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Deve ter sido dif�cil.
O importante � que o trouxe de volta.
Foste muito corajoso, Fidel. Nunca o esquecerei.
Obrigada.
Pedro.
Pedro, sou eu.
Andr�s!
Tens de contar a verdade. Que o Silva nos traiu.
� a sua palavra contra a do comandante.
- N�o defenda esse traidor. - N�o estou a defender ningu�m!
Se pensa em denunciar-me, eu mato-o.
E � sua fam�lia tamb�m.
Se n�o nos vamos casar, n�o quero voltar a ver-te.
Que se passa?
� a Julia?
O Rom�n n�o tem direito a pedir-te nada.
� que o Rom�n...
- Qu�? - Ele � o pai.
� o pai.
� melhor o Luis n�o saber de nada.
O beb� que a Raquel carrega n�o � teu.
- Em quem acreditas? Em mim ou nela? - Quero saber quem � o homem.
Quem � ele, Raquel?
Um namorado que tive antes de te conhecer. Disse que te ia dizer que o beb� era dele.
Se te volto a ver,
dou-te um tiro em cada perna e levo-te para o deserto,
para seres comido por c�es, sim?
- Luis! - Mato-te.
O tenente Pereda diz que o tentou matar por ordem do comandante Silva.
� verdade?
N�o me lembro de nada do que aconteceu.
N�o me lembro de nada.
Acredite em n�s.
Porque � que isso � importante?
J� tenho que chegue com esta guerra maldita!
Quase morri e n�o conseguia parar de pensar em ti.
Diz-me que n�o sentes o mesmo.
Diz, Julia.
N�o.
N�o posso fazer isto ao Andr�s.
O que acord�mos. � a �ltima vez que vens ao meu bar.
Cuidado com o que dizes, avozinho. Ou vai custar-te mais que dinheiro.
- Voltas a tocar no meu pai, mato-te. - Sai da frente, ou acontece-te o mesmo.
- N�o! - Que vais fazer?
N�o!
Susana M�rquez,
queres casar comigo?
Sim, claro que sim.
- Queria falar comigo? - Queria...
Queria confessar-me.
- O que se passa aqui? - O que o tenente Pereda disse � verdade.
O comandante Silva ordenou que o matasse.
Julia...
- V�s? - Sim.
J� s�o tr�s oficiais a acus�-lo.
Vai a tribunal, e presumo que ser� condenado.
Se estivesses morto, nada disto estaria a acontecer.
- Pedro. - Baixe a arma.
- Fidel! - N�o!
- Largue a arma! - Que se passa aqui?
Ningu�m entra!
- Se algu�m se mexe, disparo. - Fechem as portas.
- Solte-a. - Pedro.
Se matar esta mulher,
destruir� o motivo que nos trouxe a todos aqui.
UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX
PROTETORADO ESPANHOL - NORTE DE �FRICA SETEMBRO DE 1921
Chegou a hora dos corajosos.
Aqueles que v�m para nos salvar.
Companhia! Aten��o!
Nunca estiveram tantos soldados, em Melilha, prontos a lutar.
Ombros.
Desta vez, vamos ganhar.
Armas.
Por fim, boas not�cias.
Os tr�s estamos juntos, a Julia, o Andr�s e eu.
A cada dia que passa me sinto melhor, gra�as �s enfermeiras.
Se n�o fosse por elas, estaria morto.
Mais um dos soldados que nunca voltar�o a casa.
O comandante Silva morreu como um cobarde,
e � assim que sempre ser� lembrado.
O seu suic�dio serviu para encerrar o meu caso.
Nunca serei julgado por insubordina��o.
Estou livre, m�e.
Livre para sempre.
Alferes.
Garanto que o ex�rcito
apagar� qualquer suspeita do seu cadastro.
Terminou.
Em Melilha, existem mais de 40 000 soldados.
Vamos reconquistar Nador, a quinze quil�metros daqui,
do outro lado do Gurugu.
A opera��o tem um nome,
"A Vingan�a".
Tenente Pereda?
N�o acredito.
Roberto Molina.
Que raio fazes vestido assim?
� Carnaval?
A Legi�o � onde est� a a��o.
A infantaria s� ajuda a enterrar os mortos.
- Quando chegaste? - H� uns dias.
EPIS�DIO 7 "A REPRES�LIA"
Estou no Primeiro Batalh�o, a ponta da lan�a da campanha.
- Est�s na Legi�o? - Sim.
Quando ouvi falar na unidade de combate, n�o pensei duas vezes.
Vamos rebentar com tudo.
Finalmente juntos.
Qual � a tua unidade? Quando partes para Nador?
N�o sei. Acho que n�o vou sair de Melilha t�o cedo.
Sargento?
- Carregue o segundo plut�o. - Sim, senhor.
O resto no cami�o, raios!
Vamos proteger a guarni��o de um fortim,
nas encostas do Gurugu.
- Para deixar livre a estrada de Nador. - Sim.
- Quando ias? - N�o sei.
- Ainda estou � espera. - Est� bem.
- Tenente? Estamos prontos. - Muito bem.
Tenho de ir.
- Vemo-nos na frente de batalha. - Cuida-te.
Tu tamb�m.
Quando come�a a campanha?
Os refor�os ainda est�o a caminho.
Duas colunas partem amanh� para Atalayon.
Tu vais?
- N�o podes pedir para ir? - N�o.
Estou a coordenar a mobiliza��o do Comando.
Voltei agora, Pedro.
N�o posso dizer � Julia que vou voltar a partir.
� a tua carreira.
Ela ter� de entender.
M�e de Deus! Quem fez isto?
Consegue ouvir-me? Socorro! Por favor!
- Vou prepar�-lo para a opera��o. - Estou pronta.
