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- Nome? - Luis Núñez Rosales.
- Idade? - Dezoito.
- Alguma condição médica? - Não.
- Sífilis? - Não.
Sente ou já sentiu atração por alguém do mesmo sexo?
Não.
- Sofreu abuso? - Não.
Já manuseou armas?
Meu pai é militar. Ele me ensinou a disparar.
Ele está ativo?
Não sei, ele não mora com a gente.
- Já pensou em machucar alguém? - Não.
Histórico de doenças mentais na família?
Não.
Como se sente quando fica com raiva?
É... Normal.
Só me sinto mal.
Precisa de seguro médico?
Sim, para minha mãe e para mim.
Documentos.
Diabética?
- Antecedentes penais? - Não.
Certidão de antecedentes?
- Filhos? - Não.
Por que quer ingressar no Colégio Militar do México?
Porque eu gosto. Sempre gostei.
Para ter oportunidade de ser alguém na vida e estudar.
Próximo!
Podem virar.
Bem juntinhos.
- Silêncio! - Inclinem-se.
Chega pra lá. Tô sentindo o cheiro do seu saco.
Silêncio!
Mais inclinados.
Com licença.
Vão andar na ponta dos pés em volta de mim.
Luis Núñez Rosales! Gerardo González Lugo!
Mario Caicedo Andrade!
Sou o Sargento David Herrera. Vocês fazem parte do meu pelotão.
Sigam-me.
César Iván de la Cruz! Edwin López Cortés!
Atenção Segunda Companhia! Sentido! Agora!
Descansem.
Potros...
Bem-vindos à Segunda Companhia de Infantaria.
Das dez companhias do Colégio Militar,
esta é a mais dura porque sou o responsável.
Sou o Primeiro Sargento de Cadetes de Infantaria Eugenio Sierra
e quero deixar claro...
Aqui não importa quem são ou de onde vêm.
Não importa se são brancos, pardos ou negros.
Se têm dinheiro, se não têm dinheiro.
Aqui todos começamos igual.
E se não se acovardarem,
em quatro anos serão oficiais comandando tropas do exército mexicano.
Vocês entendem a sorte que têm?
Há um monte de soldados por aí que matariam por essa oportunidade
e hoje vocês estão aqui.
Então toda vez que quiserem fazer merda, quero que pensem:
“Como sou sortudo de estar aqui.”
“Como sou sortudo de estar aqui.”
Porque aqui não somos rasos.
Não viemos aqui para encher o bucho três vezes por dia,
somos mais do que isso.
Vieram para cá se tornar oficiais, homens...
Mas potros, que fique claro...
Acabou o conforto, acabaram as lembranças.
São homens novos.
A encheção de saco, os murros e os tapas não serão em vão.
São para que sejam de fibra.
Têm que aguentar a vara e segurar a onda.
Porque não quero vê-los chorando
para suas mães ou namoradinhas nos dias de visita.
Porque aqui as lágrimas são pagas.
- Ou não? - Sim, Sargento!
E você, moleque?
Tira a mochila, cara.
Quero que saibam que tudo isso não é por vocês.
Não é por vocês, nem por seus superiores nem por ninguém.
É para o bem do México. A coisa está quente lá fora.
- A coisa na sua cidade está feia? - Sim, Sargento.
Têm que ser capazes de sacrifícios pela pátria, se necessário.
Nós vamos fazer de vocês homens maus.
Uns filhos da puta.
Mas quero que confiem em mim.
Vão me agradecer quando estiverem lá fora.
- Está ouvindo? - Sim, Sargento.
Então preste atenção, moleque.
E para verem que não estou falando só por falar.
Aqui estou no comando porque ninguém quis me desafiar.
Eu fiz por merecer.
E vou provar agora mesmo.
Se algum de vocês me desafiar,
mesmo que se foda, fica isento um ano de qualquer abuso.
Só por ter coragem.
