Afrikaans
Akan
Albanian
Amharic
Arabic
Armenian
Azerbaijani
Basque
Belarusian
Bemba
Bengali
Bihari
Bosnian
Breton
Bulgarian
Cambodian
Catalan
Cebuano
Cherokee
Chichewa
Chinese (Simplified)
Chinese (Traditional)
Corsican
Czech
Danish
Dutch
English
Esperanto
Estonian
Ewe
Faroese
Filipino
Finnish
French
Frisian
Ga
Galician
Georgian
German
Greek
Guarani
Gujarati
Haitian Creole
Hausa
Hawaiian
Hebrew
Hindi
Hmong
Hungarian
Icelandic
Igbo
Indonesian
Interlingua
Irish
Italian
Japanese
Javanese
Kannada
Kazakh
Kinyarwanda
Kirundi
Kongo
Korean
Krio (Sierra Leone)
Kurdish
Kurdish (Soranî)
Kyrgyz
Laothian
Latin
Latvian
Lingala
Lithuanian
Lozi
Luganda
Luo
Luxembourgish
Macedonian
Malagasy
Malay
Malayalam
Maltese
Maori
Marathi
Mauritian Creole
Moldavian
Mongolian
Myanmar (Burmese)
Montenegrin
Nepali
Nigerian Pidgin
Northern Sotho
Norwegian
Norwegian (Nynorsk)
Occitan
Oriya
Oromo
Pashto
Persian
Polish
Portuguese (Brazil)
Portuguese (Portugal)
Punjabi
Quechua
Romanian
Romansh
Runyakitara
Russian
Samoan
Scots Gaelic
Serbian
Serbo-Croatian
Sesotho
Setswana
Seychellois Creole
Shona
Sindhi
Sinhalese
Slovak
Slovenian
Somali
Spanish (Latin American)
Sundanese
Swahili
Swedish
Tajik
Tamil
Tatar
Telugu
Thai
Tigrinya
Tonga
Tshiluba
Tumbuka
Turkish
Turkmen
Twi
Uighur
Ukrainian
Urdu
Uzbek
Vietnamese
Welsh
Wolof
Xhosa
Yiddish
Yoruba
Zulu
- A Julia quer ser enfermeira? - Porqu�?
Em tempos dif�ceis, temos de ajudar.
Deixem-me apresentar uma futura colega. Pilar Muniz de Soraluce
e Magdalena Medina. Tratem de se conhecer.
Eles v�o casar a 22 de novembro. �s casada?
Ainda n�o, estou � espera que o meu noivo regresse de �frica. Ele � tenente.
Se eu n�o sobreviver, diz � tua irm� para me esquecer.
Cessar fogo!
Se te queres render, n�o �s o nosso major.
- A rainha quer v�-la o quanto antes. - Ajudaremos como pudermos.
Um navio parte quinta-feira.
Ainda n�o est�o preparadas para um hospital de guerra em Melilha.
� um massacre.
O Andres e o meu irm�o est�o bem. Eles est�o bem, m�e.
Os cabilas est�o a arras�-los. Deve ser um inferno l�.
Promete-me que n�o te apaixonas por mais ningu�m.
- Que fazes aqui? - Vou ajudar em �frica.
O meu irm�o e noivo est�o l�. Preciso de saber onde est�o.
- Magdalena, j� te passaram os enjoos? - Sim, estou muito melhor.
Est� tanto calor.
Bem-vindas a Rife. Marhaba Bikum!
- Est� bem? - Sim.
Um monte de marquesas. Era mesmo o que precis�vamos.
Viemos abrir um novo hospital por ordem de Sua Majestade.
- N�o posso inventar um hospital s� pa... - Voc� serve a rainha ou n�o?
Leve estas meninas para a escola de S�o Justus.
Quando voltam os estudantes?
H� muito tempo que n�o h� aqui aulas.
Isto n�o tem condi��es para ser um hospital.
Ter� de servir. � o melhor que temos, n�o �?
Acabaram os lamentos. Agora, vamos ao trabalho.
Ao que nos espera.
Tenho quatro ambul�ncias. Precisam de cuidados urgentes.
Meninas, acudam os feridos. V�o!
Julia Ballester? Voltamos a encontrar-nos.
Pedro!
- Fico feliz por encontrares o teu irm�o. - O Andres?
O Andres ainda l� estava.
- Mas de repente... - Pedro!
- Eu procurei-o, Julia. - N�o, ele n�o est� morto.
Duquesa, enfermeiras, o doutor Luis Garces.
Oito anos sem saber nada dele e tenho de o encontrar aqui.
- N�o. - Vamos juntos ao aeroporto.
S�o ordens da duquesa.
Sai, r�pido!
- V�m para c�. - S�o momentos dif�ceis para o nosso pa�s.
Temos de estar preparados para o pior.
Estamos vivos. Infelizmente.
UMA S�RIE ORIGINAL NETFLIX
TEMPOS DE GUERRA
- S�o tr�s. - Que vamos fazer?
Luis.
Rezar por um milagre.
- Prepara-te para correr. - O qu�?
Corre!
N�o v�o enviar uma patrulha?
E se foram atacados?
Sim.
Est� bem.
Pronto. Mantenha-me informado!
N�o os encontram...
... e o oficial ferido que iam tratar
morreu com os outros em Selouane.
Acha mesmo que a ambul�ncia foi atacada?
O mais prov�vel � terem seguido esta rota.
Existem cabilas armados aqui, mas se conseguiram passar...
Esta zona est� cheia de bandidos e criminosos.
O melhor s�tio para enviar uma ambul�ncia sem escolta. Em que estava a pensar?
� uma guerra, senhora. Espero que comece a perceber.
N�o posso enviar mais homens se n�o tenho nenhum.
- Pe�a aos seus superiores. - H� meses que o fa�o.
EPIS�DIO 2 "TODOS S�O HER�IS"
Meses a pedir mais homens, camas, medicamentos...
Entendo, mas qual � o seu plano? Que vai fazer?
- Est� melhor, tenente? - Cuidado.
Temos de sair daqui.
Temos de arranjar forma.
Parece que algu�m j� arranjou.
Comandante...
Comandante!
Aonde vai?
Acalme-se, tenente.
Acha que vai dizer que estamos aqui?
Duvido.
Doutor.
Como te sentes?
Bem-vindo de volta, alferes.
