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Em rela��o �s hist�rias de pesca...
... elas come�am sempre num barco.
Estava um dia quente e abafado na Florida.
N�o o diriam pelo equipamento caro,
mas o James Mayberry nunca tinha pescado.
- Est� preso? Sim. Vamos? - Est� bom? Vamos l�.
- Sim, vamos a isto. - Certo.
� como se costuma dizer. A primeira vez nunca se esquece.
Lou! Louisa! Querida, ainda n�o tenho a cerveja.
- Tratas disso? Por favor. - Sim.
Eu disse que sim.
Adoro fretamentos de luas de mel. S�o t�o rom�nticos.
� divertido falar contigo. Tens um certo brilho.
Apanhei um! � agora!
Bolas!
- D�s-me espa�o, por favor? - Caramba!
Apanhei um peixe. Vou pux�-lo, vou pux�-lo.
Pegue nele. Isso mesmo. Sim!
Sim! Puxe-o.
- Mas que raio! Merda! - Meu Deus!
- Que � isso? - N�o � um peixe.
- Meu Deus! - Capit�o, n�o � um peixe!
- J� vi. - Meu Deus!
- Vejam o dedo dele. - Lindo!
Acha que um tubar�o o apanhou? Talvez um tubar�o-branco.
Eu percebo de tubar�es.
� mesmo assim. Estamos muito bem e, de repente...
Adeusinho!
Vou avisar a guarda costeira.
Certo, eu vou contar aos meus amigos. O Muggo vai passar-se.
Estamos aqui para criar mem�rias.
Sim!
O telem�vel do Andrew Yancy passara a manh� a tocar,
mas ele decidiu ignor�-lo. Estava um dia demasiado bonito.
Era um homem simples e, como tal, apreciava prazeres simples.
Uma boa bebida de vez em quando. Sentar-se com uma vista bonita.
E, acima de tudo, um lugar ao qual chamar casa.
Ele adorava isso tudo.
Nem se importava com o visitante ocasional
que lhe comia os arbustos.
Era aqui que se sentia feliz.
Yancy, nunca atendes o telem�vel?
Calma, barulhento.
Olha para aquele bonit�o.
Est�o cheios de pulgas.
Raios!
Com tanta constru��o, os cervos j� mal aparecem.
J� viste o tamanho daquela espelunca? Vou pegar-lhe fogo.
N�o lhe pegues fogo.
Vou garantir que n�o est� l� ningu�m, mas vai arder.
Est� bem, pega-lhe fogo. O Sonny quer que v�s a Miami.
O limite do condado s�o dez metros, e esta porcaria tem quase 14.
S�o as Keys. Ningu�m cumpre os limites de constru��o.
Ent�o, tu, Miami, assuntos policiais.
- Vai ser um instante. - N�o posso, Ro.
Tecnicamente, j� n�o sou detetive.
Esta dan�a � mesmo necess�ria?
Quem est� a dan�ar? N�o h� dan�a.
Estou suspenso. N�o estou a dan�ar.
- Estou a falar deste vai e n�o vai. - N�o h� nada disso.
Amigo, queres recuperar o teu emprego, certo?
- Sim. - Tenho uma coisa no carro
que o xerife quer que leves a Miami.
Olha, vou adormecer.
- Estou cansado. - Sei que tens o teu orgulho.
Se quiseres fingir por um minuto
que n�o queres fazer isto, tudo bem.
Mas n�o me obrigues a passar o dia de papo para o ar.
N�o me podem suspender e esperar coisas de mim.
- N�o � assim. - Como queiras.
Isso � Barbancourt, certo?
Felizmente, sim, mas n�o tenho um copo para ti.
Fico com o teu.
Antes de ter sido suspenso, o Yancy e o Ro eram parceiros,
o que, �s vezes, ainda � pior do que estar casado.
Ao longo dos anos, o Ro aprendera a conseguir o que queria do amigo.
Bastava apenas alguma paci�ncia.
Que tens no carro?
BAD MONKEY, DE CARL HIAASEN
S� havia isto?
N�o, a cabe�a est� no lugar do pendura.
Se est�s muito rabugento para responder, diz isso mesmo.
N�o precisas de ser sarc�stico.
O m�dico-legista j� o viu. � um "homem branco, 40 e tal anos".
Disse que o dedo do meio deve ter sido "rigidez aleat�ria".
Tirou uma fotografia com ele.
Que parvalh�o.
Estou atrasado para o jogo da Natalia.
Gostava imenso de ir, mas preferia fazer qualquer outra coisa
do que ver mi�dos a jogar futebol. Mas tudo bem.
Faz-me um favor.
N�o te ponhas a mandar bitaites e a gritar.
Sei que �s porto-riquenho, mas tenta.
Vais deixar isso a� a noite toda? � uma prova.
Quem vai roubar um bra�o?
N�o sei. Guaxinins? T�m dedos pequeninos.
Est� bem, eu levo para dentro.
- Obrigado. - Sim. Tudo bem.
Liga quando chegares a Miami.
N�o te ou�o. J� n�o quero falar mais contigo.
Como eu disse, quase pareciam casados.
Adoro-te.
GABINETE DO XERIFE DE KEY WEST
Andrew, leva o bra�o daqui.
A publicidade negativa n�o � boa para o neg�cio.
- Vai afetar o turismo. - Tretas, Sonny!