Segundo, terceiro e quarto anos, estão de acordo?
Sim, Sargento!
Alguém?
Porra. Ninguém, potros?
Do que têm medo?
Que as malditas câmeras vejam como me xingam?
Não se preocupem. No escuro não se vê nada.
Levantem, dorminhocos! Bom dia, escória!
Saudação! Agora!
Por parte da Primeira Companhia, temos um ausente de segundo dia.
- São as novidades. - Entendido.
Meia-volta!
Agora!
Ajudante da Segunda Companhia! Novidades!
Agora!
Segunda Companhia sem novidades.
- Escultura legal, né? - Meia-volta!
- É. - É para um deus asteca.
- Me chamam de Rato. - Luis.
Ei. Para comer tem que ficar reto.
A colher vai em direção à boca. Assim.
E como você sabe?
Meus pais são militares.
E dos meus irmãos, eu fui o único que entrou. O resto é preguiçoso.
- Meu pai também. - É preguiçoso?
Militar.
Vocês também são potros?
- Sim. - Sim.
Acho que estamos no mesmo pelotão.
Meu nome é Gerardo, mas me chamam de Rato.
- Mário. - Luís.
Arturo.
Bem-vindos, potros.
O que você acha?
- Não está mal. - Um pouco.
Potros, por que não tenho água?
Não sabem que primeiro o superior é servido?
São muito apáticos, rapazes.
Dez segundos para terminar o que tem no prato.
Dez, nove, oito, sete, seis, cinco, quatro, três, dois...
Não está comendo, cara?
Não.
Tem certeza de que não vai comer?
Venha, vamos.
- Venha, eu disse! - Lopez!
Dê uma chance a eles.
Potros, venham para cá.
Sentido, potros.
E a três passos, pela covid.
Quem lhe deu permissão para falar, terceiro ano?
Além disso, já está vacinado. Que porra é essa?
- São do seu pelotão, Herrera? - Afirmativo.
E o que estavam fazendo sentados ali?
Já estavam se metendo em confusão, né?
- Olhando em frente, o que veem? - Ele é meu amigo, hein.
Então tenham cuidado, seus malditos potros.
Sabe por que os chamamos de potros?
Já viu um potro nascer?
Com suas perninhas todas tortas, sem saber o que fazer.
Precisam de força e aqui vamos lhes dar.
Retirem-se.
Cessar-fogo!
De onde você é?
Acaxochitlán. E você?
Naupan.
É perto.
Você vai lá sempre?
Todo mês. E você?
- Não fala nahuatl? - Prefiro espanhol.
Acho que vou toda semana.
Tenho uma filha.
- Sério? - Sim. Ela tem nove meses.
- Achei que não podia ter filhos. - Eu não contei a eles.
Quem cuida dela?
Minha namorada mora com minha mãe.
Por isso entrei aqui.
Foi a condição da minha mãe para nos ajudar.
A essa altura quero acreditar que já sabem nossos nomes.
Caso tenham esquecido, é a única vez que vou lembrar.
Eu sou o Sargento Herrera e este camarada é o Sargento Carrasco.
Não brinque, maldito potro... Camarada, olhe só...
- Por que está de quepe no quartel? - Você é taqueiro? Que porra é essa?
- Está errado, moleque. - Fale. Fiz uma pergunta.
Eu me confundi, Sargento.
Por que se confundiu? Ninguém te ensinou?
Quem é seu segundo ano?
Quem é seu segundo ano, moleque?
- Fale! - Cabo Hernández, Sargento.
O quê?
- Cabo Hernandez, Sargento. - Está entregando sua cabeça.
Vamos, vire para lá... Para o outro lado.
- Alguém mais de quepe? - Não, Sargento.
Você é o único idiota nesta companhia ou o quê?
- Tire, agora. - Tire o quepe!
Tire o quepe agora! Por que ainda está com ele?
Venha, filho... Pule.
- Meu filho, de onde você é? - Toluca, Sargento.
