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UMA SÉRIE DOCUMENTAL ORIGINAL NETFLIX

Nova Iorque é um lugar maravilhoso por onde andar

e ver como as letras existem no ambiente.

Como designer de fontes,

não conseguimos evitar olhar para a tipografia de tudo.

O engraçado no design de fontes de letras,

é que nada é interdito.

Podemos adorar manuscritos raros.

Podemos adorar graffiti ou adorar logótipos

feitos pelas agências de design da Madison Avenue.

Tudo aquilo que já lemos foi moldado à mão.

É uma ideia profunda que, para cada letra que consumimos,

há algures uma pessoa ou equipa de pessoas

que desenharam aquela coisa

e a lançaram para o mundo.

Chegámos a um ponto em que todos têm uma fonte preferida.

O facto de podermos escolher a fonte no telemóvel ou no computador

sensibilizou o mundo para o poder da tipografia.

Fazemos materiais em bruto que estão abertos à interpretação.

É exatamente isso que faz avançar a cultura visual.

JONATHAN HOEFLER: DESIGN DE FONTES DE LETRA

O Jonathan era um menino-prodígio.

Tinha uma forma espantosa de pensar nas fontes.

Começou jovem

e tornou-se rapidamente um dos designers mais influentes do nosso tempo.

É raro encontrarmos alguém com um desejo de perfeição tão incansável.

Ele tem total consciência do tempo e do lugar.

O Jonathan está entre os melhores dos melhores.

Ele é o melhor dos melhores.

CIDADE DE NOVA IORQUE

A tipografia é o diálogo entre os designers de fontes,

que criam alfabetos,

e os designers gráficos que os usam. É uma rua com dois sentidos.

O Public Theater tem uma identidade projetada por Paula Scher

que apareceu na primeira temporada de Abstract.

Cresci numa altura em que o seu trabalho estava por todo o lado.

Logo, cresci com a ideia de que os tipos em madeira

faziam parte do tecido da tipografia.

Nos anos 90, eu comecei

a criar uma família de fontes chamada Knockout.

Era suposto ser inspirada pelos tipos de madeira.

Por isso, foi uma alegria que a Paula,

quando projetou a identidade do Public Theater,

usasse a Knockout para o design.

Por isso, é uma sinergia maravilhosa

de ser inspirado por designers gráficos,

criar fontes que são usadas por designers gráficos,

e ver como eles fazem coisas inesperadas.

As fontes de letra são um material em bruto.

Ser um designer de fontes tipográficas

é como ser o designer da cor de uma tinta.

Não pintamos casas nem as decoramos.

Nós fornecemos a cor.

ISTO SÃO LETRAS! PARTE 1 DE 3

CONCEITOS BÁSICOS

O design de fontes é feito de artifícios.

Até um objetivo simples,

como fazer todas as letras do mesmo tamanho, não é fácil.

Para fazer com que as letras C e T pareçam ter a mesma altura,

o C tem de ser desenhado para ser mais alto, na verdade.

As letras redondas excedem as planas por uma quantidade chamada "excesso".

EXCESSO

Outro objetivo é o equilíbrio.

EQUILÍBRIO

Para dar a aparência de que o B tem duas metades iguais,

costumam ser desenhadas de forma diferente.

Se a virarmos, vemos que é mais pequeno em baixo.

A humilde letra T esconde um dos grandes paradoxos do alfabeto.

Para fazer com que os traços verticais e horizontais

pareçam ter a mesma espessura, as verticais são desenhadas mais espessas.

A isto chama-se contraste anisotrópico, e afeta todas as letras,

especialmente a diabólica letra S.

Um S equilibrado e centrado parece estranho ao contrário.

É mais estreito no topo e na base,

mais espesso no meio e inclina-se para a frente.

Excesso, equilíbrio e contraste.

REPARAÇÃO DE RELÓGIOS

O design de fontes é um processo lento. Às vezes, pode demorar décadas.

Não há um percurso óbvio do início até ao fim,

e também não há garantias de chegar ao fim.

Há cerca de dez anos,

tive a ideia de comprar um relógio de pulso.

Quando comecei a procurar relógios criteriosamente,

reparei que um relógio com 40 anos ou mais

tem um tipo característico de letras

que é realmente muito belo.

Pensei que houvesse alguma coisa neste meio

que pudesse inspirar uma família de fontes tipográficas.

Isto é ótimo. Parece...

uma Sans-Serif de heavy metal, com estas figuras hexagonais

em formas de ossos, que são fantásticas.

Mas adoro este tipo de coisas muito mais simples.

Esta é uma forma de letras e números muito encorpada, quase octogonal.

E vemos o mesmo tipo de coisa aqui, mas mais sofisticado.

O Michael Bierut descreveu o que faço.

Comparou-o ao arqueólogo que descobre um osso

e, a partir dele, cria o dinossauro.

Muito daquilo que faço é descobrir esses ossos

e tentar imaginar de que tipo de criatura vieram.