- A anestesia. - Sim.
O que temos aqui, Guillermo?
Um esfaqueamento profundo. N�o me parece bem.
� um civil.
Viste quem �?
Luis?
Pilar. A anestesia.
Sim, senhor.
Outra vez n�o, por favor.
N�o, por favor.
Por favor, onde...
Est� a tentar dizer algo.
Vamos, Pilar. N�o ouves o doutor? Anestesia!
Vamos tentar parar a hemorragia, limpar a ferida e cozer.
Se se aguentar, claro.
Nove, oito, sete...
- Pronto. - Vamos come�ar. Retratores.
Pin�as.
Que se passa?
Quem � ele? Conheces?
� o pai do filho da Raquel.
O qu�?
Meu Deus. Quem lhe fez aquilo?
N�o sei. Diz-me tu. Como chegou aqui? Quem o trouxe?
N�o sei, Pilar. Sa� para pendurar a roupa
e encontrei-o ali, no ch�o.
Ter� vindo sozinho?
Como p�de ter vindo sozinho no estado em que estava? � imposs�vel.
N�o sei.
- Que est�s a pensar, Pilar? - Nada.
Pilar, por favor, conhe�o-te bem.
Olha para mim.
N�o sei. S� sei que o vi
a discutir com o Luis,
e o Luis disse-lhe que se o visse aqui...
... o matava, mas... - Mas ele foi esfaqueado,
e o Luis n�o seria capaz... - N�o.
N�o seria, pois n�o?
Fico feliz em v�-lo, Somarriba.
Ao seu servi�o, coronel.
Assumi que estivesse ausente
duas ou tr�s semanas para estar com a fam�lia.
N�o posso partir agora que a campanha est� prestes a come�ar.
Mas, depois do que aconteceu,
entendia se preferisse que outro
ficasse com o meu... - Por favor, quero-o a meu lado.
Duvido que encontre algu�m como voc�.
Capit�o?
J� c� estamos, coronel.
A resposta � n�o.
Escute, coronel...
... quando come�ar a campanha, os hospitais ficar�o sobrelotados
com a avalanche de feridos, e temos de estar preparados.
Vou pedir mais ambul�ncias e liteiras para as mulas.
A maioria dos feridos morre quando � transportado.
Salvar�amos muitas vidas se pud�ssemos montar hospitais de campanha.
Somos n�s que temos de nos mover, n�o os feridos.
Quando recuperarmos posi��o,
recuperaremos postos de socorro. - Em que condi��es estar�o?
Temos tendas, macas e instrumentos para improvisar salas de opera��es.
Improvisar?
Improvisar? A sala de opera��es n�o ser� esterilizada
e os nossos m�dicos e enfermeiras correr�o o risco de serem feridos.
J� pensaram nisso?
Tamb�m corremos riscos em Melilha, coronel.
Enviamos pessoal para montar hospitais de campanha, e os de Melilha?
Ficam vazios?
O capit�o Calder�n tem a resposta para isso.
Cursos.
Em pouco tempo, treinamos volunt�rias para serem enfermeiras
e acabamos a forma��o de campo das veteranas.
Podem fazer o que quiserem no vosso hospital.
Mas a interven��o no campo � minha responsabilidade,
e a reposta continua a ser n�o.
Pense nisto.
A Vingan�a est� prestes a come�ar.
Senhor.
Capit�o?
Acha...
Acha necess�rio apoiar a duquesa?
Ao ponto de vir discuti-lo comigo ao meu gabinete?
Porque est� sempre contra ela, senhor?
N�o vou permitir que aquela mulher controle os nossos hospitais.
N�o posso permitir isso.
Pensei que o nosso dever era salvar vidas,
n�o perder tempo em lutas de poder.
Somos m�dicos.
N�o � a medicina,
mas sim a organiza��o militar que det�m o papel principal
na �rea da sa�de durante a guerra.
Trate do curso de forma��o.
Eu...
Eu vou tratar de organizar os meios.
Est� dispensado.
Obrigado, senhor.
N�o tem nome nem regimento.
- Chegou h� pouco da opera��o. - Como est�?
Agitado. A tens�o continua inst�vel.
Pr�ximo?
Sim.
O penso tem de ser mudado.
Trato j� disso.
Continua a tomar morfina.
Espero que sejas feliz...
... no teu casamento.
A s�rio.
Obrigado, Julia.
Tamb�m desejo que sejam muito felizes.
�s a mulher mais corajosa que conhe�o.
O que fizeste com o comandante...
N�o quero pensar nisso agora.
Capit�o?
� bom v�-lo.
- Parab�ns pelo noivado. - Obrigado, tenente.
Disseram-me que a rainha deu a sua b�n��o.
Sim.
N�o me posso queixar.
Que fazes aqui? Est� tudo bem?
Tenho de te dizer uma coisa.
Julia? Andr�s?
O m�dico vai dar-me alta.
Estou curado.
O que se passa?
Vou pedir para ir combater.
Quando vais?
Que mais disse o m�dico?
Quando te vai dar alta?
V�o transferir-me para M�laga, e, de l�, para casa.
Mas...
... tamb�m posso ir contigo. Temos de ir. - N�o, Pedro.
N�o est�s recuperado.
N�o vou ficar de bra�os cruzados.
Pedro, n�o digas disparates.
O que te deu?
O m�dico mandou-te ir ao hospital de M�laga.
Nunca me senti melhor.
Merecemos presenciar a vit�ria.
V�s o que fizeste?
Como digo � minha m�e que ele vai voltar a combater?
Ele n�o vai, Julia.
Vai alistar-se assim que puder. N�o o conheces?
Quer mostrar que � como tu.
Sabes que te admira.
