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O alferes Pedro Ballester n�o chegou ao hospital.
Como n�o chegou?
V�rios soldados confirmaram que o viram subir a um ve�culo de volunt�rios.
Alferes, o fortim � ali. Vamos! Depressa!
Quem trouxe este homem? Vais ser morto! Que v� com os feridos!
- Alejandro Prada, � um prazer. - Este hospital � para os militares.
Deixe-me ficar, enfermeira. S� at� passar a minha febre.
Ela tem muita febre.
- Ela tem estado doente. - Est� infetada?
- Ainda n�o sabemos. - Limpe bem a ferida, capit�o.
Senhor, n�o h� pulso.
- Como assim? - Lamento.
- Como foi evacuado, senhor? - Em mulas,
numa padiola, at� onde a ambul�ncia conseguia ir.
Por isso, morreu.
Temos de enviar mais m�dicos, convenientemente escoltados.
- Em que est� a pensar? - Uma equipa cir�rgica
na vanguarda. Podia salvar muitas vidas.
Se me pedirem para ir, vou. Exatamente como farias.
A culpa � dele.
- Ela � minha amiga. - N�o � nada. S�o de mundos distintos.
Quero ir.
- Queres ir para a primeira linha? - Quando vamos?
S� v�o tr�s enfermeiras, uma tem de ser a minha noiva.
Devia t�-la visto, noite e dia, a trabalhar como enfermeira...
N�o � enfermeira!
Queres mesmo ficar comigo?
- Porque se isso mudou, diz-me. - Tenho de ir, percebes?
- Enfermeira? - Sim.
Venha aqui, por favor.
Esta � a minha preferida. A enfermeira mais bonita do hospital.
N�o.
N�o.
Foste tu que cuidaste do meu irm�o.
- � meu dever como enfermeira. - N�o. Ele est� vivo gra�as a ti.
Muito obrigada.
Tenente.
J� a temos!
J� a temos.
� nossa.
Vais ficar bem.
Porque tinhas de aparecer?
S� temos uma vida, Magdalena.
Obrigado.
- Magdalena. - Daniel?
Sim.
N�o... Pedro!
Pedro!
Soldado! Este homem, para a sala de opera��o!
Julia, � melhor esperares l� fora.
Bisturi.
"N�o � o momento para perguntas.
N�o h� tempo para mais."
Ainda tem pulso?
- Sim. - "Porque esperam tudo de n�s.
E n�o podemos ter medo.
Chegou a hora da verdade."
Julia! Ajuda-me, por favor!
UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX
TEMPOS DE GUERRA
Est�s bem, Ver�nica?
Est�s bem?
Pedro!
- N�o tem pulso. - Aplica press�o!
- Aplica press�o! Ajuda-me, Guillermo! - Ele n�o tem pulso!
Acabou-se!
Lamento muito, Ver�nica.
Julia!
Julia!
Julia!
Julia!
Julia!
Os rebeldes contra-atacaram com armas
recuperadas nas zonas que perdemos. H� muitas baixas.
Ap�s horas de combate intenso,
o inimigo retirou-se. - A linha telef�nica ainda est� cortada?
Sim, mas recebemos um heliograma com m�s not�cias.
O alferes Pedro Ballester morreu.
- Disse "Pedro Ballester"? - E uma enfermeira.
O qu�?
- Uma enfermeira ferida? - N�o, senhor. Est� morta.
Ainda n�o sabemos o nome,
mas a morte est� confirmada. - Averigue.
- Confirme quem �, j�. - A linha est� cortada, tenente.
Tenho de saber o que aconteceu!
- Coronel, preciso de permiss�o para... - Calma, tenente.
Est�o a evacu�-los. Em breve, estar�o c�.
Sargento, preciso de um ve�culo para ir ao hospital de campanha.
- O coronel tem de autorizar... - Estou a autoriz�-lo.
- Prepare o ve�culo. - Pode ir, sargento.
- O que faz? - Vou procur�-los.
- Tenho de saber da minha noiva. - Ainda o mando prender.
CAP�TULO NOVE "O �LTIMO ADEUS"
- Imploro-lhe, capit�o. - Retire-se.
Ouviu?
Retire-se.
Obrigada, coronel. Mantenha-me informada.
Sabemos mais alguma coisa?
Os feridos est�o a caminho, Pilar.
Temos de preparar uma ala, n�o sei quantos feridos s�o.
- E al�m de feridos, tamb�m teremos... - Sim.
Com os feridos, v�m tamb�m os mortos em combate.
O Pedro, irm�o da Julia, e...
E uma enfermeira, n�o sabemos quem �.
Vai.
- Sim. - Vai.
- Esta sala era a biblioteca. - Cheira a...
- Tem um cheiro muito forte. - Sim?
� poss�vel, j� me habituei.
Passamos o dia aqui, e tamb�m muitas noites.
- Enfermeira, �gua, por favor. - Com licen�a.
Aqui tem.
- Magdalena... - Pilar.
Daniel?
- Quando chegaste? - Pilar! N�o te reconheci!
A m�e da Magdalena recebeu um aviso de que a filha estava doente, por isso,
aqui estou. - Vieste por isso?
A tua m�e estava muito preocupada e quero falar com o m�dico.
A tua doen�a tem nome, certo?
- N�o sabes como se chama? - N�o, desculpa.
- Tenho m�s not�cias. - Que foi?
Os rebeldes atacaram o hospital de campanha.
O Pedro morreu, o irm�o da Julia.
E uma enfermeira, mas n�o sabemos quem �.
Que horror.
Este cheiro � sangue, n�o �?
Acho que vou desmaiar.
- Daniel! - Daniel.
- Senta-te. - Eu estou bem.
Vou buscar �gua com a��car.
- Espera... - Calma.
Daniel, ouve-me.
N�o recebeste uma carta minha?
J� a mandei h� algum tempo.
Uma carta, para mim? N�o.
O servi�o de correio est� sobrecarregado com a guerra.
- Mas o que importa? Estou aqui. - Sim.
Podermos ver-nos pessoalmente � melhor do que uma carta, n�o �?
