All language subtitles for Tiempos De Guerra - Temporada 1 .HDTV 720p.Cap.112.AC3 5.1 Espa+¦ol Castellano

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Original subtitles

- Afastem-se das janelas! - Sara, vamos!

Protejam-se!

Os rifenhos bombardeiam Melilha.

N�o v�o parar at� o nosso ex�rcito os expulsar do Gurugu de novo.

At� l�, n�o posso garantir que o hospital seja seguro.

Descobri graves irregularidades.

Duvido de que o ex�rcito tenha feito tudo para evitar a derrota.

N�o tolerarei uma falta de respeito t�o grande.

Contaste alguma coisa � tua m�e?

Ainda n�o.

Ter�o o desgosto do s�culo quando lhes contares.

O casamento � em dois meses. Temos o tempo � cerca para o preparar.

Temos de falar do casamento.

Vamos sair daqui.

Na rua do mercado.

� um lugar seguro.

Por quanto tempo conseguir�o manter segredo?

Pode ser um golpe para o futuro do hospital.

Est�o a p�r tudo em risco.

Que queres ouvir? Que fiquei por ti? Sim, fiquei por ti.

N�o brinques comigo.

Nunca brinquei contigo. E nunca te menti.

Ainda estou apaixonada por ti.

Sabe o que � isto?

Um recibo das refei��es servidas em julho e agosto.

Que estranho, capit�o. Foram sempre assinados.

Se n�o assinares, v�o tirar-lhe o bar.

Queres que minta?

Que mal tem, quando � para ajudar os teus?

Farias isso?

Fazes isso?

Isto tem um pre�o.

Preciso de saber se o beb� � meu.

Se n�o soubesse quem � o pai,

o que faria? N�o escolheria o melhor?

O beb� est� a p�r-se em posi��o.

Se o beb� nascer mais cedo,

ele saber� que n�o � dele e ficar� livre para a Pilar.

Quero amar o meu marido.

E que ele me ame tamb�m.

� assim t�o dif�cil de compreender?

N�o sabes o que se passa na tua casa.

Repete isso.

Vi a tua enfermeira e o capit�o na rua,

bem juntinhos...

D�-lhe, Pereda. Capit�o. Lutem. Vamos.

Lutem. Vamos.

Vamos.

Desculpa, Andr�s.

� verdade.

Porqu�?

- N�o basto? - N�o � isso?

O que �?

Que raio �?

Nunca pensei que fosses capaz disto.

Ser� suspenso at� nova ordem.

N�o posso dizer que n�o o avisei.

Vem ao casamento, certo?

Com a Julia.

H� algum problema?

Sim. H�.

Acho que devia saber.

"Querido Larbi,

por fim, consigo escrever-te umas linhas.

At� agora, n�o tinha tido for�as."

"Todos dizem que enlouqueci.

Que perten�o aqui, com os meus."

"Sentirei sempre a tua falta.

Estar�s sempre comigo, Larbi.

Espero que, um dia, me perdoes."

Venha comigo, acabar com o atirador.

Vamos.

Baixe a arma.

Ol�, capit�o.

Rachid.

Porque mudaste de lado?

Salvaste-nos as vidas.

De que me serviu?

Voc�s odeiam-me.

N�o veem bons e maus.

S� veem �rabes.

Nem todos pensamos isso. Tu sabes.

Adeus, capit�o.

Rachid!

Rachid.

Maldita guerra!

Isso digo eu, capit�o.

Maldita guerra.

Porque me obriga a fazer isto?

Dispare, capit�o.

N�o tenho escolha.

UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX

TEMPOS DE GUERRA

Vamos ver.

Capit�o? Est� bem?

O atirador est� morto.

Avisem-nos no hospital.

V�o!

� um maldito.

Pelo menos, a Julia confessou.

Nem conseguiu fazer isso.

� assunto meu e da Susana.

Meteu-se nos nossos assuntos.

Mas pode ficar descansado...

... a sua noiva sabe.

O que disse � Susana?

Partiu o cora��o de algu�m que n�o tem culpa nisto...

N�o fiquei feliz, de todo.

- Tinha de fazer... - Porqu�?

Porque � um cobarde!

Eu e a Julia...

... n�o plane�mos nada disto.

- Acha que isso muda algo? - N�o sei. S� posso dizer que...

... que lamento e que n�s tamb�m sofremos com tudo isto.

A Julia n�o sabe o que quer e eu tamb�m n�o.

Eu sei.

Sempre soube o que queria?

CAP�TULO 12 "UMA VIDA PARA VIVER"

Sabia...

... mas perdi-o.

- Abateram o atirador. - H� mais baixas?

- Os dois soldados � porta. - O Dr. Calder�n? O capit�o Pereda?

Est�o bem.

Julia, diz aos maqueiros para levarem os corpos.

Voc�s, venham comigo para tratarmos dos feridos. Vamos.

- Meu amor! - Fale mais baixo!

Estava t�o assustada! Abra�a-me!

N�o podes arriscar a vida assim, Luis! Esta crian�a precisa de um pai...

Raquel, por favor...

Ouviste a duquesa.

Fala baixo, estamos num hospital.

O que se passa contigo, Luis?

Guillermo!

Contaram-nos sobre o tiroteio. Est�s bem?

Sinceramente, n�o sei, as balas passaram t�o perto que...

- Se fui ferido, nem reparei. - � t�o corajoso!

Se continua a arriscar a vida assim, de hoje n�o passa.

Para qu�?

Para o convidar para sair. Amanh�, os �rabes podem ter mais pontaria.

Tenho de aproveitar.

Como assim, "ir sair?"