Andr�s,
trabalhas no quartel.
Faz com que lhe deem dispensa permanente
para ele ir para casa. - N�o sei se posso, Julia.
Vim procurar-vos aos dois.
Agora que vos encontrei, foi tudo em v�o.
Por favor,
promete-me que falas com o general.
Onde...?
Onde estou?
- Onde...? - Deite-se.
Rom�n?
Rom�n, consegue ouvir-me?
Consegue ouvir-me?
Est� no hospital.
Teve de ser operado. Foi esfaqueado.
Lembra-se de quem lhe fez isto?
- Quem fez isto? - Como est� ele?
Nada bem.
Que pena.
- O que te estava a dizer? - Ele n�o consegue falar.
S� diz coisas sem sentido.
Achas que vai sobreviver, Pilar?
Tenho cara de m�dica?
�gua.
Vais arranjar problemas at� ao �ltimo minuto.
�gua.
�gua?
Est� ali.
Acabar�s por te cansar de vigiar.
�gua.
Em Sevilha n�o, Susana.
O Montalban vai desenhar o teu vestido em Madrid, como deve ser.
O Montalban � antiquado, m�e.
Mas � ele que veste toda a corte.
Exceto sua Majestade.
A rainha nasceu na Esc�cia, tem gostos diferentes.
Fidel?
Fidel, conheces o Montalban?
Queres ver o cat�logo?
Desculpe, Sra. Manuela, mas n�o tenho tempo, tenho de ir.
Estou a preparar o curso de amanh�.
Que curso?
O curso das enfermeiras auxiliares. O teu pai falou nisso hoje,
mas andas com a cabe�a no ar.
- Boa noite. - Boa noite.
Porque n�o me falou o Fidel do curso?
N�o sei, filha.
Costuma contar-me tudo.
De certeza que as enfermeiras estar�o l�.
Olha, Susana...
... sabes o que significa isto?
Que j� n�o tens de te preocupar.
Quem me dera.
Ainda bem que a filha dos Osuna veio.
A m�e j� n�o sabia que fazer para lhe arranjar namorado.
Mas n�o esperava ver a Luchita Cortes.
- Nunca � tarde para aprender. Ol�! - Ol�.
Deve ser falso.
N�o sei. Faz-me lembrar o Sr. Venancio.
- Bom dia, senhoras. Meninas. - Bom dia.
Bom dia. N�o vai entrar em grandes detalhes, certo?
Se falarmos de sangue e essas coisas,
n�o sei porqu�, mas sinto-me mal.
N�o, n�o se preocupe.
Doutor,
est� pronto. Se precisar de alguma coisa, avise.
Muito obrigado, Julia.
Porque n�o ficas?
Ainda n�o tens diploma de enfermeira.
Obrigada.
Neste curso,
ir�o aprender o b�sico sobre primeiros socorros.
Assim como alguns casos que poder�o ter neste hospital.
- Prontas? - Sim.
�timo, para se familiarizarem, gostaria de come�ar com quatro conceitos b�sicos.
Que s�o
a sepsia,
a antissepsia...
Desculpem!
Cheguei atrasada? N�o sabia a que horas come�ava.
Queres juntar-te a n�s?
Posso ser �til,
certo?
Claro.
Susana, est�vamos a falar dos quatro princ�pios b�sicos.
A sepsia,
a antissepsia,
a hemostasia e a anestesia.
Tr�s.
Tr�s, sim.
Espera.
Dois, Magdalena.
Olhem s� quem � ele. Ahmed, n�o roubes os len��is. D� c�.
Vais ver o que te acontece.
Vamos ver.
Est�s um pouco quente, Ahmed.
Temos de ir ao m�dico.
Ahmed, vai brincar. Os adultos t�m de falar.
- O que se passa? - Magdalena, o Rachid foi embora.
- Como assim? Mas... - Ia v�-lo, esta manh�,
mas n�o estava l�.
J� o procurei, mas nada.
Acho que ele j� n�o est� em Melilha.
Para onde foi ele?
Para os rebeldes, � um traidor.
E os nossos ir�o disparar se o virem a fugir.
Ahmed?
- Ahmed! - Ahmed!
Ahmed, por favor!
M�dico!
Consegues pegar nele?
Um m�dico, por favor!
Por aqui.
Temos sete v�rtebras cervicais, doze dorsais
e cinco lombares.
As duas primeiras
t�m caracter�sticas muito particulares. S�o...
Doutor?
Doutor, o Ahmed.
Ele est� doente. Parecia bem, mas desmaiou.
Tem muita febre.
Guillermo, leva-o para a sala de opera��es. J� vou l� ter.
Est� bem. Vamos.
Deixam entrar aqui �rabes?
Aqui? Fazem o que querem.
N�o sei porque � que a Magdalena anda a misturar-se com esta gente.
Comeu algo que lhe fizesse mal?
Vomitou o pequeno-almo�o, esta manh�.
O que tem ele, doutor?
Bem, ele tem...
... febre,
dor de cabe�a, v�mitos e...
... o pesco�o n�o...
Bem, os joelhos tamb�m n�o.
N�o me assuste, doutor.
O que �?
Meningite.
Tem a certeza absoluta?
Fizemos uma pun��o lombar e o l�quido � turvo.
Os sintomas s�o claros.
Anda sonolento h� alguns dias, com febre, dor de cabe�a e rigidez no pesco�o.
O que sugere, doutor?
A partir de agora e at� aviso contr�rio, o hospital est� de quarentena.
Ningu�m pode entrar nem sair do hospital.
- Avise o pessoal. - Sim, senhor.
N�o me digas que n�o se passa nada, porque algo se passa.
Os �rabes chegaram a Melilha?