O design de fontes está diferente de quando comecei.

Ser um designer de fontes era ser um excêntrico.

Ficava sempre com pavor

daquela conversa no avião, com a pessoa ao lado a dizer:

"O que faz?" As pessoas pensavam que eu projetava a revista,

ou que a escrevia, ou que fazia os anúncios ou assim.

Tinha de dizer: "Não, projeto o alfabeto do texto que está a ler."

E havia aquela incredulidade: "Como assim?

É como fazer o design do oxigénio. Ninguém faz isso."

Seguiu-se um período de maior compreensão,

dado que as ferramentas digitais fazem as fontes,

algo palpável para as pessoas.

Grandes estudiosos escolhem uma fonte para uma tese.

É impossível não escolher.

Mas entrámos numa terceira fase, na qual as pessoas têm fontes favoritas.

Quando me perguntam o que faço, digo: "Design de fontes.

E dizem: "Adoro fontes!" Conhece o tipo que fez a Papyrus?"

Ou o que seja.

É engraçado viver como alguém atento às fontes de letra.

Havia um sketch no Saturday Night Live,

no qual o Ryan Gosling fica doido com uma fonte que está em todo o lado.

E o que é tem de hilariante

é que os designers de fontes, que sofreram em silêncio

e descobrem que há outros que também sofrem,

é um momento de afinidade com o mundo.

Lembras-te do logótipo do Avatar?

Eu... Sim, era tribal e, ainda assim, futurista.

Papyrus!

Bom dia.

A Hoefler & Company é um estúdio de 16 pessoas.

Somos mais conhecidos no mundo pelo nosso website:

typography.com.

É o repositório de tudo o que fazemos aqui.

Temos mais de 1500 estilos.

KIT DE CUNHAGEM DE LETRAS

Temos o objetivo de lançar três fontes este ano,

mas estamos a trabalhar em nove ou dez.

Bom dia.

Uma das coisas mais difíceis é arranjar um nome para a fonte.

Escolhemos o nome Decimal.

Os relógios decimais têm os números de segundos

divididos, não em 60, mas em centésimos.

O sistema de 12 horas, 60 minutos e 60 segundos,

e o sistema científico decimal.

Há algo nisto que me intriga.

A ideia de dois sistemas diferentes em colisão.

Então, acho que é mesmo Decimal.

Há um V.

É interessante. Tem um E com uma barra mesmo no centro.

Depois, no mesmo relógio,

Tem um E com a barra acima do centro.

O símbolo do pi.

Nunca o tinha visto num relógio.

Há um grande momento de autoria

em quase todos os mostradores de relógios antigos,

no design do número 4.

Este tem um belo topo achatado.

É um detalhe que nunca vi em todas as fontes que me ocorrem.

Aqui está outro relógio.

Um fabricante e época diferentes,

mas o mesmo detalhe.

Comecei a questionar porque é que este carácter foi alvo de fetichismo.

O que me ocorre é que, ao trabalhar com tamanhos pequenos,

um designer faz tudo para colocar o máximo de ar

dentro do carácter.

Talvez isso possa ser o tema da fonte, estas áreas quadradas alargadas.

Não devo encontrar um alfabeto inteiro, mas é mais profundo do que isso.

É o aspeto da pontuação,

o possível aspeto das minúsculas, o aspeto do itálico.

Nunca vi itálico em relógios.

Podemos abstrair daqui um tema maior

sobre qual será o aspeto de uma fonte de letra?

É um jogo de azar.

É a minha primeira vez a ver letras de relojoeiros,

e é uma tela em branco assustadora, quando começamos

sem garantias de que vai resultar.

O humor é uma bela porta para o design.

Conhecem o desdobrável da Mad, certo?

Viram como funciona, suponho.

A pergunta é: "Que truque notável aprendeste com essa revista?"

O truque notável é...

... fazer 90 cêntimos desaparecer ralo abaixo.

É tão estúpido.

Adorava a revista Mad em miúdo.

Sempre fui apreciador de sátira.

Não só porque era engraçada, mas porque usava

uma linguagem visual sofisticada para contar a piada.

A capa sobre videojogos, com as fontes tipo videojogos.

As capas de livro tresloucadas que gostávamos de ver.

Foi a minha introdução à ideia

de que as fontes têm uma dimensão cultural.

Esta deve ser a primeira edição da Spy que vi.

O número a criticar o Kennedy.

A Spy foi a primeira revista que vi em que tomei consciência do design.

O Alex Isley fazia coisas extraordinárias,

usando dimensões pouco habituais, tornando-as irónicas.

Parecia-me o casamento perfeito de arte editorial.

Adoro coisas assim.

A história é contada com um xis-ato a cortar uma linha de Alternate Gothic

com espaçamento uniforme. Isso é incrível para mim.

Foi o ponto de viragem,

foi a passagem das fontes como parte da sátira

para serem parte da comunicação.

