc�.
Este caderno todo � sobre voc�.
H� coisas lindas a�. Ele escrevia bem.
Sim, ele escrevia. Eu sabia deste caderno.
Convers�vamos sobre isso.
Mas � claro que nada disso poderia acontecer
devido � diferen�a de idade e por eu ser sua professora.
- Isso estava claro. - Bom, ele nunca parou de elogi�-la.
Os apaixonados tendem a exagerar as coisas.
Ele escreve que voc� � a mulher mais triste que viu.
- Engra�ado, ele amava minha tristeza. - E voc�, voc� o amava?
N�o podia retribuir o amor que ele queria.
Mas ele sabia que eu gostava muito dele.
- Acha que ele sofreu? - N�o, de jeito nenhum.
Na verdade, acho que ele curtia tudo isso.
S�rio? Espero que sim.
Bom, foi um prazer conhec�-lo. Sinto muito pela sua perda.
Alice, estou indo para o cemit�rio agora.
Sei que � muito para se pedir,
mas tenho tantas perguntas sobre o Allen.
Seria �timo se pudesse me acompanhar.
Poder�amos continuar falando sobre ele. Seria totalmente fant�stico.
A ideia � maravilhosa, obrigada por me convidar.
Mas infelizmente, eu n�o posso hoje. Tenho um evento para ir.
Mas prometo visitar o t�mulo dele nos pr�ximos dias.
Bom, com certeza ele iria querer isso.
Claro, eu irei com certeza.
Bom, que tal em algumas horas, n�s...
Depois do seu evento, iremos.
Alice, eu n�o fiz nada para ele como pai.
Se eu tiver a chance de poder fazer alguma coisa por ele agora,
que o fa�a feliz.
Eu te prometo que irei v�-lo nos pr�ximos dias.
Voc� conseguiu isso. � por sua causa.
- Muito bem. - Certo.
Alice? Desculpe-me.
Desculpe, n�o quero ser grosseiro, eu s�...
H� algo que fica me atormentando,
e quero lhe perguntar.
O Allen era um garoto basicamente normal,
ele n�o tinha dist�rbios mentais,
e fico me perguntando...
como ele se apaixonou tanto por voc�, neste amor unilateral?
Ele n�o entendeu algo?
Ser� que inconscientemente voc� fez algo para encoraj�-lo?
Eu n�o o encorajei, nem consciente e nem inconscientemente.
E realmente preciso ir. Adeus.
Ol�. Ser� que poderia me emprestar uma toalha um segundo?
- Claro. - �timo, obrigado.
- Ela � linda. - Obrigado.
- Daniel. - Jacob. Prazer.
Sim.
- � sua filha? - Sim. Ela era linda.
N�o tiravam os olhos dela. Como acontece com voc� agora.
- Ruiva. - Ruiva e sem sardas.
Ela era um anjo.
Em todo lugar que ia, era a criatura mais linda do ambiente.
E eu era um pai orgulhoso. Eu tinha medo.
- Eu sempre tive medo. - Medo de qu�?
Al�m de ela ser a melhor aluna,
era uma violinista.
Ela j� era fant�stica aos sete anos.
Eu fiquei aterrorizado. E a diminu�.
Inventei coisas negativas sobre ela
porque as pessoas s�o invejosas, elas s�o rancorosas.
A inveja. Eu sabia que ela chegaria.
- Eu s� a estava aguardando. - O que... Ela ficou doente?
De repente, e aparentemente sem raz�o.
Aos 12 anos, nossa filha ficou triste.
Acreditamos que eram os horm�nios.
Ou que algu�m a tivesse machucado, mas n�o.
Sua beleza e sua intelig�ncia
foram envolvidas por uma tristeza.
Como se algo nela tivesse morrido. Ela nunca mais sorriu.
No seu anivers�rio de 18 anos, ela... Est�vamos fora.
N�o estou bravo com ela, nem com raiva. Mas ela n�o aguentava mais.
Que terr�vel!
O Allen, meu filho,
tinha 19 anos. Ele era pianista.
- Morreu em um acidente de carro. - Sinto muito.
Voc� e a sua esposa v�m sempre aqui?
- Isso est� t�o bonito. - N�o, s� eu.
Minha esposa n�o vem.
Ela vive como se a Elizabeth ainda estivesse viva.
� horr�vel!
Isso est� lindo. A �gua danificou
este canto aqui. � melhor enquadrar isto.
- Obrigado. - De nada.
- Prazer em conhec�-lo. - Igualmente.
Ol�, Sr. Bloch.
Cancelei as reuni�es dos pr�ximos dois dias, como pediu.
O Ernest Friar da OCL deve te ligar.
Ele quer falar com voc�.
A reuni�o com a prefeitura
ainda est� marcada para semana que vem.
Ser� dif�cil cancelar. Tentarei via Zoom.
Boa noite, Sr. Bloch.
