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Julia.
- O que sucedeu? - Tomaram Selouane.
A Pilar e o Luis iam a caminho. N�o sabemos nada.
O que fazemos?
Prepara-te para correr.
Vamos!
O Andr�s queria que o esquecesses. Pediu-me que to dissesse.
Tens de o esquecer, Julia.
Temos de sair daqui. Temos de encontrar uma maneira.
Parece que algu�m j� encontrou.
Major.
Nunca viu um mu�ulmano a rezar?
- Larbi. - Como?
� o meu nome. E o seu � Magdalena.
Pilar, o teu pai e o teu irm�o proibiram-me de casar contigo.
Passei oito anos a odiar-te.
Est�o bem. N�o t�m nada.
Tragam assist�ncia e o dr. Calderon. Temos um ferido.
Trouxeram o chefe do teu regimento, o major.
O Andr�s morreu por causa dele.
Juro que vou vingar a sua morte.
Filho da puta! Querias entregar-nos, traidor!
O que faz?
- Pare. - Largue-me.
Esse homem fala verdade. Quis entregar-nos ao inimigo.
Que enviem um carro e levem estes soldados presos.
- Porqu�? - Por insurrei��o.
- N�o fizeram nada. - Insurrei��o.
N�o deixarei que nada te aconte�a.
Entregam-no para cuidarmos dele e o que acontece?
Luis, meu amor! Eu a pensar que o beb� j� n�o tinha pai.
� a minha mulher.
Se pudesse, ajud�-la-ia.
Sabe o que pensei a primeira vez que o vi? Que era um arrogante.
Fidel.
Todos t�m pressa de nos ver casados menos tu.
J� n�o me amas?
Quero tirar uma pessoa de Melilha.
Posso pagar.
- N�o chega. - Deixem-me.
- Quero isto. - N�o.
- Isto, menina. - Deixem-me.
Sente um zumbido nos ouvidos e uma sensa��o de vertigem?
N�o conta a ningu�m?
Promete que faz exames?
J� disse que n�o.
Meninas, um dos doentes n�o est� bem.
E se pusermos o cad�ver na cama do meu irm�o
e levamos o meu irm�o para a ambul�ncia?
N�o.
Pedro, sou eu.
Ol�.
� o �nico que me resta.
- V�o. - Obrigada.
Saiam da�.
� a �nica forma de salvar um homem inocente.
Sabe o que me acontece se descobrem?
Parem!
N�o, por favor.
- Alto! - V�o pensar que me ajudaste.
O qu�?
- N�o. - Alto a�!
N�o.
N�o.
Pedro!
Pedro.
UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX
TEMPOS DE GUERRA
Enfermeira.
Que disparos foram aqueles ontem?
O alferes foi apanhado a tentar escapar.
Espero que estejam bem Bem, que n�o seja grave.
- Chamar um m�di... - Magdalena, cala-te.
- Bom dia, duquesa. - Coronel.
Duvido que seja. Mandou-nos chamar.
- Como est�o? - V�o ver.
Onde est�o os feridos?
No calabou�o. Somarriba, acompanhe o m�dico e as enfermeiras.
- N�o � necess�rio. - Acompanhe-os.
Sigam-me, por favor.
No calabou�o? Est� a brincar?
Uma tentativa de deser��o parece-lhe brincadeira?
No seu hospital e com a sua ambul�ncia.
N�o, mas, pelo que vejo, o senhor j� ditou e executou a senten�a.
Tem uma no��o muito peculiar de justi�a, coronel.
Senhora duquesa, tem muitas explica��es a dar.
Acredito que ser�o todas convincentes.
Por favor.
EPIS�DIO 3 "PROMESSA DE SALVA��O"
- Julia, est�s bem? - Vieram, gra�as a Deus.
O que te fizeram?
Estou bem. Levou um tiro na perna
e bateu com a cabe�a.
N�o devia ter-vos deixado sair. Podiam estar mortos.
Teria sa�do de qualquer forma.
Doutor...
... fique com as enfermeiras.
A menina vem comigo.
E o condutor da ambul�ncia.
- Calma. - Soldados.
Lamento.
Vai ficar tudo bem, Julia.
N�o te preocupes.
- Respire. - N�o vejo bem, doutor.
- N�o vejo bem. - Olhe para aqui.
- Aqui. - N�o.
O irm�o tentou escapar...
... e chegou ao porto.
Numa ambul�ncia do hospital.
Creio que ficou bem claro. N�o � preciso voltar a repetir.
- E com ajuda? - O Larbi n�o faz nada.
Ele pensou estar a levar um ferido acabado de morrer.
Ao dar-se conta, confrontou o meu irm�o.
Da� a ferida na cara.
Foi como a menina diz?
- Sou a �nica respons�vel. - N�o estou a falar consigo.
Se pensava levar um cad�ver,
porque foi para o porto, em vez de ir para a morgue, onde o esperavam?
Porque o obrig�mos.
Obrigaram-me, senhor.
� assim que agradece a confian�a que o ex�rcito depositou em si?
- � verdade. - Disseram-lhe para se calar, menina.
Se vai usar esse tom, ficamos por aqui.
Quero esclarecer este assunto, mais do que ningu�m.
Tem no��o do qu�o grave �?
- Uma enfermeira ajuda um preso a escapar. - � irm�o dela, meu Deus.
Ia ficar � espera que o fuzilassem?
Ele atacou um superior.
Um her�i de guerra.
O que fez � inqualific�vel.
H� de pagar.
Ser� julgado por um tribunal militar.