O xerife era um tipo local chamado Sonny Summers.
Conseguiu o cargo por ser o �nico candidato que n�o estava detido.
Primeiro, o bra�o flutuante n�o vai afetar o turismo.
Nada vai afastar estes idiotas da �gua.
A praia de Rickenbacker Causeway est� cheia de �guas residuais.
E as pessoas v�o l� todos os dias nadar em merda, Sonny.
Isto � diferente.
O palha�o que o apanhou j� publicou uma fotografia.
BOA PESCARIA HOJE
Raios partam! Vou agarrar o touro pela cauda.
Pelos cornos. Agarra-se o touro pelos cornos.
Talvez. Esse bra�o tem de desaparecer.
Sonny, as probabilidades de o membro flutuar at� aqui s�o m�nimas.
A Corrente do Golfo segue para norte.
A s�rio? Eu nasci aqui.
E se Miami n�o aceitar o bra�o?
Convence-os.
Amanh� vou anunciar
que a investiga��o foi entregue �s autoridades do condado de Miami-Dade.
- Estou a contar contigo. - Isso n�o me parece inteligente.
Ouve.
S� aceito ir l� com uma condi��o.
Estou a morrer em casa.
Preciso que retires a suspens�o.
Fala com a tua namorada. O teu problema � a Bonnie.
Ela n�o hesitou em dizer ao promotor
que tu agrediste o marido dela de forma violenta e deliberada.
� por isso que eu nunca penso com a minha pila.
Sim, �s conhecido por isso. Nunca pensas com a pila.
O nosso amor � como um cometa cadente.
Palavras dela, n�o minhas. Mas � po�tico.
Deve ser de um dos livros que ela me deu.
- Leva o bra�o daqui. - Ela d�-me livros.
CARANGUEJOS FRESCOS
O Yancy n�o adorava conduzir at� Miami.
Tinha muitas m�s mem�rias l�.
Por outro lado, sabia bem estar novamente a fazer trabalho policial.
Tinha passado algum tempo.
DEPARTAMENTO DA POL�CIA DE MIAMI
Ol�, tudo bem?
Vai-se andando. Posso ajudar?
Chamo-me Andrew Yancy. Venho das Keys.
Pode tirar um gelado, mas os caranguejos est�o reservados.
Vou com�-los mais tarde.
Est� bem.
Foi uma rigidez aleat�ria.
N�o sei porque o disse, porque o deve saber.
Isto � muito espa�oso. Deve ser agrad�vel trabalhar aqui.
Parece um plano aberto.
� a nova moda no local de trabalho. Mais aberto, menos fechado.
At� gosto de morgues, sobretudo no ver�o.
S�o fresquinhas.
Est�o sempre nos 15 oC.
Desculpe. Esqueci-me completamente de lhe perguntar o que acha de morgues.
Est� a ser m� ou engra�ada?
M� e engra�ada. Por favor.
Claro.
N�o sei nada sobre tubar�es. Vou ter de incomodar um bi�logo marinho.
Certo. Dra. Rosa Campesino. Gosto do seu nome.
Sinto-me aben�oada.
Ent�o, trouxe isto das Keys porque...
O meu xerife achou que este ap�ndice em particular
podia pertencer a uma v�tima daqui e talvez pudesse ficar em Miami,
onde bra�os cortados s�o comuns. Portanto, por favor?
Tenho aqui o invent�rio atual do condado
- de partes de corpo. - Certo.
E nenhum corresponde a um homem branco, moreno e com 40 e tal anos.
Gaita!
Gaita, de facto.
Viu que lhe falta o rel�gio?
Est� a ver?
Se algu�m lho tirou, pode tratar-se de um homic�dio.
O meu xerife n�o vai adorar a palavra "homic�dio".
Talvez o tubar�o que atacou este coitado tamb�m goste de comer rel�gios.
Se algu�m lhe tirou o rel�gio, porque n�o levaria tamb�m a alian�a?
Parece ser de platina.
Muito bem! Um argumento v�lido.
N�o � novidade. Pergunte por a�.
Sabe que mais? O �mero est� em bastante mau estado.
Isso mesmo. Talvez ele tenha ido pescar sozinho.
� um senhor solit�rio. E foi contra a h�lice do barco.
- Foi assim que morreu o meu av�. - N�o foi nada.
Sim, ele ainda est� vivo, mas podia ter acontecido.
Sim, talvez.
Parece um pouco um ferimento de uma h�lice.
Parece mesmo um ferimento de uma h�lice.
- Tem jeito. - Mas n�o � um problema meu.
Est� a dar cabo de mim, Rosa. N�o diga o que eu acho que vai dizer.
Desculpe, n�o � um caso meu.
Usar mortos para fazer piadas d� imenso azar.
S�o de manga. Boa!
Afinal, n�o � assim t�o parvo.
Sim. Os de manga s�o os melhores.
Devia voltar a lev�-lo para as Keys. Espere um pouco
e veja se aparece algu�m � procura do marido.
E se n�o aparecer ningu�m?
Rosa, � muito triste quando o amor verdadeiro corre mal.
- Verdade. - Adorei tudo em si e neste s�tio,
apesar de n�o ter ficado com o bra�o.
Adeus.
Grande surpresa.
N�o aceitaram a porra do bra�o. Que queres que fa�a?
