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Zulu
Fica aí.
O que você está fazendo? Calma aí.
Tira a camiseta.
Que tira a camiseta? Tira você.
Isso. Agora gira. Olha só.
Ele veio com uma surpresinha hoje.
Oi, Eto.
Eu estou falando que a gente
precisa ir para um lugar
maior, pelo menos com dois
banheiros, não é, João? Está doido?
É assim que a
vida sexual do casal acaba,
separando o banheiro.
Olha nós dois aqui usando
esse mesmo banheiro ao mesmo
tempo sem problema.
Com essa vista maravilhosa aí.
Está bom, está bom.
Espera.
É mensagem do Pedro. Que Pedro?
O produtor.
Oi, João, tudo bom?
Olha, a gente ainda dá 100
editores pro filme da Vera.
Eu vi aqui o seu material e
olha, ele é perfeito.
Por que você não passa aqui
na produtora pra gente conversar?
Não falei que ia dar 7, Joãozinho.
Não falei.
Oi, João, tudo bom?
Putz, cara, a gente acabou de
fechar o montador pro filme da Vera.
Mas manda o seu currículo
aqui pra gente,
que sempre rola publicidade,
tem institucional também aqui
na produtora.
Oi, Pedro.
Eu vou organizar meu material.
O material aqui, te mando
certinho, tá bom?
Obrigado. Joãozinho, para de gritar que
tá tarde e vai acordar o vizinho.
Ah, é que tá? Do que me deixa?
Eu tô irritado.
Tástico.
Não tem nada pra enviar, João?
Não, na verdade tem, mas não
no roteiro.
Eu voltei pro argumento, tô
mexendo na estrutura, pensando
em personagem.
Aí, depois que tiver tudo
isso definido, a parte do
roteiro é bem mais rápida.
Eu só fico preocupada porque
faltam duas semanas para o
prazo do edital encerrar.
Eu prometo que eu te entrego
uma versão nova em uma semana.
Você tem certeza, João? Tenho, tenho.
Tá bom, então. Ficar de
esperando, hein?
Tô curiosa, viu?
Pode deixar. Tudo bem?
Você vê uma inteira
para a sessão das quatro,
Jorge, por favor?
Delegados.
O seu bilhete.
O seu bilhete.
Valeu.
Você sabia, Undubu?
Por isso que você estava
estranho naquele dia do café
que esse Bruno apareceu.
É, eu tinha acabado de
descobrir que ele estava
ficando com o Hugo.
E eles estão namorando?
Acho.
Ah, namorando assim não. É só
um casinho.
Eu não quero namorar ninguém
pelos próximos 10 anos.
Estou começando a ficar com o Silves.
João, calma. Você está pirando
com o negócio que você nem
sabe o que é. Não sei.
Tá.
E se eu ligar para o Léo e
pedir desculpas por ter seumido?
Ou para o Vitor? Porque tudo
bem ter namorado, não?
Liga para mim, Joãozinho.
Amigo, vem cá.
Você está ouvindo o que está falando?
Você entrou no modo desespero.
Você não está assinando.
Se o Bruno não é o fim do
mundo, a gente nem sabe o
que está acontecendo.
E você deveria ir para outros
dates também.
Para quê?
Esses dates são só sofrimento.
Se você estivesse comigo,
Você não estaria sofrendo agora.
Amigo, calma.
Era tudo certo.
Relaxa. Você sabe onde está a cetona?
No banheiro, Chico.
Tá. Vou lá, melhor.
Joãozinho, meu amor.
Para de pensar em Hugo,
Vitor, Martinho, Léo.
Você lembra que você tem uma
carreira pra pensar? Lembra dela?
Pensa em mim, Joãozinho.
O problema é que a minha
carreira agora é...
de diretor por nó.
Eu fui na casa de um casal
que me pediu pra gravar e
editar uns vídeos deles transando.
E me pagou pra isso, enfim,
aí um outro casal também
soube, e eu fiz pra eles também...
É sério, quer dizer, eu nunca
esperaria isso de você, é sério.
Será que não deveria ser feito?
Claro que deveria, claro que deveria.
