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WAR AND PEACE PARTE 4
Legendas por Dhara Maria
Lembrem-se disso:
Mesmo se Moscou estiver arruinada,
nossa mãe Rússia continuará a viver!
A Sagrada Rússia
estará onde estivermos!
Ela está em nossos corações!
Ouviu? Ainda não está acabado.
Iremos nos Rostovs.
Verá a Natasha novamente. Eu prometo.
Costumava a acreditar em Napoleão. Nunca mais!
Não depois de Borodino!
Ele se tornou um assassino. Nada além de um assassino. Cuidado!
Alguém deve interrompê-lo e toda essa loucura.
Natasha. O que está fazendo?
Nada...
Querida, não fique se torturando!
Sei o que está sentindo.
Não podemos permitir insistir no passado, meu amor.
Então, esqueça.
Desejaria poder.
Cuidado com as coisas! Não as destruam!
Papai! As pessoas estão se juntando para a periferia da cidade.
Vamos barrar os franceses lá.
- Não seja ridículo. - É verdade, vi pessoas armadas.
E Napoleão... tem os canhões.
Não seja tolo, virá conosco.
Não!
Petya, por favor, todos estão de partida.
Nem todos. Há alguns que ainda querem lutar,
e eu quero me juntar a eles.
Petya isso é suicídio, por favor...
Mamãe, já tenho certa idade pra tomar minhas próprias decisões.
E agora vou fazer justamente isso!
Então junte-se ao exército.
O quê?
Não saia correndo atrás dos franceses acenando uma pistola.
Aliste-se num Regimento adequado,
com pessoas que sabem como se comportar numa guerra.
Papai!
Está louco? Ele ainda é uma criança.
O exército está recuando. É o local mais seguro para ele.
De outra forma, ele fugirá e vai se matar.
Petya! Onde está indo?
Vou me juntar aos Hússares, no Regimento de Nikolas e Devisov.
Prometa-me que sempre ficará perto do seu irmão.
Palavra de honra!
Poderia talvez nos arrumar um pouco d'água?
Claro. Arrumo um pouco d’água, rápido.
Onde está os levando?
Não faço idéia, sem destino.
Passaremos a noite pelas ruas, provavelmente.
Mas isso é horrível.
Sim, não é?
- Podem ficar aqui à noite. - Podemos?
Tenho certeza que meus pais concordarão.
Mas partiremos na manhã. O que acontecerá com eles?
Os franceses poderiam tomar contar deles.
Mas isso não pode acontecer.
Que outra solução existe?!
Se pudesse vê-la novamente, apenas uma última vez...
Irá.
Agora sei o quanto ela sofreu.
Se penso nela, como a odiei...
Mesmo assim, você, ao invés disso, a entendeu de imediato. Nunca a julgou.
Se chegar muito tarde,
diga a ela que...
Andrei, você a verá novamente, eu prometo.
Eu o levarei até ela,
mesmo que seja a última coisa que faça.
O que acontecerá conosco?
Onde iremos?
Tentaremos ir a Yaroslavl.
Meu irmão tem parentes lá. Podemos ficar com eles.
Até o final do rio Volga.
Quanto tempo isso levará?
Se o tempo estiver bom...
- Sou eu, Natasha. - Entra.
O que há, querida?
Aqueles feridos, minha mãe...
Não podemos deixá-los aqui...
Mas o que podemos fazer?
Podemos levá-los nas nossas carroças.
Como podemos fazer isso?
As carroças já estão todas carregadas.
Podemos descarregá-las.
Natasha.
Não entende que carregamos tudo que ainda nos resta?
Sei, mas aqueles homens estão desesperados.
Ouça-me, minha filha, sua mãe está certa.
Papai.
Não podemos abandoná-los.
Poderia ser o Nikolas ou o Petya...
Não olhem para mim. É o único que deve decidir.
Levamos o que é estritamente necessário.
Tudo bem...
Obrigada.
Sabe minha querida,
que pensamento horrível é esse: ela voltou a viver novamente.
Sim. Desejo saber onde ela encontra força.
É o Pierre!
Pierre! De onde veio?
Esteve em Borodino?
- Um massacre, meu amigo. - Meu Deus!
Um verdadeiro massacre.
Por favor, preciso da sua ajuda.
Diga-me, o que posso fazer para você?
O Príncipe Andrei está nessa carruagem.
Meu Deus!
Meu Deus! É grave?
Está gravemente ferido, precisa de cuidados médicos.
Ele me pediu para trazê-lo aqui. Quer ver Natasha novamente.