A bola. Natalia, a bola!
N�o grites com ela.
Diz-lhe que a adoras.
Com a mesma energia com que gritaste, Bobby Knight.
- Adoro-te! - Est� muito melhor.
Que queres que fa�a com esta merda?
A geleira j� cheira a cebolas velhas. E n�o no bom sentido.
O carro est� a cheirar a morte.
Deixa-a nalgum s�tio.
N�o sei qual � a marca da geleira,
mas � bom que n�o digam que disfar�a os odores, porque � mentira.
Certo, ouve.
Obrigaste-me a andar com uma geleira que n�o cumpre o prometido.
Bolas! Concentra-te.
Segue a estrada 905 at� North Key Largo.
H� l� canais cheios de crocodilos esfomeados.
N�o sei. Vou pensar nisso, Ro.
Preferia que n�o o fizesses. Desde quando pensar te ajudou?
Porque queres que me livre do bra�o?
Parece que � o bra�o da tua sogra. E se fosse o da tua m�e?
V� l�!
Ningu�m o vir� procurar, e o Sonny n�o o quer c�.
N�o � nada de especial.
E se n�o tiver sido um acidente? N�o me parece bem.
Estou a pedir-te que, por uma vez, fa�as o melhor para ti.
Livra-te do bra�o e vem para casa.
O Yancy sabia que, para reaver o emprego, bastava evitar sarilhos.
Infelizmente, os sarilhos pareciam andar sempre atr�s dele.
Cheira bem.
Vou abrir o vinho.
Ainda vais testemunhar contra mim, certo?
Certo.
Trouxe-te algo.
Boa! Um livro.
Porque fazes sempre isto?
- Vais ador�-lo. - Sim.
Parece que � sobre ti.
Parece grande. N�o sou t�o complicado.
� um Bord�us de 2009. Devia t�-lo decantado algum tempo.
Saboreia-o.
Desculpa.
Onde est� o senhor doutor?
O Cliff est� em Lauderdale.
Tem uma reuni�o amanh� com os nossos banqueiros.
Deve ser bom ter banqueiros.
N�o sejas enfadonho, Andrew.
Repete l� porque ele n�o pediu o div�rcio.
O Cliff ama-me.
Mesmo depois de nos apanhar juntos?
- A s�rio? - Sim.
� f�cil perdoar-me, Andrew.
Acho que o Sonny retiraria...
- Meu... - ... a minha suspens�o
se convencesses o Cliff a retirar as acusa��es.
Foi por isso que me convidaste para jantar.
Isso n�o � verdade.
Convidei-te para jantar todos os dias desta semana.
� verdade.
N�o te liguei porque sinto que isto chegou a um fim natural.
Um julgamento seria mau para todos.
Sobretudo para o teu marido, a alegada v�tima.
Alegada?
Andrew! Est�s a falar a s�rio?
Mas que raio?
Eu n�o fui a �nica testemunha.
Todos o ouviram gritar:
"N�o, n�o, n�o!"
Ele tinha-te chamado prostituta.
Eu andava a tra�-lo!
E deu-te uma bofetada.
Com for�a.
� um �timo ano.
� melhor ir andando.
Devias mesmo decantar isso.
J� acab�mos o vinho bom. Este estava numa caixa na garagem.
O detetive em mim percebe porque o Cliff n�o te deixaria.
Ele j� tem 60 anos. N�o � necessariamente atraente.
Tu paras o tr�nsito e ainda n�o chegaste aos 40.
Sabes que j� tenho 42 anos, mas obrigada.
Mas porque n�o o deixarias tu?
Ele � um dermatologista parvalh�o que adora receitar medicamentos.
Ficarias bem com o div�rcio.
Ele tem algum poder sobre ti?
N�o mais do que eu tenho sobre ele.
Devias ver o hist�rico dele. � um pervertido.
Costumas sufocar-te quando bates uma?
Aconteceu uma vez, mas n�o foi de prop�sito.
Estava de gravata e tropecei.
Est� bem. Ganhaste, Andrew.
Amanh�, volto a falar com o Cliff.
Obrigado.
Gosto muito de ser detetive e...
... e h� poucas coisas de que gosto...
Sim.
Vou buscar gelo para o vinho. Queres?
N�o, obrigado.
Andrew! C�us, n�o!
- De quem � aquilo? - Merda. Bonnie!
N�o � o que pensas.
Ali�s, � exatamente o que pensas, mas tem uma boa explica��o.
Espera!
- Bonnie! - Caramba! Que fizeste?
N�o fiz nada! Est�s a exagerar.
Antes de prosseguir,
vou contar-vos uma pequena hist�ria sobre um jovem nas Baamas.
Sei que � irritante parar esta hist�ria quando est� a ficar divertida,
mas prometo que depois far� sentido.
Sejam pacientes.
Custa imaginar uma vida mais simples do que a do Andrew Yancy,
mas o Neville Stafford tinha-a.
Passava os dias a pescar, a comer o que pescava e pouco mais.
Desde que o Neville tivesse o seu cantinho no para�so, estava satisfeito.
Tamb�m era aqui que se sentia feliz.
E devo dizer-vos que, tal como o Yancy,
o Neville considerava a natureza � volta dele sua amiga.
Ol�, amiguinho.
Sr. Stafford.
Sr. Stafford.
Neville. Que quer?