Como se sente? N�o se mexa.
N�o se esque�a, mantenha a ferida limpa,
as unhas pequenas e as m�os desinfetadas,
assim como o equipamento.
A higiene e a esteriliza��o s�o muito importantes.
Lembra-se de como lavar as m�os?
Com �gua com sab�o ou �lcool com menos de 90 %.
Certo.
E assegure-se que as enxagua em cloreto de merc�rio
ou permanganato... - De pot�ssio.
Quatro por cada mil.
Vai manchar-lhe as m�os, ent�o esfregue-as at� estarem totalmente limpas.
Obrigada.
O seu irm�o parece melhor.
Querida m�e...
... escrevo-te para te contar algo que te vai encher de alegria.
Pedro, o teu filho e meu irm�o, voltou vivo do campo de batalha.
Est� internado aqui, no hospital,
e est� bem, m�e.
Felizmente para todos n�s, est� em boas m�os.
Parece que n�o corre perigo de vida
e vou tratar dele at� o poderem mandar para casa.
Voltaremos ambos, prometo.
Infelizmente, nem tudo s�o boas not�cias.
O Andres n�o teve tanta sorte, m�e.
O meu amado Andres...
Esta maldita guerra levou-o para sempre.
Nem sequer lhe pude dizer adeus, m�e.
N�o aguento pensar que j� n�o est� entre n�s
e que n�o o voltarei a ver.
Presumo que � isto que a guerra te ensina.
Num segundo est�s vivo e no seguinte tudo se desmorona.
"O ex�rcito espanhol p�s fogo aos seus seis avi�es
para n�o ca�rem nas m�os dos rebeldes."
� assim mesmo.
- Eram os �nicos. - Os pilotos est�o aqui, em Melilha.
Para que nos serviam os avi�es l�?
"Os militantes cabilas violaram as condi��es de rendi��o..."
Enfermeira! Por favor!
Julia!
- Magdalena. - Gra�as a Deus que est�s aqui.
- Que se passa? - Tomaram Selouane.
Est�o quase aqui. Mataram muitos soldados.
A Pilar e o Luis estavam a caminho, mas n�o sabemos nada.
Mantem-te calma, est� bem? Vamos.
Ainda temos �gua?
Tem de durar.
� importante que nos mantenhamos hidratados.
Sou enfermeira. Sei bem disso.
Deve haver algum quartel ou vila por aqui. Estamos a caminhar h� s�culos.
- Deve haver algu�m por a�. - Se houver, espero que sejam os nossos.
Este s�tio n�o � seguro.
Acreditas que estamos aqui, Pilar? N�s os dois, juntos outra vez.
- Deixa-me ver isso. - Larga-me.
- Anda l�, deixa. - Larga-me!
Agora vais ignorar-me?
Se sairmos desta vivos, teremos de trabalhar juntos
e vai ser muito dif�cil se n�o falares comigo.
- J� passaram oito anos. - Luis!
Deixaste-me l� sozinha, vestida de noiva, como uma idiota.
E isso n�o foi o pior. O pior foi ter todas aquelas pessoas
com pena de mim desde a�.
Fazes ideia do que me custou refazer a minha vida?
- Desculpa. - Cala-te.
Escrevi-te uma carta a explicar tudo.
Explicar o qu�? Que j� n�o me amavas mais?
Claro que te amava.
O teu pai e o teu irm�o, Miguel...
... amea�aram-me. - O qu�?
Proibiram-me de casar contigo. Deram-me uma surra e tive de fugir.
- Est�s a mentir. - Que caia morto se estou a mentir.
Juro, foi isso que aconteceu.
N�o houve um s� dia em que n�o tenha pensado em ti.
Passei oito anos a odiar-te.
Oito anos! � imposs�vel odiar mais algu�m do que eu te odeio.
Desculpa.
- Desculpa. - N�o me toques.
Desculpa.
Desculpa.
De onde sa�ram voc�s? S�o m�dicos?
Sou m�dico do ex�rcito.
Ela � enfermeira. Tem de nos levar ao hospital da Cruz Vermelha.
Vejam o que tenho aqui.
Encontrei-o a uns quil�metros daqui, deitado na estrada.
Levou um tiro na perna. A ferida n�o tem bom aspeto, pois n�o?
Sou o comandante Silva...
... do regimento Bazan.
Por favor, ajudem-me.
Tire-nos daqui, r�pido. Ajuda-me, Pilar.
Pilar, est�s bem? N�o vos aconteceu nada?
Chama os maqueiros e o Dr. Calderon.
- Temos um soldado ferido. - Cuidado.
- Est�s ferida. - Estou bem.
Julia...
- Sim? - Ele � do regimento Bazan.
- N�o � onde servia o teu noivo? - Sim.
- Encontraram-no ca�do na estrada. - Disseram-nos que ningu�m sobreviveu.
- Disse alguma coisa? - N�o, est� inconsciente h� algum tempo.
- Vamos, enfermeira. Os maqueiros? - Claro.
- O doutor Calderon? - Est� a preparar-se para a cirurgia.
Julia, tu n�o.
Julia.
Julia.
- Que foi? - Encontraram o chefe do teu regimento.
- O comandante. - O Silva?
Est� ferido. Est�o a oper�-lo.
Estanquei a hemorragia, mas n�o tinha como limpar a ferida.
Parece que tem a bala alojada na t�bia.
Eu trato disto. Vai tratar da queimadura que tens na cara.
- Quem? Eu? - N�o te preocupes, continuas bonito.
- Como est� a anestesia? - Pronta.
�timo. Vamos come�ar.
Teremos de amputar, doutor?
Espero que n�o. Temos de encontrar a bala e avaliar.
Duquesa, aperte o torniquete. Temos de estancar a hemorragia.
Est� a sangrar do nariz.
- Se quiser, eu fa�o isso. - N�o, vamos continuar.
O osso est� partido, temos de fazer tra��o.
Bem, eu nunca... Ahmed! Desculpa.
Que fazes aqui?
Disse-te para ficares na cama.
Quero um copo de leite.
Est�s mal? D�i-te alguma coisa?
Tens dor? Cabe�a? Barriga?
Quero um copo de leite.
Ele quer um copo de leite.
Foi por isso que se levantou.
N�o se preocupe, eu posso ir buscar.
- Quer que v�? - Sim, obrigada.
Queres leite!
Vou ter cuidado, est� bem?
