All language subtitles for The Girl By The Lake (2007)

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Original subtitles

A GAROTA DO LAGO

Minha encomenda, t�? Direto para casa.

Mas amanh� vai � escola.

Voc� deve me prometer.

Eu prometo, tia.

-Adeus. -Adeus.

-Bom dia, Maria. -Bom dia, Marta.

-Adeus, Marta. -Adeus, Silvia.

Anna...

� tarde.

Eu estava sonhando. N�o deveria me despertar.

Adeus Mario!

N�o, eu n�o posso. Sen�o minha m�e fica preocupada.

Est� bem.

Adeus, Alfredo.

Meu amor, faz tanto tempo que queria te escrever...

Lorenzo!

-Paola, o que foi? -A Marta! N�o encontro a Marta!

Como assim n�o encontra a Marta?

Faz uma hora que procuramos. O que devo fazer?

Me d� uma m�o, sen�o eu ficarei louca!

Calma, Paula. Explique isso com calma.

Procurei em todos os lugares! Em todos os lugares!

Quando fa�o o turno da noite vai dormir na Luzia

e pela manh�, se n�o precisa ir ao col�gio, volta sozinha.

-Mas esta manh�... -Deve ter parado numa amiga.

N�o! Ela s� p�ra para alimentar o cachorro do Sr. Armando.

Fique calma

Est�o se mobilizando no bar para procur�-la at� fora do cidade.

Como assim"fora da cidade"? Por que fora da...?

O que ela iria fazer fora da cidade?

Ele se chama Maciste. Est� doente. Mas � meu preferido.

Est� assim porque � velho, o mais velho de todos.

Se quiser pode acarici�-lo.

Meu pai quer met�-lo numa frigideira mas eu n�o deixo.

Quando morrer, eu j� preparei a cova dele, aqui perto.

Meu pai j� fritou v�rios!

Tenho que fazer xixi. Onde tem um banheiro?

Ali.

Sim?

Sim, sou eu.

Faz quanto tempo?

Diga que des�o em 10 minutos.

A menina?

Mario, eu perguntei sobre a menina!

N�o est� aqui. Est� agora contente?

E a jaqueta?

Onde deixou sua jaqueta?

Eu perdi.

-Bom dia. -Bom dia.

Delegado, sinto ter incomodado por uma tolice.

� ela?

Sim, encontrei-a na entrada da cidade. Est� bem.

-Ela disse onde esteve? -Com o Mario, vendo os coelhos.

-Quem � esse Mario? -Um doidinho, mas boa gente.

Os loucos s�o todos bons at� que se convertem em maus.

-E voc� quem �? -Sou Giovanni.

Sua m�e me ligou porque estava preocupada com voc�.

Est� zangada?

N�o, acho que n�o. Agora vamos porque est� nos esperando.

Mario tem medo de que seu pai pegue o Maciste...

e cozinhe ele numa frigideira.

-Quem � Maciste? -Um coelho.

Eu queria trazer para gente.

S� que Mario disse que no Lago da Serpente...

ficou muito assustado.

� um pequeno lago que fica na parte alta.

-Por aqui h� uma lenda. -Na �gua h� uma serpente que...

e se olhar para ela, vai dormir para sempre.

Voc� acredita?

N�o, n�o � uma lenda.

Hoje a serpente veio e soltou o seu feiti�o.

Mas que feiti�o, amor?

Conta para a mam�e o que aconteceu com o Mario no lago?

Marta!

Talvez seja melhor n�s sairmos um momento.

Delegado!

Santo Deus!

-Sabe quem �? -� Anna. Anna Nadal.

E agora? Queremos guardar sil�ncio?

-Siboldi, a quem est� ligando? -Sinto muito. Acabei.

-Esteve algu�m da Promotoria? -Sim, a doutora Giani.

Mas n�o a vejo.

-Voc� quer com a jaqueta ou sem ela? -Tal e como est�.

Quando tiver feito o suficiente, tire a jaqueta.

-Como morreu? -Colapso pulmonar.

Talvez afogamento, mas n�o posso excluir outras causas.

-Viu os sinais sobre o pesco�o? -Sim.

30 graus. Morreu faz poucas horas.

Devo lev�-la?

Espera, ainda quero olhar um momento.

-Siboldi, afaste todos. -Por favor!

Agora tire a jaqueta.

-Sabe onde mora o Mario? -Sim, l� abaixo al�m do topo...*

mas temos que ir de carro, daqui � complicado.

Est� bem, vamos.

Delegado, Mario est� maluco, mas n�o faria mal a uma mosca.

J� me disse isso, compreendo que � seu amigo.

� amigo de todos.

Pode ser, mas eu quero falar com ele. Posso?

-� claro. -Menos mal.

Alfredo, v� � cidade, procure informa��o sobre a mo�a:

...onde vivia, com quem foi vista pela �ltima vez.

Temos visita do judici�rio. Espera um instante.

Tudo bem, doutora?

Precisa ter um est�mago forte para realizar este trabalho.

Eu neste momento n�o tenho.

Vou atr�s do Siboldi, mas se precisar de algo, o Alfredo est�.

O insepar�vel Alfredo. Verei o que me diz.

Sim. Est� indo � cidade, se andar r�pido ainda o encontra.

Sim.

Est� vendo aquele cidad�o ali?

Se continuar mentindo ele vai mandar te prender.

-Me prender, n�o! -Prender, sim!

Calma, Siboldi!

-Me prender, n�o! -N�o, Mario, n�o deve se preocupar.

� que precisamos de sua ajuda.

Mas deve explicar porque est� t�o assustado.

Do que tem medo?

De algo que viu no lago? Tem medo de mim?

De seu pai?

Por favor, me deixem ficar a s�s com o Mario.

-Por que? -Por nada. S� uns minutos.