Pierre... mas no estado que ele se encontra...
Acha realmente que Natasha...
Deixarei para que vocês decidam isso.
Sim, deixa isso comigo. Encontrarei o momento certo de contar a Natasha.
- Sim. - Ela já sofreu o bastante.
Pierre.
Pierre!
Achei que nunca fosse vê-lo novamente.
Estamos de partida.
Eu sei. Espero que a sorte esteja com vocês.
O quê? Não vem conosco?
Não, vou ficar em Moscou.
Em Moscou, por quê?
Não posso explicar agora.
Mas isso é o que devo fazer.
Tenho que parar isso.
- Não há alternativa. - Não vá embora.
Não consigo suportar te perder.
Adeus, Natasha.
Pierre, onde você vai?!
Por quê?
Por que ele acabou saindo assim?
Não sei, meu amor. Não sei...
Quem está naquela carruagem? Por que está toda fechada?
Colocaram alguém gravemente ferido.
Um Coronel, da Cavalaria.
O Príncipe Andrei está morrendo.
Não sei qual reação ela teria se o visse nesse estado...
Melhor não dizer nada por enquanto.
Se ao menos o final chegasse...
Talvez, então, poderia finalmente viver a minha vida.
Sem mais meu pai por aqui,
Sem mais meu pai por aqui, haveria, todavia, um futuro.
Talvez existisse futuro,
sem mais meu pai por aqui.
Não devo pensar assim. Não devo.
Eu não devo...
Princesa...
Sim?
Seu pai está lhe chamando.
Sim.
Vai usar o vestido branco.
Aquele que eu gosto.
Sim.
Perdoa-me, minha filha.
Perdoa-me por tudo.
Não, não diga isso...
Acabou. Tudo acabou.
Nunca vou ver meu filho novamente.
Sim, verá. Andrei voltará para casa.
Mas eu não estarei aqui.
A Rússia está perdida.
Papai, eu nunca te deixarei.
Nunca...
Papai...
Papai, não!...
A carruagem tem que sair.
Devemos ir embora o mais rápido possível.
Providenciarei, Princesa.
Realmente quer partir neste exato momento?
Acho que seria extremamente perigoso.
Os franceses estão muito perto agora. Não podemos ficar aqui.
Deus meu! Há soldados por toda parte. Por todas as estradas.
O risco de terminar nas mãos de algum canalha.
Olhe...
O que é isso?
É do General Rameau.
Pede para os que vivem nessa área não deixarem suas casas.
E você quer esperar que... Rameau chegue?
Ele poderia nos oferecer proteção.
Claro!
E talvez... decidirá vir e morar conosco também.
Ele nos contará como defendeu o exército russo,
e talvez se for gentil o bastante,
ele me permitirá a usar um de meus aposentos.
Eu,
a filha do Príncipe Bolkonsky.
Não. Devemos ir embora.
Onde estão os cavalos?
Por que não falam?
Não precisa de nenhum cavalo. Ninguém vai embora.
Se quer ficar, fica. Nós vamos.
Você fica junto conosco! Precisamos dos cavalos!
Não são cavalos seus. Pertencem a propriedade.
E exijo que os dê para mim. Agora.
Tarde demais, Princesa.
Já fomos intimidados por tempo o bastante.
Apenas nos deixe em paz. Levem o que quiserem.
Mas nos deixem em paz!
Então, o que vocês desejam?
Eis a questão, Princesa.
Olhem.. Há soldados vindo!
O que é isso?
O que acha que está fazendo aqui?
Deixa-me ir.
Minha senhora está ali.
Deixa-me!
Deixem a garota ir, agora!
Saiam!
Saiam daqui!
Todos vocês!
Junta-se a eles!
Abaixem suas armas e saiam, agora!
Vão!
Vão!
Agora!
Nikolas Rostov.
Capitão do Primeiro Regimento de hússares de Pavlogrado.
A seu serviço.
Obrigada, Capitão.
Eu lhe devo a minha vida.
Irei escoltá-los por segurança.
Aquele Capitão disse que seu nome era Rostov.
Talvez seja o irmão mais novo da Condessa.
Isso é o que ele disse.
Mas como pode ser?
Vejo que está levando o assunto com o coração.
Permita-me escoltá-los por um pedaço.
Quero ter certeza que chegando nas nossas linhas,
estarão em segurança por lá.
Não tenho como lhe agradecer, Capitão Rostov...
Não, estou apenas cumprindo o meu dever.
É um prazer ajudar você e seu garotinho.
