Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
A ambul�ncia do capit�o Calder�n e de Julia Ballester
foi encontrada abandonada.
Porque foi a Julia?
Vieram cur�-lo.
- Se ele morrer, tu morres. - N�o!
Morrem os dois.
Penso voltar para Madrid contigo.
- Mesmo? - Para curar-me e falar com a minha m�e,
n�o para casar.
Vais para Madrid
e n�o vais voltar.
Eu sei.
J� tenho a bala.
C� est� ela.
A bala saiu, o xeque est� curado.
Pensaste no que disse?
Ainda n�o me habituei � morte do Pedro.
Gostava de te dizer algo diferente...
N�o me vou casar contigo.
� o Abd el-Krim.
O l�der dos rebeldes.
Se o matarmos, a guerra acaba-se.
Vamos ver as Pir�mides, Pilar.
- Que queres dizer? - Que vamos.
Come�a a fazer as malas.
N�o!
Vais-te embora?
Importa-te, que v� ou fique?
Porque foram os dois sozinhos?
Fugiram juntos.
Se fosse a tua �ltima noite
e pudesses fazer tudo, o que farias?
Como souberam os rebeldes da ambul�ncia?
Quem � que lhes disse?
Falaste com os teus sobre isso?
N�o, n�o disse nada.
N�o podemos confiar neles.
Molina! Que fazes?
Parem, espanh�is!
N�o disparem!
Precisamos de m�dicos e enfermeiras
e voc�s n�o querem morrer.
� uma troca justa.
- Ficam connosco ou... - Ou o qu�?
Vai matar-nos?
Podiam ter-me morto.
- Arrepender-se-�o de n�o o terem feito. - N�o, que v�o fazer-nos?
- Soltem-na! Deixem-na em paz! - Caluda!
Julia!
Est�vamos t�o preocupadas.
Foste raptada?
Diz-me que n�o aconteceu nada.
Diz-me que me amas.
Amo-te.
S� quero saber se queres estar comigo.
Claro que quero.
� tudo o que me importa.
Queria pedir-lhe um favor. A minha irm� procura trabalho,
e pensei... - A tua irm�?
Bem-vinda ao Hospital da Cruz Vermelha.
N�o se arrepender�, senhora. Obrigada.
Que se passa, Pilar?
�s tudo o que podia querer, Alejandro...
Mas n�o te amo.
Vais arrepender-te de me deixares escapar.
N�o posso ir a lado nenhum, Luis.
Porque tudo o que quero est� neste hospital.
N�o dev�amos fazer isto.
Eu sei.
UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX
TEMPOS DE GUERRA
Como est� o comando?
A verificar or�amentos e a contabilidade.
- Fascinante. - Ri-te � vontade.
Mas eu descobri algo.
O n�mero de refei��es que pagamos
n�o corresponde ao n�mero de soldados no hospital.
Acho que algu�m est� a roubar.
Que mal tem, o D�maso meter algum ao bolso?
- Temos problemas mais importantes... - Um militar est� a roubar-nos.
N�o te parece grave?
O teu trabalho � escrutinar o que fazemos?
De que lado est�s, capit�o?
Meu Deus, m�e.
- Deixaste o campo sem flores. - Nada � demais para a minha filha.
Est�s cansada?
Prepar�mos um banho para ti.
Depois, v�o levar-nos para almo�ar.
Os teus tios querem ver-te. Compraram-te um presente de noivado.
Vais adorar.
- Amanh� de manh�... - M�e.
Gostava de dormir um pouco.
Quero descansar.
Claro que sim. O que quiseres.
Depois de tudo o que passaste em Melilha.
Pronto.
J� est�s em casa.
J� acabou. J� n�o te pode acontecer nada.
Anda.
Vai descansar.
CAP�TULO 11 "A VERDADE EST� � FRENTE"
Julia.
- Est�s a dormir? - N�o consigo.
Se pud�ssemos fazer tudo em condi��es, sem tanta pressa...
Vamos ofender tanta gente.
Eles n�o importam.
Como podes dizer isso, Susana?
N�s � que somos importantes, eu e o Fidel.
E tu, m�e. Podes finalmente dormir sossegada.
Vamos casar. N�o ficas feliz?
Como poderia n�o ficar?
�s a minha �nica filha.
Mas vamos ser meia d�zia de gatos pingados.
Os m�dicos do hospital vir�o.
- Eles j� est�o na lista. - E as enfermeiras.
Todas?
Sei o que fa�o.
Os rumores acabar�o quando eu e o Fidel casarmos.
O que foi isto, Vicente? Uma bala de canh�o?
- Com licen�a... - O que se passa?
Os rifenhos andam a levar artilharia para o topo do Gurugu, desde o amanhecer.
N�o nos fizeram esperar muito ap�s a nossa entrada em Nador.
Mas a cidade est� cheia de soldados. O perigo passou, certo?
Enquanto vivermos aqui, querida, haver� sempre perigo.
Capit�o.
Substitui-me.
Protejam-se.
Fechem-nas. Vamos.
Vamos.
Afastem-se das janelas. Fora.
Sara, fechem as portadas todas. R�pido.
- Afastem-se das janelas. - Sara, fora.
Vamos.
Vamos, senhoras. Vamos.
Mexam-se, descarreguem tudo, vamos.
Vamos.
Comecem pelas janelas. Principalmente as do lado sul.
Soldado.
Traz a metralhadora. Vamos procurar uma posi��o melhor...
Posso saber que faz?
Cumpro ordens.
- Qual � o melhor acesso ao telhado? - Tenente.
Ordens de quem, posso saber?
Do chefe do Sistema de Sa�de Militar.
Vamos posicionar-nos para defender o hospital e...
Tenente.
Podem fazer o que quiserem l� fora. Mas n�o quero armas aqui.
Com todo o respeito, senhora.
Quando me d�o uma ordem, cumpro-a.
Ent�o cumpra esta: fora.
S� acato ordens dos meus chefes.
A autoridade deles termina naquela porta.
Acho que est� enganada.
O coronel � o chefe da sa�de.
A ordem veio diretamente do comando.
E a minha vem diretamente da rainha.
Se as ordens s�o t�o importantes para si, v� explicar ao coronel
porque n�o p�de cumpri-la.
Se ele tiver problemas, sabe onde me encontrar.
Senhora.
A situa��o � assim t�o grave, senhora?
J� ouviram.
Os rifenhos est�o a atacar Melilha e n�o parar�o
at� o ex�rcito voltar a tir�-los do Gurugu.