Não acredito que o Donald Trump aparece neste episódio.

Nunca fui para a universidade. O design de fontes tipográficas

não era um curso, na altura.

Em 1989,

fiz um pequeno anúncio de autopromoção como dobrador de imprensa.

Enviei isso com o objetivo nada específico

de arranjar trabalho que envolvesse tipografia.

Mas a primeira chamada

veio do diretor de arte da Sports Illustrated, Steve Hoffman.

"Podemos fazer uma fonte de letra com base nisto?"

Para mim, foi a oportunidade de criar uma fonte para uma revista de prestígio.

Foi a primeira coisa que fiz para eles. Só estes cabeçalhos.

Esta pequena composição aqui.

Decidimos fazer uma família completa de fontes

que resultassem com tamanhos mais pequenos.

Cada uma com a sua largura. Foi a fonte chamada Knockout.

Os diretores de arte podiam igualar o comprimento de um cabeçalho

à medida do espaço, tendo sempre uma fonte que cabia.

E, o mais crucial para um louco por fontes como eu,

é que começámos a ver coisas minúsculas, como isto.

Aquilo que adoro...

ANTIGA DIRETORA DE ARTE REVISTA ROLLING STONE

... no catálogo de fontes do Jonathan é que começamos sempre

de um ponto de partida executado de forma bela e genial.

Nos anos 90, eu estava na Rolling Stone, trabalhava para o Fred Woodward.

Estávamos no início

de fazer coisas porreiras que eram elogiadas.

E fui convidada para a Fundição de Tipos Hoefler.

Então, fomos lá para cima e...

Do tipo: "Isto... é o apartamento dele."

Com degraus que subiam para uma cama em loft,

com pósteres de tipografia na parede.

Ele tinha um Mac, e muito poucos tinham um Mac na altura.

E, mais uma vez, eu...

"Isto é a Fundição de Tipos Hoefler? É de loucos. É o quarto do Jonathan!"

A primeira fonte que projetei para a Rolling Stone foi a Ziggurat.

Trabalhava com a Gail numa época em que a Rolling Stone disse:

"Vamos cortar recursos no departamento de Arte devido à crise."

A Gail e eu tivemos a ideia de pegar nessa fonte tipográfica

e reconfigurá-la com estilos diferentes.

A coleção de fontes à qual chamámos produto Proteus,

e há quatro no total.

Passando de uma fonte tipográfica para outra, de uma capa para outra,

a ideia é que são intermutáveis.

Podemos tirar uma, substituir a seguinte,

e nada é repetido no layout da página.

Eram tão porreiras, e era tão fácil trabalhar com elas.

Representavam uma nova era para a revista.

Ele tinha a ideia, enquanto miúdo,

que estávamos só a começar a perceber daquilo.

Ao pensar no design de revistas dos últimos 20 anos,

uma parte muitíssimo importante

no design das revistas americanas

são as fontes de letra do Jonathan. Ele está por todo o lado.

Ele teve a inteligência de comprar o typography.com.

Por isso... o Jonathan é assim.

MUSEU DO GANGSTER AMERICANO

Um dos meus detalhes favoritos nas fontes são estas coisas

chamadas manículas, punhos ou indicadores,

que são mãos a apontar.

As manículas são uma forma de atrair o olhar para um pormenor da página.

Aparece na imprensa desde os primeiros livros.

Algo deste género. Isto dá.

- Nada mau. - É um começo. Veremos.

Realmente, não há um substituto para trabalhar com recursos primários.

Isto são livros de fontes de letra.

São catálogos feitos pelos fundidores de tipos,

que eram produzidos apenas para publicitar as fontes.

Apesar de este livro ser da década de 1870,

há fontes tipográficas aqui que recuam 30, 40, 50 anos.

Estilos que recuam centenas de anos, em alguns casos.

E muito disto tinha-se perdido no tempo.

Nenhuma das fontes nestas páginas é algo que se possa comprar hoje.

Em muitos casos, livros como estes

são o único registo histórico de algumas destas fontes de letra.

Nos anos 90, deparei-me com uma coisa

pela qual me apaixonei.

É uma forma de letra gótica, a que alguns chamam Old English,

e que tem este aspeto.

As fontes de letra góticas caíram em desuso no séc. XVIII.

É pouco familiar.

As pessoas já não reconhecem esta letra como um E.

Mas, no início do séc. XIX,

a letra gótica foi recuperada só porque era excêntrica.

Pensamos nisto como um fóssil,

mas está muito viva na tipografia atual.

E tem sido cooptada de muitas formas.

O heavy metal usa letras góticas em todo o lado.

Assim como o gangster rap. Encontramo-las nas tatuagens de prisão,

na igreja católica, no satanismo.

E há um dualismo maravilhoso

neste tipo de oposições binárias onde a fonte pode ser usada.

Então, comecei a pensar:

"O que podemos fazer com esta ideia, mas levando-a mais longe?"