At� l�, ficar� encerrado no calabou�o.
Tal como a menina.
A menina n�o est� sob as suas ordens. N�o permito que a detenha.
Tem de responder pelos seus atos.
Com certeza. Perante a rainha e perante mim.
Ent�o que venha a rainha pessoalmente.
- N�o tenho problema em cham�-la. - Ent�o, chame!
Chame-a!
Enquanto militar, obede�o unicamente �s ordens dos meus superiores
e eles obedecem ao Minist�rio da Guerra.
Uma senhora enfermeira n�o vai presa.
Assegure-me que n�o volta a acontecer.
Ningu�m lhe pode assegurar nada, coronel.
O futuro de Melilha est� por um fio.
Nunca deviam ter vindo para aqui.
Nunca.
O que aconteceu � prova disso.
� motivo mais do que suficiente para serem mandadas embora.
Tente.
Farei o mesmo consigo.
O Larbi n�o fez nada de mal. Porque o despedem?
Consegui que n�o o prendessem. Parece-lhe pouco?
Julia.
Como est� o meu irm�o?
A ferida na cabe�a provocou perda de vis�o.
O que quer isso dizer?
Pode ficar cego?
� cedo para saber.
Farei o poss�vel para o evitar.
Devia descansar um pouco, n�o acha?
Para o meu escrit�rio. Imediatamente.
O que aconteceu? V�o mand�-las para o continente?
N�o sei.
Espero que n�o.
Do ponto de vista m�dico, claro.
Pela boca morre o peixe.
Rapazes.
Eu deixei que levassem o irm�o.
Eu n�o disse nada.
Tens-te metido em muitos sarilhos por causa dela.
Por quem?
Ent�o, Fidel.
J� nos conhecemos h� muito tempo.
N�o estamos na faculdade.
A enfermeira. Ningu�m est� a dizer que n�o � bonita.
Claro que � bonita.
E tamb�m tem talento, o que � importante na nossa �rea.
� pior do que pensava.
Ent�o, Casanova.
Lembra-te de que tenho noiva, a Susana...
E gostas muito dela e �s um homem fiel, claro.
Afinal sempre � verdade que me conheces.
Mas n�o lhe enfiaste o anel no dedo, apesar de ela querer.
Luis.
N�o confundas a minha situa��o com a tua e da Pilar.
Ai, o caralho.
Pois, talvez seja isso. Talvez esteja confundido.
Precisamente por isso, deixa-me dar-te um conselho.
Pensa no que fazes.
Pode ser que te cases com uma mulher de quem gostas muito...
... mas que n�o amas.
Um dia d�s contigo a tentar ser fiel
e a evitar ser um traidor, uma pessoa odiosa.
D� Deus nozes a quem n�o tem dentes.
Guillermo, quero a tua opini�o.
A minha opini�o?
Sim.
Profissional.
Profissional, claro.
Pois, claro.
Estou c� para isso. Diz.
No que me diz respeito, nunca entrou no comboio.
N�o � enfermeira. N�o tem forma��o.
N�o h� raz�o para permanecer neste hospital.
Se n�o estiver no hospital...
... o coronel expulsa-me da cidade.
- O meu ir... - O seu irm�o fica preso
at� ao julgamento.
Por favor, senhora duquesa.
Quero retribuir o que fizeram por mim.
Deixe-me cumprir a minha promessa.
- H� muito que fazer no hospital. - T�m mesmo mais a dizer?
N�o lhe nego cama e comida enquanto ficar.
Mas dispa o uniforme, j�.
E voc�s...
Voltem ao trabalho.
Lamento.
N�o sei que diga.
� melhor n�o dizeres nada.
Querem um gole?
Acho que tenho aqui o frasco.
Talvez seja o dia de apanharmos uma bebedeira a s�rio.
Vou trabalhar.
A duquesa pensa que s� vim pelo meu irm�o e o Andr�s.
Est� enganada.
Queria ser enfermeira.
Antes disto acontecer,
queria ser enfermeira.
E agora dificultei-vos a vida a voc�s e ao meu irm�o.
- O Larbi foi despedido. - N�o.
O que sucedeu ao Larbi foi culpa minha.
Eu convenci-o a ajudar-te.
Tenho de falar com ele. Tenho de lhe pedir desculpa.
Aonde vais?
N�o deixes que a duquesa ou a Pilar saibam.
- Magdalena, tem cuidado. - Sim.
Perd�o. Desculpem.
N�o compreendo.
N�o quero comprar. Estava a s� ver.
Muito obrigada, mas...
Estava s� a ver.
- Espanhola? - Sim.
Mas n�o.
N�o, a s�rio. Agrade�o, mas n�o.
N�o sorria. Se sorri, pensam que quer comprar.
Espera um momento?
- Um presente. - N�o devia.
Sukran.
Est� a aprender.
Tive um bom professor.
Mulheres sozinhas n�o podem andar sem hijab.
As mulheres n�o saem sozinhas.
Em Espanha, andam?
N�o, em Espanha tamb�m n�o.
S� � missa.
� destemida. O que faz por aqui?
Estava � procura da sua casa.
Disseram-me que morava por aqui.
Sim, moro aqui perto.
Mas estava � minha procura?
Queria falar consigo.
Lamento muito.
Seria uma honra se aceitasse vir a minha casa.
Posso oferecer-lhe um ch� marroquino.
Tagine.
� como o pote onde se faz o cordeiro.
Cheira bem.
�...
... bonita, a sua casa.
Vivo aqui com a minha m�e e com o meu primo Abdala.