- Por que entrou no exército? - Necessidade, Sargento.
Só entrou aqui por falta dinheiro?
Para ajudar a minha família e a minha mãe, Sargento.
Um, dois! Um, dois! Um, dois, três, quatro!
Um, dois! Um, dois! Um, dois, três, quatro...
Um, dois! Um, dois! Um, dois, três, quatro!
Um, dois! Um, dois! Alto! Agora!
Você! Venha aqui.
- Qual é seu nome? - Arturo Suárez, Tenente.
E não sabe qual é sua perna direita?
- Esta, Tenente! - Vinte flexões.
- Um, dois, três, quatro... - Comece de novo e bem-feitas.
- Um, dois... - Descansar! Agora!
- Vejam se ele faz bem. - Sete, oito, nove, dez, onze, doze.
Luis!
Luis Núñez! Venha aqui!
Por que estão virando, potros? Quem falou com vocês?
Siga-me.
- Bom dia, Sargento. - Descansar.
Sargento. Aqui está o potro que me pediu.
- Obrigado, retire-se. - Com licença.
Relaxe, sente-se.
Sente aqui, colega.
Vamos fazer de conta que estamos lá fora. Somos iguais.
Núñez, né?
- E qual seu nome? - Luis Núñez.
Luis.
E por que está nervoso?
Um passarinho que me contou que você atira muito bem.
É?
- Onde aprendeu? - Com meu pai.
Legal. Militar?
Sabe que é ilegal que um militar facilite armas a alguém?
Mesmo que seja seu filho.
Estou brincando, moleque!
Vai folgar no fim de semana?
Legal. Vamos fazer um trabalhinho no sábado.
- Saímos cedo. - Sim, Sargento.
Gostei de você.
Isso é bom.
- Vai. - Com licença.
Em dez, todos em suas camas!
Aqui, cara.
- E eu? - Ele atira melhor que você, né?
- Aonde estamos indo? - Fazer um trabalhinho.
Ordens de cima, fica tranquilo.
Para na primeira floricultura que vir.
Passa pra frente, potro.
Quando sairmos, acelera. Qualquer coisa, me cobre.
Oi, entrega de flores.
- Boa tarde. - Boa tarde.
Abre! Destrava, irmão!
Acelera, irmão! Vaza!
- O babaca queria a mulher dele. - Mas levou um bom soco.
Esses moleques não sabem brigar.
Núñez bateu bonito, irmão.
Que bom, ele tem que perder o medo.
Vou fazer igual meu camarada, pego o cara, jogo no chão e bum.
- Esmagou a cara dele no chão. - Se não fosse o guarda, matava ele.
- E aí? - Tudo bem e você?
Tudo. Saudades!
Sua mãe não pôde vir, mas ela te mandou isso.
- E como ela está? - Bem. Temos ido ao médico e...
Está indo bem. Ela está tomando os remédios.
Obrigado.
Eu vi você no desfile. Estava lindo.
- É, eu estava do lado direito. - É, eu te vi.
- O lugar é enorme. - É, né?
- É! - Atrás desse prédio ficam os quartos.
E deste lado fica a piscina e o refeitório.
Legal!
- Está tudo bem? - Tudo, só estou cansado.
E como são as aulas? O que faz em um dia aqui?
Acordamos às cinco da manhã. Daí vamos para a chamada,
vamos marchar e daí tem as aulas o dia todo.
- Legal. E já atirou? - Já.
Lembro que seu pai te levava para atirar e que você gostava.
- Ele te procurou? - Não.
- E como você veio? - De ônibus.
Primeiro cheguei em Taxqueña e depois vim pra cá.
- E quanto tempo? - Tipo três horas.
Mas valeu à pena. Quando você vai nos visitar?
- Acho que no próximo mês. - Sentimos sua falta.
- Luís. - Eu também.
- Oi, Mario. - Azucena e Lupe.
