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TEREI O DIREITO DE MATAR?
Os personagens deste filme s�o meramente fict�cios,
qualquer semelhan�a com a realidade � coincid�ncia.
Kabylia, 1959
Precisamos tir�-lo daqui, Tenente.
N�o.
Fraser far� isso em meu lugar.
D�-me tempo. Ele ser� apenas mais um morto.
Thomas! Cubra-o! Atire!
Argel, 1961
Voc� acha que tudo est� terminado em Argel esta noite?
A cidade de Argel foi definitivamente...
tomada pelos legalistas franceses?
� dif�cil falar agora, porque...
� preciso dirigir por toda a cidade,
observar tudo o que est� acontecendo...
nos bairros de Argel, como Belcourt,
Bab El Oued e outros lugares,
para saber exatamente onde estamos no momento.
Arg�lia Francesa
"A Arg�lia � francesa!" "A Arg�lia � francesa!"
Seria bom que comprasse um tambor para ele.
Eles ver�o a nossa raz�o, sempre disse isso.
Eles ver�o o nosso lado e nos ajudar�o.
- Algu�m ligou? - N�o, esperava algu�m?
Sim, hoje, amanh� ou depois de amanh�.
- Quais as novidades, Thomas? - Excelentes.
As not�cias s�o excelentes. N�o poderiam ser melhores.
Bravo, gra�as ao Ex�rcito. Isso � essencial.
Isso, gra�as ao Ex�rcito.
Por que n�o pede ao seu pai que ele seja menos surdo?
O que voc� disse, Thomas?
Que est� tudo bem e que deve descansar. Ligarei seu r�dio.
N�o deve zombar dele, Thomas.
- N�o estou. - Voc� n�o entende.
- Entendo sim. - N�o, voc� n�o entende.
Voc� n�o deveria sair, Thomas. Pode ser pego.
N�o vou, eles n�o t�m pessoal suficiente para isso.
- J� comeu? - N�o.
- Quer que eu fa�a algo? - Mais tarde.
Desde que fui dispensado, estou engordando.
Voc� est� pouco se lixando para tudo isso, n�o �?
Como assim?
Sobre tudo o que pode acontecer conosco.
De modo algum...
Achei que a Legi�o amava a Fran�a.
Eu amei por seis anos, sendo apenas um estrangeiro.
Por 65 mil francos ao m�s.
Mas ent�o, a Fran�a e eu, nos divorciamos.
N�o!
Sim. Est� brava?
N�o!
- Sim. - N�o!
O que h� com voc�?
Est� louca?
S�o os nervos.
Nervos, certo. Deixe-me sozinha.
Tudo bem.
N�o, Thomas, n�o � assim. S� n�o � o momento certo.
� sempre a hora certa.
N�o significa nada para voc�, sei disso.
Mas tamb�m significa algo para mim.
�s vezes tenho at� vontade de lhe contar sobre isso.
Perd�o.
Thomas...
O homem que voc� estava esperando veio.
O qu�? Como assim?
O homem que voc� estava esperando. Veio aqui.
- Por que tinha mentido? - N�o sei.
- O que quer dizer com isso? - Adivinhe.
Voc� n�o queria que eu o conhecesse, certo?
Ele disse que voc� deveria esper�-lo aqui �s 23h.
Perfeito.
Como voc� est�, Thomas?
Tudo bem, Tenente.
Esse lugar � seguro? Quem � ele?
Ele � surdo. N�o h� risco.
Qual � a sensa��o de ser um desertor?
� um pouco entediante, mas voc� se acostuma.
E quanto a voc�, Tenente? Sem preocupa��es?
Ou�a, Thomas.
Quando lhe pedi para que desertasse comigo...
voc� n�o hesitou, voc� me seguiu.
Sim.
Voc� lembra?
Para n�s desertar foi a continuidade da nossa a��o.
Para que continu�ssemos a lutar,
para que este pa�s continuasse a ser franc�s.
Para ser sincero, Tenente, est� tudo fodido. Acabou.
Falando francamente.
- N�o me importo com pol�tica. - Nem eu.
Quer dizer, desde que o golpe n�o deu certo,
eu me escondi.
N�o sou um soldado, tamb�m n�o sou um civil.
E eu quero ir para casa.
Isso � tudo que tenho a lhe dizer.
Sua vez.
Tenho um trabalho para voc�.
- Com voc�? - Comigo, sob meu comando.
Estou ouvindo, Tenente.
� sobre uma advogada.