Ele não é meu filho, é meu sobrinho.
Sou a irmã do Príncipe Andrei Bolkonsky.
Acho que você o conhece.
Sim, claro. Eu o conheço.
Apenas espero que nosso encontro assim...
possam ajudar a restabelecer as boas relações entre nossas famílias.
Não deve se preocupar. Não há razão para isso.
Espero de fato encontrá-la novamente.
Se assim for o meu destino.
Obrigada.
Obrigada Capitão.
Pierre!
Chegou a tempo. Viu o que está acontecendo?
A cidade foi invadida pelo pior tipo de gente.
A polícia desapareceu e pessoas como nós...
Que desastre!
Temos que impedir nós mesmos a passagem em casa.
É muito perigoso deixar Moscou nessa situação.
Façam como desejarem. Tenho outros planos.
Não, sabe que...
Napoleão é basicamente um homem de disciplina.
Ele já conquistou Viena, Berlim...
e sempre foi recebido com todas as honras.
Não acho que isso vai acontecer aqui.
Mas você sabe francês! Estudou em Paris!
Tenho certeza que terá um posto importante no novo governo.
Não tenho nenhuma intenção de colaborar com os franceses!
Do que está rindo?
Não consegue encarar a realidade só dessa vez?
Não consegue ver que nossas vidas estão em perigo?!
Minha vida não tem mais nenhuma importância.
E nem a de vocês.
Açúcar, farinha, sal..
Tentamos esconder tudo, Vossa Excelência.
Estamos tentando descartar os estoques.
Sim, claro. Faça o que quiser, mas preciso da sua ajuda agora.
Preciso de uma roupa de camponês e uma arma.
- Uma arma? - Sim, veja...
Tenho que matar um homem.
Finalmente ali está:
a Sagrada Moscou!
Uma cidade pronta para ser ocupada,
como uma jovem prestes a perder a sua inocência.
Lembre-se:
estamos sempre prontos para agir com clemência com os derrotados.
Apenas quero que meus súditos tenham capacidade de viver em paz.
Mostraremos aos russos o que uma verdadeira civilização significa.
Serão todos agradecidos a mim.
Vossa Majestade, não há ninguém na cidade.
Ninguém? Isso é impossível.
É verdade. Moscou foi abandonada.
Dê ordem para as tropas entrarem na cidade.
Esperamos tempo suficiente.
Eu te peço para levar essa garotinha.
Não posso cuidar dela, não sei quem ela é.
Parem-no!
Cuidado!...
Eu o vi! Ele pôs fogo na casa!
Tenho certeza que é um daqueles incendiários!
Levem-no conosco!
Finalmente.
Encontrei uma casinha para vocês.
É pequena, mas se espremer, todos nós caberemos.
Iremos para Yaroslavl amanhã.
Não, não será possível.
Os franceses controlam as estradas, mas estaremos seguros aqui.
Moscou. Colocaram fogo nela!
Há uma carruagem que se juntou no comboio.
Venha para cama.
Acho que há um oficial machucado nela.
Estou exausta.
Isso tudo é tão horrível.
Hoje durante a viagem, um dos soldados que trouxemos morreu.
Ele estava desesperado.
Queria abraçar sua esposa e filhos novamente.
Deve ser horrível...
morrer assim...
sem ninguém da sua família... perto de você.
Você ouviu isso?
Sim.
Sei o que está pensando.
Tenho que escrever para Nikolas.
Talvez possa achar um jeito de deixar a Princesa Maria saber.
Mas se o Príncipe Andrei morrer,
enquanto estamos entocados aqui, as pessoas saberão.
Tem certeza que não quer falar para Natasha?
Ainda está acordada, meu amor?
- Tenta dormir. - Não consigo.
Pode ouvir aquele homem lá fora?
Está gemendo a noite toda.
Natasha...
Tenho algo para te dizer.
O quê?
Dentre os feridos lá fora...
Quem está lá fora?
O Príncipe Andrei está lá. Pierre o trouxe.
Na carruagem que estava toda fechada.
Não queria te falar, pois está seriamente ferido.
O que vai fazer?
- Preciso vê-lo. - Natasha, espere!
O que está fazendo aqui?
O Príncipe Bolkonsky... Ele está aqui?
Sim.
Você?!
É você!
Perdoa-me pelo que te fiz.
Perdoá-la?
Eu a amo, ainda mais que antes.
Apenas recentemente fui compreender.
Quando vi Anatole morrer, eu entendi.
Por que odiar? Por quê?
