All language subtitles for Não.Posso.Viver.Sem.Você.2024.1080p.WEB-DL

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Original subtitles

Em caso de pouso,

encontrar�o coletes salva-vidas sob os seus assentos.

N�o. Agora, sim.

Hora de acordar.

Quer um cafezinho?

Com umas torradas, talvez?

Estou sonhando ou voc� est� me mimando?

Quem dera sempre ser acordada assim.

Olha, eu andei pensando,

e, agora que as crian�as v�o estudar fora,

poder�amos, finalmente, fazer uma viagem juntos, sozinhos.

Gosta da ideia?

- Estava parecendo� - Trabalhei a noite toda.

Para entregar um relat�rio ao Alejandro.

Toda noite � a mesma hist�ria, Carlos.

Pegou as alian�as da minha irm� e do Pablo ontem?

- Carlos. - Oi?

Pegou as alian�as?

Peguei, sim.

Ah, e hoje, �s seis, em casa.

N�o quero que as crian�as percam o avi�o.

- Est� me ouvindo? - Estou, meu amor.

O que eu disse?

"�s seis, em casa. N�o quero que as crian�as percam o avi�o."

Isso mesmo.

Carrega, carrega, carrega�

Caramba.

ADAPTA��O | REVIS�O | SINCRONIA: QUER SE JUNTAR A N�S? | loschulosteam@gmail.com

- Alejandro, como vai? - Bom dia, Carlos.

N�o me enviou as informa��es da empresa.

Enviei ontem � noite. Deve estar no seu spam.

Carlos, est� me ouvindo? N�o sei se me ouve.

- Alejandro? - Carlos? Carlos?

Olha por onde anda, man�!

� impressionante a irresponsabilidade das pessoas.

- Carlos? - Alejandro, cortou. O que dizia?

No e-mail n�o est�.

Um segundinho, j� te ligo. Um minuto, Alejandro.

Merda!

- Bom dia. - Bom dia. Me desculpe.

O viva-voz n�o funcionou, era algo familiar importante.

Viver � mais importante.

- Concordo. - Documentos, por favor.

Aonde vai?

Escute, aonde vai?

Ao porto. Ao centro empresarial do porto.

O centro est� fechado por causa da maratona. V� pela rodovia.

Aqui.

N�o use o celular ao dirigir.

Nunca mais na vida. Muito obrigado.

Carrega, carrega, carrega�

Caramba!

Oi, bom dia.

Carrega, carrega, carrega�

- Vamos, vamos, vamos� - Voc� est� bem?

Eugenio.

Meu telefone n�o carrega.

Seu pai ainda tem contatos na prefeitura?

- Outra multa? - Isso mesmo.

Falo com ele. N�o se preocupe.

� o Daiafon� 17?

Sim, uma loucura.

Blue reality connection, lifecam direct com detector de humor,

notifica��es intuitivas, c�mera 360, submers�o a 100 metros.

- Cem metros? - Cem metros.

E o mais importante: Chat com IA plus ultra.

Olha s�.

- Daiafon. - Pois n�o, Sr. Eugenio.

Seja uma especialista em celulares

e me diga qual � o problema de um celular modelo�

- Daiafon� - 16.

�16 para ele n�o carregar.

Se o modelo Daiafon 16 n�o carrega corretamente,

talvez o cabo ou o adaptador do carregador

estejam quebrados ou danificados.

Tamb�m pode ser ac�mulo de gordura ou sujeira

nos pontos de conex�o, impedindo que a circula��o de eletricidade

chegue � bateria do celular, e obstrua a carga dele.

Eu come�aria limpando o plugue de entrada,

que � o mais f�cil.

Lembrando que tem uma reuni�o em cinco minutos.

Obrigado, Daiafon.

O dever me chama, Carlos. A gente se v�.

Certo.

- Carlos. - Um segundo, por favor.

Perd�o, Alejandro.

- Aconteceu algo? - De forma alguma.

Olha, eu li o seu relat�rio.

Est� excelente.

� o tipo de empresa necess�ria para o fundo.

Tenho uma reuni�o amanh�.

E j� n�o quero mais tomar decis�es.

J� cansei disso.

O que eu quero � me aposentar e descansar.

Olha, voc� j� tem quase 20 anos de empresa.

- Seu curr�culo � incontest�vel. - Muito obrigado.

E quero que ocupe meu lugar como s�cio.

Amanh�, na reuni�o, analisamos seu relat�rio.

Pensei em algo, veja o que acha:

Improvisadamente, no meio da reuni�o,

ligo para voc� num determinado momento,

deixo o viva-voz ligado na mesa e fa�o umas perguntas

para voc� responder sobre o mercado chin�s.

- Voc� tira de letra. - Sim, claro.

Depois disso,

proponho que voc� seja o s�cio.

O que acha?

Acho fant�stico.

Muito obrigado, Alejandro.

Mas amanh� � s�bado.

�s vezes, nos reunimos aos s�bados.

Algum inconveniente?

Que inconveniente teria? Nenhum. A que horas �?

O casamento � �s 12:30.

O vestido � lindo.

Adela, pode me ajudar com algo hoje � tarde?

N�o posso, levarei meus filhos ao aeroporto.

� urgente?

N�o se preocupe. Semana que vem vemos isso.

Se a minha ajuda servir, eu posso, Ricardo.

A que horas vou?

Voc� � terr�vel.

- Calma. - Tenho hora marcada �s 17:53.

Todos eles tamb�m.

- Todos �s 17:53? - Por favor.

Pr�ximo.

Adela, que sorte, eu estava para te ligar.

Cad� voc�?

Sa� para te dizer que o Alejandro me chamou

para uma reuni�o com ele agora.

O que falei hoje de manh�?

Ele vai se aposentar, e quer falar comigo

para que eu o substitua como s�cio.

O que acha disso?

Fa�a o seguinte: V� ao aeroporto com as crian�as.

Termino e vou.

- Certo, mas n�o demore. - N�o demoro. Beijos.

Beijos, beijos.

O pai de voc�s vai direto ao aeroporto. Vamos.

- Carlos Mendoza? - Isso.

Venha comigo. Que modelo gostaria?

Daiafon 17.

- Tela de 5,4 ou 6,1 polegadas? - De 6,1.

- Que cor? - Preto.

- Capacidade de 128 ou 256 gigas? - A m�xima.

Perfeito. Um tera.

Vai querer entregar o celular antigo?

- Quanto � o desconto? - Que modelo tem?

Daiafon 16.

Est� ligando normalmente?

Normalmente.

- Todos os bot�es funcionam? - Sim.

Carrega bem?

Perfeitamente.

Muito bem, teria um desconto de� 120 euros.

Como assim, 120 euros? Tenho um Daiafon 16, do ano passado.

Processador XRZ e uma c�mera de 10 megapixels.

Sinto muito, � o desconto que aparece.

120 euros?

- Est� bem, eu entrego. - �timo.

Aplicaremos o desconto. O valor seria�

De 1.500 euros, sem carregador.

Como sem carregador?

Ele vem � parte, nova pol�tica da empresa.

Keep green footprint.

Se quiser um, s�o 30 euros, mas n�o se preocupe,

o antigo funciona no novo modelo.

Seria bom um carregador a mais. Vou levar.

Com carregador, ent�o.

Vai querer contratar o DaiafonCare+?

N�o, sem seguro. Obrigado.

Sem seguro, muito bem.

- Seria isso, vou busc�-lo. - Uma pergunta.

Ele vem carregado?

