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Naquele dia, como de costume,
eu decidira dar uma caminhada pela orla do mar.
A primavera nunca fora tão bela.
Eu corria com toda velocidade.
Rosalie tinha dificuldade para manter o ritmo.
Senhorita!
Senhorita Jeanne!
Senhorita!
Socorro!
Socorro!
O vento surgiu abruptamente.
Se um barco de pesca não chegasse, não sei o que seria de mim.
Ele estava na doca.
Eu não o conhecia.
Melhor trazê-la para terra, entendeu?
Quem é?
É a filha do Sr. Perthuis.
Seu pai a conhecia bem.
Oh, sim?
Sim, senhor. Muito bem.
E ela sempre viveu nesta província.
Ele me ofereceu sua carruagem.
Não! Entre.
Gostaria que meus pais lhe agradecessem.
Rosalie!
Rosalie?
Não há ninguém.
Provavelmente estão procurando por mim.
Esta é a primeira vez que entro em sua casa.
Nossas famílias têm vivido juntas há muito tempo.
Você vive nesta província?
Três meses atrás deixei Paris.
De bom grado?
Foi necessário. Sim.
Eu já perdi muito tempo.
Agora, devo tentar viver
mais razoavelmente.
Realmente preciso encontrá-los.
Eles devem estar muito preocupados.
Não é preciso. Já chegaram.
Ela está aqui!
Oh, Senhorita, Senhorita!
Ele voltaria outras vezes.
E sairia cada vez mais tarde.
Às vezes, o seu silêncio me desconcertava.
Pronto.
Voltará a nos visitar?
Eu não sei, talvez. Sim.
Caso eu não volte para Paris.
Você vai partir?
Acha que eu não deveria?
Não foi o que disse no outro dia.
Quer dizer que mudou de ideia?
Eu?
Então chegou o dia em que Julien quis falar em particular com o meu pai.
Eu estava com medo quando se aproximou o grande momento.
E ainda tinha que descer
e ver de novo o rosto que me ocupou a vida inteira.
Ao sair da igreja, eu estava consumida em tanta felicidade...
que não reparei tê-lo deixado para trás.
O que ele pensou quando viu toda a minha família?
Era ele quem estava sozinho.
E quem estava lá por ele além de Fourcheville?
Estava muito absorta em mim mesma para lhe perguntar.
A recepção foi até muito tarde.
Foi um casamento como esses que se narram nos contos de fadas.
Mas o que acontece com o casal depois que o conto termina...
era algo em que eu não pensava.
Rosalie.
Eu vou subir.
O sacrifício não foi tão grande.
Houve um, em todo caso.
A última vez em que o vi em Paris,
paguei pelo seu carro.
Agora é a hora de reembolso.
Ele não ficará sozinho.
É natural:
Casar para pagar suas dívidas.
Diga isso de novo!
Você ouviu?
- O que foi? - Oh... nada.
Um convidado bebeu demais.
Rosalie!
Eu estou tão feliz.
Quando você está feliz, quer que todos estejam.
Sim, senhora.
Não deveria ser tão difícil, não?
Não, senhora.
Rosalie, diga-me.
Você nunca me deixará?
Você ficará conosco como antes?
- Cortou-se? - Não. Deixe. Não é nada.
Assusta-me um pouco deixá-lo sozinho.
Nunca mais ficarei só, a partir de agora.
Vamos lá, sim?
Agora?
Sim.
- Agora mesmo. - Mas, Julien ...
- ... Por que agora? - Esta casa me adoece.
Esta festa nunca terminará!
Vamos agora.
Estou lhe pedindo.
Mas...
mas não é possível.
- Nada está pronto. - Ao contrário.
Devemos nos despedir.
Julien parou a carruagem no meio de um campo.
Eu estava dormindo.
Ao menos...
estava fingindo dormir.
Julien.
Dois meses se passaram.
Meus pais nos deixaram morar em sua casa.
Despedi-me deles sem a menor melancolia.
Fechei as portas, consciente da minha felicidade.
Sem saber ao certo que estava me aprisionando.
Pronta para andar pelo campo?
Os pobrezinhos estavam com o coração partido por deixar sua casa.
Você não pode entender.
Quando era pequena, eu me perdia aqui. Até me assustava.
Agora eu não poderia viver em outro lugar.
E isso deve ajudar-nos a fazer um menino bonito.
E dá-lo para um orfanato.
- Você está sempre me provocando. - Eu? Nunca.
Eu amo os pequenos órfãos.
