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ESTA SÉRIE É FICÇÃO E NÃO REPRESENTA FACTOS OU PESSOAS REAIS.
Estás morto!
Segurem-no!
Porra! Não, porra!
Porra!
Porra.
Nos últimos 20 e poucos anos,
esta tem sido a minha rotina na Cidade Maravilhosa.
Saí da favela, mas a favela não saiu dentro de mim.
Acabou! Para dentro!
Desde então, o Rio de Janeiro está a ferro e fogo.
Esconde-te, caralho!
Vamos! Tudo livre!
Passei a vida a manter-me afastado do crime,
atravessando a rua para evitar a polícia.
Mas a paixão pela fotografia
fez-me voltar ao lugar de onde sempre quis sair.
Cuidado!
Vai-te foder! Caralho!
Os repórteres policiais no Rio vivem numa eterna zona de guerra.
- Porra! - À esquerda!
Tens de ser corajoso e meio doido para ficares no meio do fogo cruzado
só para conseguir a melhor foto.
No início, era difícil como o caralho.
Mas habituamo-nos a isso.
No jargão do jornalismo, tornei-me um tipo duro.
Quando tirei a foto do Zé Pequeno,
não fazia ideia que fotografar gente morta se tornaria a minha especialidade.
Na altura, ia atrás de galinhas.
Hoje? Hoje vou atrás da polícia.
Porque, no Rio de Janeiro, onde há polícia, há morte.
E onde há morte, há notícia.
Não te mexas!
Vamos!
Vai! Vamos!
Vamos lá!
Vamos, porra! Vamos!
Filho da puta!
Estão a disparar contra nós! Cabrões!
Merda.
Há coisas que parecem que nunca mudam.
Mas há outras que só pioram.
Os bandidos de antigamente usavam revólveres, pistolas e facas.
Atualmente, anda tudo com espingardas, metralhadoras e calibre 50.
A polícia vinha à favela para prender e receber subornos.
Vamos!
Mas estes tipos entram para matar.
Quando tirei as primeiras fotos,
vivíamos encurralados entre a polícia e os traficantes.
Agora há gente pior a chegar à favela.
Gente que tem cara de polícia,
tem armas de polícia e age como a polícia,
mas que são piores do que qualquer bandido que já conheci no Rio.
Imprensa.
Mas é demasiado cedo para falar sobre eles.
CITY OF GOD
Primeiro, tenho de contar como me tornei o fotógrafo mais requisitado
no maior jornal do Rio de Janeiro.
Sabem como é.
Um tipo nascido e criado na comunidade, conhece bem o que se passa no Rio.
Como dizia o meu pai,
"Conhecendo as curvas do rio, basta esperar que o peixe caia na rede."
No meu caso, a rede é uma câmara velha.
E os peixes são os bandidos que circulam por aí.
Em todos estes anos como jornalista,
ganhei alguns prémios que são ótimos batentes.
Ganhei ainda um tiro na perna,
um estilhaço no ombro e um parafuso na tíbia.
Sou o tipo a recorrer quando o assunto é a morte.
Mas, se pudesse escolher,
o que eu queria era voltar a tirar fotos da malta,
os bailes negros, os putos a lançarem papagaios,
Copacabana lotada...
Angélica.
Então, Buscapé? Já estás a tirar fotos?
Quando vou à câmara escura para revelar as fotos que tiro,
lembro-me do dia que mudou a minha vida.
Buscapé! Tira-nos uma foto.
O Barbantinho dizia
que eu tinha queda para estar no sítio errado à hora errada.
Filho da puta!
Ataque soviético!
Mas dessa vez, acho que estava no sítio certo à hora certa.
Porque foi graças a essa foto que me tornei profissional.
Não é isso.
A polícia ou a imprensa. Ou a história não vale a pena.
Como está situação com os corpos?
Estão reconhecíveis? Estão carbonizados?
Está bem. Vou ver.
Depois digo-te.
Wilson, isto é do caralho, meu.
É do caralho, meu!
Matheus, e a transferência para o desportivo?
Já estou velho para esta cena.
Wilson, comemora. Vais ser capa de novo.
Sorri um pouco.
- Comemora! - Um sorrisinho...
Encontraram mais dois corpos no Gardênia Azul.