Ladr�o!

Peguem o ladr�o!

Ei!

Meu celular!

Minha bicicleta!

- Est� bem? - Sim, mas ele roubou a bicicleta.

Roubou minha vida.

- Pegue, est� com a bateria cheia. - Gosto assim.

Peguem o ladr�o!

Meu telefone!

Ladr�o!

Peguem o ladr�o!

Que ele n�o quebre, porque � novo!

Mamma�!

Peguem o ladr�o!

Deve estar no tr�nsito por causa da maratona.

N�o �?

O ladr�o!

Ei!

Est� com minha vida!

Babaca!

Peguem o ladr�o!

Ningu�m me ouve? Meu celular!

N�o!

N�o jogue.

Vamos conversar.

- N�o vou para a cadeia. - Que cadeia?

Ningu�m vai � cadeia.

N�o vou denunciar. Vamos fazer o seguinte.

Deixe meu celular no ch�o,

e esquecemos que isso aconteceu.

N�o!

Meu celular.

Meu celular.

Muito bem. Aqui est�.

- Obrigado. - Imagina.

Como vai?

Sou Carlos Mendoza. Estive aqui h� pouco.

Por favor, me d� o Daiafon 17 preto, de um tera,

e com a porcaria do seguro DaiafonCare+.

Sinto muito, o rapaz acabou de levar o �ltimo do estoque.

Como assim?

Se quiser, encomendamos. Chegam em tr�s dias.

Tr�s dias?

Me d� o que eu vendi para voc�s, ent�o.

Quanto custava? 120 euros?

- Me d�, por favor. - S�o 500 euros.

- Como? - Com carregador, 530.

Est� de brincadeira?

� um Daiafon 16, com menos de um ano,

processador XRZ, carrega perfeitamente�

Acha que eu sou idiota?

Sinto muito, senhor.

- Tem no estoque do shopping. - Obrigado.

Meu colega me disse

que est� dispon�vel no shopping, poderia lev�-lo hoje mesmo.

Mas � l� onde Judas perdeu a bota.

� s� o que posso oferecer.

- Ou ter� que esperar. - N�o!

Mas teria que me dizer j�.

Reserve.

Mas, antes, por favor, preciso fazer uma liga��o.

�ltima chamada para os passageiros do voo com destino a Mil�o.

N�o ligue. Ele n�o faz por querer.

�.

Vou sentir saudade.

Vamos.

- Ao chegarem, liguem. - Certo.

Comportem-se.

Comam bem!

- Certo. - Sim.

Daiafon, me leve para casa, por favor.

Claro, Sr. Carlos.

Preparando a rota at� a sua casa.

Obrigado, mas n�o me chame de senhor.

Perfeito. Como quer que eu te chame? De Carlos ou de Carlitos?

A sorte da sua irm� � impressionante.

Ia chover, mas olha esse tempo.

Adoro casamentos, Adela.

H� quanto tempo n�o vamos a um?

O casamento do meu primo na Argentina ou o da sua prima?

N�o, o da sua prima. Lembra?

Por favor. Aquilo foi um casamento molhado.

Como choveu!

Coitada, depois de um ano se separaram.

Vou te pedir um favor. N�o me deixe comer nem beber muito.

Beber, sim, mas comer�

N�o quero repetir a sobremesa tr�s vezes.

Que gravata combina mais?

A verde ou a azul?

Acho que a verde, n�o �?

- Vou mat�-lo. - Ou a azul?

- N�o, a verde. - Vou mat�-lo.

Adela.

Melhore a cara. Sua irm� vai se casar.

Sorria um pouco, com esse sorriso t�o lindo que Deus te deu.

Nossa! Que dia mais lindo!

Vamos.

N�o, n�o. Um segundo.

Sem alian�a, n�o tem casamento.

Que pena que as crian�as n�o v�m. Queria v�-los.

Eles n�o queriam perder a primeira festa.

Claro.

Quem dera ter essa experi�ncia.

Com 20 anos, e em Mil�o.

Imagina?

Prefiro nem imaginar.

Amor, est� bem? Aconteceu algo?

Vou ao banheiro.

Amor, o banheiro n�o � por a�.

Vou ao carro.

Ao tirar o palet�, meu celular caiu. Vou busc�-lo.

N�o tem problema. Hoje � um dia sem celular.

Amor, mas e se arrombarem o carro para roub�-lo?

- Vou l� pegar. - Vai pegar este celular aqui?

Isso. Obrigado. Me d�.

Voc� � um mentiroso indecente.

Em vez de se despedir dos seus filhos, foi comprar esta merda.

� verdade. Mas tive meus motivos.

Viu que meu celular n�o estava carregando bem?

Tive que comprar outro

porque o Alejandro quer fazer uma reuni�o agora.

- Agora. - Oi?

Tem uma reuni�o de trabalho agora?

Para ser nomeado como s�cio.

- � importante. - � o casamento da minha irm�!

Que casamento? J� come�ou?

- Cinco minutos. J� te devolvo. - Sempre a mesma hist�ria.

Desta vez, n�o. � importante para mim.

Cinco minutos, Carlos.

- Cinco! - Quatro.

Queridos noivos,

estamos aqui reunidos com os seus entes queridos,

eu ia dizer nesta paisagem incompar�vel, mas todos sabem

que a �nica paisagem incompar�vel � o c�u.

Neste lugar t�o especial,

para celebrar o amor.

E n�o saber o que �

Exatamente.

O compromisso do casamento � uma viagem maravilhosa

na qual haver� coisas boas, mas tamb�m desafios.

Por isso, as alian�as que colocar�o hoje

s�o o s�mbolo tang�vel deste compromisso.

As alian�as?

Um minuto.

Segure.

Concordo plenamente,

porque se conseguirmos nos inserir no mercado�

- Carlos! - O que conseguiremos?

- As alian�as! - Uma coisa importante

relacionada � nossa empresa, em um lugar onde podem gerar�

N�o, n�o, n�o!

O qu�?

O que aconteceu?

As alian�as.

Carlos?

Est� funcionando!

Para a casa da Patricia? Por favor, n�o v�.

Eu durmo no quarto do Jaime.

No sof�. Na garagem, se quiser.

Eu me desculpei.

Era uma liga��o importante. Luto por isso h� anos.

Acha que estou fazendo s� por mim?

N�o te apoiei com a vaga fixa no hospital?

Meu trabalho nunca veio antes de voc� e dos nossos filhos.

Nunca!

E, sim, Carlos, voc� me apoiou.

Assim como te apoio h� 20 anos.

Mas � que n�o d� mais.

N�o d� mais.

Voc� passa o dia grudado ao celular.

Acorda, e qual � a primeira coisa que faz?

Me d� um beijo?

N�o! Olha para a tela.

Estamos em fam�lia, e o que faz?

Conversa com a gente? N�o! Olha para a tela.

Vamos para a cama.

O �nico momento em que estamos sozinhos.

E voc� me conta do seu dia?

N�o. Voc� olha para a tela.

Minha irm� se casa, Carlos.

Minha irm�! E o que voc� faz?

Fica ao meu lado?

N�o! Voc� olha para a maldita tela!

Adela.

O celular � o seu v�cio.

Como n�o me avisou que tinha um casamento?

Tentaremos na pr�xima reuni�o. Continue trabalhando bastante.

Ah, tenho algo para voc�.

O Daiafon 17. O novo celular da empresa.

Era para ter chegado h� dias, mas s� chegou hoje.

N�o imagina como foi dif�cil conseguir um.