O Ahmed est� na escola.
� importante estudar.
Para encontrar um bom trabalho quando for mais velho.
� uma casa humilde.
N�o temos muitas coisas.
Deve ser muito diferente da sua.
N�o?
Sente-se, por favor.
Est� um pouco quente...
... mas sabe bem.
- Bem, n�o sou muito de ch�. - N�o gosta?
Coma um doce.
Fez a minha m�e.
� melhor do que o ch�.
Sabe a...
... massap�o.
Massap�o.
N�o � espanhol.
Massap�o � �rabe.
H� muitas coisas que nos unem.
Mesmo que haja quem n�o queira ver.
Lamento o que aconteceu.
Ficou sem trabalho por minha causa.
Ningu�m me obrigou, menina.
Sabia que era arriscado.
A culpa n�o � sua.
Chama-se hijab.
� um s�mbolo da nossa religi�o.
Quer que lhe mostre como se p�e?
A cor assenta-lhe bem.
Lamento, mas tenho de ir.
� tarde e a duquesa n�o sabe que sa�.
Nem sequer devia ter vindo.
Lamento se a aborreci...
N�o. Desculpe.
N�o sei se ficou com a impress�o errada,
mas estou comprometida. Vou-me casar.
� um homem de sorte.
Vai ter uma boa esposa.
Que sejam felizes.
Barka Allahu Feekum.
Que Al� vos bendiga.
Pois, vou-me embora.
Deixe-me...
... acompanh�-la.
- As ruas s�o muito perigosas, menina. - N�o.
� melhor ir sozinha. Vim sozinha e n�o aconteceu nada.
H� muita gente na rua. Adeus, Larbi.
Ol�, menina.
� o Abdala.
O meu primo.
� uma das enfermeiras do hospital.
Vou falar com a duquesa.
Tentarei que recupere o seu trabalho.
Inshallah.
Despediram-te do trabalho, foi?
Isso � assunto meu.
Sabia que ia acontecer.
Nunca me escutas.
A contus�o pode ter afetado o nervo �tico
ou pode ter provocado uma hemorragia interna que o esteja a pressionar.
Portanto, se a hemorragia � absorvida, recupera a vis�o.
Oxal�, porque, se n�o reabsorve,
pode ser perigoso. Pode causar uma embolia.
Porque n�o remover o co�gulo?
Sabes porque te segui?
Porque te aborreces sem mim.
Tens mais coragem do que eu.
E que o Luis e os m�dicos que conhe�o.
Tu chamas-lhe coragem. H� quem lhe chame loucura.
Uma coisa vai com a outra. Dizia a minha m�e.
Uma mulher s�bia.
Quero que trates o alferes.
Se algu�m lhe pode devolver a vista, �s tu.
Levas a Ver�nica contigo.
Se me pedes assim, n�o posso dizer n�o.
Apesar de eu raramente dizer n�o.
Sou mais rejeitado do que rejeito.
J� agora, n�o � coragem.
S� sei que, por vezes, n�o h� nada a perder, amigo.
Bem, se vir o Dr. Garc�s,
lembre-lhe que tem de levar as an�lises ao laborat�rio.
Desculpe.
- N�o queria aborrec�-lo. - Pelo contr�rio.
Julia.
Pedi ao Dr. Sanesteban que cuidasse do seu irm�o.
� oftalmologista de forma��o e creio ser o melhor para o problema dele.
Obrigada.
N�o s� por isto, doutor...
Tamb�m por n�o me ter denunciado. Podia arranjar sarilhos.
� um homem bom.
A sua noiva tem muita sorte.
N�o estou comprometido.
Vou supervisionar o p�s-operat�rio.
Quer aprender?
J� n�o sou enfermeira.
A duquesa proibiu-me.
S� fico uns dias em Melilha, at� saber o que vai ser do meu irm�o.
Menos mal.
Por onde tens andado?
Na cozinha. A tratar da ementa da semana.
Meu Deus. N�o h� maneira de manter isto limpo.
Magdalena.
O que foi?
Quando o teu marido estava vivo,
o que sentias por ele?
O que havia de sentir? Gostava dele.
Era boa pessoa, bem-educado...
... atencioso.
Sim, mas...
... quando pensavas nele, n�o sentias...
... um aperto na barriga? Como...
... um calor a percorrer o corpo?
Bem, o meu marido era...
... um cavalheiro.
E com o Luis? N�o sentias?
Magdalena, com o Luis n�o me lembro. Foi h� muito tempo.
N�o estar�s a ficar com saudades...
... do Daniel?
N�o, Pilar.
Eu e o Daniel, nunca...
Quero dizer, um beijo, o normal, claro. Mas n�o...
O Daniel � um homem muito bom e bem-educado
e atencioso.
Ent�o, qual � o problema?
N�o h� problema nenhum.
Era simples curiosidade.
Vamos?
Sim.
Acha que podemos prescindir de uma enfermeira?
N�o vou prescindir de nenhuma.
- Fala da Julia Ballester? - Sim. Sei que n�o tem forma��o...
Eu encarrego-me das enfermeiras. Era esse o acordo.
- Com certeza. Era apenas uma sugest�o. - Coloque-a na caixa das sugest�es.
Duquesa, temos falta de pessoal. Podia dar-lhe uma oportunidade.
J� dei. Ela escolheu fugir e mentir-nos.
Tem de valorizar o que est� a perder. Menina, as toalhas.
Que pense no que quer fazer. E depois...
... veremos. Desculpe, tenho tarefas pendentes.
Claro.