Termos um encontro, os dois?

O que foi? N�o lhe parece bem?

N�o, sim... � uma �tima ideia.

- Aonde me vai levar? - N�o sei, a jantar, a dan�ar, a passear.

Depende.

Adoro dan�ar.

Ele salvou a minha vida.

Est�s bem?

Estou vivo, se te referes a isso...

- Pelo menos, por fora. - Andr�s...

Deixa, Julia, n�o digas nada.

- Temos de falar. - Falar?

Sim.

Falar n�o vai mudar o que aconteceu.

Presumo que ningu�m tenha culpa, mas...

... a nossa hist�ria acabou.

N�o te quero perder.

Entre.

- Desculpe, coronel, mas � urgente. - O que �?

- Atacaram o hospital. - Meu Deus...

O Fidel?

Temos tr�s baixas. Nenhuma � pessoal do hospital.

Felizmente, o Dr. Calder�n e o capit�o Pereda mataram o atirador a tempo.

Eu sabia que isto ia acontecer. Vamos.

Aonde vais, filha?

Ao hospital.

Susana, nem penses nisso, por Deus!

Vim, mal soube. Est� bem?

Sim, mais ou menos. Obrigada pela preocupa��o, coronel.

Um incidente pr�prio dos tempos em que vivemos.

Os rebeldes est�o a agitar os seus apoiantes no interior da cidade.

Foram encontrados degolados, soldados e civis, nas ruas do centro da cidade.

H� assaltos nas lojas,

inc�ndios em edif�cios oficiais...

Nada disso apareceu nos jornais.

Nos jornais que interessa, presumo.

Diga aos seus homens que t�m permiss�o para entrar no hospital,

que pe�am tudo o que precisarem e garantiremos que t�m tudo � disposi��o.

- Sei bem que n�o o queria, senhora... - N�o h� alternativa.

S� pe�o que o hospital continue sob meu comando.

- O Somarriba vai encarregar-se disso. - Sim, senhor.

Vou mant�-la informada sobre os avan�os dos rebeldes.

- Acha que conquistar�o Melilha? - Espero que n�o.

Seria a pior not�cia para todos.

Senhora.

Fernanda?

- Sabes onde est� o Dr. Calder�n? - Estava na sala dos professores.

Obrigada.

Est�o deliciosos. Quentes e deliciosos.

- Raquel, sabes do Dr. Calder�n? - Acha que tenho tempo para ver algu�m?

N�o paro! Veja o que tenho aqui.

Por sorte, tinha isto e alguns mel�es. Se n�o fosse eu, agora passavam fome.

Claro, ningu�m me avisa.

- Quem s�o? - Vizinhos.

Das zonas onde ca�ram as bombas.

Imagina como ter� sido?

Estar a dormir na cama e, de repente... A casa vem toda abaixo.

- V�o ficar? - Parece que sim.

Enquanto procuram alojamento, a duquesa deu ordem para cuidarmos deles.

Quanto a si, n�o sei, mas s� tenho duas m�os.

Muito bem, senhores, temos uma ta�a de mel�o para cada, sim?

Se sobrar, recebem mais.

Pode cuidar disto, por favor? Tenho muito que fazer na cozinha.

- Sim, claro. - Obrigada, querida.

Aqui t�m.

Est� quente.

N�o se preocupem com nada.

Aqui, estar�o a salvo. As bombas n�o caem aqui.

Susana?

Soube do atirador.

Est�s bem?

Falaste com o Andr�s.

- Vais deixar-me por ela. - Susana, quero falar, mas n�o aqui.

Diz-me a verdade.

Diz-me a verdade e nunca mais te pergunto.

Ama-la?

Sim.

Mentiste-me...

Este tempo todo, fiz planos para o futuro.

Permitiste que avan�asse com o casamento. Por que esperavas, Fidel?

N�o sabes?

Aproveitaste-te de mim.

Eu e tu estivemos juntos. Dormimos juntos.

- N�o podemos mudar isso. - Eu sei.

- Compreendes? - Sim.

- Para ti, � tudo f�cil. - N�o.

Sim.

Vou cancelar o casamento.

- Vou faz�-lo, assumir a responsabilidade. - Muito corajoso, mas um pouco tarde.

Nem vais tentar que te perdoe?

Que perdoe e esque�a.

Estava disposta a faz�-lo, sabes?

Sabia que havia algo entre voc�s, mas pensava que...

Pensava que pensarias melhor, que...

... virias dizer-me como o lamentavas.

Susana...

Serei eu a dizer �s pessoas que n�o haver� casamento.

� o m�nimo que me podes conceder, depois do que fizeste.

Julia?

H� quanto tempo mentes?

Susana, n�o queria enganar ningu�m.

- Lamento, se... - N�o lamentas nada.

Diz-me, desde quando?

Desde o primeiro dia?

Tudo o que temia, sempre que vos via juntos,

era verdade.

Conhe�o-te.

Conhe�o pessoas como tu.

Ages como se n�o fizesses mal a uma mosca, mas �s venenosa.

- N�o � verdade. - Claro que �.

Eu e o Fidel

�ramos felizes, antes de chegares.

T�nhamos uma vida juntos, t�nhamos um futuro juntos.

Tinhas de te meter no meio e destruir tudo.

�s m� pessoa, Julia.

Se n�o fosses, terias ido embora e deixado-nos em paz.

Desculpe.

Sou a filha do coronel M�rquez. Pode ver se o meu carro chegou?

- Obrigada. - � j�.

Julia?

Como est�s?

- Bem. - Estou a ver.