Podemos falar?
Felizmente, o Neville tinha um amigo em casa para o apoiar.
A parceria deles tamb�m parecia um casamento.
N�o! Macaco feio. Feio.
Caramba!
Onde arranjou essa coisa horr�vel?
Seja simp�tico, ou o Driggs d� cabo de si.
Ganhei-o a jogar domin� contra um velhote em Fresh Creek.
Ele devia-me dinheiro. E disse-me:
"O Driggs � um dos macacos treinados
do �ltimo filme de piratas do Johnny Depp que fizeram aqui."
Disse que o podia ensinar a fazer tudo o que eu quisesse.
Driggs. Sobe.
Sobe. Sobe.
Era tudo mentira.
Como assim, tenho de sair da minha casa?
Envi�mos avisos.
Estive a pescar.
- Durante um m�s? - Gosto de pescar.
V�o construir aqui um resort.
Um senhor americano chamado Christopher.
Anda a comprar os terrenos todos.
Fim da conversa. N�o vou vender.
Mas a decis�o n�o � sua.
A sua meia-irm�, a Samara, na Florida,
� a fiduci�ria oficial e j� aceitou vender.
Como foi capaz?
Tenha calma. Ela tem de dividir o dinheiro consigo.
O resort vai ser de luxo.
Vai ter um bar tiki, piscinas de �gua doce ali,
campos de t�nis, um spa.
V�o chamar-lhe Curly Tail Lane.
O meu pai sempre chamou Green Beach a este s�tio.
Talvez antigamente.
Ele teve medo de dizer ao senhor o que realmente pensava.
Posso beber mais uma?
Mas passou-lhe.
Desapare�a do meu terreno.
O Neville n�o era o �nico a sentir que estava tudo contra ele.
Volto a repetir, Bonnie. N�o esquartejei ningu�m.
Liga-me de volta.
Felizmente para o Yancy, tinha algu�m em quem descarregar.
Os clientes n�o encontram a casa?
J� disse que � a grande e amarela.
Desculpe?
Est� um guaxinim morto na minha casa.
N�o era novidade para o Yancy.
Que chatice. Como foi l� parar?
N�o sei.
Parece ter sido atropelado por uma carrinha.
- Na sua casa? - Sim.
Sou o Evan Shook.
- � alto. - Certo.
Chamei o controlo animal, mas tenho clientes mesmo a chegar.
V�m de Dallas. Dava-me jeito a sua ajuda.
� o seguinte. Evan Shook, certo?
Eu quero ajud�-lo.
Mas d� imenso azar perturbar um animal morto, e n�o posso fazer isso.
Azar? Est� a falar de vodu?
N�o, amaldi�oa-nos. Posso emprestar-lhe uma p�.
N�o! Est� um pivete terr�vel.
Imagino. As coisas mortas costumam cheirar mal.
Merda!
- Fique bem. - Sim.
O Yancy sentiu o brilho quente habitual de quando fazia um inimigo.
Christina, como est�o?
Que se passa ali?
Algo com um guaxinim morto.
Fixe. Tens comida?
Vim c� a pedido do Sonny.
Que fizeste ao bra�o?
Disseste-me para o atirar para o canal, e foi o que fiz.
- Ainda o tenho. - Calculei.
Nunca me d�s mesmo ouvidos.
Isso � bom, porque uma senhora reportou o marido como desaparecido
num acidente de barco. - Demorou.
Estava na Europa.
O velhote ia �s Baamas numa viagem de pesca.
Eis a parte interessante. Ela quer o bra�o.
Quer fazer um funeral, tudo.
- Precisa do bra�o para o enterrar. - O caix�o vai ser pequeno.
Devem usar um normal.
Que desperd�cio de madeira.
O Sonny devia recompensar-me � grande por isto.
Imaginas como seriam as not�cias se tivesses perdido o bra�o de um morto?
Caramba!
O Sonny vai dizer � vi�va
que �s o guardi�o autorizado dos restos mortais n�o reclamados.
Ela chama-se Eve, parecido com Eva,
Stripling, parecido com stripper.
- Estou a ouvir. - Tens aqui o n�mero dela.
Vai ter com ela, d�-lhe o bra�o e pira-te dali.
- Sem conversas nem perguntas. - Porque sentes que tens de me avisar?
Queres mesmo falar sobre isso?
Sim, quero. Da� ter perguntado. �s vezes, � bom falar.
Comporta-te. Ela acabou de perder o marido.
Os meus p�sames, Sra. Stripling.
Obrigada. Sim, � terr�vel. Mesmo terr�vel.
Onde nos podemos encontrar?
H� um centro comercial a meio caminho para os dois.
Vai ser f�cil encontrar-me. Estarei de bon� azul.
Ol�.
- � o detetive Yancy? - Deve ser a Sra. Stripling.
Trate-me por Eve.
- Ol�. - Ol�.
Parece que vim comprar droga.
Acho que devia v�-lo, n�o?
Ele foi encontrado assim. � rigidez aleat�ria.
� estranho, eu sei.
� bastante �nico, mas...
N�o sei, mas � desconfort�vel.
- � muito desconfort�vel. - Sim.
Reconhe�o o anel, � mesmo ele. Que chatice.
Porra!
Sente-se bem?
Isto nem parece real. Estou num centro comercial...
... a olhar para o bra�o do meu marido.