N�o imagino mesmo.

Muito obrigado, Alejandro.

Aqui � a Adela. No momento, n�o posso atender.

Deixe sua mensagem.

Adela.

Liguei v�rias vezes.

Contando esta, 21.

Quando puder, me ligue. Muito obrigado,

Posso viver sem voc�!

Inspiramos.

Expiramos.

Posso viver sem voc�!

Soltamos a voz.

Come�amos!

Inspiramos.

Expiramos.

Posso viver sem voc�!

Levantamos o olhar.

Sorrimos.

Andamos sem o celular.

Posso viver sem voc�!

Soltamos os dedos.

Juntamos os polegares.

Posso viver sem voc�!

Muito bem. Entre, entre.

Errei o lugar. Mil desculpas.

� o Carlos, n�o �?

Venha, entre.

- Rosa? - Isso.

N�o tinha achando o lugar. Desculpe a demora.

N�o se preocupe, acabamos de come�ar.

- Que lindo. - Sim.

� um park-celular.

Tem que estacionar o celular aqui durante a terapia.

Ah, certo.

Estacion�-lo totalmente.

- N�o entendi. - Desligado.

Desligado?

Nunca desligo.

� um bom momento para come�ar.

Pode ser no modo avi�o?

Melhor modo terapia.

Sim, claro.

- Muito obrigada. - De nada.

Peguem uma cadeira e coloquem no meio.

Quem quer come�ar?

Armando.

Pode come�ar?

N�o�

N�o segui a dieta, Rosa.

- Qual dieta? - Dieta digital. Do celular.

Meu trabalho no aeroporto � muito chato.

Passo o dia carregando malas,

tem muitas horas de espera entre carga e descarga.

Sem celular, n�o sei o que seria de mim.

J� tentou levar um livro para esses momentos de espera?

- Um livro? - Isso.

Para qu�?

Tente essa semana. Vejamos como se sai.

Analisarei sua dieta digital para a semana que vem, certo?

- Certo. - Obrigada, Armando.

De nada.

Carlos, pode dizer por que est� aqui?

Sim, claro.

Antes, queria me apresentar.

- Meu nome � Carlos. - Oi, Carlos.

Oi.

Muito bem. O que mais?

N�o tenha medo, Carlos.

Aqui n�o julgamos ningu�m.

Estou formulando a ideia.

Ah, certo.

Quem �?

- Deixaram o celular ligado? - � ele.

- � ele? - � ele.

� ele.

- Como? - Ah, � o outro. Me desculpem.

- Diga, o que aconteceu? - Tem outro celular.

Sabe o que �? � que estou�

- Me d� o telefone. - Tem uma mulher gr�vida.

E o que tem a ver?

As ondas eletromagn�ticas afetam o desenvolvimento neural do feto.

- � muito perigoso. - Que idiotice � essa?

- Me d� o telefone! - N�o!

Armando, chega!

Carlos � novo aqui, tem coisas para aprender.

- Acredita no que ele disse? - N�o julgamos.

- De onde tirou isso? - Li na internet.

Ah, por favor� Meu telefone.

Vamos, Carlos! Isso � problema da Lucy!

Aqui, o problema de um � de todos.

O problema � que, se n�o me derem,

vou chamar a pol�cia.

N�o consigo.

N�o consigo.

Faltou o outro.

Mal-educado de merda.

Daiafon, seja uma conselheira sentimental

e me diga uma maneira efetiva de pedir perd�o � minha mulher.

Claro, Carlos. Diga � sua mulher:

"Adela, te perdi.

Por culpa de um erro, te perdi e destru� meu cora��o.

Me perdoe."

Oi, Patricia, como vai?

- Bem, e voc�? - Bem.

Diga � Adela que quero v�-la, por favor.

"E diante de voc�, volto a chorar e a suplicar.

"Me desculpe. Fui ingrato."

- Oi. - Tem pacientes me esperando. Diga.

S� um momento.

- Trouxe caf�. - J� tomei.

O que voc� quer?

Adela, te perdi.

Por culpa de um erro, te perdi e destru� meu cora��o.

E, diante de voc�, volto

a chorar e a suplicar. Me perdoe.

Fui ingrato.

Voc� bebeu?

� um poema que escrevi. Falta a melhor parte.

A m�sica do D�o Din�mico?

Que duo? Me plagiaram?

Carlos, chega de palha�ada.

Comecei uma terapia.

- De casais? - De celulares.

Uma esp�cie de Alco�licos An�nimos, mas de celulares.

Um pessoal �timo, adoro ir.

Volte para casa, estou com saudade. Preciso de voc�.

Est� no modo silencioso.

S� fiz um dia de terapia. Eu vou desligar.

J� desliguei.

Olha, sem o celular. Olha como estou.

Posso continuar, por favor?

Minha vida mudou.

Sem celular, de verdade.

Sabe aonde fui ontem?

� cafeteria Lumi�re.

Entrei para tomar um caf� e observei os casais l�.

Se lembra da nossa primeira vez l�?

O dia em que eu voltaria a Buenos Aires.

Isso.

Terminou seu est�gio e me levou ali para se despedir,

antes de ir ao aeroporto.

Come�amos a conversar,

e, quando olhou o rel�gio, se levantou para ir,

mas pegou a passagem de avi�o e a rasgou.

E, ali, na frente de todo mundo,

me pediu em casamento.

Mesmo se eu n�o fizesse, voc� me diria n�o.

Sabe quantas vezes voltamos ao Lumi�re?

Quando t�nhamos algo para comemorar ou algo importante a dizer.

Quando te contrataram.

Quando te contei que eu estava gr�vida. Lembra?

Quando fui contratada.

Tenho todos esses momentos gravados na mem�ria.

Quis me lembrar de quando foi a �ltima vez

em que fomos l�, e�

N�o consegui.

Vamos ao Lumi�re agora.

Juro que tentei me lembrar de algum outro momento,

nos �ltimos dez anos,

em que curtimos nossa companhia.

E n�o lembrei.

Sabe por qu�?

Porque esses momentos n�o existem.

Vou mudar.

- Vou mudar. - Quero viver, Carlos.

Voc� nem me escuta mais.

Escuto, sim.

Voc� mudou, j� nem te reconhe�o.

N�o � verdade, Adela.

Nem pratica mais esporte. H� quanto tempo n�o pedala?

- Que n�o pedalo? - Sim, sua paix�o.

Quando foi a �ltima vez?

Se lembra de quando faz�amos carne assada,

voc� cozinhava,

e brinc�vamos de adivinhar filmes com as crian�as?

- Lembra? - Eles tinham uns dez anos.

Era outro momento da nossa vida, Adela.

Carlos, n�o importa a brincadeira. Voc� n�o entende.

Vou mudar, eu juro.

Quero o div�rcio.

Comecei a terapia.

Vou mudar. N�o quero o div�rcio, eu te amo.

Adela, por favor.

Tem outro telefone?

Como?

Tem outro telefone?

Oi?

N�o me lembrava dele,

me deram na terapia para urg�ncias.

- Nem sei como desliga. - Carlos, voc� n�o vai mudar.

Adela! E as crian�as?

N�o sei. Conversamos com eles quando vierem

um fim de semana.

N�o d� para falar disso por telefone.

Esse aparelho me deixa louca.

N�o consigo n�o responder mensagens.

� s� escutar o barulhinho�

Esse.

E corro para o celular.

Fico muito tensa. Estou em 50 grupos ao mesmo tempo.