N�o!
Menina Medina... Desculpe, n�o me apresentei, Larbi al Hamza.
- Perd�o? - � o nome dele.
Sim? Claro.
- Daniel de Zumarraga. Encantado. - Vamos continuar a visita.
- Que faz um �rabe aqui? - Trabalha aqui, no hospital.
Mas � rebelde. Estamos em guerra com eles.
Aqui tens a �gua. Os feridos chegaram!
Larbi, ajuda os assistentes. Enfermeiras, comigo!
- R�pido! - Tenho de ir, Daniel.
- Vamos! - Sim!
Lamento! J� vou.
Magdalena?
Est�s bem.
Consegue andar?
Est� a chegar outra ambul�ncia com feridos.
Chamem o cirurgi�o de plant�o.
Minha senhora.
- Senhora. - Capit�o.
Um dos ataques apanhou-nos de surpresa e...
... uma das explos�es apanhou a Matilde.
- Pedro, o irm�o da Julia... - Eu sei.
Algu�m leve este soldado.
Fidel!
Gra�as a Deus, est�s bem.
Lamento muito.
Enfermeira!
Enfermeira, espere, por favor.
N�o sabia que era a irm� do alferes.
Queria dar-lhe os meus p�sames.
N�o sei se lhe serve de alguma coisa...
... mas o seu irm�o foi um her�i.
Gra�as ao que fez, a maioria dos que est�o aqui est� viva.
Ele tinha tomates, desculpe a minha linguagem.
Mas devia estar muito orgulhosa dele.
Lamento.
Julia...
Como est�s, Julia?
Lamento, meu amor.
Lamento.
Tentei ir buscar-te, mas n�o houve maneira.
- Ele morreu. - Eu sei.
- Ele morreu. - Lamento.
Vamos!
Vamos.
Algu�m ajude!
Ver�nica!
- Vamos! - R�pido!
Ver�nica, eu tamb�m estava l�. Todos temos culpa.
Para de te atormentares, por favor.
Se o tivesse acompanhado, se tivesse ficado com ele...
N�o te podes sentir assim.
N�o dev�amos ter operado.
- Ver�nica... - Que foi?
Para de me seguir, por favor.
O teu irm�o morreu a cumprir o seu dever.
Tal como a Matilde.
Vou transferir o corpo da Matilde para Madrid, imediatamente.
Os pais dela querem sepult�-la no t�mulo da fam�lia.
Se desejares, o teu irm�o pode ir no mesmo barco.
Mas os soldados...
... s�o enterrados aqui, em Melilha.
Sim.
S�o tantas as baixas que a repatria��o � imposs�vel.
Se quiseres, o Pedro ser� uma exce��o.
O meu irm�o morreu como um soldado.
Acho que ia querer ser enterrado aqui,
junto dos seus companheiros.
Enfermeira. Pilar!
Preciso de ti, agora! Tenho de parar a hemorragia.
A hemorragia parou no campo de batalha. Sen�o, n�o teria sobrevivido.
Estilha�os retirados logo ap�s o evento. Ele sai daqui por seu p�, amanh�.
Fratura aberta da t�bia, tratada e imobilizada no local.
Est� bem, capit�o.
A interven��o foi vantajosa.
- Fizemos o que pod�amos. - Eu sei.
Coronel...
O general Ibarra chegou.
Coronel, sabe de quem era filha a enfermeira que morreu?
Do duque de Fuensanta.
General,
sou o respons�vel pelo envio da equipa de sa�de,
e, consequentemente, pelo que aconteceu, portanto...
... com a sua autoriza��o,
... solicito ser substitu�do no meu cargo
de Chefe de Sa�de Militar de Melilha.
- Lamento que tenha de pagar... - Com todo o respeito,
o hospital de campanha organizou-se sob as minhas ordens,
se algu�m deve... - Capit�o!
Ningu�m lhe deu autoriza��o para intervir.
Deixe-o, M�rquez. S� est� a tentar ajudar.
Tratarei dos pap�is.
Obrigado, coronel.
- Senhor... - Capit�o.
Tenho alguns defeitos, mas reconhe�o a lealdade.
Agrade�o a sua.
Tomei a decis�o e assumo as consequ�ncias.
- Mas, senhor... - O hospital de campanha � uma boa ideia.
Trabalhe, para que siga em frente.
Somarriba.
Magdalena, vou a casa da Susana deixar as malas.
- Espero-te l�. Vais demorar? - Tenho de ir p�r �gua.
Est�s doente, n�o deverias andar com isso.
- Devias descansar. - Eu descanso logo.
- N�o te preocupes, Daniel. - Est� bem.
- Porque veio? - Larbi!
Assustaste-me.
- O que te disse ele? - N�o me disse nada.
Nem eu, mas j� me conheces, n�o sei mentir.
Ele deve ter percebido algo.
- Mas enviaste-lhe uma carta. - Ele n�o a recebeu.
Deve ter sido extraviada, ou ainda vai chegar.
Ent�o, tens de lhe dizer o que se passa.
Sim, eu sei, mas por carta era mais f�cil.
- N�o te preocupes, eu falo com ele. - N�o, que vais fazer?
Tenho de o fazer. Agora sou teu namorado.
Como?
Bem... Namorado...
N�o te preocupes, eu trato de tudo.
Larbi, espera, por favor.
Eu � que tenho de falar com ele.
Aceitas um bolo?
S�o deliciosos, t�m um recheio de fruta.
- Ador�vel. - Tens de a tirar daqui.
Ela est� doente, e v� o que aconteceu com a Matilde.
Amanh�, pode ser a Magdalena.
N�o ligues ao que ela diz.
Tamb�m pode entrar uma bomba por esta janela.
- Boa noite. - Boa noite.
Ol�, Vicente.
Pai, lembras-te do Daniel, o mais novo dos Zumarragas?
- Sim. Muito prazer. - Obrigado pela sua hospitalidade.
Importa-se de nos deixar a s�s um pouco?
Tenho de falar com a minha fam�lia sobre algo...
... muito importante.
N�o � necess�rio, Vicente. O Daniel � como da fam�lia.