N�o, Fidel,

n�o quero ser respons�vel pela infelicidade de ningu�m.

N�o posso.

- � um pouco tarde para isso. - N�o, ainda podes fazer a Susana feliz.

N�o posso.

Quero estar contigo, Julia.

Vamos fugir.

Para onde?

Para onde ningu�m nos procure.

Onde possamos estar juntos.

Um amigo meu, o coronel Campos... Foi meu mentor.

Sei que nos pode ajudar a conseguir trabalho, longe daqui.

Eu e o capit�o Calder�n rode�mos o hospital.

N�o havia tempo para esperar refor�os.

Quando tive oportunidade, abati o atirador.

Mas estava suspenso do servi�o.

Eu sei, general.

Assumo as consequ�ncias.

� um bom soldado, Pereda.

Creio que sim.

Pode chegar alto, sabe?

Com um pouco de cabe�a e algum senso comum.

Creio que n�o fui justo consigo.

Por isso, quero devolver-lhe o seu posto, como capit�o...

... em Madrid.

Est� bem.

Est� bem?

Pensei que tinha assuntos pessoais em Melilha?

N�o h� nada que me prenda a Melilha.

Madrid ser� perfeito.

Estes sacos t�m de estar todos aqui?

Complica muito a entrada dos feridos.

� para isso que servem. Para complicar.

Mas n�o se preocupe. Faremos o poss�vel para que os selvagens n�o entrem.

Sim.

Tem muita sorte por estarmos aqui.

N�o imagina as coisas que se passam nesta cidade.

Esses selvagens...

... entraram num convento.

Capturaram as freiras todas e degolaram a Madre Superiora.

Penduraram-na de pernas para o ar no campan�rio...

Basta! Fa�a o que tiver a fazer.

- Pilar, sou eu! Desculpa. - Queres assustar-me de morte?

Pilar!

Quando estava l� fora, com os disparos, s� pensava em ti.

Em n�s...

Nisto...

E que havia a possibilidade de nunca mais te ver.

E tu?

- Eu, o qu�? - Tamb�m tinhas medo disso?

Claro que tinha medo de nunca mais te ver.

Para, Luis.

- N�o sabes como quero estar contigo... - Eu tamb�m, Luis, mas aqui n�o podemos.

Luis, n�o podemos!

Desculpa! Mas eu...

- Ent�o, onde, Pilar? Quando? - Como sei?

Os feridos dizem que o hospital se tornou numa pris�o.

Mas n�o sabem do que falam.

Eu � que estou numa pris�o.

Encurralado.

O que dizes?

N�o se via nada, Ram�n. Com os tiros, o fumo, a tens�o,

sentia-se a morte no ambiente, mas t�nhamos de arriscar, por isso,

disse aos meus colegas:

"Temos de rodear..." - Sim...

Ent�o, l� vou eu,

esquivo-me das balas, escondo-me atr�s de um ve�culo.

Mas tinhas de ver, Ram�n.

Saquei da minha pistola, ponho-me em posi��o,

saco da pistola, aponto ao atirador

e de repente... - Ele viu-o?

E eu...

Quando dei conta, uma bala quase atingiu o Dr. Garc�s.

Felizmente, fui r�pido e salvei-lhe a vida. Se n�o fosse eu... O qu�?

- T�m de lhe dar uma medalha... - Tamb�m acho.

Como estou, doutor?

Vais sair daqui n�o tarda, est�s mais forte do que um touro.

Como dizemos na Galiza, est�s como um bucho.

Guillermo?

Vais mesmo convidar a minha irm� para sair?

Posso convid�-la para dar um passeio, ou jantar,

um jantar chique, claro, sei tratar bem uma senhora, sabes?

- A Gloria n�o � uma senhora. - Se pudermos, vamos dan�ar,

ou dar um passeio ao luar. - Guillermo...

... vamos ser sinceros?

Est�s a fazer isto para eu ficar com ci�mes.

Eu? A ti? Porque o quereria fazer?

- Guillermo... - Achas que gira tudo � tua volta?

N�o posso gostar da tua irm�?

Ia preocupar-me muito se gostasses dela.

- Pois, gosto. - N�o devias.

- Qu�? - N�o conheces a Gloria.

Parece simp�tica, mas...

N�o � a mulher que mereces.

Eu � que tenho de decidir isso.

Ela s� age por interesse.

Porque n�o poderia estar comigo por outra coisa.

N�o digas tolices.

Se digo tolices, n�o sei porque me est�s a ouvir.

Maom�?

� o Maom�!

O que fazes por c�?

Claro.

Os brancos, como n�s, s�o muito brandos.

Claro.

Mas a mim n�o enganas.

O teu salvo-conduto?

N�o tenho um salvo-conduto.

Isso n�o � bom.

Fale com as enfermeiras. Sou motorista e...

N�o sei porque vos deixamos viver aqui, em Melilha,

quando s�o piores que ratazanas.

Pelo menos, podemos comer as ratazanas.

J� comi uma, uma vez.

N�o era m�. Sabia bem.

Mas que fazemos com voc�s?

O que fazemos com voc�s?

Fora!

N�o, tenente.

Eu trabalho c�.

Dou-te tr�s segundos para sa�res.

Um...

Dois...

Larbi!

- Magdalena? - Larbi!

Magdalena!

Tive tantas saudades. N�o aguentava esperar para te ver,

para te abra�ar, beijar.

Shukran Lillah.

Shukran. Agradece tamb�m por mim.

Mas a tua carta dizia que nunca mais voltarias.

Arrependi-me, mal a enviei.

Estava perdida sem ti, Larbi. N�o era Madrid, a minha casa ou fam�lia...