É a terceira vez este mês.
Acabei de te dizer. Não podes mandar o Pierre?
Sim, vou mandar o Pierre...
Contigo.
Agora vai e garante mais uma capa para a tua coleção. Vai!
Matheus.
Continuo a ser teu chefe.
Respeito, porra!
É mais um dia de horror na Gardênia Azul.
A polícia não tem mais informações sobre os suspeitos,
mas tudo indica que estavam envolvidos numa guerra entre fações
que, há anos, inferniza a capital carioca.
A Polícia Militar faz operações na Cidade de Deus e na Gardênia Azul,
zona oeste do Rio, desde o início da manhã desta quarta-feira.
Na Cidade de Deus, agentes do 18.º BPM...
Para sobreviver tanto tempo a fotografar bandidos, não podes asneirar.
É preciso saber quando atirar e quando baixar a arma.
Leka!
Vai ver quem está à porta!
Estou ocupada!
Leka! Mas que coisa, meu Deus!
Nem serve para abrir a porta.
- Meu filho. - Olá, mãe.
Que milagre é este?
Salvaste uma alma do Purgatório?
- Já almoçaste? - Ainda não.
Então, vem almoçar.
Já chega, mãe. Estou cheio.
Toma. É tudo o que tenho, tem sido um mês difícil, mãe.
Tenho de ir.
O Barbantinho não me deixa em paz por causa da campanha.
A Leka está lá em cima. Não vais cumprimentar a tua filha?
Vai cumprimentar a tua filha.
Aquela do... Aqui, olha.
Eu vou sentar com força
Eu vou sentar com força É só esperar para ver
Mas que cara é essa?
É sempre "vou sentar com força", "dá-me na rata"...
Então, escreve tu.
Vou escrever sobre cus. Olha.
A minha bunda é grandona Chama-me cavalona
A minha bunda é...
Pelo menos é diferente.
- Tenho de ir, mãe. - Senta-te.
- Estou atrasado, mãe. - Senta-te!
A minha mãe acredita que consegue ler a sina
com um monte de búzios num prato.
Se nesse dia tivesse acreditado nos orixás dela,
talvez pudesse ter evitado as desgraças
que mudariam o rumo da Cidade de Deus para sempre.
Mas antes de falar das tragédias, tenho de falar das coisas boas da favela.
Neste muro, Buscapé.
Buscapé, não. Já te disse que é Wilson.
Poupa-me, Buscapé. Ninguém te conhece como Wilson.
Anda. Tira lá a foto.
- Incrível. Está bem. - Vai.
Eu deixei a CDD há muito, mas o Barbantinho ficou.
Apesar disso, continuamos próximos.
A amizade é assim. Mesmo longe, somos próximos.
Ele é como um irmão.
- Precisa de uma cadeira de rodas? - Sim.
- Passe no centro. - Está bem.
- As melhoras. Adeus. - Obrigada. Vai com Deus.
Ele é presidente da Associação de Moradores,
treinador da equipa de futebol
e ainda é o melhor dançarino da comunidade.
Venham cá, crianças. Vamos tirar uma foto. Vamos lá.
Lembram-se do Bené? Ele ficaria orgulhoso do Barbantinho.
Passou a ser o tipo mais considerado da Cidade de Deus.
Então, decidiu candidatar-se a vereador na eleição deste ano.
Faz o "V".
Tudo bem, meu?
Se antes a CDD era conhecida
devido a bandidos como Zé Pequeno, Mané Galinha e Cenoura,
agora era a vez do Rio conhecer o outro lado da favela.
Boa tarde. Tudo bem?
Pelo menos era esse o sonho do Barbantinho.
E é claro que eu não ia abandonar o meu amigo.
Vou falar com eles.
Está bem.
- Então, Lelekinho? - Olá.
- Tudo bem, mano? - Claro.
- Então, mano. - Tudo bem?
- E a Sra. Arlete? - Ela abriu um cibercafé.
- Diz-lhe que vou lá. - Certo.
Conheces o filho da Sra. Arlete?
As cervejas...
Então, malta?
Os putos estão a brincar. Então, miúdos?
Vão à associação, peçam uma bola. Pago um refrigerante à equipa vencedora.
O sorriso do refrigerante?
Mais uma. Boa.