Ela veio de Lyon defender dois terroristas
da pris�o em Maison-Carr�e.
O que voc� quer fazer com ela?
Sequestr�-la e prend�-la por oito dias.
- Por qu�? - Recebi uma ordem.
Entendo.
- E voc� cuidar� do caso? - Estou no comando.
Tudo bem. Quanto pagar�?
Voc� quer ir para casa?
H� algu�m esperando por voc�?
Talvez. Nunca se sabe.
Minha m�e e minha filha, que n�o vejo h� seis anos.
Minha casa, meu trabalho. Mas � outra hist�ria.
Preciso de 200 mil francos para entrar no barco.
E mais 100 mil francos assim que eu chegar � terra.
- Embarcar� por 150 mil. - N�o, falei com o Vasquez.
Argel-Luxemburgo, viagem �nica,
para um desertor da Legi�o...
Ningu�m vai saber.
Sei que o pacote custa 300 mil em todas as ag�ncias de viagens.
250 mil.
- H� quantos neste trabalho? - Tr�s.
Quem � o terceiro? Um civil? Um soldado?
Um civil p� negro.
Um fan�tico, certo? Voc� o pegou de gra�a.
E uma vez que voc� n�o est� aqui para lucrar,
vai lhe custar 300. Tudo incluso.
Voc� � um bastardo, Thomas.
Tenente, sou s�rio, disciplinado...
corajoso, atiro bem,
amo meu pa�s e minha m�e. Preciso descansar.
E tudo isso custa 300 mil francos atualmente.
- Pierre! - As chaves.
A maleta!
O que vai fazer comigo?
Venha c�.
O que voc� vai fazer?
N�o adianta questionar, doutora.
Ah, n�o.
Eu lhe imploro, isso n�o!
Estou lhe implorando! Deixe-me ir.
Entre.
N�o teme que empurremos a sua cabe�a em dire��o � agua?
Voc� � muito desconfiada. Acalme-se.
N�o, obrigado.
Preocupo-me com voc�.
Quero lhe dizer, antes de nos encontrarmos,
que para mim nossa briga est� encerrada."
Voc� sabe bem o que tem que fazer.
S� quero morar perto de voc�. Seu marido, Pierre."
Bem, esta � a sala.
Livros, cigarros.
Toda a comida que voc� precisar est� na cozinha.
A geladeira est� cheia.
� noite, feche as cortinas.
Nenhuma luz externa deve ser vista.
Pode ficar por at� uma semana, como eu lhe disse.
Aparecei de vez em quando.
E s� eu darei comida ou bebida para ela.
Caber� a voc� cuidar do outro prisioneiro.
Tudo bem.
Eis o dinheiro que lhe devo.
Receber� a outra metade ap�s terminar o seu trabalho.
Bem, por ora � tudo.
Por que ele a trancou no banheiro?
Esque�a, ele tem seu pr�prio plano.
Quem � o outro prisioneiro?
Voc� est� h� muito tempo aqui.
Com este calor, meus p�s incham como mel�es.
- Como prefere o omelete? - N�o me importo.
V� em frente, sirva-nos, soldado.
- Vou lavar a lou�a. - Tudo bem.
E eu vou cozinhar.
Pepper � o campe�o mundial.
N�o queima seu est�mago?
Est� louco? Nem o c�rebro nem o est�mago.
Ponho pimenta em tudo: omelete, laranja, mulher.
Minha m�e colocava na minha mamadeira, ent�o...
Uma vez, meus amigos quiseram me enganar.
Colocaram pimenta no licor. Quando tomamos...
agi como um idiota.
Tomei um gole, depois outro gole.
E quando eles me perguntaram o que havia de errado, falei:
"N�o h� pimenta suficiente."
Vou dar comida ao nosso colega, antes que comece a latir.
L� vamos n�s.
Senhor, o jantar est� servido.
- Ele n�o parece algu�m cruel. - Ele n�o morde.
Quanto a ela, � uma vadia louca.
Eu a trancaria no banheiro com alguns clientes dela.
Tenho certeza de que, de meia hora,
eles fariam com que ela cantasse a Marselhesa em eg�pcio.
D�-me uma bebida.
D�-me uma bebida.
D�-me uma bebida.
Sei que voc� est� a�.
� in�til, deixe-me em paz.
Estou com sede.
Estou com sede. A VIDA �NTIMA DAS ABELHAS
D�-me uma bebida.
Desista.
O qu�?
O que h�?
Ela est� com sede.
Diga-lhe para que sugue os mosquitos.