Tu faltavas-me.

E est�s aqui.

A tua fam�lia deixou-te vir?

M�e.

- Sim, querida? - Vou embora.

Para onde?

Volto para Melilha.

Enlouqueceste?

Pelo contr�rio. Recuperei a sanidade.

Volto para onde quero estar.

Volto para o meu trabalho

e para o meu amor.

N�o vais sair.

N�o tens a nossa autoriza��o nem o nosso dinheiro.

N�o faz mal, m�e.

- Tenho um sal�rio. - Que sal�rio?

Nem sequer sabes qual �.

Magdalena,

se sa�res por essa porta...

... n�o �s minha filha.

Lamento ouvir isso, m�e.

Escreverei.

N�o te incomodes.

Bem,

se n�o tem salvo-conduto, n�o pode estar aqui.

Tenente...

... um dia, voltar� aqui, ferido.

Sabe disso, certo?

- Talvez... - Nesse dia,

ser� ele que o vai trazer na ambul�ncia e eu a atend�-lo primeiro.

Bem...

- Responsabiliza-se por ele? - Claro que sim.

Vamos?

Salam Aleikum!

- Que fazes? - Sabia que voltavas.

- Eu sabia que sabias! - O que fazes aqui?

Larbi, meu amor.

Tenho de mudar de roupa. Importas-te...

Larbi!

A minha cama!

Mas o que � isto? "Meu amor?"

"Meu amor?"

O que aconteceu?

Sa� de casa,

sem autoriza��o da minha m�e. - N�o, sem autoriza��o?

Sim, sou como uma fugitiva.

- N�o � rom�ntico? - E o Daniel?

O Daniel continua sem aceitar a realidade.

Espero que, com o tempo... tudo se resolva.

Desde que n�o volte a aparecer c�.

Pronto, j� c� estou. E voc�s? Contem-me tudo.

Bem...

O qu�?

O que se passa?

O Andr�s deixou-me...

... e acabou o nosso noivado.

Bem...

E o Fidel?

E o Fidel...

... tamb�m acabou o noivado com a Susana.

O qu�?

Isso eu n�o sabia... O qu�?

A Susana pediu-lhe tempo para contar � fam�lia.

M�e de Deus...

Vou embora uns dias e...

- Isso estava aqui? - Estava aqui.

Procurei em todo o lado.

- A Magdalena est� c�? - Chegou h� pouco, senhora.

- Pensava que sabia, senhora. - N�o, Fernanda, n�o sabia,

mas n�o se preocupe. Ela devia ter-me informado, s� isso.

N�o lhe diga que contei.

N�o se preocupe. Ela deve estar a chegar.

A� est� ela.

Com licen�a, duquesa. Queria falar consigo.

Desculpe.

- Posso voltar mais tarde, se... - N�o.

Estava � espera de uma pessoa.

Fernanda, deixas-nos a s�s?

Entre.

Veja isto.

XAROPE, 50 ANESTESIA, 81

Os meus superiores pediram-me este relat�rio.

Pode ver que h� provas de fraude, em �reas diferentes,

entre outras coisas, nos medicamentos.

Foram pagos medicamentos que nunca foram administrados.

� prov�vel que tenham sido vendidos no mercado negro.

Podem chegar a valer tr�s vezes mais.

Tem a certeza disto?

Isto causa mal-estar aos postos mais altos do ex�rcito.

Ningu�m quer a verdade revelada.

Mas achei que a duquesa ia querer.

- Talvez pudesse falar com a rainha. - De momento,

verei o relat�rio e, se for verdade,

serei a primeira pessoa a divulg�-lo.

Posto isso, acho que seria melhor se se mantivesse fora disto.

Fez o suficiente e temo que o dispensem.

Garanto que, de momento, � a menor das minhas preocupa��es.

Espero que possa levar isto mais longe do que eu consegui.

Desejo-lhe boa sorte.

Estar� c� para ver, n�o?

Obrigado.

Obrigada, capit�o.

- Pilar? - Senhora?

Quanto xarope recebemos na �ltima encomenda?

Xarope para a tosse? Trinta frascos.

E anestesia?

Cinquenta e dois frascos. Fui eu que contei.

Est� tudo em ordem, senhora?

Continuem com o trabalho. V�.

N�o, n�o s�o transferidos sem me avisarem.

Com certeza.

Tenho de ir. Adeus.

Precisa de algo?

Coronel, se estou aqui agora em vez de pegar no telefone

e ligar � rainha, � porque, apesar das nossas diferen�as,

quero continuar a acreditar que � honesto.

Continue.

Sabe que recebemos menos medicamentos do que os que est�o nas listas?

Claro que n�o, senhora.

Eu tenho provas.

Provas de qu�? De que mandei comprar?

Sabe quantas ordens dou, todos os dias?

N�o, n�o sei quantas ordens d� por dia, mas sei que n�o chegaram ao meu hospital,

tal como n�o chegaram aos outros, e essa � a sua assinatura.

A pilhagem tamb�m chegou aos nossos hospitais.

� a guerra, minha senhora.

Dor e morte para muitos,

mas um simples neg�cio para outros.

N�o.

N�o sou respons�vel por isto, senhora, acredite em mim...

E farei tudo em meu poder

para expor os criminosos.

Conto com isso.

N�o sabes quantas vezes sonhei com este momento.

Vou ter de viver do meu sal�rio.

� engra�ado, nem sei quanto �.

O que me enviavam de casa sobrava.

Quando casarmos, n�o ter�s de trabalhar.

- Eu tratarei de tudo. - N�o, eu quero trabalhar.