Pilar, finalmente.
Desculpa. N�o te vi a manh� inteira.
Talvez porque estou a evit�-lo.
N�o precisas de ser t�o sincera. Um "bom dia" chegava.
N�o sou dissimulada. Queria algo, doutor?
Queria saber como estavas.
Depois do que aconteceu, pensei que te enviassem para casa.
A duquesa defendeu-nos.
Podias ter confiado em mim. Eu podia ter ajudado.
- Confiar em ti? - Sim, confiar.
- Costumavas confiar em mim, lembras-te? - Sim, exatamente. Costumava.
Quer algo mais, doutor?
Podes parar de me tratar por voc�?
Melhor ainda, posso parar de te falar.
Fant�stico. Agora vai ser assim?
- Doutor, enfermeira... - � o que somos, n�o?
N�o foi o que contaste � tua mulher?
Tenho que fazer.
Pilar?
N�o fale sen�o � pior.
Pilar?
Sen�o � pior.
- Pilar. Est�s bem? - Sim.
Deixei cair umas coisas. N�o entre, doutor.
- Diga-lhe que n�o entre. - N�o entra.
Tenha calma.
Calma. N�o entra.
N�o entres, Luis.
J� est�. J� se foi embora.
Olha, tenho este anel.
� muito caro. Leva-o, mas deixa os medicamentos, por favor.
Precisamos deles. N�o, por favor, dou-to.
Tira-o.
- Duquesa? - Sim.
Duquesa, por favor.
O que aconteceu?
Pilar.
Fomos roubados.
Devia ter tentado det�-lo.
Pilar, o homem estava armado.
Eu sei, mas roubou muitas coisas.
- Como vamos tratar dos feridos? - Teremos de improvisar.
Na frente n�o havia nada e aguent�mos. � uma quest�o de engenho.
- Engenho? - Isto vai arder.
Posso?
Trouxe um caldo para a Dona Pilar.
Para dar for�as.
N�o se preocupe. N�o foi nada.
Obrigada, doutor.
De nada.
Coitadinha.
N�o ganha para os sustos.
- Sim. N�o entrei com o p� certo. - Pois n�o.
Ainda vou ter de come�ar a preocupar-me com o meu marido.
Como assim?
Sempre que lhe acontece algo, ele est� por perto.
Sim.
Contou-me que tinham estado juntos.
Antes de entrar no armaz�m.
Sim.
A falar sobre um doente.
Claro.
Devia ter entrado consigo no armaz�m.
De certeza que teria enfrentado o ladr�o.
� t�o nobre.
Muito nobre, sim.
Quando fiquei gr�vida,
todos pensavam que me ia deixar a criar o menino sozinha. Nada disso.
Cas�mo-nos.
Sabe o que fez?
Convidou a minha fam�lia toda para a boda.
Gastou um dinheir�o.
Parecia que estava ainda mais feliz do que eu.
Tive sorte.
Muita.
N�o tenciono deix�-lo escapar.
Se precisar do que quer que seja, estou na cozinha.
Quem est� a�?
Sou a Ver�nica, enfermeira do hospital.
Lembra-se de mim?
Se conseguisse v�-la, decerto a reconheceria.
A minha irm�?
- Como est�? - Est� bem.
Sou o Dr. Guillermo Sanesteban.
Descontraia, por favor.
A enfermeira tem de trocar a ligadura da perna.
Est� no hospital? Prenderam-na?
N�o se preocupe. A Julia est� bem.
Quando voltarei a ver, doutor?
� normal que doa. Foi um impacto grande.
Mas quando voltarei a ver?
Em breve.
Antes do que pensa.
S� diz isso para me animar?
N�o. � verdade.
N�o estou aqui para contar hist�rias.
Est� bem. N�o fique assim.
Acredito. Quero acreditar.
Est� em boas m�os, Pedro.
H� dois anos que trabalho com ela
e nunca a fiz sorrir assim.
Diga-me, doutor.
Como �?
Muito bonita.
Que pena n�o a ter conhecido antes de ficar assim.
Nada � imposs�vel.
H� que ter f�.
- Ver�nica, pensa... - Doutor.
Desculpe.
Sei que viu o meu irm�o.
Como est�?
Bem,
o melhor poss�vel, encerrado numa cela e sem poder ver.
D� para imaginar.
Mas est� de bom humor... Quem me dera a mim.
Se fosse eu, passava o dia a chorar pelos cantos.
Mas claro, n�o sou como ele.
Nesse sentido, claro.
Com licen�a, tenho de ir.
S� lhe mud�mos a ligadura.
Dos olhos est� na mesma.
Temos de esperar.
Obrigada.
Julia.
Fomos roubados.
Roubados? Roubaram o qu�?
Embalagens de gazes,
talas,
todas as compressas...
... alguns frascos de farm�cia,
medicamentos,
estojos de primeiros socorros...
Aponte... seringas,
estetosc�pios, candeeiros de vela,
de petr�leo,
jarras, recipientes...
Levaram tudo.
Quase tudo.
Para n�o falar do que levaram dos dormit�rios.
As joias, uma caixinha que tinha com recorda��es.
A morfina s� d� para dois ou tr�s dias.
Vou enviar um telegrama para mandarem mais no pr�ximo barco. At� l�...
... aguentamos.
Pod�amos pedir aos outros hospitais.
Pod�amos recuper�-la no mercado negro.
Sugere pagarmos pelo que � nosso?
Seria um incentivo para sermos roubados no dia seguinte.
Concordo, mas n�o podemos inventar morfina, duquesa.