At� l�, n�o posso garantir que o hospital seja um lugar seguro.
O que vamos fazer?
Ir para outro lado?
Podem ir ou ficar.
Escolheram vir para Melilha. N�o vos pedirei que fiquem.
Na verdade, compreendo completamente se decidirem ser prudentes.
Vai ficar?
Sim, Julia. Claro, � o meu dever.
O hospital funcionar�, aconte�a o que acontecer.
Nesse caso, tamb�m ficamos, n�o �?
Julia.
Isto � uma decis�o individual.
Vamos ter cuidado.
N�o sair ao p�tio com os pacientes,
nem espreitar pelas janelas,
e temos de proteger o nosso equipamento mais fr�gil.
N�o podemos perder nada.
Senhoras?
Sim.
Muito bem. Tenham muito cuidado � noite.
Usem apenas as luzes essenciais.
Entendido?
�timo. Voltem ao trabalho.
A prop�sito,
a m�e da Magdalena confirmou a chegada dela por telegrama.
N�o t�m de se preocupar, de certeza que est� muito bem.
Magdalena, ainda est�s na cama?
N�o pensas levantar-te?
Passa-se algo? Tens febre?
N�o comeste nada.
N�o tenho fome, m�e.
Vou pedir � Angelines para te trazer aqueles doces que adoras.
Queres?
Minha filha.
Porque n�o vens comigo ao concerto?
De certeza que a rainha adoraria ver-te.
N�o te preocupes com a roupa, tens muita roupa nova,
acabada de fazer, para estares na moda.
Preferia ficar aqui, m�e.
Magdalena.
O que te fizeram naquele s�tio? Eras t�o animada.
Nada, o que iam fazer?
M�e, nunca descans�vamos, pass�vamos o dia a trabalhar.
- Quando te contar... - Parece que sentes falta de Melilha.
Bem, sinto.
Sinto muita falta.
S� precisas de te distrair.
Ainda nem foste ao jardim.
A verdade, m�e...
... tudo isto...
... � a minha casa,
... mas parece uma mentira.
O que parece uma mentira � o teu pr�ncipe encantado ter ido a �frica
para te trazer s� e salva para os teus.
Vamos, n�o se fala mais. Levanta-te.
Hoje, est�s cansada da viagem,
mas que seja o �ltimo dia que ficas a�, sim?
Qualquer coisa que tenha de fazer pode esperar.
N�o � verdade.
O casamento � daqui a dois meses. Temos o tempo � certa para preparar tudo.
M�e.
Temos de falar do casamento.
N�s as duas.
Eu sei.
O Daniel contou-me.
O Daniel?
O que te contou?
Que queres passar a noite de n�pcias no Pal�cio.
Parece-me estupendo, assim esquecer�s aquela mis�ria.
Sorri, filha.
Deixa-me ver como �s linda.
Tens muita sorte com este rapaz.
Esperou por ti tanto tempo, e ama-te como no primeiro dia.
Ou mais.
Perd�o, menina Magdalena, o senhor Daniel est� c�.
V�, filha.
Despacha-te.
N�o o fa�as esperar.
Dizem que � um dos melhores restaurantes de Madrid.
Sobretudo pela sobremesa.
E sabendo o quanto gostas da sobremesa,
pensei que ias gostar.
Aonde queres ir? Vamos ao Parque do Retiro?
Precisas de ganhar cor e apanhar ar fresco.
Podemos andar de barco e assim apanhas a brisa.
Vamos aonde quiseres.
�-me indiferente.
Daniel.
Porque disseste � minha m�e que vamos passar a noite no Pal�cio?
Bem.
Foi ideia dela, ela estava muito entusiasmada.
Como a vou contrariar, depois do que sofreu por ti?
Mas que noite de n�pcias? N�o nos vamos casar.
Bom dia.
Sabes quem �?
O Sr. Manuel.
Do banco Urbieta.
Desde que ficou vi�vo,
mudou.
Quem mudou fui eu.
E parece que ningu�m se quer dar conta.
Ouve, Magdalena.
Contaste alguma coisa � tua m�e?
N�o.
Ainda n�o.
Vim contigo por uma raz�o.
Queria agir de forma adulta,
falar pessoalmente com a minha fam�lia
e com a tua.
Vais dar-lhes o desgosto do s�culo, quando lhes contares.
Eles n�o o merecem.
Se visses o estado dela quando soube que estavas doente.
O que queres que fa�a, Daniel? Esperar at� ao dia do casamento?
N�o, claro que n�o.
Mas tem de ser hoje?
Acabaste de chegar.
Descansa primeiro.
Recupera. Deixa que ela veja que �s a mesma.
E depois, sem pressa,
falas com ela com calma.
S� tens de esperar uns dias.
Porque tem de ser hoje?
Flores.
Como a Magdalena fazia.
Ajuda-me a dar-lhe a volta.
Chegou alguma carta dela?
Nada, desde o telegrama da sua m�e.
Ela vai escrever-te. N�o te preocupes.
N�o o far�.
� melhor assim. O que me vai contar?
Talvez o dia em que pensa voltar.
N�o vai voltar.
Nenhuma de voc�s veio para ficar.
Mais cedo ou mais tarde, v�o todas embora.
Como ela.
N�o estou a tentar controlar o hospital.
� o que parece,
ou n�o tomava decis�es sem consultar primeiro comigo.
- Aconselhei a evacuar. - Claro.
E como n�o segui o seu conselho, enviou os seus homens
para me obrigar a obedecer.
D�-se conta do risco que os m�dicos e as enfermeiras correm?
Claro. Eles est�o informados, ficam por vontade pr�pria.
N�o ir�o embora. N�o se atreveriam a contrari�-la.
Aconteceu o mesmo no hospital de campanha.
E pag�mos um pre�o alto por isso.
Lamento.
N�o a culpo pela morte da enfermeira.
O �nico respons�vel sou eu.
N�o me vou embora, coronel.
Muito menos agora, com a guerra aqui, e ainda somos mais necess�rias.
Agrade�o a sua preocupa��o, mas vamos permanecer c�.
Sabia que n�o aceitaria.
Mas, pelo menos, posso deixar um par de homens para vigil�ncia?
Claro, e fico-lhe agradecida, mas eles ficam l� fora
e n�o interferem com o funcionamento do hospital.
N�o se preocupe, n�o o far�o.
Senhora.
Acredito que nada v� acontecer.
Nem a si nem a nenhuma das enfermeiras.