Se te magoar, diz-me, e eu paro.
N�o te preocupes, n�o magoas.
Se fosse eu, chorona como sou,
teria gritado tanto
que os rebeldes viriam de Ceuta para ver o que se passava.
- Uma vez queimei-me... - Cuidado!
Desculpa.
- Queres que pare? - N�o, continua.
Est�s bem?
Foi horr�vel.
Os soldados que iam com voc�s n�o vos protegeram?
N�o tiveram tempo.
Se n�o fosse o Luis...
Bem, pelo menos, saiu algo bom de tudo isto.
- J� n�o o queres matar. - Pilar...
Desculpem.
Vinha buscar pomada para a cara.
Tenho uma queimadura do sol.
Espero l� fora.
- Fa�o eu o curativo? - N�o.
Por favor, tem cuidado.
- Pilar, desculpa. - N�o, Luis, desculpa eu.
Se tivesse sabido do meu pai e do Miguel, nunca teria...
Se eu soubesse que virias...
Ouve, Pilar...
Eu nunca te esqueci.
Nem por um segundo.
- Tu tamb�m n�o, certo? - N�o.
Luis, meu amor. Querido, est�s aqui.
Gra�as a Deus. Vim assim que soube.
- O que te fizeram? - Nada. N�o v�s que estou bem?
Pregaste-me um susto! Pensei que este beb� n�o teria pai.
� a minha esposa.
- Estou bem. Vamos � cozinha. - Est�s mesmo bem?
- Sim. - Disseram que te encontraram por acaso.
- Que atacaram a ambul�ncia. - Mas j� estou aqui.
- Tens a certeza? - Sim.
Quem � ela?
- A esposa dele. - O qu�?
- Ele � casado? - Sim.
- N�o tem alian�a. - N�o.
A barriga... Ela est� gr�vida? V�o ter...
- Por amor de Deus, Magdalena. - Desculpa.
N�o quero falar sobre isto. Nem quero pensar nisto.
Percebido? Vamos voltar ao trabalho.
Est� a perder muito sangue. Pin�as hemost�ticas.
- Est� a perder muito sangue, Veronica. - V� l�.
Pin�as.
Limpa. Isso.
Consegui.
Pilar?
- Porque n�o est�s a descansar? - Sinto-me bem, obrigada.
- Fizeram-te o curativo? - Sim. Prefiro trabalhar.
Est� bem.
Bom...
... preciso de preparar uma cama para o comandante.
Mudem estas camas do fundo.
A crian�a n�o pode ficar aqui. N�o precisa de ver isto.
- N�o est� a incomodar ningu�m. - Pode apanhar uma infe��o.
- Est� melhor em casa. - Ele n�o tem casa.
Encontre-lhe uma. V�, mudem as camas.
- Duquesa, o comandante j� acordou? - O qu�?
- Falou sobre o que aconteceu? - N�o, continua inconsciente.
Comandante.
Comandante.
Tenha calma.
- Onde estou? No hospital? - Sim.
Calma. Est� no hospital da Cruz Vermelha, em Melilha.
Foi operado e tir�mos-lhe uma bala da perna.
Gra�as a Deus.
N�o pode entrar, enfermeira.
- Espere l� fora. - Preciso de falar com ele.
- Acabou de acordar. N�o pode ser. - � o chefe do regimento do Andres.
Disseram que ningu�m sobreviveu, mas ele pode saber de algo.
Comandante.
Lembra-se do tenente Andres Pereda?
Estava consigo na batalha de Annual.
- Sim. - Lembra-se?
O tenente Pereda. Lembro-me dele.
Sim?
Sabe o que lhe aconteceu?
- Sabe onde ele est�? - N�o.
- N�o sei o que lhe aconteceu. - Por favor, tente lembrar-se.
Acha que ele conseguiu escapar como voc�?
Eu n�o escapei.
Um oficial nunca faria isso.
Eu enfrentei os rifenhos.
Eles feriram-me...
... e deixaram-me a morrer.
Foi assim que escapei com vida.
Eles est�o todos mortos!
Eles est�o todos mortos.
- Todos. - Calma.
O comandante n�o sabe nada do Andres.
Diz que est�o todos mortos.
Esse oficial � um sacana.
� culpa dele.
Ele queria render-se e entregar-nos aos rifenhos.
Tivemos de fugir como pudemos por causa do filho...
Pedro, est�s ferido. Acalma-te.
- Fica quieto. - O Andres est� morto por culpa dele.
Juro que vingarei a sua morte. Juro-te.
Julia...
... ele queria que seguisses com a tua vida.
Pediu-me para to dizer.
Para n�o parares de viver por causa dele.
Era um irm�o para mim...
... mas tinha raz�o.
Tens de o esquecer.
Fique quieto, tenente.
- Cale-se! V�o matar-nos todos. - Tira o estilha�o.
Abre a ferida e tira-o. Jesus, n�o aguento mais.
N�o!
Por favor!
Chega! Se preferires, mato-te. Calo-te de vez.
Por favor. O meu bra�o!
N�o!
Tenente...
Meu Deus, tenente.
Tenente.
- Desculpe interromper. - N�o faz mal. J� terminei.
Nunca viu um mu�ulmano rezar?
N�o sabia que era mu�ulmano.
- Bem, nunca me ocorreu que voc�... - Larbi.
- Desculpe? - Larbi Al Hamza.
� o meu nome.
E voc� � Magdalena.
� um nome b�blico. Como Maria Madalena.
- Leu a b�blia? - Temos de ler para saber.
E saber para entender.
Eu quero entender.
Reza sempre � mesma hora?
Tamb�m quero entender.
Cinco vezes por dia.
Mais que os crist�os.
- Precisa de mim? - Sim!
O menino que veio com o paciente, ontem.
- O Ahmed? - Sim. N�o pode ficar c� mais tempo.
A duquesa diz que vai apanhar uma infe��o se continuar aqui.
Mas ele n�o tem para onde ir, menina.
A duquesa vai falar com o orfanato do ex�rcito.
Ela diz que o podem aceitar.
Por favor, pode ajudar-me a dizer-lhe? N�s n�o nos entendemos.
Sim. Claro.
Ahmed.
Diga-lho, por favor.
- Ahmed! - � para teu bem.
- Vais estar melhor. - Deixe-o.
Conhece o s�tio para onde o querem mandar?
Estar� melhor do que aqui.