Há cerca de 23 anos, comecei a trabalhar nesta fonte de letra,

à qual chamamos Parliament agora.

Embrionário, mas um começo.

Pensei se podíamos fazer manículas com este estilo.

Passei muito tempo a tentar perceber

como elas poderiam evoluir para formas caligráficas.

Esta é a versão final destas manículas.

Obrigado.

Uma coisa no design de fontes de letra é a sensação constante

de não nos querermos repetir,

de tentar sempre experimentar alguma coisa nova.

Os desafios tornam-se mais exigentes com o passar do tempo.

Quanto mais interessante, mais específica,

ou mesmo mais esotérica for a fonte que tentamos criar,

mais temos de começar do zero de cada vez.

É um puzzle.

MUSEU GUGGENHEIM, NOVA IORQUE

Há 20 anos, o designer Abbott Miller

incumbiu-me de contribuir com uma fonte tipográfica

para a nova imagem do Guggenheim que ele estava a fazer.

Começámos com abertura e circularidade, devido à rotunda.

A ideia de fazer algo parecer mais grandioso e elevado.

É sempre um desafio tentar relacionar a arquitetura com a tipografia.

Um ponto de inspiração óbvio foram as letras na fachada.

A coisa porreira que parecia recomendar

a sua adaptação para uma fonte tipográfica,

foi a sua geometria depurada. Em alguns casos, é perfeita.

A letra M tem uma beleza que é maravilhosa.

Mas letras como o E e o H têm uma barra elevada

que as torna estilizadas de mais.

São pormenores demasiado distintivos, que distraem.

Esperávamos pegar em algumas dessas qualidades

e atenuá-las um pouco.

E levar a fonte tipográfica para além das letras decorativas,

tornando-a uma fonte mais moderada para texto e cabeçalhos.

Os pequenos detalhes ajudaram. Criar minúsculas mais pequenas

fez com que as maiúsculas se elevassem

e com que tudo parecesse mais grandioso.

Aqueles que têm disposições diferentes

captam muitas qualidades do espaço físico em que estamos.

Quando uma instituição como o Guggenheim adota uma fonte,

ela é usada por todo o lado.

Não apenas nas publicações impressas ou no website,

mas em lugares como montras,

calendários de exposições, sinalização das instalações,

gráficos de orientação,

plantas, aplicações interativas

e até o passe de visitante.

Para mim, o teste desta é olhar para cima e ver as letras no nome do museu,

mas também ver as letras na montra.

Se essas coisas proporcionarem a mesma sensação,

a fonte tipográfica é um sucesso.

Quando criamos uma fonte nova,

os primeiros caracteres que desenhamos são o H e o O maiúsculos.

O princípio é que o H é um carácter reto,

com troncos verticais e lados retos.

O O é um carácter redondo com lados redondos.

E, teoricamente, quando desenhamos estes caracteres,

temos uma ideia básica do tom da fonte que estamos a criar.

Infelizmente, parece que o H e O nunca são os caracteres

que os designers desenham, porque são monótonos.

Os desenhos que fiz até agora

são um inventário de coisas que são ideias interessantes.

Aqui está o 4 com topo achatado e algumas ideias sobre relógios

com o mesmo detalhe achatado em letras como A, V e W.

E, por extensão, o que letras como o K podem fazer.

É essencial, nesta fase, começar a trabalhar digitalmente,

onde trabalhamos com o mesmo traçado, de carácter para carácter.

Entrei no design através dos computadores.

Eu era um miúdo de computadores.

Gostava de videojogos quando eram coisas muito mais simples

e nós podíamos fazer um.

Como parte dos gráficos para eles, eu criava letras.

Cada carácter tinha de ter oito por oito pixels.

A questão é: "Como criar tipografias diferentes

para um jogo tipo Dungeons and Dragons e para um jogo espacial?"

É difícil resolver isso.

Com a Decimal, estou numa fase em que desenhei caracteres cruciais

que parecem lembrar um relógio de modo agradável.

Algumas mais que são mais neutrais,

para me ajudar a perceber qual será o tom do design.

E depois, algumas muito desafiantes.

Há uma forma de S que vemos em relojoaria.

Tem uns gestos

que apontam agressivamente para fora.

Mas também descobri este J,

onde o traço da base aponta para cima e para dentro do carácter.

Muito daquilo que fazemos no design de fontes

é descobrir estas coisas excêntricas, e tentar perceber

para que centro podemos orientá-las.

O S quer ser mais como o J, ou o J quer ser mais como o S?

Ou está bem assim?

Mesmo com estes S e A que desenhei,

a pior parte disto, agora, é que não gosto de nenhum deles.

Sinto que, como designer, não usaria nenhum deles.

Então, aonde, nesta progressão,

fica a ideia da Decimal? O que é que lembra um relógio?

Todas as fontes estão cheias de inconsistências

que só é possível justificar através da ótica.

E é muito por aí que a arte intervém.