Com permiss�o, general.
Entre, capit�o. J� vou falar consigo.
A Brigada do Sanjurjo vai subir a partir de Atlaten.
As for�as do Berenguer j� est�o nos penhascos de Rayo.
Mande uma mensagem ao coronel Riquelme, quero falar com ele.
�s suas ordens.
Re�nam os l�deres dos nossos amigos de Cab�lia, eles v�o ajudar-nos.
N�o vamos parar
at� a nossa bandeira esvoa�ar no topo do monte.
Ao trabalho, senhores.
Veja como estamos.
A imprensa est� a falar da reconquista de Nador,
mas voltamos a estar em perigo.
E, ontem, tudo parecia t�o f�cil.
General.
Revi os documentos todos que me deu.
Antes de escrever o meu relat�rio, gostava de saber se podia ver.
Descobri anomalias graves, general.
Em cada balan�o que conferi, surgem irregularidades novas.
Nos servi�os de comida do hospital, por exemplo,
n�o h� assinaturas nos documentos para as refei��es gr�tis.
Pode comprov�-lo.
Isto pertence � Sa�de.
O coronel M�rquez � um homem exemplar.
Falarei com ele.
General.
A desonestidade est� muito alargada,
suspeito que o ex�rcito n�o tenha feito tudo para evitar a derrota.
Capit�o. N�o vou tolerar uma falta de respeito dessas.
Quem pensa que �?
Perd�o, general.
N�o pretendo ofender ningu�m.
Ouviu os disparos?
Abdel Krim
n�o facilitar� tanto a miss�o como a imprensa diz.
Temos de apoiar o ex�rcito.
Se nos descuidarmos, vamos perder Melilha.
Se n�o tem mais ordens, senhor...
Espere.
N�o vou permitir outra acusa��o desse calibre.
Mais nenhuma. Entendido, capit�o?
Sim, senhor.
N�o, por uma mera suspeita.
Pode sair.
Houve muitos excessos.
Mas ningu�m parece interessado em descobrir a verdade.
�s vezes, a verdade pode doer.
E, �s vezes, revel�-la pode prejudicar-nos.
O general Ibarra estar� envolvido?
N�o sei bem.
S� sei que n�o � um caso isolado, at� o hospital � afetado.
O hospital?
Descobri atividade suspeita nos registos das refei��es.
N�o sei, Julia.
N�o posso deixar isto assim.
Vejo-o diariamente.
Quero chegar ao fundo da quest�o.
Lamento,
por ser t�o ego�sta.
Tens problemas suficientes sem ouvires os meus.
Sei que algo te preocupa.
A mim?
Claro.
Podes contar-me, Julia.
N�o � nada, a s�rio.
�s linda.
Se n�o fossem esses olhos...
... n�o estaria aqui.
N�o se preocupe, eu trato disso.
Est� bem?
Desculpa.
Porqu�, Julia? N�o tens de pedir desculpa.
Eu sei, mas fa�a o que fizer, sinto-me mal.
Sinto-me mal pelo Andr�s, por ti...
... e por mim.
Doutor.
- Pode vir c� um segundo? - J� vou.
Vamos sair daqui, Julia.
- Est�s louco. - A s�rio.
Preciso de te ver a s�s.
N�o � boa ideia, com o estado das coisas.
N�o me interessa.
Na rua do mercado.
� um lugar seguro.
Daqui a meia hora. Por favor.
Diga?
Apresenta febre grave,
dor aguda...
Uma admiss�o de traumatismo para a senhora duquesa assinar.
Doutor.
Tamb�m tem de assinar.
N�o assinei?
Estrella, vou levar isto � duquesa.
- Est�s bem? - Eu?
Sim. Porqu�? Estou um pouco... mas estou bem.
Espera, aonde vais? Claro que n�o estou bem.
N�o deixo de pensar... O que querias dizer, ontem,
quando disseste que n�o foste embora porque aqui est� tudo o que queres?
- Sabes o que queria dizer. - N�o, n�o sei.
Que queres ouvir? Que fiquei aqui por ti? Sim. Fiquei aqui por ti.
- Pelo menos, em parte. - N�o brinques comigo.
Ias correr o mundo com...
- Porque dizes isto agora? - N�o estou a brincar contigo.
Nunca te menti. Ainda estou apaixonada por ti.
Gostava que n�o fosse assim, mas � imposs�vel.
E digo-te uma coisa,
se pensas que digo isto para te separar da Raquel,
juro que... - N�o.
Sei que n�o fizeste nada para nos separar.
N�o tenho sido justo contigo.
Desculpa-me.
- N�o �s assim. - N�o. N�o sou.
Tu, melhor do que ningu�m, devias sab�-lo.
Se fosse um homem livre...
Luis.
Ouviste os disparos?
Est�vamos presos na cozinha. O que vamos fazer?
- Ficar � espera que acabe... - Ningu�m nos disse para evacuar.
- Depois, trago mais admiss�es. - Sim.
Esta n�o ia com o fot�grafo?
O que aconteceu? N�o correu bem?
Parece que n�o.
De que estavam a falar?
Estava a meter-se contigo?
N�o estavam zangados?
Tenho de ir trabalhar.
Depois de todas as mentiras, perdoaste-a?
Raquel...
O que est� feito, feito est�. Porque n�o deixamos as coisas como est�o?
N�o � o melhor?
Exatamente.
Dizemos o mesmo.
Veremos se conseguimos seguir em frente, por uma vez.
Quando recordarmos isto, n�o ter� import�ncia.
Vais sair?
Sim, vou ao mercado.
- Queria comprar... - Se n�o vais dizer a verdade, n�o fales.
Vais ter com o Dr. Calder�n.
Estou enganada?
Vi-vos, Julia.
A ti e ao Dr. Calder�n, a beijarem-se �s escondidas.
Quanto tempo acham poder mant�-lo em segredo?
Lamento muito.
N�o o dev�amos ter feito aqui.
Concordo completamente. Mas isso n�o � o que me preocupa mais.
Achas que posso continuar a confiar em voc�s?
Claro, a �ltima coisa que queremos � magoar algu�m.
E o Andr�s, o seu noivo?
E a menina M�rquez?
N�o pergunto isto por curiosidade, Julia.
Isto pode ser um golpe para o futuro do hospital,
e n�o sei se est�s consciente disso.
Eu sei.
Se o coronel descobrir, achas que deixa o Fidel ficar c�?
Que permitir� que continue a sua carreira?