Nunca esteve num orfanato, pois n�o?
Isto � o para�so comparado com aquele lugar.
H� mais ratos que crian�as, n�o h� comida e as doen�as s�o frequentes.
Quer mesmo mand�-lo para l�?
N�o olhe assim para mim. Que quer que fa�a?
Se � por dinheiro, eu pago, mas pago a quem?
Em Madrid, o dinheiro resolve tudo, mas aqui...
N�o pode ficar s� mais dois dias, at� encontrarmos um s�tio para ele?
Estou apenas a seguir ordens.
Temos de arranjar espa�o para o comandante.
Tem raz�o.
Aqui, s� os privilegiados importam.
Certo?
Larbi...
Sacana!
Querias entregar-nos a eles, seu cobarde.
Mataste dois dos nossos, seu sacana.
Filho da puta.
Socorro.
- Socorro. - Comandante!
- Ajudem-me. - Para, Pedro.
- Para. - Larga-me.
- Larga-me. - Tem calma.
Que se passa, Pedro?
� um cobarde. O Andres est� morto por culpa dele.
- Acalma-te, Pedro. - Por amor de Deus.
- Calma. - Que se passa?
Nada. O meu irm�o enervou-se, mas j� est� bem.
- Doutor? - O alferes atacou o comandante.
- Ele � um traidor. - Matou dois dos nossos homens.
Chega, alferes.
Leve-o para a cama.
� rid�culo!
Salvamos a vida de um homem e logo algu�m o tenta matar.
- E a um comandante! - Lamento o sucedido,
mas estava em cirurgia. - Porque n�o me avisaram da sua chegada?
- Porque tratar dele era mais importante. - E que teria dito a Sua Majestade
se esse lun�tico levasse a dele avante?
O comandante est� bem
e o seu agressor foi controlado. Diga-lhe isso.
Ainda por cima o comandante Silva, a quem devemos tanto.
Como pode acontecer uma coisa destas com os rebeldes � nossa porta?
Enfermeira, recolha todos os pertences do alferes.
Porqu�? Para onde o levam?
Vamos prend�-lo por uma ofensa grave.
- � traidor e mentiroso. - � um her�i de guerra.
- Ouviu, enfermeira? - Eu estava l�!
Ele diz a verdade.
Ele n�o � um her�i, queria entregar-nos aos inimigos.
Tu tamb�m l� estavas. E tu!
E todos voc�s. N�o fiquem calados!
- Cobarde! - Traidor!
- Cobarde! - Sil�ncio!
- N�o vou permitir que isto continue. - Ligue ao comando, Somarriba.
Pe�a um carro para lev�-los para o calabou�o.
- Porqu�? - Insurrei��o.
- N�o fizeram nada. - Insurrei��o!
Enfermeiras, ajudem-nos a levantar-se.
- Levem-nos um a um. - Espere.
As enfermeiras cumprem as minhas ordens
e os feridos sair�o deste hospital quando tiverem alta.
Pe�o que n�o interfira com assuntos do ex�rcito.
Isto � responsabilidade minha.
Diga ao General Ibarra, ao alto comiss�rio ou a quem quiser.
N�o vou mudar de opini�o.
Sra. Duquesa...
... aqui n�o.
Limpem isto.
A zona onde estava o comandante estava cercada h� uma semana.
Os rifenhos disparavam contra tudo o que mexesse.
Estavam a passar fome,
teriam morrido todos.
� um milagre estes homens estarem vivos, e at� informa��o contr�ria,
esse milagre � o comandante Silva. Fica ao nosso cuidado e o que acontece?
Quase o matam � frente dos nossos olhos.
Estes soldados est�o feridos e precisam de aten��o e cuidados.
Vamos fazer o seguinte, coronel.
Se quiser, prenda-os.
Pomo-los noutra divis�o com guardas, mas n�o saem daqui.
Est� bem.
Mas duvido que o comando permita que fiquem aqui muito tempo.
- Eu sei. - Ter�o de ir a tribunal militar.
Principalmente o alferes, o irm�o da enfermeira.
O Andres disse-lhe.
O teu irm�o. Disse-lhe com todas as letras:
"Se nos entregar, deixamos de lhe obedecer."
Tens de acreditar em mim.
- Olha para mim. - Estou a ouvir!
Ele disparou contra n�s.
- Devia ser detido. - Eu sei.
Mas quem acreditar� em ti depois de atacares um superior?
N�o consegui controlar-me.
S�o oito contra ele.
Algu�m vir� recolher declara��es e saber-se-� a verdade.
N�o teria tanta certeza, menina.
Mesmo que fossemos 80, ficariam do lado do comandante.
- N�o � justo. - O ex�rcito � assim.
- � assim que funciona. - Estamos lixados e a culpa � vossa.
- N�o podiam estar calados? - V�o dar uma medalha �quele cobarde.
At� podiam dar-lhe 100!
S� quero ir para casa.
Vamos todos, mas num caix�o. V�o matar-nos por insurrei��o.
Sil�ncio!
Tu, para a cama.
Enfermeiras, terminem e saiam.
Tenho de lhe medir as tens�es.
Voc� j� terminou? Ent�o, saia.
Ouviram o que a duquesa disse.
S� saem daqui quando estiverem curados.
E depois o que nos vai acontecer?
Seremos acusados de trai��o e executados por fuzilamento.
N�o o permitirei.
Est�s a ouvir? N�o deixarei que nada te aconte�a.
- Desculpe. - Sim?
- N�o sabia que estava aqui. - J� estava de sa�da.
Esteja � vontade.
Ent�o...
Abre essa janela, Estrella.
Magdalena, abre as janelas, j� te...
- De quem � este paciente? - Meu. Porqu�?
Sabes que os ferimentos infecionaram? Tem t�tano, est� sens�vel � luz.
- Fizeste-lhe ventosaterapia? - T�tano? N�o est� apontado.
Tamb�m n�o lhe tens dado o soro? Tamb�m n�o apontaste isso?
De que serve apontar tudo se n�o cumpres os tratamentos?
N�o sei.
Tens raz�o, n�o serve de nada. N�o sei como isto foi acontecer.
Se n�o pensasses noutras coisas...
N�o admito que me fales assim.
Falo contigo como quiser, n�o preciso da tua permiss�o.
H� muito que ando a morder a l�ngua, mas j� n�o aguento essa falta de educa��o.