O que importa s�o as tend�ncias...
- Bonjour. - Bonjour.
Alors...
O que est� havendo?
Gostaria de participar da sua aula.
Temo que n�o ser� poss�vel.
- O diretor me deu permiss�o. - Permiss�o para qu�?
Para estar aqui nesta sala, onde o Allen estudou.
Acho que era esta.
Sim. Est� bem. Muito bem.
Tamb�m gostaria de me sentar na carteira dele, se poss�vel.
Claro. Certo, voc� teria que ir para l�.
Anna, poderia dar espa�o para o Sr. Bloch?
Certo. Obrigado.
Deixe-me explicar para a sala.
Sim, claro.
O Sr. Bloch, o Daniel, � pai do Allen Hilu.
Um aluno incr�vel que estudou aqui no ano passado.
E que morreu, infelizmente, em um acidente de carro m�s passado.
Creio que ouviram a respeito. Sim?
Parece que o Allen me disse
que seu pai estava morto. Eu era vizinho dele.
Conhe�o o padrasto dele. O Robert.
Sim, acredito que o Allen n�o sabia que seu pai estava vivo.
A m�e dele n�o lhe contou, e eu acredito que o Daniel n�o sabia do Allen tamb�m.
Por que ela n�o contou?
Bom, cada fam�lia lida com as situa��es de modo diferente.
Precisamos respeitar.
- Licen�a, posso? - Claro.
A m�e do Allen n�o me contou que estava gr�vida do Allen
porque ela sabia que eu n�o queria filhos.
Ela me conhecia muito bem. Sinto em dizer que ela estava certa.
Mas quero lhes dizer algo agora que � um pouco dif�cil.
Desde que me lembro, meu pai me batia.
Eu apanhei muito at� os 17 anos. Eu me tornei adulto,
e toda vez que eu pensava em ter um filho, ficava assustado.
Eu achava que eu poderia bater nele.
Como meu pai me bateu.
E o medo fez com que eu n�o quisesse trazer um filho ao mundo.
E foi por isso que a m�e do Allen n�o me contou.
- E nem contou sobre mim para ele. - Voc� nunca teve filhos?
Vamos respeitar...
Tudo bem, Alice, eu comecei.
N�o, n�o tenho filhos. Exceto o Allen, claro.
- Como ele te batia? O que ele usava? - Tudo.
Geralmente um cinto. Mas �s vezes s� seu punho ou uma vara.
Ele me chutava tamb�m. Ele variava.
E o que voc� fazia?
Eu levantava as m�os assim
- para proteger minha cabe�a. - Voc� ainda fala com ele?
Eu n�o falo com ele. Ele est� em um asilo hoje.
Ele n�o fala mais. N�o lembra mais de muita coisa.
- Eu vou l�, me sento ao seu lado. - Voc� o ama?
- Bom, j� chega por ora. - N�o. Acho que n�o.
Daniel! Ol�.
Gostaria de te agradecer. E tamb�m queria me desculpar.
Gostaria de me desculpar tamb�m.
Era para voc� ter ido embora, n�o?
Sim, mas a Rachel, a m�e do Allen, vai sair do hospital esta noite.
Vou visit�-la e irei amanh�.
Certo. Ou�a, ainda n�o posso ir ao cemit�rio com voc� hoje.
Mas se quiser, podemos tomar um caf�.
- Sim, claro. - Certo.
RESTAURANTE JOHN STREET
Meu pai morreu h� um ano.
Sinto muito. Acho que foi muito para mim.
Sinto muito. Eu n�o imaginava. N�o quis pression�-la.
N�o, tudo bem. Na verdade, o Allen foi maravilhoso sobre isso.
Alguns dias depois,
ele fez a classe toda me escrever cartas.
E me levou uma pilha delas.
Foi muito amoroso. Reconfortante.
Uma vez, ele me viu chorando e rapidamente me deu um abra�o.
Foi um erro, muita proximidade com um aluno.
Mas n�o pude evitar.
- E ajudou? - Sim.
Acho que eu precisava de um abra�o...
- Um aluno pode se confundir. - Sim!
E a professora? Um pouco, talvez?
N�o, acho que n�o. Mas vejo a gen�tica em a��o aqui.
Voc�s dois s�o parecidos.
Voc� � persistente. N�o desiste facilmente.
Mas o pior erro que cometi com o Allen
foi concordar em ver sua banda tocar.
� aqui.
H� algu�m l� no canto.
Aquele era o palco em que tocavam.
E o Allen ficava no piano, l� no canto.
�?
A minha mesa era ali, perto da coluna.
- Estava lotado? - Sim.
- Que �timo! - O Allen n�o parava de me encarar.
Bom, ele devia estar muito feliz de ter voc� aqui na plateia.
Sim, mas isso foi de mais. Ele n�o tirava os olhos de mim.
As pessoas come�aram a perceber.