- Olá. - Andrea, esse é Mario.
- Muito prazer. - Muito prazer.
- Cara, ela pode vir aqui? - Qualquer coisa digo que é sua.
Azu, diz oi pro seu tio.
O moral está muito baixo? No final desta semana estou fora.
Só uma visitinha amanhã e vamos.
Aquelas batatas com carne me fizeram mal semana passada.
- Toda semana, cara. - Há quanto tempo estamos aqui?
- Só há vinte e cinco minutos. - Ainda tem tempo.
Ei, mãos pra cima, moleque.
Mãos pra cima! Mãos pra cima, moleque!
Ele vai acordar quando o sangue fluir.
- Vamos, moleque. - Deixa de ser idiota, cara!
- São todos malditos... - Acorda, idiota!
Ei? Acorda, filho da puta! Quer que eu mije em você?
Arturo! Arturo!
E você? Para onde te levaram outro dia?
Fui fazer umas coisas. Queriam que eu dirigisse.
Eita!
Viu só? Já está se dando bem com os sargentos e tal.
Só não esquece de nós.
Cuidado. Esses caras te ferram na primeira chance.
- Não seja invejoso, irmão. - Inveja de quê?
Você não vê como tratam Arturo? Não confia, cara.
Cara... Aqui é assim, irmão.
No ano que vem vamos descontar nos novos potros.
Não, cara. Nem a pau.
Já vou.
Como podemos observar, temos um cenário geográfico,
onde podemos realizar práticas de reconhecimento e de combate,
assim como de orientação, conforme o manual de operações em campanha
- e contra emboscada. - Major.
- Permissão para dizer uma mensagem. - Autorizado!
Claro.
Terminou a aula. Até a próxima semana.
Silêncio, potros!
Atenção, Segunda Companhia! Sentido! Agora!
Vamos ver.
Vejo que também temos potros da Quinta Companhia...
Da sétima...
Vocês são péssimos, mas venham comigo.
Todos! Sentido! Agora!
Vocês não, meninas. Seus superiores se encarregam de vocês.
Deixe seus cadernos aí, amanhã vêm buscá-los.
- Todos lá fora! - Vamos, potros!
- Vamos! - Andem!
Mexam-se, pedaços de merda! Filhos da puta!
O que veem, idiotas, são pedaços de merda!
Não servem para nada! Mexam-se, cadelas!
Parecem putas! Vamos!
Entra aí, potro. Vai.
Oi, velhinha.
Esse é o cara.
- Onde estava? - Me escondi. O que foi?
Nos levaram para a piscina. Quase nos afogaram.
- Vocês estão bem? - Sim, mas Arturo se deu mal.
Filho da puta, potro! Desce daí!
Não sabe que não deveria estar na cama e de uniforme?
Começa a pular, vai!
Vai assim até a Quinta Companhia e me traz um refresco, entendeu?
Nuñez, Sierra quer você.
- Camarada, aqui está o cadete. - Obrigado, camarada.
Vem.
Fez tudo direitinho naquele dia, hein?
Sabe que o trabalhinho fica entre nós, né?
Sim, Sargento.
Se colar comigo, vai ficar tudo bem.
- Te tirei do batismo, né? - Obrigado.
Ela fode bem?
Tua namorada, homem, que veio te ver.
- Bem. - É boa?
Fode mesmo.
Mete.
Enforca ela e se não falar nada é porque ela gosta.
E aí mete no cu.
Mas na próxima vez pede para trazer umas primas, né?
- Sim, Sargento. - É isso aí!
O que é isso aí, comadres?
Não sabem que não pode usar o celular?
Venham para cá.
O que estavam vendo?
Dá o play.
- Ela vai se suicidar. - Olha como termina.
Caralho de asa!
- Trinta metros. - Trinta, quarenta metros?
Porra, que queda! Ele virou papel.
- De trinta metros não sobra nada. - Explode.
- Parece o Gonzo. - Não é seu irmão?
