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Para a minha mãe, para a minha filha e para a minha esposa.
ANO DE 1805
O Consul Bonaparte acaba de ser coroado Imperador.
Ele quer consolidar e manter as suas conquistas da
Revolução para integrar o território da República.
Mas a abolição de privilégios e a execução do Rei custou-lhe
muitos inimigos ao país. A Europa receia o contágio
dos idealistas republicanos e a ambição do Imperador francês.
Como sempre em tais circunstâncias,
a insegurança e tempos difíceis
provam ser propícios para destinos extraordinários.
Assim, enquanto o Imperador desafia
a Europa em campos de batalha
um homem falsifica a sua própria lenda, entre as ruas de Paris...
Quem quer um pouco?
Não podes dizer que não foste bem recebido.
Agora, vamos levar-te para cama.
Então, este é o Vidocq?
Bem-vindo a bordo!
Vamos, Levantem! De pé!
Vamos!
Vamos!
Vamos!
Fumas?
Sou o Courtaud.
- Vidocq. - Sim...
"O fugitivo perpétuo." Tem de ser cego e surdo
para não saber quem tu és.
- Serraste isso! - Não!
Com o que?
Com o que?
Se fores apanhado numa fuga, eles atiram-te ao mar.
Fala-me mais, estou interessado.
Vamos, tirem-no daí!
Quem faz o quê aqui?
Maillard é o chefe aqui. O outro logo ali,
de gorro verde. Como és um gajo perigoso.
De aliança com os guardas...
ele denucia fugas, em troca os guardas deixam-no em paz.
Tem cuidado com ele.
Tu és tudo que ele não quer a bordo.
Vamos! Vá lá, Sangra-o!
Vá lá e sangra-o!
- No Anguille! - No Fleur d'Épine.
Fleur d'Épine.
No Anguille.
Vamos lá, Fleur d'Épine, sangra-o!
Mata-o!
Sangra-o!
Vamos! Vamos, vamos!
- No Anguille! - Mate-o!
Anguille!
Vamos, Anguille!
Vamos lá?
Sangra-o!
Mata-o, Fleur d'Épine! Sangra-o!
Está na hora.
Vá lá Anguille!
Se queres reputação, basta só matares o Vidocq.
Sou o Nathanael de Wenger. Deves-me a vida.
Este foi um dos primeiros. Ele vai enviar mais.
Vais precisar de alguém que cuide da tua retaguarda.
Também trabalhei nas minhas correntes.
Se fores fugir,
eu vou junto.
Trabalho sozinho.
Vai lá, sangra-o!
Mata-o!
Para trás!
Para trás! Para trás!
Atirem-nos á água!
ALGUNS ANOS DEPOIS
Uma coisa importante é o que se sente no tacto dos dedos.
Sinta isso! Podes acariciar isso. Ou então se quiser,
eu acabei de receber este tecido de Jouy.
Toca neste algodão penteado.
Fecha estes lindos olhos. Que doçura!
Olha, tenho três cores psra escolher.
Está bem.
- Quero 6 metros, é possível? - Sim, qual cor?
- Da cor vermelha. - Cá está.
Seis metros de vermelho. Uma bela e acertada escolha.
Bravo, senhora!
Annette!
Por onde estiveste?
Tens alguma coisa para mim? Fala.
- Estava à tua procura. - Não me venhas com essa!
Senhores... por favor.
Por favor.
Vocês estão a assustar os meus clientes.
Tu não és daqui, pois não?
Sou um comerciante ambulante. Sou da estrada.
O teu nome,
papéis.
Tu, não te mexas.
Duval.
Jules Duval.
Levas as mercadorias de Masin?
Não! Com Rochefort em Valenciennes.
Ele roubou-me o relógio! Apanhem o ladrão!
O meu também! Roubaram-me!
- Devolve-nos os relógios! - Não me acusem!
- Foste tu! - Sou um homem honesto!
Todos do mercado me conhecem!
Então, como explicas, se estávamos só nós dois?
Ladrão!
Isto está a chegar da Inglaterra?
Desculpe?
Isto não vem da Inglaterra?
Por quem me toma?
Não sei, essa é a questão.
Obrigado.
Ou me dás nomes,... ou voltas para a prisão de Saint-Lazare.
Entendeste?
Porco!
Valenciennes?
- Desculpa? - Ou Cambrai?
Não importa, tu és do Norte.
É tão evidente?
Senti isso.
A minha mãe era de Calais.
As rendas.
- Ah, sim? - Deves conhecer,
se tu és...
Que estás á procura?
Procuras por estes?
Devolve-me.
Devolve-me.
São falsos. Tu ficas este, mas eu fico com este.
- A pensão é cara. - Isso mesmo!
Precisas de pagar para aprender, minha bela.
Preciso deste relógio.
Fica calma. Estou aqui á poucos dias,
e preciso de um quarto.
- Sabes de alguma pensão? - Talvez.
Há um quarto no fim do meu corredor.
- Ah, sim? - Posso indagar ao dono.
Se me devolveres o relógio.
Que relógio?
Pára com isso!
Vamos, toma.
Tu és linda.
Dou-te este lenço.
Um lenço?
Vais ficar?
Sim.
Quando quiseres água, a fonte é do outro lado.