- Vou lev�-lo. - N�o, eu ajudo.
- Obrigada. - Ent�o, encontraram o barco dele?
N�o, s� encontraram almofadas e bid�es de combust�vel vazios.
Havia uma mancha de �leo na �gua, a uns oito quil�metros do Farol Sombrero.
Ia mais algu�m a bordo?
S� o meu Nicky.
Ele ia a caminho de Cay Sal, para se encontrar com uns amigos.
O Yancy sabia que devia despedir-se
da Eve Stripling e do bra�o que cheirava a cebolas e n�o olhar para tr�s.
Vamos entrar no carro.
- N�o, lamento. - Tenho s� umas perguntas de rotina.
Tenho de ir.
Quando soube do desaparecimento?
Eu estava em Paris.
Foi um presente de anivers�rio do Nick.
E isto tamb�m.
- S�o bonitos. - Obrigada.
- Custaram uns dez mil. - Porque sussurrou?
N�o sei.
Enfim, n�o tinha tido not�cias dele, mas isso � normal.
Quando ele est� nas ilhas, nunca sei dele,
porque a rede l� n�o presta.
Ele deveria ter voltado no domingo depois de mim.
E, quando n�o apareceu, eu pensei:
"A viagem deve estar a correr bem." N�o liguei...
Porque n�o est� a apontar nada?
Vou lembrar-me de tudo.
Seria um �timo empregado de mesa.
Dizem-me muito isso. Mas, na pr�tica, fui terr�vel.
Despediram-me por ser demasiado soci�vel. Falava demasiado com os clientes.
Mas, como disse, isto � s� rotina.
Portanto, chegou quarta-feira, e ainda nada do Nick.
E foi quando a guarda costeira me contou...
... o que encontraram.
Meu Deus! Ele adorava aquele barco de pesca.
Chamou-lhe Summer's Eve, em minha honra.
Sabe que isso tamb�m � o nome...
Esque�a. Foi um gesto bonito.
J� termin�mos?
Quase. T�m filhos?
N�o, n�o temos. Ele tem uma filha, que �...
... t�o ador�vel.
Na verdade, ela vem ao funeral, no s�bado.
Ainda n�o...
... parece real.
Mais uma vez, os meus p�sames.
Obrigada.
Devias ter visto. Ela tinha a boca toda retorcida
e estava a ofegar, mas n�o havia som nenhum.
E ent�o?
Garanto-te que ela estava a provocar o choro.
Est�s a dizer que viste a express�o dela
pela janela do carro, enquanto ela passava?
Eu sei o que vi, Rosa. Tenho a certeza.
Posso estar enganado, porque era dif�cil de ver,
mas ela tamb�m disse que ia para as Baamas esta tarde,
durante uns dias, s� para estar triste.
E? Cada um faz o seu luto.
Anda, Tilly! Anda, sua tolinha!
N�o se costuma fazer o luto na praia.
Ol�!
Que lindo dia no para�so!
Vamos, querida.
Est� bem. Sabes tudo sobre tudo.
Que atitude negativa � essa? Pareces zangada com o mundo.
Passei a manh� a fazer a aut�psia de uma rapariga de 15 anos
que foi alvejada ontem na sua quincea�era pelo namorado da m�e...
Agora, sinto-me mal. Lamento, Rosa. Isso � duro.
Tiveste um dia desafiante.
Sim.
Ent�o, queres saber o que o estado tem sobre o Nick Stripling?
Sim.
Porque vieste novamente at� aqui para falar comigo?
Porque n�o viste os registos na tua esquadra?
N�o vim at� aqui para falar contigo.
Fiquei a meio caminho quando fui ter com a vi�va.
Depois, vim � cidade jantar com um amigo, o Tommy Biscayne.
E n�o � boa altura para estar a investigar na minha esquadra.
A �ltima parte � verdade. O resto, n�o.
N�o conhe�o nenhum Tommy Biscayne.
Aqui est�.
REGISTO DE DETEN��O
Aos 24 anos, teve um pequeno papel numa fraude com seguradoras.
Causava acidentes e entregava declara��es falsas.
� f�cil fingir les�es no pesco�o. Basta arranjar um m�dico desonesto.
Mas o jovem Nicky devia ganhar pouco com isso.
E ent�o?
Estou a tentar ver como conseguia comprar brincos de diamantes pind�ricos
e barcos. - E rel�gios desaparecidos.
Sim.
Tenho de descobrir o que lhe aconteceu.
Estive a investigar-te.
Trabalhaste nos Homic�dios. Em Miami.
Culpado.
- Que aconteceu? - Conto-te noutra altura.
Tudo bem. Gosto de trabalhar nas Keys, quando trabalho.
Na verdade, estou atualmente suspenso.
Conto-te noutra altura, depois de contar tamb�m a outra hist�ria.
De momento, estou s� a tentar descer na hierarquia
o mais depressa poss�vel.
- Obrigada por me animares. - Sim.
Noutra altura pode ser agora, se tiveres fome. Queres ir almo�ar?
Estou a sair com algu�m.
Boa! � bom saber.
Era s� se quisesses saber porque fui despromovido tantas vezes,
mas ele � grandalh�o?
� franco-atirador, da SWAT.
Sim, o tamanho n�o importa quando alvejamos pessoas.