Bem. Eu vou atrás de alguns corvos.
Vai me levar?
Mas você não atira.
- Você vai me ensinar? - Não pode ser ensinado.
Corre no sangue.
Julien!
Cansada?
Sim.
Vou voltar.
Quer que volte com você?
É muito gentil.
Obrigada.
Certo.
Julien?
Após alguns meses, ele tomou o seu próprio quarto.
Não me deu qualquer explicação.
Mas não havíamos combinado termos nossos próprios quartos?
Deixe-o.
Quem te ensinou a fazer isso?
E a você?
Ninguém.
Já viu claramente que ela não pode.
Por uma boa razão.
Algumas coisas não podem ser ensinadas, hein?
Beba alguma coisa.
Vamos. Beba.
Oh, Rosalie, Rosalie! Como te adoro.
Ao menos não me enche de perguntas.
Faz bem. Todas perguntam demais.
Eu odeio isso.
Quando ouvi seus passos, estremeci por dentro.
Ele estava muito calado.
Mas era o suficiente vê-lo...
senti-lo na casa...
para esquecer os longos dias de espera.
Há quanto tempo está conosco, Rosalie?
Na casa, minha senhora?
Devem ser treze anos.
Treze anos.
Como o tempo voa.
Quanto mais velha, mais rápido vai.
Também será com você, verá.
Comigo, senhora?
O que estão cochichando?
Rosalie.
Vá acender o fogo em meu quarto.
Mas o Senhor sempre segue a mesma rotina.
Esta noite não é de rotina.
Você ouviu o que ele disse.
Deixe essa velharia.
Para quê tantas memórias?
Não, não! Isto não pode continuar.
O que está esperando? Chame-a.
De manhã,
ouvi barulho vindo do estábulo.
Deveria ter conhecido Julien melhor
para resistir ao impulso que me atraiu para ele.
O que está fazendo aí?
Apenas observando você.
E você?
Como vê, trabalhando.
Por quê?
Porque eu gosto.
Eu tenho direito, não?
Mas...
Irá vendê-lo?
Gostaria de mantê-lo, Julien.
É nosso.
Não é nosso o dinheiro que consigo?
E as minhas dívidas, são nossas?
- É para pagar dívidas? - Sim. Elas estão aí.
- Mas você nunca me disse. - Dizer o quê?
Mas, meu amor,
você deve ter...
Enlouquecido. Completamente.
- Temos todo dinheiro de que precisamos. - Nós, nós, sempre nós.
Mas o que significa "nós"?
Esta é minha carruagem.
É a única coisa que me resta.
- Eu só queria... - Que farsa!
Julien! Espere por mim.
Julien. Não podemos deixar isto dessa maneira. Eu imploro.
Mas o que foi que eu fiz? Meu Deus. Diga-me o que eu fiz.
Nada! Não há nada a ser feito! Irrepreensível, como de costume.
... seus pais podem morrer em paz porque já
casaram sua filha irrepreensível!
Todos estão felizes, todos ganharam.
Somente eu estou preso neste negócio.
Mas do que você está falando?
Eu estou dizendo que fui pego.
E tudo por uma dívida miserável.
Eu acho que é um pouco demais, não?
Bom dia, Senhora. Bom dia, Senhor.
Vou subir.
Eu também.
Espera por algo?
Você não disse boa noite.
Sim.
Ouça.
Eu estava um pouco violento, esta manhã.
Não queria magoar você, sabe, mas...
Eu fui longe demais.
Quando eu fico com raiva, falo demais.
Peço-lhe que me perdoe.
Sinceramente.
Seu amor por mim, assusta-me.
Esse é o seu problema, você acha tudo trágico.
Está falando enigmaticamente.
Não. Eu estava tentando fazer você entender.
No entanto, isto não é apenas sobre dinheiro.
Dinheiro.
Teria sido muito mais fácil me falar.
Oh? Muito mais fácil, não?
O que não pode ser corrigido com um pouco de dinheiro?
Eu imploro. Não seja cruel.
Eu, cruel?
Minha pobre Jeanne.
Eu preciso ficar só por um tempo.
Um pouco livre, entende?
Preciso de ar fresco.
Quando quero explicar isso, toma como uma ofensa.
Vamos. Acalme-se.
Tudo isso é uma infantilidade.
São caprichos de uma menina mimada.
Ouça.
Nós poderíamos ser muito felizes.
Acredite em mim, muito felizes. Desde que cada um faça sua parte.
Viver juntos nem sempre é fácil.
Tudo tem seu tempo, sabe?