N�o estou aqui para ser simp�tica. Isso � o papel da tua amiga.
Nem para andar de livro na m�o e com o nariz empinado.
Estou aqui para fazer o meu trabalho. Podes dizer o mesmo?
Cuida do teu paciente.
Que mau feitio.
N�o sei o que se passa comigo. Gosto delas resmungonas.
Achas que � normal?
- Quem disse que �s normal? - Faz parte do meu charme.
N�o aceito n�o como resposta.
N�o conseguiste nada, a Veronica acabou de te ignorar.
- Terei de continuar a insistir. - Sim, continua.
Tens de perdoar-me.
- Juro-te... - Agora n�o, Luis.
Por amor de Deus, Pilar, �amos morrendo, n�o achei que fosse o momento...
N�o sou o �nico a ser recusado.
Mas eu n�o sou casado nem estou prestes a ser pai.
P�e gelo nisso.
Pilar,
precisas de alguma coisa?
Desculpe, duquesa...
... mas quero voltar para Madrid.
Desculpa, acho que n�o percebi bem.
N�o sou t�o forte como pensei.
Se ficar, s� vou estorvar.
Voltar para Espanha � mais complicado do que pensas.
Os poucos barcos que partem de Melilha est�o cheios
e as vagas s�o para evacuar os feridos.
- Al�m disso, fizeste um juramento. - Eu sei...
Mas n�o consigo.
Sabias que as poucas horas de sono e este ambiente nos deixariam exaustas.
O in�cio � sempre mais dif�cil.
Tudo nos parece insuper�vel.
At� para ti.
� por causa dele, certo?
Do Dr. Luis Garces.
A Magdalena disse-me que estiveram noivos.
Percebo que � dif�cil,
mas se voltares para Espanha, nunca o ir�s superar.
Ou pior, nunca saber�s se conseguias.
Viver�s a tua vida a sentir pena de ti mesma,
assustada, sem conseguir seguir em frente,
a lamentar n�o teres tentado.
N�o mereces isso.
N�o �s assim.
Tens a certeza que queres ir embora?
Faltam duas caixas de vegetais. V� busc�-las.
Isso � na cozinha, no fundo do corredor, por favor.
Isto j� est� e isto...
Est� bem, menina? Chamo-me Raquel.
Sou filha do Damaso, o suboficial respons�vel pela comida.
Vi-a antes, mas n�o nos apresentaram.
- Como se chama? - Pilar. Estou bem, n�o se preocupe.
Muito gosto. Provavelmente, iremos ver-nos mais vezes,
por isso, se precisar de alguma coisa, n�o hesite.
- Obrigada. - � generoso da vossa parte virem para c�.
Principalmente com as coisas neste estado.
Esta guerra � horr�vel.
N�o, ou�a... Ponha isso na cozinha.
Seja qual for o problema,
n�o me quero meter, mas sabe o que a minha m�e dizia?
- Que descanse em paz. - N�o.
Se o problema tem uma solu��o, a preocupa��o � em v�o.
Por isso, se tem solu��o...
... para qu� preocupar-se?
O seu problema tem solu��o?
- Deve ter. - V�?
Ent�o, pronto.
Tenho de ir trabalhar. Prazer em conhec�-la.
Comandante...
... acorde.
Comandante.
Comandante.
Chegou a sua hora.
Calma, comandante. Deite-se.
Tenha calma. Deite-se.
Pronto.
Trouxe-lhe leite quente.
Vai ajudar.
O meu irm�o quer pedir-lhe desculpa.
Foi ele que o tentou agredir.
Est� arrependido pelo sucedido e sente-se muito mal.
Porque me est� a dizer isto?
Porque talvez se decidir perdo�-lo, podemos todos ir para casa.
Ele tentou matar-me.
Est� a sugerir que o deixe sair impune?
N�o.
N�o � isso, estou s� a dizer...
J� disse que n�o.
Ele diz que queria render-se.
E que matou aqueles que n�o quiseram.
- � mentira. - N�o, n�o �.
Doutor, ajude-me.
Julia.
Julia.
Como est�?
- O meu irm�o n�o � um assassino. - Eu sei.
Sabe a primeira coisa que aprendi aqui?
Ningu�m sabe como reagir� se for puxado ao limite.
O seu irm�o errou ao atacar o comandante.
Mas n�o merece morrer por isso.
- Ou acha que sim? - Claro que n�o.
Sou m�dico, quero salvar vidas, n�o tir�-las.
Mas a �nica opini�o que importa � a do tribunal.
Na verdade,
se pudesse ajudar, ajudaria.
Sabe o que pensei quando o conheci?
Que era arrogante.
- E presun�oso. - Caramba!
O que a fez mudar de opini�o?
Quem disse que mudei?
Fidel!
Vou para o hospital.
Que sorte! N�o sabia onde te procurar.
N�o tinhas dito que vinhas.
Susana, esta � a Julia Ballester, uma enfermeira.
- Prazer. - Muito gosto.
Desculpem ter interrompido, devem estar cheios de trabalho.
Sim, os ataques n�o param e est�o sempre a chegar feridos.
- Quase n�o dormimos desde que cheg�mos. - Ele n�o dorme desde que o conhe�o.
- Susana. - Que foi? � verdade.
N�o sei como � como patr�o,
mas, como m�dico, p�e sempre os pacientes primeiro.
A enfermeira tem muito trabalho. Mantenha-me informado, Julia.
- Claro. - Vemo-nos por a�.
Sabes que uma das enfermeiras estudou comigo?
- N�o. - A Magdalena.
- A Magdalena? - Acreditas?
N�o nos v�amos desde que o meu pai veio para Melilha.
Como vai ser? Primeiro a cabe�a ou os bra�os?
Para quieto, Ahmed!
Ahmed, n�o sejas mal-educado com a senhora.
- Ela n�o merece. - N�o quer vestir-se.
Suponho que seja porque � para ir ver o orfanato.
Permita-me, menina.
Ahmed, bra�os para cima.
V� l�!
N�o quero levar-te para l�, Ahmed.
Acredita.
Mas n�o sei o que fazer.
Posso lev�-lo para minha casa, fica com a minha m�e e os meus primos.
- Faria isso? - Ele precisa de uma fam�lia.
Ahmed.
Queres ficar comigo?
N�o vais gostar do orfanato.
Est� bem?
Vens comigo? Sim?