O das minhas amigas, o da zumba,

o da fam�lia, o da fam�lia sem meu cunhado,

o do presente da Maite, o do rob� de cozinha�

- Ent�o saia dos grupos. - Ai, imagine s�!

"Charo saiu do grupo."

- Deixe� - Por que n�o silencia?

J� tentei, mas me deixa mais tensa.

E se me perguntarem algo e eu n�o responder?

N�o, n�o, deixe, deixe.

Rosa, n�o evoluo, estou preocupada.

Est� indo muito bem.

� um processo lento, voc� precisa�

Acordo e j� olho o celular.

Antes de dormir, olho o celular.

Uso o celular entre 14 e 16 horas ao dia.

Desbloqueio 270 vezes, uma vez a cada quatro minutos.

Trabalho com o telefone,

me distraio com meu telefone, � tipo�

uma extens�o da minha m�o.

Fa�o e recebo liga��es, mando mensagens, marco pessoas,

vejo stories, mando e-mails, vejo a hora, leio jornal.

Durmo com ele.

Me levanto e vou ao banheiro com o telefone.

Estou no cinema

e presto mais aten��o no telefone do que no filme.

Em um restaurante, fico olhando o telefone.

Sempre estou operando, conectado, com cobertura.

Se n�o tenho wifi, fico louco.

Se a bateria est� abaixo dos 72%, fico sem ar,

se n�o o encontro, acho que vou morrer.

O meu�

v�cio � o celular.

N�o posso viver sem ele.

Bem-vindo, Carlos.

Muito obrigado. At� a pr�xima.

J� vai?

- Olha, Carlos. - Sim.

Sempre vamos beber algo depois da terapia.

- Quer ir? - N�o d�. Outro dia, vou.

- Me desculpe por outro dia. - Por qu�?

- Por tirar o celular de voc�. - Sem problema.

N�o sou assim. � a s�ndrome da abstin�ncia, sabe?

- Como? - A s�ndrome da abstin�ncia.

- Perfeito. - � que�

� muito dif�cil.

Certo, certo.

Certo, certo.

- Obrigado. - De nada.

Adela!

- Quer uma carona? - Meu carro est� ali.

- Te acompanho, ent�o. - Obrigada.

- Como est�o os seus filhos em Mil�o? - Se adaptando bem.

- Ah, �? - �.

- � uma cidade incr�vel. - �.

Daqui uns meses, vou a um congresso l�.

- Conhece Mil�o? - N�o. Nunca fui � It�lia.

Nunca foi � It�lia?

Nunca surgiu a oportunidade.

� muito lindo l�.

�.

- Muito obrigada, viu? - Claro.

Tchau.

Nunca interrompemos uma conversa

para atender ao telefone.

Se estamos em uma reuni�o,

em um almo�o ou um jantar,

com uma pessoa que dever�amos estar escutando,

pegamos o celular e o colocamos na mesa,

virado para cima, para baixo, no modo silencioso, n�o importa,

estamos enviando uma mensagem subconsciente

� pessoa que est� ali de que, simplesmente,

n�o � t�o importante para n�s naquele momento.

Pois n�o?

N�o concordo.

Disse que � falta de educa��o interromper uma conversa,

com isso eu concordo.

O que acho � que algu�m pode te ligar ou escrever, e se n�o responder,

ele pode n�o saber que voc� est� com outra pessoa.

Tamb�m � chato. Me entende?

O que quero dizer �: Est� conversando com algu�m

e diz: "Com licen�a, est�o me escrevendo ou ligando.

Posso atender? Te incomoda?"

Mas, para a outra pessoa, n�o.

Ent�o com um dos dois

voc� vai ser mal-educado,

n�o sei se me entende.

Rosa.

Rosa.

Desculpa, Carlos, o que disse?

Ela � boa.

Ela � boa.

- At� mais. - At� mais.

- Tchau. - Se cuide, Carlos.

Acredito que esta segunda op��o oferece o perfil perfeito

de uma empresa que pode interessar ao fundo.

Levantamos o olhar, sorrimos.

Andamos sem o celular, abrimos os olhos.

Posso viver sem voc�!

Soltamos os dedos. Juntamos os polegares.

Posso viver sem voc�!

Andamos sem celular, sorrimos.

Posso viver sem voc�!

Posso viver sem voc�.

Posso viver sem voc�.

Posso viver sem voc�.

Posso viver sem voc�.

N�o posso, n�o posso.

Al�, Alejandro. Diga.

Deixe o celular fora do quarto, Roberto. Seu quarto � sagrado.

Mas como vou acordar, ent�o?

Com um despertador tradicional.

Isso, Charo.

Fa�am tudo o que puderem sem o celular.

� o objetivo desta semana.

Sem medo, Carlos. Deixe o celular.

- Eu, sem voc�, nada. - Isso, Carlos.

N�o vou mais dormir com ele.

Confie em mim.

Mas diga para ele, n�o para n�s.

N�o consigo fazer isso.

Inspiramos, expiramos.

Posso viver sem voc�.

Relaxamos o pesco�o. Do outro lado.

Posso viver sem voc�.

Levantamos o olhar, sorrimos.

Andamos sem celular, abrimos os olhos.

Posso viver sem voc�!

N�o vou mais ver meus netos crescendo por foto.

Vou v�-los, abra��-los e beij�-los.

Estamos falando de uma das empresas mais importantes

no setor de tecnologia.

Vejam os dados.

Nos �ltimos anos, cresceu constantemente.

Um aumento de�

- N�o quero continuar com voc�. - Come�ou bem.

- O que mais? - Pronto. N�o quero que sofra.

Posso viver sem voc�? Posso, sim.

- Posso viver sem voc�. - Posso.

Posso viver sem voc�.

Posso viver sem voc�.

Posso viver sem voc�.

Uma crian�a e dois patos nasceram no mesmo dia.

Ap�s um ano,

quem � mais velho?

Como?

- Charo� - Qu�, qu�, qualquer um.

Boa!

Os patos, porque t�m um ano e bicos.

Ah!

- Boa, boa. - Ficou muito melhor.

- Sua vez, n�o? - Licen�a.

Cancelaram uma reuni�o.

Se n�o incomodar�

- Puxe uma cadeira. - Claro, sente-se.

- O que est�o jogando? - Charadas.

N�o acerto nada, mas charadas.

Se um avi�o cai na fronteira entre os EUA e o Canad�,

que est� acima, onde enterraria os sobreviventes?

Como?

- Mas s�o sobreviventes� - Tanto faz.

- No Canad�. - Porque n�o est�o mortos.

Com licen�a, boa tarde.

Poderiam fazer a gentileza de ir um pouco para l�?

- Muito obrigado. - Como?

Ela est� gr�vida.

Parab�ns, mas n�o sei o que tem a ver

com a gente ir para l�.

O celular.

O que tem ele?

As ondas eletromagn�ticas prejudicam o beb�.

- Que besteira � essa? - Como?

- Tudo certo. Vamos. - N�o.

N�o vamos. Chegamos antes.

Eles que se afastem. Por favor, um pouco para l�.

Paco�

N�o vamos a lugar nenhum.

- Carlos, deixa. - Est� bom assim?

Est� a tr�s metros?

Agora sim, muito obrigado.

Eu n�o dou conta.

Vamos, Loli. Eles est�o bem loucos.

O problema de um � de todos.

- Continuamos? - Sim.

- Claro. - Sua vez de ler.

- Carlos Mendoza? - Isso.

Para o senhor.

Obrigado.