-Mas por que? -N�o quero discutir.

Ah, sim? Tamb�m n�o se pode discutir?

Entre, venha aqui. Sinta-se como em sua casa!

N�o levante a voz. Estou ouvindo.

-� um delegado? -Sou algu�m que deseja saber dela.

Sossegue o c�o. Se me atacar, atiro na cabe�a dele!

Est� bem, est� quieto.

Por favor, espere l� fora. Tenha paci�ncia. Siboldi, venha.

Venha, vamos. Quer que lhe ajude?

N�o, n�o preciso de nada.

Ent�o, Mario,...

...aquela garota que estava no lago...

encontrou-a naquela posi��o deitada ou voc� a colocou daquele jeito?

J� estava.

Voc� n�o tocou nela?

Onde a tocou?

-Aqui. -Por que a�?

Para conversarmos.

A chamei para ver se dormia, ela n�o me respondeu,...

ent�o eu disse uma coisa ao seu ouvido, em voz baixa.

E o que voc� disse?

Que tinha feito mal em banhar-se no lago.

Porque esta � a esta��o da Serpente.

E ent�o a Serpente olhou bem nos olhos dela...

fez o encanto e ela ficou adormecida.

Como sabe que a serpente olhou para ela?

Por que ela estava sob um encanto.

E por que voc� colocou a jaqueta em cima?

Eu pensei que ela estava com frio, e minha jaqueta � quentinha.

Mario, essa garota est� morta.

-Me parece meio repentino. -Para mim tamb�m.

-Voc� conhecia bem a Anna? -Sim. Bem, porque...

ela, quando est� treinando, sempre corre aqui, acima e abaixo da colina.

Eu estava l� quando ganhou a Medalha de h�quei.

-Voc� gostava dela? -Sim, muito.

Quanto?

Tanto que... Sempre tor�o por ela.

E al�m de voc�, quem mais gostava dela?

-Seu pai. -Certo, seu pai.

-E depois de seu pai? -Todos, todos.

-Ent�o ningu�m a queria mau? -Ningu�m.

Certeza?

-Se eu contar, o que voc� vai fazer? -Nada.

Ser� um segredo entre voc� e eu.

Meu pai a odeia...

porque Anna tem as pernas largas e magras.

Ao contr�rio dele...

Anna tinha um namorado um pouco mais velho que ela.

Roberto Biasiutti, que � oper�rio em uma f�brica aqui perto.

O pai da mo�a chama-se Davide Nadal.

� vi�vo, hoje foi a Tarvisio procurar um irm�o.

-Sim? -Tem outra filha, que se chama Silvia...

...que estuda na cidade e est� tentando localiz�-la.

Sim, obrigado.

O Prefeito nos ofereceu um espa�o da prefeitura.

Roberto vive com a m�e, que faz faxina em casas.

-O pai? -Sempre ausente.

Sempre ausente... Um pai sempre est� por perto.

Anna era a �nica coisa decente. A �nica.

-Se n�o se sente bem podemos postergar. -N�o, estou bem.

Quer um copo de �gua?

Algo mais forte?

N�o quero nada.

Sua m�e me disse que tem estado o dia todo em casa.

-Sim, n�o fui trabalhar. -Motivo?

Trabalhar na f�brica n�o � divertido.

De vez em quando fico doente.

-Quando viu a Anna pela �ltima vez? -Esta manh�.

Esta manh�? A que hora?

Sai de casa pouco antes das oito.

Tiveram rela��es sexuais?

-Por que me pergunta isso? -Porque devo sab�-lo.

N�o � uma coisa �ntima?

N�o h� uma lei que protege a vida privada da gente?

Sim, mas aqui h� um homic�dio.

-Ent�o? -Sim, tivemos rela��es sexuais.

N�o posso esta noite. Pode dormir com Agnese?

N�o, por que sozinha? Com Agnese me sinto mais tranq�ilo.

Est� bem. Adeus.

Recolhemos alguns depoimentos de vizinhos:

A viram sair 8:00 como todo dia.

Mas l� fora encontrou com um homem da cidade.

-Conhece-o? -Corrado Canales. Um daqui.

Vive aqui, mas tem uma loja em Udine.

Ou melhor, tinha. Agora � da mulher, est�o separados...

-Pe�a para entrar. -Sim.

-Pode? -Entre, entre.

-Bom dia. -Bom dia.

Fiquei sabendo sobre a Anna. � espantoso.

A conhecia bastante porque foi bab� do �ngelo,...

...meu filho.

-Onde a encontrou esta manh�? -Diante do bar.

Eu estava tomando o caf� da manh�, perguntei-lhe se queria um caf�.

-Aceitou? -N�o, me disse que estava com pressa.

-Ela disse onde ia? -N�o.

Muito obrigado. Direi o mesmo que a todos:...

n�o se afaste daqui. Talvez seja necess�ria a sua ajuda.

-Tudo bem. Ent�o... adeus. -Adeus.

V� algo estranho, que n�o pertencia a sua filha?

N�o, todas as coisas s�o dela.

Eu n�o quero fazer o reconhecimento.

N�o quero v�-la, n�o quero faz�-lo.

N�o se preocupe, sua filha Silvia j� fez o reconhecimento.

-Silvia n�o � minha filha. -Perd�o.

Quando conheci minha mulher, tinha perdido recentemente o seu marido.

Silvia tinha pouco mais de um ano.

-Falta seu telefone. -Est� com a pol�cia cient�fica.

E a mochila onde est�?

Tem certeza que estava com ela?

Eu a vi quando saiu. Estava com ela no ombro.

Mas como pode morrer assim? Como pode?

As pessoas querem chorar a s�s...

-...n�o diante de voc�. -S� um segundo.

O que Anna levava na mochila? Desapareceu, n�s n�o encontramos.