Tens de trocar a jarra furada.
Está bem.
- Vamos aquecer-nos? - Sim.
Depois de ti.
Entra.
Estava lá,
com Davout, Soult e Murat!
Ney!
Estavam todos lá. E o Imperador,
que nega recuar, permanece de pé
no cemitério, à vista de todos. Pela primeira vez,
Ele dá ordens à guarda imperial.
E resistimos, resistimos!
E depois a terra começou a tremer.
Era Murat e os seus 12.000 cavaleiros,
a atacar os Prussianos, Polacos
e os Russos com sabres! O ataque de Eylau!
A Coragem e a Ostentação!
O sangue dos meus irmãos!
Viva o Imperador!
Viva o Imperador! Viva o Imperador!
A vitória em canção...
abre-nos a barreira...
A liberdade guia os nossos passos...
Do Norte ao Sul...
A corneta da guerra...
Titine, estou com sede!
Não é para ti, só para os soldados.
Se os soldados não bebem, eles morrem.
Reis bêbados de sangue e orgulho...
O povo soberano avança...
Tiranos, desçam aos caixões...
A República chama-nos...
Está boa? A minha cerveja?
Um Francês precisa de viver para ela...
Por ela, um Francês deve morrer...
Vamos, amor, anda, vou-te aquecer.
Como é doce o teu entretenimento
Que tem mérito e glória...
Ela adora rir, ela gosta de beber,
Ela adora cantar como nós...
- Vi que tinha dois relógios! - Estás a magoar-me!
- Quem te tirou o relógio? - Não sei o nome dele.
- Para de mentir! - Não estou a mentir!
Tu és a rainha das mentiras! Dá-me o relógio. Foste tu!
Só tenho um, eu disse-te!
Quem te tirou o relógio? Quem foi?
No mercado, havia muita gente a gritar.
O outro relógio, tiraram-mo!
- Quem tirou? - Que está a acontecer aqui?
O que queres...
Tu?
é disto, que estão atrás?
Ela está a dizer a verdade, ela escondeu,
estes lixos nos meus tecidos. Apanhei um.
Devolvo-tos, se quiseres.
Se és um vendedor, eu sou uma duquesa.
Não te lembras de mim?
1798. Hospital Bicêtre.
Sou eu, Perrin.
Estávamos na mesma corrente...
Não, não sei sobre o que estás a falar.
Podes ficar com o relógio.
Podes levar a rapariga também.
Mas somos uma equipa.
- Qual é o teu problema? - É o Vidocq.
Disseram que tinhas morrido.
Vendo tecidos.
Vamos roubar alguns burgueses esta noite, rua Saint-Honoré.
- Queres juntar-te? - Claro que ele vai querer,
vir connosco. Não seria muito bom eles saberem
que o nome do vendedor de tecidos é o Vidocq.
Sim, não vais dispensar uma velha companhia.
Vendo tecidos. Enganaram-se. Toma de volta o que é teu,
e vamos deixar assim mesmo.
Não!
Pára com isto!
Pára com isto, eu disse-te!
Vais matá-lo.
Deixa-o ir.
Por favor.
Vai!
Vai!
Vais-te embora?
Sim.
Não me importa saber o teu nome.
Tu, talvez não, mas os outros vão-se importar.
Vou contigo.
Não.
Porque não?
Não me deves nada, sabes disso.
Eu sei.
Camille Desmoulins
Mirabeau, Lafayette,
Olympe de Gouges?
- De Gouges, estás a brincar? - Tenho de conhecer tudo.
Uma cortesã histérica.
Ela tomou os direitos humanos e substituiu "homem" por "mulher".
Que aventura! Quando fomos buscar o rei, a Versailles,
depois de três quilómetros, os pés dela não suportaram.
A sua biblioteca merece outras mulheres.
Sra. Roland, Sra. de Staël, Théroigne de Mericourt.
Théroigne e os seus dedos de amazonas.
Que espírito de iniciativa! Que mulher!
Colocaram-na num manicómio. Mas eu interrompi.
Não, não, não...
Apenas me perguntava se...
Enfim, a propósito...
Enfim, da...
da Legião de Honra.
Se tivesses tido tempo para...
Os homens e as condecorações!
Vou falar com o Joseph sobre isso.
O irmão do Imperador?
Não! Sr. Fouché.
É claro.
- O teu superior. - É claro.
Agora, meu amigo, por favor...
Senta-te e fala-me das novas de Paris.
Que gostarias de saber?
O que achas? Que as mulheres falam sobre elas mesmas?
Das campanhas do Imperador?
Os crimes, meu querido Henry.
Nada agrada tanto às senhoras do que crimes.
Estou a ouvir-te.
Então...
O que é isto agora?
Desculpa incomodar-te.
- Sr. Dubillard está aqui. - Aqui?
Ele não está sozinho.
Peço desculpas por isto.
Qual é o problema?
- Sr. Director. - O que quer?
Relatar a novidade da minha última prisão.
Isto não é adequado para uma senhora.
Superarei isso.
Hoje é domingo, por Deus!
Não podia ter
esperado até amanhã?
Quem é este sujeito?
Vidocq, Sr.
- Vidocq? - O tal do Vidocq?
O próprio.