Est�o a p�r tudo em risco.
Prometi que n�o causaria mais problemas...
... mas, por favor, n�o me mande de volta.
Desde que chegaste a Melilha,
que andas com o cora��o aos saltos, demasiadas emo��es.
Mas tens de encontrar o caminho certo.
E qual � o caminho certo?
S� tu poder�s descobrir.
Lamento muito desapont�-la.
Ser enfermeira implica um compromisso moral.
S� pe�o que resolvas esta situa��o antes que envolva outros.
Ou serei obrigada a faz�-lo.
E lembra-te,
nem sempre viveremos em tempos de guerra. Isto...
... acabar� um dia.
E � nesse dia que tens de pensar.
Ol�.
Nunca me senti t�o mal.
E ainda bem que foi a duquesa a ver-nos.
Podia ter sido qualquer um.
Talvez tivesse sido o melhor,
para todos saberem, de uma vez.
N�o podemos fazer isso � Susana e ao Andr�s.
Teremos de lhes contar a verdade, certo?
Mas se descobrirem,
a Susana vai acabar o noivado.
O pai dela vai mandar-te para longe daqui.
- E o Andr�s... - Sim, Julia?
O que queres, tu?
N�o sei.
Que lhe apetece, capit�o?
Vinho?
N�o se preocupe, n�o � deste. Este � para os soldados.
Subtenente.
Sabe o que � isto?
Vejamos.
Tem o papel timbrado do Hospital da Cruz Vermelha.
� um recibo das refei��es servidas em julho e agosto,
sem a assinatura do superior.
� estranho, capit�o. Porque assinaram sempre tudo.
Isto � da altura do desastre.
Estavam sempre a chegar feridos.
E t�nhamos pedidos e mais pedidos. N�o sei.
� poss�vel que, com o caos...
Uns esqueceram-se de pedir a assinatura e outros de assinar.
Muito dinheiro mudou de m�os durante esse tempo,
sem documenta��o.
- Anda � procura dele? - Sim.
- Parece-lhe mal? - N�o, � assim que tem de ser.
N�o, mas deve haver coisas mais urgentes ou importantes.
Nunca t�nhamos tido problemas com isto.
A prop�sito, tenho um whiskey escoc�s...
- Acabou de chegar... - Quero a documenta��o e n�o whiskey.
Que oficial autorizou as refei��es?
Um momento, j� sei o que aconteceu.
Devemos ter entregue uma c�pia n�o assinada. Claro.
Com a pressa, devemos ter entregue a nossa c�pia, por engano.
Normalmente n�o � assinada, como � s� para n�s.
- Percebe? - Claro.
Nesse caso, a solu��o � f�cil.
Encontre o comprovativo assinado e entregue-o no comando.
Como ordena. Vou ver se aparecem.
Se n�o aparecerem, temos um problema.
Falarei com o coronel M�rquez e algu�m ser� responsabilizado.
Compreende?
- Bom dia. - �s suas ordens.
Ol�, tudo bem?
Posso levar agulha e linhas? O meu bot�o caiu e...
- Eu n�o... - D�-mo. Eu coso-o.
N�o, sei coser, aprendi na academia.
E deve estar ocupada, n�o a quero distrair.
Tem outras coisas para coser.
Os bot�es s�o assunto meu.
Como quiser. Muito obrigado.
Vejamos.
- Est�o perto, n�o est�o? - Sim.
N�o escolheu o melhor momento para vir.
Achava que est�vamos a ganhar.
Sim...
Quer dizer, sim.
Podem estar perto, mas a situa��o est� controlada.
N�o se preocupe. Por falar em bot�es,
uma vez, numa cirurgia, caiu um bot�o dentro do paciente.
As coisas que fiz para o tirar.
O doutor e as suas hist�rias. N�o me fa�a rir ou ainda o pico.
Tem um riso bonito.
N�o tem uma mulher por perto para tratar dos seus bot�es?
N�o, nem perto nem longe.
- Em lado nenhum. - Sei como s�o os homens.
A desfrutar da vida de solteiro at� ao �ltimo momento,
depois arranjam uma tonta que cuide de voc�s.
N�o, sou invis�vel para as mulheres.
Basta dizer que, quando vejo uma,
tenho de a cumprimentar duas vezes para me responder.
N�o brinque comigo, doutor. Tenho olhos na cara.
Um homem assim bonito e boa pessoa.
As mulheres devem fazer fila.
Fazer fila, n�o. Na verdade, o oposto, eu � que fa�o fila.
Mas, no fim, nada. Recusam-me todas.
Acabei.
Obrigado.
Pelo bot�o e pela conversa.
N�o sei quem o deixou escapar.
Mas estou certa de que o lamenta.
A irm� da Ver�nica � encantadora, n�o �?
E tem bom gosto.
Como sabes?
D� para ver. Nota-se.
S� tens de ver a cara dela. Est� sempre a falar, a sorrir.
O que foi? Disse algo?
N�o, nada.
N�o estava a ouvir.
Muito obrigado. Vou continuar a falar com o tubo de ensaio.
A minha vida � um desastre, Guillermo.
Como pude enganar-me tanto?
Amo a Raquel...
Mas a Pilar...
A Pilar outra vez.
Ela disse-me que ainda me ama.
Que nunca deixou de amar.
O que achas?
Isso � verdade.
Talvez seja a �nica verdade...
... a mais importante,
... e tudo o resto seja uma mentira. E se o filho n�o for meu?
Gostavas disso, n�o era?
Precisas de um bom motivo para estar com a Pilar sem remorsos.
- Quem disse isso? - Tu.
- N�o. - Sim.
- Est�s a brincar? - N�o disse isso.
Luis.
Viste a Pilar com o fot�grafo, morreste de ci�mes
e percebeste que ainda a amas.
Sim, amo-a, claro.
Jesus Cristo, tamb�m a amo.
A Raquel est� gr�vida.
O beb� vai nascer em menos de dois meses.
Que tipo de pai seria, se me fosse embora com a Pilar?
Pena, n�o haver forma de saber.
Meu Deus.
Sei que j� devia estar habituada,
mas sempre que ou�o uma perto, fico com um n� no est�mago.
Est�s bem?
Julia.
O que se passa?
N�o consigo continuar.
N�o consigo.
Quando nos raptaram...
Eu e o Fidel pass�mos a noite juntos.
Est�vamos sozinhos.
Longe de tudo.
Ach�vamos que era a nossa �ltima noite.