Quando acabou, ele veio at� mim e me pediu um beijo.
Na verdade, ele quase implorou por um beijo.
Voc� o beijou?
- N�o! - Licen�a, posso ajudar?
Sinto muito. S� est�vamos olhando.
Estamos de sa�da.
Certo, aqui estamos. Eu moro aqui.
No segundo andar. Foi um prazer.
Para mim tamb�m. Eu me diverti.
O Allen costumava se sentar naquele banco e me observar.
Observar o pr�dio.
Ele sentava ali por horas �s vezes.
Alice, voc� � charmosa e especial,
eu concordo plenamente com tudo o que o Allen disse sobre voc�.
Obrigada.
Posso me sentar no banco por um minuto?
- Est� brincando, certo? - N�o.
Est� bem.
- Fique � vontade. Adeus. - Boa noite.
- Allen? - Pai.
Voc� toca lindamente.
- Voc� acha? - Com certeza.
- Ent�o, voc� a conheceu? - Sim.
Ela disse coisas maravilhosas sobre voc�.
- Ela n�o parou de falar de voc�. - Acha que ela gosta de mim?
N�o tenho d�vidas de que se as coisas fossem diferentes,
ela iria querer ficar com voc� mais do que tudo no mundo.
Conhe�o bem as circunst�ncias.
Mas Allen, meu filho, meu querido...
Voc� pode mudar as coisas. Pode conhecer outra pessoa.
Sabe, h� tantas garotas maravilhosas,
garotas lindas por a�. Loiras, morenas.
E at� mesmo ruivas sem sardas.
Vai come�ar.
Vamos.
- Tudo bem. Voc� pode fazer tamb�m. - N�o, estou bem.
Ol�, Rachel, como est�?
- Robert? - Daniel! Que prazer te conhecer.
- Obrigado. - Entre.
- Obrigado. - Claro. Sente-se.
Sim.
- A Rachel j� vem. - Que bom.
- Oi! - Ol�.
- Ol�, Daniel. - Como voc� est�?
Estou bem. � uma pena que tudo tenha acontecido assim.
Eu tive uma inflama��o aos 16 anos, mas nunca mais aconteceu.
Querem saber? Vou preparar umas bebidas para n�s.
- Obrigado. - Obrigada.
Estou muito feliz de ter vindo aqui.
- Voc� andou por a�? - Sim.
Fui � boate onde ele tocava. Conheci o Mikey e a Lillian.
Eu li o caderno dele. Os poemas e as cartas que ele escreveu.
Rachel, ele era um escritor incr�vel!
Sei que estou sendo tendencioso,
mas acho que ele era um artista.
Voc� est� descobrindo o qu�o incr�vel ele era.
Sim. E eu tamb�m conheci a Alice, professora dele, ela � incr�vel.
- Onde a conheceu? - Na escola. Eu a conheci na escola.
Foi ela quem me mostrou a boate onde ele tocava.
Tamb�m vi o local em que o acidente ocorreu.
- Voc� est� bem? - Daniel, sua inten��o foi boa.
Mas n�o... Ela � uma maldi��o, essa mulher.
Ela destruiu a vida dele. Em alguns anos,
ele poderia encontrar uma garota que tivesse sua idade ou mais jovem.
Ele teria se casado e eu ficaria orgulhosa.
Andaria com os convidados no casamento.
Eu j� tinha planejado em pedir para que todos vestissem branco.
- Em vez disso, o enterrei. - Sinto muito.
E eu sou t�o idiota! Ele veio para mim em um sonho.
Ele sempre vem em meus sonhos.
E ele me pediu para colocar a foto dela em seu t�mulo.
Como uma idiota, fui ao cemit�rio,
cavei um buraco e coloquei a foto perto dele.
Aqui est�.
- O que � isto? - Uma intima��o da pol�cia.
Ela apresentou uma queixa contra ele. Aquela professora maravilhosa.
- A Alice? - Sim.
N�o acredito!
Ele se sentava em um banco perto do pr�dio em que ela mora
e n�o sa�a de l�.
Ele s� ficava sentado l�, e nas �ltimas duas semanas de vida,
ele enlouqueceu.
Ele descobriu um caso entre ela e o diretor.
E isso o deixou atormentado.
- Com qual diretor? O Thomas? - Sim.
- N�o acredito! - Foi isso que aconteceu.
O que ela estava fazendo com o diretor? Ele � um espert�o.
Ela gosta de espert�es. O que importa isso agora, Daniel?
N�o acredito nisso. � que...
Por que ela iria � pol�cia por algo assim?
N�o importa mais, Daniel.
Fiquei sabendo que voc� tamb�m conversou com o diretor.
E voc� exigiu que... Foi muito legal.
Mas n�o fazemos essas coisas por aqui.
De qualquer forma, quero te agradecer por ter vindo.
Mas por favor, volte � sua vida em Nova York.