Pedi que me substituam no meu cargo.
Talvez fosse melhor se eu... Vou � casa de banho.
O que aconteceu, Vicente?
- Significa que temos de sair de Melilha? - Ser� o mais prov�vel.
T�m de arranjar um substituto.
Pode demorar dois meses,
ou dois dias.
Mas eu tenho de casar.
Por ti, Pedro.
Por ti, irm�o.
Posso?
Sim.
Isso n�o vai ajudar.
Isto n�o te vai ajudar.
Sabes que o meu irm�o estava farto de seres demasiado protetor?
Ai sim?
"Nunca te separes da tua arma."
"Nunca vires as costas ao inimigo."
E, claro: "Nunca digas o que pensas a um superior."
Por ti, irm�o.
Sabes o que dizia de ti?
De mim? Nada, eu era uma irm� perfeita.
"�s um imbecil se a deixares escapar.
N�o por ser minha irm�... Mas por ser �nica."
Se n�o fosse ele, n�o estar�amos juntos.
A primeira vez que sa�mos, enganou-me.
N�o sabia que ias, pensava que �ramos s� os dois,
a dar um passeio na avenida. - Um passeio...
Se te tivesse dito a verdade,
duvido que fosses. - N�o, provavelmente n�o.
Eu sei. Isto n�o me vai ajudar.
Acho que � a primeira vez desde que estamos aqui...
... que estamos sozinhos.
O teu irm�o ensinou-nos uma li��o.
Achas que me serve de consolo?
N�o, mas tem de servir de exemplo.
Perdeu a vida nesta guerra.
Temos de o honrar.
� nos momentos dif�ceis que nos agarramos ao que importa.
As coisas s�o como s�o, doutor.
N�o as compliquemos mais.
- Por mim, pode ficar sossegada. - Quero acreditar nisso.
Para ela, n�o passarei do m�dico que n�o conseguiu salvar a vida ao irm�o.
Prometi-lho.
E falhei.
Ol�.
Est�s bem?
Soubeste do meu pai?
Sim.
N�o quero ir.
N�o posso ir sem ti.
Lamento, Susana.
Isto � tudo culpa minha.
Preciso de estar contigo.
Preciso.
Sen�o, fico maluca.
A minha m�e come�ou a fazer as malas, que fazemos?
Avan�amos com o casamento.
A s�rio?
De que precisamos?
Um padre, n�s e os teus pais.
Se n�o te importares com uma cerim�nia simples.
Podemos pedir alojamento na resid�ncia dos oficiais.
- Se acelerarmos o processo... - Eu trato disso.
Casamo-nos dentro de duas semanas.
Duas semanas!
Est�s bem, Magdalena?
- Ainda tens febre? - N�o.
Estou com calores. N�o sei porqu�.
O teu noivo vem a�, j� falaste com ele?
Obrigado.
- Tens medo dele? - N�o, porque teria?
Quando chegar, digo-lhe a verdade. Problema resolvido.
Ele vai compreender.
Tem de compreender.
Leve este documento ao paciente, por favor.
Obrigada, Larbi.
- Bom dia, meu amor. - Bom dia.
Est�s bem?
Anda comigo, temos de falar.
Entra.
O que se passa, Magdalena?
Disse mil vezes � Pilar que estes len��is n�o s�o aqui.
N�o est�o no s�tio certo.
Vejamos...
- Tenho de falar... - Que se passa? Est�s a assustar-me.
Desculpa, Daniel.
N�o sei por onde come�ar.
Ent�o, na carta que te escrevi,
dizia-te que...
Que...
Que...
Que desde que estou aqui,
vejo as coisas de outra maneira.
J� n�o sou a mesma, Daniel.
Vejo-te igual a sempre.
Mas n�o sou. Se soubesses tudo por que passei...
Daniel...
Na carta, dizia-te...
... que n�o me vou casar.
Eu sei.
A carta chegou.
Rasguei-a, assim que a li.
Tiveste um dia mau, escreveste a carta e enviaste-a.
N�o mostrei a ningu�m, Magdalena. Ningu�m sabe.
N�o te preocupes, o casamento continua.
Mas, Daniel,
n�o pode ser.
H� outro homem? � isso?
Eu compreendo.
Eu compreendo.
Deves ter-te sentido s�, longe de casa.
� normal. N�o faz mal.
Se conheceste algu�m, podes dizer. Eu vou compreender.
Pois... na verdade, sim. Conheci uma pessoa.
Eu sabia! Tinha a certeza!
Sabia antes de abrir a carta, tinha um pressentimento.
- Daniel, por favor... - Como me fizeste isto?
Eu confiava em ti.
Pediste para te esperar, na esta��o, lembras-te?
Daniel...
Quem �?
Ningu�m. Quer dizer...
J� n�o est� c�. Foi embora.
- Um soldado? - Sim.
Um soldado, mas n�o vai voltar.
Porque n�o? Est� morto?
Um pouco.
N�o...
Um pouco, n�o. Ele...
Acabou, podes esquecer.
Compreendo que queiras acabar a nossa rela��o, ser� o melhor.
J� n�o confias em mim e eu lamento ter-te desiludido.
Meu querido Daniel,
fiquemos por aqui e separemo-nos de forma civilizada.
Daniel...
- Chamou-me, senhora? - Sim, quero apresentar-te uma pessoa.
Alejandro Prada, jornalista. Pilar, a minha subdiretora e bra�o direito.
� uma honra conhec�-la.
Ouvi falar muito de si.
Sim?
- Encantada. - O Sr. Prada quer escrever um artigo
sobre o nosso trabalho no hospital.
Tem uma recomenda��o da rainha.
Que servir� de homenagem � enfermeira que faleceu.
- Para o El Imparcial? - Sou o que se chama de "freelance".
Conhece o termo?
Algo como vender-se a qualquer um?
Quero que lhe mostre as instala��es, como nos organizamos,
o material que temos, tudo o que queira ver.
Vamos?
Menina de Soraluce, por onde come�amos a visita?
- Porque fingiu que n�o me conhecia? - E a menina?