Agora sei o quanto eu a amo.
Parem!... Esperem!
Parem!
Parando!...
Parem, parem agora!
Conde Rostov...
Recebi uma carta da minha família.
O Príncipe Andrei está com eles. Ele está ferido.
E onde eles estão?
Em viagem para Yaroslavl.
Deve voltar.
E percorreu tudo isso, apenas para me contar?
Tinha que vir.
Obrigada.
Condessa Bezukhova?
Fico grato de ver que nem todas as nobres deixaram a cidade.
Queria saber o que preocupam.
Meu pai, o príncipe Kuraghin e eu
esperamos por mais de uma hora para sermos recebidos.
Estou mortificado.
Apenas fui informado da situação de vocês, mas não se preocupem.
Farei tudo que tiver ao meu alcance para protegê-los pessoalmente.
Com quem tenho a honra de falar?
Meu nome é Ramballe.
E a honra, juro, é toda minha.
Por gentileza, se...
No Egito tudo que tivemos que fazer foi visitar algumas mesquitas
para termos apoio dos líderes religiosos.
Mas não temos mais que dois padres em Moscou.
Qual a utilidade com dois padres?
O que estão fazendo? Se não querem negociar, terão que lutar.
Por que não estão lutando?
O General Murat está procurando por eles, vossa Majestade.
Seria melhor encontrá-los.
Encontrem Kutuzov, tenham as provas e deixem-me destruí-lo.
Essa cidade continua queimando e estou cheio disso.
Não vim até aqui para ser coberto por cinzas.
A ordem deve ser restabelecida em Moscou.
Fuzilem os incendiários!
Apontar!
Fogo!
Tenham piedade! Piedade!
- Depressa! - Misericórdia!
Eu não quero morrer!
Misericórdia!
Misericórdia! Eu não quero morrer!
Senhor? A cova está cheia. Se realmente quiser continuar,
pelo menos, nos dê tempo para cavar mais uma.
De volta para os alojamentos!
Movam-se!... Façam o que digo. Movam-se!
Vamos!
Não pode sentar aqui! É meu lugar!
Senhor, sente-se aqui.
Eles nos deram sopa.
Há batatas nela também.
Estava com fome.
É difícil achar alguma coisa para se comer fora daqui.
Obrigado. Qual o seu nome?
Platão. Platão Karatajev.
Quanto tempo está aqui?
Quem é que sabe?! Muitos, muitos dias.
Mas não vai durar. Não vai durar, verá.
Acha realmente que os franceses deixarão Moscou?
Agora que chegaram onde queriam?
Não sei. Sou ignorante nessas coisas.
Mas uma lagarta come repolho...
e sempre morre antes do repolho.
Isso é o que eu realmente sei.
Natasha...
Estou aqui.
O Sol está brilhando?
Sim.
Ficaria tão feliz de ver o sol.
Verá.
Assim que descansar.
Eu tenho medo.
Sinto a morte se aproximando.
Não tenha medo.
Agora que finalmente quero começar a viver novamente.
Conseguiu insistir até agora.
Sabe, algumas vezes eu...
O quê?
Agradeço a Deus por meu ferimento.
Andrei...
Pois ele nos uniu novamente.
Se Deus desejou que a encontrasse,
talvez ainda haja alguma esperança.
Sim. Tenho certeza disso.
"Moscou está nas mãos do inimigo por quase um mês.
E não fez nada para defendê-la.
Nossa informação é que Napoleão pudesse seguir a São Petersburgo.
A sua tarefa é atacá-lo e parar qualquer avanço do exército francês.
Devemos proteger totalmente a nossa Capital.
Se falhar,
saiba que será o único responsável pela ação de defesa. "
General se essas são ordens do Czar,
o que pretende fazer?
Essa manhã eu dei uma volta no jardim.
Queria comer uma maçã.
Subi numa árvore, mas pude ver que a fruta ainda estava verde.
Então desisti.
Acham que estou velho...
e não sou mais capaz de lutar.
Ouçam-me com atenção.
Não temos condições para organizar uma ofensiva.
Se as coisas derem errado, isso aconteceria no final.
Mas sei que essa hora chegará...
quando expulsaremos os franceses da nossa Sagrada Mãe Rússia.
O Inverno será o nosso melhor aliado.
Tenham fé e rezem. Isso é tudo que peço para vocês.
Tentarei de novo em alguns dias, quando a maçã estiver madura...
e pronta para cair por si mesma.
Enquanto isso...
mantenham o exército recuado, mais umas 30 verstas.