O design de fontes não consiste em desenhar letras,

mas sim sistemas de coisas.

Há as letras do alfabeto, outras caixas:

maiúsculas, minúsculas, caudais e bandeiras.

Há um itálico, um negrito, um itálico negrito.

Tudo isso deve ser criado.

A nossa equipa começa com a Sara Soskolne, a nossa designer sénior.

Jordan Bell é um designer com muito interesse por letras.

Troy Leinster, que vem do design gráfico,

e o Colin Ford é designer de fontes e programador de Python.

Isto são coisas diferentes de relógios diferentes.

Isso é uma concordância entre as letras e números que encontrei.

Adoro as pequenas serifas.

Isso será outra questão. Vai ser com serifas ou sem serifas?

E estou virado para que seja sem serifas.

Vejam isto.

- Sim. - Pois. Acho que são fantásticas.

- Jonathan, aqui está a tua minúscula. - Sim, vamos fazer isto.

Quando começo a trabalhar com os designers,

eles começam a fazer perguntas sobre a direção do design,

o que motiva certas decisões.

Isso faz-me perceber que muitas coisas nas quais tenho pensado

ainda não foram articuladas do modo certo.

Uma das questões cruciais do momento é o aspeto das curvas.

Ia agora perguntar-te o que pensas

da relação entre essas duas.

Sim, acho que temos de escolher uma direção.

Também é uma questão de...

Há muito caos nos primeiros dias de uma fonte de letra,

em tentar perceber o que é sinal e o que é ruído.

Mas acho que trabalhar com uma equipa é a melhor forma de resolver isso.

Algumas últimas palavras antes de saltarmos do precipício?

DECIMAL: ITÁLICO

Historicamente, é difícil encontrar exemplos de itálico

em mostradores de relógios.

Quando começo a dar inclinação à forma romana,

isso cria distorção, e puxa muito peso

no quadrante inferior esquerdo e comprime aqui em cima.

Estes terminais estão muito desiguais.

Pode ser monótono, mas é um puzzle porreiro.

DECIMAL: ULTRA

O ultra é mais pesado do que o negrito. É tão negro quanto possível.

Temos vontade de acrescentar muito peso em todo o lado,

mas temos de escolher onde colocar o peso.

DECIMAL: FINA

Tentarei articular o aspeto da versão fina,

porque não há muito espaço para esconder pormenores.

Estou a tentar manter a mesma proporção

entre o negrito e a fina.

É um pouco por tentativa e erro.

Trabalhar com o Jonathan é espetacular. Ele é muito colaborativo.

Ele faz um protótipo e dá-o a outros para lhe darem asas,

sem terem pudor com o papel dos outros nesse design.

Ele incumbiu-me da versão média, para ajudar com o protótipo.

Descobri que não podemos olhar para as formas que fazemos...

DESIGNER SÉNIOR

... sem ter cuidado com o espaçamento que lhes damos.

É muito importante.

ISTO SÃO LETRAS! PARTE 2 DE 3

ESPAÇAMENTO

A maior parte das formas que os designers de fontes desenham

são as que nunca vemos.

Estas formas complexas são cuidadosamente criadas

para estabelecer o ajuste de uma fonte de letra.

Não são as formas das letras em si, mas sim os espaços invisíveis entre elas.

Um design bem ajustado tem um ritmo consistente,

e alcança um equilíbrio perfeito entre as letras

e o vazio que as contém.

Até as letras mais bem ajustadas precisam de alguma ajuda.

Depois de desenhar o alfabeto,

um designer de fontes aplicará técnicas adicionais

para garantir que as letras encaixam

em palavras e parágrafos com uma textura uniforme.

O espaço entre o H e o O pode corrigir-se com kerning,

o ajustamento individual do espaço entre um par específico de letras.

Mas o kerning é só o início.

Para melhorar o ritmo do F e do L,

melhor do que usar o kerning entre elas, um designer pode criar uma ligatura,

uma combinação de duas ou mais letras,

automaticamente substituída sempre que melhora a leitura.

CEMITÉRIO GREEN-WOOD, BROOKLYN, NOVA IORQUE

Com as fontes, costuma dar-se o caso

de darmos por nós

a ser obrigados a seguir afluentes para lugares que não esperávamos.

Uma razão para estar num cemitério como este

é ver como os maneirismos das letras góticas

mudaram ao longo do tempo.

Um dos desafios da Parliament

é como modernizar esta coisa realmente antiga

de uma forma que seja útil, mas sem deixar de parecer antiga.

Com fontes enraizadas na História,

quero sempre ir além daquilo que já foi feito.

A ideia de encontrar um fóssil apelativo

e simplesmente reproduzi-lo não me parece interessante.

E também não me parece original.

Isto é ótimo.

Tem o mesmo estilo de letra gótica por toda a superfície.

É muito difícil de ler ali, um pouco mais fácil aqui.

Mas, quando a luz a apanha no fim, é simplesmente espetacular.