E eu te convidarei para todas as missas
- que fizermos para ele no futuro. - Claro. Sim, voltarei hoje.
Obrigada, Daniel. Obrigada por vir. Obrigada por tudo.
Daniel? O que faz aqui?
- Posso? - Claro.
Por favor.
Poderia, por favor, me explicar isto?
O que � isto?
A Rachel recebeu hoje.
Daniel, eu n�o tive outra op��o.
Por isso fiz uma queixa.
- Por que n�o me contou? - Porque... N�o sei.
N�s caminhamos juntos quase o dia todo ontem.
Por que n�o me contou? Por que algo assim aconteceu?
Voc� prestou uma queixa contra o Allen. Por qu�?
Eu n�o aguentava mais, Daniel. Ele n�o me deixava em paz.
- Eu n�o aguentei. - Certo.
Mas por que envolveu a pol�cia? N�o entendo.
Ele era seu aluno. Que professora faz isso?
Presta queixa contra um aluno que a ama?
Uma noite, voc� vai ouvi-lo tocar.
E na outra, voc� presta queixas?
Disse que foi um erro ir ao show dele.
Erro de quem? Seu. Ele te escrevia poesias!
Arrecadava cartas de condol�ncia.
Ele te abra�ava.
Esse � um amor infantil e inocente!
E voc� presta queixa?
Eu n�o aguentava mais! Ele n�o sa�a daquele banco!
E da�? Isso � motivo para envolver a pol�cia?
Foi no mesmo dia do acidente.
A pol�cia apareceu, ele saiu e se acidentou.
- Eu n�o sabia mais o que fazer. - Voc� o traiu!
Foi sua culpa ele ter fugido dos policiais!
- Isso � loucura! - Voc� est� louco! Era abuso.
Ele estava me torturando!
Ele me seguia! Ele me amea�ou,
machucaria um poss�vel namorado!
Ele me ligava toda hora!
Ele estava acabando com a minha vida! Eu n�o sabia mais o que fazer!
Eu n�o aguentava mais v�-lo.
Eu n�o aguentava mais. Sinto muito.
Desculpe-me, podemos... Podemos voltar?
Gostaria de ir ao Cemit�rio Gates of Heaven, por favor.
Senhor, se fizermos isso, voc� se atrasar�.
Tudo bem. Posso me atrasar.
J� basta.
Voc� precisa esquec�-la. J� chega.
Daniel? Poderia se juntar a mim?
Hoje � o anivers�rio da Elizabeth e eu trouxe vinho.
- Sim, claro. - Que bom.
E eu coloquei em um porta-retratos, como voc� sugeriu.
� � prova de �gua, de neve, de tudo.
Est� perfeito.
Sabe, estou voltando para Nova York.
- S�rio? - Sim.
Aqui est�.
- Sa�de! - Sa�de.
Veja s� ela.
O Allen teria se apaixonado por ela.
Ela era perfeita para ele. Sua vida teria sido diferente.
Acho que tudo seria diferente.
�s vezes penso no que poderia ter acontecido
se a Elizabeth tivesse se apaixonado.
Eles teriam se apaixonado.
Ele n�o se incomodaria com a depress�o dela.
Ele a faria rir.
Ele se entregaria totalmente para ela.
Ele escreveria poemas para ela.
Ele teria... Ele seria apaixonado.
- Ele era muito sensual, o Allen. - Por favor.
Estou falando deles como um casal.
Mesmo se ela n�o abandonasse toda a sua tristeza.
O amor torna tudo suport�vel. At� a tristeza.
Talvez eles se encontrem, eles est�o aqui, certo?
Eles n�o foram a nenhum lugar. Est�o caminhando por aqui.
Sim, � engra�ado. Neste ano horr�vel de morte e dor,
Sonia, a minha esposa... N�s temos vizinhos chineses.
Eles s�o Dao�stas. E disseram a ela que t�m uma tradi��o.
Que quando uma jovem morre,
eles a casam com um jovem falecido.
Eles acreditam que assim eles se encontram.
E que talvez possam ficar juntos onde estiverem.
A Sonia decidiu cas�-la
para que tenha algu�m.
N�s visitamos v�rias fam�lias chinesas
que tinham perdido seus filhos para encontrarmos algu�m para ela.
Foi um... foi um pesadelo.
Minha esposa, a mulher mais racional e maravilhosa do mundo
de repente, tinha enlouquecido.
E eles faziam um casamento? H� uma celebra��o real?
- Sim. - Com pessoas, tudo?
- Sim, com tudo. - O que aconteceu?
Por sorte, ela se cansou e desistiu de tudo.
Sabe, n�o � uma m� ideia.
- O qu�? - A hist�ria do casamento. � charmosa.
Mesmo se fosse... Se cas�ssemos o Allen e a Elizabeth.
- S�rio? - O que temos a perder?
S�o pessoas que amamos!