Uma reunião que agradará ao tribunal.
Será bom para a sua reputação.
Senhores.
Vou acompanhá-lo à porta. Perdoe-me.
Vamos, venham.
- Sou inocente! - Ninguém...
é inocente, sabes disso.
Devo confessar, que nunca acreditei
que havias morrido. Pensava que estaria,
lá em... na América.
Não fiz nada.
Sim, mas ocasionalmente, há um tipo de nome Flandrin,
que foi encontrado morto, na Rua Saint-Honoré.
Estão a acusar-te de homicídio.
Quem são eles?
Não sei. A carta não estava assinada.
Mas isso não muda o facto,
de um homem chamado Flandrin esteja morto.
Sendo assim, chegou a hora...
a hora da guilhotina.
- Conheço os culpados disso. - Ele é cúmplice, então.
Não! Eles querem culpar-me desse crime.
Dou a minha palavra. Deixa-me ir, trarei-os aqui para vocês.
Libertar Vidocq? Não!
E o que mais?
Não, não... Levem-no daqui.
O LEBRE DE DOIS DENTES
- Solta-me, eu vou contar! - Fora daqui!
Verme!
Não!
Para aí!
Deixa-o em paz.
François.
O que queres?
Que o poupes, preciso dele vivo.
O que é que ele fez?
Ele insultou o meu nome.
Não é verdade!
Estavamos a jogar dados. Ele
começou a dizer-me que a República,
lhe confiscou os bens e a propriedade.
Considerando a sua blasfémia, fez-me rir.
- O seu nome é... - Duque Loïc de Neufchâteau.
Ah, sim...
Capitão do 5º Regimento Hussar.
Então porque é que está a usar o uniforme do Império?
Monarquia, república, império, primeiro eu sirvo a França.
Deixa-o seguro e compensarei-te, Tens a minha palavra.
A palavra de um condenado?
A palavra de François Vidocq.
Esteve na batalha de Valmy.
- E no Jemmapes. - Batalhas notáveis.
Para os mendigos.
Para os soldados republicanos...
Volta aqui uma noite, assim pagarás uma rodada.
Estás em dívida comigo.
Não acredites no que viste. Vou ficar melhor do que isso.
Podíamos ser uma equipa.
Não.
Cumpriste os cinco anos, ou fugiste?
Cumpri os meus cinco anos.
Com pouco tempo para sair, o maldito exército convocava-me.
Tive que decepar a mim mesmo, dois dedos dos pés,
para me deixarem sossegado.
Já não consigo dançar, mas pelo menos não sou soldado.
Pede-me qualquer coisa que queiras, sou a tua solução.
Farge e Perrin, dois marginais do distrito de Halles.
Esquece isso, François.
Eles incriminaram-me junto à polícia. E então?
Lembras-te do Maillard?
- O gárgula de Toulon? - Sim.
Ele recebeu a tua carta de indulto.
São os homens dele, e são sujeitos a evitar.
Não fazem nada, sem lhe perguntar a ele.
Foram eles que te venderam com o consentimento dele.
E deixa-me fora desse problema.
Farge and Perrin.
Polichinelo, polichinelo, polichinelo...
Polichinelo, polichinelo, polichinelo...
Polichinelo, polichinelo, polichinelo...
Polichinelo, polichinelo, polichinelo...
Polichinelo, polichi...
Se não cumprires as nossas leis,
serás a minha faca, e não mais a minha unha.
Ele é um de nós.
Farge e Perrin,
foram apanhados!
Explica-te.
Eu estava com eles.
E tu ficaste livre?
Ele deu-me uma mensagem, para te trazer.
Quem?
Vidocq.
Pois fala.
Ele disse que te vai mandar de volta para a prisão.
E tu deixaste-o dizer isto?
Farge and Perrin.
Os assassinos de Flandrin.
E eles assinaram a confissão.
Não ser culpado,... não é ser inocente.
Não há muito lá. Quer dizer, sim, há
alguma agitação, até muita.
Entretanto, são essas fugas, que estão erradas contigo.
Isso...
Venho de Arras. Gosto de espaços abertos.
Todavia, não acabaste na prisão por acaso.
Tem de haver uma queixa, em primeiro lugar.
- Não é? - Sim.
Qual foi a causa, o motivo?
A causa? O motivo?
Um duelo com um marido ciumento.
Só sou culpado por isto.
Sim...
Capdeville,
Beaumont, Florentine.
Sim.
Podias ter passado sem estes.
Todas estas prateleiras contém os arquivos
dos mais procurados homens de França.
- Ah, sim? - Sim.
- E nesta, quem é que vais por? - Esta parte é reservada para
os homens perigosos, que hoje estão encarcerados.
Isso mostra a eficácia da tua política.
Não te ria dos meus arquivos, por Deus!
Eles são os únicos desse tipo.
Tu precisas de mim.
O quê?
Deixa-me fazer isto.
Vou encher a tua prateleira.
A criminalidade é a minha especialidade.
Ainda não estou a recrutar os condenados!
Nicolin! Vulgo o Boulange "Padeiro".
Mata as suas vítimas, socando farinha na garganta.
Sensível, ele não gosta de gritos.
Era mendigo em Gand com Baptiste Spillman.