Acho que as coisas usuais, nada de particular.

Ana tinha um di�rio?

N�o sei, mas se tinha nunca me disse.

Por que?

Anna era diferente. Era justamente o contr�rio de mim.

-Voc� � muito bela. Anna como era? -N�o a viu?

Sim, a vi.

E n�o lembra que era muito bonita? J� posso ir?

Quero levar meu pai daqui.

Nos ajuda a ver se no quarto da Anna h� algo �til para elucidar isto?

-Agora? -Sim.

Venha, Silvia.

Posso dar algo ao pai?

Continua chorando, e repete "Minha menina, minha menina!".

O que quer lhe dar? Algum rem�dio?

Um rem�dio, um rem�dio...

Minha filha...

-De quem � esse rel�gio? -Do Roberto.

De vez em quando o trocava com a Anna.

Esta noite dormiram aqui. Voc� os viu?

N�o, porque quando subiram eu j� estava dormindo.

Eles encontravam-se �s escondidas pois meu pai odeia o Roberto.

Fala que � um desgra�ado, um imprest�vel.

E como �, Roberto?

Assim.

Mas se isso basta para odiar as pessoas,

dever�amos odiar meio mundo, n�o �?

Aceita um prato de espaguetes?

O que seja mais f�cil para voc�.

Uma queimadura?

-N�o... uma dermatite at�pica. -At�pica? � s�ria?

T�o s�ria que ningu�m sabe como cur�-la.

Basta! Enquadra um pouco a paisagem.

Basta!

Venha, papai, de verdade... J� chega.

A esta idade s�o estranhas, mas j� estou acostumado.

Faz oito meses que me disse...

que n�o queria saber mais nada de competi��es...

e que a �nica coisa gostava era de correr pela colina, sozinha.

"Mas sozinha que gosto h�?" Eu falei meio que de sacanagem.

"Sacanagem"?

-Sim, para faz�-la rir. -E Anna riu?

Por favor! Nunca!

E ela o que fez? Voc� riu sozinho?

Talvez n�o tenha entendido o sentido da brincadeira que fiz.

J� tinha provado a Anna?

-O que? -Se tinha provado ou n�o?

Se eu disser que sim, viro suspeito?

Voc� j� �. Tem antecedentes criminais, teve uma condena��o.

Injusta. Por que n�o rel� a senten�a?

Pode deixar. Agora responda �s minhas perguntas.

Anna era uma garota bonita...

naquela �poca n�o andava ainda com o Roberto...

e eu pensei que entre a gente pudesse rolar alguma coisa.

Ent�o Anna tinha 17 anos. Era menor de idade.

Sim, por n�o dizer...

Voc� tem mais do dobro. De que hist�ria est� falando?

Acredite, n�o houve nada, as rela��es foram amistosas.

Mesmo depois de partir...

Anna vinha por aqui para conversar, para trocar id�ias.

Pode perguntar a todos. Pergunte como a Anna era comigo.

Eu brinco com as garotas, jogo.

Ela entendia perfeitamente.

-Tamb�m a acompanhei a Udine faz um m�s. -Para que?

Tinha que buscar alguns exames no hospital.

-Perdeu o �nibus, eu ia ao centro. -Que exames eram?

Eu perguntei para ela.

Respondeu que era da conta dela.

Eu pensei que teria algum problema com o Roberto.

Mas ela... em resumo, era assim. Por isso a escolhi capit� da equipe.

Essa foi a �ltima vez que a viu?

-N�o. A vi ontem pela manh�. -Onde? A que hora?

Na cidade, ao lado do bar. Ela n�o me viu, eu passava de carro.

Estava falando com o Corrado Canali.

Seja mais preciso. Voc� a parou? Encontrou-a por acaso?

Espere, isso eu n�o sei. Conversavam.

Se tiv�ssemos pessoal, colocaria algu�m atr�s dele 24 horas.

-Por que? -Porque sim.

Delegado, neste momento...

Entre as coisas da Anna, havia an�lise cl�nicas?

-N�o, acho que n�o. -"Acho que n�o" n�o serve. Havia ou n�o?

N�o havia.

Queria dizer que chegaram os relat�rios que esper�vamos.

S� mandaram das pessoas que a Anna mais ligava.

Os demais chega em mais alguns dias.

S�o persas. V�m de Belucistan, uma regi�o ao sul do Ir�.

-� verdade s�o feitos por meninos? -Sim, em alguns lugares sim.

-Por que t�m os dedos pequenos? -Sim, fazem os n�s com mais facilidade.

Embora que na realidade s�o as meninas quem tem os dedos menores...

Est� bem, n�o tem import�ncia.

Em todo caso esses n�o foram feitos por meninos.

Por que n�o me disse que Anna te ligava todos os dias?

Todos os dias, a todas as horas.

-Acredite, eu queria dizer. -E por que n�o disse?

Para n�o criar equ�vocos.

-Tinham uma rela��o? -N�o.

-Tiveram ontem pela manh� um encontro? -N�o.

Como eu j� disse, nos encontramos por acaso.

O caso com a Anna era, como diz�-lo... uma injusti�a..

Ela acreditava estar apaixonada por mim.

Como eu estava sem minha mulher...

ela sabia que eu estava triste e me ligava. Era assim.

Em um lugar como este seria dif�cil manter oculta tal hist�ria.

Aqui todos sabem da vida de todos.

Basta que saia por a� a a perguntar e vai descobrir.

Eu e Alfredo voltaremos para a cidade.

Preciso tratar de dormir, estou quebrado.

-Boa noite, delegado. -Adeus.

Posso te dizer que o "4" em hist�ria irrita mais que o "2" em latim?

-O que tem no pulso? -Uma dermatite at�pica.

H� um m�s.