N�o queremos passar momentos especiais com eles?
Far�amos uma festa. Convidar�amos pessoas.
Teriam que vestir branco.
Falar�amos da inf�ncia deles.
Ler�amos poemas.
Sei que � loucura. Mas � charmoso.
- Fala s�rio. - Vamos!
Jacob,
ou�a, se eles estivessem vivos,
n�s os far�amos trocar telefone e pronto.
Mas eles n�o est�o vivos.
Esse casamento seria algo substancial.
� assim que vemos. Acha idiotice?
- Sim. - Certo, talvez...
Vamos ajud�-los a se enxergarem.
Para que tenham uma dire��o. Uma festa.
Bom, n�o � mais relevante.
- A Sonia desistiu disso. - A Rachel gostaria.
Ela � a m�e do Allen.
O que foi?
Eu tinha certeza que voc� amaria a ideia.
Isso � loucura. Sinto muito!
Claro que � um pouco estranho.
Rachel, voc� me conhece. N�o sou um cara inconstante.
Nem t�o pouco espirituoso.
� bem estranho! � uma loucura. Eu nem sei o que dizer.
Algo pequeno, certo? Uma festa mais intimista.
- Nada exagerado. - Para dizer a verdade, Daniel,
eu n�o entendo o que aconteceu com voc�.
Nem eu.
H� algumas semanas, eu nem sabia que tinha um filho.
E agora, gra�as a voc�,
Rachel, sei que isso parece loucura.
Essa garota, a Elizabeth, ela � linda. Ela � ruiva e tem a pele branca.
� o tipo de garota por quem ele se apaixonaria.
E ela tinha depress�o desde os 12 anos.
Aos 18, ela se suicidou. Ela n�o aguentava mais.
- Ele gostava de mo�as deprimidas. - Sim, acho que sim.
Precisamos ajud�-lo a esquecer a professora.
- O Allen est� morto, Daniel. - E a Elizabeth tamb�m.
Eles est�o no mesmo lugar. S� precisam de um empurr�o.
- Ele est� preso � Alice. - Desculpe-me. Pare.
J� chega de suas loucuras. De verdade, n�o aguento mais.
Enterrar a fotografia dela no t�mulo dele n�o � loucura?
- Foi ele quem me pediu. - Eu cavei l�.
- Voc� pegou a foto? - Sim.
- Por qu�? - Porque j� deu.
- J� chega dessa professora. - Voc� enlouqueceu, Daniel.
Sinto muito. Com licen�a, senhor!
Senhor, � contra a pol�tica do hotel tocar m�sica esta hora.
- Sinto muito. Sim. - Obrigado.
Obrigado por fazer isso.
Daniel, s� quero deixar claro de novo.
N�o vamos falar do casamento ou dessas loucuras suas, certo?
S� vamos conhecer um casal legal e falar dos nossos filhos.
- E � isso. - Exatamente.
Sim.
- Pronta? - Sim!
- Ol�! - Daniel!
- Oi! - Esta � a Rachel.
- Ol�, Rachel. Jacob. - Rachel!
- Ol�, sou a Sonia. Prazer. - Ol�, Sonia.
- Ouvi muito de voc�. - Que casa �tima! Iluminada.
A Sonia projetou.
- Muito linda. - Obrigada.
Por aqui.
Vinte mil calorias. Posso sentir agora nas minhas coxas.
Obrigada.
Del�cia turca. D� uma olhada ali. Amei. Aquilo ali,
- a minha m�e fazia um igual. - S�rio?
- N�o! - Sim.
- Por favor, experimente. - Eu vou, sim.
- O que achou? - Amei!
- �timo. - Eles s�o delicados.
Voc� trabalha com isso?
Voc� importa del�cias turcas?
N�o! S�o os �nicos doces que a Elizabeth gosta.
- O Allen gostava de doces turcos? - Eu estava pensando nisso.
N�o me lembro.
Fico triste de pensar que talvez ele nem tenha experimentado.
Espero que ele tenha!
Coisas legais nos aconteceram hoje.
O Jacob encontrou uma grava��o que est�vamos procurando.
� a Sonata 21 para violino de Mozart em Mi menor que a Elizabeth tocava.
Est�vamos ouvindo agora.
- � ela tocando? - Isso mesmo.
- � ador�vel. - Obrigada.
Tamb�m trouxe uma pe�a que o Allen tocou.
- Podemos ouvir depois. - Claro.
Claro.
� lindo.
E a outra coisa legal. Pegue a foto.
� realmente demais!
D� uma olhada.
Inacredit�vel. Os Hamilton Bulldogs. Veja isto.
Era o time do Allen.
Ela era goleira da equipe feminina.
� a foto da equipe.
E fizeram uma montagem com ela.
Esta � ela. N�o acredito!
Por qu�? O Allen tamb�m jogava?
N�o, quem dera, mas...
Ele n�o jogava, mas era torcedor fan�tico.