Dr. Su�rez, compare�a � sala de cirurgia.

Patricia, pode chamar a Adela, por favor?

Est� atendendo.

� urgente. Por favor.

Adela, o Carlos est� aqui.

Pode deixar que eu digo.

Certo. Tchau, tchau.

Ela est� ocupada.

Mentira, nem falou com ela.

Diga que eu a espero aqui.

- Est� atendendo. - � um minuto.

Fiz o meu m�ximo.

Preciso atender. Posso falar com ela?

Obrigada.

Ol�, tudo bem? Bom dia.

Em que consult�rio ela est�?

Pode se retirar, por favor?

Obrigada.

Tem uma consulta?

Carlos, Carlos.

Carlos.

Carlos!

Patricia, me entenda. Ela me mandou os pap�is do div�rcio.

Preciso falar com ela.

Sinto muito, Carlos, ela n�o quer te ver.

- Est� bem? - Estou com tontura.

- Carlos. Carlos� - Aguente um pouco.

Carlos!

Carlos!

Me desculpe, mas preciso fazer isso.

Est� fechado. Pode ir.

Adela, � o Carlos. Est� cometendo um erro.

N�o quero me separar de voc�, te amo.

Adela?

Expire.

Muito bem. Mais uma vez.

Inspire.

Adela?

Quero que saiba que eu o deixei.

Achei que n�o conseguiria,

mas o deixei depois de tanto tempo.

De verdade.

Olhei na cara dele, e disse:

A coisa mais importante da minha vida

� voc�, Adela.

Fui ego�sta, me comportei mal, tenho arrependimentos,

te pe�o mil desculpas, mas quero que saiba

que n�o durmo mais com ele,

que ele n�o vai mais entrar no nosso quarto,

e que nunca mais vou me deitar com ele!

Posso viver sem ele!

Mas n�o posso viver sem voc�. Te amo.

Adela, te amo.

Eu imploro, Adela!

N�o tenha vergonha.

� muito bonito.

Adela, cad� voc�?

Tire a m�o de mim, n�o me toque!

Pol�cia! Adela! N�o me toque.

N�o, n�o, n�o!

Adela!

Adela.

Voltei a andar de bicicleta.

A dieta digital, o park-celular,

os exerc�cios de respira��o,

o celular gigante�

� inesquec�vel. Funciona.

Juro por tudo que funciona.

Olhe para mim.

Sou um homem novo ou n�o sou?

Direi algo que te surpreender�:

Diminu� em 82% o meu uso do celular.

O que acha? Te liguei nesses �ltimos tempos?

N�o te liguei.

A terapia, Adela,

funcionou para mim. Funciona.

- Est� bem. - Posso entrar?

- N�o. - Claro.

N�o sabia que tinha gente.

Ele j� est� indo. Diga.

Posso falar com minha mulher? Obrigado.

� r�pido. O congresso que mencionei.

- O de Mil�o? - �. O diretor me escreveu.

Est� fechando. Quer ampliar com mais especialidades.

Pediu recomenda��o de outro m�dico, e pensei em voc�.

Em mim?

Obrigada, Ricardo, mas acho que n�o posso.

- Estou cheia, tenho os plant�es� - N�o precisa pensar agora.

- Veja sua agenda e me diga. - Certo.

- Tchau. - At�.

Obrigada, Ricardo.

Mil�o � terr�vel.

Claro.

Como j� fomos tantas vezes, sabe bem.

Por que n�o bate � porta antes de entrar?

E por que n�o tira o capacete?

Que capacete?

Ah, sim.

- As crian�as chegam no fim de semana. - Sei.

Acham que estamos juntos. Nunca sei o que dizer.

N�o d� para falar disso por telefone.

Uma chance.

Eu imploro.

Adela, vamos fazer o seguinte.

O fim de semana.

Se n�o mudar de ideia, domingo falamos com eles.

Pode ser?

Por favor.

Entendi, mas precisamos falar disso na reuni�o.

Muito obrigado. Me lembrarei.

Aconteceu algo?

Alejandro, o que foi?

Marta e Rub�n propuseram que Eugenio seja o s�cio.

O Eugenio?

Querem uma pessoa mais nova.

Mais nova? Ele tem dois anos a menos que eu!

Eles querem os contatos que o pai dele tem.

� ou n�o �?

Ter um pai envolvido na pol�tica

pode ajudar, Carlos, n�o digo que n�o,

mas � que o Eugenio apresentou v�rias empresas ao fundo

nos �ltimos meses, e opera��es muito boas,

opera��es bem completas.

N�o acredito no que est� me dizendo.

N�o est� certo.

Posso tentar fazer com que mudem de ideia,

mas preciso de algo novo.

� como uma trai��o. N�o estou gostando disso.

Me d� uma ideia genial,

uma empresa para apresentar na reuni�o,

que sirva como argumento.

- Quando � a reuni�o? - Amanh�.

Sempre aos s�bados!

Tem outro casamento?

N�o. � que s� tenho 24 horas.

Sr. Alejandro,

em dois dias ser� seu anivers�rio de casamento.

Sabe como tirar a voz da locutora?

N�o aguento mais.

Nos momentos mais inconvenientes�

Pe�a para ela se calar.

A que horas ser� a reuni�o?

�s sete.

- Acho que n�o. - Como n�o?

Voc� tem uma ideia de neg�cio totalmente inovadora,

revolucion�ria, que ajuda pessoas.

Tem potencial.

E o mais importante: Tem uma metodologia propriet�ria �nica

- criada por voc�. - Metodoloqu�?

A experi�ncia que tem pode ser patenteada.

- E? - Com a ajuda que posso conseguir,

de um fundo, por exemplo, poderia abrir outro lugar.

E para qu�?

Para contratar mais psic�logos, abrir mais grupos de terapia�

- E para qu�? - Para ter mais benef�cios?

E, com eles, ter mais franquias

- no mundo todo� - Para qu�?

Para ganhar mais dinheiro.

Carlos, j� tenho o bastante.

Perd�o, foi mal.

Eu disse a palavra que n�o deveria.

Dinheiro � ruim.

Vamos pensar de outra forma, veja se melhora.

N�o sei, vamos falar da sua liberdade.

Talvez, n�o sei, no futuro,

voc� queira se aposentar e acabe fazendo aquilo de que mais gosta.

J� fa�o agora.

Por que fez tudo isso, Rosa? N�o entendo.

Por dinheiro, n�o.

Ai, meu amor.

Que alegria!

Ah, que bom.

Est� bem, n�o emagreceu muito. Est� bem.

- Quero que respondam bem. - Vamos ver.

Do que mais gostaram em Mil�o?

Dos italianos.

Ela n�o vai voltar para a universidade.

Pai, mas � no bom sentido.

Um italiano � como um argentino que fala italiano.

- Voc� � uma boa argentina. - Falando de Argentina�

E voc�, Jaime?

- Conte. - Conte para a gente.

- Est� muito quieto. - Eu gosto da vibe,

- mas n�o � como a Espanha. - N�o falo da vibe.

- M�e, agora n�o, por favor. - Vai, me conta.

Chocotorta argentina! H� quanto tempo n�o faz?

Como? � minha sobremesa preferida.

- A preferida da m�e. - Ah, �?

Quer um pouco?

Sim, por favor.

Daiafon, seja uma especialista em an�lise e financiamento de empresas,

e procure uma empresa criada recentemente

que tenha potencial de crescimento exponencial.

Claro, Carlos.