Depois de quatro-cinco anos,
ele começa por conta própria como cavaleiro alpinista.
Um cavaleiro alpinista...?
Ladrão de apartamento!
Ah! Sim...
Nada respeitado no seu meio,
o costume normal é de não matar o proprietário.
Henri Pinson!
Vulgo Fleur d'Épine "Flor de Espinhos".
Apelido ganho durante uma campanha de Egito.
Louco, perigoso e impiedoso.
Ele teria serrado o pescoço de um padre à luz das velas,
á espera de ver se sua alma se desprende do corpo.
Com a fama que tem, pode-se acreditar.
Ele teria-se tornado na maldita alma de Maillard.
Outro dos seus amigos, Maillard.
Não fui eu quem lhe deu a comutação da sentença.
Ele beneficiou-se do indulto.
Tu deixas os ladrões de pão sofrerem nas ruas
e libertas este assassino.
Alguém interveio com o Ministro, sem me consultar.
Côme Maillard!
Escravagista em Santo Domingo, assassino em massa de Setembro,
fez fortuna com a guilhotina,
e concorda que 44 presos sejam massacrados sob a sua custódia.
Ele governa o submundo como o Imperador sobre o Império.
Não se apresenta uma raposa num galinheiro.
Se fazes isto, acabas por te arrepender.
Passas dos limites, Vidocq.
Conheces de verdade os arquivos desses homens?
Sim, os seus antecedentes e as suas fuças.
Eu não guardo rancor, mas não me esqueço de nada.
Então vai em frente, por favor.
Prossegue.
Millet!
Nariz partido, pescoço forte, vigarista, 4 anos em Toulon.
Dupin! Sem o lóbulo esquerdo da orelha, comido por um rato.
Ele tem também, uma tatuagem de uma mulher, no ombro esquerdo.
Sr. Director de Segurança,
não sabe absolutamente nada sobre isso.
Quer que eu envie os meus inspectores á prisão,
para que aprendam todas essas descrições, que disse á pouco?
Que me diz deste aqui?
Nathanael de Wenger. Nunca ouvi falar dele.
Sim, ele é um dos seus companheiros de fuga.
- O Alsaciano? - Sim.
Nunca me disse o nome dele.
Ele está a planear de fazer um nome.
Dizem que pretende destronar o Maillard.
Em Londres, ele já fez uma notória reputação.
E eis aí, ele de volta.
Como se eu não tivesse o suficiente para me preocupar.
Para combater tais homens,
é preciso dde conhecer os seus hábitos, o mundo deles.
Esqueci-me que foste um deles, é verdade.
Não, não sou um deles.
São só palavras.
Não são só palavras.
É da minha vida que estás a falar.
Não sou um deles.
- Sim... - Então,
É necessário resultados. Posso provivenciá-los para ti.
- Mas a que preço? - O meu indulto.
Nada mais do que isso?
Eu dei-te estes homens.
Agora, Maillard vai querer a minha cabeça.
É ele contra eu.
Quero comprar-te a minha liberdade.
Não, não estás em posição para exigir qualquer coisa.
Mesmo assim...
Diz-me, se é sim ou não?
Quanto?
"Quanto" o quê?
- Se é trabalho, diz o salário! - Ouviste o que eu disse?
Ofereço-te uma reputação. E também os almoços!
Aquilo que tens de pressa, acabas por ganhar.
Sim...
A propósito, sou meio que procurado. Um leve engano.
Os meus homens serão perdoados.
Pega nessa oportunidade para te redimires.
E então, o que respondes?
Um momento.
Então,... Pensaste sobre isto?
Napoleão devolve os bens aos monarquistas,
aos que não levantaram as suas armas contra á França.
Sob estas condições, sou teu homem.
Não posso prometer-te nada.
Não vais fazer um acordo, com aquele espadachim?
Deixa-me tratar disto...
Meu filho Charles.
Como se trata de limpar o nosso nome, ele será um de nós.
Tudo bem.
Até agora, Maillard quer a minha cabeça.
Mas se o atacarmos, ele vai querer as vossas também.
De qualquer forma, nunca gostei da minha cabeça.
Admito que este verme mesmo sendo um traidor, pode matar,
mas a sua acompanhante, qual é a utilidade dela?
Como pretendem fazer isto, sem os ouvidos da rua?
E a rua, é a minha casa.
Não temos de nos reportar, e sim, apenas unicamente a Henry.
Os nossos resultados,
determinarão o preço das nossas graças.
Então?
Então?
Titine!
Que queres, Cara de Lua?
Duas jarras de Navarra! Por conta deste senhor.
- E viva o Imperador! - Viva o Imperador!
Viva o Imperador!
Parem o assassino!
Parem o assassino!
Que pena.
Senhora.
Não fiz nada, já disse!
Um ladrão é sempre um ladrão.
Sim. E os resultados são resultados, Dubillard.
Sr. Diretor,... os piores rumores,
estão a circular na pessoa do Vidocq.
Ele está em coligação com vários bandos.
Sim, mas preciso de provas
Sem calúnias?
Encontramos que vimos o homem chamado Courtaud...
"Encontramos", como assim?
Quero provas concretas, não uma condicional...
É ridículo, patético...
Sabes o que és? Um eunuco.