A legibilidade de muitos destes caracteres vem do modo

como a luz do Sol incide nas formas das letras.

Muitas das fontes que temos visto para o projeto Parliament

são fontes tipográficas góticas, com estes acentos elevados.

É divertido ter um modelo tridimensional com o qual trabalhar

e ver como podemos mudar a construção global do carácter.

E fico curioso para ver, quando o trabalharmos digitalmente,

como podemos conseguir o mesmo tipo de efeito.

O esforço envolvido em desenhar contornos dentro de contornos

e mais contornos

é tremendamente complicado.

Então, temos desenvolvido uma ferramenta para ajudar-nos a fazê-lo.

Pela primeira vez, permite aos designers

controlar mais do que um contorno ao mesmo tempo.

Trabalhar com esta ferramenta vai permitir-nos

não fazer apenas uma ou duas variedades do mesmo elemento,

mas até cinco.

A programação foi sempre uma parte importante do que fazemos.

Em 1991, recebi uma encomenda da Apple.

Estavam a desenvolver tecnologia nova para imbuir uma fonte de inteligência,

para saber como inserir caracteres especiais

em dadas circunstâncias.

Eu andava a projetar uma fonte chamada Hoefler Text.

E andava a dar a essa fonte muitas funções automáticas

como muitas ligaturas, caudais e bandeiras.

E a Apple adquiriu a licença para inclusão no Macintosh.

E, subsequentemente, em todos os iPhones e iPads alguma vez fabricados.

Hoje, as fontes tipográficas que criamos têm de ser projetadas

de formas muito distintas, por vezes,

para vingarem em lugares diferentes.

Um design de fonte de letra para ecrãs

tem de ser imaginada de modo diferente, com as aplicações em mente,

imaginando como resultará num smartphone,

como resultará num relógio.

Pode haver uma fonte de letra concebida para impressão

e que é revisitada com ecrãs em mente.

Fazem coisas como mudar as proporções das formas,

pegar em gestos propensos a congestão em espaços pequenos e abri-los.

Mudam o espaçamento de uma fonte de letra.

Como com todas as tecnologias, deu azo a novas soluções,

mas também oportunidades de fazer coisas mais sofisticadas.

Estamos a trabalhar na Decimal há algum tempo,

e acho que chegámos a uma encruzilhada.

- Como vai isso? - Muito bem.

Há duas ideias diferentes presentes

nas letras e nos relógios que analisamos.

É algo no qual temos trabalhado nos últimos dois meses.

Nada disto parece bem.

- Incluindo o que te dei para começar. - É uma verdadeira questão.

É aqui que fico receoso

que isto seja uma ideia da treta e que devíamos abandonar o barco.

Em muitas das letras dos relógios que vimos,

há letras curvas que são muito redondas.

Um O é quase uma forma oval perfeita.

Algumas são muito quadradas. Como o U, ocasionalmente no fundo.

Há uma tensão entre estas coisas que não é desejável.

É muito mais disruptivo do que gostaria.

Este é o seu aspeto em texto.

A ideia de uma fonte poder não resultar,

há um custo do insucesso associado a isso.

Será que isto ou aquilo resulta? Não sei bem.

Para alguém que tem uma equipa de designers de fonte

a trabalhar para ele, também é um custo monetário.

Quando nos deparamos com um problema, temos algumas opções.

Uma é avançar com força bruta e esperar que tudo acabe por se resolver.

Isso nunca parece resultar. A segunda é abandonar o barco.

decidir que a ideia não resulta e desistir dela.

A terceira opção é

esmiuçar mais as diretrizes do projeto

e ver se conseguimos acrescentar coisas

que o tornem mais flexível, mais interessante.

BIBLIOTECA PÚBLICA DE NOVA IORQUE

Quero ver outros exemplos de letras em tamanhos muito pequenos.

Os relógios são pintados em tamanhos pequenos,

mas estamos na biblioteca, onde a sala de mapas

tem uma coleção de letras gravadas em tamanhos pequenos,

em vários séculos de mapas.

Uma questão numa fonte é: "Vai ser quadrada ou redonda?

Como resolver esses dois sistemas?"

Obrigado.

O auge da produção de mapas do séc. XIX, aí mesmo.

Isto é realmente de loucos.

Isto é ótimo.

Acho que é a nossa resposta para a Decimal.

Alguns belos exemplos de letras redondas e outras não tão redondas.

Isto é um atlas interessante, porque começamos a ver

uma forma diferente de curvas a contribuir para isto.

Há um belo momento no lado esquerdo, onde diz "Great Barrington".

E o O tem uma qualidade quadrada.

É empolgante ver isso aqui, mas igualmente divertido,

nas páginas seguintes,

há um par de ruas neste mapa, a Hubbard street e a Charles Street.

E, em "Hubbard", a base do U tem uma curva muito rasa.

Mas "Charles", mesmo abaixo, tem um C muito redondo.

