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Para Alp Zeki Heper
Uma Produção Mavi Filmcilik
Bloco C
Vá para o número 36. Eu vou para o E 12.
O que é? Que barulho.
- Para onde? - Número 63.
- O que vai fazer no 63? - Vou entregar esse pacote.
- O que tem aí? - Duas blusas e uma capa de chuva.
Comecei há pouco a trabalhar numa lavanderia.
Pediram-me para fazer essa entrega.
- Onde ficam os elevadores? - Ninguém sabe nada aqui.
Que merda!
O que é? O que você quer?
- A dona da casa está? - Não. Dê-me o pacote.
Entre. A porta está aberta.
Feche a porta.
Agora feche os olhos.
Não abra antes de eu permitir, ou ficarei com raiva.
Seus olhos estão fechados, não estão?
Tem de esperar um pouco mais. Disse que fechar os olhos.
Agora pode abrir.
Estou aqui, idiota!
Olhe, olhe e deseje esta mulher.
Deseje-me, bobo. Não fique me olhando como uma vaca. Faça algo.
Louco. Foda-se!
Pegue-me se puder. Você é doido. Olhe para esses olhos.
Vou te foder se você me machucar.
Estou suada. Vou tomar um banho.
Vá embora. A senhora vai chegar daqui a pouco.
Halet. Chega, saia de perto do carro.
Ok, senhor. Ele só estava se olhando. Vamos, venha comigo.
O que é?
Aziz, a Sra. Tülay quer ver o Halet imediatamente.
Está bem.
Vá para o no. 16.
Não ouviu?
Entre, Halet. Seu nome é Halet, não é?
Por que quebrou a vidraça?
Foi você quem quebrou, não foi, Halet?
Não tem problema. Só pergunto por curiosidade.
Sra. Tülay.
- O jantar está servido. - Já vou.
Não vai responder?
Conserto amanhã.
- Vai consertar amanhã? - Chega, Tülay.
Já disse: não tem importância. Só pergunto por curiosidade.
- O Asli pediu para você consertar? - Tülay, já disse que basta.
Não se meta, Selim. Tenho motivos para perguntar.
Sim.
Tudo bem.
- Asli. - Sim, Sra. Tülay?
Traga o que preparou.
A Sra. Tülay pediu para preparar isso para você e para o seu pai.
Asli, está tarde. Sua mãe vai ficar preocupada.
Ok, Sr. Selim. Já está acabando.
Selim.
Halet, venha. Vamos tomar um chá.
Você quer?
Posso te vender bem em conta. Tenho uns maiores.
Minha barraca é ali. Atrás das pedras.
É seu?
Sim, meu marido está lá dentro, tirando uma soneca.
Não parece ter ninguém lá dentro.
Eu compro outra vez. Adeus.
- Gostaria de falar com a Sra. Fatos. - Um momento, por favor.
Ok, senhor. Eu os informarei.
Ok, senhor. Tenha um bom dia.
O que estava fazendo lá?
- Onde está essa merda? - Pegue o meu.
Blush, estojo de maquiagem.
Bloco de notas, caneta. Óculos de sol.
E um romance de aventura.
Aqui está a porra.
- Você lê isso? - Só para me distrair.
Bem, não é só por isso. Eu adoro livros como esse.
Fico embaraçada, mas não sei porque.
Sinto como se pudesse encontrar enquanto leio.
Como vão as coisas com o marido?
Não sei.
Vamos nos encontrar de novo. Podemos ir a algum lugar.
- Que dia é hoje? - Terça.
Sabe que nos mudamos para bem perto. Posso sempre dar uma passadinha.
- Se não se importar. - Não, mas é bom ligar antes.
Ok, como quiser.
Não me interprete mal. Acabei de tirar a carteira.
Estou louca para dirigir. Posso não estar em casa.
Entendo. Divirta-se.
Adoro ficar dirigindo. Não suporto ficar em casa.
- São quinze para as quatro, certo? - Vinte para as quatro.
Vou embora.
- Ninguém mais me suporta, além de você. - Ah, sua boba!
Desculpa, dei uma saída. Entre.
Olá.
- Onde estava? - No banheiro. Eu a ouvi chegar.
- Prepare algo para comer. - OK.
Alô.
Selim?
- Pode ir embora, Asli. - Ok, Sra. Tülay.
Quer terminar tudo?
Estou deixando a Sra. Tülay.
Desligue isso, Asli.
Desligue.
Vou tomar um banho, ligar para Fatos e dizer para ela que chego lá em uma hora.
Eu liguei para você hoje pela manhã. A sua empregada disse que você não estava.
Dez minutos depois ligou de volta para dizer que estaria aqui em uma hora.
Aí chegou assim, toda desalinhada, pálida, depois de nove horas.
Agora pode me dizer o que está acontecendo?
- Você está bem? - Estou arruinada! Arruinada!
Tülay?
- Tem fósforo? - Sim, claro.
- Obrigada. - De nada.