Um eunuco no harém.
Não é porque sendo um impotente,
podes achar que os outros são incapazes.
Não entendes nada, Dubillard.
Este homem está á espera pelo teu indulto.
Tenho-o aqui nas minhas mãos. Eu controlo-o.
Eu tenho-o.
Eu entendo que é mais fácil caluniar,
do que mostrar a eficiência de um Vidocq.
Mesmo que multipliques
os teus resultados por cinco, seis,
oito, não estás no nível, para a tarefa.
Não tu, ninguém nesta casa, ninguém!
Com todo o respeito...
Não, não agora! Tenho um compromisso.
O Sr. Fouché fala sobre delegar-me a Legião de Honra.
E não foi graças a ti.
Não há mais o que roubar aqui em cima!
Onde escondeste, o dinheiro?
Vai, desembucha!
Prende-me isto.
Para mim?
Falarei sobre ti com a Imperatriz.
Devo ser capaz de te obter este favor.
Se me deres licença, agora tenho uma partida para terminar.
Os meus respeitos, Sra. Baronesa.
Ganhei outra vez.
Quem é o próximo?
Onde está a Baronesa?
Afasta-te daí, mestiço.
Mehmet?
Querido amigo.
Já te disse para não vires aqui.
Acha que estás a falar com quem? Esqueceste-te de onde vieste?
Eu não me esqueci.
Quando quiseste matar o teu marido, quem chamaste?
Quem é que asfixiou o barão com a almofada?
Quem fez com que tivesses essa herança?
Sem mim, não terias nada. Esta é a minha casa!
Fala mais baixo.
Então, livra-te do Vidocq!
Isto não pode continuar assim.
Ele prendeu uns vinte dos meus homens,
e três dos meus tenentes.
Mansart, Bransier e Dupin estão a apodrecer na jaula!
A este ritmo, fico sem homens!
Nada está certo durante dois meses e estás a atirar cartas?
Suga a quem quiseres, mas tira-o da força policial.
Nunca mais me toques.
Pagarei por isto.
Pagar? Achas que o dinheiro é tudo?
Pobre coitado! Não sabes o significado disso.
Só com uma palavra minha, e deixas de existir.
Ajuda-me... Fala com Fouché.
Diz-lhe que o lugar do Vidocq é na prisão.
Fizeste isto mal.
Vais ter de fazer isto, por ti mesmo.
Não se mexam!
Dá-me o baú!
Saiam!
O que vais fazer depois disso tudo acabar?
Não sei. Veremos isso depois.
Eu, o que gostaria, é de ver outras partes do país.
Porque nunca conheci nada mais além de Paris.
Eu nasci na casa ao lado.
E eu nunca me mudei.
Se eu tiver filhos,
gostaria que eles vissem relvas, árvores, pássaros...
Vacas, galinhas,
patos, porcos...
- Estás a gozar comigo? - Trutas...
Para!
Não, aqui não!
Não! Afasta-te!
- Sai de cima! - Campos de trigo...
Vou-te arrancar a língua, e vou-te abrir ao meio.
Adeus, Fleur d'Épine.
Nathanaël de Wenger, um velho amigo do teu homem.
Obrigada.
O François mete-lhes medo.
Eles não se atrevem a enfrentá-lo.
Estão á procura por uma "moeda de troca".
Eu gostaria de vê-lo amanhã, á uma hora na fonte dos macacos.
Tenho algo para lhe mostrar.
E que lhe vai interessar.
Bom dia, François.
Muito bom teres vindo.
Obrigado.
Por Annette.
Fico contente por ser útil.
Como estás, François?
O que queres?
Estava com saudades.
Porque é que estou aqui?
Não sei se, sabes, mas eu fiz o meu nome por mim mesmo.
Talvez ainda não seja digno do
teu, mas estou a trabalhar nisto.
Eles vão ter orgulho de si mesmos,
no dia em que me cortarem a minha.
Na minha família, normalmente acabamos por ser condenados.
O meu irmão, o meu pai...
cinco tios, 17 primos...
O tributo de Wenger para a Revolução.
E não estou a falar das mulheres.
Fui batizado com o sangue da minha família.
Sou filho do Terror, François.
O meu lugar é na guilhotina. E o teu?
Ainda não me respondeste. Porque é que estou aqui?
Vamos apreciar esse espectáculo.
Adoro mercados.
Faz-me lembrar a minha infância em Strasbourg.
Os mercados de Natal.
Sério, tenho um presente para ti.
Precisas de ter cuidado com os hábitos.
É fácil. Mandaste-os quase todos para a prisão.
Tudo que precisas fazer, é terminar o teu serviço.
Até vou recuperar os homens dele.
O que queres de mim?
Olha para isto.
Estas.
E as outras.
As pessoas.
Elas são nossas, todas elas.
Tenho viajado desde o dia que nós fugimos.
Pela água, Austria, Inglaterra, Prússia.
Já morei na Suiça.
Porém, nada supera Paris.
- Mexam-se, por favor! - Circulem!
- Não há nada para ver! - Afastem-se!
- Voltem para as vossas bancas! - Para trás!
Teremos de nos organizar.
Trabalhando juntos à Prefeitura,
isto foi inteligente. Mas na floresta de Sénart,
estivemos frente a frente, Françoi.