Vamos, Amanda. Mais pressão.
Prestem atenção, miúdos.
Isso! Passa a guarda! Isso, conseguiste.
O Delano é outro tipo porreiro na Cidade de Deus.
Mas, ao contrário do Barbantinho,
ele acredita que a mudança deve vir de dentro,
como a mãe dele lhe ensinou.
Já acabámos?
Boa.
Ele diz que não gosta de política,
mas, na prática, é quem sua as estopinhas para manter os miúdos longe do tráfico.
Então, Professor? Já pensou naquilo?
Não sei, Amanda.
- Porque não? - O teu pai.
É o aniversário da minha irmã. Faça-me esse favor.
Vou pensar.
- Pense bem. - Está bem.
Delano, o meu professor preferido.
- De chinelos no meu tatâmi? - Desculpa.
A nossa campeã!
Olá, Barbantinho.
- Olá, Cinthia. - Buscapé.
- É bom ver-te. - Na verdade, o meu nome é Wilson.
Claro, Sr. Wilson. Deixa-te de palhaçadas.
Assina a autorização. Vamos iluminar o recinto.
A sério? Ótimo!
Estou a falar dos bons rapazes da CDD,
mas nem o Barbantinho nem o Delano seriam metade do que são
se não fosse a Cinthia.
A Cinthia é daquelas mulheres que transformam tragédia em força.
Depois do que o Zé Pequeno fez e do Mané Galinha morrer a vingá-la,
a Cinthia soube que estava grávida.
Quando o Delano nasceu, ela fez tudo para que os miúdos da favela
não tivessem o mesmo destino que os seus amigos.
Assim, ela criou a Associação de Moradores,
que gere com o Barbantinho.
Mais uma. Boa.
Cuidado. Tem de ser perfeito. Aperta bem.
Foda-se, Aranha! Um transatlântico no meio do recinto?
Onde vão as pessoas sambar?
Olha. Ala das raparigas, ala dos miúdos e ala da banda!
Relaxa, Berê. Vai ficar bem.
Vai ficar ao lado do barco. Vais adorar.
- Já parece uma escola de samba. - Exato!
- Então, Barbantinho? - Então?
Tudo bem?
- É bom ver-te. - Olá.
Olá. Como estás?
- Ficou bonito. - Vês? Festa de 15 anos, Barbantinho.
- Falemos da candidatura. - Sim.
Estou a tirar fotos para a campanha. Preciso do apoio da tua escola.
Quem disse que a escola é dele?
- É da comunidade. - E é da comunidade.
- Sim. - Vou chamar a malta.
Estas coisas ainda acontecem.
Baixem-se para as crianças aparecerem.
Um grande sorriso.
A celebridade está aqui!
O grande Buscapé!
Genivaldo Curió faz tudo à maneira dele, mas debaixo da mesa.
Quando o Zé morreu e o Cenoura foi de cana,
os putos da Caixa Baixa não aguentaram muito tempo
e o Curió tomou conta da favela.
Não nego que, à maneira dele,
ajudou o Barbantinho e a Cinthia a tornar a CDD
um sítio mais tranquilo.
A Dayane quer fazer um cruzeiro, então eu trouxe o navio.
Para todos desfrutarem. Como vão as coisas?
A Berê reclama da confusão, mas está tudo bem.
Não há lugar para a bateria, Aranha.
Arranja espaço, Aranha! Resolve essa merda!
Berenice, quero o mestre-sala e o porta-bandeira com roupa do caralho.
Do caralho.
Buscapé, a tua filha vai tocar na minha festa.
Claro.
A Dayane tem 15 anos. Porra! Como o tempo voa.
Sim, voa mesmo.
Esta festa vai ser lendária.
E tu serás o fotógrafo.
Desculpa. Vou estar a trabalhar.
Prometi o melhor à Day.
Quem é melhor do que tu para fotografar a festa da princesa?
Não é?
Berê, diz ao PQD que faço questão de o ter na minha festa.
Sabem aquele tipo simpático,
que consegue tudo o que quer com conversa fiada?
É o Curió.
Quase todos aqui o adoram. Uma das exceções é a Berenice.
Depois da morte do Cabeleira,
ela nunca mais deu corda a bandidos.