É hora de ser razoável.
Mas eu não quero ser razoável. Eu amo você.
Mas eu sei que você me ama e muito mais do que isso.
Bem. O que isso muda?
Por sua causa, arruinei a minha vida.
- Não pode dizer isso, Julien! - Não posso?
Eu nunca fui tão sincero.
Arruinei a sua vida?
Parece um desperdício tentar fazer você entender.
Os dias seguiram seu curso,
em pouco tempo,
mas eu não podia esquecer as palavras de Julien.
Rosalie!
Minha pequena!
Pobre Rosalie.
Você sente dor.
Não! Não me toque.
Eu não quero que você...
Isso dói!
Rosalie?
Julien!
- É Rosalie. Ela... - Entre.
Vá encontrar Ludivine. Ela precisará dela.
Entendeu, sim?
Deixe-me.
Vou levá-la para casa.
- Vá embora. - Mas não pode ficar aqui, não é?
Está começando.
Não pensei que estivesse tão perto.
Aqui. Fique e me ajude.
Precisa me perdoar.
Meu Deus, nesta pocilga...
e neste frio...
Pegue isso.
Pegue.
Entre. Não pode fazer nada.
Entremos.
Venha.
- O que vou fazer agora? - O quê?
Não poderemos manter esse pirralho, não é?
Além do mais, um bastardo!
Sabe de quem é?
Não.
Ela não é sua confidente?
Deve ter lhe dito sobre isso.
Tenho certeza, ela lhe disse.
E agora está se fazendo de vítima.
E você a defende!
Eu já tive o suficiente desta traição.
Eu já tive o suficiente dessas mulheres!
Eu não dou nada por nenhuma das duas!
Nenhuma das duas!
Oh, Julien...
Está ouvindo?
O adotamos.
O adotamos, eu imploro!
- Estou dizendo que não. - Falarei com Rosalie e diremos...
- que o adotaremos. Eu lhe peço... - Não!
Senhora. É uma menina!
É uma menina!
Estou tão feliz. Quão feliz será Rosalie.
Oh, Julien, teremos uma menina em casa.
Tudo vai ruir, sim!
- Por que não gosta de crianças? - Eu?
Não vai falar comigo?
Não.
Falou com você?
Não.
Viu? Eu tinha razão.
- Está cuidando dela? - Claro.
Talvez tenha nascido para ser uma criada.
O frio durou...
mais tempo este ano.
Preocupava-me com a pequena menina que estava dormindo fora.
Julien!
Julien!
Você?
Você, minha amiga...
não é possível.
Não me toque!
Ladra!
Fora!
Fora! Fora!
Julien!
O que disse?
- Julien? - Não me machuque!
Se soubesse como é feia!
Vocês me enojam.
Ladra!
Você é tão feia!
Senhora.
Senhora?
Jeanne?
Jeanne!
Responda-me!
Senhora.
Senhora. Deve entrar,
a neve começará a cair.
Volte para dentro.
Deixe-me em paz!
Eu te amo como a uma irmã!
Como você pôde fazer isso?
Rosalie?
Por que você não disse nada?
Muitas vezes eu quis dizer.
Eu estava um pouco envergonhada.
Quando o bebê nasceu, eu tentei, mas...
Por quanto tempo?
Quanto tempo?
Quando começou?
Ele tem vindo ficar regularmente com você? Diga-me.
Oh, não, Senhora.
Desde o nosso casamento?
Sim.
Vamos entrar, pequena.
Venha.
Não, eu não posso!
Entramos juntas. Não tenha medo.
Venha, venha...
Sem uma palavra para perturbá-lo,
escrevi para os meus pais.
Pedi-lhes para vir e ficar algum tempo conosco.
Eu tinha uma grande necessidade de afeto.
Esta farsa está terminando?
Chorará por causa da menina na porta?
Ela logo se estabelecerá na fazenda que lhe demos.
Que fazenda?
É verdade. Esqueci-me de dizer.
Ela ficou conosco por tanto tempo.
Não podia deixá-la ir sem nada.
Assim, com papai, decidi dar o domínio de uma fazenda.
- Isso é ridículo. - Eu não pedi o seu conselho.
É minha fazenda.
E minha serva, também. Você me repete isso, não?
Como quiser.
Tantas mães solteiras neste país...
Apenas uma, Julien.
Você realmente não sabe o motivo?
Nesse caso, irei ajudá-lo a se lembrar.
É assim que você quer?
Se Julien tivesse apenas feito um esforço para se reconciliar comigo.