� t�o generoso, Larbi. Obrigada.
- Shukran. - O qu�?
� como se diz obrigado na minha l�ngua.
Shukran.
Shukran, Ahmed.
Ele gosta do seu cabelo. No meu pa�s, as mulheres t�m de o cobrir.
- Segundo Al�. - Porqu�?
Para as proteger dos olhares dos homens.
- Magdalena? - Susana?
- Susana! - Magdalena!
O uniforme fica-te t�o bem. Imaculado.
Que estranho. D� uma voltinha, enfermeira.
Doutor Calderon.
Temos tanto para conversar.
- � verdade que est�s noiva? Com quem? - Sim. Daniel de Zumarraga.
- Presumo que seja o filho. - N�o, o pai.
Que tonta, claro que � o filho.
- Era t�o giro. Aposto que ainda �. - Claro.
- Com licen�a. - Sim.
Porta-te bem, Ahmed.
- Traga-o c� de vez em quando, sim? - Sim, enfermeira.
Eu vivo aqui perto.
- Continuamos a visita pelo hospital? - Claro.
N�o sabia que este �rabe ainda trabalhava c�.
Depois do que nos fizeram, n�o s�o de confian�a. Cuidado.
O Larbi nunca faltou ao trabalho. Sabe qual � o seu s�tio.
� aqui que est�o os feridos.
- O que era antes? - A biblioteca.
Trabalh�mos muito para que ficasse assim.
Nem imaginas como estava antes.
Tens de vir a minha casa, a minha m�e quer ver-te.
Quero saber tudo sobre Madrid.
Quero tanto voltar l�.
A febre baixou, mas tem uma irrita��o nas costas.
Deve ser rea��o ao tratamento.
Entre.
Posso, duquesa?
Encontrei-me com a Susana, a filha do Coronel Marquez.
Quer que v� jantar a sua casa.
Sei que s�o amigas de inf�ncia.
- Se disser que tenho de ficar... - N�o, vai. Espairece.
Tira o uniforme e esquece a guerra durante algum tempo.
N�o sei se conseguirei, duquesa. N�o irei demorar. Obrigada!
Vai comer com a amiga, arranja-se...
O qu�?
- Ser� dif�cil mudarem de h�bitos. - Sobre o paciente.
Acho que a irrita��o n�o � grave e a febre baixou.
Magdalena.
Tenho de ajudar o meu irm�o, n�o pode esperar.
- Ajudas-me? - O que queres que fa�a?
Tens confian�a com o �rabe da ambul�ncia, certo?
Com o Larbi? Porque dizes isso?
Mas...
Sei que est�o a transportar fam�lias inteiras.
P�e as pessoas no por�o.
Dez ou 12 por barco.
- N�o h� espa�o para mais. - E quanto cobram?
Quem querem tirar daqui?
Isto n�o � neg�cio para mulheres.
N�o devem envolver-se com pessoas perigosas.
Pelo menos, sozinhas.
- Podia vir connosco. - Eu?
- � melhor... - Por favor, � para o meu irm�o.
Tenho de tir�-lo de Melilha, seja como for.
Ele est� detido.
Mas � inocente e v�o mat�-lo.
Larbi, preciso da sua ajuda, por favor. Posso pagar-lhe!
Pensei que era diferente.
Que me percebia. Mas parece que me enganei.
Para voc�s, os �rabes s�o criminosos e traidores.
N�o! N�o acho que seja traidor, Larbi.
A Julia pediu-me ajuda porque voc� conhece Melilha, s� isso.
Desculpe, n�o queria ofend�-lo.
Lamento, menina.
Larbi.
Bom...
... ouviste-o. � um s�tio perigoso.
N�o est�s a pensar faz�-lo sozinha, certo?
Promete-me que n�o.
- Julia! - Prometo.
Julia.
- Desculpe, n�o pode entrar. - Tenho de ver como est�o.
Tem de trazer uma autoriza��o assinada pelo tenente-coronel.
- Sou enfermeira. - S�o ordens. N�o pode entrar.
- O meu irm�o est� a�! - Menina!
Apanhe isso e v� embora.
Duquesa.
Duquesa, n�o me deixam entrar para cuidar do meu irm�o.
Dizem que preciso da autoriza��o do tenente-coronel.
Ignore isso. Eu falo com o cabo.
Porque n�o me deixam v�-lo? O que v�o fazer?
Neste momento, o teu irm�o est� internado e vai receber cuidados,
mas � um soldado e atacou um comandante.
Mais cedo ou mais tarde prestar� contas aos superiores.
- Menina! Est� � procura de algu�m? - N�o.
Chamo-me Hakim. Em que posso ajudar?
N�o tenha medo, menina.
- Trabalha aqui, no porto? - Claro, menina. Todos n�s trabalhamos.
Quero tirar uma pessoa de Melilha.
- La, menina. - Sei que o fazem.
La, menina. V� para casa.
- Isto � perigoso. - Posso pagar. Tenho dinheiro.
Guarde isso, menina.
H� aqui pessoas perigosas que podem fazer-lhe mal.
N�o saio daqui at� falar com eles. Vai ajudar-me ou n�o?
Venha comigo.
Ou�a-me. Mantenha-se calada.
� melhor ser eu a falar, est� bem?
- Ol�, irm�os. - Ol�.
Esta senhora quer p�r uma pessoa no barco.
Ela tem dinheiro, juro. V�o ver.
Entre, menina.
- Diz que tem espa�o no barco. - A s�rio?
Parte esta noite. Quanto pode pagar?
Ainda tem dinheiro.
O qu�?
Ainda tem dinheiro!
� pouco, menina. De certeza que tem mais.
- Isto custa mais que a viagem. - Isto?
N�o tem mais, menina?
- De certeza que tem mais. - N�o tenho.
Deixe-me ver. N�o tem mais nada?
- Larguem-me. - Quero isto.
- D�-me isto. - � o meu anel.
Menina! D�-mo.
A infe��o agravou os problemas respirat�rios.
Foi medicado para o t�tano, mas parece ter sido demasiado tarde.
E se voltarmos a desinfetar a ferida?
- A dispneia est� pior. - O tempo n�o est� do nosso lado.
D�-lhe mais 50 miligramas, Guillermo. N�o o deixes sofrer.
Quantas vezes j� sangrou pelo nariz?
A culpa � minha, assoo-me com demasiada for�a.