Nikolas!
Olá!
Nikolas!
Mamãe, eu recebi a sua carta.
Acompanho a Princesa Maria.
Finalmente os encontramos.
Nikolas me disse que Andrei está aqui com vocês.
Sim.
Bendito seja o Senhor, como ele está?
Estaria melhor se você...
Por que não pergunta para minha filha. Ela está cuidando dele.
Natasha!
Nikolas.
Venha. Eu a levarei até ele.
Não é... venha aqui.
Andrei.
O que está havendo? Acorde...
Veja. Sua irmã Maria chegou.
Andrei, estou aqui.
- Estou com sede. - Andrei.
Não consegue me reconhecer?
Masha.
- Andrei. - Masha...
Eu trouxe o Nikolushka.
Nikolushka...
Nikolushka. Dê um beijo no seu pai.
Andrei.
Você tinha razão.
Precisamos saber como perdoar.
Perdoar tudo.
Fique essa noite, Nikolas, deve estar cansado.
Não posso.
Deixei Petya no Regimento e devo voltar para ele.
Cuidará da Princesa Maria, não?
Nós a trataremos como uma filha, não se preocupe.
O pouco que temos, dividiremos também com ela.
Nikolas!
Vai embora desse jeito? Sem ao menos dizer adeus?
Sinto muito, mas definitivamente devo voltar para meu Regimento.
Escreverei para você.
Obrigada por tudo que fez para mim.
Nunca o esquecerei.
Alguma coisa aconteceu com Nikolas.
Acha isso?
Até agora só a guerra estava nos seus pensamentos.
Nunca o vi tão preocupado com o que acontece com uma mulher.
Por que não fica aqui comigo um pouco mais?
Seria ótimo, minha Princesa, mas é hora de ir.
Por que tem que ir?
O inverno está chegando, os suprimentos estão escassos.
Mais cedo ou mais tarde teremos que chegar a uma decisão.
Ir em direção a São Petersburgo ou voltar para casa, para França.
Mas se você for, o que será de mim?
Não quero que me deixe sozinha.
Não espero que uma criatura como você fique sozinha por muito tempo.
Nos deixamos levar pela luxúria desses momentos juntos,
para não pensar tanto na guerra.
Mas eu receio...
que nosso sonho de amor está prestes para terminar.
O que é isso, abaixo da sua axila?
Nada.
Como nada? Deixa-me ver!
Se ficar perto de você mais uma vez,
eu me arrisco a nunca deixar esse quarto.
Poderia ser um prisioneiro aqui para sempre.
Nosso Senhor, Jesus Cristo,
Santa Lina e Santa Laura,
permita-me acordar na manhãs.
Não reza?
Não tenho nenhum motivo para rezar.
Isso não é possível.
Não quer rezar para você mesmo?
Então reze para alguém. Um irmão, um amigo...
Há sempre alguém para se rezar.
Sim, tem razão.
- Há alguém. - Quem é?
Uma mulher.
Sua esposa?
Não, ela não é a minha esposa.
Reze por ela então, mesmo não sendo a sua esposa.
Rezar não é um pecado.
Se quiser, também rezarei para ela.
Mas deve, pelo menos, me dizer o nome dela.
Não posso te contar seu nome.
É Natasha.
Sim, lindo!
Um deve viver,
um deve amar,
e um acreditar...
Andrei. Como está se sentindo?
Andrei...
Masha!...
O quê? O que foi?
Ele não responde mais.
Olhe para ele.
Andrei, estou aqui.
Estou perto de você, pode me ver?
Não...
Onde ele foi? Onde ele está?
Andrei...
Chore o quanto que quiser, vou chorar junto.
Natasha...
Vai chegar o dia...
que não nos sobrará mais nenhuma lágrima.
"Um deve viver,
um deve amar
e um acreditar. "
Antes de morrer Andrei ficou repetindo essas palavras.
Acho que Pierre lhe disse isso muito tempo atrás.
Se ao menos estivesse conosco.
Preciso tanto senti-lo perto de mim.
Ouça-me. Eu sei como se sente.
Quando meu pai morreu,
achei que o Mundo tivesse desmoronado a minha volta,
como se a minha vida tivesse acabado.
Mas a vida continua Natasha.
Não! Deixe-o escapar!
Eu pego! Tenho certeza que pego!
Olhe.
Há algumas "lebrinhas" francesas, nos procurando.
Não mais, irmãozinho.
Vamos dar a eles uma grande surpresa.
Atacar!...