- O senhor come�ou. - Est� feliz por me ver, admita.
Para mim, � igual.
Ficou feliz, e muito.
Eu vi como os seus olhos brilharam quando me virei.
Como sobreviveu este tempo todo sem mim?
Por favor, se nem sequer me lembro de si.
A Ver�nica ficou paralisada. Nunca a vi assim.
Ela tem de desabafar.
O Pedro era muito importante para ela, agora precisa de ajuda.
Claro.
Ovos, p�o, leite e um jornal.
- Que est�s a dizer? - A minha lista de compras.
- O que interessa, se n�o me ouves? - Desculpa, o que disseste?
Esta ferida tem de ser limpa.
Pois �. Enfermeira, preciso de ti, agora.
Estou a fazer um trabalho para a duquesa.
Um trabalho? Qual?
Pilar, isto � urgente.
- Lembra-se de mim, doutor? - Sim, claro.
Venha comigo, preparar a cirurgia, imediatamente.
Traz o paciente, mal esteja pronto.
E algu�m pode apanhar este balde, por favor?
Acabamos depois, tente n�o incomodar.
Enfermeira, n�o temos o dia todo.
- Os instrumentos est�o esterilizados? - Claro.
- Temos anestesia suficiente? - Sim.
Porque � que aquele homem voltou? Veio para te ver, certo?
N�o percebes que ele � um canalha?
Est�s a falar dele ou de ti?
� �bvio. � um parasita, um desavergonhado.
N�o vai parar at� te seduzir, e depois?
- Depois n�o quer saber. - E que te interessa?
A mim interessa, interessa muito. N�o quero que te magoes.
� verdade, preferes ser tu a faz�-lo.
N�o quero que te envolvas com um canalha destes por culpa minha.
Por culpa tua?
- Est�s a faz�-lo para ficar com ci�mes. - N�o acredito no que ou�o.
Para que saibas, o Alejandro � um fot�grafo de prest�gio e jornalista.
Est� a escrever um artigo sobre o trabalho das enfermeiras, a mando da rainha.
E, a prop�sito,
a minha vida n�o gira � tua volta, h� muito tempo.
Mais alguma coisa, doutor?
Alejandro? Chamas-lhe Alejandro?
Julia...
Soube do teu irm�o, lamento muito.
Obrigada.
Nunca tive irm�os, n�o sei o que est�s a sentir, mas deve ser horr�vel.
Quem diria que ia acabar assim?
Nunca se sabe como vai ser. Muito menos numa guerra.
Vais ficar no hospital? Ou vais acompanhar o teu irm�o?
N�o, vamos enterr�-lo aqui.
Na Pur�ssima, no pante�o dos her�is.
Que honra.
Conta comigo para o que precisares, a s�rio.
Com licen�a.
Com sua autoriza��o, coronel. Est� tudo pronto para levar a enfermeira.
Posso acompanhar o caix�o ao porto, se quiser.
N�o, eu irei pessoalmente.
Pode ser o meu �ltimo ato oficial em Melilha.
Vou j� para l�, n�o gosto de fazer ningu�m esperar.
O navio zarpa � tarde, tem tempo de sobra.
Cuide de si.
Mantenha a sua for�a, vai precisar dela.
Dizem que a entrada em Nador vai ser f�cil, mas sabe como �.
A sa�de nunca tem folga.
A guerra � como uma epidemia.
� como uma epidemia em si mesma.
Sentiremos a sua falta, coronel.
- N�o sei se ficarei c�. - Isso seria um erro, Somarriba.
N�o h� melhor destino do que este, de procurar aliviar a dor dos outros.
- Fez um �timo trabalho, coronel. - Tentei.
Na verdade, n�o tentei mais nada na vida.
E quero pedir-lhe um favor muito especial.
Pare de me bajular.
- Deve ter coisas mais importantes... - �s suas ordens, coronel.
Vamos.
- Senhora duquesa. - Que faz aqui, coronel?
Vou acompanhar a translada��o do corpo da filha do duque de Fuensanta.
- Pode vir no meu carro, se quiser. - Soube que se demitiu.
N�o, no ex�rcito, n�o nos demitimos.
Pedi a minha substitui��o, mas ainda n�o recebi ordens novas.
N�o � o melhor momento para sair de Melilha.
N�o precisa de fingir que n�o est� feliz por eu ir embora, senhora.
� poss�vel que, primeiro, sinta pena do fracasso deste velho,
mas s� no in�cio. - N�o seja dram�tico, coronel.
Tivemos os nossos problemas, mas admiro o seu empenho.
� um pouco antigo, mas n�o � um velho.
N�o sei se lhe agrade�o ou se nunca mais lhe dirijo a palavra.
Tem de ficar em Melilha, coronel. Mais do que nunca.
O hospital de campanha provou o seu valor,
mas a morte de uma enfermeira pode p�r a opera��o toda em risco.
Precisamos do seu apoio.
- Se tiver algum cordelinho... - N�o continue, senhora.
Eu autorizei o hospital de campanha.
- Enviei civis desarmados para a batalha. - Que salvaram muitas vidas.
Senhora...
n�o � necess�rio que fa�a nada por mim.
Ali�s, pe�o-lhe que n�o o fa�a. Por favor.
"Querida m�e,
o meu cora��o est� partido de tanto chorar,
mas todos me dizem que devo estar orgulhosa,
e a m�e tamb�m.
Apesar de nunca mais o vermos.
O seu filho, o meu irm�o,
o pequeno da casa e preferido de todos...
Hoje, os jornais relatam a �ltima fa�anha do alferes Pedro Ballester.
- Dizem que deu a vida pelos outros." - Fogo!
"... e que ir� para o c�u."
Carregar!
"Pedro descansar� para sempre no pante�o dos her�is."
Fogo!
"O seu nome far� parte da hist�ria desta guerra.
Quando nos despedimos, ele ia subir a um barco que o levaria daqui,
mas n�o, ele decidiu dar tudo pelos outros.
Como tinha feito toda a vida.
E n�s, m�e,
os que tanto sentiremos a sua falta,
n�o precisamos que o Pedro seja um her�i.