Aconselho-a que fique calada.
O que voc� est� fazendo? Desligue a luz.
A cada manh� eu me barbeio e limpo as orelhas.
Se n�o procedo assim, n�o me sinto bem.
E quando est� quente, seus p�s incham como...
- Como mel�es, certo. - Como mel�es, certo.
A VIDA �NTIMA DAS ABELHAS
Quero falar com voc�.
- N�o tenho nada a lhe dizer. - Escute-me.
Pare de incomodar-me, n�o adianta.
Escute-me. Fique.
D�-me um cigarro e fogo.
Eu lhe agrade�o.
Teria enlouquecido se n�o fosse por voc�. Obrigada.
Voc� est� a�?
Sim.
Se parar de empurrar a porta, dou-lhe uma bebida.
Escute-me, eles querem que eu morra de sede. S�o loucos.
Mas voc� n�o �. Querem que eu morra, entende?
Como um animal.
N�o fiz nada de errado.
Eles me assassinar�o e voc� ser� c�mplice.
A culpa � sua. Est� defendendo assassinos.
Represento dois argelinos.
S�o testemunhas de defesa no julgamento
que incriminaria dois cidad�os europeus muito importantes.
� por isso que fui sequestrada.
N�o entendo os seus problemas de advogada.
Por que querem uma fotografia sua?
Sabe por qu�?
Eles ir�o enviar a foto para o meu marido.
Para que ele veja como estou.
V�o exigir o nome das testemunhas
em troca da minha liberta��o, da minha vida.
- Eles lhe contaram? - Sim.
S� lhe resta esperar. Darei-lhe outra bebida.
� imposs�vel. N�o podem saber o nome das testemunhas.
Caso contr�rio, ir�o assassin�-las.
Ajude-me a escapar. Esta noite.
Darei-lhe dinheiro. N�o me deixe s�.
Estou com muito medo!
- Ajude-me, eu pago! - N�o.
N�o conte comigo.
D�-me uma bebida.
Voc� fala demais.
- Prefere leite? �gua? - �gua.
Espere.
N�o se mexa ou atiro.
�ltimo aviso, garoto.
N�o gosto do que voc� est� fazendo.
N�o gosto mesmo.
Quer dizer que cospe na nossa sopa?
Filho da puta.
� para isso que � pago? Para nos trair?
Sabe o que acontecer� com algu�m como voc�?
Um filho da puta?
J� percorremos um longo caminho.
Abra a porta.
Abra a porta.
Cale-se.
Cale a boca ou atiro na sua porta!
Ajude-me. Abra. Ajude-me.
Voc� far� o que eu disser agora.
J� que me puxou para a merda, agora fique quieta.
E cale-se! Cale-se!
- Quer sair daqui? - Sim.
Voc� � de Argel?
Conhece um m�dico?
Sim.
Ele poderia dar uma olhada nisso?
Sim, conhe�o algu�m.
Posso confiar em voc�? Tenho qual garantia?
Nenhuma.
Vista-se e espere.
� voc�?
Ou�a, preciso de dinheiro, r�pido.
Quanto ganho caso eu a liberte?
N�o sei. O que voc� exigir.
200 mil, tudo bem?
Sim, vou pagar.
200 mil, prometo.
Muito bem.
Ent�o se aquiete, deixe-me em paz e cale-se.
- Aconte�a o que acontecer. - Sim, pode ser.
N�o estava dormindo?
N�o, estava esperando por voc�.
- Estava se preparando para sair? - N�o, � proibido.
Sim, � proibido. � pago para ficar aqui, entendeu?
J� disse que estive esperando por voc�, Tenente.
- Ela ficou quieta? - Sim.
Tenente...
M�os ao alto.
O que deu em voc�, Thomas!
Amerio est� morto. M�os ao alto em tr�s segundos.
Voc� matou Amerio?
Voc� tomar� o lugar dela.
Quanto a voc�, saia.
Fique pr�ximo a ele.
Estique a m�o e pegue a arma dele.
Mais r�pido.
V� at� a cozinha. Pegue uma garrafa d'�gua.
� melhor que acabe comigo agora, Thomas.
Garanto que � melhor.
N�o tenho nada contra voc�, Tenente.
Lamento,
mas terei que tranc�-lo por um ou dois dias.
Escute, Thomas,
voc� brigou com Amerio e o matou,
mas isso n�o � motivo para que piore as coisas.
N�o me importo com Amerio. N�o me importo.
Mas o que est� acontecendo � grave.