Voltem para a sala e esperem que os m�dicos digam algo.
Vamos embora, estou farta de tanta informalidade.
- Vou contar tudo ao meu marido. - Lamento, senhoras,
mas tenho ordens para ningu�m sair.
Sabe quem eu sou, certo?
Saia da frente.
N�o, Sra. Manuela, a Pilar n�o vai sair da�.
Lamento, mas ningu�m pode sair daqui, nem mesmo n�s.
Como n�o podemos sair?
O que se passa?
Temos um caso de meningite.
N�o deve ser grave, mas temos de evitar um poss�vel cont�gio.
Parece-me muito bem.
Fechem a porta quando sairmos. Vamos, filha.
Se sair, n�o sabe o que pode acontecer.
Basta um de n�s para come�ar o cont�gio,
e Melilha seria v�tima de uma epidemia.
� isso que quer?
E ent�o?
Pilar, tranca a porta.
- Espera que fiquemos aqui fechadas? - N�o h� outra op��o.
Teremos de fazer exames.
Que exames?
Manuela, n�o vais dizer nada?
Exijo falar imediatamente com o meu marido.
Doze batalh�es ficar�o encarregados da reconquista,
outros quatro, da guarni��o da pra�a,
e outros dois refor�ar�o as posi��es nas encostas do Gurugu.
Desculpe, general,
dois batalh�es a juntar aos que j� l� est�o?
Foi o que disse.
Se n�o se importar, tenente, vou continuar.
Duas baterias flutuantes
j� est�o no ativo em lan�as no Mar Chica.
E preparadas para partir, quatro colunas sob comando dos generais Cabanellas,
Sanjurjo, Berenguer e Tuero.
Cada uma com o seu apoio m�dico.
Se me permite, general.
Apesar da nossa equipa m�dica ter sido afetada pelos eventos de julho,
conseguimos, com muito esfor�o,
manter os n�veis de cuidados m�dicos
bem acima do m�nimo necess�rio.
Evitando as epidemias
que o massacre podia ter provocado.
Com licen�a, general.
Entre.
Desculpe, coronel. Chamada urgente do hospital da Cruz Vermelha.
� a sua esposa.
A duquesa n�o a deixa sair do hospital.
Com licen�a, general.
Sei que n�o vais acreditar, Vicente, mas eles n�o nos deixam sair.
Nada.
N�o fizemos nada. O que �amos fazer?
Tenho visitas, tenho de ir para casa.
Como posso explicar?
Chegou um mi�do com febre, um �rabe,
e quase nos contagiou a todas.
Mas que tipo de febre? Disseram-vos?
Meningite.
Como podemos ficar aqui?
E se o �rabe piora?
Manuela, por favor, acalma-te. O m�dico-chefe est� com voc�s?
- Sim. - Quero falar com ele.
Fidel, ele quer falar contigo.
Diga, senhor.
Sim, tivemos de ativar o protocolo para evitar cont�gio.
Todos podemos ser portadores, senhor.
Como deixaram o rapaz entrar?
Sabiam que estava infetado?
N�o, senhor,
Sabiam que estava a chocar alguma, mas n�o nos disseram.
E qu�o grave �?
N�o temos a certeza.
Da�, n�o querermos correr riscos. Se dependesse de mim...
... deixaria a sua esposa sair.
Se queremos evitar uma epidemia, n�o temos escolha.
Capit�o, pode passar � minha esposa?
Vicente, vais enviar um carro para nos vir buscar, certo?
N�o, Manuela, o capit�o tem raz�o. Ouve-me.
Fa�am tudo o que vos disserem, ouviste?
Vicente, por favor...
Disseste-lhe que tenho visitas?
- Vicente! - Tudo o que disserem.
Tudo!
Ele desligou.
Somarriba.
Coronel?
Envie uma patrulha para proteger o hospital
e n�o deixe ningu�m entrar nem sair.
Certifique-se de que lhes s�o enviados
suprimentos, medicamentos e tudo o que precisarem
durante a quarentena. - Sim, senhor.
O rapaz tem de ficar isolado. Quem cuidar dele tem de ter cuidado.
Todo o cuidado � pouco.
Temos de verificar todos os doentes com febre,
independentemente do diagn�stico.
Vamos examin�-los um a um.
Sim, e se tiverem rigidez no pesco�o, j� sabem.
Pun��o lombar e an�lise do l�quido cefalorraquidiano.
Se apenas apresentarem dores de cabe�a, v�mitos e sonol�ncia
tamb�m fazemos a pun��o? - Sim, � m�nima suspeita.
Em casos avan�ados,
aparecem "flores da morte", que s�o manchas por todo o corpo.
Muito cuidado com os pacientes.
- N�o queremos criar p�nico, est� bem? - Sim.
N�o podem ver-nos preocupados.
Vou ver as fichas por causa da febre.
Muito bem.
Ahmed?
Est�s no hospital.
Vamos cuidar de ti.
Tens sorte.
Tens a enfermeira mais bonita do hospital a cuidar de ti.
O que lhe disseste?
Aten��o, soldados!
Tenente Molina, Primeiro Batalh�o da Legi�o.
Trouxe refor�os.
N�o h� novidades, tenente.
T�m �gua?
Quem est� no comando, soldado?
Creio que sou eu, tenente.
O sargento foi morto ontem e...
Atirem � vontade! V�o para o fortim!
Fogo! Todos para o fortim.
Esta vai ser a nossa casa, soldados.
Algu�m tem queixas?
M�s not�cias. Estamos prestes a perder o fortim de Nador.
O tenente Molina pediu ajuda. Perdeu metade dos homens.
General?
Dev�amos enviar refor�os.
Perder o fortim significa adiar a Vingan�a.