O que está esperando? Acabe com ele!
Você quer se matar?!
Petya!
Levem tudo!
O que há?!...
- Está ferido? - Sou um covarde.
Não...
É apenas uma pessoa decente, Petya?!
Levem tudo! Armas, cavalos, tudo!
Ainda não sabemos onde a maioria do exército de Kutuzov se esconde.
Mas nesse meio tempo, as tropas que saem a procura dele sofrem perdas.
Os russos nos atacam em pequenos grupos, nos pegando de surpresa.
Mas evitam com muito cuidado uma batalha real.
Exatamente como a Espanha fez. Foi duro também com a Espanha.
Vossa Majestade, estamos em Moscou há um mês.
O Czar se recusa a negociar. O que vamos fazer?
Quem pediu para trazer? Leve isso embora!
Não quero ver isso.
Essas igrejas russas lembram-me as mesquitas.
E o alfabeto deles é uma desgraça.
Eles nunca entenderão o significado de civilização.
Estou cansado desse lugar.
Certamente não podemos sair, tão próximos do início do inverno?!
Sabia que houve uma tentativa de golpe em Paris 10 dias atrás?
Um maluco disse que morreria na Rússia. E o povo acreditou nele.
Acreditam em qualquer coisa, Vossa Majestade.
Isso explica por que não posso ficar longe muito tempo.
Temos que voltar, Ramballe.
Temos que voltar.
General.
- General! - Quem é? O que foi?
O Marechal Bolchovitinov chegou.
- E... o quê? - Disse que é urgente.
O Marechal Bolchovitinov?
Aquele que enviei a Moscou?
Deixe-o entrar.
O que está esperando? Deixe-o entrar.
Mas Senhor, está de pijamas!
Deixe-o entrar, eu ordeno!
E então? Perdeu a sua língua?
Conta-me as novidades.
- Os franceses, Sr. - O quê?
Os franceses estão deixando Moscou!
Tem certeza?
Vi com meus próprios olhos.
Filas e filas de carroças, pelas estradas de Kaluga,
espalhando-se ao longo de Velikaya Ordynka,
para o outro lado da ponte Krymskij.
Parabéns!
Senhor, meu criador.
Ouviu as minhas preces.
A Sagrada Rússia está salva!
A Sagrada Rússia está salva!
Levantem! Levantem e saiam daqui!
Levantem-se! Rápido! Levantem!
Levantem-se! Mexam-se! Depressa! Rápido!
Rápido!
Saiam!... Depressa!
O que está acontecendo?
Onde eles estão nos levando?
Estamos indo embora.
Para que temos que ficar?
Tudo foi completamente destruído pelo fogo.
Você estava certo.
Tinha razão!
O que está fazendo Senhor? Sou apenas um pobre camponês.
Não, você é um gênio, Platão!
Entende tudo.
E nem mesmo sabe por quê!
Você me fez entender o sentimento russo.
Andem! Há um longo caminho para caminhar!
Teria sido melhor se tivessem nos deixado na prisão.
O frio nos matará.
Não sairemos dessa vivos.
Não consigo dormir.
Nem eu.
Nós perdemos tudo.
Nossa casa em Moscou estará destruída.
Não sou mais capaz de pensar no futuro.
Mas há uma coisa que entendi.
Nesses últimos dias, falando com Maria.
Entendi que algo aconteceu entre ela e Nikolas.
Maria é a única herdeira de uma fortuna enorme.
E se Nikolas pretende...
Sonya,
não precisa fazer sacrifício por nós.
Meu querido Nikolas:
Nunca me esquecerei a felicidade que compartilhamos.
Mas nós dois crescemos agora e o Mundo mudou.
Nós dois precisamos mudar com ele
e eu quero que saiba...
que as promessas que me fez na sua juventude passaram,
assim como a juventude passou. Sua fiel, Sonya.
Deixa-me adivinhar quem te escreveu? Sonya ou Maria?
Sonya...
No momento anda pensando na Princesa Maria, não?
Nem mesmo sei se a verei novamente.
Acabei de ver um grupo de franceses por perto.
Eles estão bem atrás das tropas principais.
Presas fáceis!
- Vamos! - Sim!
Está pronto novamente para batalha, não?!
Não acha que sou um covarde, né? Tenente Coronel Denisov?!
Vamos!
Não posso continuar.
Não diga isso, vamos! Agarra-se a mim!
Está muito lento assim!
Ande! Faço o que disse: ande!
Fique com ele! Ele te trará boa sorte!
Vamos continuar sem ele!