Estamos orgulhosos dele porque amou e foi amado at� ao fim."
Julia...
Sei que nada que te diga servir� de consolo, mas...
Lamento.
Juro que fiz tudo o que podia para salvar o teu irm�o, mas...
Ningu�m o culpa.
Fez o que podia.
Lamento.
O sof� n�o quero,
mas vou levar este aparador, e o espelho do teu quarto.
N�o, o espelho � uma prenda da minha m�e e vai para onde eu for.
N�o quero pensar nisto.
E se nos mandarem para uma base nas Filipinas?
M�e, perdemos as Filipinas h� 20 anos.
- E a posi��o que tinhas aqui, Manuela. - Isso � o pior.
Se nos mandarem para Madrid, serei apenas a mulher de um coronel.
Como se n�o houvesse suficientes l�.
Isso, se n�o nos enviarem para um s�tio perdido.
O pai vai passar � reserva.
- De uma maneira ou outra, teria de ir. - Fica calada.
Est�s a apressar o casamento, a correr.
- Sabes o que v�o dizer? - J� est�o a dizer.
- Posso ficar com esta mesa? - J�? O que dizem?
Desculpem, senhoras.
- Menina, um homem pergunta por si. - Um homem? Que homem?
Com licen�a, senhoras.
- Ol�. - Ol�.
� o gerente da cantina, certo?
D�maso Fuentes, ao seu dispor. Venho da parte do Sr. Daniel Zumarraga.
Do Daniel? Ele est� a dormir l� em cima.
Temo que n�o, menina.
Por isso mesmo, vim.
Chegou ontem � tarde e come�ou a beber. N�o o consigo tirar daqui.
Deixei-o a dormir e esta manh� ele falou em si.
Ele disse que n�o queria que os seus pais o vissem assim.
Depois, voltou a beber.
Ali est� ele.
Obrigada. Daniel?
Daniel. Acorda, por favor.
Ol�, Susana.
Lamento. Que horas s�o?
Nunca teria imaginado...
N�o te enganes. Eu n�o bebo, nunca.
Hoje, bebi, porque...
... queria matar-me e n�o tive coragem. - Como assim, matar-te?
A Magdalena deixou-me por outro homem.
Como?
Tamb�m quer um copo?
Se for demasiado forte, tenho anisete.
A Magdalena trabalha o dia todo, e muitas das noites, s� visita ao domingo.
E nunca a viste com ningu�m?
S� com as companheiras e os pacientes, claro.
Com um ou outro m�dico.
Bem, e com os �rabes. Discuti com ela por isso.
N�o se importa de passar o dia rodeada de �rabes.
Que �rabes?
O menino que quase nos matou a todos com a meningite.
E o outro, pai ou irm�o dele.
� alto, e n�o � t�o feio como os outros.
- Larbi, acho eu. - Conheci-o.
Adiante, � apenas um motorista
e ajuda os funcion�rios, n�o acho que...
- Aonde vais? - Isto s� se resolve de uma maneira.
Obrigado pela ajuda.
Sabem se a menina Magdalena Medina est� l� dentro?
Est�.
Tu! Isto � tudo culpa tua.
Desculpe, n�o compreendo.
- Deixe-me passar. - N�o deixo.
Destru�ste a minha vida e agora vais pagar por isso.
N�o deve estar familiarizado
com as Regras do Marqu�s de Queensberry, certo?
Senhor, n�o quero lutar.
Devias ter pensado antes. En garde!
Por favor, v�. Tenho de trabalhar.
Levanta os punhos. O que foi, tens medo?
- Por favor, senhor. - Porque n�o queres lutar?
Meu Deus, Daniel! O que est�s a fazer?
- Sei tudo, Magdalena. - Estiveste a beber?
N�o acredito. Anda comigo apanhar ar.
N�o, deixa-me. Podia esperar qualquer coisa, menos isto.
Isto nem nos meus piores pesadelos. Como ia imaginar que tu e este... �rabe...
Acalma-te, por favor. N�o sabes o que dizes.
Sim, sei! Deixaste-te seduzir por um �rabe!
Podias descer mais baixo?
Um �rabe!
Qual � o problema?
A Magdalena decide o que quer. Nem voc�, nem eu, nem ningu�m.
S� ela decide o que quer da sua vida.
- Enlouqueceste, Daniel? - Deixa-me. N�o sou covarde!
- Magdalena... - N�o, Larbi!
N�o, por favor.
Est�o a fazer uma cena, parem!
- Calma. - Basta!
Eu disse que basta!
- Magdalena. - Magdalena.
Magdalena, diz-me algo.
Acordaste, por fim.
Lamento muito, meu amor.
- N�o podes andar por a� assim. - Veio lutar, a culpa � sua.
- Como se atreve, a culpa � sua. - Podemos ter sil�ncio?
Afastem-se, preciso de examinar a paciente.
Estou doente outra vez, doutor?
Doente, n�o me parece.
Mas est�s muito fraca.
Trabalhas demasiado e se eles te chateiam...
- Tens de ficar na cama at� amanh�. - N�o, nem pensar, doutor.
Temos muito trabalho, n�o posso ficar...
- Magdale... - Quietos!
V�s? Precisas de repouso, Magdalena, absoluto, entendido?
Absoluto.
- Fico com ela. - Nem pensar. Sou noivo dela.
Deixem-me sozinha.
- Mas, Magdalena... - Por favor. Fora, os dois.
E n�o briguem!
- Delicioso. - N�o vai deixar isso, pois n�o?
Ainda h� sobremesa. Gosta de mel�o? Est� fresco.
N�o comia t�o bem desde a Primeira Comunh�o do infante.
Esteve na Comunh�o do infante?
Conte-me.
Conto-lhe o que quiser, senhora,
mas tem de me dar algo em troca.
Eu? O que lhe posso dar?
- Conhece toda a gente. - N�o acredite nisso.
Trabalho aqui desde manh� at� a noite, por isso n�o vejo grande coisa.
- Mas tente, pode ter sorte. - Conhece a Pilar de Soraluce?
A m�o direita da duquesa, uma morena.