Tô tão orgulhosa de você, ai,
amigo, quando estoura essa
coisa de trabalho com
dinheiro, com diversão, pirota.
Entra e sai.
Ai, você tem alguma coisa pra
mostrar pra gente?
Sei lá, um frame, um...
Vai ter que assinar um ofens deles.
Gente, é profissional.
Amigo, eu te pagarei um bem.
Ajuda no aluguel.
Gente, eu tô chocando.
Tá. Teve mais gente pedindo?
Mas ele só pensa em trabalho.
Pena. O próximo vai ser o melhor
que estou sentindo. Pai, conta.
Não, legal.
Mas ele não faz nada da vida.
Sempre tonto.
Ele é de Alis.
Legal. E quer mais? Étero demais.
Eu sou bem gay. Sem chance.
Chato demais.
Lembra como a gente se divertia?
Engraçadinho demais.
Eu sei ser sério também. Quieto demais.
Acho que a gente nunca teve
um momento de silêncio contragedor.
Não adianta. Eu não vou achar
alguém que seja igual ao Hugo.
É raro a gente conseguir um
certo sucesso na vida.
Imagina mais de um.
Nem todo mundo pode ser a
Julia Luiz Dreyfus.
Você devia parar de comparar
sua vida com um seriado. Também acho.
Acho que você
devia viver mais na realidade.
Você entendeu o que eu quis dizer.
Não, parece que você não
está entendendo.
Está deixando de ser metáfora.
Você parece acreditar que sua
vida é um grande roteiro que
você pode controlar.
Que saco também.
Você fica falando de mim, o
que você faz de diferente?
Ah, tá bom, João.
Fica fugindo de qualquer
possibilidade de relacionamento.
João, calma.
Quem é você? Você quer dar
conselho, mas vive com medo
de se comprometer de verdade.
Desculpa, gente.
Ele tá meio doidinho mesmo.
Ai, que limão.
Preguiça. Eu não vou atrás.
E aí, João, como é que tá o
nosso roteiro?
Então, Paula, até tentei, mas
eu acho que não melhorou
muito a nova versão.
Mas você não tem nada pra mandar?
Até tem umas tentativas de
mudança, mas eu acho que não
tá melhor do que tava.
Eu não sei nem o que fazer
porque agora chegou no prazo
final de editar.
Sei lá, acho que talvez esse
filme não tenha que ser feito mesmo.
Vem, gata. Vem. Valeu. Fica à
vontade aí.
A gente não fica à vontade
sem compartilhar, João.
Se entrou na nossa casa, vai
ter que gozar também.
Estou de boa. Qual é?
Vem aqui.
Sério, eu não estou afim.
Não existe não estar afim de sexo.
Claro que existe.
Qual é o seu signo?
Cara, curte aí entre vocês.
Oi, Orlando.
Aqui é o João.
Eu não sei se você ainda tem
meu número.
Eu vi que o seu ainda não mudou.
Aconteceu uma coisa muito curiosa.
Eu encontrei um bilhete seu
no bolso de um casaco que eu
não usava faz tempo.
Ficou lá, que é uns 10 anos. Doido, né?
Sei lá, eu fiquei com vontade
de te contar.
E saber também como você está.
Casado?
Faz quatro anos, mas a gente
está junto há nove.
Na verdade, graças a você.
Eu? O que eu fiz?
Então, quando a gente
terminou, eu fiquei muito mal.
Sei lá, mesmo sendo pouco
tempo, eu criei muita expectativa,
achei que você era o amor da
minha vida, que a gente tinha
tudo a ver.
Tinha mesmo, né?
Quando você começou a ficar
com o Hugo, eu fiquei puto.
Puto! Porque eu achava que
vocês não tinham nada a ver.
Aí, sabe qual o desafio?
Ficar inconformado, eu
fiquei inconformado.
Eu passei um mês te
estalqueando, eu fiquei maluco.
Os meus amigos tiveram que
fazer uma intervenção,
aí eu fui pra fora fazer um
curso pra te esquecer,
e lá eu conheci o Vini.
Então, muito obrigado. Me dispõe.
Eu pensei que você e o Hugo
tinham casado também.
É, a gente nunca quis.
Você nunca quis?