- Haver� consequ�ncias. - Seria uma miss�o suicida.
Os rifenhos cortaram as estradas de acesso.
Com todo o respeito, general.
Quero ser enviado para combate.
Mas, tenente, acabou de chegar.
J� agora,
propus que passasse a capit�o pela sua bravura na guerra.
- Parab�ns. - Parab�ns.
Obrigado, senhor. Volto a pedir.
Quero voltar � linha da frente. Sei que...
Est� destinado a ficar no quartel.
Tamb�m pode servir o pa�s num gabinete.
� tudo, tenente.
Tenente?
Enviei uma patrulha para o hospital da Cruz Vermelha.
- A sua noiva est� l�? - Sim.
H� um surto de meningite.
O hospital est� de quarentena at� aviso contr�rio.
Parab�ns pela promo��o.
Obrigado.
N�o vais encontrar uma resposta a�, Pilar, seja qual for a pergunta.
Anda, temos muito para fazer.
Andaremos sempre com a m�scara no pesco�o e ser� colocada
sempre que tenhamos de tratar dos pacientes.
Est� bem?
Por favor, temos de ser rigorosas.
Afinal, as senhoras de Melilha v�o dormir aqui?
Que rem�dio. Teremos de dividir o espa�o como pudermos.
Julia, o Andr�s sabe disto?
Devem ter-lhe dito no quartel.
Mas vou pedir � duquesa para falar com ele.
Quer voltar para a guerra.
T�o cedo?
Sim.
N�o quero voltar a separar-me dele.
N�s vamos apoiar-te, Julia.
� para isso que estamos juntas, para nos apoiarmos mutuamente.
Quando cheguei, disseram-me que tinha morrido.
Tentei aceit�-lo.
Achei que a minha vida podia ser diferente.
At� com outra pessoa.
Outra pessoa em geral
ou est�s a falar... - � normal.
- Achas? - Claro.
J� nos aconteceu a todas,
certo?
Talvez.
Mas n�o quero que volte a acontecer quando ele for embora.
Magdalena, � o rapaz. A febre est� a aumentar.
Vamos.
Vamos ver.
Continua a aumentar.
N�o sei o que vamos fazer.
Chamamos o m�dico?
N�o podemos deixar que morra, Larbi.
N�o podemos.
Luis!
Juan.
- N�o tem pulso. - N�o!
Nada.
Est� morto.
Isto � muito estranho, Luis.
Ele chantageia a tua esposa, tu, fazes-lhe amea�as,
ele aparece ferido e, agora, est� morto?
- O que est�s a insinuar? - Eu...
Que ela o trouxe a morrer, e eu acabei o servi�o?
Est�s a envenenar-te, dia ap�s dia, e queres envenenar-nos a todos.
N�o estou a envenenar ningu�m, Luis. S� estou a constatar factos.
� muito estranho.
Quando te vi aqui, fiquei feliz.
Pensei que tinha sido obra do destino, voltarmos a encontrar-nos.
Mas gostava que nunca tivesse acontecido.
O que queres de mim?
Arruinar a minha vida?
- Estou preocupada contigo. - N�o te preocupes mais comigo.
N�o quero voltar a falar contigo.
Esquece-me.
Tenente, n�o pode passar.
A minha noiva � uma das enfermeiras que trabalha no hospital.
- Senhor, as ordens... - N�o vou entrar. Quero falar com ela.
Ouviu-me, cabo?
O Fidel precisa dos tubos de ensaio para as pun��es.
Sim, j� estou a terminar e j� tos dou.
Aqui, tenho de me habituar a trat�-lo por Dr. Calder�n.
� um pouco estranho.
Como o tratas?
Por doutor.
O que fazem aqui � louv�vel.
Passam o dia a ver sangue, pessoas a sofrer com dores.
N�o sei se aguentarei.
Tamb�m pensava assim quando cheguei.
Vais com o teu irm�o?
Vai ser transferido para o hospital de M�laga.
N�o, n�o posso.
H� muito trabalho para fazer aqui.
Eu iria com ele.
Depois de tudo, n�o conseguiria deix�-lo.
- A vossa m�e sabe? - Ele est� a escrever-lhe.
Enviar um telegrama � complicado.
Cloreto de merc�rio, a��car em p�...
Se vais ficar, estar�s c� quando casarmos.
- Suponho que sim. - Ainda n�o temos data,
mas quero que seja o mais r�pido poss�vel.
At� temos a b�n��o da rainha.
Foi lindo, n�o foi?
J� est�. Est� pronto.
Toma. Levas-lhe isto?
N�o me d�s os parab�ns?
Claro.
Desejo-te felicidades, Susana.
Julia, querem falar contigo.
- Est�o � porta. - Est� bem.
Obrigada.
Julia?
Julia, como est�s?
Bem.
Cansada. Estamos todas cansadas.
Mas n�o sabemos quando poderemos sair.
No quartel, falaram numa epidemia. � verdade?
Est�s bem?
- Julia, aconteceu-te alguma coisa? - N�o te preocupes. Estou bem.
Estamos a tentar controlar o surto.
Est� bem.
Tenho not�cias que te v�o alegrar.
Consegui que dispensassem o Pedro.
Gra�as a Deus.
Pedi ao general Ibarra...
... para voltar � guerra.
Disse-me que n�o.
Mas quero que saibas que vou continuar a tentar.
N�o sei que fazer. Talvez me aliste na Legi�o.
N�o sei.
Est�s muito calada.
Sabes que n�o quero que v�s.
Mas n�o posso pedir que deixes a tua carreira.
Amo-te.
Estarei sempre orgulhosa de ti.
Deixo-te a licen�a para dares ao teu irm�o, sim?
Promete-me que vais cuidar de ti.