Dar-lhes-emos banhos frios.
H� feridos que n�o dormem com as dores.
Sem morfina, n�o os acalmamos.
Ent�o, temos de fabricar comprimidos com os compostos que temos
e dar-lhes muito �nimo. Magdalena, a higiene tem de ser perfeita.
E a limpeza.
Quando a morfina acabar, vai-me dar raz�o.
- O doutor quer ajudar? - Estou a tentar.
Diga aos seus superiores para duplicarem as medidas de seguran�a. � claro?
� �bvio que n�o temos a simpatia dos rifenhos.
N�o sabemos se foram rifenhos, senhora duquesa.
Quero dizer, n�o s�o todos iguais.
N�o dev�amos falar como se estivessem todos metidos nisto.
Sou a primeira a pensar que n�o se deve generalizar, querida.
Mas a Pilar viu os rostos deles e descreveu-os pormenorizadamente.
- Devia ir depor. - Ir�.
Em tempos de guerra, deve haver mais do que um rifenho de cicatriz na cara.
Uma cicatriz?
Chega de falar dos ladr�es. Vamos centrar-nos nisto.
Precisamos urgentemente de gazes, ligaduras e...
Senhora duquesa.
Desculpe, n�o me diz respeito, mas...
... ligaduras s�o tecido, n�o?
Podemos n�o ter tudo, mas tecido temos muito.
O que faz aqui?
Vim recuperar o meu trabalho.
- Talvez falando com a duquesa. - Pois, com a duquesa.
Desejo-lhe boa sorte.
Desculpe.
Aborreci-a com o v�u.
N�o � por causa do v�u.
Bem, tamb�m, mas... Olhe...
N�o sei se esteve metido, mas � melhor ir-se embora.
- Metido em qu�? - Esta manh� assaltaram o hospital.
N�o sabia?
N�o, n�o sabia.
Levaram muito?
N�o temos ligaduras nem medicamentos.
Estivemos quase a encerrar o hospital.
Sem contar com os objetos pessoais,
as nossas �nicas lembran�as.
E pensou que tinha sido eu?
A Pilar viu o teu primo.
O Abdala?
- Viu o Abdala? - Eu n�o, a Pilar.
Ela n�o sabe quem �, mas eu sei.
N�o haver� muitos rifenhos com aquela cicatriz.
Abdala.
Abdala.
Abre a porta.
Abre a porta.
- Onde est�o os medicamentos? - De que falas, primo?
Afasta-te da porta.
N�o acreditas? A menina falou contigo, n�o foi?
Acreditas mais numa espanhola do que em n�s.
Somos a tua fam�lia.
Ouve bem.
Se abrires isso, n�o voltas a entrar aqui. Ouviste?
O que fizeste ao resto das coisas?
A roubar s� fazes com que te chamem ladr�o.
V�o chamar-nos ladr�es a todos.
Vais denunciar-nos?
N�o h� sobras de medicamentos nos outros hospitais, duquesa.
Eu sei.
Quando a mercadoria chegar, devolvemos. Precisamos de morfina com urg�ncia,
de clorof�rmio, de fenol. - Pe�a � rainha para mandar.
Vai mandar. Mas o carregamento s� chega na pr�xima semana.
Senhor, a situa��o � realmente cr�tica.
Nem o hospital nem eu podemos dar o que n�o temos.
- N�o tem medicamentos? - N�o que cheguem para partilhar.
Voc�s partilharam os vossos produtos com os outros hospitais de Melilha?
Como?
Desculpe.
N�o quero que leve isto a peito.
- N�o? Ent�o como quer que fa�a? - Senhora duquesa,
est�o na mesma situa��o que as outras pessoas. A sobreviver, nada mais.
N�o tenho mais nada a acrescentar.
Senhores.
Coronel.
Decide sempre a pensar no que � melhor para os seus homens.
Mas isto � pessoal.
� pessoal?
Capit�o, aconselho-o a medir bem as suas palavras.
Esteja atento �s consequ�ncias se n�o...
Sim?
Sim, general, est� tudo pronto.
Estamos s� � espera da sua autoriza��o para o processo sum�rio
solicitado pelo major Silva.
O alferes chama-se Pedro Ballester.
Est� tudo pronto.
Em menos de 24 horas.
Espero que sim, senhor.
Tamb�m tem algo a dizer a respeito a isto?
N�o, senhor.
Ol�.
N�o sei o que se passou, mas bom n�o foi.
Afirmativo. Prefiro n�o falar.
� o roubo? A minha m�e contou-me.
Entre outras coisas.
Nem ligaduras temos
e o teu pai est� mais interessado na querela pessoal com a duquesa.
Realmente, prefiro n�o falar.
Queres que fa�a algo?
N�o serve de nada. Sabes como �.
Tenho de ir.
A ideia era boa, tenente,
mas estamos nisto h� horas e ningu�m responde.
Ocorre-te algo melhor?
N�o vou desistir.
Talvez dev�ssemos aceitar que n�o volta a ver a sua noiva
e eu o meu filho.
Viram-me.
O qu�?
Est�o a responder.
O que dizem?
Espera.
Est�o no Monte Harcha.
Diga que estamos presos.
Eu fa�o.
Esperem! N�o o levem.
Quem � esta?
A minha noiva.
Est� em Madrid.
R�pido, por favor, um m�dico.
Os rifenhos deixaram-no �s portas da cidade.
Sigam-me.
H� quanto tempo est� inconsciente?
N�o sei. S� se sabe que foi encontrado a vaguear pela cidade,
a delirar.