S� temos de viver com a escurid�o... Obrigado, Dra. Campesino.
Agrade�o imenso. �s muito gentil.
At� agora, o Neville tinha tido uma vida calma.
O Driggs nunca o admitiria, mas tamb�m era bastante feliz.
Ainda assim, a ideia de perder a casa foi mais do que um abre-olhos.
EM BREVE
Foi um enorme incentivo.
E sejamos sinceros. Mesmo com um tipo calmo como o Neville,
uma pessoa tem os seus limites at� decidir ripostar.
Amigo! Que raio est�s a fazer?
Estou a mijar no dep�sito do combust�vel.
Desculpa, Willy. N�o sabia que usavas este.
Tudo bem, pagam-me na mesma. Quando acabarmos aqui,
temos de ir � praia derrubar a tua casa.
Calculei.
Queres ajuda?
Sim.
Mas que raio?
Yancy, porque n�o atendes o raio do telem�vel?
Passa na esquadra quando voltares.
O Yancy passou o resto da viagem a convencer-se de que eram boas not�cias.
Porque quer o Sonny falar comigo? Que fiz eu?
- Sabes o que fizeste. - N�o, n�o sei.
O Sonny falou com a Sra. Stripling,
e ela queixou-se de que lhe fizeste imensas perguntas.
Isso! Sim, j� me estou a lembrar.
Tamb�m ligou a m�dica-legista assistente de Miami.
Disse que voltaste l� para investigar um potencial homic�dio.
A Rosa traiu-me? At� gostei dela.
O Sonny est� furioso, mesmo furioso.
V� l�, Ro! J� estou suspenso. Qu�o mau pode ser?
N�o posso permitir que andes por a� a desrespeitar tudo e todos!
Est�s a perceber, rapaz?
A boa not�cia era que o Yancy j� n�o estava suspenso.
Estava despedido.
N�o o deixaram ficar com nada. Certamente n�o com a sua dignidade.
Mas tinha como ir para casa.
Ent�o, ouves as mensagens?
Falei com o Cliff.
Pelos vistos, j� n�o me achas um poss�vel assassino em s�rie.
Vou sentir falta disso.
Ele � um parvalh�o t�o teimoso, velho e fl�cido.
S� te quer ver a ser castigado.
N�o podes s� recusar um julgamento e aceitar as consequ�ncias que ele quiser?
E ele � que decide tudo?
N�o sou perito em direito, mas isso dar-lhe-ia imenso poder.
Andrew...
N�o � assim que se resolvem os problemas. Podes ir, eu j� vou ter contigo.
Estou a ir.
N�o posso passar por um julgamento, Andrew.
Se certas coisas se soubessem, a minha vida ficaria arruinada.
Por amor de Deus!
Que tem o Cliff contra ti?
Que fizeste?
Tu adoras ser o her�i. Portanto, aproveita.
Aceita as consequ�ncias por mim.
Como o Frederic, no Adeus �s Armas.
Leste um dos livros que te dei?
Tinha a televis�o avariada.
Andrew, este momento?
Nunca desejei tanto que soubesses o meu nome verdadeiro.
Querida, para que saibas, j� considero as mulheres muito confusas.
N�o tens de te preocupar com nomes falsos.
- C�us! - Ali, pela mil�sima vez,
o Yancy despediu-se para sempre da sua futura antiga namorada.
Grande dupla!
Levam-no numa p�. Eu podia ter feito isso.
V�o ter de dividir a gorjeta.
Estou a brincar. N�o vou dar gorjeta.
Ainda consigo cheirar o guaxinim morto.
Ou talvez me cheire ao aspeto horr�vel da casa.
Sabe porque me obrigaram a trocar as luzes exteriores por vermelhas?
- � pelas tartarugas beb�s. - Quem quer saber de tartarugas beb�s?
Os pais das tartarugas, e eu tamb�m.
Porque est� vestido � chulo? Tem um encontro escaldante?
Vou a um funeral. Vai ser divertido.
Tendo perdido o distintivo umas horas antes,
o Yancy sabia que n�o deveria estar a bisbilhotar o funeral do Nick Stripling.
Contudo, l� estava ele.
O cemit�rio...
Ol�, querida.
Sabes que � um funeral, certo? Consigo ver a tua vagina.
Vai-te lixar!
- Ol�, Simon. - Ol�.
- Gosto do teu chap�u. - Obrigado.
Obrigada, padre.
Pode tentar ser breve? N�o divague muito.
Deus o aben�oe.
Oremos.
O Senhor � o meu pastor. Nada me faltar�.
Obrigada, Denise.
- De nada. - Obrigada.
- Foi lindo. - Diz adeus ao Chad.
Parecem estar a tentar conter as l�grimas.
- Amigos do defunto? - Obrigada por teres vindo.
Nota-se que s�o agentes federais.
Porqu� o interesse nos Striplings?
N�o seja idiota.
D� azar praguejar num cemit�rio, amigo.
Ou � chuparem-se um ao outro?
Esque�o-me sempre.
A s�rio? Nem reagem? Pensava que �amos gozar.
V�o pegar na bola e ir-se embora? Certo.
Ele vai ver a luz.
N�o chores por ele, porque ele est� nas �rvores e no ar.
ADORADO MARIDO E PAI
Os meus p�sames.
Era amigo do meu pai?
Sou o detetive Yancy. Ou era.