Que molengas!
Um, dois, três!
- Vai, Herrera. - Vamos ver.
Um, dois, três!
Vai com tudo, potrinho.
- Ah, parou! - Não, parou!
Aproveita, porque está com essa cara?
- Está deprimido. - Curte, filho da puta...
Um, dois, três!
Esse foi longe!
Arturo... Arturo!
- Limpo! - Limpo!
Isso é frio ou medo?
Você está comigo, potro.
Mas preciso saber que me respeita.
Olha pra mim.
Ele é seu amigo, né?
Vai.
Bata nele.
Vai.
Vai, potro!
Vai!
Vai, potro!
Vai, filho da puta!
Vai! Vai! Vai! Vai! Vai! Vai! Vai! Vai! Vai!
Arturo!
Arturo?
Arturo!
Arturo!
Terceiro! Quarto! Mexam-se!
- Sabe onde está Arturo? - Não sei, não vi.
- E Arturo? - Não sei, cara.
Atenção, Segunda Companhia! Sentido! Agora!
Todos ao lado da cama!
Vejam, potros! O viado camarada de vocês.
- Desertor! - Viado!
Civil de merda, vamos ver se quer mesmo.
Espero que tenha vergonha quando voltar para casa
e sua família vir que você não conseguiu.
Faltou...
Que lerdeza! Pega suas coisas e sai daqui!
- Com licença, Tenentes. - Vai!
Aqui não tem lugar para gente fraca.
Te pego na saída!
- Desertor! - Viado!
- Lixo! - Vai ficar com a mamãe!
Como Arturo deve estar?
Espero que bem.
Herrera e Sierra que fizeram isso com ele.
Fizeram com todos.
Mas eu não vou deixar.
Já volto. Vou buscar sabão.
Melhor passar despercebido.
Eles não vão me quebrar.
Vamos juntos até Pachuca?
Tenho que levar o remédio da minha mãe.
- O que ela tem? - Diabetes.
- Te acompanho. - Bora.
Tem certeza de que não quer ir? Tem um sofá na casa da minha mãe.
Não, na próxima semana vou para minha cidade.
- Valeu mesmo. - Falou!
- Obrigado. - De nada.
- Até domingo. - Certo.
Vamos acabar assim?
Talvez você, eu não.
- Boa tarde. - Boa tarde.
- Vim buscar alguns remédios. - Documentos?
Aqui estão.
A que horas você volta no domingo?
- Umas três. E você? - Tipo uma, para não chegar tarde.
- Vou esperar o ônibus. - Até domingo.
- Filho. - Olá, mãe.
- Você não ia chegar às três? - O ônibus atrasou.
Seu tio não pode me levar à clínica amanhã.
Eu levo você.
E aí, amigo?
Eu quero sair.
Eu quero abandonar.
Não se importa comigo?
Mãe?
O quê?
Meu tio levou você à clínica?
Sim.
Quer jantar?
Não.
Deixei seus remédios lá embaixo.
Obrigada.
Porra, que nojo!
Que nojo! Como se faz isso?
Que doideira!
Ele pegou assim, né?
O que está fazendo agarrando um sargento?
- Tudo bem, tranquilo. - Não é certo.
Calma, não aconteceu nada.
- Potros, aquecer os assentos! - Mexam-se! Escutaram!
- Está esperando o quê? - Vai, você ouviu!
- Rápido! Todos! - Mexam-se!
Saiam do banheiro, potros!
- Ei... Obrigado. - Tranquilo. Estamos juntos.
Sentido, seus otários.
Espero sentir os vasos a trinta graus, filhos da puta.
Sentido, otários.
Toma.
Quero bem limpas para amanhã.
- O que estão esperando? - Mexam-se!
- Cara, o que foi isso? - Não sei.
- Vamos. - Não, cara.
- É melhor chamar um oficial. - De jeito nenhum! Vai ser pior.
Não, cara. Luis!