Luis.
O que fazes? H� pessoas que precisam de descansar.
Estava a tirar o p�.
Posso ter de a utilizar.
Isto est� a ficar feio.
Temos de falar...
Ias sentir-te mais protegida se aprendesses a utiliz�-la.
Aqui n�o h� seguran�a.
- Queres experimentar? - O qu�?
Pega. N�o � nada de mais.
Vamos. Aponta.
Agarra com for�a.
O dedo no gatilho.
Boa.
Muito bem. Sempre preparada, sim?
O bra�o firme.
Mas relaxa o ombro.
Muito bem.
Aponta a cabe�a do canh�o ao alvo.
N�o dispares at� estares certa.
- Luis, tens de falar com a Raquel. - O qu�? Baixa a arma, por favor.
- Diz-lhe que j� fomos noivos. - N�o. N�o o farei, Pilar.
J� fal�mos sobre isto. Est� gr�vida. N�o quero que se preocupe.
Saber� por outras pessoas e vai ser muito pior.
N�o o farei, Pilar. N�o quero. N�o percebes?
O qu�?
Casaste com ela porque a engravidaste?
- Porque n�o me disseste? - Tentei...
... mas bateste-me. - � isso.
N�o teria mudado nada.
Vai ter um filho meu.
Tens raz�o. N�o teria mudado nada.
N�o mudou o que sinto por ti.
O qu�? O que queres? Uma mulher e uma amante?
Ent�o, Pilar.
Sabes que jamais te veria como uma amante.
Ainda bem, porque n�o sou.
Se lhe contar, � como...
... admitir que entre n�s nada vai acontecer.
Nada vai acontecer.
N�o gosto de ti.
Est�s a mentir.
- No outro dia, beij�mo-nos. - Beijaste-me tu.
Beijaste-me tu.
Pilar, por favor. Olha para mim.
Diz-me que entre n�s acabou.
Lamento.
Doutor, quem resiste, ganha.
E n�s vamos resistir, at� ao fim.
Julia.
- Est�o � minha espera... - � importante.
Tenho not�cias do seu irm�o.
� perigoso, Raquel.
N�o viste o que aconteceu? E est�s gr�vida.
N�o, Luis. N�o me vou embora.
Est� bom para o lixo.
N�o sei que comida dar a esta gente.
E para onde vou?
Como assim? Vais para casa e descansas.
Como vai para casa sozinha?
O hospital n�o � seguro depois do que aconteceu.
E em casa est� em seguran�a?
- J� viu a cidade? - O meu pai tem raz�o.
At� me assusto com as ruas cheias de rifenhos.
� um hospital.
Podes apanhar sabe-se l� o qu� e, no teu estado, n�o conv�m.
A maioria s�o feridos de bala.
- H� infeciosos. - Poucos.
E ela n�o se aproxima dos doentes.
N�o v�s que prefiro estar aqui contigo?
Sinto-me bem mais segura.
Tens de descansar mais. Ontem tinhas a tens�o muito baixa.
� como a m�e.
Trabalhou at� ao dia do parto. No dia seguinte j� estava a p�.
Se ficar cansada, paro, mas n�o quero ficar de bra�os cruzados.
N�o sou assim, querido. Tu sabes.
Com estas batatinhas e com os legumes, temos um bom pur�.
Estou bem, a s�rio. N�o te preocupes.
Est� bem. Como queiras.
Isto n�o vai acabar bem.
- O que quer dizer? - Como? Estou a falar dos legumes.
N�o est�o muito bons.
Lembra-se do que lhe disse quando engravidou a minha filha?
Sim.
Ou me comportava como um homem ou enfrentava a sua pistola.
� isso mesmo.
A pistola continua aqui.
Pai, s� lhe pe�o que pense nisso.
J� disse que n�o. Acabou-se a conversa.
O que se passa?
A duquesa veio com mais exig�ncias. � o seu passatempo preferido.
Ficaram sem material.
Parece que houve um assalto. Roubaram ligaduras,
instrumentos, medicamentos...
N�o pe�o pela duquesa, pe�o pelo Fidel.
Como v�o continuar a trabalhar?
Boa pergunta.
Agora v�o saber o que � manter um hospital militar de guerra
sem ajuda de sua majestade.
A atitude decente seria dar-lhes uma m�o.
Com o esfor�o que fazem essas mulheres.
Tenho as m�os atadas, Manuela. N�o posso. Que sofram.
Como todos n�s sofremos.
� assim que trata o meu futuro marido?
Para que lhe chames isso, primeiro tem de te pedir em casamento.
E por enquanto...
... esse momento n�o chegou.
Mas vai chegar.
N�o te preocupes, querida.
A compreens�o n�o � o forte do teu pai.
Mas n�o vamos ficar de bra�os cruzados.
Confia em mim.
Este tipo de processo n�o requer provas nem contesta depoimentos.
O m�nimo para ditar uma senten�a.
Tenho que impedir que o condenem.
Nunca desiste, n�o �?
Apanhei um comboio para Melilha sem bilhete,
sem diploma de enfermeira e sem apoio da minha fam�lia,
com um �nico objetivo.
Encontrar o meu irm�o e o meu noivo.
Perdi um deles, mas enquanto o meu irm�o estiver vivo, n�o,
n�o vou desistir.
� corajosa, Julia.
E isso � o mais importante para ser enfermeira.
Pensei que fosse ler o manual.
Raquel, podes parar? Quero falar contigo.
N�o. N�o v�s que n�o posso parar?