- Sei que parece uma desculpa, mas... - N�o.
Continua.
N�o sei que fazer agora.
Mas...
N�o o posso evitar.
E sempre que vejo o Fidel...
Estou a ser injusta com os dois.
N�o sei que fazer.
A s�rio, Pilar, n�o sei.
S� n�o podes deixar o tempo passar e outros decidirem por ti.
Ou pensar que um casamento vai fazer isto desaparecer,
porque n�o vai.
Posso assegurar-te.
Mas eras feliz casada.
Casei-me para fugir de algu�m que nunca consegui esquecer.
Isso n�o � felicidade.
Tens de decidir.
Parece que a Magdalena � a mais corajosa das tr�s.
� a �nica que se atreveu a dizer o que sente...
... mesmo que signifique desistir do casamento e de tudo o resto.
M�e.
Tenho de me vestir assim?
Est�s perfeita, filha.
- N�o sei porque o Daniel n�o veio. - Ela veio para me ver, n�o a ele.
N�o sei quem tem andado mais estranho, tu ou ele.
Em suma,
acho que tudo ser� resolvido quando casarem.
Ela chegou.
Sua Majestade, a rainha.
Vamos.
- Leli. - Sua Majestade.
Magdalena, querida.
� bom ver-te levantada.
Como est�s? Perdeste peso?
N�o sei como foi l�, mas aqui ela mal comeu.
L� era igual. N�o nos faltava trabalho a toda a hora.
Eu vi, regressei muito orgulhosa de Melilha.
Ela voltou com uma febre que quase a matou.
Leli, podemos falar a s�s?
A Magdalena tem de me atualizar sobre o hospital
e n�o queremos aborrecer-te. - Claro, vou pedir que tragam caf�.
Senhora, sinto que a minha m�e a preocupou.
N�o sei o que lhe disse,
mas v� que estou bem.
Magdalena, sinto-me respons�vel por voc�s.
A morte da Matilde, a tua doen�a...
N�o sei se eu e a Carmen nos precipit�mos com tudo isto.
Senhora.
O trabalho das enfermeiras � extraordin�rio.
N�o duvide disso, nem um momento.
Eu sei, mas v� como voltaste.
- Deves ter passado um inferno. - Estou assim por outro motivo.
N�o o disse � minha m�e, pois n�o sei como o fazer sem a magoar,
mas a si n�o consigo mentir.
N�o me quero casar com o Daniel.
Mas tens uma data marcada.
Em Melilha...
... conheci outro homem.
Magdalena.
De quem se trata?
Um oficial jovem?
Conhe�o a sua fam�lia?
Diz-me como se chama.
Chama-se Larbi.
Como?
Larbi.
Sei que parece uma loucura, mas � um bom homem.
Desde que cheguei, s� penso em regressar para o lado dele.
Dizes que queres voltar para ele?
Nada me faria mais feliz.
D�s-te conta das consequ�ncias, para ti, se decidires avan�ar com esta loucura?
O dinheiro n�o � o mais importante.
N�o te falo de dinheiro.
Ficarias sozinha. Todos te virariam as costas.
T�-lo-ia a ele.
A tua felicidade com ele n�o ia durar.
E, depois, a tua vida seria um inferno.
N�o tens a menor ideia do que dizes.
Por favor, senhora.
Se me puder ajudar a contar � minha m�e...
De maneira nenhuma.
N�o podes dar esse desgosto � tua m�e.
Recorda quem �s, de onde vens e a quem deves o maior respeito.
- Mas, senhora... - N�o lhe digas nada.
E esquece esse Lardi.
Larbi, senhora.
Esquece-o.
E ganha ju�zo, Magdalena.
Leli, cuida da tua filha.
Ela merece o melhor.
Espero-vos no pal�cio, quinta-feira. N�o faltem.
De que falaste com Sua Majestade?
- Espero que n�o tenhas sido impertinente. - N�o.
Nada, da duquesa, do hospital,
da guerra.
Tudo isso j� passou.
Tens de parar de te preocupar.
A guerra terminou para ti, Magdalena.
Eu disse-lhe que n�o vou casar com o Daniel.
N�o haver� casamento.
E quero voltar a Melilha.
E, quanto antes, melhor.
Enfermeira.
Abre algumas janelas, para circular ar. H� algum tempo que n�o se ouve nada.
Com cuidado.
Senhora Carmen.
Tenho de falar consigo.
� urgente.
Vamos.
CONVITE DE CASAMENTO
- Que emocionante. - Tens o vestido?
Quase.
� maravilhoso. Esperem para ver.
Pilar. Julia.
Venham c�, um minuto.
Tenho os vossos convites.
Porqu� envi�-los, se estamos t�o perto? Assim posso ver-vos.
N�o devias. Deves estar ocupada com os preparativos.
N�o podes imaginar. � um casamento pequeno,
para desgosto da minha m�e.
Obrigada, Susana.
Julia.
Toma.
Seria muito importante que viesses ao meu casamento.
Pass�mos tempos dif�ceis,
� espera de not�cias dos nossos noivos.
Agora, posso ser feliz.
E a duquesa? Onde est�?
Senhora, sei que me viu com a Julia.
Quero pedir-lhe desculpa.
Quero que saiba que sei que a situa��o � delicada.
Doutor, n�o me interessa a vida pessoal de ningu�m.
Mas � o diretor-m�dico, o pai da Susana � o chefe de Sa�de,
a Julia � uma enfermeira, � uma situa��o muito delicada.
N�o sei se est� consciente das consequ�ncias.
Absolutamente, senhora.
Por isso mesmo, quero apresentar a minha demiss�o
de chefe-m�dico deste hospital.
Guarde isso.
Senhora, ambos sabemos que, se n�o o fizer,
o coronel M�rquez vai faz�-lo, quando romper o noivado com a filha.
Entre.
Duquesa.
Desculpe interromper, mas disseram-me que o Fidel estava consigo, e pensei:
"Que momento perfeito."
Seria uma honra que viesse ao nosso casamento.
Apoiou o Fidel, mesmo quando o meu pai n�o o fez.
E eu
estou muito agradecida por isso.
E estou emocionada, porque isto me faz mais feliz do que tudo.
Ent�o,
seria uma honra que viesse.
Se � o que deseja,
n�o posso recusar.
Espero que n�o se arrependam. Do convite, quero dizer.
Os ovos, Paquita, por favor.
Se continuares a tremer por causa das bombas,
teremos ovos em todo o lado e aonde nos leva isso?