Aqui vai uma lista de 3.523 empresas

com o requisito que pediu.

Pode repetir? N�o entendi a quantidade.

Carlos, tudo bem?

Tudo. J� saio.

Adela, estava pensando, e � melhor n�o dormirmos juntos.

Um per�odo de teste � um per�odo de teste.

E onde vai dormir?

E j� sabem: Fa�am tudo o que puderem sem celular.

O que foi? N�o v�o me dizer nada?

- Voc� caprichou. - O que � isso aqui?

Um cafezinho da manh� que fiz.

Obrigada.

De nada.

Comam, comam, vamos.

Ah, um momentinho.

- O que � isso? - Quando terminarmos,

vamos todos a este lugar,

que tem uma vista e praias maravilhosas.

- O que acham? - Mas � passeio para um dia inteiro.

E qual � o problema? Fiz uns lanchinhos.

Voc� nem gosta de caminhar.

E quem disse que vamos caminhar?

Ai!

- O que foi? - Pai?

N�o sei o que aconteceu comigo, mas ca�.

- Ai, ai� - Est� bem?

Estou, sim.

- Certeza? - Certeza. Vamos.

Ai! N�o. N�o consigo.

Parece uma contratura no bra�o.

- Vamos cancelar? - Machucou um pouco, e tudo bem.

- Mas, filho� - N�o, podem ir.

Enquanto isso, comprarei a carne para assar.

Conseguir� carregar tudo?

Claro que sim. � carne assada para quatro, n�o para 35.

Que pena n�o poder ir com voc�s.

Para, para. Vou tentar, para ver se consigo.

- N�o consigo. - Est� doendo.

Est� bem, ent�o. N�o vamos demorar.

- Vamos. - Tchau, tchau.

- Diga, Carlos. - Alejandro, tudo bem?

Tenho uma empresa maravilhosa para o fundo.

S� preciso de duas horas para a apresenta��o.

�s 6:50 te mando,

- e me liga quando quiser. - Certo, Carlos.

At� mais.

Pronto.

Tem hamb�rgueres, morcelas, chouri�os�

- Viva! - Que maravilha.

- Vamos nos sentar. - Que bonito.

- Cad� o Jaime? - Fazendo coquet�is na cozinha.

Coquet�is?

- Sambuca, t�pico da It�lia. - Sei que � de l�.

Entendi por que foram estudar fora. Vou tomar banho.

Carlos, n�o precisa, � s� um churrasco.

Churrasco, n�o. Assado argentino.

Voc�s est�o aqui.

� um dia especial para mim, quero aproveit�-lo.

J� venho.

Certo.

Jaime, a carne est� pronta. Vamos logo.

Um segundo. Prove, pai.

Mais �lcool ou caf�?

Mais �lcool ou caf� � isso que ensinam em Mil�o?

Falta um pouco de caf�, mas est� muito bom.

- Vamos logo. - Certo.

- Oi, Alejandro. - Oi, Carlos.

Gostou da empresa?

Analisei as informa��es, e � excelente.

Mas acho melhor voc� apresent�-la.

Eu?

Confie em mim. Isso � melhor que qualquer recomenda��o.

Te agrade�o de cora��o, Alejandro.

Mas sabe o que �?

Estou numa reuni�o familiar. Com 35 pessoas.

Minha m�e acaba de chegar da Argentina.

� uma oportunidade �nica de se mostrar.

O estudo est� muito bom.

E, se tinham d�vida da sua nomea��o,

n�o ter�o mais.

Se quiser, eu falo com sua m�e.

Com ela, n�o. Al�m disso, ela n�o ouve bem.

Est� bem. Vamos fazer o seguinte.

Ser� uma liga��o para os quatro?

O qu�? N�o, n�o.

N�o � uma liga��o, Carlos. � uma videoconfer�ncia.

Videoconfer�ncia?

Como acha que s�o essas reuni�es?

Mando o link no seu e-mail para voc� entrar.

Achei que fosse s� uma liga��o.

Sabe o que �? N�o vai acreditar.

Meu celular quebrou.

A c�mera dele n�o funciona.

Participe pelo computador.

Claro. Pelo computador.

A que horas �?

Agora mesmo. Vamos, entre.

Em cinco minutos, entro.

Pai.

Aonde vai?

Tomar um banho.

Com o computador?

Para ouvir m�sica.

Ah!

Fa�a tudo o que puder sem o celular, n�o �?

- Entendeu bem, filho. - Prove isto aqui.

Diga o que acha.

Melhor.

Muito melhor.

Parab�ns!

Ol� a todos! Como est�o? Desculpem a demora.

Oi, Carlos. N�o se preocupe.

Alejandro disse que voc� n�o sabia.

N�o precisava se vestir assim.

Esqueci de dizer que n�o precisa.

Adoro usar terno.

Me sinto bem. Me concentro mais.

Se preciso pensar, visto um terno.

Quanto falta na terapia do pai?

Ai, meu filho. N�o sei muito bem.

Acredita que ele nos mandou uma carta?

Uma carta?

- De pr�prio punho? - Sim.

Como as que o vov� mandava.

- Com selo e tudo. - Ah, �?

- E o que ele contou? - Sobre a terapia e essas coisas.

A empresa n�o est� em seu melhor momento,

mas esta � uma grande oportunidade

para que a compremos por um pre�o baixo.

E o que acha da integra��o dos produtos

nos canais de venda?

Acho muito boa,

porque com as sinergias que temos, a for�a comercial que eles t�m,

e a nossa integra��o,

podemos lan�ar os produtos rapidamente.

Pai, tudo certo?

Um segundo, por favor.

J� vou! N�o sai �gua quente.

Vamos brincar de adivinhar filmes.

J� des�o.

Desculpem, estou ficando sem bateria.

Vou pegar o carregador, e volto.

Claro.

Acho que sei.

- Sim, acho que� - Titanic!

- N�o. - Como n�o?

- Qual era? - Tomam banho

e me deixam sem �gua quente.

Que estranho. Isso nunca aconteceu.

A Paix�o de Joana d'Arc. � ou n�o �?

Que velho! Quem conhece isso?

Est� bem. Ʌ

- Romeu e Julieta. - Muito bem, m�e.

Boa.

N�o vale, � uma pe�a.

Que del�cia. Coloca mais para mim.

N�o, o filme com o DiCaprio.

A gente viu no cinema quando namorava.

� verdade. Chorei muito esse dia.

- � mesmo. - Estou vendo vapor.

J� volto.

Mas�

O carregador estava com minha filha.

N�o se preocupe.

Vamos continuar de onde paramos.

Poderiam me lembrar qual era a pergunta, por favor?

Sim, claro.

Quer�amos saber se as poss�veis imita��es

do produto poderiam limitar

a capacidade de atingir as cotas de�

Me lembrei perfeitamente.

N�o deveria afetar de forma significativa

porque temos um plano de "monotirizar"�

De "monitari"�

De monitorar e inibir�

E inibir qualquer tentativa de imita��o.

O que � isso a�? Fuma�a?

Que fuma�a?

Mil desculpas.

Salvar vidas � o principal.

J� volto.

Olha, pai.

At� que enfim.

Agora, sim. Me sinto outra pessoa.

Vai.

- Que gostoso. Quem �? - Vai.

- Vai, Jaime. - Vamos ver, Jaime.

Fa�a bem. Para entendermos. Vamos!

- N�o entendo. O que �? - N�o sei.

Preste aten��o no Jaime.

Quer dizer�

Tomou banho e p�s a mesma camisa?