Acho que este designer se debateu

com muitas das mesmas ideias, que podem ser resolvidas.

Isto é ótimo. É interessante.

Muitas destas letras parecem desenhadas para ser compactas.

Tentam preencher o espaço tanto quanto possível,

como encher um balão dentro de uma caixa.

Podemos criar formas que são curvas, mas de qualidade quadrada.

Agora, podemos redefinir as diretrizes para a Decimal

em termos de compactidade.

Finalmente chegámos a um ponto em que há um tema para esta fonte.

ISTO SÃO LETRAS! PARTE 3 DE 3

ILUSÕES

As nossas tentativas de ver as formas bidimensionais

são atrapalhadas pelas ilusões óticas do nosso mundo tridimensional.

Os designers de fonte tentam compensá-las

ao focar-se não na construção das letras, mas na sua aparência.

E as mais simples podem ser as mais traiçoeiras.

A letra X parece ser composta por duas linhas contínuas que se cruzam.

Mas, para ter a aparência de continuidade, o traço mais fino tem de ser dividido

através de um fenómeno chamado "Ilusão de Poggendorff."

ILUSÃO DE POGGENDORFF

Desmontadas, as fontes nem parecem fontes.

Formas complexas como estas podem estar repletas de ajustes subtis,

necessários para dar a ilusão de continuidade.

Uma curva pequena junto de uma maior é algo que vemos muito numa fonte.

Mas, se ignorarmos o que pensamos que vemos

e medirmos o que lá está,

descobrimos que a curva pequena e a maior são idênticas.

É um efeito engenhoso conhecido como "Ilusão de Jastrow".

E está muito presente na tipografia,

sempre que encontramos duas formas relacionadas encaixadas.

O contexto significa tudo numa fonte.

Quer seja para dar à letra traços grossos e cantos embotados,

ou traços delicados e um vértice aguçado,

não se trata apenas de estilo, mas também de tamanho.

Estas duas formas são projetadas

para parecerem expressões da mesma ideia subjacente,

mas uma é para tamanhos pequenos, e a outra para tamanhos maiores.

Um fenómeno a que os designers chamam "Tamanho Ótico".

TAMANHO ÓTICO

Há 20 anos, a Tiffany & Co. ncumbiu-me de desenhar o logótipo deles

e de fazer uma família de fontes.

Essas duas coisas foram projetadas

para virem da tradição da gravura.

Obviamente, uma joia gravada é um produto icónico da Tiffany.

O logótipo foi um desafio interessante

dado que deve ser consistente em todo o lado,

mas, nos bastidores, criamos logótipos numa variedade de formas.

O logótipo vai aparecer numa bandeira flutuante

ou num toldo plano

ou num alto-relevo em metal.

Significa fazer ajustes nas formas das letras,

para que tudo se apresente do mesmo modo.

Este projeto começou em 1999

e, em 2000, eu fiquei noivo.

E houve um momento estranho

no qual eu tinha acabado de enviar a fatura ao cliente pelas letras

e fui levantar as nossas alianças.

E havia um item no recibo pelas letras.

E, é claro, era a inscrição no interior das nossas alianças,

que inclui o logótipo da Tiffany em tamanho pequeno.

DIRETORA-EXECUTIVA DA HOEFLER & CO

A Carleen e eu começámos a namorar em 1999.

Ela juntou-se à empresa alguns anos depois

e, agora, é a nossa diretora-executiva.

Passou anos a dirigir o marketing e, agora, dirige a empresa.

Meu!

Quais são as vantagens de serem casados e trabalharem juntos?

Sabe o que é bom?

Nenhum dos dois

pode ficar chateado com o outro por ter muito trabalho para fazer.

Porque sabemos realmente o trabalho que têm para fazer.

Dei com a Carleen em doida durante quase 20 anos com...

... uma fonte a ser lançada em janeiro e, de repente, é março.

"Está quase pronta." E depois, é junho.

"Pronto, já acabou, mas tenho uma ideia nova."

Sei que eu dava contigo em doida por isso. E será sempre assim.

Mas acho que conseguimos os dois comprometer-nos

a fazer as coisas que queremos fazer, da forma certa.

A Carleen trata do negócio, e eu trato do lado criativo.

Vemos essas coisas como inseparáveis.

A Carleen teve a ideia de que precisávamos de uma montra

onde pudéssemos promover as nossas fontes tipográficas.

Então, criámos uma coisa chamada Discover Typography,

onde podemos criar temas que são interativos.

- Fizemos... - Há 12.

Devia haver mais, mas são difíceis de fazer.

A Wanderlust é inspirada em etiquetas de viagem vintage.

A Barrel Proof é baseada

em panfletos de uísque. - Sim.

A Redline é baseada em coisas com números.

Menus.

Take a Number são números com que nos deparamos.

- Essa foi divertida. - Matchbooks.

Na Trail Mix, pensámos na ligação entre campismo e design.