- Por que ele n�o jogava? - Ele tinha um problema na perna.
Qual problema?
Uma perna era um pouco menor do que a outra.
Mas ele n�o mancava. Ele tinha...
Um dos sapatos tinha uma plataforma. � isso.
Era impercept�vel.
Mas para jogar h�quei era um problema e ent�o, ele se tornou torcedor.
Ele ia a todos os jogos.
Ele at� ia aos jogos fora de casa.
Ent�o � fant�stico saber que a Elizabeth jogava no time.
Posso imagin�-los indo juntos aos jogos.
- E o qu�o perfeito teria sido. - Eu a levei a alguns jogos.
Ela ficava muito feliz quando algu�m marcava um gol.
Se parar e pensar, eles iam aos mesmos jogos.
Torciam pelos mesmos gols, no mesmo momento.
Verdade.
Eu gostaria de dizer algo.
Estou desconfort�vel
e � importante para mim falar...
mesmo que seja algo trivial
e percebi que posso parecer retr�grada,
mas esse problema que ele tinha,
o que voc� disse, sobre a perna curta e sobre mancar?
Sei que pode parecer bobagem, mas tenho um problema com isso.
N�o h� o que fazer,
- mas... - O qu�?
Eu disse que ele n�o mancava.
Mas fiquei sabendo disso agora.
Mesmo parecendo algo idiota ou insignificante...
� meio perturbador e me pegou de surpresa.
Voc� � maluca? Do que est� falando?
Voc� n�o gostou de algo?
- N�o queria que... - Como assim?
A sua filha era depressiva!
Ela era uma garota depressiva
que se tornaria uma mulher depressiva.
Sabe o que significa ser uma mulher clinicamente depressiva?
Posso te explicar bastante coisa.
J� chega dessa bobagem toda.
- Rachel, ela n�o... - Obrigada!
Foi um prazer.
Declino a depressiva para ele.
Encontre outro para ela!
Rachel, n�o era nossa inten��o.
Rachel! Sinto muito. Falo com voc� depois.
Entendo que aquilo foi perturbador. Tamb�m me irritou.
Pare com isso! Deixe-me em paz!
- Por que est� falando assim comigo? - Estou farta desta farsa!
Que mulher desprez�vel! Eu fui uma idiota.
Mesmo se ela for desprez�vel, o que importa?
Vai ser melhor amiga dela? N�o.
Vai encontr�-la uma ou duas vezes.
Quem ela pensa que � para falar assim do Allen?
Quem � ela? Uma mulher desprez�vel. Com uma filha depressiva e desprez�vel.
A Elizabeth � incr�vel. Vi que gostou dela.
Vi como olhou a foto.
Ele poderia ter conseguido milhares como ela.
Por que estragar tudo? Por que fez isso?
H� maneiras de esclarecer as coisas...
- N�o entende isso? - Voc� � um puxa-saco.
Algumas coisas s�o irrevers�veis.
Voc� ficou l�, de boca fechada. E depois, at� se desculpou!
"Ele n�o mancava. Era discreto."
Foi revoltante.
Voc� deve estar sentindo seu orgulho.
- Meu orgulho? Seu lixo! - Sim, seu orgulho!
Vou dizer, eu a entendo.
Sim, eu a entendo! Mesmo sendo pai dele.
Lembro da primeira vez que ouvi
que ele tinha um problema na perna.
N�o foi algo leve de se ouvir.
Precisa ser processado. Imagino que quando voc� soube,
n�o foi f�cil!
Deve ter sido dif�cil, claro. Porque n�o � algo simples.
Por que n�o a entende?
Foi a primeira vez que ela ouviu a respeito!
- Saia do carro. - Rachel...
Saia!
- Ol�. - Oi.
- Um caf�, por favor. - Sim, claro.
Qual � o endere�o daqui? Preciso chamar um t�xi.
- Sim, � Avenida Riverside, 190. - Certo.
H� um ponto de t�xi a uns 300 metros daqui.
Por que n�o desceu l�?
Tivemos uma discuss�o e preferi descer.
Pegarei um t�xi depois do caf�.
Est� bem. Como prefere? Forte? Fraco?
- Um expresso. Forte, por favor. - Pode deixar.
E essa discuss�o...
Pode ser resolvida?
Uma conversa ajudar�?
Sim, nada s�rio.
Era sobre o qu�? Caso n�o se importe.
O meu filho vai se casar.
E n�s conhecemos os pais da noiva.
Cl�ssico. Foi por dinheiro?
Pelo gasto de cada um?
- N�o. Nada disso. - Problemas de classe?
Acha que n�o s�o do seu tipo?
- Sempre � por isso. - Algo assim, sim.
E seus filhos? O noivo e a noiva? Eles est�o apaixonados?
Sim. Eles formam um belo casal.
Se eles se amam, tudo ir� se resolver.