Quando a gente tava junto,
você falava que queria.
Claramente não comigo, mas
você tinha essa ideia de
envelhecer junto, de pra sempre?
Não era?
Era.
Mas é difícil não mudar
quando a gente tá com alguém, né?
Eu tenho uma teoria.
Quando a gente tá junto, a
gente vai criando essa outra
entidade, que é o casal.
E o casal não é nenhum nem outro.
O casal é o que a gente vai
juntando, o que é essencial
pra cada um.
Eu, por exemplo, nunca gostei
de cachorro.
Sim, sabe.
Já o Vini ama cachorro, tinha
cachorro quando era criança,
aí foi morar sozinho, adotou
um cachorro,
aí esse morreu, ele adotou outro.
Então hoje a gente tem um cachorrinho.
Para, eu não acredito.
Mas calma, eu não sei se eu
passei a gostar de cachorro pra sempre,
ou só se eu passei a gostar porque
eu amo essa coisa que a
gente construiu junto,
chamado casamento, e que o
Chimege faz parte.
Chimege?
Chimege. Adorei, mano.
Mas por essa sua teoria,
quando isso acaba,
como é que a gente sabe o
que é a gente, o que é essa entidade?
Não sei. Acho que é um processo.
Mas é um processo que dá uma
tristeza, né?
Uma angústia.
Mas passa, Joãozinho, passa.
Quando você me abandonou, eu
achei que eu nunca mais seria
feliz na vida.
E hoje eu te agradeço por
ter me trocado pelo Lugo.
Silvio! Ai, meu Deus! Que saudade!
Você avisou que vinha?
Mamãe tá gagada depois do convite.
Não, tava aqui perto. Eu
resolvi passar.
Você vai sair?
Vou. Uma reunião chata de trabalho.
Bem, depois eu passo com calma.
Não, agora você vai entrar.
Mamãe sempre chega atrasada mesmo.
Agora fala de você, seu filme, Lugo...
Correria, né?
É, a vida tá corrida, né?
Eu acho que foi essa maldita
dessa pandemia.
E também tem o celular.
Todo mundo falando com todo
mundo, o tempo todo.
E tem esse monte de série também, né?
A série é o que?
Ela era psicopata?
Acordei isso da minha vida.
O grupo da família.
Terceiro café do dia?
Quinto.
Você tem razão de não ir
morar junto com a Júlia mesmo.
Relacionamento não vale a pena.
Eu já estou morando com ela.
Quando foi isso?
Faz um tempinho.
E você não conta?
Você não está com muito tempo
o probleminha dos outros, não é?
Desculpa.
O que você está sentindo agora?
Todos os sentimentos do mundo.
Estava com saudade.
Gostava ainda de ver, amaram
o vídeo deles, vão abrir um
perfil, vão postar também,
Aliás, o que você acha que
trepa melhor, a gente ou eles?
Depende do público.
Vocês têm uma coisa mais romântica.
Eles já são mais performáticos.
Transando olhando para a câmera, sabe?
Você dozinho, do espectador.
E qual você prefere?
Não peça para eu comparar minhas obras.
Senhora do mundo.
Não, eu acho que vocês
parecem mais reais.
Não sei, eu sinto que hoje a
galera está tão preocupada em
ser desejada
que nem sabe mais o que
gosta, de verdade.
Eu acho que tem pouca gente
que realmente se entrega
quando está transando.
Parece que rolou um combinado coletivo
que é melhor parecer feliz do
que ser feliz.
Sem contar com essa coisa de
ficar preocupado de esconder
os defeitos o tempo inteiro.
Mas eu acho que tem que ter
muita coragem para essa exposição toda.
Coragem por quê?
Você não acha curioso que
hoje a gente possa estar
tudo, menos o sexo?
É, viagem, almoço, jantar,
academia, tudo isso vai ficar
pra posteridade.
E o sexo que é bom, todo
mundo faz, tem que ficar só na memória?
Tem razão.
Você nunca pensou em fazer um
vídeo com você atuando, não?
Jamais.
Oh, meu, a conta é certeza.
Eu não tenho nem com quem
gravar, tô numa fase péssima.
Você percebeu que ele nem...
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