24 aus�ncias em um trimestre parece demais, n�o?

Ultimamente n�o tenho muita vontade de estudar,...

�s vezes n�o fui, mas os outros sim.

Tem que fazer � for�a o que fazem os demais?

-E onde vai quando n�o vai a aula? -Passear.

Passear?

-Estou atrasada, papai. -France, Posso saber com quem vai?

Sozinha. Acabou o interrogat�rio?

-V� � aula, estou avisando. -Adeus papai.

A doutora Giani me tem feito v�rias perguntas.

N�o se explica como acabamos aqui depois de 20 anos na "Homic�dios".

E voc� o que disse?

"Para mim e o delegado todos os postos s�o iguais."

Fez bem em responder assim.

Alfre, aquela manh� quando a viu... O que pensou?

Parecia que estivesse dormindo.

Coloc�-la naquela posi��o deve ter sido dif�cil...

Mas por que todo esse esfor�o?

Faz funcionar a parte criminal de seu c�rebro.

� muito limitada.

N�o sei, pensei que a tivessem despido

para fazer parecer um delito sexual.

Pode ser.

Mas ent�o que n�o a tenha deixado entre a lama...

como se fosse um objeto.

Por isso a acomodou sobre o ch�o, como se dormisse:

queria deix�-la com o aspecto mais sereno poss�vel.

Depois deu a volta...

e viu que os olhos vigilantes da Anna o olhavam.

Pensou que aquela imagem o atormentaria durante toda a vida.

Ent�o ele voltou...

e lhe girou a cabe�a.

Neste ponto entra o sentimento, Alfre.

Quem quer que a tenha posto nessa posi��o, gostava dela.

Que belo! Carlo gostar� muito, quanta gentileza.

N�o foi minha id�ia. As flores s�o da Francesca.

Francesca?

Neste momento... N�o consigo record�-la.

H� algo que deva saber?

� importante?

N�o, n�o � importante.

H� dias que Carlos deveria ter voltado para casa. Foi horr�vel.

Mas os m�dicos me disseram que logo voltar�, me prometeram isso.

-Sente saudades? -Muit�ssimo.

Quando ele n�o est� eu me sinto sozinha no mundo.

N�o quando voc� est�.

� t�o gentil em vir at� aqui, minha nossa!

Tomar o avi�o, deixar seus alunos, a sua mulher.

� muito bom.

S� que Carlo... N�o me faz sentir...

isso que tenho dentro e que n�o me d� paz.

Me disse que sou bela. Eu sei que n�o � verdade,

mas choro de felicidade quando me diz isso.

J� chega de falar de mim. Vamos falar de seus segredos.

De meus segredos? Eu n�o tenho secretos.

Faz tempo que me dei conta de que tinha uma pistola na gaveta.

Onde est�vamos...? N�o me lembro...

-Na casa de praia? -N�o sei.

Eu pensei: Por que um professor que estuda poesia inglesa

tem uma pistola na gaveta? Por acaso isso n�o � um segredo?

Como est� sua mulher?

Pior. Os m�dicos me disseram isso: Cada vez vai piorar mais.

Ela me confundia com um irm�o que vive no estrangeiro.

E n�o se lembra que tem uma filha.

Como explico algo assim a Francesca?

Delegado...

acabo de receber da doutora Giani um mandado para a casa do Roberto.

Eu j� vou.

-Te encontro l� assim que acabar aqui. -At� mais tarde.

O assassino... A garota o conhecia, confiava.

-Houve viol�ncia sexual? -N�o, era virgem.

-Tem certeza? -Nunca teve uma rela��o em sua vida.

Como foi assassinada?

Com a cabe�a dentro da �gua, h� sinais muito evidentes no pesco�o.

Quanto tempo � necess�rio para morrer assim?

Anna era uma atleta, tinha capacidade pulmonar excelente.

-Pelo menos 7 ou 8 minutos. -Meu deus...

Nenhum sinal de pele sob as unhas na tentativa de arranhar.

N�o precisou de muita for�a para mat�-la.

-Ent�o poderia ter sido uma mulher? -Sim, claro que sim.

Entretanto Anna era forte, robusta...

Sim, mas ela n�o lutou. Deixou ser morta.

N�o me tomem por louco...

mas pode ser que Anna estivesse de acordo com quem a estava matando.

Mas como � poss�vel? Uma jovem cheia de vida.

Anna estava doente: Neoplasia cerebral. Tinha um tumor.

-Poderia se curar? -Acredito que n�o...

teria morrido em um ano.

-Quando poderei reaver a minha filha? -Logo, muito em breve.

Tenho que saber. Por que n�o quer me dizer?

Tenho que organizar o funeral.

Os parentes est�o esperando. O que vou dizer

-Diga que dentro de dois dias. -Dois dias. Voc� jura?

Sim.

Escute, esse m�dico primeiro sentou aqui, como voc�,..

...e depois me perguntou que tipo de medicamentos a Anna tomava.

Que perguntas s�o essas?

Escute. Infelizmente temos que ser muito precisos nos relat�rios.

Talvez a Anna tivesse simples dores de cabe�a...

Sim, podia ter, como podia ter eu ou voc�, mas por qu�?

Todas estas perguntas que lhe parecem absurdas...

...dependem do fato de que h� uma coisa que nos deixa perplexos:...

...por que deixou Anna o h�quei? Porque?

Era uma garota forte.

Pode ser que n�o estivesse bem? Tinha algum problema?

N�o.

Anna deixou a equipe depois da trag�dia daquele garoto.

Esse foi o seu mal.

Que garoto?

�ngelo, filho de Chiara e Corrado Canali.

Aquele de quem era bab�?

Tinha tr�s anos.

Depois disso, Anna chorou uma semana inteira.

Por isso deixou de jogar.