- Sim. - De verdade. Confie em mim. Ou�a.
Se der certo, tem que me prometer
que far� o casamento aqui.
- "Aqui" onde? - Quantos convidados?
- Ser� algo simples... - Venha comigo.
Venha, vamos dar uma olhada.
Por aqui, senhor.
Temos um acordo? Far� o casamento aqui?
Espero que sim.
- Robert. Como vai? - Bem, obrigado.
- Posso? - Claro, mas a Rachel n�o est�.
- Que horas ela volta? - N�o tenho ideia.
Entendi.
- N�s brigamos. Ela te contou? - Sim!
Ent�o, quis vir me desculpar.
E o casal que visitamos tamb�m quer se desculpar.
� importante para mim que ela saiba.
Est� bem.
Certo, retronarei mais tarde. At�. Obrigada.
At�!
Daniel.
Desde ontem, tenho pensado se devo ou n�o falar com voc�.
O que est� fazendo � de mau gosto.
E para mim, o casamento � uma farsa.
Mas se vai acontecer, preciso estar envolvido.
Em tudo. Eu fui o pai dele. Eu o criei.
N�o pode aparecer assim e me ignorar. Voc� falou com a Rachel,
decidiu com a Rachel, visitaram os pais.
- N�o estou entendendo! - Robert, eu sou um idiota.
Claro que voc� � pai
e claro que tem que se envolver em tudo.
Eu sinto muito! Eu n�o quis te ofender, de verdade.
Eu sinto muito!
Certo. Tudo bem.
Acho que ela se acalmou um pouco.
Ela me contou sobre o incidente de ontem.
De como ela se levantou e partiu. N�s rimos bastante disso.
- S�rio? - Sim.
Sim, acho que ela est� se sentindo tola.
Ela ia pegar o n�mero deles
- para se desculpar. - �timo.
Ela tamb�m disse que essa Elizabeth era especial.
Posso colocar um tapete vermelho de onde entramos at� o altar.
Fica maravilhoso
quando a noiva e o noivo entram.
N�o precisamos do tapete.
E como eles far�o a entrada?
Esse casamento � um pouco diferente.
Est� bem, o que for bom para voc�s.
- Ol�, Lillian. Como est�? - Oi.
Bom te ver.
- O que voc� est� armando? - Como assim?
- Esse casamento? - N�o � um casamento de verdade.
� s� uma festa para n�s, os pais.
- N�o pode fazer isso. - Lillian, est� tudo bem.
� uma pequena festa. J� enviamos os convites.
Convites?
Como pode casar o Allen assim? N�o entendo.
Lillian, n�o era para te machucar.
Ele me namorava.
Ele era o amor da minha vida, o �nico homem que tive
e quem � essa Elizabeth?
Lillian, a Elizabeth era uma linda jovem que cometeu suic�dio.
Este casamento, esta cerim�nia � entre duas pessoas
que n�o est�o mais aqui. Voc� est� viva.
Mas me prometa, aqui e agora
- que ir� cancelar o casamento! - Isso � imposs�vel.
As pessoas est�o sabendo. J� alugamos o local.
J� contratamos o guitarrista. � tarde demais.
Cancele a m�sica.
Cancele o casamento!
Voc� precisa cancelar. O Allen n�o ia querer isso.
- O Allen n�o est� mais aqui. - O Allen est� aqui.
- Lillian. - O filho dele est�.
- O que disse? - Exatamente o que eu disse.
Como assim, "o filho dele"?
O filho dele.
Voc� est� gr�vida?
Sim.
E voc� quer ter esse beb�?
- Sim, eu quero. Mas n�o posso. - Por qu�?
J� agendamos uma consulta.
Meu pai n�o concordaria e nem minha m�e.
Se dependesse de voc�, iria ter o beb�?
Eu s� tenho 16 anos.
- � verdade. - Dizem que acabaria com a minha vida.
Meu pai n�o permitiria.
- Posso falar com ele? - N�o, ele n�o concordar�.
Por favor? Deixe-me tentar.
Sim. Est� bem. Vou dizer a eles que eu te contei.
Muito bem, n�s ouvimos voc�s
por respeito � sua dor e ao seu luto.
Mas como dissemos, j� decidimos.
J� agendamos o aborto para amanh�.
- E � isso. Ponto final. - Sim, claro.
S� quero dizer que eu n�o tenho outro filho
al�m do Allen.
E a Rachel est� sofrendo muito!
E eu estou come�ando a entender algo,
a sentir algo.
E de repente, h� essa chance. De repente, o Allen tem um filho.
E essa crian�a aqui tem uma av�, um av�.
E outra av�, outro av� e uma m�e.
Essa crian�a tem uma linda fam�lia. Eu acho.
E para n�s, para mim e para a Rachel, seria nosso �nico descendente.
Eu sei, mas n�o queremos.
Por favor, prometam que ir�o pensar.