- As an�lises s�o suas. - Que an�lises?
Algu�m deixou aqui umas an�lises que n�o pertencem a nenhum paciente.
- � contagioso? - Acho que n�o.
- Ent�o, n�o h� motivo para preocupa��o. - N�o?
Se eram t�o secretas, porque as deixou � mostra?
Pensou que tinha tuberculose, certo?
Tem um zumbido nos ouvidos ou sente vertigens?
Talvez.
Tem sangue na saliva?
Com que frequ�ncia?
Estas conjeturas ficam entre n�s.
- Promete-me que vai guardar segredo? - Claro.
- Promete-me que vai fazer testes? - N�o?
- Duquesa... - J� disse que n�o.
Neste hospital, sou eu que tomo decis�es, incluindo as erradas.
Esta conversa terminou.
Se os rebeldes v�o entrar em Melilha, que entrem de uma vez.
Porque n�o entram?
N�o est�o mesmo aqui ao lado? Se calhar t�m � medo de n�s.
Isto est� pronto e o caldo ficou delicioso.
- Queres, Pilar? - N�o, obrigada.
- Come para n�o perderes as for�as. - N�o, obrigada.
- De certeza? - N�o tenho fome.
Est� bem.
- Obrigada. - De nada.
Pilar.
Pilar, espera, por favor!
Achas que isto � f�cil para mim?
- O beijo foi verdadeiro. - E a chapada tamb�m.
- Sai da frente. - Por favor, ouve-me, Pilar.
- Estou confuso. - N�o quero envolver-me nisso.
S� tenho pena da rapariga.
- Sabe-se l� o que lhe contaste. - Nada.
Ela n�o sabe que estivemos noivos?
N�o, e tu tamb�m n�o lhe podes contar.
N�o te preocupes, n�o saber� por mim.
N�o queres que saiba o tipo de homem com que casou.
Mant�m-te longe de mim.
- Obrigada. - Mais r�pido. Vai esfriar.
Nunca aprendes? D� c�.
- N�o me habituo a tantos tiros. - Uma senhora nunca se habitua a isso.
A vida � estranha.
Eu com vontade de voltar a Madrid e tu vens para c�.
- Se mo dissessem h� um m�s atr�s... - O trabalho que fazes � admir�vel.
- Eras enfermeira em Madrid? - Tir�mos l� o curso.
A Pilar � a que est� h� mais tempo com a duquesa. Da� ser subdiretora.
� muito organizada.
Gostava de ter a cabe�a dela.
Conheci uma enfermeira... Como se chamava?
- Julia. - Julia.
- Julia Ballester. - Ela ainda n�o � enfermeira.
Meteu-se no comboio connosco para descobrir onde estava o noivo.
- � tenente de infantaria. - E encontrou-o?
Receio que esteja morto.
A Julia � uma mulher muito corajosa.
Esta guerra � revoltante.
Tem muito cuidado, Magdalena. Uma jovem da tua posi��o.
N�o andes sozinha por estas ruas cheias de �rabes.
Por favor, vais assust�-la. Isto n�o � uma selva.
S�o uns ingratos.
Depois de tudo o que Espanha fez por eles, � assim que nos pagam.
N�o s�o todos iguais.
O que quero dizer...
... � que h� alguns que trabalham no hospital
e que tamb�m s�o contra a guerra.
Magdalena, sempre foste t�o am�vel como inocente.
N�o soubeste as crueldades que fizeram aos nossos soldados?
Podemos parar de falar da guerra?
Magdalena, para quando � o casamento?
- J� marcaram a data? - Sim, 22 de novembro.
- Parab�ns. - Obrigada.
E o vosso?
Bem...
... isso � o Fidel que tem de decidir. - M�e.
Desculpem. N�o me quis intrometer. Meto-me sempre onde n�o sou chamada.
N�o podes ir sem conheceres a casa, Magdalena.
N�o esperes grande coisa.
Partilhar o edif�cio com o comando � o mesmo que viver numa caserna.
Gostaria de viver noutro s�tio...
Parece que est�o todos com pressa para nos casarmos menos tu.
- N�o digas parvo�ces, Susana. - N�o o estou a fazer.
Casaria contigo amanh�, se fosse preciso.
J� n�o me amas?
Sabes que te amo, mas estamos em guerra.
Morre-me gente nos bra�os, todos os dias. Tenho muitas prioridades.
- E eu n�o sou uma delas. - Nunca disse isso.
O que vamos fazer? Esperar pelo fim da guerra?
Um dia ter� de acabar, n�o?
Susana.
Susana, eu amo-te.
Ter�s o teu casamento.
E ser� maravilhoso, porque tu �s maravilhosa.
O teu anel de noivado?
Roubaram-to?
E o anel sinete do Andres tamb�m.
Sou t�o est�pida.
Usei-o para levarem o Pedro daqui e agora fiquei sem nada.
Porque fizeste algo assim sem pensar nas consequ�ncias?
- Podias estar morta! - Devia ter adivinhado que o irias fazer.
O qu�?
- Tu sabias disto? - N�o, n�o sabia de nada.
Ou melhor, sabia, mas ela prometeu que n�o faria nada!
Que Deus nos ajude.
V�o levar o meu irm�o daqui, n�o percebem?
V�o prend�-lo e fuzil�-lo.
- Falaste disto com a Carmen? - Sim, ela diz que n�o pode ajudar.
Vou ligar aos meus pais
e pedir para enviarem dinheiro para tirar o Pedro daqui.
N�o podes resolver tudo com dinheiro, Julia.
E vais voltar l� para voltares a ser roubada?
Podes parar de me tratar como a uma crian�a?
J� sei, mas o que queres que fa�a?
Em Madrid, saberia o que fazer, mas aqui n�o conhe�o ningu�m.
- Ningu�m quer saber de n�s. - Tudo se ir� resolver.
Ele vai ficar bem, vais ver.
N�o vieste para c� para acontecer uma desgra�a.
Senhoras, um dos pacientes n�o est� bem.
J� vou. Obrigada.
O que se passa? Est� morto?
Sim, a culpa foi minha.
Devia ter posto uma enfermeira sempre com ele.
N�o adiantaria, teria morrido na mesma.
Talvez n�o.
Cometi demasiados erros.
Mesmo que assim seja, n�o podemos estar sempre certas.
Vais aprender isso.
Ele est� morto?