- Muito bonita. - N�o exagere, ela n�o � t�o bonita.
- O que quer saber? - Tudo.
- Tanto interesse naquela mi�da? - N�o imagina o quanto.
Vou dizer-lhe uma coisa. N�o podia ter chegado em melhor momento.
Ela precisa de um homem, e j�.
Por onde quer que comece? Pelo dia em que a deixaram no altar?
- Bom dia, Estrella. - Desculpa, Pilar. Passa tu.
Desculpa ter sido um idiota.
- N�o te impedir� de o repetires. - Impedir�.
- N�o voltarei a faz�-lo. Prometo. - Menina Soraluce.
Pode vir aqui?
Diga-me.
Tens de vir comigo. � um assunto de vida ou morte.
- De que fala? - Algu�m precisa da tua ajuda.
N�o posso contar. Estamos em guerra e as paredes t�m ouvidos.
- Pe�o para enviarem uma ambul�ncia. - N�o!
Uma enfermeira ser� suficiente. �...
� algo delicado.
Vamos.
Cheg�mos.
- Onde est� o paciente? - Espera um momento.
Uma bebida?
Que pouca vergonha.
Que pouca vergonha.
- � champanhe. - N�o vou beber.
N�o � para ti. Para ti, � outra coisa.
- N�o me toques. - Por aqui.
Sabes dan�ar, certo?
Uma mulher t�o linda como tu, tem de ser boa dan�arina.
- Vais dan�ar? - Claro que n�o.
Raios.
Pilar...
Sei como te sentes.
Tamb�m vi morrer muitos soldados na frente.
Esta guerra � um horror.
N�o sabemos quanto tempo durar� tanto sofrimento.
Mas o que fazemos at� l�?
Merecemos um minuto de divers�o.
Podes voltar a p�r a m�sica.
Concede-me esta dan�a, senhora?
Cavalheiro.
- Pisaste-me. - N�o.
- Foste tu. - Eu? N�o.
Eu sou um profissional da dan�a.
Claro.
N�o acredito que estamos em Melilha. Como encontraste este s�tio?
- Sou um grande explorador. - Claro.
E mais?
Sou escritor, fil�sofo, jornalista, m�gico...
Um pouco vigarista, capit�o de barco, criador de galgos,
mas, acima de tudo, explorador.
- E o que exploras? - Tudo.
Agora, Melilha, o Rife,
esta guerra... mas amanh�, quem sabe?
China. No m�s seguinte, a Patag�nia.
O mundo � enorme, Pilar.
E espera por n�s.
Vens?
Quem me dera.
O que te impede?
- �s uma mulher livre. - Como � que sabes?
Sei que te deixaram plantada no altar.
Sei que voltaste a tentar...
... e ficaste vi�va. - Quem te contou isso?
- Leva-me para o hospital. - N�o quero.
- Quero levar-te � China, ou ao Jap�o. - Basta! Eu disse que quero ir.
Assim podes escrever o teu maldito artigo.
J� o escrevi.
Acabou de sair da imprensa.
- Queres v�-lo? - N�o, quero ir.
Est� bem.
Vamos.
Mas l�, por favor.
Por favor.
"Anjos sobre o Rife.
Trinta mil rifenhos sedentos de sangue aguardam.
O povo de Melilha s� tem duas op��es:
resistir, ou morrer. Mas, quando tudo parece perdido,
um grupo de anjos desce na cidade.
Est�o disfar�ados de enfermeiras da Cruz Vermelha.
Mas quem as conheceu, n�o se engana.
S�o anjos.
A chefe dos anjos esconde-se na pele de uma duquesa,
enviada pela Rainha Vit�ria Eug�nia,
que ergueu um hospital da noite para o dia.
Ensinou tudo o que sabe ao resto dos anjos.
Algu�m que parece indestrut�vel e que responde pelo nome "Carmen".
Anjos como Magdalena,
que cura com o sorriso.
Que est� sempre pronto. Como o carinho que oferece.
Como a ternura que respira.
Ser� poss�vel n�o gostar de Magdalena?
Anjos como Ver�nica.
T�o t�mida que prefere refugiar-se na farm�cia,
entre l�quidos, comprimidos e p�s,
que as suas m�os m�gicas convertem em rem�dios milagrosos.
Rem�dios que n�o podem curar o mal de amor de que sofre Ver�nica.
Anjos como J�lia,
que subiu ao comboio para procurar o irm�o.
Encontrou-o, e acaba de o enterrar
no pante�o dos her�is, com uma medalha e uma salva de honra.
Mas Julia vai permanecer no hospital,
porque � uma enfermeira e o seu dever � para com os outros.
Como se o seu destino estivesse escrito
e a sua vida s� servisse para ser oferecida a quem necessita."
"... para ser oferecida a quem necessita."
Que exagero. Ele nem a conhece.
"Este gesto de Julia resume na perfei��o porque todas elas s�o anjos
que renunciam ao c�u, para nos ajudar a viver na terra.
Anjos como Pilar.
Com um exterior de ferro e um interior de ouro.
N�o lhe treme a m�o durante uma cirurgia.
Mas treme-lhe a alma quando ouve um paciente chorar.
Finge ser dura, como os sonhos perdidos,
mas � doce, como o amor que espera."
Um pouco foleiro.
Talvez, mas gostaste.
- N�o foi? Gostas. - N�o, de todo.
Ent�o, n�o vais deixar que te beije?
- Se beijares t�o mal como escreves... - Ter�s de descobrir.
FOTOGRAFIAS DE EL IMPARCIAL
Nada! N�o acredito. Parece inacredit�vel.
- Nem uma palavra. - Sobre?
Sobre mim. N�o escreveu sobre mim.
Que seca, as enfermeiras, a duquesa...
Dei-lhe as informa��es todas, cozinhei para ele e � isto que recebo.
Que desavergonhado.
Parece-me que n�o � preciso muito para contares tudo.
Est�s a defend�-lo?
Se fosses um homem a s�rio, ias falar com ele.
Que lhe digo? Para escrever um artigo s� sobre ti?
Sim. Ele deve-mo. Fez de mim tola.