Prometo.
Estique os dedos indicador e m�dio.
- Coloque-os nesta zona. - Eu?
Pressione gentilmente.
Tente sentir os batimentos.
Consegue senti-los?
Sim.
Sim, consigo.
Conte quantos batimentos sente num minuto.
Comece.
Um, dois,
tr�s, quatro, cinco... - Conte para si.
... seis, sete,
oito, nove,
dez, onze,
doze, treze...
Doutor, precisamos de si na ala dos infetados.
Temos um paciente que est�...
... muito doente.
Mas mesmo muito mal.
N�o sei em quanto ia, perdi-me.
Magdalena, distra�ste-me. Por favor.
Pratiquem umas com as outras.
Tome, Manuela.
J� volto.
Eu fa�o.
- Vamos l� ver. - Os dois.
- Aqui. - Aqui?
Sim, doutor. O Ahmed continua com febre.
De vez em quando, mexo-lhe o pesco�o e parece-me bem, mas n�o sei.
Ol�.
Fidel?
Susana, que fazes aqui?
Espera l� fora.
Porqu�, se vou ser enfermeira?
Porque � perigoso.
Vamos ficar todos infetados, certo?
Vamos todos ficar doentes, certo?
Fala baixo.
Eles est�o doentes.
Queres ser enfermeira ou n�o? Tem calma.
- Magdalena... Espera. - Susana, por favor.
Posso falar contigo?
Sim, claro.
N�o v�s o que se passa?
Foram eles que trouxeram a febre.
Eles? A quem te referes?
Vieste para cuidar dos nossos soldados.
N�o para apanhar doen�as dessa gente.
O que est�s a dizer, Susana?
Olha, Magdalena,
n�o sabes como eles vivem.
Claro que v�o ficar doentes. N�o t�m �gua em casa.
- N�o sabes como s�o os bairros. - Sei.
J� fui a casa dele.
O qu�?
- Estiveste em casa daquele... - �rabe?
Di-lo de uma vez.
�rabe!
�rabe!
- Ele consegue ouvir-te. - Claro. E ent�o?
Qual � o mal?
Chega, Susana, a s�rio. Ele trabalha aqui, como eu.
E eu estou aqui para cuidar dos doentes.
Generais, soldados, �rabes, sejam eles o que forem. N�o me interessa.
Porque sou enfermeira.
N�o v�s esta cruz, Susana?
Magdalena, por favor.
Calma. Estamos fechados h� muitas horas e estamos todos nervosos.
Anda comigo, Susana.
- A causa da morte foi confirmada? - Sim.
Envie-me o relat�rio da aut�psia
e os resultados da pun��o e das an�lises.
N�o confia em mim, coronel?
N�o � isso, senhora.
N�o tenho outro rem�dio sen�o confiar em si.
Espero que tenha no��o da gravidade da situa��o.
Acredite, aqui, n�o h� como esquecer.
Temos de ter muito cuidado ao preparar o corpo para evacua��o.
Se o surto se espalha, n�o sei o que faremos.
Continuaremos a trabalhar para ganhar a batalha contra a doen�a.
E...
... senhora, a minha...
... esposa e a minha filha est�o bem?
Sim, coronel. A resistir, como todos n�s.
Se reparar no m�nimo sintoma...
Inform�-lo-ei imediatamente, n�o se preocupe.
Obrigado.
Espero que acabe em breve para esquecermos tudo isto.
Tamb�m eu.
Espero que sim.
- Adeus. - Adeus, coronel.
� vontade, soldado. Trago suprimentos para o interior.
Vou precisar de ajuda.
Soldados, descarreguem o cami�o.
Cuidado. Isso traz seis d�zias de ovos.
Podem ir.
Levem a comida para a cozinha. Fernanda, a roupa para o quarto.
V� para quem � o qu�. E cuidado com isso!
� material m�dico. Por favor.
Est�o atrasados. Ponham isso na mesa.
P�e os vegetais ao p� da banca.
Deixa ver.
O que vou fazer com isto? Deixa ali, por favor.
Pai? O que fazes aqui?
Cala-te, v�o ouvir-te.
- Como est�s? - Assustada. O que achas?
- Deixa isso. Anda comigo. - N�o.
N�o podes ficar aqui gr�vida. E se adoeces?
Se adoecer, prefiro estar com m�dicos.
Acabei de ver um cad�ver.
- N�o percebes que � perigoso ficar aqui? - D�maso?
N�o sei como conseguiu entrar, mas n�o pode sair.
N�o estamos isolados porque queremos.
S� tu, pai.
Viste meter-te na boca do lobo.
Disseste-lhe que o Rom�n morreu?
Morreu como um p�ssaro.
N�o deu nem um pio.
Quem o trouxe aqui?
Falem.
Quem foi?
Foi voc�, D�maso?
Filha, tens muito que fazer.
O que aconteceu foi um acidente.
Ningu�m queria mago�-lo. Foi ele que causou isto.
Foi ao bar pedir-me mais dinheiro e amea�ou-me com uma faca.
Eu recusei, e ele ficou furioso. Atirou-se a mim.
Juro que me assustei.
N�o acredita em mim?
Sinceramente, j� n�o sei que pensar.
Quando o trouxe c�, ele ainda respirava.
Se quisesse que morresse, porque o traria c�?
Para ningu�m o acusar da sua morte.
Fa�a-o voc�, se quiser, tenente.
Fa�a-o.
V� dizer ao quartel o que acabei de dizer.
Isso vai ressuscitar esse infeliz? Era o que ele era, um infeliz.
S� quero saber a verdade.
E eu quero que a minha filha Raquel tamb�m n�o seja uma infeliz.
Ela n�o sabe de nada.
E voc�...