Abaixe sua arma. Sem ressentimentos.
Ter� seu dinheiro para voltar para casa.
Dou-lhe minha palavra de honra, como oficial.
Coloque no banheiro.
Entre..
Pense bem, Thomas.
Por favor, Tenente.
Por favor.
Voc� � um traidor, Thomas.
Feche a porta.
Feche-a.
VVV Salan [Viva o General Raoul Salan]
V� � patrulha.
Diga-lhes qualquer coisa.
Pe�a que a levem de volta ao hotel. Deixe o pa�s...
o mais r�pido poss�vel. N�o h� neg�cios para voc� aqui.
N�o fale sobre mim. Invente algo.
E leve o envelope ao Bar do Mediterr�neo amanh� de manh�.
Sim, vou fazer isso.
Escreva "Thomas" no envelope, � o meu nome.
- Eu sei. - V� embora.
- O caminho est� livre. - Vamos esperar um pouco.
N�o estou com fome. Est� muito quente.
Espere um minuto.
Obrigado por t�-la trazido aqui.
O que o m�dico disse? Ele est� aqui?
N�o, ele est� no Hospital Mustafa.
E o que ele disse?
Voc� deve consultar um cirurgi�o o mais r�pido poss�vel.
- O que significa? - At� tr�s dias.
Ele fez o que p�de.
Enquanto isso, tome antibi�ticos.
Aqui est� a receita. N�o perca isso.
"Sra. Dominique Servet, advogada da Ordem de Lyon,"
"raptada h� 48 horas, foi libertada pelos que a detiveram."
"Ela recusou mais declara��es,
tendo voltado � capital com o marido."
Obrigado.
N�o se esque�a de sair antes das 15h.
Ele mant�m seu hor�rio de consulta.
- O gato comeu sua l�ngua? - N�o.
Aqui estou, tive um acidente de tr�nsito.
A culpa foi minha, entende?
Dirigi na faixa esquerda. E como n�o tenho carteira,
simplesmente me ferrei.
S�o s� uns estilha�os de vidro.
Trouxe o que me pediu.
Muito bem. Obrigado.
Tive sorte, algu�m trouxe a pouco ao bar.
Viu os irm�os Vasquez?
Sim. Vi o mais velho. Est� no comando. Ele concordou.
Mas o barco parte esta noite. Ele quer 100 mil francos hoje.
Tudo bem.
- Vai embora, Thomas? - Esta noite.
Far� dois favores para mim, tudo bem?
Sim.
V� imediatamente aos irm�os Vasquez
e diga-lhes que estarei a bordo esta noite.
Eis as chaves. Amanh� v� a este endere�o.
Tem um l�pis?
� o que tenho.
- Sente-se. - Tudo bem.
Voc� ir� a este endere�o...
e pegar� o elevador at� o �ltimo andar.
Com as chaves, abrir� a porta do apartamento. Tudo bem?
Sim.
Com a terceira chave, abrir� o banheiro no final do corredor.
Encontrar� l� a pessoa que a visitou em sua casa.
N�o creio que ele estar� de bom humor.
O que voc� fez? Prendeu-o?
N�o fa�a tantas perguntas.
Mas ele me questionar�, n�o �?
Voc� dir� que Thomas lhe deu as chaves e ordenou...
que voc� libertasse um amigo preso no apartamento.
Aja de maneira imbecil, n�o � grande coisa.
Ent�o ele perguntar� sobre mim.
Dir� a ele que estou bem. Isso � tudo.
Tudo bem?
- N�o tem medo? - N�o, vou amanh�.
V� quando quiser, sem pressa.
Obrigado por tudo, Maria. � uma menina doce.
Sim, sou uma garota doce.
Ent�o, ir� partir esta noite?
- Infelizmente. - E o seu ferimento?
Vou levar comigo.
Est� ruim?
Vou me perguntar assim que chegar.
Voc� ser� pego, Thomas, n�o tem os documentos.
Isso mesmo, n�o tenho os documentos.
Nunca mais o verei, Thomas?
Ou�a...
Pegue isso.
Compre algo legal.
Levantem-se, pessoal.
A Guarda Costeira.
J� avisei-lhe. N�o deixarei que me levem vivo!
N�o se preocupe, garoto, � apenas rotina.
Todos para o buraco.
Um bilhete Marselha-Luxemburgo. Primeira classe.
Lyon-Perrache, parada de 5 minutos.
Lyon-Perrache, parada de 5 minutos.
Todos os passageiros, por favor, usem o cruzamento.
Al�?