Adoro, Larbi. Quando estava em casa, senti falta.

Da loucura, dos gritos, dos curativos urgentes...

Achas que isso � estranho?

Tu �s estranha.

Senti tanta falta disto.

Magdalena?

Senhora duquesa.

Voltei.

Estou a ver.

Sei que chegaste h� algum tempo. Porque n�o me vieste ver?

Desculpe, senhora.

Presumo que tenha falado com a minha m�e e a rainha,

e j� sabe das minhas loucuras todas. - Receio que sim.

Bem, isso...

... entre isto e aquilo,

achei dif�cil ir v�-la. - Claro.

Duquesa! Senti tanto a sua falta!

Est� tudo bem.

Tudo bem.

Magdalena, larga-me.

Desculpe.

Vem ao meu escrit�rio.

Tivemos saudades tuas, Magdalena,

e estou muito feliz em ver-te.

Muito.

Mas a tua presen�a � um problema grave para mim.

Senta-te.

Sei que segues o teu cora��o e n�o vou julgar isso,

mas o nosso mundo � governado por regras. Quebr�-las implica consequ�ncias.

Estou disposta a aceit�-las, duquesa.

A esta hora, a minha m�e j� me deserdou

e o meu nome desapareceu de todas as agendas.

N�o tenho fam�lia, nem amigos, nem dinheiro,

nem nada.

Mas n�o me importo.

Tenho o meu amor

e o meu trabalho. - N�o.

Receio que n�o, Magdalena. Est�s enganada.

A tua m�e � um membro importante da administra��o do hospital

e a rainha � a presidente.

E nenhuma te quer aqui.

Est� a mandar-me embora?

Magdalena, acredita, fiz tudo o que podia, mas tenho as m�os atadas.

Compreendo.

Sabe,

o sonho da minha vida � ser enfermeira,

e achei que precisava de ajuda c�. - E precisamos.

Precisamos muito, Magdalena.

Vejamos. Porque n�o fazemos as coisas bem?

Posso arranjar-te um lugar no primeiro navio para M�laga e comboio para Madrid.

Falas com a tua m�e, esclarecem as coisas, e voltas.

- Estou certa de que a tua fam�lia... - Senhora duquesa,

n�o vou voltar.

E n�o quero perd�o, porque n�o fiz nada de mal.

O que pensas fazer?

N�o sei,

mas n�o se preocupe,

ficarei bem.

Toma. Vais precisar disto.

Muito obrigada, senhora duquesa...

... por tudo.

� uma mulher extraordin�ria.

E aprendi muito consigo.

- Trinta frascos. - N�o contaste mal?

Eu conto sempre bem, n�o conto, Magdalena?

Magdalena?

Que se passa?

O que �?

As coisas n�o correram como eu pensei.

V�o ver-me por aqui, n�o se preocupem. Achavam que se livravam de mim?

� muito injusto. Deviam agradecer-te por tudo o que fizeste pelo hospital.

N�o compreendo! �s uma enfermeira, Magdalena.

Pilar, sim, sou enfermeira, e vou continuar a ser.

Quando passar a birra � minha m�e,

tudo voltar� ao normal. - Magdalena, a tua m�e...

N�o,

n�o se despe�am de mim.

N�o � preciso fazer uma cena, nem abra�os nem nada. N�o digam adeus.

N�o vou a lado nenhum.

Vou ficar em Melilha.

Olha para ela!

Feliz como nunca.

S� se preocupa com o Larbi.

Faz parecer t�o f�cil, n�o �?

O Fidel pediu que fugisse com ele.

O qu�?

Para onde?

Para o continente.

Diz que pode encontrar trabalho l�, noutro hospital.

E vais?

Sim, acho que � o melhor.

Pilar!

- Pilar! - Deixa-me em paz!

Vou encerrar o acesso ao porto.

Quero os cais livres para s� atracarem os nossos navios de guerra.

Estaremos

isolados uns dias,

at� nova ordem.

O que se passa?

H� algum problema no Hospital da Cruz Vermelha?

N�o me diga que a duquesa o voltou a chatear?

N�o, senhor. De todo.

Isto � mais grave.

- Andam a roubar-nos, general. - Como assim, "roubar-nos"?

Mais de metade dos medicamentos desaparecem antes de chegar ao hospital.

Um assunto complicado, concordo.

Como descobriu?

N�o interessa quem me disse, temos de averiguar os respons�veis.

Pensei que

talvez soubesse de algo.

Por amor de Deus, Vicente, o que posso saber?

Nesse caso, vou falar com o alto comiss�rio.

- Talvez ele possa ajudar. - Aja com cuidado, M�rquez.

Os rebeldes est�o a dar-nos �gua pela barba.

Sabe disso.

E se a imprensa descobre?

Era o que nos faltava.

Que difamem o ex�rcito, que as tropas descubram.

Os nossos homens est�o a dar a vida pelo pa�s, por Espanha.

Temos de manter a moral em alta.

O meu conselho � que mantenha isto em segredo.

Por enquanto, claro.

� melhor esperar at� que tudo isto acabe.

Esperar?

Quantos mais mortos com moral alta e quantos mais ladr�es sem ela?

N�o sei.

Se tivermos de incomodar algu�m, que seja. N�o dev�amos esperar at� isto acabar.

Eu n�o posso esperar.

Eu n�o posso esperar. O meu nome est� nesses documentos.

Precisamente por isso, M�rquez.

Se o senhor insistir em revelar isto agora...

... talvez tenhamos de encontrar um bode expiat�rio para acalmar as coisas.

Entende?

Poder� sair como o mais prejudicado.