Quando � que isto aconteceu? Agora mesmo? Contigo?
Temos de notificar a fam�lia.
Eles costumam avisar, mas temos ordens para os enterrar c�.
- V�o lan�ar bombas agora? - Quais bombas?
- Porque falhou a luz, enfermeira? - Sil�ncio.
Vou buscar lamparinas de azeite e chamar um m�dico para declarar o �bito.
Preparam o corpo para o transporte?
- Ir� para o cemit�rio esta noite. - Sim.
Voltem para a cama.
Ajuda-me a deit�-lo na cama.
- Temos de o fazer? - Magdalena.
Pega no bra�o dele.
- R�pido. - N�o sei se vamos conseguir.
V�.
Como veio parar ao ch�o? Nem se conseguia mexer.
Temos de lhe mudar a roupa, n�o podem lev�-lo assim.
N�s? Vestir um morto?
- N�o pode ser um maqueiro? - Por amor de Deus, Magdalena!
Qual � a diferen�a? Imagina que n�o est� morto.
Se estivesse vivo, n�o lhe tirava a roupa. Que inapropriado!
- V�o lev�-lo esta noite, certo? - Sim!
Tu ouviste-a. Vai para o cemit�rio de ambul�ncia.
E se...
E se o qu�?
Perdeste o ju�zo quando bateste com a cabe�a?
E se metermos o cad�ver na cama do meu irm�o
e o levarmos na ambul�ncia?
Est�s louca?
N�o, nem pensar.
Nem pensar.
Sente-se melhor, tenente?
Porque o ter� feito?
Porque me ter� tirado o estilha�o?
Quer que esteja forte quando o matar.
Ou para exigir dinheiro � sua fam�lia.
Se ningu�m souber que estamos aqui, n�o nos vir�o buscar.
- Temos de enviar uma mensagem. - Como faremos isso?
Desculpe, pode ajudar-me?
Tenho de tirar uma coisa da despensa e n�o chego...
... com o bra�o assim.
E como voc� � t�o alto...
... e t�o forte.
Desculpe.
Desculpe, n�o me gosto das falhas de luz.
- N�o tenha medo, eu vou consigo. - Obrigada.
As minhas pernas, os meus bra�os... Estou toda a tremer!
O que estou a fazer?
Espera aqui.
Espera um minuto.
Pedro.
- Pedro, sou eu. - Que foi?
Levanta-te. Vou tirar-te daqui.
- Sabes o que est�s a fazer? - Sim.
Isto n�o vai acabar bem.
Cuidado.
Magdalena!
Boa noite.
- Por onde? - Pela outra porta. Vamos!
Ol�.
Onde v�o com tanta pressa?
� o soldado que morreu esta noite. Vamos lev�-lo para a ambul�ncia.
Porque vieram por aqui?
Andamos �s voltas. Eu disse-lhe que n�o era por aqui.
- Por favor, o guarda est� a chegar. - Obrigada pela ajuda.
- � muito gentil. J� consigo. - Por favor, ele � tudo o que me resta.
Por favor.
- Obrigada. - De nada.
- V�o. - Obrigada.
O condutor est� � espera.
Cabo, venha c�.
- Isso s�o maneiras de fardar? - Desculpe, capit�o. � do calor.
- Um cabo deve estar sempre impec�vel. - Sim, senhor.
Prossiga.
Larbi, podes chegar aqui?
R�pido, por favor.
H� uma janela que n�o est� a fechar bem.
- Pronto. - Anda.
As minhas pernas, as minhas m�os... Estou toda a suar.
Sobe.
Veste o uniforme e as botas.
- E agora? Sabes conduzir? - N�o deve ser dif�cil.
- R�pido. - V� l�.
V� l�, Julia, por favor!
Acorda.
- R�pido! - N�o sei o que se passa, Magdalena.
- Saiam da�. Que est� a fazer? - Vou tirar o meu irm�o daqui.
- N�o pode fazer isso. - Posso! N�o percebe?
Por favor, � a �nica forma de salvar este inocente.
Sabem o que me far�o se descobrirem?
Voc�s podem pedir desculpa,
mas eu serei fuzilado. - Como � que isto pega?
Levantem-se.
Tu.
Alto!
Eu conduzo!
- N�o! - Alto!
N�o, por favor! N�o disparem!
N�o disparem!
Disparar!
- Ningu�m sai do hospital! - Ouvi tiros vindos do exterior.
- Calma. - Que se passa?
O irm�o daquela enfermeira escapou e elas ajudaram-no.
Aponte isso para outro lado. Onde pensa que est�?
Baixe a arma.
� uma ordem.
Baixe a arma.
Julia, como era o homem que lhe roubou os an�is?
- Lembra-se? - N�o.
- Foi um deles? - Sim!
O de barba. Foi ele!
Esperem um pouco.
Calma!
Vieste sozinha falar com eles?
Despe�am-se, agora!
- A Julia vem comigo. - N�o. Vamos.
- N�o posso ir. - V�o castigar-te.
N�o posso ir contigo, tenho de ficar.
- Vamos! - Tens de ir.
- Vai. - Anda, Pedro.
- N�o podem saber que me ajudaste. - Alto!
- N�o! - Alto.
N�o!
N�o! Pedro!
Pedro!
N�o. N�o!
Pedro.
N�o, Pedro.
Pedro.
Socorro!
Algu�m que me ajude!
Eles viram. Est�o a responder.
- Espera. - Ele n�o fez nada. N�o o levem!
Sra. Duquesa, tem muito para explicar.
- A culpa � toda minha. - N�o estou a falar consigo.
O Larbi n�o fez nada, senhor.
Tira o uniforme.
- Imediatamente. - Desculpe o que aconteceu.
Seria uma honra receb�-la em minha casa.
Contar-lhe � admitir que nunca haver� nada entre n�s.
E n�o haver�.
Assim terei de come�ar a preocupar-me com o meu marido.
- O qu�? - Tenho sorte.
N�o vou deix�-lo escapar.
Esta cor fica-lhe bem.
Um m�dico, r�pido, por favor!
Os rifenhos deixaram-no a morrer �s portas da cidade.
- Pilar? - Se falar, � pior.
Calma, por favor.
Legendas: Joana Miranda
:: Ressincroniza��o ferneiva ::
Can't find what you're looking for?
Get subtitles in any language from opensubtitles.com, and translate them here.