Se tivesse sido outra coisa, teria me dito.

Tem certeza que a Anna lhe contava tudo?

-Sou seu pai, a conhecia. Tem filhos? -Uma.

E n�o sabe o que se passa na cabe�a de sua filha?

INTRODUZA A SENHA

SENHA INCORRETA

N�o foi ao trabalho hoje.

Mam�e, por favor! Pelo menos me deixe em paz!

Sabe o que acontece, n�o?

Sim, eu sei, mas v�o dizer que n�o sabem.

Se amanh� n�o aparecer, ser� despedido.

-Bom dia. -Bom dia.

Isto?

A Anna me deu isso porque n�o queria em sua casa.

Eu n�o disse porque n�o me perguntou.

Acha que somos idiotas?

Se o delegado tivesse dito que procurava os exames eu teria entregado.

Evitaria esta confus�o.

Sim, depois arrumamos tudo. Tamb�m levo isto.

-Essas coisas s�o da Anna. -Outra coisa que n�o nos disse.

Agora vai se ver com o delegado.

Ai que medo.

Inspetor... sinto muito. S� um momento.

Esta l�. N�o tocamos em nada.

Conhece isto?

-� da Anna. -Eu sei.

-Onde encontrou? -L� fora.

N�o � verdade.

-Tem que vir conosco. -Por que?

Porque sim.

Que merda querem de mim? Querem me ferrar, n�o �?

Mas eu n�o sei de nada.

O que fez, Roberto?

-Mam�e, por favor! -Roberto!

E esse?

O rapaz tinha os exames m�dicos da Anna...

e atr�s de sua casa encontramos a mochila.

Decidimos peg�-lo, mas esse peda�o de merda escapou.

Ele deu uma rasteira no Binacci, que � jovem, inexperiente.

Mas voc� n�o � nem jovem, nem inexperiente.

O que podia fazer? Disparar?

-Acredito que foi por ali. -O que por l�?

O rio.

Em todo caso avisei os carros, n�o vai a lugar algum.

-Aonde voc� vai?! -Devagar, Siboldi. Devagar, calma.

Eu n�o fiz nada, n�o fiz nada!

� sacanagem, n�o sou quem procuram! Como devo dizer isso?

Eu gostava da Anna! Eu n�o fiz nada!

Ent�o por que anda fugido? Por esporte?

Cale a boca! Levem-no!

-Quase tirou nossos pulm�es. -J� chega!

-Venha r�pido, vai esfriar. -J� vou.

-O que � isto? -Uma sopa requentada.

Mas a culpa � tua que n�o avisou que vinha.

-Chamava-se Anna, n�o �? -Sim.

E como era? Bonita?

Acabamos de prender o namorado dela.

-Foi ele? -Talvez.

-E por que teria feito isso? -Ainda n�o sei.

Pode n�o ter sido ele.

Ele est� sem ela...

trancado numa cela, ainda est� com medo que estejam equivocados...

e pegar pris�o perp�tua.

-Pensa que pode se equivocar? -Sempre penso.

N�o � culpa da sopa, n�o tenho fome.

-France, por que deixou o piano? -Caramba papai... Ainda?

Tem os dedos largos, parece que de prop�sito...

J� falamos disso!

-Mas n�o me explicou por que. -N�o lhe expliquei isso porque n�o sei.

-Mas haver� um motivo? -Sim, deve ter, mas n�o sei.

Isto � chato... Me canso e me aborre�o.

N�o entendo que aconteceu de uma hora para outra.

Papai, eu disse que n�o sei!

-Deixa. Eu o fa�o. -Eu j� fa�o.

Voc� vai comer, deixa comigo.

Num minuto eu termino.

Precisa explicar porque quando as mulheres discutem, discutem de costas.

Algu�m tem que explicar-me isso!

-A viu esta manh�? -Sim.

E como est�?

Melhor.

-Quando poderei v�-la? -Agora n�o.

Os m�dicos dizem que pode ficar nervosa. A ver� aqui.

-Aqui? -Sim, aqui.

Vai traz�-la para casa mesmo que n�o esteja curada?

Vou trazer porque aqui vai se curar. Deve ter um pouco de paci�ncia.

A mam�e volta e todos ficamos felizes.

Depois me pergunta porque discuto com voc�.

Discuto com voc� porque n�o me diz a verdade.

Porque me trata como se eu tivesse cinco anos.

-O que a mam�e tem n�o se cura. -O que voc� sabe?

Eu sei! Procurei na Internet. Sei tudo sobre sua doen�a.

� progressivo.

S� aumenta, n�o regride. Vai ficando...

Quietinha, hein!? Basta.

Basta, basta...

Por que viemos aqui?

Por que n�o vai atr�s de algu�m?

Posso saber por que?

Este � o c�digo penal. Artigo 575, est� escrito "homic�dio".

E da�? N�o me preocupa. Eu n�o cometi nenhum homic�dio.

Agora me explique porque tinha os discos da Anna.

-J� expliquei. -Repita.

Porque seu computador n�o funcionava e utilizava o meu.

Por que passou o dia inteiro mexendo nestes discos?

-Queria saber o que tinha dentro. -Por que?

Para entender! Para encontrar uma pista, para descobrir quem a matou!

-Isso fazemos n�s. -Ent�o estou tranq�ilo!

Talvez n�o esteja entendendo.

A coisa t� feia para voc�.

A �ltimo que falta � bancar o engra�ado,...

pior ainda o insolente, e mais pior ainda o fanfarr�o.

-Estou dizendo a verdade. -Voc� n�o vai me sacanear! Entendeu?!

Se insistir em dizer...

que n�o sabe por que a mochila estava perto de sua casa...

e que tinha os exames da Anna, mas n�o sabia que eram...

e s� descobriu depois de que a encontramos morta,...

voc� vai pegar 30 anos! Fui claro?