A Berê passou algum tempo fora da favela para esquecer a dor,
mas a saudade falou mais alto e ela voltou.
Agora é como uma mãe da favela,
daquelas que diz o que pensa e cuida de todos.
Desçam daí!
Estão malucos?
O lema da Berenice? "Eu bato para a polícia não bater."
- Berenice! - Sim!
A Berê é do caralho.
Meu Deus...
Olha o que eu fiz. Olha o que a tua mãe fez.
Mas funcionou.
Mais baixo! Vamos!
Saiam!
Não caias.
Vamos!
Este é bem conhecido na Cidade de Deus desde o tempo do Zé Pequeno.
O Bradock era o chefe dos Caixa Baixa,
que mataram o Zé Pequeno e assumiram a Boca dos Apês.
Mas sabem como é. Quando os miúdos fazem porcaria,
vem sempre um adulto arrumar tudo.
E o Curió tomou conta de tudo.
O Bradock tornou-se braço direito do chefe.
Até ser preso há alguns anos.
Limpa debaixo da boca.
Devias ter parado quando eu caísse.
Desculpa, mano.
Então, monstro?
Foste do caralho.
Ceará, isto é para ti.
Ceará. Boa.
Antena, vamos pagar à malta.
Waldemar Cavalcante!
- Sou eu. - Pega nas tuas coisas e anda.
O que foi? Que merda é esta? Ninguém me falou de uma transferência.
Não é transferência. Estás livre.
Estás a brincar comigo?
Despacha-te!
Vamos!
Foda-se.
Adeus, Ceará!
- Tu mereces. Vai lá. - Liberdade!
Oiçam!
Estou livre, porra!
Liberdade, porra!
Liberdade!
Deves-me uma.
Será um prazer pagar-te.
Meu Deus!
Porra.
Rápido, que o meu cliente está com pressa.
Liberdade, senhora.
A liberdade chegou, senhora.
Por favor.
Obrigada.
Tinha saudades desta merda.
Olá, Rio de Janeiro!
Aguentem que eu estou a chegar, porra!
O Waldemar Bradock chegou!
Liberdade, porra!
Encosta. Vamos dar um mergulho. Água salgada.
Agora.
Água salgada.
Estamos com o secretário de Segurança.
Reginaldo, o que nos pode dizer
sobre o crime que vitimou dois turistas alemães em Copacabana na sexta?
A Cidade Maravilhosa atrai turistas de todo o mundo.
É preciso oferecer segurança aos seus visitantes.
Mas tenho fé de que vamos punir esses delinquentes.
Reginaldo Cavani,
secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro.
Quem diria?
Cruzámo-nos algumas vezes no passado.
Mas sabem que, na altura, ele era conhecido como Cabeção.
O filho da puta aterrorizava a comunidade,
recebia subornos.
Prendia bandidos, pedia subornos e soltava-os.
- Aonde vais? - Preciso de ver aquilo! Espera.
Ganhou fama e fortuna a matar ladrões na zona oeste.
Tornou-se paladino da justiça e entrou para a política.
Ou seja, não mudou de carreira, apenas subiu na hierarquia.
O quê?
Foi ele que perseguiu o Trio Ternura,
o bando à Robin Hood do meu irmão.
- Vamos! - Bora!
O caso dos turistas comoveu-me
pela crueldade com que os marginais assassinaram o casal.
Estamos em contacto com as famílias para facilitar a transladação dos corpos.
Muito bem, pai.
Os média adoraram a menção ao caso dos turistas.
Podias ter falado da candidatura.
Queres ensinar-me o que devo ou não devo dizer na TV, Israel?
Espera.
Faz tudo o que quiseres.
- Prepara-te que hoje há festa. - Que festa?
A festinha é aqui, Crazy.
Os 15 anos da filha do Curió.
Quero ver a cara dele quando souber que o filho pródigo está de volta.
Que festa linda na favela!
Maravilha.
Que axé!
- Aproveitem a festa. - Olá.
Musa!
Obrigado.
Não sei usar esta coisa.
É só um batom, amiga.
Olhem, pessoal.
MC Leka!
Geninho, o que é que se passa? Estás pedrado?
Vá lá, Leka. Para.
Não há respeito. Agora podes apalpar-me?
Não finjas que não gostas. Vem cá, querida.