Petya...
Fique perto de mim.
Entendeu?
Esperem! Ainda não! Esperem!
- Petya, espere! - Vamos!...
Vamos, todos! Vamos! Estão Livres!
Vá!... Vá embora! Está livre!
- Dolokhov... - Pierre?
Pierre...
Não!...
Diga algumas palavras para ele.
Não consigo encarar isso.
Muitas vezes não nos perguntamos porque as coisas acontecem.
Há uma resposta simples: acontecem é isso.
Mas há também uma resposta mais profunda, mais real.
Se não for da vontade de Deus,
nem mesmo um simples fio de cabelo cai da cabeça de um homem.
E esse Deus,
cuja vontade algumas vezes não nos parece compreensível,
está aqui.
Ele está próximo de nós.
E Petya está com Ele agora.
Venha, Nikolas, vamos.
Deixa-me... um pouco com ele.
Quanto mais o tempo passa, mais me arrependo pelo que te fiz.
Sei que merecia morrer naquele dia.
Se tivesse te matado,
eu não teria nenhuma paz pelo resto da minha vida.
E quando penso que estava tão perto de fazer isso,
sem ao menos saber como pegar numa arma...
Nada acontece por acaso. Sei isso agora, Dolokhov.
Fique com Deus.
Pierre. Encontrará um povoado a algumas verstas daqui.
Continue ao longo dessa estrada. Boa sorte!
Obrigado, Denisov.
- É aqui onde os Rostovs moram? - Sim.
- Tenho uma carta para eles. - Deixa comigo, sou filha deles.
Obrigada.
É do Nikolas!
- Quando ele está... - Mamãe...
Eis uma carta de Nikolas.
"Meus queridos pais,
é com muito sofrimento...
que tenho que dar a vocês notícias horríveis... "
Meu Deus!
E então?
Nosso filho...
Petya...
Foi culpa nossa!
Foi culpa nossa! Nós o deixamos ir!
- Não diga isso! - Por que tivemos que deixá-lo ir!
Foi culpa nossa! Por que fizemos isso?!
Por favor, não diga isso.
Hurra!...
A Rússia não esquecerá de vocês.
A vitória foi consumada! Vida longa ao Czar!
Hurra!
Papai. Papai, já basta.
Não adianta ficar lendo e relendo.
Se apenas pudesse acordar numa manhã...
e deixar tudo isso para trás...
ido embora...
como um pedaço de papel.
Quando a primavera chegar,
nem ao menos teremos uma casa para ir.
Conde Rostov, eu insisto.
Podem ficar na minha casa.
Creio que sua residência foi ocupada por alguns oficiais franceses
e aparentemente estaria bastante danificada.
Percebe? Vamos conseguir encarar!
Petya!
- Por favor... vá falar com ela. - Petya! Cadê você?
Eu já não agüento mais.
Petya!
Durma mamãe, durma!
- Petya está aqui. - Ficarei aqui com você.
Não está?
Mamãe o que está falando?
Ele deve estar cansado. Precisa descansar um pouco.
Mamãe... Ele morreu!
- Ele morreu! - Petya!
Vossa Majestade, quais são as ordens?
O quê? O que está dizendo?
As ordens...
Ordens?
Não há mais ordens. Não há mais ordem de nada.
Não consegue enxergar?
Acabou!
Está tudo acabado!
Vamos!
Esperem, por favor. Esperem por mim.
Papai!
O que é isso que tenho aqui?
Vire-se. Deixa-me olhar melhor.
O que é?
É só...
- É só o quê? - Somente...
Papai, me dê isso.
Não!
O que é isso?!
Não!...
Mamãe.
A primavera chegou!
Sim. Está na hora de ir pra casa.
Consegue encarar a viagem?
Sim, meu amor. Acho que consigo.
Condessa!
Maria!
Que maravilhoso revê-los!
Está tudo em ruínas. Talvez a nossa casa também.
Pelo menos todos estamos aqui. Isso é o mais importante.
Tome cuidado!
Esse homem... Esse homem é o...
Esse é o Vasili Kuraghin.
Sim, é o próprio.
Ficou em Moscou enquanto os franceses estiveram aqui.
Um dos poucos que ficaram.
E a sua filha Helene...
morreu de alguma doença horrível e...
ele enlouqueceu!
E Pierre?
Ai Pierre!
Ninguém soube de nada dele.
Graças a Deus!
Venha. Teremos quartos para todos.
Levarão semanas para limpar esse lugar.
Mas eu quero que tudo seja como era antes.