Como posso parar com tudo o que h� para fazer?
- Sim. - Lavar as garrafas, varrer,
lavar os copos... - Est� bem. Sim.
- O meu pai ainda n�o veio... - Podes ouvir, por favor?
- Raquel. - O que � assim t�o importante?
N�o. N�o � importante. Mas � uma coisa...
� sobre...
O qu�?
� a Pilar.
Qual Pilar?
Como qual Pilar?
Pilar, a enfermeira.
Pilar Soraluce?
Coitadinha.
Bem tentei, mas n�o h� como lhe tirar aquela cara de assustada.
O que tem ela?
Sim...
Ela e eu...
Sim.
Estivemos... Fomos... noivos.
H� muito tempo.
N�o te queria contar nada porque � uma altura dif�cil.
Est�s gr�vida do meu... nosso filho.
De n�s os dois. Mas...
N�o � nada de mais. Mas n�o te queria mentir, Raquel.
Como disse, foi h� muito tempo. �ramos uns mi�dos.
Cometi um pequeno deslize.
Nada de grave.
Toda a gente sabe, n�o?
Todos menos eu.
Raquel, espera.
Duquesa?
Seja direto, por favor.
Suponho que j� tenha um diagn�stico.
Na verdade, n�o. Mas n�o gosto do que vi.
Pode ser uma sarcoidose,
uma granulomatose
ou algo bem pior, duquesa.
A situa��o � grave.
Se n�o for tratada a tempo e chegar aos pulm�es ou ao cora��o...
... pode ser mortal numa quest�o de semanas.
Tudo isso n�o passa de mera especula��o.
Tem de repousar, duquesa.
Tem de repousar e temos de a tratar.
Com todo o respeito, devia avisar o seu marido...
Isso � comigo.
Submeto-me ao tratamento que me indicar,
apenas se isto ficar entre n�s os dois.
� a primeira doente que vem com condi��es.
Sabe o que far� o coronel se descobre isto?
Eu digo-lhe.
� a desculpa perfeita para nos mandar para Madrid e encerrar o hospital.
Tamb�m perderia o seu trabalho, doutor.
Cuidado.
Estou bem.
Pelos menos prometa-me que se vai repousar.
Como compreende, agora n�o � poss�vel.
Chegou a hora.
Vai para o quartel.
Depor contra o meu irm�o.
Julia.
Enviei um telegrama � rainha a pedir-lhe que intervenha.
N�o estou certa de que o fa�a.
Meninas.
Julia.
Vai come�ar e n�o podemos fazer nada.
N�o me deixam estar com ele nem v�-lo.
N�o lhe prometo nada, mas vamos tentar.
- Venha comigo. - Como?
Venha.
N�o me deixe. Se houver problema, falo eu.
Chama-se Pedro Ballester y Gomez de Rozas?
Sim, senhor.
General.
Sim, general.
Serviu como soldado no Regimento Bazan
com o cargo de alferes, sob as ordens do major Silva?
Sim, general.
Foi ferido na retirada de Annual?
Foi ferido na retirada de Annual
e foi depois transferido para o Hospital da Cruz Vermelha em Melilha?
Sim, general.
Aquando no hospital,
agrediu o major Silva, que acabara de ser admitido?
Com a sua licen�a, general.
Estava sob efeito de med...
Tentou fugir do dito hospital enquanto estava preso?
Sim, general.
- Mas... - � tudo.
Levem-no.
N�o v�o perguntar mais nada?
Aonde me levam? General, tem de me ouvir.
Sil�ncio.
As acusa��es s�o falsas. O major Silva � um traidor.
- Tentou entregar-nos. - Fale quando lhe pedirem.
Respeite este tribunal e respeite os seus superiores.
- Quis matar-nos a todos... - N�o podem tratar assim.
Julia.
- Est� ferido. - Sil�ncio.
Sil�ncio, menina, ou terei de a expulsar da sala.
Quem � a menina?
� meu irm�o.
Est� inocente. Ou�a-o, por favor.
Sente-se, menina.
O processo tem de continuar.
Acalme-se.
Ainda n�o h� not�cias da rainha?
N�o h� comunica��es?
Desde quando?
O telegrama que lhe entreguei n�o foi enviado?
Foi enviado, sim.
Mas os rebeldes bombardeiam desde a noite passada.
N�o ouviu as bombas?
Devem ter danificado a linha.
E n�o pensaram repar�-la?
N�o olhe para mim assim. N�o podemos ficar isolados. Fa�a algo!
Com a sua licen�a.
Mudar a gaze.
Pilar.
Senhora duquesa, tem not�cias do irm�o da Julia?
Vou agora ao quartel. T�m de mudar os len��is.
- Gaze. - Sim.
A ordem era resistir.
S� disparei sobre os soldados que queriam fugir.
N�o voltou a ver o alferes Pedro Ballester at� estarem no mesmo hospital?
At� ao momento em que tentou matar-me com uma tesoura.
Porque pensa ter sido atacado?
Para n�o o acusar de deser��o.
� mentira.
N�o sou desertor.
Sil�ncio, alferes. Pela �ltima vez.
Obrigado, major.
Pode retirar-se.
O tribunal ditar� a senten�a.
N�o precisamos de mais testemunhos.
O acusado que se levante.
Na pra�a de Melilha, reunidos para o processo sum�rio,
o tribunal presente...
... declara provado e regista ...
... que o acusado � culpado de deser��o e de trai��o � p�tria.
N�o!
Lamento, mas...
Era de se esperar.