J� te disse, na c�mara frigor�fica, por Deus, anda.
Que cara, pai.
Parece que viste o Diabo.
Quem me dera que fosse isso.
O que se passa?
Acabou-se tudo.
V�o tirar-me o bar.
E terei sorte, se n�o acabar no calabou�o.
Pai, por Deus, n�o exageres. Todos os problemas t�m solu��o.
J� sei das tuas solu��es.
O coronel quer castigar-me por apresentar recibos de refei��es
sem assinaturas.
O que lhe interessa?
Ele agora tamb�m quer a sua parte?
S� falta uma assinatura.
Ent�o arranja-a, n�o � problema.
Agora ningu�m vai querer ser respons�vel, est�o a investigar tudo.
Ora bem.
Trato do bar, na condi��o de entregar uma parte boa do dinheiro que fa�o.
Mas o da caixa n�o chega.
Por isso, cobro muitas refei��es, mesmo que s� se sirva metade.
E o mesmo com as compras.
Ser�amos ricos, com isso tudo.
Se n�o der aos superiores, tiram-me o bar.
Que � o que vai acontecer.
V�o aproveitar isto da assinatura para me culpar de tudo
e tirar-me do caminho.
Do que precisas?
Da assinatura de um oficial?
De qualquer um?
Por favor, falamos depois. N�o v�s que estou a trabalhar?
� s� um minuto, Luis.
O meu pai est� aflito.
- Porque n�o assinou quem devia? - Quem sabe?
E agora est� de licen�a, no continente.
O seu substituto n�o quer saber nada disto.
- N�o o posso assinar. N�o percebes? - N�o. Porque n�o podes?
Porque seria uma mentira. N�o percebes? Pior ainda, seria
cometer um crime.
Se n�o assinares, v�o tirar-lhe o bar.
E obrig�-lo a pagar as refei��es.
E, se n�o tivermos dinheiro, acabar� no calabou�o.
� isso que queres?
Para mim, isso � que seria um crime.
Luis, juro-te por tudo que o meu pai n�o fez nada de mal.
S� pe�o que ajudes a tua fam�lia.
Queres envolver-me numa mentira?
Chega com isso das mentiras. Qual o mal de mentir, se ajuda os teus?
F�-lo-ias?
Fazes isso?
N�o te importa mentir para teres o que queres?
O que se passa? Est�s muito estranho.
Raquel. Eu prefiro a verdade.
Lamento, mas n�o contes comigo.
�s uma ingrata. Depois do que o Daniel fez por ti...
Foi ter contigo porque estavas doente.
Trouxe-te de volta para casa.
O Daniel j� sabe de tudo.
Um �rabe, por amor de Deus. Porque me tinha de acontecer isto?
- M�e, quando o conheceres... - N�o o quero conhecer.
O que esperavas?
Traz�-lo c�?
Mostrar-lhe a heran�a do teu pai?
N�o penso suportar um oportunista.
E eu n�o penso suportar uma vida como a tua.
Quero amar o meu marido.
E quero que ele tamb�m me ame.
� t�o dif�cil de entender, m�e?
Se queres arruinar a tua vida, f�-lo.
Mas n�o me vais arrastar contigo.
Sais desta casa com o que tens vestido.
E n�o quero que voltes.
Magdalena.
"Querido Larbi,
por fim, consigo escrever umas linhas.
At� agora, faltaram-me as for�as."
Ela estava a dizer como estava feliz e n�o fui capaz de lhe contar nada.
� normal, n�o a queres magoar.
�s boa pessoa, Fidel. Ama-la.
Precisamente por isso, Luis. N�o posso fazer-lhe isto.
Considerei-me corajoso por estar na guerra, mas n�o sou.
N�o te posso julgar por isso.
� dif�cil ser o motivo da infelicidade de algu�m.
Acredita em mim.
Sobretudo de algu�m que te ama tanto.
Estou a cometer um erro?
Se tu n�o sabes...
A Julia fez-me sentir coisas...
Cuidado, Fidel.
Paix�o n�o � amor. Tens de saber a diferen�a.
Eu ainda n�o sei bem.
O que quero dizer � que a vida � assim.
Talvez n�o haja uma decis�o correta.
Isto tamb�m tem um pre�o.
Vai custar-me muito?
Seja honesto. � tudo o que pe�o.
Parece-lhe um acordo justo?
O Rom�n e a Raquel namoravam?
O Rom�n era um desavergonhado.
Felizmente para a Raquel, o tenente apareceu.
Quando a conheci, eles ainda se viam?
- Aonde quer chegar? - Se quer este papel, diga a verdade.
Preciso saber se o filho � meu.
Quer a verdade? Vou dizer-lhe a verdade.
A verdade � que casou com a minha filha, uma boa mulher.
Qualquer outra coisa s� servir� para causar dor
e deixar os dois infelizes.
- Com isso, n�o me responde. - Sim, ainda se viam.
Mas n�o significa que o filho n�o seja seu.
Quer dizer que nem a Raquel sabe.
O senhor tamb�m via outras.
Ou acha que ningu�m sabe?
Mas n�o enganei nenhuma para que casasse comigo.
Diga-me uma coisa.
O que faria?
Se n�o soubesse quem era o pai.
O que faria?
N�o escolheria o melhor dos dois?
O homem honrado?
O que lhe daria uma vida boa?
O que vai fazer?
J� est� tudo solucionado. Pelo menos, por enquanto.
Ainda bem, pai. Ainda bem que o Luis viu a raz�o.
Ele n�o te contou?
Discutimos esta manh�,
mas isto � um bom sinal...
- O que foi? - Nada.
O beb� est� a p�r-se em posi��o, ou assim.
Est� a preparar-se para sair.
- Porque falta pouco. - Falta pouco?
Ainda faltam dois meses.
- Vais dizer ao beb� para esperar? - Isso � assunto meu.
Se nascer antes do tempo,
saber� que n�o � dele e ficar� livre para a Pilar.
Sabes disso, certo?
Pilar.
Estive a pensar.
H� uma forma legal de terminar o meu casamento.
- De que falas? - Repudiar a minha esposa, da Raquel.
Sim, repudi�-la.
Sei que soa muito mal,
mas s� tenho de ir a tribunal... - E humilh�-la publicamente.
O que foi? N�o olhes assim. Tenho todo o direito.
Ela n�o teve problemas em enganar-me e dizer que o filho era meu.
E depois, o que far�s?
Vais expuls�-la de casa?