Eu digo a verdade, s�o voc�s que n�o acreditam!

Diga voc� qual � a verdade! Diga ent�o!

Mas � claro.

Ent�o?

O que?

-Voc� disse que diria a verdade. -Eu pensei nisso melhor.

-Que peda�o de... -Ei! Cuidado com os insultos.

Cuidado com os insultos, isso n�o lhe conv�m.

Vamos com calma.

Voltemos para os discos.

Queria apag�-lo, por isso voc� trabalhou neles o dia todo.

N�o � verdade, n�o � verdade, n�o � verdade...

...n�o � verdade, n�o � verdade, n�o � verdade...

...n�o � verdade, n�o � verdade, n�o � verdade...

N�o ser� o ch� a causa desta dermatite.

Pensei em tudo, mas no ch� n�o havia pensado.

-Descobriu a senha dos CD? -Ainda n�o.

-Foi o garoto? -� muito prov�vel.

Como morreu o filho do Corrado Canali?

Um acidente, uma morte absurda:

Afogado por uma bolacha enquanto tomava o caf� da manh�.

Quando se deram conta j� n�o havia nada que fazer.

Prestou aten��o?

Hoje em dia quando as mulheres ficam gr�vidas a barriga n�o aparece.

E n�o � melhor?

N�o. N�o � melhor.

Disse que passou toda a manh� de ontem em casa, mas n�o h� testemunhas.

Conforme os informe �s 11:00 recebeu uma chamada...

mas n�o atendeu. Disse que escutava m�sica com fone na orelha.

-O que acha? -N�o sei.

N�o me dou com o rapaz. Culpa minha, n�o sou muito simp�tico.

-Preciso falar com ele. -Claro. � todo seu.

Vi o v�deo da Anna.

Pareceu-me uma filmagem m�rbida,...

o modo que o pai a enquadra, a segue. Sempre est� apenas a Anna.

A irm� est� l�, ouve sua voz, mas n�o lhe v� nunca.

O pai a ignora.

-N�o teve esta impress�o? -Sim, eu tive.

Ent�o dever�amos voltar a falar com o Nadal.

E o que fazemos?

O acusamos de gostar muito de sua filha e pouco da filha de sua mulher?

Aqui na delegacia dizem que voc� � casado e tem uma filha.

� bonita sua mulher?

Me pergunto como um homem anti-social consegue conquistar uma bela mulher.

Pelo jeito n�o era anti-social.

Bonitas, s�rio? Parecem perfeitas...

mesmo assim em cada um h� sempre um defeitinho,...

-...um n� mal feito. -Feito mal de prop�sito?

Um poeta persa diz...

...o que � para permitir ao Deus da trama poder liberar-se.

Mas n�o est� aqui pelas toalhas de mesa, n�o �?

Voc� me conhece?

Seria pedir demais que v� embora depois?

N�o, n�o me ofendo.

Era diferente das garotas de sua idade.

Por�m boa, mais sensata. Era forte, atrevida.

Por que ningu�m queria cuidar de seu filho?

As outras garotas preferiam cuidar de crian�as normais.

�ngelo n�o era?

Imaginava que quisesse me perguntar algo sobre a Anna.

Estou tentando entender, ter uma id�ia.

� que eu imaginava que me faria perguntas mais policiais.

-N�o vai perguntar se tenho um �libi? -Voc� tem?

N�o.

N�o � a �nica.

�ngelo estava doente.

Estava preso em seu mundo, cheio de medos com os quais lutava.

A �nica coisa que os m�dicos estavam de acordo...

era que com a idade n�o melhoraria.

N�o ficava de p�, n�o dormia.

Sempre chorou, desde que nasceu.

Um pranto sem consolo.

Era dif�cil saber o que fazer com o �ngelo.

S� a Anna sabia como lidar, ela tinha paci�ncia.

e ele se acalmava, a adorava.

-�s vezes sentia ci�mes disso. -Ci�mes, como?

Como as m�es que sabem que n�o est�o � altura dos problemas dos filhos...

e acham que � melhor que elas.

Se quiser, posso acompanh�-la.

-Quem � esse? Seu namorado? -Chama-se Simone.

E o que faz aqui, na loja dos Canali?

� o restaurador. Veio buscar um cheque.

Se d� bem com ele?

-Alguns dias parece que sim. -O que aconteceu?

Outro dia estava desesperada. Agora parece melhor.

Diga-me. Como consegue isso?

-Basta se afastar da dor. -� uma palavra.

-Eu sa� de casa. Estou com ele. -Abandonou seu pai?

Est� sozinho, s� com a Anna.

Al�m disso n�o � meu verdadeiro pai.

O verdadeiro sumiu...

e os que conheciam dizem que n�o perdi nada.

N�o pode escolher os pais. N�o h� outro jeito.

Isso � verdade.

Tenho que ir.

Entre as coisas que levaram de casa...

h� um anjinho de bronze, assim bem pequeno. Voc�s ter�o que devolver.

-Um anjinho? -Anna tinha muitos.

Est� bem. Assim que for poss�vel eu devolvo.

Este � o percurso que teria feito a Anna naquela manh�.

Qual � a rua que tomava geralmente para ir ao col�gio?

A parada do �nibus est� aqui. Sua casa est� aqui detr�s.

Passou por aqui.

-Por que mentiu? -Ainda esta pergunta?

Quantas vezes tenho feito isso?

-100, 200, 2000? -Que necessidade tinha de mentir?

Eu disse sem pensar.

Por vergonha:

Se eu dissesse que dormi com a Anna mas que n�o transamos,

falariam que eu era louco.

Eu n�o estou louco, n�o tenho problemas sexuais.

E al�m, tinha que dizer ao celular! Qual �?