Da pr�xima vez que o vir, desafio-o para um duelo.
Parece-te bem?
Ele tem � de nos livrar da Pilar.
Contei-lhe o que contei para abrir caminho.
Que queres dizer?
Escreveu aquilo para ela se apaixonar por ele.
� �bvio que � o que ele quer.
- E tu ajudaste? - Parece-te mal?
Vamos.
Depois de todas as mentiras que ela disse sobre n�s.
O melhor que nos pode acontecer � que ele a tire do nosso caminho.
Ser�amos mais felizes.
Acaba a sandes, querido.
Ver�nica...
Estava � tua procura.
Queria mostrar a medalha que deram ao meu irm�o.
O vermelho � para os her�is de guerra.
Toma.
Quero que fiques com ela.
Em mem�ria do Pedro.
N�o a posso aceitar.
O meu irm�o tinha uma carta, quando morreu.
Ele ia envi�-la de M�laga, mas...
... ele nunca chegou l�.
Nela, contava � minha m�e o que sentia por ti.
Mal nos conhec�amos.
"Conheci uma rapariga, chama-se Ver�nica."
Ele disse que ia para casa
e que me escrevia quando chegasse l�.
Disse que voltaria, por mim.
Porque me mentiu?
Porque subiu ao ve�culo?
N�o sei.
Tamb�m n�o sei.
Mas tinha de ir.
Se n�o tivesse insistido para que o operassem...
... ele ainda estaria cego,
mas estaria aqui e estaria vivo.
- Eu podia ser a sua guia. - N�o sabemos isso.
Isso n�o podemos saber.
Mas estou certa de que o seu �ltimo pensamento foste tu.
E por isso gostava que ficasses com a medalha.
Creio que ficaria muito feliz que a tivesses.
Por favor.
Obrigada.
O teu irm�o...
... era um bom homem.
Eu sei.
Boa noite. Perd�o!
O que fazes aqui outra vez? Est�s mal? Tens febre?
- Ent�o? - N�o estou bem.
Porqu�?
- O Daniel e o Larbi brigaram por mim. - O qu�?
Uma luta a s�rio, tive de os separar. Que vergonha.
Fiquei tonta e n�o sei se � uma reca�da,
ou se foi o sufoco de os ver lutar. Quase se mataram.
- N�o te rias, eu... - N�o me estou a rir, � o champanhe.
Champanhe?
- Estive com o fot�grafo. - O qu�?
Pediu-me para dar a volta ao mundo com ele.
Disse-lhe que n�o, para o caso de ser a s�rio. Ele � capaz de tudo.
Mas diverti-me tanto.
O Daniel n�o volta a casa sem mim.
Ent�o, que fique em Melilha.
N�o!
Pilar...
Pilar!
- Vai para a cama. - Um minuto.
Mas... Pilar!
Que est�s a fazer?
Boa noite, senhora. Desculpe, quis ligar antes, mas foi um dia
complicado. - Muito.
E muito longo.
Acabam de me dizer que o caix�o est� em M�laga.
Amanh�, estar� c�.
Estive a tarde toda com os pais da Matilde.
- Enviei os p�sames por telegrama. - N�o imaginas como te est�o agradecidos.
As palavras nos jornais s�o lindas.
Principalmente no que fala de anjos.
Artigos como esse ajudam a compreender o trabalho das enfermeiras.
S�o bem-vindos.
Senhora, n�o sei se sabe
que o Chefe de Sa�de Militar pediu para ser substitu�do?
- Por causa da Matilde. - Isso diz muito dele.
Com tudo o que se passa,
at� os ministros se agarram aos seus cargos.
N�o sei se � bom mudar, senhora.
O coronel M�rquez sabe tudo o que se passa aqui.
A nossa situa��o.
- N�o sei se me entende. - Perfeitamente, Carmen.
Explicas-te sempre muito bem.
Desde Souk El Arbaa at� Cabo del Agua, fogo da marinha.
Aqui, o destacamento Cabanellas, sem resist�ncia.
A cavalaria arrasa tudo desde o Mar Chica para sudoeste.
� mesmo verdade, Somarriba.
Nador voltar� a ser nossa, em menos de 12 horas.
- Quase sem corpo a corpo. - Quando a linha f�rrea estiver limpa,
a prioridade � recuperar o hospital comboio.
Confio que quem me substituir saiba disso.
E reabrir os postos de socorro.
N�o sabemos em que condi��es estar�o, ap�s seis meses.
Coronel.
N�o sei quem o tem em boa conta, mas continua � frente da sa�de militar.
Ordens de cima.
Muito de cima, atrevo-me a dizer.
- Asseguro que eu n�o... - Conhe�o a sua integridade.
Mas, para mim,
� um prazer dar esta ordem.
- Ningu�m est� � sua altura, coronel. - Obrigado, general.
Ver�nica!
Ver�nica...
- O que �? - Nada, � que...
Bem...
Ver�nica...
... odeio ver-te sofrer aqui sozinha.
Eu tamb�m estou sozinho.
N�o sei, com o tempo...
... estou certo de que surgir� o carinho.
E, quem sabe...
Talvez surja tamb�m a paix�o.
- O que dizes? - Sobre o qu�?
N�o te perguntei!
N�o sei onde tenho a cabe�a, nunca vou direto ao assunto.
Queres casar comigo?
Est�s mesmo a perguntar isso aqui?
Assim.
N�o tens de responder agora.
Deixo que penses nisso. O tempo que precisares.
N�o te vou pressionar.
Mas, Guillermo...
Como pensaste nisso?
Achas mesmo que � t�o f�cil?
O que achavas que te ia dizer?
N�o sei.
N�o sei, Ver�nica.
S� sei que...
Nunca encontrar�s ningu�m que te ame como eu.
Nunca.
Amo-te tanto.
Tanto.
Bom dia.
Um bombom?
- H� quanto tempo est�s a�? - Muito.
Magdalena, estou muito preocupado contigo.
- Suaste a noite toda. - N�o falei a dormir, pois n�o?
Daniel, porque n�o contaste � minha m�e sobre a carta?