Pense no casamento da sua filha.

Seja esperto.

Os verdadeiros problemas est�o mesmo aqui.

Sim, coronel?

Sim, consigo ouvi-lo.

O porto?

Quando sai o �ltimo barco?

Muito bem, senhor.

Preciso que me confirme,

se chegar ao continente, pode assegurar-me trabalho para os dois?

- N�o � justo. �s uma boa enfermeira. - N�o te preocupes, Larbi.

O importante � que estamos juntos.

A culpa � minha.

Culpa de qu�?

De me amares?

N�o temos de nos arrepender de nada.

Nunca!

Mas n�o te posso deixar na rua.

Posso ir para casa da Susana.

Ela � minha amiga.

S� por enquanto.

O teu futuro � seres minha mulher.

O que tenho de fazer em Melilha para ser tua mulher?

Se fosses mu�ulmana, seria f�cil.

E se fosses crist�o tamb�m, n�o �?

N�o, n�o � uma piada. A s�rio.

Talvez, se te convertesses, a nossa vida seria mais f�cil.

- Magdalena, n�o posso renunciar a Al�. - E eu tenho de renunciar a Deus?

Mas Deus � Al�! � o mesmo.

Bem, n�o vamos discutir religi�o, Larbi.

Porque tem de ser t�o dif�cil?

- Como? - Nada.

Ver�s que tudo vai correr bem.

Vamos ser felizes.

Dona Manuela.

Como te atreves a vir a minha casa sem avisar?

Desculpe.

Tem raz�o.

� que pensei que...

A Susana est�? Gostava de me despedir dela.

Vais voltar para Madrid?

N�o, n�o acho que regresse a Madrid.

Vou sair do hospital, D. Manuela.

Acho que j� sabe o motivo.

Tens de reconsiderar

e pensar na tua pobre m�e.

Sabe o que eu gostaria?

Que ela pensasse em mim.

Muito bem.

A Susana est� no quarto.

- Sim? - Susana?

- Posso entrar? - Magdalena, que surpresa.

Quando chegaste? Pensei que...

Susana,

est�s...

Diz-me a verdade, gostas?

� lindo.

� mais bonito do que os que desenh�vamos em crian�as.

- E eram t�o bonitos, lembras-te? - Sim, eram.

Os meus eram, porque tu desenhavas caudas de vinte metros.

Claro, como tem de ser!

Tinham de deslizar pelas escadas do pal�cio.

Porqu� a mala?

Bem...

Tive um problema no hospital e pensei que...

... podia ficar aqui, mas...

... a tua m�e... - Podes ficar.

N�o quero incomodar, Susana.

Pedirei ao porteiro que traga as tuas malas.

S� tenho isto.

N�o acredito. Vieste assim?

- De Madrid? - N�o sinto falta de nada.

O que achas que vais encontrar a�, rapaz?

O Abel-Krim?

Abd el-Krim, minha querida. Abd el-Krim, El Jatabi.

Seja como for. N�o est� aqui.

Diz-lhe para levar o que quiser e sair.

Ouviste, soldado.

Leva fruta e vai trabalhar para outro lado. Obrigado.

N�o sei o que se passa com ele, pai, mas digo-te,

o Lu�s est� muito estranho comigo, ultimamente.

Acho que anda a v�-la outra vez.

Raquel, entende-te com o teu marido, seja como for.

Se n�o o mantivermos contente, as coisas podem ficar m�s.

N�o comeces, pai. N�o sei o que se passa com ele...

Viste-o com a Soraluce?

� isso, n�o �?

Vou falar com ela. Estou a fartar-me desta parvo�ce.

- Ou deixa o meu marido em paz, ou eu... - Espera, ouve-me.

Porque n�o o deixas viver a sua vida?

- O qu�? - Oficialmente, continuarias casada.

Ele ia sustentar-te,

mas cada um seguia o seu caminho.

- Estou a ser claro? - Chega, pai.

Pega no teu dinheiro, no teu pedido e sai. Estou ocupada.

- Ele vai repudiar-te... - Ele ama-me.

Sei que me ama porque sei como fala comigo e como olha para mim.

Ele n�o ser� capaz de algo assim.

O que significa "repudiar"?

- Pode rasgar os pap�is? - Se ele for a tribunal,

e provar, com testemunhas, que o beb� n�o � dele,

p�e-te na rua. - N�o.

- Ele n�o o faria. N�o se atreveria... - Aonde vais?

Falar com o Luis.

Deixas-me por esta?

- Raquel, aqui n�o. - Com esta barriga?

Vais abandonar o teu filho? Isso � de homem?

N�o � de homem!

Raquel, por favor. Parece mentira.

- Importas-te de falar baixo? - Sei que n�o chego para ti.

N�o tenho educa��o nem venho de uma fam�lia boa.

- Sou uma pobre cozinheira. - Por favor.

N�o v�s por a�, imploro-te.

Tens vergonha de mim? Eu sei que tens.

Nem me levaste ao Baile dos Oficiais.

O qu�? Foste tu que n�o quiseste ir, porque disseste...

N�o, n�o me confundas, Raquel. N�o � disso que se trata.

Eu...

N�o te quero magoar, a s�rio, n�o quero, mas n�o vou continuar com isto.

Devias ter pensado antes de engravidar.

- Para de mentir. N�o sou o pai. - Qu�?

Como podes dizer-me isso, Luis?

N�o consigo respirar.

N�o me sinto bem.

- Chega, Raquel. - Agarra-me.

- Luis... - Raquel!

Fazer uma cena n�o te servir� de nada.

- Vamos resolver as coisas... - N�o h� nada a resolver, Luis.