Isto não deve acontecer de novo.
Concordas?
Continua a arranjar amadores para esse trabalho,
e eu... estou fazendo de nós, os imperadores de Paris.
Nunca haverá mais do que um só imperador.
Não se formos uma equipa.
Trabalho sozinho. Pensei que já te tinha dito.
Pensei que éramos amigos.
Obrigada.
Vou-me acostumar a isto... vivendo aqui.
Com licença.
Obrigado.
Obrigada.
A nós.
E viva ao Imperador!
Maillard e Fleur d'Épine,
na mesma semana, vocês estão a ser duros.
Teria preferido prisões, mas não é tão mal assim,
como tudo isto aqui.
Deixa-me apresentar-te a Annette.
Estou contente por teres aceitado vir aqui hoje.
Afinal de contas, deve de haver algo interessante,
para o evento de hoje.
Fizemos um acordo.
Eu sei, mas a administração do
Império tem as suas deficiências.
Não se deve apressar, é assim que funciona.
Olha... para mim, por exemplo,
Já se vão anos que me foi prometida esta medalha.
Hoje, eu recebo-a.
É assim mesmo.
É dessa maneira.
Sou a prova viva que a paciência sempre vence.
Que segredos são esses que vocês aí estão a sussurrar?
Algum segredo de Estado?
Apresento-lhes a Baronesa de Giverny.
E uma amiga.
Está com melhor aparência
do que a primeira vez que nos encontramos.
Esqueceste-te?
Não. Eu esqueço-me de poucas coisa.
Ouvi falar muito de ti.
Raramente de um modo bom, certamente.
Não é a coisa essencial que falem sobre ti mesmas?
Não, é questão de sobrevivência.
As pessoas que vivem, sempre tem a última palavra.
Oferecemos-te vários recursos, mas
não sabia que eras um filósofo.
Sim... muitas coisas são contadas sobre mim.
Estou a roubar o herói do dia,
só por um tempo suficiente para fazer as senhoras estremecerem.
Baronesa, como esta...
algumas delas, eu vejo-as todos os dias no passeio.
Francamente, acreditas nessa encenação dele?
Nem sempre se mostra a verdadeira face.
Mas tu mostras.
Eles deveriam condecorar-te.
Ah, sim? Deixem que eles me dêem,
a minha carta de indulto.
Por falar nisso...
Segura isto, volto já.
Fica por aí. Tu és a mais bela.
Dubillard, disseram-me que estiveste em Austerlitz.
Verdade?
Oh, Céus! E eu pensei que eras um patife!
Queres saber? Estou orgulhosa de ser uma colega.
Como se o sangue derramado, estivesse sobre...
Senhor!
Com licença! Gostaria de ter uma conversa consigo.
Deves ser o Vidocq, certo?
Ao seu dispor.
Pensei que fosses mais alto.
Dizem que és um bom observador.
A comédia humana não é a mais apaixonante de todas elas?
A comédia humana? A combinação é divertida.
Deviad confiar-lhe a um dos nossos dramaturgos.
Sua Excelência deve saber,
que foi-me prometida a carta de indulto.
Estava aí.
A guilhotina, estava ali.
Alguma vez já assististe a uma execução pública, Vidocq?
Sim.
Todos deveriam ver isto, uma vez na vida.
A multidão a gritar, que injuria, que insulta,
Clama pelas cabeças... cabeças e sapatos.
Com a Marie Antoinette, fora as suas obsessões.
Pediam pelos sapatos dela.
Executam uma rainha e pensam nos seus pés.
Isto é um grave erro confundir o povo com a multidão.
O povo é soberano.
Este é o maior dos legados da nossa Revolução.
E a multidão é uma besta feroz,
que se tem de alimentar, manipular, dominar...
Já vi dezenas de cabeças a rolar ao chão deste terraço.
Monarquistas, orleanistas, jacobinas, girondinas...
Os gritos da multidão eram os mesmos.
Ninguém pedia pelo perdão. Todos queriam sangue.
Entretanto, foi o Império
que pôs fim ao caos e restaurou a ordem.
É preciso assim ser consolidado.
Acreditas?
Louis XVI e Robespierre foram guilhotinados,
não pelo que eles foram, mas pelo que eles simbolizavam.
Tenho receio que o Imperador
venha eventualmente, a tornar-se um símbolo.
Os rumores poderiam ser verdadeiros?
Raramente são inteiramente falsos.
Fouché faria falta ao Império se ele se fosse embora.
O Império é do Imperador. Sendo uma pessoa, comete erros.
O que mais importa é a França.
Sobreviverá ao Império, E eu irei também.
A força de Napoleão está em todos eles
fazendo-os trabalhar juntos.
Os bonapartes, os monarquistas e os republicanos.
Sem eles, ainda estaríamos numa guerra civil.
É isso que também gosto em ti.
Tens um vendeiano á busca de recuperar a sua propriedade,
um velho bêbado republicano, um andarilho bonapartista,
e um ex-condenado obcecado com a ideia da redenção,
por um lugar na sociedade.
Gosto profundamente a tua concepção da França, Vidocq.
Você deveria estar na política.
Foi-me prometida esta carta de indulto.