Pensei que, se n�o lhe tinhas dito, ainda devias estar a pensar.
Queria dizer primeiro a ti.
Bom dia, Magdalena. Como passaste a noite?
Terr�vel, doutor.
Continua com febre, n�o vai fazer nada?
Pode ter uma febre baixa.
Seria bom apanhar ar, dar um passeio, tomar banho.
Baixa?
- Suou a noite toda. - Porque n�o faz o mesmo?
Por favor, tenho de examinar a minha paciente.
Eu volto j�.
Desculpe.
Se continuar assim, ele � que vai ter um ataque.
- Quando � o casamento? - N�o vai haver casamento.
Mas ele anda a dizer que est� tudo preparado.
Ele acha que nos vamos casar. Todos o acham.
A minha fam�lia, a dele...
Tenho de parar com isto, tenho de fazer algo.
Podia ajudar-me, tem experi�ncia nisto de...
... cancelar um casamento. - Sim.
O que fa�o?
Bem, eu...
N�o sou o mais indicado para aconselhar sobre isso.
Vou ter de ir a Madrid esclarecer as coisas.
Sinceramente, pensei que ficasse feliz com esta promo��o.
� verdade, capit�o. Lamento parecer pouco expressivo.
- Mas n�o chega no melhor momento. - Nunca nada chega.
Como capit�o, ter� direito a pedir emprego na unidade que quiser,
desde que haja vaga.
N�o queria deixar o trabalho atr�s de uma secret�ria? Aproveite.
Est�s contente, capit�o?
Amanh�, partem dois destacamentos para Nador.
Os primeiros a entrar na cidade reconquistada.
Se quiser, entrarei com eles.
Eu e o Pedro sempre fal�mos disso.
Acho que lhe devo isso.
Quando i�armos a bandeira, ser� como se ele estivesse l�,
comigo. - Mas n�o est�.
E nenhuma medalha ou bandeira far� com que volte, Andr�s.
Tenho medo.
Tenho muito medo.
Gostava de poder mentir-te e apoiar-te,
mas n�o posso.
Sei que se fores...
... podemos nunca mais nos ver.
Vamos ganhar esta guerra.
De que serve ganh�-la, se vamos perder tudo?
Diz-me a verdade. J� decidiste?
Tamb�m tenho medo.
N�o, de voltar � frente.
Tenho medo de te perder, Julia.
Limpem a ferida e levem-no ao doutor Garc�s.
Capit�o! Tenho boas not�cias para si.
O alto comiss�rio quer o seu hospital de campanha em Nador.
Senhor, n�o sei o que dizer.
V� ao Gurugu, veja como est� o hospital,
e fa�a a transfer�ncia, o mais r�pido poss�vel.
�s suas ordens, coronel. Aproveitarei para repor o material.
Continuo como chefe da sa�de militar, n�o vou ser substitu�do
e, apesar de n�o ser preciso apressar o casamento,
vai celebrar-se no dia 25, na mesma.
Calma, j� est� quase.
- O que fazes aqui? - Estou a ver-te.
- N�o � proibido. - Eu volto j�.
Por favor, est�s a p�r-me numa situa��o desconfort�vel.
N�o h� mal em olhar.
Necessito disso.
Desde esta manh� que precisava disso.
Fora daqui.
- N�o me serves de nada zangada. - Fora daqui.
A s�rio. Ou n�o me voltas a ver.
Julia...
Julia.
O que fazes aqui?
Foi no dia em que morreu.
Estava bonito.
Sim.
Muito.
Devia ter garantido que ele subia ao barco.
Porque n�o fui para casa com ele?
N�o sei porque fiquei, n�o fiz nada de bom aqui.
Julia...
Pega em gazes e ligaduras e anda comigo.
Vamos.
Obrigado, podem ir.
Sobe, Julia.
Sobe para o ve�culo.
- N�o podemos ir os dois sozinhos. - Preciso de estar contigo, Julia.
- N�o, vamos voltar... - Preciso de falar contigo. Sobe.
N�o seria mais sensato olhares para a estrada?
Acho que n�o h� nada de sensato sobre n�s.
N�s.
O que somos n�s?
N�o sei e n�o quero saber, Julia.
S� sei que quando estou contigo, sinto coisas que nunca senti.
N�o digas isso, por favor.
Quanto tempo vamos continuar a sentir uma coisa e a dizer outra?
- Passo o dia com saudades tuas. - Vais casar-te.
Eu sei... e n�o sei o que vou fazer.
O que queres fazer? Ter um caso?
Virmos at� aqui para nos vermos.
N�o, n�o podemos...
- Quem s�o? - Fica calma.
- Venham, saiam do ve�culo. - O que se passa?
Nada, capit�o. N�o se passa nada.
- Fora! - Com calma.
N�o lhe toquem!
Somos m�dicos da Cruz Vermelha.
- Sim, Cruz Vermelha, n�s sabemos. - N�o vamos a lado nenhum.
N�o, Fidel!
O senhor � o m�dico, capit�o...
N�o preciso dela.
- Esperem. - Vai obedecer, certo?
A ambul�ncia do capit�o Calder�n e da Julia Ballester
foi encontrada abandonada.
Porque foi a Julia?
Vieram tratar dele.
- Se ele morrer, morres. - N�o!
Morrem os dois.
Estou a pensar voltar contigo para Madrid.
- A s�rio? - Sim...
Larbi, tenho de ir...
Vais para Madrid e n�o voltar�s, eu sei.
Porque foram os dois, sozinhos?
Fugiram juntos. Foram juntos.
Se esta fosse a tua �ltima noite e pudesses fazer tudo, o que farias?
Vamos ver as pir�mides.
- Como assim? - Vamos.
- Podes fazer as malas. - N�o!
Vais embora? Vais.
Importas-te que eu v� ou fique?
Como sabiam os rebeldes que iam na ambul�ncia?
- Quem lhes disse? - Falaste com os teus?
N�o, eu n�o disse nada.
N�o confies nesta gente.
N�o, o que v�o fazer connosco?
- Deixem-na ir! - Cala-te!
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