Venham. Mostrarei seus quartos.
Espero que sintam-se confortáveis aqui.
Você se lembra?
- É onde nos vimos pela primeira vez. - Sim.
Parece que se passou uma eternidade.
Minha nossa!
Venham!...
Nikolas!
Olhem quem está aqui!
Nikolas!
Pelo menos você voltou.
Nikolas!... Meu menino!
Eu vi Pierre. Estava conosco quando aconteceu.
Pierre... Onde ele está?
Cuidado! Vai se cortar!
Ele quer brincar com minha espada.
Por gentileza.
Quer se tornar um hússar também, né?
Eu gosto dele.
É isso aí! Já deu boa impressão.
Ótimo.
- Quero colocar em prática. - Quer ter seus próprios filhos?
Pelo menos três. Talvez até quatro!
Por que está rindo?
Porque faz muito tempo
desde que vi Nikolushka nos braços de alguém que pudesse ser seu pai.
Com licença.
Sonya...
Não diga nada. Recebeu minha carta, não?
Não me deve explicação.
O que há?
Está acabado.
Nikolas decidiu-se.
Não podemos dar a Napoleão
tempo de formar outro exército.
Ele deve ser liquidado de uma vez por todas.
Concordo. Ele já causou muita destruição.
Mas isso significa que temos que persegui-lo o tempo todo até Paris.
Mas não você, Nikolas...
Claro que vou, mamãe.
Não esperam que fique aqui, não?
Quando finalmente estamos prestes a ganhar?
Então?
Por que estão me olhando assim?
Com licença.
Esqueci de dar a sopa ao Nikolushka.
Sou um soldado...
- e devo obedecer ordens. - Sim, é um soldado,
mas a guerra não é a coisa mais importante na vida de um homem.
Princesa Maria, espere!
Por que está chorando?
Sou uma tola.
É um soldado e deve ir.
Não tem nenhuma obrigação comigo.
Vamos, já basta! O quê...
Por quê?
Por que... O que posso dizer?
Desde a primeira vez que o vi, nunca parei de pensar em você.
Percebeu? Eu disse.
Sou uma tola, uma tola...
Mas...
Mas não posso me casar com você.
Eu entendo.
Não. Não entende!
Eu a amo do fundo do meu coração.
Mas eu não tenho nada e você é uma herdeira.
Não percebe o que isso parece?
Claro. Ninguém iria acreditar que amaria alguém como eu.
Não é isso o que quis dizer! Irão pensar que...
Que importa o que eles acham!
É o que você pensa que me preocupa.
Princesa Maria Bolkonsky, me aceitaria como seu esposo?
Um homem que não pode te oferecer nada além dele mesmo?
Com todo meu coração, meu querido Nikolas.
O grito de honra, guardas!
Hurra!...
O que há com ela?
Esperava que o Conde Bezukhov aparecesse.
Pierre.
Denisov e eu provavelmente fomos as últimas pessoas a vê-lo vivo.
Natasha! Todos estão te procurando.
Quando era pequena escolhi minha própria estrela.
E me convenci que era onde minha mãe estava.
Ela morreu quando tinha 6 anos.
E toda vez que via essa estrela,
tinha certeza que ela conseguia me ver.
Gostaria de poder voltar ao tempo que era criança.
Sonhar era tão fácil naquela época!
Não, a vida pode ser melhor que os sonhos. Acredite em mim, Natasha.
A vida pode te levar onde jamais imaginou.
O que está olhando?
Para a casa.
Uma família que conhecia, morava lá.
Parem!
Onde vai?
Pierre...
Pierre...
Natasha...
Tudo que está bem acaba bem.
Vários anos se passaram
antes de finalmente baixar a maré alta da história.
Nikolas chegou a Paris com o exército russo,
e sentiu apenas uma emoção:
um profundo desejo de voltar para casa.
Pierre e Natasha se casaram e tiveram um filho.
- E outro... e depois outro. - Nikolushka!
Fez os seus deveres?
Maria e Nikolas construíram uma família também.
Assim como Sonya e Denisov.
Então, minhas crianças...
Hoje vamos aprender dois verbos fundamentais...
na língua francesa.
Mas não contem para sua mãe e seu pai.
Todos se reuniam em Lissia Gori.
E assim a vida seguia seu rumo normal: alegria e dor.
Mas para todos eles,
especialmente para Pierre e Natasha,
todo dia era um presente de Deus.
A GUERRA finalmente abriu caminho
para a PAZ!
Legendas por Dhara Maria
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