Se houvesse proferido apenas uma palavra de arrependimento.
Boa noite, minha filha.
Não vai subir agora?
Não.
Senhora?
- Eu quero dizer... - Eu sei, eu sei...
A enganei.
Eu tinha medo de deixar tudo isso.
Está pensando em fazer isso agora?
Espero que sejam felizes juntas.
Não.
Ela partiu com a criança.
Eu fiquei só.
Seis anos se passaram.
Minha mãe tinha retornado.
Meu pai tinha morrido.
Naquele dia, os barcos seriam batizados.
Levei o pequeno Paul, meu garoto.
Já que havia...
esperado muito tempo por esta criança.
Encontrei Rosalie lá.
Rapidamente me afastei.
Lamare!
Lamare!
Dê-me sua mão, meu velho.
Então, nos encontramos novamente.
Não pensei que teria de peregrinar para encontrá-lo novamente.
Afinal, eu nunca viria aqui por vontade própria...
Mas o que podia fazer? Minha esposa insistiu.
Sim, meu velho. Eu me casei.
Eu pensei em lhe escrever. Mas e você?
Você nunca teria respondido.
Aqui estamos.
Onde você está?
Paris é muito bonita, rapaz, mas
após o casamento diria que não há nada como o campo.
Gilberte?
Gilberte!
Este é Julien.
Julien de Lamare.
Meu marido fala muito de você.
Eu tenho medo de imaginar o que ele diz.
Só coisas gentis.
Minha esposa, Senhora de Fourcheville.
- Senhora. - Senhora.
Os meus respeitos.
- E este é seu também? - Sim.
Bem, isso é absolutamente incrível! Julien, pai de família?
Não é razão para enterrar-se.
Vestido como um 'Senhor agricultor', pelo que posso perceber.
Mas, pelo amor de Deus...!
Senhora. Fale com ele.
Você deve vir para casa conosco esta noite.
Contratei um caçador maravilhoso.
Sabe, nós não saímos muito.
Só conta para você, Julien.
Vê? Sua esposa concorda.
Paul!
Desculpe. As alegrias da vida familiar.
Vamos. Venha.
Você está ferido?
Cortou-se?
Ele? Me surpreenderia.
Ele é muito saudável. Deve ter dado uns socos...
uma verdadeira força da natureza!
Você é, em todos os sentidos, como seu pai.
Estamos saindo para o almoço.
Não se juntarão a nós?
Bem... isto é um sim?
Receio que devamos declinar.
Bem. Eu não vou insistir.
Vocês têm que vir e nos ver um dia desses, não é, Senhora?
Seu amigo está certo.
Nós não saímos muito.
É o triunfo da solidão.
Essencialmente, eu estava sempre com algum medo de voltar para o meu inverno:
meu jardim, minha casa,
minha mãe.
Coisas que me inquietavam.
Paul!
Você pode me ouvir?
Venha aqui rápido.
Lembro-me que lhe disse: não quero saber dessas brigas.
Os Fourchevilles vieram nos convidar para caçar.
Julien aceitou imediatamente.
Optei por não me juntar a eles.
Mãe. Não precisa de nada?
Está tudo bem.
Quem era?
Alguns amigos de Julien.
Deve ir com eles, minha filha.
Não há necessidade de ficar por mim.
Não é por você que eu fico.
Vá para a cama. Sabe o que o médico lhe disse.
Meu Deus! Mãe!
Rápido!
Vá chamar o médico!
Você vem comigo.
Fale comigo, mãe!
Por ali.
Então.
Já selado para o retorno.
Acho-o muito apressado.
Então gosta de caçar?
Isso depende da temporada.
Você é uma paqueradora.
Você acha?
Por que estragar tudo tão rápido?
Temos tempo suficiente para isso.
Milhares de dias.
Nada a fazer além de mentir.
Trair.
Esconder-se.
E disse que não é uma paquera.
- Vamos. - Não.
Gosta de brincar com fogo, Julien?
E você?
Eu simplesmente amo o fogo.
Onde você esteve? Procuramos por você há uma hora.
Não. Não você, Lamare!
Gilberte, faça Julien trazer sua esposa para o nosso jantar esta noite.
Ela deve se aborrecer sozinha.
Você não come nada? Há mais do que o suficiente.
Eu comi com o pequeno.
O que há com ela?
Ela está sentindo a idade.
E o doutor? O que ele disse?
- Ele não sabe de mais nada. - Ah! Eles são todos uns tolos.