Levanta, otário!
Enfia a mão!
Você é o fodão, né?
Por parte da Primeira Companhia, sem novidades!
Entendido. Meia-volta!
Agora!
Em frente, Segunda Companhia! Novidades!
Agora!
Segunda Companhia, sem novidades!
Entendido!
- Como que sem novidades? E Mário? - Não sei, cara.
Tem que respeitar o outro.
Tem que respeitar os direitos do outro.
E para as Forças Armadas é fundamental
respeitar os direitos da sociedade civil.
E respeitamos no que nos diz respeito diretamente.
Não respeitamos apenas os direitos dos outros,
mas também garantimos os direitos com as armas...
se necessário.
Para isso somos as Forças Armadas.
Se constatarmos que há ataques contra as liberdades dos mexicanos,
seremos os primeiros a defendê-las.
Com licença.
Não apareceu nenhum cadete chamado Mario?
Não.
Tem certeza?
Mário Caicedo.
Não, nenhum Mário.
Alto!
Quero ver o General Arriaga.
Sai fora, potro, se não quiser que te prenda.
Um!
Dois!
- Faz direito ou vai nos ferrar. - Um!
- Deve estar na enfermaria. - Não está, fui lá.
Aqui é assim, cara. Sempre desaparece um potro por ano.
É brincadeira.
- Talvez esteja dando baixa, cara. - Ele teria dito.
- Aí eu não sei, cara. - Vocês dois! O que estão fazendo?
Passem para cá!
- Vão pagar! - Merda.
Rápido, rápido, rápido! Paguem aí! Prontos!
Um!
Dois!
Troca.
Um!
Vão comer sem fazer a oração do potro?
Com sua permissão, excelente cadete do quarto ano que está presente.
Estou me preparando para comer alimentos sagrados sem merecê-los.
Já que sou um potro insignificante,
que não tem direito ao ar que respiro nem à luz do sol,
nem à luz elétrica que paga o povo sofredor do México.
Amém.
General. Solicito permissão para ter uma audiência com o senhor.
Veja com seu superior.
É sobre o desaparecimento de um estudante.
O nome dele é Mário Caicedo. Estava no meu pelotão.
Amanhã às seis da tarde no meu escritório.
Anotado, General.
- O que você tem? - Nada.
Como nada? O que disse a ele?
Passei uma saudação do meu pai.
- Seu pai o quê? - Foi camarada dele.
Vai sentar, não pode ficar em pé.
Tenho uma audiência com o General Arriaga.
- Nome? - Luís Núñez.
Sente-se.
Ele não teria ido assim.
Ele teria me avisado, meu filho.
Ele teria me contado.
Senhora!
Ele teria me dito para onde estava indo.
Ele teria me dito...
Ele teria me dito para onde estava indo.
Senhora!
Meu filho! Não!
Ele não teria saído assim...
Senhora!
Meu filho! Não!
Senhora!
Meu filho!
Descansar.
Entre.
Veio pela questão do cadete que desistiu?
Sim, General.
Por que não olha nos olhos das pessoas quando fala?
Venha.
Sente-se.
Aqui somos todos iguais.
Olha, se quer fazer carreira aqui,
tem que virar homem e parar de timidez.
Porque a vida civil é difícil para pessoas como você e eu.
Mas com isto...
nós somos a autoridade.
Você vai se tornar a autoridade.
Não importa quem você é ou de onde você vem.
Aqui formamos os futuros generais do exército mexicano.
Um dia você pode estar sentado aqui onde estou,
mas precisa se tornar um homem.
Começando olhando nos olhos.
Aqui está sua baixa. Assinada por ele.
Para onde ele foi?
Você sabe quantos alunos tem aqui?
São mais de mil e quinhentos. Mil e quinhentas famílias.
Controlo o que acontece aqui, lá fora cada um faz o que quer.
E quando seu amigo assinou a saída, não é mais minha responsabilidade.