... n�o lhe vai contar...
... certo?
Vai ficar entre n�s.
Vamos cuidar dela...
... aconte�a o que acontecer.
Entre os dois.
N�o � o melhor que podemos fazer?
Fique aqui com ela.
Como m�dico, pro�bo-o de sair do hospital, percebeu?
Perfeitamente, tenente.
- Como � que reagiu? - Julia?
Foste tu?
Foi ideia tua?
O qu�?
Isto?
Dispensado?
Pelo general Ibarra.
N�o pedi nada, Julia.
Deve ter sido ele que decidiu.
N�o, diz-me que � mentira.
Olha-me nos olhos e diz-me que n�o � obra tua nem do Andr�s.
- Ent�o? - Ele n�o queria faz�-lo.
Eu convenci-o. Se queres culpar algu�m, culpa-me a mim.
Para de me tratar como uma crian�a.
Vou sair daqui, percebeste?
Vou ao quartel alistar-me para a campanha.
Pedro.
Pedro!
Deixa-me sair!
Abram a porta! Tenho de sair.
Pedro, n�o te v�o deixar sair.
O que vais escrever � m�e?
Que vais voltar � guerra? E o que � que eu lhe digo?
Que n�o tenho not�cias tuas, que n�o sei onde est�s.
Que nem sei se est�s vivo. � o que queres que lhe diga?
Ent�o, tenho de te agradecer?
� a �nica coisa que posso fazer, n�o �? Obrigadinho.
Venha, alferes. Cabe�a erguida.
Deu muito mais do que lhe era exigido.
Vai ficar triste depois da opera��o? N�o.
Sabe onde est� a Ver�nica?
Dev�amos celebrar.
Ontem, vi garrafas de xerez na cozinha.
Vamos procur�-las?
Porque quer saber da Ver�nica?
Tem-me ignorado desde que comecei a melhorar.
Porqu�?
Porqu�? N�o pergunta mais nada.
Se soub�ssemos tudo, o mundo seria aborrecido.
Ela tem namorado?
� isso?
Depende, talvez sim, talvez n�o.
Mas voc� sabe ou n�o?
Deixe ver como posso explicar, tenente.
A Ver�nica passa o dia todo comigo,
mas ignora-me.
Consigo tamb�m n�o quer estar, por isso, a� tem, claro como a �gua.
Olhe, Pedro...
... a Ver�nica gosta de si.
E acho que gosta tanto que...
... que se assusta s� de pensar.
Viu a Ver�nica?
O que est�s a fazer?
V�s como �?
N�o ver nada...
... confiar apenas no que ouves...
... na tua imagina��o.
- Era assim que me sentia. - Pedro, tenho de trabalhar.
Dizes sempre isso.
As pessoas acham-te s�ria...
... e desconfiada... - Quem?
N�o interessa.
Eu vi mais que isso.
Pedro,
vais voltar para a guerra, como os outros.
J� aconteceu tantas vezes.
Recebemos os feridos,
cuidamos deles, voltam para a guerra e depois,
vemos os seus nomes na lista de mortos.
N�o tens de te preocupar com isso.
J� n�o sou soldado.
Fui dispensado.
Mas isso � uma boa not�cia, certo?
Bom, isso quer dizer que vou embora...
... e que nunca mais me voltar�s a ver.
N�o devias ter feito isso.
O qu�?
Isto?
- Pedro. - O que foi?
Podes estar infetado.
Ou eu. Posso estar infetada e...
- Agora, tenho de trabalhar. Vai embora. - Est� bem.
Vou-me deitar.
Vai!
Eu sei que estou infetado.
Aqui tem a sopa que fiz com todo o carinho.
- V�o ver como � boa. - Muito obrigada, estou certa disso.
Vou continuar a trabalhar. Somos muitos.
- N�o cheira a nada. - Melhor.
Quanto menos coisas lhe meterem, mais seguras estamos.
O que � isto?
Isto n�o � meu.
Temos de perguntar
a todas, de cama em cama.
� pior que um orfanato. Parecemos �rf�s.
Sinceramente, olho para os len��is, para os talheres,
para as ta�as,
e pergunto-me
quem as ter� utilizado antes.
N�o vou tocar nos len��is. Devem estar cheios de �caros ou pior.
N�o digas isso.
N�o adianta queixarem-se. Teremos de passar c� algumas noites.
Que animadora.
Fazem o melhor que podem.
Deram-nos o quarto delas, fizeram-nos o jantar.
Susana, o que queres que diga? Que gosto de estar aqui?
N�o estou.
Inscreveram-se no curso de enfermeiras?
Certo?
Bom, esta � a vida de uma enfermeira.
Susana, aonde vais?
N�o parece ela.
Aplica uma compressa fria a cada hora e mede a temperatura.
Este soldado est� muito doente.
N�o deve sobreviver at� amanh�. N�o vais descansar, Julia?
N�o, estou bem. Obrigada.
Julia,
est�s bem? - � o meu irm�o.
Est� chateado comigo por causa da dispensa.
- Sei que n�o � uma crian�a, mas... - Mas?
Nada.
Desculpa, n�o devia falar disto contigo.
H� muita coisa para fazer.
Na verdade,
estive a pensar e...
... acho que � melhor parar de te ajudar.
Agrade�o muito o que me ensinaste at� agora,
a s�rio, mas...
... tens alunas novas...
... e posso encontrar outro mentor.
Outro mentor?
N�o ser� t�o bom como tu.
Sinceramente, n�o percebo. N�o sei o que quer...
Nada, n�o quero nada.
N�o � por ti, Fidel.
� por mim.
Tenho medo de...
... ser eu a beijar-te, desta vez.
Aconteceu tanta coisa ultimamente, e tu tens-me apoiado sempre.