Se me quiseres abandonar, ser� � tua responsabilidade.

Mas quando vires o teu filho a pedir esmola na pra�a, d�-lhe algo, sim?

D�-lhe algo.

- Raquel... - Deixa-me!

- Para onde olhas, puta? - N�o me toques! N�o fiz nada.

O qu�? Destru�ste uma fam�lia.

- Eu? - Vais deix�-lo sem pai.

- Deixa-a em paz. - N�o, deixa-a, tu, Luis.

Vou arrancar-lhe o cabelo!

- A culpa � tua. Sim, tua! - Isso � �timo. O que queres?

- Vem a�. - Luis, vai dar � luz.

- N�o. - Luis, vai nascer!

- Ainda faltam v�rias semanas. - Luis, o que dizes? N�o v�s?

Para a sala de opera��es!

Isto est� pronto.

N�o me toques! Assassina!

- Estou aqui. Como est� a m�e? - Calem-se!

Calma, Raquel...

Luis!

- Raquel, preciso que... A crian�a... - Calem-se!

- N�o ou�o os batimentos. - � imposs�vel. Deixa-me.

Est� adiantado?

Sil�ncio, por favor. Sil�ncio.

Consigo ouvir. Ali est�.

- Um pouco fraco. Talvez um pouco r�pido. - Normal.

Pilar, vai buscar um calmante.

- Alguma vez fizeste um parto? - Nunca.

� a primeira vez, mas tamb�m � a primeira vez do beb�.

Calma, n�o se preocupem.

N�o te preocupes.

Disse que arranja trabalho no hospital de M�laga.

Para os dois.

H� um problema.

Temos de partir j�.

J�?

Esta noite.

- Esta noite? - Sim. V�o fechar o porto.

- Vamos ficar isolados? - Sim, esta noite parte um navio.

N�o se sabe quando parte o pr�ximo. Tenho bilhetes para este.

Acho que � a nossa melhor hip�tese.

Meu Deus. Porque � que isto tinha de me acontecer?

Acontece-me tudo. A Raquel vai ter o beb� e n�o est� bem.

Meu Deus...

Tenho de ir.

Vejo-te � meia-noite, na rua das traseiras.

Amo-te.

Fidel, ajuda-me, por favor. Guillermo, tira o D�maso daqui.

N�o devia estar aqui.

O Luis � teu marido e pai da crian�a...

- Por favor! - Ficas bem.

- N�o, pai! - D�maso.

- Acalma-te. - Fidel?

N�o.

Acho que est� sentado.

- Calma, Luis. Vamos ver. - Ela tem a barriga dura e quer for�ar.

Est� sentado. Vamos fazer for�a.

Luis, � teu filho. Assume o comando. Eu vou ajudar daqui. Raquel!

Calma, vamos fazer for�a todos. Respira e faz for�a aos tr�s.

Um,

dois e tr�s!

- V�, for�a! - Boa, com mais for�a! Boa.

Calma. Respira.

- Um, dois e tr�s. - Vamos.

Mais for�a!

- Outra vez, Raquel. - Tu consegues.

Outra vez, um, dois e tr�s.

Vamos!

- Ela desmaiou, doutor. - Raquel! N�o!

- Raquel! - As pernas dela, Luis.

Tens de tirar o beb�. Vamos!

- Minha pobrezinha. - N�o se preocupe.

Come�ou o parto da Raquel? Como est�?

N�o sabemos, mas acho que vai demorar.

O meu neto, ou a minha neta, quem sabe?

Av�! Fizeram de mim, av�!

- Parab�ns, D�maso. - Parab�ns.

Que alegria, n�o �?

Que alegria.

- O que foi? N�o est�s feliz? - Claro que estou.

� o primeiro beb� que nasce neste hospital, ap�s tanta morte.

Vou entrar para ver.

Obrigado.

Sai ao pai.

V�, pega nele.

Faz tudo, n�o �, doutor?

Viram se tem colher de prata?

Espero que tenha mais do que prata.

Um bom presunto, talvez?

O primeiro beb� que nasce neste hospital.

� t�o pequeno. � menino ou menina?

� menino, v� os documentos dele.

- Parab�ns! - Obrigado.

- Como correu? - Muito bem.

M�e pela primeira vez.

Prematuro de sete meses e sentado. Ainda bem que mantivemos a calma...

Faz mesmo tudo, doutor.

Um dia a disparar e, no seguinte, a trazer beb�s ao mundo.

N�o percebo porque n�o tem namorada.

Tamb�m n�o percebo.

- Vou... - Espere, tenente, temos de agradecer.

Esta noite, vamos celebrar no bar.

Est�o todos convidados.

- A ocasi�o merece. - Que maravilha.

Por minha conta, o av� do menino. Vai chamar-se Luis, como o pai.

- N�o �, Raquel? Luisinho. - Luisinho.

� ador�vel, n�o �?

- � �bvio? - O qu�? Queres um?

N�o.

� �bvio que adoramos ser m�dicos, Luis. Estava a ver-te, e pensei:

"Este homem nasceu para isto."

� bom ser elogiado de vez em quando, mas...

Porqu� agora, Fidel?

O hospital de campanha vai continuar e quero que sejas o respons�vel.

Preciso de saber que posso contar contigo, Luis.

Espera, e tu?

O hospital de campanha � o teu sonho, a tua luta.

Eu sei, mas j� n�o.

Vou embora, eu e a Susana rompemos o noivado.

- Vais embora? - Sim.

Vais e deixas-nos?

N�o podes ir. Este � o teu hospital. N�o, � a tua casa.