Por que deveria t�-la matado?

Anna gostava de mim e eu dela. Por que teria que mat�-la?

-Por que? -Me escute.

Voc� n�o pode saber, mas eu sei.

J� vi muitos corpos assassinados, est�o decompostos, duros pelo medo.*

Anna n�o.

Como se a morte a tivesse libertado de um castigo.

-Por isso pensamos em voc�. -Mas o que diz?

Anna disse que estava mal,

que ia viver pouco tempo... Talvez choraram juntos.

Pode ser que falaram em morrer juntos, mas ela te pediu outra coisa

evitar m�dicos, cl�nicas, faz�-la morrer tranq�ilamente.

Sem fazer barulho, sem incomodar a ningu�m e voc� assim o fez.

N�o � assim.

Eu n�o sabia que estava doente. Soube ontem.

� obvio que n�o lhe disse tudo...

mas voc� n�o me disse nada.

-Acho que a deten��o ser� confirmada. -Escutou?

Vou dizer, voc� est� preso. N�o tem nada a dizer?

-Vai tomar no rabo. -Assim. Bem, bem.

Desbloquearam o CD.

Imprime o que h� dentro. Quero ler tudo.

Qual era a senha?

�ngelo.

Delegado, n�o pode fumar aqui.

Me prenda.

Meu �ngelo.

"A escola come�ou faz uma semana..."

"e eu me sinto estancada."

"�s vezes queria ser entendida de cara."

"Gostaria que bastasse um olhar e n�o ter que explicar nada..."

"...para entender minha melancolia."

"Tenho que entender que estamos crescendo..."

"...e cada um est� procurando seu pr�prio modo de ser."

"Hoje na escola eu dormi."

"N�o � a primeira vez que me acontece."

"De repente me ataca uma esp�cie de canseira."

"Estou convencida que a cor dos olhos depende da vida."

Se a pessoa for feliz, nos olhos se acende uma luz."

"Imaginei como seria o �ngelo quando fosse maior e tivesse barba."

"As garotas ficariam atr�s dele. E eu ficaria cheia de ci�mes."

"Queria que certos dias n�o existissem, que n�o tivessem existido nunca."

"...Existe o Roberto."

"Cada um deveria expressar seu carinho como sabe faz�-lo."

"Os compromissos com a equipe s�o pesados..."

"...mas jogar significa muito para mim."

"Quando corro pela colina e de l� des�o ao lago..."

"...sempre sinto sobre mim o olhar do Mario."

"� um olhar doce. Eu n�o sinto medo."

"Mas o pai me d� calafrios, com aquele olhar sempre severo."

A esposa se foi porque n�o suportava o filho louco.

"�s vezes pare�o meu pai."

"Tenho dificuldades para aceitar que estou mudando muito."

"Quando corro pela colina e de l� des�o ao lago..."

"...sempre sinto sobre mim o olhar do Mario."

"N�o sinto medo, mas o pai dele me d� calafrios."

O que est� fazendo?

Cavando a cova para o Maciste.

Papai disse que morreu de velho esta noite.

Mas se descobrir que ele o envenenou, juro que lhe arranco a cabe�a.

Eu sei que um filho n�o deve dizer estas coisas, mas eu...

Seu pai, onde est�?

Onde sempre est�, maldito.

Quero um advogado.

S� em ju�zo. Responda as minhas perguntas.

-N�o pode me tratar como se... -N�o estou tratando de jeito nenhum.

Aproveita pois estou nesta cadeira. Queria ver se...

Responda �s minhas perguntas! Prefere responder na cadeia?

O que � capaz de fazer sozinho? Pode caminhar, conduzir o furg�o?

Posso, mas n�o fa�o.

O furg�o � adaptado no volante. Para qu� se n�o o utiliza?

O furg�o tem dez anos. Antes eu o conduzia, agora n�o.

-Agarre meu bra�o. -O que?

Agarre meu bra�o.

-Por que? -Fa�a o que mando!

For�a! Mais forte.

Mais forte. Agarre mais forte!

Est� bem, basta.

Quis ver se sou forte o bastante para quebrar o pesco�o de um coelho?

N�o. Queria ver era t�o forte para afogar uma garota.

-Eu? -Sim, voc�.

-E por que eu teria feito isso? -Eu n�o sei!

Talvez para n�o v�-la mais correndo por a�...

...talvez para n�o ver mais o Mario a esperando.

Odeia o Mario?

Quando era pequeno o odiava, mas agora n�o. Nos fazemos companhia.

Ficamos n�s dois sozinhos: o paral�tico e o louco.

Por que o odiava?

Como explico? Voc� tem filhos belos, sadios, inteligentes.

-Tente. -N�o tenho palavras. N�o sei explicar.

Pensa mal de si. Pensa que � sua culpa.

Tudo acaba, tudo fica negro.

S� quem passa por isso pode entender. S� mesmo quem passa.

Se ainda se trata da Anna, n�o tenho nada mais acrescentar.

N�o se trata da Anna. Eu quero falar do �ngelo.

E por que?

Se n�o quiser, vou embora, mas amanh� lhe farei as mesmas perguntas.

O que o �ngelo tem a ver com a morte da Anna?

N�o sei.

Pergunte o que tem para me perguntar e depois desapare�a.

Foi a morte do menino o motivo da separa��o de voc�s?

N�o est�vamos conseguindo suportar esse peso...

...esse sentimento de culpa.

Para o Corrado ainda foi pior:

O menino estava com ele aquela manh�.

Depois de meses de pranto, de dor,

loucura,

cada um de n�s foi para seu lado.

Como morreu �ngelo?

Tipo... Enquanto tomava seu leite e bolachas

ficou engasgado.

Algo que n�o ia nem para cima nem para baixo.