Que tonto. N�o sei onde estou com a cabe�a.

J� venho.

Vai outra vez?

Vamos come�ar sem voc�.

Desculpem. Dava para prever.

Meu filho quase botou fogo na cozinha.

Onde est�vamos?

Desculpa, Carlos.

- O que houve com seu bra�o? - Nada. Por qu�?

Est� com uma tipoia.

Que tipoia?

Ah, n�o. Desculpem.

Me queimei apagando o fogo que meu filho causou.

Me desculpem. N�o tenho�

- Onde est�vamos? - Carlos, desculpe.

Est� no banheiro?

Desculpe.

N�o estou ouvindo.

- Perguntei se est� no banheiro. - Est� no banheiro.

Est� me ouvindo?

- Estou. - O que� dizendo?

Est� me ouvindo?

- Carlos. - � que eu n�o�

- Carlos. - Carlos!

- Carlos, sua imagem travou. - Carlos!

Carlos!

Est� ouvindo? Carlos, reinicie.

- Carlos! - Carlos!

Carlos!

Carlos!

Carlos?

Vamos.

Vamos, que � muito f�cil.

Vimos o filme h� pouco tempo. N�o tem como fazer melhor.

Vamos, a�.

O Segredo dos Seus Olhos.

� ou n�o �?

N�o, n�o. O�

J� sei. Como � mesmo?

O Sil�ncio dos Inocentes.

Isso, isso!

Pai. Pai!

Pai, voc� est� mal.

- E o bra�o? - Que bra�o?

Sa�de! A voc�s!

J� sei. J� sei.

Ai, como�

Preso na Escurid�o!

Ou Preso no Claro! Como era mesmo?

Bom, n�o, n�o sei�

J� sei.

A senhorita�

Rotteinmeier.

� essa, n�o �?

N�o? Bom, eu desisto.

Qual �?

Meu amor.

� aqui, certo?

Carlos, assine aqui.

Vamos conversar, Adela.

D� mais um tempo, por favor.

Tempo.

- Juro que superaremos. - N�o quero mais perder tempo.

Adela.

Como explicar de um modo que entenda?

Tenho quase 50 anos.

Se minha vida fosse a bateria de um celular, quanto sobraria?

Uns 40%, na melhor das hip�teses?

Mas a vida n�o � como um celular, Carlos,

que voc� usa o dia inteiro, � noite, carrega,

e, no dia seguinte, volta aos 100%.

N�o. A vida n�o � assim.

N�o d� para recarregar a vida.

Entende, man�?

J� passou da hora de pensar um pouco mais em mim.

Carlos.

Bom dia.

Bom dia.

Sente-se, por favor.

Alejandro, Rub�n e eu conversamos, e�

Queria pedir desculpas pelo ocorrido de outro dia.

O que aconteceu no fim de semana � inadmiss�vel.

N�o tenho nem palavras. Novamente, pe�o desculpas.

Problemas de conex�o s�o inadmiss�veis.

Imagina se fosse uma reuni�o com um cliente.

N�o pode acontecer mais.

O que � isso?

� o Daiafon 18.

E o 17?

J� ficou no passado.

Carlos, esse celular tem intelig�ncia artificial Plus Ultra 2.

� capaz de saber o que voc� pensa pelo reconhecimento facial.

Eu agrade�o, mas�

N�o preciso dele.

Sim.

Precisa, sim,

porque, a partir de agora, teremos muitas videoconfer�ncias.

N�o v�o me mandar embora?

Como te mandar embora?

Voc� � o novo s�cio da empresa.

Parab�ns, Carlos.

D� para v�-lo chutando.

A qualquer momento�

Bom, vamos come�ar.

N�o vamos esperar o Carlos?

Logo, ele chega. Vamos come�ando.

Se importam se eu come�ar?

� que estou muito feliz.

Estou feliz porque comecei a ler h� algumas semanas, Rosa.

Eu, que nunca li na vida.

O primeiro foi dif�cil, mas, no terceiro, j� estou melhor.

Te perdi

Por culpa de um erro

Te perdi

E destru� meu cora��o

E diante de voc�

Volto, finalmente,

A chorar

E a suplicar

Me desculpe

Fui ingrato

Me desculpe

Te amo tanto

Sem voc�

N�o sei viver, meu amor

Sem voc�

Vou morrer de dor

Me desculpe

Preciso de voc�

Me desculpe

Eu suplico

Volte

Daiafon, ligue para o Jaime, por favor.

Sinto muito, Carlos.

O celular do Jaime est� desligado ou fora de cobertura.

Posso ajud�-lo com algo mais?

Com a Teresa, por favor.

Sinto muito, Carlos.

O celular da Teresa est� desligado ou fora de cobertura.

Posso ajud�-lo com algo mais?

Como reconquisto minha mulher?

Sinto muito, Carlos. N�o posso ajud�-lo com isso.

Ent�o n�o � t�o inteligente assim.

Volte

Lembre-se do passado

Volte

A me dar seu amor

Me d� outra vez

O seu amor

Rosa?

Precisa ver como nos trouxe!

Que casa linda!

- Oi, Carlos. - Oi.

O que fazem aqui, Rosa?

O problema de um � de todos.

Foi isso.

Fiz tudo errado, e ela foi embora para sempre.

- Precisa falar com ela. - J� falei.

E pedir desculpas.

Pedi mil vezes. Assinamos o div�rcio.

E da�? Isso � s� um papel.

Um papel que tem validade.

- Voc� a ama? - Claro que sim.

Se a ama, pe�a desculpas de novo.

J� pedi mil vezes, de mil maneiras.

Fui eu que errei, que ferrei tudo.

Ela merece algu�m melhor que eu.

Lucy.

� que sinceramente�

Por que o Carlos decide quem a Adela merece?

Ela tem que decidir.

Ela decidiu, n�o quer estar comigo, quer se separar.

Assinamos o div�rcio. Me separei. Me divorciei.

- Entendem? - � s� um papel!

Mas tem validade. N�o me fa�a explicar de novo.

Est� com ela h� 20 anos, Carlos.

Agrade�o por terem vindo, de cora��o,

mas acabou.

Voc� s� teve uma reca�da.

Uma reca�da das bravas.

� algo normal em um processo de recupera��o.

Me sinto e sou um fracasso completo.

- N�o �, n�o. - Sou, sim. Ela foi embora!

Porque acha que n�o mudou, mas voc� mudou.

- Cedo ou tarde, Adela ver�. - Somos humanos, erramos.

Carlos, j� me perdoaram mil vezes, e errei muito mais.

Isso, Simona. E eu nem te conto.

Perdoar e pedir perd�o � saud�vel.

Pediu perd�o, mas foi de cora��o?

- Pe�a outra vez. - Pe�a desculpas.

N�o tem solu��o!

Carlos, tudo tem solu��o.

Rosa, vamos parar com essa terapia infantil.

V�o me irritar, e vou mand�-los embora.

Eu e meu marido est�vamos no carro.

Eu dirigindo.

Chegou mensagem no celular, e eu o peguei.

Era uma mensagem boba no grupo de WhatsApp das minhas amigas.

Mas desviei o olhar da pista.

Quando vi, tinha sa�do da minha faixa.

Tinha um carro vindo de frente, fiquei nervosa e virei com tudo.

Sa�mos da pista.

N�o sei quantas vezes capotamos.

Tive uma contus�o, nada grave.

Mas�

Meu marido�

Meu marido morreu.

S� n�o h� solu��o para uma coisa.