Mas eu vi como bateram nele. E terminou mal.
Depois o tiraram daqui. Deve estar nas câmeras...
Quer fazer uma acusação formal?
Sei que, às vezes, os alunos vão longe demais nas suas brincadeiras.
Mas aqui não tem ninguém preso.
- Bem. Com licença... - Luis.
- Luis, tenho coisas para fazer. - Sim, General.
- Seu nome completo? - Luis Núñez Rosales.
Quem é o sargento assistente da sua companhia?
Eugenio Sierra.
- Pode ir, Luis. - Com licença, General.
- Obrigada. - Sim.
- Pronto? - Não.
- Queria te perguntar uma coisa. - Sim.
Quanto custaria o tratamento se não tivesse seguro?
Meu filho, não sei... Você sabe?
Sua mãe vem duas vezes por semana?
Sim. Às vezes até três.
São dois mil pesos por sessão.
Mas vocês têm seguro militar, não?
Sim, obrigado.
Este aqui é duzentos. Confere.
- E este? - É trezentos, mas é de combate.
É por isso que tem a... lâmina curva.
- Este mesmo. - Ok.
Para que quer isso?
- Para que quer isso? - Pediram na escola.
Desculpe.
O que foi, potro?
Cadê?
- Do que está falando, potro? - Cadê Mário?
O que você quer? Relaxa.
Vai se foder, potro idiota.
Que porra é essa, idiota? Ele é nosso amigo.
Se te virem com isso, vão te expulsar.
Me dá, cara.
Vamos, potro.
Vocês vêm também.
O que foi? Oi!
Olha, potro.
Não sei onde está seu amigo, mas não importa.
Você veio forte para nos ferrar.
Agora é um homem de verdade.
Pega.
Mata ele.
Ou você mata ele ou nós matamos você!
Você não vem aqui para pensar, vem cumprir ordens!
Mata! Mata logo, otário!
Vai, filho da puta! Quinze e já matou!
Quatorze! Treze! Doze! Onze! Dez! Nove!
- É pra hoje! - Oito! Sete!
Seis! Cinco! Quatro! Três! Dois! Um!
- Caralho! - Ele fez.
É para o seu bem, potro.
Vamos.
Oi, amor.
Nada, nada. Tudo bem?
Saudade de você.
Tá tudo bem.
O que você fez hoje?
Com sua mãe?
- Um! - Um!
- Dois! - Dois!
- Três! - Três!
- Quatro! - Quatro!
- Cinco! - Cinco!
Sentido! Agora!
- De novo! Um! - Um!
- Dois! - Dois!
- Três! - Três!
- Quatro! - Quatro!
- Cinco! - Cinco!
Sentido! Agora!
Rato!
Rato...
Rato! Rato!
O que está fazendo?
- Vicente Suárez! - Morreu pela pátria!
- Francisco Márquez! - Morreu pela pátria!
- Agustín Melgar! - Morreu pela pátria!
- Fernando Montes de Oca! - Morreu pela pátria!
- Colégio Militar do México! - Pela honra da pátria!
Por que não atirou?
Olha na minha cara. Não seja viado.
Assim.
Preciso que me compre isso.
Me vê um sabão e uma Coca, por favor.
Vamos ver!
- Quem te mandou? - Um amigo de fora.
- Toma. - Pausa aí.
- Está faltando. - Não tinha gilete.
- Compra no fim de semana. - Eu não tenho dinheiro.
Que pressa, cara. Tudo bem.
Vem com a gente, irmão, com seus comparsas.
Que coisa nojenta.
- Não consigo ver isso... - Viadinho.
Mas me conta tudo.
Está com a arma na cabeça e as garotas estão gritando.
Fizeram um buraco enorme no crânio. Os miolos estão saindo.
Largou o fuzil.
Pegou o machado e foi para a outra garota.
Começou a cortar a cabeça...
e a fazer buraco na barriga. Caraca...