Estava sem ar, n�o podia nem gritar.

O que recorda daquele dia?

Tudo.

Estava na cama. N�o tinha pego no sono a noite toda...

porque �ngelo n�o se acalmava.

Tinha chorado at� as cinco.

Logo dormiu. Depois de duas horas estava outra vez acordado.

Eu n�o podia fazer mais nada, estava esgotada.

Corrado se levantou para ir com ele.

-Voc� ficou na cama? -Sim.

-Dormia? -Mais ou menos.

Ouviu alguma coisa? Barulhos?

Suas vozes. Estavam tomando caf� da manh�.

Nada em particular?

Os... Os gritos do �ngelo.

-�ngelo gritava? -�ngelo sempre gritava.

Era capaz de bater o copo sobre a mesa, durante horas...

at� que conseguir o que queria.

Voc� o vestia e ele, num instante, retirava tudo.

Dava os rem�dios e ele cuspia.

E seu marido? Ele tamb�m gritava?

Mas o que est� procurando? Se os dois gritavam.

Mas n�o pense mal. Todos os dias era assim.

Depois meu marido entrou no banheiro e �ngelo continuou gritando.

E voc� o que fez?

Coloquei a cabe�a sob o travesseiro.

Voc� tamb�m teria feito isso em meu lugar. Qualquer pessoa.

Pouco depois dormi.

Com a cabe�a sob o travesseiro podia ouvir algo?

Disse que seu marido gritava?

N�o quero que fa�a uma id�ia equivocada.

Me diga o que gritava seu marido...

e juro que n�o farei nenhuma id�ia equivocada.

Nunca. Nunca direi a ningu�m.

Quando lhe vi atr�s da janela pensei que vinha aqui.

Achava?

N�o, eu esperava.

Sim, eu esperava.

Espero tudo.

At� certo ponto n�o pode fazer mais...

tem tudo dentro de voc�...

... e precisa falar, n�o?

Sabe, eu li na sua cara na outra tarde.

Mas ainda n�o entendi, faltavam-me muitas coisas.

Eu n�o consegui responder a pergunta mais simples:

Por qu�?

Anna e eu t�nhamos uma rela��o.

Durou alguns meses.

Depois ela come�ou a ter pretens�es absurdas.

Queria viver aqui, queria que falasse com a Chiara.

Tornou-se obsessiva.

E a matou por isso.

Sim.

Sim.

Minha boca est� um pouco seca.

Quer entrar? Posso acompanh�-la?

N�o. Vamos esperar.

Em outras circunst�ncias me ofenderia por uma mentira t�o grande.

N�o acredita em mim?

N�o, eu n�o acredito.

Que mais quer saber?

Eu j� disse, me atormentava.

Aquela manh�, quando a encontrei na porta do bar...

Anna insistiu para dar uma volta e conversar.

Marcou no lago e fui atr�s dela.

Mas ela n�o escutava, n�o queria ouvir nada.

Estava possessa.

Eu perdi a cabe�a.

E jogou a mochila atr�s da casa do Roberto.

Sim.

V�s n�o tiveram nenhuma rela��o: Anna era virgem.

E Anna n�o teria planejado o futuro, nem com voc� nem com outros...

porque ela n�o tinha futuro:

morreria por causa de um tumor em poucos meses.

Por isso n�o se defendeu.

Por que n�o tem nenhuma foto do �ngelo?

O que isso tem a ver?

Por que n�o me prende e acabamos com isto?

Me responda.

Mas voc� sabe o que se sente quando morre um filho? Voc� sabe?

N�o posso imaginar.

Vai ao banheiro pela manh� e encontra...

sua escova de dentes sob o espelho...

ou uma esponja de pl�stico na beira da banheira.

Passam os meses e encontra outro brinquedo debaixo do sof�.

Ent�o joga tudo fora.

Mas toda vez parece que cometeu um delito.

Sabe quanto tempo dura o aroma de um menino em um pijama de algod�o?

Quem chamou � ambul�ncia no dia da morte do �ngelo?

O empregado lembra que ao telefone estava a voz de uma garota...

t�o nervosa que nem deixou o nome.

A garota que toda manh� passava por diante de sua janela.

Anna disse o que viu:...

o pequeno que j� n�o respirava, que n�o fazia mais nada...

ningu�m o ajudou, ningu�m correu at� ele. Ningu�m.

E tamb�m viu que voc�...

escutou o �ngelo tossir, mas...

n�o se moveu.

Chega.

Chega.

Desde que Anna soube que estava doente, ficou insistente, obsessiva.

Os olhares, as chamadas...

os acusavam, lhe impediam de esquecer.

Acabei por fazer uma confiss�o de homic�dio.

Eu matei a Anna.

J� chega.

Est� bem, basta.

Meu marido me disse que n�o gostaria de estar presente no parto.

Isso me faz sentir mal.

Voc� estava quando nasceu sua filha?

-Tamb�m n�o. -Viu como se parecem?

E sua mulher?

Tamb�m ela se sentiu mal.

Agora, com o passar do tempo, arrependeu-se?

Sim.

Se eu lhe convidar para jantar, importaria de contar ao meu marido?

-Como assim? -Que agora se arrependeu.

Claro que sim.

Sem sacanagem?

Claro que sim.

Estou aqui para te dizer que nos equivocamos.

Sua m�e est� l� fora, te esperando.

N�o sabemos o que dizer a quem n�o tem culpa e causamos problemas.

Sinto muito.

Foi forte, muito.

Talvez devesse achar um ombro para chorar.

-N�o sobre o seu. -Justo, n�o sobre o meu.

Mas ela gosta dele de verdade?

Os m�dicos dizem que sim.

E ele?

Ele a ama.

Viu s�? Sorriu para voc�.

Tradu��o: == Pinguim-SP ==

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