- Geninho, para. - Ouve.
Achas que podes apalpar porque é a festa do teu pai?
- Obrigada. - Sabes com quem estás a falar?
Meu Deus!
Olha para a pistola dele!
Vem cá, Genivaldo Jr. Deixa ver se está carregada.
Ajuda a Ana Ju.
- Claro, Berê. - Retoca-lhe que ela vai entrar.
O que faz este miúdo aqui?
Ninguém sabe.
Elas vão maquilhar-se. Privacidade. Pira-te!
Dá-me a pinça.
- Apanha-o! - Vou arrancar um pentelho.
Respeita o bandido!
Comam, senão não se aguentam em pé.
Outra coisa, não rebolem.
A minha bunda é grandona Chama-me cavalona
Eu não estou morta!
Pessoal, posso tirar uma foto?
Que família tão bonita.
- Buscapé! - Vamos!
Calma, Buscapé. Juntem-se.
Agora, sim.
- Tira a foto. - Claro.
Olha.
Então, Buscapé? Tiraste a foto?
Lambe-botas do caralho.
Dayane! Vem cá, filha.
Tira uma foto.
Mais perto, querida.
- Está bom, Wilson? - Sim.
Amor, um beijinho.
- Obrigada por dançares com a minha irmã. - Claro.
Estás emocionado?
Sempre bate um coração aí dentro?
A minha afilhada, Martinha. Mato e morro por ela.
Estás aqui.
Pensei que ias passar a noite toda com a bandidagem.
Achas que ia perder a hipótese de ficar com a mulher mais linda,
mais cheirosa e mais sensual desta favela?
A nossa música.
- Vamos dançar. - Vamos.
Boa noite, CDD!
É muito lindo, pessoal!
Parabéns, Dayane!
E agora, convosco, a nossa princesa da putaria.
MC Leka!
MC Leka
Vem
Eu vou sentar com força
Eu vou sentar com força É só esperar para ver
Eu vou sentar com força
Eu vou sentar com força É só esperar para ver
A minha bunda é grandona Chama-me cavalona
A minha bunda é grandona Chama-me...
Caralho É a MC Leka
Tu vais voltar para mim Com saudades da minha rata
Caralho Sem compromissos
Tu vais voltar para mim Com saudades da minha rata
Então, estás a gostar do espetáculo?
Eu vou sentar com força
Eu vou sentar com força É só esperar para ver
Eu vou sentar com força
Eu vou sentar
- Não tiras fotos à tua filha? - Não ouves o que ela canta?
Vá lá, Buscapé.
Mudaste-te para a zona sul e agora julgas-te fiscal da putaria?
Vieste fotografar a festa e a tua filha está linda.
É maravilhosa. Tira-lhe uma foto. Deixa de ser chato.
Caralho Sem compromissos
Vai!
Tu vais voltar para mim Com saudades da minha rata
Vem
Caralho!
É uma miragem?
Porra, paizão!
- Caralho! - Porra!
Como o soltaste sem me dizer nada?
- Queria fazer-te uma surpresa. - Adorei!
Só fiz o meu trabalho.
Seu velho safado!
A minha princesa aniversariante!
- Minha irmã. - Meu irmão.
- Caralho, Geninho! - Bradock!
Cresceste de caralho!
- Olá, tia. - És mesmo tu?
Em carne e osso. Liberdade. Estou de volta.
- Axé. - Axé.
Obrigado, irmão. Liberdade.
Caralho!
- Não acredito! - Foda-se!
- Eu disse que te abraçava. - És o maior.
- Caixa Baixa! - Caixa Baixa!
- Obrigado, Barbantinho. Buscapé. - Na boa.
É bom ver-te de volta. Caralho, paizão! Estamos de volta.
Quero falar contigo.
Sabes que não gosto de perder tempo.
Vai cuidar da tua rainha.
Aquela ali merece que piques o ponto e faças horas extras e o caralho!
Estou a fritar da pipoca.
Muitos anos lá dentro, sabes?
- Preciso de voltar. - Vamos ver a melhor maneira.
Como assim?
Veremos. O Geninho manda nos apartamentos. Está a sair-se bem.
Pode estar a sair-se bem, mas...
Aproveita estes dias.
Se precisares de algo, diz-me. Dinheiro, carro, coca, seja o que for.