Em tempos de guerra, ambos os delitos s�o punidos com a pena de morte,
que ser� executada imediatamente,
nas instala��es deste quartel.
Levem-no.
Pedro.
- Escuta. - Julia, vai-te embora.
A m�e que me perdoe.
N�o te deixo. Est�s a ouvir?
Tirem esta senhora da sala e levem o condenado.
- Levem-no! - N�o!
- Vou tirar-te daqui. - O pelot�o de fuzilamento aguarda.
Socorro! Ladr�o...
Menina, sou eu.
Vim devolver o que lhe pertence.
N�o fui eu que roubei. Juro.
Ent�o, porque a tens contigo?
Porque tinha raz�o. O meu primo era um dos ladr�es.
S� queria deix�-la aqui.
- Juro. - E n�o me ias dizer nada?
Como queres que acredite?
Como queres que confie em ti?
Como posso dizer �s pessoas que n�o tinhas nada a ver
se entras aqui assim, como um ladr�o?
N�o vais responder?
N�o me vais dizer nada, nem sequer...
... vais pedir desculpa.
Desculpe.
O alferes vai ser executado contra as ordens do governo.
Que ordens? N�o recebemos ordem nenhuma.
Pe�a ao general Ibarra que adie a execu��o at� voltarmos a ter comunica��es.
O general s� obedece ao alto comiss�rio.
A rainha deu ordens ao ministro e ao alto comiss�rio para interromperem o processo.
E a senhora...
... como sabe que tal aconteceu?
Porque sei.
Seremos todos respons�veis pela morte do rapaz.
Sobretudo o senhor.
Quer confessar-se, filho?
N�o, obrigado, padre.
Estou em paz.
Alto.
Prontos.
Senhor, a linha foi restabelecida.
Operadora.
Fala o coronel M�rquez do quartel.
Preciso urgentemente de falar com Madrid.
� urgente.
Com o general Berenguer.
� muito urgente.
Quanto tempo demora?
Quero prioridade absoluta.
� uma ordem.
� o mais pr�ximo que podemos estar, Julia.
Esquerda.
Preparar para carregar.
Armas.
Preparar. Carregar.
Preparar.
Apontar.
A postos.
Julia.
Sim?
Passe-mo.
Meu general, estou a ligar porque...
Um telegrama?
Quando foi enviado?
Alto.
Esperem.
Descansem.
Baixem as armas.
Julia.
Cheg�mos mesmo a tempo.
A execu��o foi suspensa.
Vai haver um processo normal, mas a vida do seu irm�o est� salva.
- Obrigada. - Direi � rainha que agradece.
Nada � imposs�vel.
J� sabe.
Doutor.
Divertiu-se �s minhas custas, n�o?
Quando vim para Melilha, n�o sabia que o Luis aqui estava.
Olhe, menina.
N�o a culpo de nada,
mas tente compreender.
Sou uma rapariga humilde e a menina...
... qualquer homem a preferia a si.
N�o diga disparates.
Ele gosta de si.
E quer ser pai. Est� muito contente.
Chamas antigas n�o se apagam.
Quem me diz que n�o voltam a apaixonar-se?
Saiba que no dia em que me deixou plantada no altar,
o Luis deixou de existir.
Deixou-a plantada no altar?
N�o lhe contou?
Disse que n�o foi importante. N�o me disse que...
Est� a ver.
J� me est� a enganar.
Meu Deus.
- Raquel, est� bem? - Deixe-me.
- Sente-se mal? - N�o lhe diz respeito.
- Deixe-me... - N�o me toque.
Raquel.
Deite-se.
Ajuda!
Devagar.
O que aconteceu?
Luis, por favor. N�o quero perder o beb�.
N�o te preocupes.
Temos de lhe medir a tens�o.
Luis, tem calma. Eu trato disso. � melhor esperares l� fora.
N�o, Luis. N�o me deixes.
� a minha mulher.
O meu filho.
- Pilar, por favor. - N�o.
- Luis, vamos... - Luis, n�o me deixes.
- Calma. - Por favor, n�o.
A culpa � minha. Devia ter ficado calada.
N�o! A culpa � tua porque n�o lhe disseste nada.
Boa. Obrigado.
Se algo acontecer ao beb�,
nunca conseguirei perdoar-me.
Est�o vivos.
Est�o vivos.
Est�o vivos.
Onde estou?
Estou em Melilha, n�o?
Tem de ficar deitado.
Temos de os resgatar.
Os soldados de Bazan.
Est�o vivos.
E o tenente Andr�s Pereda.
Est�o vivos.
T�m de os resgatar.
Est�o vivos.
N�o percebe?
O Andr�s tinha raz�o.
� ainda mais bonita do que na fotografia.
Conhecia o Andr�s?
Foi feito prisioneiro.
Est� vivo?
Coronel, um ferido disse-me que h� soldados presos perto de Batel.
O que lhe disse?
�s um traidor.
Com a sua licen�a, tenente.
Se acontecer algo � minha Raquel, eu e o senhor teremos que falar.
A Raquel n�o merece isto, portanto, entre tu e eu
nada se vai passar.
Nunca.
O que posso fazer por voc�s?
Tem de nos ajudar a recuperar a morfina.
O que lhe contou?
- � ele. - Quem?
O ladr�o.
N�o est�o muito longe de casa?
Vamos chamar os soldados.
Est�s a amea�ar-me?
V�o matar-nos. V�o executar-nos. N�o!
R�pido!
Duquesa.
Carmen.
Legendas: Catarina Carvalho
:: Ressincroniza��o ferneiva ::
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