Susana?
Que fazes aqui? Porque n�o est�s a descansar?
Est�vamos a fazer a ronda.
Sou apenas auxiliar, mas acho que devo ajudar os doentes.
Se ela pode, eu tamb�m.
Susana, h� pacientes que est�o a morrer.
A Julia tem mais experi�ncia.
Julia, vai descansar. A Susana ir� comigo.
Muito bem.
Boa noite, doutor.
O que tenho de fazer...
... doutor?
N�o sei quando receber� esta carta, m�e.
Estamos isolados.
Estamos fechados no hospital h� dias.
Os m�dicos e as enfermeiras combatem a febre.
N�o dormem.
N�o descansam.
Espero que tamb�m n�o fiquem doentes.
Sempre que perguntamos, dizem o mesmo:
"Temos de esperar."
Esperar.
E rezar para que a doen�a n�o seja t�o grave como parece.
Cada morte significa que temos de ficar aqui mais tempo.
� espera.
� uma guerra sem tiros, bombas ou trincheiras.
N�o se v� nem se ouve.
� por isso que � a mais perigosa.
Enquanto estamos aqui fechados,
os soldados preparam-se para entrar em Nador.
A Vingan�a est� a chegar.
Conheci uma rapariga.
Chama-se Ver�nica.
Ahmed.
Bom dia, pequenino. Como te sentes?
Gosto do teu cabelo.
N�o consigo entender-te.
Mas, espera. Ahmed?
N�o tens febre?
N�o tens febre! Doutor!
Doutor Calder�n?
Por favor.
O Ahmed n�o tem febre.
Ahmed.
Ol�.
Como est�s, Ahmed?
Vamos l� ver.
�timo.
Est�s bem?
Bem.
Bom trabalho, Magdalena.
Vamos verificar os outros pacientes. Se n�o houver sintomas,
direi � duquesa para reabrir o hospital.
A s�rio?
Mesmo?
Doutor!
N�o se preocupem. J� n�o h� perigo.
Que maravilha.
Sentes o cheiro a mar?
J� podemos sair. E voc�s podem entrar.
Se quiserem, claro.
N�o � maravilhoso?
De volta ao trabalho.
Vamos.
- Mas � t�o... - Anda.
Manuela, est�s bem?
- Mesmo bem? - N�o sei.
- Quando chegar a casa, vejo. - N�o me sinto muito bem.
N�o sei se foi do colch�o, mas d�i-me...
Rosario, se n�o te calas, nunca mais sairemos daqui.
Percebido? Vamos.
Prontas para ir?
Como se sentem?
- Muito bem. Certo, Rosario? - Sim.
Sim? Ent�o, vamos para casa.
J� passou.
Rosario, como est�s?
Vicente, por favor, leva-nos para casa antes que se arrependam
e voltem a fechar a porta.
- V�o para o carro. - Vamos.
- Pai! - Filha.
- Tiveste saudades nossas? - Ainda tens for�a para dar abra�os.
Vamos, por amor de Deus.
- Capit�o. - Senhor.
Bom,
descansa e rep�e as for�as.
Portaste-te bem.
Agora, sou enfermeira auxiliar. Vou voltar amanh� e quase todos os dias.
Vamos passar muito tempo juntos.
N�o sei qual de voc�s fica melhor de uniforme.
Qual dos tr�s, queres tu dizer.
N�o chores.
- N�o estou a chorar. - Era isto que querias, certo?
Sabes do teu amigo? Continua no fortim?
Sim, precisam de volunt�rios para ajudar a defend�-lo.
Est�o muitos a alistar-se.
Obrigado por tudo.
Vamos tir�-los de l�.
- E de todo o Rife, ver�s. - N�o duvides.
N�o � preciso vires comigo.
Tenho de estar no quartel daqui a meia hora.
Est� bem. Levas a carta para a m�e?
Est� aqui. Quando chegar a M�laga, envio-a.
Cuida-te, Pedro.
Pedro!
Quando a guerra acabar, voltarei por ti.
Veremos.
E se nunca acabar?
Quero que fiques com isto.
Ningu�m vai ouvir as nossas queixas.
Ningu�m quer ouvir falar de derrota.
Todos sabem qual � o seu posto.
N�o � altura para perguntas.
J� n�o h� tempo.
Soldados!
Volunt�rios para defender o fortim!
Apenas os corajosos!
Vamos!
Vamos, corajosos!
Venham!
Vamos!
As expectativas s�o altas.
- N�o podemos ter medo. - Vamos!
Chegou a hora da verdade.
- Quando acabares, mede as tens�es. - Est� bem.
Magdalena?
Magdalena, est�s bem?
O que se passa?
Estou bem.
O alferes Pedro Ballester n�o apareceu no quartel.
Como assim?
V�rios soldados disseram que viram o alferes
partir com uma unidade de volunt�rios.
Est� com muita febre.
E acabou de vomitar.
- Est� infetada? - Ainda n�o sabemos.
O general Ibarra concordou comigo. Ir� para a linha da frente
para cuidar dos feridos.
Se me pedirem para ir, vou. Tu tamb�m irias.
Isto � culpa dele.
- Ela � minha amiga. - N�o, n�o �.
Pertencem a mundos diferentes.
Quero ir para o hospital de campanha.
- Queres mesmo ir? - Quando partimos?
S� v�o tr�s enfermeiras, e uma tinha de ser a minha noiva.
Devia v�-la, noite e dia, a trabalhar como enfermeira...
N�o � enfermeira!
Queres mesmo ficar comigo?
Se algo mudou, diz-me.
Tenho de ir. Percebes?
Legendas: Joana Miranda
:: Ressincroniza��o ferneiva ::
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