A única pergunta é, serás realmente útil?
Napoleon, o que fez com os meus dedos dos pés?
NA CASA DO AMIGO DA GUILHOTINA
Tiro-liro-liro-le-ratanplam!
Tiro-liro-liro-le... se eu vos encontrar de novo,
vou enfiá-los no teu rabo. Tiro-liro-le...
Viva o Imperador!
Zasp!
Não te lembras?
Pai...
Eu tinha dois anos quando houve o confisco.
Os 200 hectares de floresta, os 3 lagos,
a vista da planície, os belos castelos
e poderosos, como a nossa casa.
A minha mãe costumava falar-me tudo isso.
Éramos felizes lá.
E tu serás também.
Charles.
Charles?
Charles... Charles!
Charles.
Pai...
Não... Não...
Não... Não!
Charles, não! Não!
Não! Não! Não!
Charles! Charles!
Não é, uma simples decoração que lhe será
dada e entregue hoje, cavalheiros.
É um cordão.
Um cordão tão vermelho, como o sangue derramado,
em defesa do país.
Um cordão tão vermelho, como a paixão,
que vocês tem demonstrado, para servir o Império.
Um cordão tão vermelho,
como aquele que esteve conectado a vocês com as vossas mães.
Um cordão tão vermelho, que vos aliará para sempre, à França.
Senhores,
sejam dígnos deste cordão.
Sejam dígnos, da Legião de Honra.
Eu queria que não prendesse ninguém esta noite.
Empenhei-me muito para que ele tenha a medalha.
Não arruine a festa.
Obrigado, Sr.
Obrigado, Sr.
Obrigado, Sr.
Tenho a impressão de que nós nos conhecemos desde sempre.
Roxane Restovitch,
trabalhaste no harém da Madame Liébaut.
Destruidora de deputados sob o regime do Terror,
eras a isca de um homem chamado Verdier,
que ajudavas a prender os aristocratas nas suas fugas.
Ficaste três anos em cárcere na prisão de Saint-Nazare.
Na saída, o teu protector por ter falecido,
meteu-se com a máfia. Encontrou por lá,
um amante do passado, um certo Maillard.
Depois fisgou um barão, o velho de Giverny,
que foi encontrado morto na sua cama.
Um final feliz.
A menos que a tenham ajudado.
Daí entras na corte,
através da cama de um general do Império,
e desde então, vens fazendo comércio em troca de favores,
podemos assim dizer...
Não me esqueci de nada?
Sim.
De me convidares para o jantar. Amanhã?
Tu és agora, Imperador de Paris.
Posso prestar...
este serviço...
Obter a carta de indulto, por exemplo.
O que precisarei de fazer?
Sejamos amigos desde já.
Não sou a única a ter um guarda-costas.
Ele queria viver.
Para servir o país, ser digno do seu nome,
cobrir-nos de honra.
E tu mataste-o!
Tu mataste-o!
A única coisa que estás interessado, é na vingança.
Fazendo guerra aos cretinos que se apegam à tua pele.
Desprezas-os, mas não és melhor.
Tu és um deles.
Um bruto.
Um animal.
Um bufo.
Abram para o Sr. Vidocq!
- Sr. Vidocq. - Para onde é que estes irão?
Para Toulon. Eles vão para a prisão amanhã.
Bufo! Bufo!
Abre.
Vais querer entrar aí?
- Eles vão-te estraçalhar. - Faz como eu disse.
- Pessoal, preciso de ajuda! - Deixa-me fazer isto.
De que adianta ficarem a gritar?
Quando os apanhei, é que vocês deveriam ter feito algo!
Agora, é muito tarde!
Vocês vão a julgamento!
Não há mais inocentes aqui!
Estão com as caras sujas de culpabilidade!
Há alguém aqui, há...
quem possa reclamar, que já trabalhei com ele?
Ou que já o tenha traído?
Não há ninguém.
Nunca denunciei alguém a quem quer que seja!
Simplesmente porque sempre estive sozinho.
E vocês sabem que é a verdade!
E todas as pessoas que vejo aqui, que já tentaram matar-me,
quer seja na prisão de Toulon ou de Brest,
o que esperavam de mim?
Solidariedade?
Que deixem que vocês me acusem?
De novo?
Bufo.
Não tenho respeito por vocês. Por nenhum de vocês!
Mas já estive aqui antes, como vocês.
Já estive nos vossos lugares.
E sei o que vos esperam.
Tudo que posso dizer-vos,
é que aguentem.
DE VERSAILLES A VERSAILLES 5 DE OUTUBRO DE 1789
Quem está aí?
Venho da Prefeitura.
Sr. Henry foi apunhalado na sua cama, e quer vê-lo.
Espera aqui.
- Senhor? - Sim.
Senhor, você não pode!
Que fazes aqui?
Annette...
Annette?
Boa noite, Annette.
Como estás?
Ofereci-lhe a ele para trabalhar comigo.
Ele repudiou-me.
Porquê?
Porque é que ele fez isto?
Annette...
Annette!
Annette!
Olá, François.
É uma droga de Mehmet.
Uma efervescência de flor de papoula.
Vamos...
Aí está.
Quando ouvi sobre isto,
temi que fizesse alguma coisa estúpida.