Vá para a cama. Ludivine pode cuidar dela.
Preciso fazer isso eu mesma.
Quer que eu fique com você?
Não. Eu prefiro ficar só.
Bem, nesse caso, com licença.
Seis horas a cavalo, eu estou exausto.
Nos vemos amanhã.
Ah! Aqui está uma caça de Fourcheville para você.
Ele supôs que você não gostava de javali.
Mamãe?
Mãe!
Mãe.
Julien?
Julien?
Julien?
Julien!
Mamãe morreu durante a noite.
Por que você não me acordou?
Que elegante, tão tarde.
Você acha?
Seu amigo é muito simpático.
Quer dizer Fourcheville?
Ele não inventou a pólvora, mas chegou perto.
É uma pena que você perdeu contato com ele.
- Deviam se dar muito bem. - Sim.
Casou-se, também.
Será que ele também se arrependeu?
- Jeanne, minha pequena Jeanne. - Não, Julien. Isso seria muito fácil.
Muito fácil? Muito fácil, como essa sua boca.
- E se você não... - Afaste-se de mim.
Talvez eu possa torcer o seu braço.
Não. Eu me odiarei.
Deixe-me. Já me causou dor o suficiente.
Mas, não...
Pare de me atormentar.
Vá embora.
Agora eu quero viver na solidão.
Na solidão?
O que significa isso?
Uma mulher não é feita para viver sozinha.
Casei-me com uma freira?
Sim.
Muito bem, o que está esperando?
Basicamente, você estava certa.
A solidão não é boa para ninguém.
Sabe o quanto poderíamos ter sido felizes?
Eu perdi o interesse há muito tempo.
Está mentindo.
Jeanne.
Saiu tão rápido.
Não me sinto bem.
Eu gostaria de ir embora.
- Mas haverá uma recepção. - Não.
Fomos convidados. Você não quer vir comigo?
Envio as minhas saudações, não posso celebrar mais.
- Além disso, seu filho me espera. - É a verdadeira razão?
Por que outra razão não iria a esta festa?
Poderia valer a pena,
afinal, são nossos vizinhos.
Obrigam-me a ficar.
Sim, Julien. Eu sei.
Bem. Gilberte virá conosco. Chego em casa assim que puder.
Faça o que quiser.
Julien.
Por que você não veio me ver?
Há tempos não nos vemos.
Preciso tanto de você.
Ele não me deixa em paz nenhum momento. Ficou louco.
Ele não é capaz disso.
Preciso falar com você.
Tenho medo, Julien.
Não me deixe.
Medo?
Bem, então, venha para o café da manhã, ao amanhecer.
Sim.
Sabe onde?
Eu mudei de ideia, Julien.
Ficarei com você.
Muito bem.
Aqui está.
Beba.
Por que não está bebendo?
Beba.
Estou com medo.
E o que a assusta?
Eu não sei.
- Tudo é tão difícil. - Não, não.
Por que se atormenta assim?
O que está inquietando?
Então?
Por que não pode sorrir?
- Eu não posso mais. - Mas é tão fácil.
Olhe ao seu redor.
Uma festa, o brilho do sol.
Árvores, ar fresco, água.
O que mais poderia pedir?
Eles estão felizes.
Esta é a forma como parecem, talvez.
Por enquanto, estão felizes.
Julien?
Você realmente queria ter vindo aqui comigo?
Por que está tão amável, hoje?
Porque é bom.
Não é?
Não diga nada.
Não diga mais nada.
Assim está bom.
Senhora de Lamare!
Senhora de Lamare!
Mais uma vez, eu estava só.
Abandonada a um mundo de lágrimas.
Estava correndo atrás de um sonho ruim.
Dei-me conta de que o encontraria.
Quando os descobri,
não me choquei.
Onde estão?
Não tenha medo.
- Julien não está aqui? - Não.
Eu não sei de nada.
- Então eles estão juntos! - Não!
- Não é assim? - Deixe-me.
Vou encontrá-los.
Pode me ouvir? Vou encontrá-los.
Fourcheville!
Eles apenas se refugiaram da chuva.
Fourcheville!
Julien!
Julien!
Julien!
Julien!
Recordam-se com mais boa vontade os verões do que os invernos.
O tempo alivia e suaviza as memórias.
Rosalie voltou a viver comigo.
Longe de Peupliers, o rosto de meu filho serviu como lembrança de Julien,
imbuído de uma nova ternura.
No fim das contas, a vida não é tão má ou tão boa como se pensa.
Legendas por Nandodijesus
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