Não foi à polícia?
Que loucura. O que esperava?
Não sei. Por um momento achei que veria a cidade.
Tire isso, se quiser. Vai ficar com calor.
Fatos, começaram a soltar os fogos. Está muito bonito.
Olhe para eles. São crianças. Estão vendo os fogos de artifício.
Estou arruinada. Arruinada.
Tülay, o que está acontecendo?
- Vamos, cara. Vamos. - Pare com isso. Pare.
O que estão fazendo aqui? Vão embora!
- O que é isso no seu pescoço? - Estava fora. Peguei uma gripe.
Para onde foi?
Estive por aí.
Devia ter ido ao médico.
Pare. Vai matá-lo!
Tülay, está dormindo?
- O que está vendo? - Um filme de horror.
É sobre o quê?
Não estou entendendo. Perdi o início.
Mas acho que é sobre alienígenas disfarçados de humanos.
Parece um bom filme.
Agora vá e traga-me raki e gelo.
Já bebeu demais. A Sra.. Tülay vai se zangar.
Vamos, Asli. Traga.
Quando Tülay voltou?
- Acho que é o líder. - É.
- O de óculos escuros? - Um alien disfarçado de padre.
Max sabe disso, mas finge que não sabe para aprisioná-lo.
- Como sabe que são ETs? - Pelos óculos escuros.
Um professor que morreu no início descobriu isso e contou para o Max.
- Por que ele morreu? - Porque os ETs sabiam que ele sabia.
Eles invadiram o laboratório dele à noite e o mataram.
- Que chato. Ainda bem que Max está aí. - É, Max está aí.
Acho que Tülay está dormindo. Ela estava muito cansada.
- Ela costuma voltar tarde? - Às vezes.
Ela anda estranha ultimamente.
Por que não responde algumas perguntas?
Que perguntas?
- Como vai a sua mãe? - Está bem. Anda por aí.
- O filme já está no fim. - Esse que levou um tiro não é ET?
Sim, Max o matou quando ele pegou os outros.
- Pode ir. Sua mãe vai ficar preocupada. - Tenho de lavar os pratos.
Pode lavar amanhã. Olhe, vou viajar por uns dias.
Se precisar de algo, diga-me, ok?
- Dê lembranças a ela. - Ok.
Vou te foder se me magoar.
Halet.
Tudo pronto, Sra. Tülay.
- Bom dia, Asli. - Bom dia, Sra. Tülay.
- O Salim já foi? - Esperou a Sra.. acordar.
Vai telefonar depois.
- Como está? - Estou bem. O banho está pronto?
Está pronto.
Sr. Salim não estava bem. Disse que ia viajar.
Por que não come, mãe?
Qual é o problema?
Está pálida. O que está fazendo com o dinheiro que mando para você?
- Responda, mãe! - Não fique zangada assim.
Não me interprete mal, mas não estão mandando um milhão por mês?
Só dá para a comida. O seu irmão está doente.
Que um milhão, mãe!
É claro que eu ficaria assim. Que merda!
Perdão?
Está surda? Disse "merda!"
Abra os olhos, mãe! Nunca percebeu nada?
Todo mês eu mando cinco milhões para aquele homem.
Além disso, no meio do mês sempre mando mais 10 milhões.
Nunca soube disso.
Nunca abre a boca para falar.
Estou cheia de todos vocês! De você, daquele cara.
E ainda me procura.
Seus filhos sugam o seu sangue e você não diz nada.
Seu marido rouba o seu dinheiro e você também não diz nada.
Não fique chateada. Você sabe como sou.
Não sei o que há de errado comigo. Tenho vontade de magoar as pessoas.
Não queria parar na vizinhança, se não se importar.
Senhora. Senhora. O que há?
Cuide da sua vida!
Alô. Estou bem. Me deixe em paz.
Saí para tomar um ar. Está me investigando?
Não sei, talvez vá a Fatos. Estou de saco cheio, entende?
O que está olhando? Sabe algo sobre essas perguntas estúpidas?
Me responda!
Não sei de nada, Sra. Tülay. Só estou preocupada.
Ela disse que eu estava olhando para trás enquanto caminhava.
Disse que tenho agido estranhamente. Disse que está preocupada comigo.
Quem é você, sua putinha?
Talvez esteja certa em se preocupar.
Não fique zangada. Disse que talvez esteja certa.
Selim, a empregada, até o porteiro. Por que agiriam assim?
Estou mesmo de saco cheio.
Está tarde. Vamos embora.
Há outro homem?
Não tem de dizer ao seu marido o que está acontecendo?
Vai me deixar com todas essas perguntas na minha cabeça?
Diga-me o que está acontecendo!
Estou indo.
Obrigada.
- Está bem? - Pareço mal?
Não.
Não estava bem pela manhã.
- Por que não comeu comigo? - Fiquei sem fome por ter cozinhado.
Como alguém pode ficar sem fome por ter cozinhado?