Al�?
Al�?
Quem est� chamando?
Todos os passageiros rumo a Chalon,
Dijon, Nancy,
Metz, Luxemburgo,
por favor, embarquem no trem.
O trem partir� agora.
Voc� vai entrar?
Voc� vai entrar ou n�o?
Thomas
Em que posso ajudar-lhe, senhor?
Entregaria isto � madame e lhe perguntaria se poderia me ver?
Um momento, por favor.
Entre.
Deve estar surpresa em me ver.
N�o estou.
De modo algum.
Por que deveria estar surpresa?
Digamos que sua visita seja inesperada.
Estava indo para casa e...
de passagem por Lyon, desci do trem e resolvi visit�-la.
Espero n�o estar incomodando.
De modo algum.
- Est� com algum problema? - Perd�o?
Voc� n�o teve nenhum problema?
N�o.
Mas j� estou na estrada h� tr�s dias.
- Posso me sentar? - Claro.
Sente-se.
O homem l� embaixo � um guarda-costas?
N�o, � um inspetor da pol�cia.
Ele n�o � muito bom no que faz.
E se um amigo meu tivesse pegado meu nome e o envelope...
Pude ver perfeitamente que era voc�.
Com licen�a?
N�o, obrigada. N�o fumo muito.
Apenas em circunst�ncias...
excepcionais...
Acabei de ver um homem sair desta casa.
O homem que estava no seu carro, em Argel.
Ele � meu marido.
Ah, voc� � casada.
Esqueceu-se?
Diga...
- Quer saber? Estou com sede. - O que deseja beber?
- Conhaque, se tiver. - Claro.
- Com �gua. - Sim.
Venha c�.
Venha, n�o tenha medo.
- Qual � o nome dele? - Jack.
Jack.
Um nome bonito.
Voc� � bonito, sabe?
Sim?
Diga-lhe para me ligar em quinze minutos.
Voc� leu tudo isso?
- N�o. - Ah, entendo.
� para mostrar.
Bem, eu mantive minha promessa.
N�o contei a ningu�m
as circunst�ncias da minha liberta��o.
Exceto meu marido, que j� imaginava.
Ele sabe de tudo, o seu marido.
Ele n�o � do material de que os her�is s�o feitos.
E voc�? Seria um her�i com uma arma no pesco�o?
Eu n�o sei.
Mas se minha esposa estivesse ao meu lado, talvez eu seria.
Isto �, se eu tivesse uma esposa.
Ent�o voc� estaria morto hoje.
O homem que colocou a arma no pesco�o do meu marido
certamente teria puxado o gatilho.
N�o, ele n�o teria.
Ele o derrubaria com as m�os.
Ele teria desmaiado ou tido uma concuss�o,
e voc� teria sido a esposa de um her�i.
Para mim, basta ser a esposa do meu marido.
D�-me licen�a.
Por que voc� veio?
Porque estou voltando para casa.
Porque estava de passagem por Lyon.
N�o s�o motivos suficientes?
Posso lavar meu rosto em algum lugar?
Continue.
O que h� com voc�?
O que h� com voc�?
Devo chamar um m�dico?
Pe�a ao inspetor para tomar algo na cozinha.
Eu gostaria de sair por uma hora, sozinha.
Cuidarei disso.
Sente-se melhor agora?
Muito bem.
Realmente muito bem.
Tenha cuidado, voc� est� febril.
S� est� de p� por causa dos medicamentos
que o m�dico lhe deu.
Entrarei no hospital com um nome falso?
Sim. N�o ter� com o que se preocupar.
Est� tudo arranjado para esta noite.
Vou busc�-lo �s 20h.
E a opera��o ser� de uma vez?
Sim.
Tenha cuidado, n�o corra riscos.
Haveria uma grande confus�o,
se f�ssemos presos.
Eu sou um inc�modo, voc� percebe.
Sem documentos.
Estrangeiro, desertor, sequestrador, assassino...
Eu sei.
Nunca sofri um acidente.
Eu j�.
� l� em cima.
Amanh� estarei em casa.
Ou ent�o desmaiar� no trem e partir� para sempre.
O m�dico � amigo seu?
Sim, Michel � um amigo.
Ele sabe quem sou, o seu amigo Michel?
Lan�ou-me um olhar estranho, como se n�o gostasse de mim.
Voc� contou ou n�o a ele?
Por que continua me questionando em vez de confiar em mim?
Porque aprendi duas coisas:
desconfiar de certas pessoas e obedecer �s outras.