Todo o resto tem conserto.

Ai, ai, ai�

Est� chegando.

Quem?

O meu filho.

- Estourou a bolsa. - Est� vazando.

O sof� � novo!

- Por Deus. - Liguem para a ambul�ncia.

Os celulares est�o no park-celular.

Como podem ser t�o tontos?

Da pr�xima vez que fizerem uma excurs�o,

tragam um celular, para o caso de alguma emerg�ncia.

O que fazemos?

- Qual � o n�mero de emerg�ncia? - 112!

- Calma. - Respire.

- Acho que � uma contra��o. - Meu Deus.

Al�, tudo bem?

A bolsa de uma gr�vida acaba de estourar.

Preciso de uma ambul�ncia na rua Buenavista, 2.

O mais r�pido poss�vel.

Vinte minutos?

Em 20 minutos, o nen� estar� fazendo a comunh�o!

Vamos pegar a van.

Vamos indo. Vamos, r�pido.

Cuidado. Mesmo com pressa, n�o corra.

- Cuidado. - Vamos.

- Cuidado. - Eu te ajudo.

Vamos.

- Vamos logo! - Sim.

- Armando, tome cuidado! - Cara, veja bem.

S� por Deus. Olha a situa��o!

Quero minha c�mera agora!

- Que c�mera? - O qu�?

Na minha bolsa. Preciso filmar, esperei o ano todo.

- Vamos. - N�o � para tanto.

- Devagar, calma. - Vamos, vamos.

Vim por outro motivo. Est� dando � luz, ajudem.

Devagar, calma.

- Respira fundo, minha filha. - Corre.

- Respire. - Um momento!

- O que foi? - A c�mera.

Estou indo.

Menina, agora vai gravar?

Estamos chegando ao hospital, � hoje. Digam oi.

- Pensem em um nome. - Ao hospital!

O signo do beb�.

- � hoje. - Tem uma cadeira ali.

Certeza que � hoje.

- Armando. - Sim.

Preciso de um grande favor seu.

Claro. Qualquer coisa, menos dinheiro.

- Bom dia. - Bom dia.

- Posso ajud�-lo? - Minha m�e.

Tem uma consulta, mas est� desorientada.

N�o sei em que andar est�. Se puder me ajudar�

- Acho que eu a vi. - � mesmo?

Venha comigo.

Onde est�?

N�o se preocupe, vamos encontr�-la logo.

Adela, � o Carlos.

Sei que n�o gosta dessas coisas, me desculpe,

mas preciso dizer algo importante.

E as coisas

importantes dizemos pessoalmente, olhando nos olhos.

- Carlos! - Por isso estou aqui.

Adela n�o est�!

- Como n�o? - Foi a Mil�o.

- A Mil�o. - Sim, a um congresso.

Com o Ricardo.

Mil desculpas por tudo o que fiz.

Nunca vai desistir, n�o �?

Carlos.

O avi�o parte em 40 minutos.

N�o te falei nada, hein?

- Armando, vamos. - Aonde?

A Mil�o.

Aten��o, senhoras e senhores passageiros do v�o para Mil�o.

J� podem embarcar.

J� podemos embarcar.

O que foi, Carlos? Est� bem? Est� com dor?

- Preciso fazer isso. - O qu�?

Vou fazer.

Vou fazer.

O que est� fazendo? Saia dessa.

� isso mesmo que vou fazer: Sair.

- Carlos? - Alejandro?

- Vou sair. - Sair de onde?

Vou sair do trabalho. N�o quero ser s�cio.

- Carlos, voc� est� bem? - Nunca estive t�o l�cido.

Sabe quanto tempo investi em voc�?

N�o tanto quanto o que n�o investi na minha fam�lia.

Est� cometendo o maior erro da sua vida.

Talvez.

- Voc� n�o tem mais 30 anos, Carlos. - Por isso mesmo.

- Obrigado por tudo, Alejandro. Tchau. - Carlos�

- Vamos, vamos! - Voc� � corajoso, cara.

O que fa�o quando chegar ao aeroporto?

Minha roupa de trabalho est� na mochila.

Vista minha roupa.

Cuidado.

- Carlos. - Oi?

N�o vai reconquist�-la assim. Precisa melhorar.

- Qual � o problema? - Precisa melhorar.

Javier!

- Venha. - H� quanto tempo, Armando.

Preciso de um favor, � caso de vida ou morte.

Tire a roupa.

Outra despedida de solteiro?

Por ali.

A tripula��o vai pela lateral.

Lembre-se: Port�o 59, Carlos.

Port�o 59!

Obrigado por tudo.

- Armando. - Oi?

Corre! Corre!

- Podem recolher o finger. - N�o! Mudan�a de planos.

Mudan�a de piloto. Obrigado.

N�o recolham.

- N�o � por a�. - Adela.

Adela.

Adela.

Oi.

Queria dizer que�

Fui nomeado como s�cio da empresa.

- Parab�ns. - Muito bem.

Depois de tanto tempo, consegui,

mas recusei.

Pedi demiss�o do trabalho, Adela.

Vou ter que procurar outro.

E garanto que ser� um que me permita estar

muito mais tempo com Jaime e Teresa.

N�o quero perd�-los tamb�m.

N�s assinamos os pap�is do nosso div�rcio,

e, com eles, nosso casamento acabou,

mas o que n�o acabou

� o amor profundo que sinto por voc�.

Adela, desculpe por todas as conversas

que n�o tivemos.

Desculpe por todos os olhares que a tela do meu celular roubou.

Por todas as vezes que me pediu para desligar o celular, e n�o obedeci.

Pelos os jantares interrompidos por e-mails.

Pelas viagens que prometi

e que nunca fizemos, pe�o mil desculpas.

Lamento muito

por ter se sentido t�o s� ao meu lado.

Mas, Adela�

d� para recarregar a vida, sim.

E sei perfeitamente, porque quando voc� est� comigo,

recarrega a minha.

Quando n�o estou ao seu lado, me sinto�

bloqueado, sem cobertura.

Acordar com voc� � estar com a bateria carregada.

Voc� �

meu carregador, meu navegador.

Meu wifi.

Minha b�ssola, minha lanterna, meu rel�gio.

� a �nica tela que quero olhar.

Me d� a chance de um primeiro caf�.

De um primeiro jantar.

Me d� a chance, se quiser,

de se apaixonar novamente.

Vamos a um encontro.

Comecemos de novo.

Com licen�a, preciso passar.

- Por favor, me acompanhe. - Um segundo.

- Por favor, senhor. - Um segundo.

Acabou. Pare de fazer esse papel�o.

- Por favor. - Adela!

Vamos.

- Adela! - Vamos.

Voc� est� bem?

E o senhor teve sorte

que o capit�o � rom�ntico. Se fosse por mim�

Ah, mais uma coisa.

Da pr�xima vez que quiser dar o seu show, fazer bagun�a,

v� ao metr�, est� bem?

V� logo.

D� para recarregar a vida?

Posso viver sem voc�, Carlos.

Mas n�o quero.

Precisar� trabalhar muito.

Cafeteria Lumi�re.

Amanh� �s oito.

Com licen�a. Pode me dizer a hora?

Sim.

Fiquei sem bateria.

Tudo bem.

Fiquei sem bateria?

Fiquei�

sem bateria!

Consegui!

Fiquei sem bateria.

Fiquei sem bateria!

Consegui!

Fiquei sem bateria!

Consegui! Fiquei sem bateria!

Legendas: Ricardo Montagnoli

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