Não sei, mas fiquei.
- O que está vendo? - Novela.
- Que tipo de novela? - Uma novela qualquer.
- Está querendo me dizer alguma coisa? - Como assim?
Sei lá. Nunca falou comigo assim antes.
Já não saio há três dias Só que conversar.
Desculpe.
- Vou te perguntar uma coisa. - Sim, claro.
O que pensou quando me encontrou daquele jeito naquela manhã?
- Eu não estava me sentindo bem. - Nada.
Apenas que a senhora bebeu e se divertiu com Fatos.
- Por que perguntou? - Pensei que tivesse interpretado mal.
Por que teria interpretado mal? Como pôde pensar isso?
Naquela noite, de madrugada, o Sr. Selim me ligou.
Ele disse-me que lhe ligou, e como a senhora não atendeu, ligou para mim.
- O que disse? - Disse-lhe que estava com a Sra. Fatos
e que tinha bebido muito, e por isso foi para cama, mas que estava bem.
- Estou indo, Sra. Tülay. - Por que mentiu?
Algo errado podia ter acontecido.
Sabe que eu e minha mãe nos sustentamos com o dinheiro desta casa.
Boa noite.
- Como vai? - Bem, senhora. Precisa de algo?
- Não, mas o senhor precisa? - Obrigado, senhora. Estamos bem.
- Se precisar, diga-me. - Obrigado, senhora.
Com licença, tem fogo?
Obrigado.
Assassino! Ele é um assassino!
Foi a última vez que eu o vi.
Conheço um psiquiatra, caso precise.
- Egemen, é você? - Sim.
- É Tülay. Fatos está? - Não, foi para a casa da Suzan.
Tudo bem. Ligo amanhã.
Mas que horas são? Doze e dez.
- Isso. - Obrigado. Boa noite.
Sra. Tülay.
- O que faz aqui? - Esperava a senhora.
Por que? O seu patrão foi embora e agora é a sua vez de me vigiar?
Sra. Tülay.
Pensa que não sei o que quer?
Essas ameaças cínicas. Fingindo que está me protegendo.
Quem pensa que é para me proteger?
Na sua cabecinha pensa que pode salvar esse casamento?
- Sra. Tülay. - Calada!
Agora.
Agora, pegue suas coisas e saia desta casa.
- Sra. Tülay. - Fora!
Quis matá-lo. Ele era nojento e frio como gelo.
Então percebi que tudo estava para trás.
Ainda doía. Não dissemos nada. Saí. Estava chovendo.
Então eu me virei para ver. Os blocos tinham crescido como monstros na noite.
As luzes de alguns apartamentos estavam ligadas. Tentei adivinhar os números.
8, 33, 49, 61.
Andei pelas ruas a noite inteira. Não acreditava no que tinha acontecido.
Por fim, fui ter com minha mãe depois de todos esses anos.
Descansei e assisti à tv como se nunca tivesse saído dali.
Fiz isso por exatamente cinco dias.
Sinto sono no momento em que ponho a cabeça no travesseiro.
Esqueci a minha vida no bloco, Selim, Asli.
Até lembrei-me de meu carro muitos dias depois.
Entrei no carro e por uns instantes suspeitei se era eu mesma quem dirigia.
Então me encontrei na estrada Dirigi, dirigi e dirigi.
Era como um poema melancólico. Começava a entender lentamente.
Os dias se passaram e este foi o único fato que compreendi.
Como diz o poema, "fui levada por uma leve correnteza piedosa".
Aluguei um apartamento em Üsküdar e me mudei para lá.
A propósito, lembre-se disso. Estou procurando um emprego.
Falo com o Sr. Naci se quiser. Ele tem perguntado por você.
Foi a primeira manhã na casa nova. Acordei bem cedo.
De repente, pensei nele. Senti sua falta e quis vê-lo.
- Vou fazer umas compras. - Não se atrase.
- Não me atrasarei. - Meus convidados vêm à noite.
Ah, minha mãe está muito agradecida por ter me arranjado o emprego.
Tudo bem.
- Lembranças a sua mãe. - OK.
Vá agora. Preciso ver alguém lá embaixo.
Com licença. Estou procurando o Halet.
O pai dele está ali.
O homem está muito mal. Não falava nada. Chorava. Pensei que tinha morrido.
Lembrei da última vez que o vi.
Tinha uma cicatriz no rosto, da briga que teve com o assassino.
Trancou-se em casa por dias depois que saiu do hospital.
Depois, viram-no algumas vezes esperando por mim.
Por fim, Asli disse-lhe que eu tinha partido.
Naquela noite ele se perdeu e não souberam dele por dias seguidos.
Por fim, seu pai soube que esteve numa delegacia de polícia.
Disseram-lhe que o tinham prendido por uns dias e então internaram-no.
Estragaram tudo mais uma vez.
Não vou deixar que se encontrem aqui novamente.
Feliz Ano Novo.
Tradução: frombr cinemarginal.org
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