- Somos a tua fam�lia, Fidel. - Luis, para. Por favor.

Para.

�s o melhor m�dico que conhe�o

e sei que vais fazer um bom trabalho.

Confio em ti, Luis.

Adoro-te, meu amigo. Tenho de ir.

Desde quando bebes?

Desde que vivo na guerra.

Queres que te ajude a tirar o vestido?

N�o.

Quero us�-lo a noite toda.

Est�s bem, Susana?

Posso?

Ent�o...

... voltaste pelo Larbi? - Sim.

Quero estar com ele. N�o sei se ser� o amor da minha vida,

mas n�o quero que passem os anos e que me arrependa de n�o ter tentado.

� uma pessoa maravilhosa. Se o conhecesses um pouco...

Mas n�o podem estar juntos,

�s crist� e ele �...

Mu�ulmano.

Nunca o aceitar�o em tua casa e...

Eu sei, Susana.

Eu pensei nisso. Talvez me converta em mu�ulmana.

O que foi? N�o me olhes assim.

�s boa pessoa, Magdalena.

Sempre o foste.

E...

... n�o concordo com o que fazes, mas...

Espero que sejas muito feliz, a s�rio.

Susana...

... quando vais dizer aos teus pais?

N�o sei.

N�o sei como vou viver com isto, Magdalena.

N�o sei.

Vais conseguir. Vamos, as duas. Vais ver.

Vais ver.

Julia, vamos ao bar. Queres vir connosco?

N�o, vou ficar aqui.

Estrella, Andrea? Vamos.

- Vais-te embora? - O Fidel espera-me dentro de uma hora.

Estou louca?

Despede-te das outras por mim, sim?

Vou sentir muito a vossa falta.

Tamb�m vamos sentir a tua.

Boa sorte, Julia.

Gloria, pode ser outro dia?

N�o me sinto bem, para ser sincero.

S�o os nervos. Assusto-o mais do que os rebeldes.

Porque teria medo de ti? Mas sinto-me um pouco doente e...

Duas bebidas e fica melhor. Ver�, vamos.

N�o sei, Luis...

Tenho medo de o partir.

� muito chor�o.

- N�o. - Acab�mos de o tirar da�.

Como te sentirias se algu�m te tirasse do lugar mais quente do mundo?

D�-mo.

Ele gosta de estar com o pai.

Raquel, sou m�dico.

Sei reconhecer um beb� prematuro, e este n�o o �.

Sou cozinheira.

Sei alimentar-me bem, Luis.

Podes ficar c� esta noite.

Mas, amanh�, estar�s melhor e poder�s ir para casa.

Luis, vir�s comigo, certo?

Raquel, descansa, sim?

Recupera as for�as.

Precisar�s delas.

Mas...

N�o sei que fazer com um beb�.

Tens de me ajudar.

Como � que o crio, sozinha?

Divertimo-nos muito, n�o foi?

A verdade � que sim, muito.

H� muito tempo que um cavalheiro n�o me convidava para sair.

Podemos repetir quando quiseres.

- At� amanh�, Guillermo. - At� amanh�.

Vou partir no pr�ximo barco que saia para o continente.

Aproveitem, se quiserem que d� not�cias �s vossas fam�lias, � agora.

N�o sou o �nico que vai embora de Melilha.

Tamb�m vais embora?

Vinha despedir-me.

� simp�tico da tua parte, mas n�o era preciso.

Andr�s.

Tamb�m n�o queria que isto tivesse acontecido.

A s�rio.

Amo-te e �s parte de mim.

Ser�s sempre parte de mim.

Por isso, n�o queria ir sem o teu perd�o.

Isso � importante para ti?

Muito.

Merecemos ter mem�rias boas,

n�o achas?

Promete-me

que vais cuidar de ti e ser feliz.

Espero que tamb�m sejas feliz, Julia.

"Querido Fidel,

quem dera n�o ter de te escrever esta carta de despedida...

mas...

as coisas s�o assim.

Precipitadas,

absurdas,

inevit�veis.

Sei que n�o querias que tivesse acontecido.

Nem tu...

... nem ela, mas aconteceu.

E eu...

Eu sei que n�o conseguiria viver sem ti.

Fidel, � triste, mas...

... � verdade.

H� momentos em que a vida sorri,

em que parece que tudo...

... corre bem.

E h� outros que...

... nos partem o cora��o...

... para sempre.

N�o te culpes.

O culpado n�o �s tu, mas a minha incapacidade

de enfrentar as adversidades.

S� feliz,

e pensa que te amarei para sempre,

onde quer que esteja."

Susana!

N�o!

Susana? Que aconteceu aqui?

- H� quanto tempo desmaiou? - H� pouco.

Acorda, querida.

Susana!

Julia! O que aconteceu? Que fazes aqui?

Estava disposta a deixar tudo por ele.

E n�o apareceu.

- Ela vai morrer! - Aguenta-te, Susana. Por Deus.

Agora, vai contar-me o que aconteceu?

N�o sei o que poder� ter acontecido, senhor.

N�o descansarei at� descobrir porque o fez.

Luis.

Que est�o a fazer?

Que fazem com o meu beb�?

- Raquel, acalma-te. - Vou desmaiar.

Raquel!

- Que se passa, senhora? - Estou bem.

Vou pedir que lhe fa�am uma bi�psia.

Fa�a-o.

Raquel!

Raquel!

Aproximas-te e largo o beb�!

Porqu�?

- N�o te quero perto do meu filho! - Est� bem.

Socorro!

Julia!

Legendas: Lu�s Perat

:: Ressincroniza��o ferneiva ::

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