"Voc� � um bastardo? � meu amigo." � isso.
Nem sempre.
O que dir� ao seu marido?
O que eu quiser.
Hotel Restaurant de la Grotte
H� algu�m aqui?
Um momento, estou chegando.
Quase comprei um p�ssaro quando cheguei.
Eu teria lhe dado como um presente.
Que tipo?
Um can�rio.
Pergunto-me se a surpreenderia caso chegasse com um can�rio.
Eu teria lhe agradecido.
Se eles me pegassem, eu assassinaria os p�ssaros.
A Sra. Vienot est�?
Ela foi ao centro para fazer compras, mas voltar�.
Voc� tem muitos convidados no momento?
S� no fim de semana. Durante a semana, quase ningu�m.
H� vaga para este senhor?
Portanto, direi a Sra. Vienot...
N�o diga nada a ela.
Verei-a quando ela vir. Isto � para voc�.
Voc� costuma trazer pacientes para c�?
Quando eu era jovem, almo�ava aqui com meus pais.
N�o sei se a dona me reconhecer�.
Ela era muito legal.
Ai est�! Descanse um pouco.
Tente dormir e fique quieto.
Ah, n�o h� �gua quente.
� normal em um Grand Hotel.
A� est�.
Voc� se deitar� e descansar�, como aconselhou o m�dico.
J� que o m�dico aconselhou...
- Daria a mim os meus cigarros? - Onde est�o?
Na minha jaqueta.
O bolso esquerdo.
Por que anda por a� com isso?
- Voc� atira bem? - Sim.
Atiro muito bem.
Sente-se.
Do contr�rio, pensarei que est� s� de visita e logo partir�.
Eu percebi uma coisa.
Eu fui ferido duas vezes.
Quando meus amigos foram me visitar no hospital,
n�o chegaram a se sentar, o que significava que eu n�o estava bem
e que o m�dico havia dito para eles ficarem l� por pouco tempo.
Quando eles se sentaram,
significava que eu n�o estava t�o mal.
Mas quando eles se sentaram na cama,
eu consegui relaxar.
Um paciente � inteligente, voc� sabe.
Voc� est� tranquilo agora?
Tenente, vamos embora.
Garanto-lhe que este � o momento certo.
Vamos esperar, quero fazer um favor a ele.
Voc� est� vestindo um robe com mangas largas?
� claro.
Voc� j� defendeu clientes que lhe davam nojo?
N�o.
Somos um pouco como m�dicos.
Tenta-se salvar, em vez de julgar.
O que voc� diria se estivesse me defendendo?
N�s ir�amos conversar.
Pediria que falasse sobre voc�.
Eu falo e e voc� me livra depois, estou correto?
Eu tentaria entender.
Para explicar.
� isso.
Pode-se dizer, por exemplo,
que um homem se alistou porque bateu na m�e.
Por que ele bateu nela? Porque estava b�bado, n�o?
Porque a m�e disse que a esposa o tra�a.
Ele n�o acreditou nela, ficou com raiva,
e ent�o a esposa foi embora.
E o homem foi deixado sozinho
com uma coisa pequena que o irritava a cada grito,
que ainda engatinhava. Era sua filha.
Qual � o nome dela?
Rose-Marie.
Ela tem sete anos agora.
Eu n�o a vejo h�...
seis anos.
Poderia explicar tudo isso?
E voc� se alistou imediatamente?
Eu esperei um pouco.
Mas ainda batia em meu cachorro.
Um mau sinal.
Se o absolver, Merit�ssima, ele ser� um bom menino.
Ele vai trabalhar?
Sim. Vou vender mel.
Como assim vender mel?
Quero dizer, vender mel.
Minha m�e mant�m colmeias.
Se ela ainda me quiser,
trabalharei nisso com ela.
J� o vejo com luvas, avental
e uma coisa sob sua cabe�a.
� uma bela profiss�o.
N�o vamos exagerar. � dif�cil, sabe.
� muito belo em uma jarra, mas o trabalho de campo � duro.
Se alguma vez vier a Luxemburgo,
mostrarei a voc� a colheita de mel.
Voc� vir�?
Talvez.
Guarde at� esta noite. Proteger�-o.
Prazer em conhec�-lo novamente, Thomas.
E voc�? Feliz em me ver?
Bravo, Tenente.
Bom trabalho.
Voc� seguiu a ela ou a mim?
Ela.
Percebe, madame, como podemos ser bastante obstinados.
Bem, Thomas, n�o h� perguntas?