- Certo. - N�o h� o que pensar.
Mesmo assim, temos esperan�a.
N�o h� porque ter esperan�a,
e � isso, j� chega!
Por que est� nos tratando assim?
- Como est� o ch�? Est� bom? - Sim.
- Voc�s agradeceram? - Como assim?
Alex, deixe para l�.
N�s os servimos h� cinco minutos. Voc�s agradeceram?
- N�o me lembro, mas acho que sim. - N�o, n�o agradeceu.
Bom, talvez esteja certo, mas pode ser por eu estar triste.
E n�o prestei aten��o.
Esse seu filho morou aqui por tr�s anos.
Por tr�s anos, ele comeu aqui. Por tr�s anos, ele dormiu aqui.
Voc� agradeceu? Nenhuma vez. Voc� a agradeceu ou me agradeceu?
Perguntou se precis�vamos de algo?
Foi dif�cil para mim entender que ele escolheu voc�s.
Foi dif�cil para mim, como m�e, me ressenti.
E quando aquele seu garoto decidiu me agradecer,
roubando seis mil d�lares de mim, e voc� sabia disso,
sei que voc� sabia, voc� me ligou? Voc� me trouxe o dinheiro?
"Isso � minha responsabilidade."
N�o, voc� n�o se importou conosco.
Assim como aquele seu filho n�o se importou conosco!
O garoto que tiramos da rua, deixamos dormir no quarto da minha m�e,
a minha m�e que era um anjo na Terra!
A mulher passava o dia na cama, lendo livros e vomitando.
E quando seu querido filho quis transar com minha filha,
minha filha de 13 anos, 13 anos!
Ele achou que minha m�e poderia acordar
e ent�o, ele a drogou, com rem�dios para dormir!
Ele colocou calmantes na comida dela
para poder transar com minha filha em paz!
A minha esposa me ligava na pris�o, dizendo que minha m�e s� dormia.
Pensamos que fosse da idade!
Aquele desgra�ado a estava drogando!
Aquele cachorro manco, aquele lixo,
aquele desgra�ado, aquele idiota...
Por favor, j� chega.
- Cale a boca! - Alex, sua condicional.
Ou�a, os dois eram crian�as. Quando ela tinha 13, ele tinha 16.
Isso � coisa idiota que jovens fazem.
- Cale a boca, eu disse! - Ei!
Alex, o que est� fazendo? Est� louco?
- Cale a boca! - N�o vou me calar!
- Pare! J� chega! - N�o!
- Droga! - Ele era maravilhoso.
- N�o um lixo! - Endoidou?
- N�o era idiota! - Pare!
Ele era maravilhoso, talentoso e amado.
E a sua filha o amava!
- E ele a amava. - Cale a sua...
Tenho inveja dela. De todos voc�s que estiveram com ele.
Que o conheceram!
Cale a boca!
- Vamos! - Vou acabar com voc�.
- Amado. - Prestarei queixa.
V�o se ferrar!
- Certo. - V� voc�!
Vamos.
Desculpe por ter acordado voc�. Estava esperando amanhecer.
Fiquei andando por a�. N�o fui � pol�cia.
Eu enlouqueci. N�o sei mais o que fazer.
N�o consigo aceitar que esse beb� ir� morrer.
Ol�, sinto muito. Desculpe. N�o quis te acordar.
Eu estava esperando amanhecer.
N�o dormi, acho que estou enlouquecendo.
Tem que haver solu��o. Isso n�o pode acontecer.
Deve haver uma solu��o.
Estou disposto a dar tudo o que tenho.
Eu tenho uma f�brica. Tenho recursos.
Estou disposto a dar tudo para a Lillian e o beb�.
Eles seriam um beb� e uma m�e ricos. Ela teria bab�s.
Ela teria ajudantes.
E ela andaria com pessoas de sua idade.
N�o preciso de nada para mim. S� gostaria de ver o beb� crescer.
Acho que isso ajuda, certo?
N�o sei mais o que posso fazer.
N�o h� nada para ser feito. Desculpe.
Com todo respeito pelo que est� passando.
Mas essa crian�a precisa viver.
A minha filha precisa viver tamb�m.
Sinto muito, vou fechar a porta agora.
- S� um minuto, por favor... - J� chega.
- N�o. - Vou fechar.
Por favor. Eu...
Ele est� certo. Ela � uma crian�a.
E precisa continuar fazendo coisas que crian�as fazem.
Ele fez o que um pai tem que fazer.
Allen, meu filho.
N�o sei que tipo de pai eu teria sido,
nem sei se seria um pai. N�o sei.
Mas sei que eu estava errado todos esses anos.
Eu j� mais teria encostado a m�o em voc�. Jamais!
Onde est� o Daniel?
Daniel! Venha. Por favor. Venha.
Com licen�a. Desculpe.
Legendas: PLINT Traduzidas por: Marcio Romani
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