Deix�-la na rua, quase a dar � luz?
N�o �s capaz de fazer isso, Luis.
E eu n�o te amaria, se fosses.
O que vamos fazer, Pilar?
A vida � demasiado curta, e quero pass�-la contigo.
N�o.
N�o olhes assim para mim.
Como?
N�o.
Desculpa.
N�o queria fazer isso. Desculpa.
Desculpa.
Como v�, tenho tudo em ordem. A minha filha.
Temos mais pap�is do que pratos, o que j� diz tudo.
Pode ver a assinatura aqui.
Estou a ver.
Ent�o, est� tudo em ordem?
Sim, por enquanto.
- Se precisar de mais, aviso. - �s suas ordens.
Achava que tinhas acabado com a tua investiga��o.
� o meu trabalho, Molina.
J� sei que n�o compreendes.
O que n�o compreendo, � que procures culpados do nosso lado.
Quando temos um inimigo comum.
N�o ouves os disparos deles?
� o �nico ru�do que deves ter na cabe�a.
S� podemos pensar nisso, enquanto n�o acabarmos com eles.
Morrem soldados diariamente, n�o sei se sab...
Eu sei. Estive l�.
Os soldados morrem porque n�o v�o preparados.
E n�o v�o preparados porque algu�m enche os bolsos.
Deixa-te de moralismos, capit�o.
Dois dias com os generais e j� falas assim comigo.
Os generais.
Eles s�o os primeiros a encobrir o que aconteceu.
N�o sabes de nada.
Tu � que n�o sabes o que se passa na tua casa.
Como podes saber o que se passa no ex�rcito?
O que disseste?
Vigia um pouco mais a tua enfermeira e deixa que os homens ganhem a guerra.
Repete isso.
S� digo o que vejo.
Vi a tua enfermeira com o capit�o, por a�, juntos,
n�o sei...
- Acerta-lhe, Pereda. - Capit�o.
- Lutem. - V� l�.
Vamos, Pereda, d�-me.
Vamos.
Pereda, vamos l�. Vamos.
Pronto.
Solta-me.
Felizmente, n�o tens de levar pontos.
D�i muito?
H� coisas mais dolorosas.
O Molina � dos que pensa que limpar a corrup��o no ex�rcito
� ir contra os pr�prios homens.
Por isso te bateu?
Fui eu que bati primeiro.
Eu mereci isto.
Ele tentou dizer-me que te viu esta manh�, com o capit�o Calder�n.
A entrar, em segredo, numa viela.
� verdade.
Lamento, Andr�s.
Amo-te, mas...
N�o s� a mim.
Certo?
Sei que n�o � justo.
E n�o mereces.
Mas � verdade.
Daria tudo para que fosse diferente.
Porqu�?
Porqu�, Julia?
Sabes o que sinto por ti.
Isso n�o basta?
- N�o basto? - N�o � isso.
O que �?
O que �, raios?
Amaldi�oada esta guerra e tudo o que nos traz.
Aguentei vivo por ti, Julia.
Nunca pensei que serias capaz disto.
- O que fazes aqui? - Eu? Nada. Estou a dar uma volta.
Passo o dia fechada, sozinha.
Gloria.
N�o entres na ala das camas.
H� infetados que n�o sabemos o que t�m.
Sim, mas tamb�m h� m�dicos muito simp�ticos.
Como o galego.
� encantador, n�o achas?
O Guillermo?
Com a idade dele, deve ter uma namorada � espera, no continente.
N�o, j� disse que n�o tem namorada.
E como sabes?
Porque sei, Gloria.
Porque me pediu em casamento e eu disse que n�o.
Sim.
Sais-te com cada uma! Quase acreditei.
- N�o estou a mentir, � verdade. - Claro.
Ias recusar um m�dico oficial quando n�o temos dinheiro.
Vai, deixa-me. Nem sei porque te perguntei.
M�e do c�u.
Ser� suspenso do servi�o, at� nova ordem.
N�o posso dizer que n�o o avisei.
Lamento o que aconteceu.
J� falei com o tenente Molina.
Fez bem.
Mas n�o � suficiente.
Meu general.
O meu comportamento n�o foi adequado.
Mas ambos sabemos que n�o me suspende por uma luta no bar.
Retire-se, capit�o.
- N�o h� mais nada a dizer. - N�o quer que investigue.
Deixe-me recordar, antes de partir,
que a honra do ex�rcito � incompat�vel com a corrup��o.
Mais tarde ou mais cedo, a verdade surgir�.
Quem pensa que �?
O que quer? Ser expulso do ex�rcito?
O que quero � servir o meu pa�s com honestidade...
Ap�s tudo o que a sua noiva fez por si.
Neste mesmo gabinete, suplicou-me de joelhos
que o resgat�ssemos.
E � assim que lhe paga?
Com a sua licen�a.
General.
- Lamento. - N�o faz mal.
Lamento, n�o a tinha visto.
Estava perdida nos meus pensamentos, n�o via por onde ia,
como devia.
Capit�o.
Vem ao casamento, certo? Com a Julia.
O convite era para os dois.
H� algum problema?
Sim.
H�.
Acho que devia saber.
N�o se passou nada entre eles. O Fidel deu-me a sua palavra.
Est� bem. Como queira.
N�o tenho de me meter.
- Lamento. - Espere.
A Julia contou-lhe?
Porque me faz isto, capit�o?
Porque me contou?
Porque � a verdade.
Estou a dizer-te, Vicente, minguaste.
Estou um pouco mais magro, � tudo.
Que queres dizer? N�o cuido bem de ti?
� o que vai pensar Melilha inteira, quando entrares na igreja.
Manuela, por favor.
Ol�, filha. Compraste tudo o que querias?
N�o.
Encontrei o...
Que se passa, querida?
O que podia ser?
Vou casar-me.
E tu, pai,
est�s lindo.
Vai ser um casamento maravilhoso.
- Manuela, traz-me �gua fresca, por favor. - Sim.
Agora...
... conta-me o que se passa.
Nada, a s�rio.
Se n�o queres, n�o me contes. Mas n�o me mintas.
Susana, filha.
Podes achar que sou demasiado duro contigo.
Talvez seja verdade, n�o digo que n�o.
Mas a �nica coisa que quero � proteger-te
de sofrimentos desnecess�rios.
Quero que saibas que, aconte�a o que acontecer,
podes contar com o apoio da tua m�e
e com o meu.
Eu sei, pai.
Pilar.