Eu alertei-o que se alguma coisa te acontecesse,
não o perdoaria.
Ele é muito ligado a mim.
Não!
Precisas de ficar quieto.
Precisas de ficar aquecido.
De muito calor.
Tens de viver, François.
Viver.
Sr. Conde de Puymerans.
Sr. Já estou aqui há quase três horas.
Está certo de ter-me anunciada?
Sim, senhora.
Joseph.
Sr. Fouché.
Que faz aqui, senhora?
Temos algumas questões pendentes.
Uma Legião de Honra.
De novo? Vamos acabar por dar para qualquer um.
E também a propriedade confiscada,
pelo qual tínhamos pensado que, eles poderiam ser devolvidas.
Tenho outras prioridades.
Eu também queria atrair a tua atenção a algumas pessoas,
que poderiam ser-nos úteis.
Nós?
Eu quis dizer...
Os tempos estão a mudar, senhora.
Não tenho tempo para me divertir.
- Sinto muito, senhor. - Deixe o Sr. Puymerans entrar.
Adeus, senhora.
Como assim, desapareceu?
Não o vemos há semanas.
Desde o incêndio.
Será que ele não está entre os mortos?
Não. Foi visto a sair do prédio.
- E então? - E depois ele desapareceu.
Por outro lado, encontramos Nathanaël de Wenger.
- Trarei-o de volta. - Ele não interessa.
Quero o Vidocq, encontra-o!
Quero-o no meu gabinete, ou na cadeia, e não livre.
Sem liberdade!
Levou muito tempo.
Pensei que o meu mensageiro, não te tinha encontrado.
Repete o que me disseste.
Há uma passagem aqui nos fundos.
Quantos são lá?
Dez, doze... não mais.
E o que é que estás a fazer aqui?
Vim buscar um pouco de vinho.
O saco de couro está na porta.
Eu juro,... é a verdade
Estavas a pensar em amarrá-lo?
Vidocq.
O director gostaria de te ver.
Agora.
Como é que nos encontraste?
Não és o único policia competente.
Só são vocês os dois?
Queres reforços?
- Quem vem lá? - É a bebida a chegar.
- Podes ajudar-me? - Sim.
Vamos, Poitou!
Três moedas que ele não vai conseguir levar.
Não leves o sinete!
Faz-me ganhar a aposta, que eu pago-te uma mulher!
Vamos, levanta-te!
Pelo Poitou!
Está quase lá!
Consegui!
Este é o meu Poitou!
O importante é não hesitar.
Por último, paramos a carruagem, e eu ataquei.
Acertei com um tiro na barriga do rapaz.
Deverias ter visto os seus olhos,
o uniforme cheio de sangue...
Um a menos, no exército de Napoléon!
E terão outros, não é?
Estou a alertar-te, é a tua vez. Precisas cuspir, o teu veneno.
Estás ferido?
Vamos!
- Ele está a fugir. - Vai, eu trato de mim.
Qual é o teu nome?
Poitou.
Quantos anos tens?
Vai para casa, rapaz.
Vai!
Vai para casa!
Vai!
E então,
Viste juntar-te ao teu bastardo?
Tu eras alguém, François!
Olha só para ti!
Quem és tu agora?
Olha para ti.
Um bufo.
És ainda pior que um polícia.
Um bufo!
Eu admirava-te, tu sabes.
O eterno fugitivo...
Um bufo!
François...
É o lugar perfeito para uma coroação. Vamos.
Vamos.
Tu e eu... somos iguais!
François,
quando receberes esta carta, já devo ter deixado a França,
vou sentir saudades de Paris.
Mas estou a ficar, um pouco popular a mais.
E isto torna difícil manter um segredo.
O meu passado persegue-me.
E parece que tu és a pessoa que me entende.
Quando é que podemos encontrar-nos de novo?
Se somente,
quisesses,
podíamos realizar grandes coisas juntos.
Já sinto saudades tuas.
Até um dia, François.
Noutro país, ou sob um outro regime.
Beijos.
Roxane.
Se ao menos soubéssemos porque estamos aqui...
Gostaria de saber quem é o idiota,
que nos mantém á espera aqui, durante duas horas.
E olha para isto!
O quê?
As tuas botas! Estão sujas de lama.
Não é assim que se apresenta
na frente do Sr. Fouchet, de qualquer maneira!
Obrigado.
Ele está á tua espera!
- Ainda bem... - Não, tu não.
Sr. Vidocq.
Mas...
Ele vai vê-lo, já.
O quê?
Com relação á tua carta de indulto, estive a pensar.
A resposta é não.
Nós fizemos um acordo.
Nós?
Com o Sr. Henry, O teu director de segurança.
O ex-director de segurança... Ainda tenho que lhe dizer.
Na verdade, o lugar está vago.
Eu disse-te... Vidocq.
Tenho grandes planos para ti.
Não devias ter ido embora?
Os meus inimigos teriam-me subestimado.
E depois, ainda há muita coisa para fazer.
Vais ter de escolher, Vidocq.
Servir o teu país, ou ficar na sombra e na mediocridade.
Vou deixar-te pensar a respeito disso.
Faz entrar os outros dois.
Tenha um bom dia, Sr. Vidocq.
O IMPERADOR DE PARIS
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