Nenhuma.
Quando nosso amigo aqui me notificou de sua presen�a,
falei a mim mesmo: "Ele n�o tem chance, o Thomas."
"N�o � apenas um vendido, mas tamb�m um idiota."
Voc� teria que me matar ou acreditar em mim.
Eu teria mantido minha palavra.
N�o me importava com Amerio e voc� sabia disso.
Mas voc� preferiu a trai��o.
Quais os seus planos, tenente?
Est� com pressa?
N�o, mas voc� est� me dando nos nervos.
Sinto muito, Thomas, realmente sinto muito.
Voc� nos abandonou por causa dela?
A prop�sito, recapturamos F�licien.
O rapaz que o levou ao m�dico.
Sua namorada levou alguns tapas,
mas n�o falou nada. Parab�ns.
Voc� bateu em Maria?
Bem... s� um pouco de disciplina.
Vai acabar comigo aqui?
Vista-se.
N�o!
Acalme-se, madame.
Ou vou dar-lhe um chute no est�mago.
Prepare-se, Thomas.
- Posso amarrar o curativo? - Sim.
� grave?
Lembra-se do Cap. Roland? � a mesma les�o.
Exceto que a bala deveria ter seguido outro curso.
� isso.
Afinal, voc� estava arriscando o pior.
Enfim, suas preocupa��es acabaram.
Acho que � o fim de uma linda hist�ria de amor.
N�o tem vergonha, Thomas?
Thomas!
Pegue meus sapatos e saia.
- Dirija mais devagar. - Est� bem.
Volte para o seu marido.
Com ele encontrar� a melhor maneira de consertar tudo.
A conex�o pol�tica de voc�s, tanto faz...
Para voc�, a pol�cia vai abafar o caso.
Informe-o de tudo o que voc� puder lhe dizer.
Deixe-me na esta��o de trem.
Em meia hora a esta��o estar� fechada.
N�o t�o r�pido.
Em meia hora a esta��o estar� fechada.
E voc� n�o est� firme em seus p�s.
De jeito algum, estou bem.
Vou superar, tenho certeza disso agora.
N�o, vou lev�-lo at� Chalon. � a primeira parada do trem.
Eles n�o verificar�o em todas as esta��es.
E eu vou deix�-lo l�.
Mas encontremos agora uma farm�cia.
Espere, pare o carro.
Certo, isso. Primeiro vire � esquerda.
E depois da Maison Neuve, continue.
- Ainda est� com sua arma? - Sim.
Jogue-a no rio.
Est� louca?
N�o deve levar com voc�.
De qualquer forma, n�o tenho documentos. Vamos.
Jogue fora.
Teme que eu me torne um assassino?
Por favor, Thomas. Escute-me. Fa�a como digo.
Estou lhe pedindo.
Adeus, irm�ozinho.
� hora de se separar.
No que est� pensando?
Nada, estou dirigindo.
Claro que est� pensando.
Eu vi coisas horr�veis dentro da minha profiss�o.
Pris�es.
Assassinos.
Pessoas que foram espancadas e torturadas.
Recebi amea�as.
Eu vi um homem ser decapitado.
Isso � nojento.
Deveriam atirar neles, � mais limpo.
Eu resisti, queria que tudo mudasse.
E agora algu�m matou dois homens para salvar minha vida.
Em tempos normais, eu teria matado o Tenente.
Mas isso me tornaria um assassino, entende?
Sim, � horr�vel.
O mundo enlouqueceu.
Eu sei disso agora.
E ainda por cima,
Eu...
Eu te amo.
D�-me a sua m�o.
O que voc� disse?
Eu te amo.
Eu te amo.
Pelo menos, acho que sim.
Se for assim, �...
parecido com o que estou sentindo agora.
� uma coisa certa.
Eu te amo. Eu te amo.
Eu te amo.
- A pol�cia! - Tem certeza?
Pise forte, temos que passar.
Finja que est� dormindo. Cuidarei disso.
Com licen�a, senhora. Seu porta-malas est� fechado?
- N�o, voc� pode abri-lo. - Muito bem.
Quem � ele?
Meu marido. � advogado e tem um julgamento amanh� em Nancy.
Acorde-o e mostre-me seus documentos.
Claro.
Ele n�o est� se sentindo bem. Prefiro deix�-lo dormir.
Seus documentos, senhora.
Apague as luzes e v� embora.
R�pido. Ou estou perdido.
Acenda as luzes.
Tudo bem.
Vire no pr�ximo cruzamento.