Fiquei respons�vel pelos restos mortais do seu pai
e queria apenas disponibilizar-me caso a fam�lia tivesse alguma pergunta.
Belo chap�u, j� agora.
Por respeito, a Caitlin jurara ficar at� enterrarem o pai.
Mas que raio?
N�o o podem enterrar at� todos os enlutados terem sa�do.
N�o sei se � verdade. Acabei de o inventar.
Vamos, Simon.
Afinal, tinha raz�o. Quem diria?
Eu tenho uma pergunta.
Espreit�mos na casa funer�ria, e o bra�o do meu pai estava...
� rigidez aleat�ria.
- De que est� a falar? - Certo, devem ter tratado disso.
Ela est� a falar da alian�a. Diz-lhe, querida.
A Eve trocou-a. Era de platina, e agora � de ouro amarelo de 14 quilates.
Talvez, n�o sei. Mas isso � legal? Roubar-lhe a alian�a?
Sendo esposa, tem esse direito,
mas, se ficou incomodada, porque n�o fala com a Eve?
Ela odeia-me, e eu odeio-a. Ela � uma vadia!
Querida, por favor.
Simon, vai para o carro. Vai para o carro.
Impressionante.
Ainda est� no caso, ou n�o?
S� h� caso se surgirem informa��es novas.
N�o h� muito mais a fazer.
A Eve matou o meu pai.
Tenho a certeza de que ela o assassinou.
Porque acha isso? Ele disse alguma coisa? Estava infeliz?
Como hei de saber se ele estava feliz?
N�o falava com aquele sacana h� mais de um ano.
O Neville tamb�m n�o sabia o que fazer,
mas sabia de algo que ajudava sempre.
Aqui est�. Bom proveito.
Neville!
Porque n�o foste ontem ao bar?
Estive na casa da Tanny.
Ela agora acha que sou rico, o que � bom.
� muito bom.
Eu pago as bebidas se me ajudarem a arranjar forma de manter a minha casa.
- Tens alguma ideia? - Tenho uma.
- Al�m de mijar nos tanques. - Ent�o, n�o.
V� l�! Pensem.
Por agora, vamos s� beber.
- Sim. - Sim.
Sim.
Gastei o meu dinheiro todo a pagar-vos bebidas,
e n�o me deram ideias.
Somos um mau investimento!
Acreditas em Obeah?
Em Obeah? Aquela cena vodu? V� l�!
� o mesmo que pagar a um m�dium.
� o mesmo que os disparates de que fala a B�blia.
V� l� o que dizes.
Estou s� a dizer. Talvez um dia pudesses visitar a Rainha Drag�o
Desde pequenos,
o Neville e os amigos tinham ouvido hist�rias assustadoras
sobre a Rainha Drag�o e os seus poderes m�gicos.
� aqui que ela vive.
A fam�lia dela est� h� anos na ilha.
- N�o sei. - Tens medo dela.
- N�o. - Eu tenho.
E com raz�o. A bruxa � uma devoradora de homens.
Dizem que os tr�s �ltimos namorados dela, todos jovens e saud�veis...
... morreram todos.
N�o tem piada!
J� deveria ser bastante claro
que o Yancy n�o era de esquecer as coisas.
- Muito bem, quanto te devo? - Por este trabalho marado?
- S�o 300. - Posso dar 250.
Est� bem, 250.
Mas, quando o tipo se passar e a quiser tirar, ele que me ligue.
Miguel, a quem mais vai ligar? Tens �tima pontua��o na Yelp.
�s o melhor apicultor daqui at� �s Redlands.
- Sim. - Mas, quando o dono te ligar,
talvez n�o possas vir logo.
Est� bem, mas vai custar-lhe mais 20.
Chega de negociar. Est� fechado.
Ofere�o o resto deste charro.
Excelente erva, Sr. Agente. Chama-se Trainwreck.
- Chama-se como? - Trainwreck.
Combinado. Levas-me � cidade, e eu pago o jantar?
- E bebidas? - Miguel, est� fechado.
Gaita!
Senti-me mal por me ter rido e pedi desculpa como deve ser.
- Toma. - Obrigado.
Sabes de que tipo de tubar�o s�o?
De um tubar�o-de-pala.
Ou de um tubar�o-lim�o beb�.
Sim, foi o que pensei.
Onde os arranjaste?
Estavam naquele bra�o que voc�s pescaram.
Os tubar�es-de-pala andam em �guas superficiais.
E, supostamente, o barco da v�tima afundou-se em �guas profundas.
Al�m disso, nunca vi um tubar�o-de-pala a arrancar um bra�o a algu�m.
N�o. N�o � poss�vel.
O nosso maior problema, Andrew, � que essa era a minha �ltima cerveja.
Vamos ao Half Shell?
Sim. Pedes-me uma? J� vou ter contigo.
Sim. Diverte-te.
Tudo bem, eu vou busc�-la. Muito obrigado.
O teu pai construi isto.
Como cabana de pesca.
Vim para c� quando ele morreu.
Nem imagino isto a desaparecer.
Vai falar com a Rainha Drag�o.
Acreditas mesmo nessas coisas?
Talvez.
A minha m�e acreditava.
A minha, n�o.
Al�m disso, Obeah � ilegal aqui.
Tal como fumar erva. E isso n�o te parece incomodar.