Entretanto, vou pensar nisso.
Vá lá. Esse sempre foi o meu trabalho. A Boca dos Apês sempre foi minha.
Ele é meu filho, porra.
É praticamente teu irmão! Calma!
Vou falar com os convidados.
Falamos mais tarde. Não fiques zangado.
Tu és família.
Não vais ficar na merda.
Ele não te pode fazer isso, Bradock. É absurdo.
É uma cena de família, Crazy. Nós vamos resolver isso.
Família para mim é diferente.
Estiveste preso seis anos e ninguém te visitou.
Agora que está bem, diz que és da família. E tu cais nessa.
Não exageres.
Olha para a estrada.
Passa, caralho!
Vira! Porra!
Porra!
Vamos!
O que estás a fazer?
Vai, filho da puta!
Aí vai ele!
Avança, porra!
Livra-te dele!
- Vamos! - Vai!
Aqui, porra!
Amo-te!
Amo-te!
Chupa!
- Vamos. - Atenção.
- Vai! - Vamos, PQD! Porra!
- Então, paizão? - Bradock.
Vamos falar daquele assunto?
Calma, filho.
Vê o jogo. O número dez está a jogar de caralho.
Falamos depois.
- Quero agora. - Calma.
Quero voltar.
Chefe, o uísque.
Deixa o patrão respirar. Fuma um, relaxa.
Não falei contigo. Falei com ele.
Mas que merda é esta?
Estás fodido!
Parou!
Parou!
- Porra! - Imbecil!
Isto é futebol! Não é luta livre!
Se querem lutar, saiam da minha favela, caralho!
- Porra! - O que deu àqueles putos?
Joguem.
Desfruta da tua liberdade.
Ainda jogas? Há lugar para ti.
Vá lá, Curió? Mas que merda é esta?
Não saí da prisão para jogar futebol.
ZeroOnze, traz-me uma cerveja bem gelada.
O Bradock precisa de se acalmar.
Estás maluco?
Não me podes afrontar à frente de toda a gente!
Perdeste o respeito?
Não, paizão. Eu tenho muito respeito por si.
Passei seis anos na prisão por algo que o Geninho fez.
Calma, estamos a falar.
Vá lá, paizão. Sou um homem.
Não denunciei ninguém.
Não foi fácil para mim.
Não quero problemas. Só quero o que é meu de volta.
De que estás a falar?
O que é teu? Aquilo é meu.
Tu eras um testa de ferro.
Disseste que éramos família.
Criei-te como um filho.
Se não aprendeste a respeitar o teu pai, está na hora de aprenderes!
Tens cá uma lata, rapaz.
Quando é que assumo?
Precisa de alguma coisa, chefe?
Está tudo bem, ZeroOnze.
Vamos. Estou farto deste jogo.
Bradock, estás nervoso.
Não estás a pensar bem.
Acalma-te.
O Curió não te vai deixar sem nada.
- Tudo bem? - Tudo bem?
Por favor.
Qual é a pressa, Jerusa?
- Lembras-te daquilo de que te falei? - Sim.
Preciso dos equipamentos.
E onde está o dinheiro?
Bom...
Que tipo de equipamento precisas?
Começo a achar que ele não vem.
Calma, Crazy.
Deus vomita os frouxos, Bradock.
- És demasiado manso. - Senta-te.
Quem pensa ele que é para nos fazer esperar?
Relaxa. Ele há de aparecer.
- Confias demasiado nele. - Relaxa.
- Então, Bradock? - O que foi?
- O Curió não vem. - O quê?
Então?
Ele disse que tu e o Geninho são irmãos e que vão dividir a Boca.
Metade para cada.
Basta apareceres amanhã para começar.
Isso é para rir?
Avisa o Curió que a merda da Boca é do Bradock.
Senão, tirámo-la.
Tens a certeza, Bradock?
Recebes ordens desta cabra?
Respeita-me, cabrão!
- Vais deixá-la falar assim comigo? - Ouve, miúdo.
Vais transmitir a mensagem ao Curió.
Não sou o mensageiro desta cabra.
Cabra é o teu cu!
Não preciso de mensageiros.
É guerra que o Curió quer? É guerra que vai ter.
Legendas: Miguel Lopes plint.com
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