Cortou a cabeça, segurou e colocou na frente da câmera.
Acha que eu não sabia que ia fofocar para o general?
Potros, levantem. Vocês vão depois.
Potro, estou falando com você!
- O que aconteceu, camarada? - Qual foi?
Este potro vai primeiro que vocês.
É um potro.
Foi isso que acabei de dizer, idiota.
Que o potro vai primeiro.
Você vai nos passar pra trás por um potro?
Vou.
- Cidadão, este é o primeiro. - Sim.
Cai fora.
Está vendo tudo que eu faço por você?
Terminando, te encontro na piscina.
- Herrera, para onde vão te mandar? - Tomara que pro norte.
Quero fazer umas operações antes de terminar o curso.
- E você, Sierra? - Gostaria de Quintana Roo.
Não, otários não entram lá.
- Guerrero com certeza. - Foda-se!
Núñez!
Olha esse viado.
Nem um sorrisinho para seus sargentos que o mimam.
São ingratos os potros de agora.
Vaza.
Ninguém entra.
Entra aqui. De cueca mesmo.
Temos outro trabalhinho no sábado.
Saímos de manhã cedo.
Acha que eu gosto disso?
- Do quê? - Disso.
De estar aqui. Do frio, das pancadas.
Você me lembra de quando eu comecei, potro.
Por isso eu quis te dar o crédito.
Você vai ser como eu.
Vamos dar um salto?
Vamos pular.
- Tudo bem? - Mais ou menos.
- Olá. - Oi, primo.
Olá.
- Olá, Luis. - Oi.
- Oi, tudo bem? - Oi.
Levanta e cumprimenta direito.
Não se preocupa, ele deve estar cansado.
Oi, tio.
Tudo bem? Como está indo na escola?
Bem.
Você vai ser uma potência. Lembra do tio quando ficar rico.
Já volto.
Entra.
Sentem, já vou servir.
Ei, você já sabe atirar?
Me ensina?
- Você quer ser soldado? - Sim.
Levante.
Se endireite.
Fique reto.
Junte os pés, potro.
Cumprimente.
O que é isso? Está na porra da escola primária?
Está aqui, potro.
Está desrespeitando um superior. Venha cá.
Vamos.
Aqui, cara.
Desta vez você vai com a gente.
É a casa de um trafica.
Mandaram dar um susto.
É nossa responsabilidade, potro. Pelo bem do país.
Melhor não usar, hein?
Sai, velha. Onde está o capitão?
Cadê ele? Não me deixa com raiva, sua vaca! Cadê?
Cadê? Está ouvindo?
Calma, capitão. Fica aí! Sobe! Sobe!
Rápido!
É o mais rápido que posso.
- Pai! - De joelhos, moleque!
- Todos de joelhos! - De joelhos, escutaram?
- De joelhos! - Amarra eles.
- Aponta pra eles! - Mãos para trás.
- Mãos para trás, linda. - Calma.
- Cala a boca! - Abre a boca.
Abre a boca, caralho.
É isso. Entra neste quarto. Você vai pra este.
Se tentarem alguma coisa, você atira!
Capitão, já sabe quem te mandou isso?
- Linda, vem aqui. - Não, não, não...
- Vem, babaca. - Deixa ele!
Vem, vem...
- Não, não! Me solta! - Solta ele!
Cumprindo as ordens do Alto Comando
do sistema educacional militar, formamos militares profissionais
com sólidos valores, respeitadores dos direitos humanos.
Sejam um exemplo para o povo do México,
pois percorreremos um caminho com inúmeros obstáculos e distrações,
que tentarão desviá-los do percurso que traçaram.
Devem enfrentar um mundo complexo.
Vocês são responsáveis pela segurança das e dos mexicanos.
Colégio Militar do México!
Pela honra da pátria!
Que delícia!
O que está fazendo?
Tradução: RENATA PENEDO
Legendagem: 4ESTAÇÕES
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