Ouve.
Se n�o tentares tudo, vais arrepender-te.
Est� bem.
S� n�o a enganes.
Dizem que ela consegue enfeiti�ar at� os homens mais fortes.
Portanto, vais ficar bem.
Se acabar morto,
o meu fantasma ir� atr�s de ti. - �timo, sempre tenho companhia.
Ela � cara, tens de levar dinheiro. E embrulha-o em papel castanho.
E leva-lhe �lcool como presente.
E vais precisar de uma pe�a de roupa do tipo da constru��o.
Pelos vistos, a Rainha Drag�o
precisava de algo que tocara na pele do construtor para lan�ar uma maldi��o.
E o Neville n�o acreditava nesses disparates,
mas achou que mais valia tentar.
Macaco lindo.
Naquela noite, o Driggs recebeu muitas uvas e uma cerveja fresca.
Tinha-las merecido.
V�o buscar creme e �culos de sol, porque amanh� estar� um lindo dia.
Sou a Heather da meteorologia, e esta foi a meteorologia.
H� anos que ela se engana.
Mas � uma brasa.
Podes crer.
S�o daquele senhor.
Quem � o teu amigo?
� o Phinney. J� trabalhou comigo.
Na verdade, foi ele que tirou o bra�o da �gua.
A s�rio?
Sim.
H� uns dias,
repreendi-o por n�o ter limpado o equipamento, e ele despediu-se.
Disse que j� n�o precisava das minhas tretas.
Agora oferece-te cerveja e ostras?
Est� s� a gabar-se. Disse que ganhou bom dinheiro.
- Como? - N�o fa�o ideia.
�MAN DE GAJAS
Lamento imenso interromper-vos,
mas ando � procura do �man de Gajas.
Algum de voc�s o viu?
- Aqui estou eu. - Sim!
� um �timo fio, porque diz logo quem �s.
- Sim, eu disse o mesmo. - N�o �?
- Sim. - Que queres?
Vim s� agradecer pelas cervejas.
Eram para ele, tu � que tamb�m estavas l�.
Soube que estavas no barco quando apareceu aquele bra�o.
Nunca tinha ouvido nada assim.
Sim, aconteceu.
Tenho uma pergunta, e diz-me se n�o for da minha conta.
Como consegue um imbecil desempregado como tu comprar joias e ostras?
�s pol�cia?
Desculpa, n�o pensei que ele se fosse embora.
N�o o posso deixar sozinho, porque as mi�das lhe v�o cair em cima.
N�o vais comer mais batatas? Vou ver o que o �man anda a tramar.
Que porra queres?
Gaita!
Noutra altura, se perguntassem ao Neville
se acreditava na Rainha Drag�o e nos seus poderes,
ele ter-se-ia rido e respondido que n�o.
Est� aberta.
Mas, estar ali em pessoa,
pareceu um pouco diferente.
Um de voc�s precisa de falar.
Preciso de Obeah.
De uma maldi��o.
N�o sei bem como funciona.
Senta-te.
Ya-Ya.
Deixa-nos, por favor.
Tenho de trabalhar.
Quando quiseres, Ya-Ya.
Vou fazer ch�.
Podes falar.
De que diabo te queres livrar?
De um construtor chamado Christopher.
O meu amigo Willy disse-me que ele volta esta noite.
Ent�o, o tempo est� a contar.
- Trouxeste dinheiro? - Sim.
Tamb�m trouxe isto.
Algu�m te informou bem.
Tens algo que perten�a a esse homem?
N�o � baamiano.
� verdade. � dos EUA.
A magia ter� de ser especialmente forte.
Sabes?
Se eu fizer isto por ti...
... ele poder� morrer.
Seja o que Deus quiser.
Olha para ti.
T�o motivado.
Muito bem.
Da pr�xima vez que me visitares,
talvez possas ficar c� um pouco.
Mas s� tu, sem o macaco.
Talvez possamos beber uns runs juntos, tu e eu.
Mas n�o hoje.
Que queres? Vai!
Sim.
Por alguma raz�o, a Madeline s� conseguia pensar
em como o Phinney a deixara escolher o restaurante.
Est�s bem?
N�o.
Sempre me perguntei para que s�o as luzes vermelhas.
S�o para as tartarugas beb�s.
Quando nascem, podem confundir as luzes brancas com a Lua e perder-se.
Meu Deus! Achas que ele vai ficar bem?
Infelizmente, acho que � s� espet�culo.
Lamento muito.
Sei que pode parecer que a hist�ria est� a chegar ao fim,
mas ainda vai no in�cio.
N�o respondeste. �s pol�cia?
Estou de licen�a.
Vais ter de responder a muitas perguntas.
Espero que me possas manter fora disto.
Mas, depois,
talvez possamos falar e tentar perceber quem matou o teu namorado.
Lembram-se de como foi chato quando interrompi a hist�ria do Yancy
e comecei a contar a do Neville e pedi para terem paci�ncia?
N�o! Macaco feio!
H� anos que conto hist�rias a turistas idiotas.
N�o vos estou a chamar idiotas, mas sabia exatamente o que estava a fazer.
Quando o Neville viu o Christopher, o construtor, chegar � costa,
espero que se tenha tornado claro.
N�o estava a contar duas hist�rias.
Estava a contar apenas uma.
Legendas: Diogo Gr�cio
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