Isto é um novo método para nós, em termos de marketing de fontes.

A Parliament está concluída.

Agora, vamos executar as coisas da última hora.

Vou sentar-me com Brian Hennings, o diretor criativo,

e tentar encontrar formas de apresentar as fontes

de um modo envolvente.

Que exiba as melhores coisas que as fontes podem fazer,

mas também para ajudar a criar o tipo de cultura

compreensível para o público sobre o que é suposto uma fonte conotar.

A Parliament é tão excêntrica.

Fico ansioso por ver onde vai ser usada.

Trabalho na Parliament há 25 anos.

E o último ato da fonte tipográfica é vê-la ser usada no mundo

e ver o que as outras pessoas pensam dela.

O sonho nunca morreu. Ele perdura.

Uma coisa agradável em ser designer de fontes

é que não sabemos onde o nosso trabalho vai parar,

e podemos ser subitamente confrontados com ele no universo público.

A Gotham é um belo exemplo disso. Foi algo que criámos

quando o Tobias Frere-Jones e eu trabalhávamos juntos.

É uma das nossas fontes mais conhecidas.

No final dos anos 90, passei no terminal de autocarros de Port Authority,

que tem umas letras maravilhosas na fachada da Eight Avenue.

Pareciam a ideia elementar de alguém do que são letras, simplesmente.

Quis fazer uma fonte baseada nisso

porque me pareceu muito icónico e familiar.

Fui o diretor de design da campanha presidencial de Obama de 2007-2008.

A Gotham expressava os valores americanos.

Ter aquele arrojo, aquela franqueza e honestidade,

que podemos ver quando dispomos as letras M-U-D-A-N-Ç-A.

Começamos com: Quando olhamos para a forma de uma letra

ou de uma palavra,

isso comunica algo mais profundo do que a palavra em si?

Isso incute outro significado em nós? Subconscientemente,

acho que todas as formas de letras o fazem.

Resume-se à qualidade emocional que queremos transmitir com a palavra.

E essa é a oportunidade que temos com a tipografia.

É impossível para mim dizer

que havia algo na fonte tipográfica que foi determinante para a campanha.

Mas, na última corrida à Casa Branca,

houve 69 candidatos a usar a Gotham, em ambos os partidos.

Começámos a ver a Gotham como a fonte que os políticos usam

porque tem um historial de sucesso.

É emocionante perceber que aquilo a que nos dedicamos

é apreciado por outra pessoa no mundo, pelo menos,

ao ponto de usá-la em alguma coisa.

A pedra basilar do novo World Trade Center

foi projetada por Michael Gericke, da Pentagram,

e a inscrição foi feita com a Gotham.

O Michael escolheu a Gotham porque ela pertence à cidade.

É uma fonte de letra

que foi criada com base em letras de Nova Iorque.

Foi um momento espantoso na minha carreira.

TRIBUTO AO PERSISTENTE ESPÍRITO DA LIBERDADE

Foi muito comovente.

Não podemos ser nova-iorquinos sem ter a nossa própria história do 11/9.

Ter essa relação particular com a reconstrução

foi realmente incrível.

Penso em todos os lugares onde vi a Gotham,

e aquele é o mais profundo. É uma das coisas que me ocorre primeiro.

É uma sensação estranha concluir uma fonte tipográfica.

A Decimal tem evoluído.

Este era o G original.

Temo-lo feito mais quadrado, muito lentamente.

Foi assim que o S começou.

E também se tornou gradualmente mais quadrado.

Começámos com este 4.

E esta é a versão final.

Chegámos a um ponto

em que o equilíbrio entre quadrado e redondo

não requer duas abordagens, mas apenas uma,

na execução das formas das letras.

Está com bom aspeto.

Pois está.

- É ótimo ver a variedade... - Sim.

Estou empolgado com a Decimal. Evoluiu muito desde as letras de relógios.

Seria difícil olhar para um relógio atual

e ver que a Decimal derivou disto.

Gosto do facto de...

Nem consigo descrever. Quase que parecem letras gravadas.

Parece a edição em cobre ou assim. E, porém, não é pesada.

Poderão usar esta fonte

de uma forma totalmente desvinculada das suas origens.

Esperemos que isso a torne versátil. Fico curioso para ver como será usada.

Se as pessoas vão sentir que tem um legado por detrás,

ou se lhes vai parecer totalmente nova.

Adoro a forma como estas escoras resultaram no ajuste.

É tão agradável para escrever.

É muito gratificante ver

que aquela coisa muito pequena e misteriosa

que fazemos se torna uma parte importante

do tecido da comunicação e do mundo.

Uma das coisas mais gratificantes para mim é ver os modos

como as pessoas usam o meu trabalho, sob formas que nunca esperei.

O modo como descobrem novas vozes para a tipografia

que fazem avançar as coisas.

Está a mudar a forma como as pessoas falam entre si.

É empolgante ver isso.

Legendas: Joana Lima Martins

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