Tudo est� bem agora.
Continue a dirigir, logo teremos que parar.
Voc� fez bem, sabe.
Pode dar r� no carro agora.
N�o podemos mais usar este carro. � como uma peneira.
O que devemos fazer?
S� h� uma solu��o.
Joguemos este fora vamos roubar um outro.
Vamos l�.
N�o, Thomas.
N�o posso mais continuar.
N�o posso continuar, estou cansada.
N�o posso continuar, n�o sei mais...
Eu n�o sei mais, n�o posso continuar.
Nem eu, Dominique, n�o posso continuar.
Mas eu n�o quero morrer!
Estou apodrecendo neste momento.
Eu sei disso.
Estou farto de matar e apodrecer.
Farto!
Quero descansar.
Quero dormir.
Na minha cama.
Acha mesmo que me renderei
enquanto explica a eles as circunst�ncias?
Mova-se.
- O qu�, Thomas? - Saia, eu vou dirigir.
N�o, eu n�o quero.
D�-me as chaves.
Venha c�.
N�o tenha medo.
O que h� de errado? D�-as para mim.
Thomas!
Thomas!
Thomas. Ah, Thomas...
O que h� com voc�? Levante-se.
Levante-se.
Vamos, Thomas.
- Voc� o alcan�ou? - Ele vir�.
O que ele disse? O que voc� disse a ele?
Disse-lhe que viesse e que explicaria-lhe mais tarde.
- Ele n�o fez perguntas? - Pedi para que n�o fizesse.
Ele n�o perguntou por que n�o ligou para o seu marido?
Ele � seu amante?
Espere por mim, vou falar com ele.
Thomas?
Era amigo seu?
Por favor, Thomas, saia daqui.
A madame tem orgulho de ter marido, n�o �?
A madame tem a sorte de ter um c�o que sempre volta.
Um marido perfeito que entende tudo.
Por favor, Thomas!
N�o sei se ele vai entender.
Mas sei que ele veio aqui.
E que n�o h� ningu�m al�m dele.
Ningu�m al�m dele, percebe!
E se eu n�o me importar com os servi�os dele?
Vamos, n�o fique aqui.
As estradas ainda est�o bloqueadas,
mas ser�o liberadas durante o dia.
S� h� uma solu��o.
Esperar em algum lugar. E depois...
N�o, voc� deve me levar.
Voc�.
Para todos n�s, o risco � muito grande.
Est� se recusando?
Sim.
D�-me as chaves, Pierre. Voc� fica.
- Tenho de ir em frente. - N�o.
Preciso de um motorista impec�vel.
D�-me as chaves, Pierre.
Voc� � um advogado?
Sim.
Por que veio aqui?
Tinha medo por ela?
N�o gosta das minhas perguntas?
N�o gosto de gente que me interroga com uma arma na m�o.
- Quanto vale, um rifle 404? - Um milh�o.
Muito caro.
Voc� est� satisfeito?
H� quanto tempo est�o casados?
Tr�s anos?
Quatro anos?
E ainda n�o t�m filhos?
Ent�o n�o amam a vida.
Eu amo a vida.
Eu amo crian�as,
dinheiro, apostas,
a dan�a,
as rosas,
minha m�e.
Eu amo cachorros,
mulheres que fumam,
quem n�o fuma.
Viver a vida.
� tudo o que h� para fazer.
Eis um presente para voc�, Pierre.
N�o posso mais carreg�-la.
Estou cansado.
Obrigado.
N�o se preocupe, j� cruzei esta fronteira mil vezes.
Thomas?
Vamos acompanh�-lo.
Onde podemos encontr�-lo?
Quem voc� pensa que �? Um santo?
N�o.
Ent�o, por que est� fazendo isso?
Porque amo minha esposa.
Atr�s da fronteira, pegue a primeira rua � direita,
h� um banheiro p�blico.
Estarei l� em dez minutos.
Nada a declarar?
Nada.
CONTROLE ALFANDEG�RIO DA FRAN�A
LUXEMBURGO - FRAN�A
Obrigado.
Desejo uma feliz viagem de volta a voc�s.
Adeus, Pierre.
O que voc� quer?
Deixe-me ir com voc�. Amanh� eu retorno.
N�o, voc� deve partir agora.
Tenho que cumprir esse compromisso, entendeu?
Preciso ir a este encontro e quero ir sozinho.
Aceite isto.
Para prote��o.
Thomas!
Thomas Vlassenroot 1933-1961
Legendas: Vitor Fortes - MKO.
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