Chegou uma carta da Magdalena.
- Sim? - L�-me, por favor.
N�o posso, Larbi.
Porqu�?
Porque � algo pessoal, entre voc�s.
N�o � adequado.
� que n�o sei ler.
Que mais posso fazer?
�s uma amiga. E confio em ti.
Preferes que pe�a a um estranho?
N�o, claro que n�o.
O que diz?
"Querido Larbi,
por fim, consigo escrever-te umas linhas. At� agora, faltaram-me as for�as.
Passo as horas mortas a pensar no hospital,
nas minhas amigas, em ti.
N�o sabes o que daria para estar a�, a ver como a Pilar recebe as aten��es
do seu fot�grafo."
- Continua, por favor. - Sim, esta parte n�o.
"Fecho os olhos e imagino-me com voc�s."
"Com a Julia, de quem me lembro a cada minuto,
sempre t�o decidida, t�o segura de tudo,
depois de tudo o que sofreu.
Mas o sofrimento tem fim
e a alegria pode ser infinita.
Sinto tanta falta do hospital.
Sempre a funcionar como uma m�quina,
�s ordens da duquesa.
Por ela, fizemos coisas que nunca pens�mos fazer.
Se a tivesse a meu lado, agora mesmo, saberia que decis�o tomar.
A minha casa � um lugar vazio.
Madrid � uma cidade morta, por onde caminho como um fantasma.
N�o posso enganar-me mais.
Amo-te, Larbi."
"Mas, tal como n�o me posso enganar com isto,
tamb�m n�o o posso fazer com a esperan�a de viver a vida contigo."
N�o compreendo.
"Tinhas raz�o, Larbi.
N�o sei se vou voltar.
Todos dizem que enlouqueci.
Que o meu lugar � aqui, com os meus."
"Sentirei sempre a tua falta.
Estar�s sempre comigo, Larbi.
Porque tamb�m �s dos meus.
E eu fui tua, um dia.
Espero que um dia me perdoes.
E, nesse dia, lembra-te de que nos am�mos com loucura.
E isso � algo que s� n�s podemos recordar.
Adeus, meu amor.
A tua Maria Magdalena nunca te esquecer�."
Civis massacrados pelos canh�es do Gurugu.
S� sei que me ordenaram que os trouxesse c�.
Lamento, mas n�o temos camas suficientes.
E n�o est�o feridos.
Podem entrar, imediatamente.
Estas pessoas perderam tudo o que tinham em casa.
Sim, senhora.
Senhoras, preparem comida, enquanto arranjamos s�tio para ficarem.
Vamos. Cuidado.
Bem-vindos ao Hospital da Cruz Vermelha de Melilha.
- Deixe-me ajudar. - Cuidado.
Por ali.
Em frente.
Julia.
Andr�s.
Est� tudo bem?
Demitiram-me do meu cargo.
- Por causa da luta. - E das investiga��es.
N�o vim por isso.
Julia, entra.
- Corre. - Vamos, r�pido.
Atr�s da �rvore. N�o se aproximem.
- Longe das janelas. Est�s bem? - Sim.
- Por aqui, para a sala dos professores. - Eu levo-os.
- Que se passa? - Um atirador, parece estar sozinho.
Atr�s da fonte, a quarenta metros.
- T�m armas? - N�o.
Sa�mos por tr�s para o apanharmos.
Vamos arranjar armas, j�.
- Guillermo. - Claro.
Somos quem tem a patente mais elevada.
Vamos os dois acabar com ele.
Vamos.
Doutor, preferia que n�o se arriscasse.
- Calma. Temos de ajudar. - N�o deixe ningu�m sair.
Voc�s os dois, fiquem aqui. Ajudem o soldado a manter a dist�ncia.
E protejam-nos, sim?
Capit�o.
Comigo. Vamos.
Eu sigo-te.
A patilha de seguran�a.
N�o tinha visto.
Est�s doido? Assim, matas-me.
Apressas-me e depois...
Onde est� o homem?
Filho da m�e. Vais ver o que � bom.
Come chumbo.
- Est� longe. - Temos de nos aproximar.
� melhor separarmo-nos.
V� por ali. Eu vou pela esquerda, vamos.
Baixe a arma.
Ol�, capit�o.
Rachid.
Calma, Rachid.
Ningu�m tem de se magoar.
Vai acabar morto.
Porque mudaste?
- Estamos vivos, gra�as a ti. - E de que me serviu? Voc�s odeiam-me.
N�o sabem distinguir bons dos maus. S� veem �rabes.
N�o pensamos todos assim, e tu sabes.
Calma.
- Pousa-a. - Pare.
- Adeus, capit�o. - Rachid!
O Rachid. N�o.
Meu Deus.
Meu Deus.
O pobre homem s� queria viver em paz.
E n�o p�de.
N�o deixaram.
� uma loucura.
Estou vivo gra�as a ele e matei-o para o salvar.
Maldita guerra.
Isso digo eu, capit�o.
Maldita guerra.
Est� a destruir a minha vida.
Tenho direito a fazer o mesmo.
Tem raz�o.
- Lamento. - N�o lamenta nada.
Sabia que a Julia estava noiva e n�o se importou.
- Aproveitou-se da dor dela. - N�o a subestime.
A Julia decide o que faz.
Porque me obriga a fazer isto?
Dispare, capit�o.
Vai arruinar a vida dela, a minha e a da sua noiva.
Dispare, capit�o.
N�o tenho escolha.
- Meu amor! - Fale baixo!
Tive tanto medo. Abra�a-me.
Porque n�o o deixas viver?
Desculpa?
Se ele for a tribunal,
e provar, com testemunhas, que o filho n�o � dele,
p�e-te na rua.
Vais trocar-me por ela?
Tudo aquilo que temia, quando vos via juntos...
� verdade.
�s m� pessoa.
Se n�o fosses, tinhas-te ido embora e deixado-nos a todos em paz.
Foram encontrados degolados, civis e soldados, no centro.
H� pilhagens...
Acha que tomar�o Melilha?
Espero que n�o.
Seria a pior not�cia para n�s.
Dou-te tr�s segundos para sair daqui.
Eu trabalho aqui.
Um...
Dois...
Sabia que recebemos menos medicamentos do que os que constam nas listas?
Claro que n�o.
Eu tenho provas.
Se insistir em denunciar isto agora,
poder� sair como o mais prejudicado.
Seja esperto.
Legendas: Lu�s Perat
:: Ressincroniza��o ferneiva ::
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.